Com menos de 15 anos de idade, dupla Os Desconhecidos domina redes sociais com covers de Misfits e Sisters Of Mercy

Com menos de 15 anos de idade, dupla Os Desconhecidos domina redes sociais com covers de Misfits e Sisters Of Mercy

24 de fevereiro de 2016 2 Por João Pedro Ramos

Nas últimas semanas, os vídeos da dupla de Mauá Os Desconhecidos começaram a ser compartilhados por gente como Wander Wildner, Jão (Ratos de Porão), Daniel Ete (Muzzarelas), a banda Olho Seco e até CJ Ramone. Afinal, a pouca idade da dupla, formada por Dennis Schivittez (8 anos, baixo e vocal) e Felipe Schivittez (13 anos, guitarra e vocal), chama a atenção de quem assiste. A banda grava covers caseiras de bandas como Ramones, Misfits, Ratos de Porão, Olho Seco, Devo, Sisters Of Mercy e Sex Pistols em seu próprio quarto, sem baterista, mas com uma “montagem de palco” condizente com a música tocada.

Os irmãos não pretendem ficar só tocando covers. “A ideia da banda é essa, fazer música”, explica Felipe. “Temos 13 músicas, mas temos que ensaiar pra colocar no Youtube, ainda estão muito ruins”, completa Dennis. Sobre o sucesso repentino e elogios de bandas consagradas, o irmão mais velho se diz surpreso até agora. “A gente não esperava, já que a gente só sabe tocar mais ou menos, e a gente ainda é criança…”

O duo de Mauá agora procura por um baterista da idade deles que queira completar o power trio. “Ele tem que gostar de Misfits, Iron Maiden, Dead Kennedys, Os Replicantes, Ramones…”, explica Felipe. E um monte de lixo também!”, escracha Dennis.

– Como vocês começaram?
Felipe – Tudo começou quando eu ganhei uma guitarra da minha tia, mas eu não sabia tocar ainda porque era muito novo. Aí quando eu conheci meu padrasto, vi que ele tinha instrumentos musicais e ele começou a me ensinar, e logo chegou meu irmão e começou a aprender também. Então eu comecei a tocar aos 10 anos de idade, por influência da minha família.
Dennis – Eu comecei com uns 30, por aí… Brincadeira! Comecei com uns 6 anos, quando vi meu padrasto tocando baixo com o meu irmão. Aí me interessei um pouco e ele já me ensinou “I Wanna Be Well”, “Soldados”, “Ainda É Cedo”, essas músicas mais fáceis. Aí depois comecei a pegar umas mais difíceis, como “Lucretia, My Reflection”, Motörhead, essas coisas.

– O repertório é escolhido por vocês mesmos?
Felipe – Sim, somos nós que escolhemos as músicas.
Dennis – Nós conhecemos algumas bandas, e algumas músicas nós tocamos e outras ainda não, porque são difíceis.

– Vi que muitas bandas estão compartilhando os vídeos de vocês, entre eles membros do Ratos de Porão, Inocentes, Olho Seco e até Misfits. O que vocês acham desse reconhecimento? Esperavam isso?
Dennis – Ah, isso é muito legal, isso é muito bom! Eu não esperava isso!
Felipe – Tem algumas bandas que eu nem conheço direito que curtem nosso som, acho isso muito legal e fico muito emocionado com isso. A gente não esperava, já que a gente só sabe tocar mais ou menos, e a gente ainda é criança…

– Quais bandas entraram em contato com vocês?
Felipe – A primeira banda foi Os Irmãos Rocha, que mandaram um e-mail pra gente e foi muito legal. Outros nos divulgaram, como o Wander Wildner, Ratos de Porão, Olho Seco e o CJ Ramone. Nos elogiaram muito, nós adoramos.
Dennis – Também o guitarrista e o baterista dos Misfits nos divulgaram. Eles são demais. E também outros que eu esqueci (risos).

Os Desconhecidos

– Como é pra vocês serem divulgados por membros de bandas que vocês adoram e fazem cover?
Felipe – Acho isso inacreditável, caras de grandes bandas reconhecendo a gente e a gente nem sabendo tocar direito!
Dennis – Não sei nem o que falar.

– Quem teve a ideia de subir os sons no Youtube?
Felipe – Meu padrasto teve a ideia, quando eu e o Dennis começamos a tocar juntos.

– Vocês pensam em chamar um baterista e completar a banda?
Felipe – Sim, nós queremos ter um baterista, alguém que seja mais ou menos da nossa idade.
Dennis – Ele tem que gostar de Massacration, e outras bandas também.
Felipe – Ele tem que gostar de Misfits, Iron Maiden, Dead Kennedys, Os Replicantes, Ramones
Dennis – E um monte de lixo também!

– Opa, lixo às vezes é bom. Que tipo de lixo?
Dennis – Toy Dolls, Senhor da Eternidade, Coração Melão (do grupo Hermes e Renato) e Ratos de Porão também, porque eles são muito foda!
Felipe – É, o João Gordo é foda.
Dennis – (Imitando os Irmãos Piologo) E Havaiana de Pau! E Travesseiro de Pedra também! (Cantando) “É pau, é pedra, é todo mundo rindo / É todo mundo falando / É todo mundo apanhando…”

Os Desconhecidos

Dennis no palco do Ratos de Porão

– Vocês pensam em fazer músicas próprias? Autorais?
Dennis – Ah, nós já temos 13 músicas, nós temos que ensaiar pra colocar no Youtube, ainda estão muito ruins. Vamos ter que ensaiar, ainda.
Felipe – É, eu e o Dennis gostamos muito de fazer muito. A ideia da banda é essa, fazer música. A gente não vai ficar tocando cover pra sempre.

– Podem me falar um pouco mais sobre essas músicas?
Dennis – Tem uma que é “Os Sentimentos”, que é baseada nos Cascavelettes, “O Dotadão Deve Morrer”. Meu irmão quer que ele morra logo, que ele tá me enchendo o saco!
Felipe – Essa é mais pro rockabilly. Tem uma música nossa que chama “O Tempo É o Tempo de Hoje”, que é meio baseada em “Tempo Perdido” do Legião Urbana, e obviamente fala sobre o tempo.
Dennis – E tem “Estamos Perdidos” também é influência de “Tempo Perdido”, só que um pouquinho mais punk. Ah, tem uma que chama “Os Bad Boys”, baseada em uns amigos meus que… a gente é tipo um conjunto, sabe? Ela é meio punk.
Felipe – Tem também a “The End”, que é em inglês, falando do fim e de tudo que está acontecendo. Vão ter outras em inglês também, até versões das músicas que já foram feitas, só que em inglês. E tem uma música nossa que se chama “Sushi Iraquiano” e ela é muito louca.
Dennis – E tem uma que chama “Não Quero Cantar Mais”, porque meu irmão só quer que eu cante as música. Ele não quer cantar nada, então isso me irrita, porra!
Felipe – Tem também “Ninguém Do Meu Lado”, que é porque o Dennis é um bundão e ninguém fica do lado dele.
Dennis – É ele que fica me xingando!
Felipe – Não, mas tu é um bundão mesmo.

– Vocês sabem que bandas com irmãos às vezes dão uns quebra paus, né? Como o Oasis, por exemplo.
Dennis – De tanto a gente brigar, a minha mãe quer fazer uma Havaiana de Pau pra bater na gente. E a gente fica de castigo, então ela arranca nossos cabelos, arranca o nosso couro.
Felipe – A gente vive brigando, mas irmão é assim mesmo!
Dennis – É que ele é um bundão!
Felipe – Bundão é você!
(Ouve-se ao fundo o começo de uma clássica treta de irmãos e em seguida a mãe dos dois decretando: “PÁRA!”)

– Muita gente fala que o rock morreu e o pop e o rap são os ritmos da juventude, afinal, rock seria música “de velho”. Muitas das bandas que compartilham os vídeos de vocês comentam sobre o futuro do rock… o que vocês acham disso?
Felipe – Vamos responder por partes. Vou começar com uma frase do Houdini: “As coisas boas nunca morrem”.
Dennis – Eu gosto muito de rock. As pessoas que não gostam de rock estão perdendo. Eu aprendo a escrever, ler e tocar com o rock.
Felipe – O rock é como a filosofia, faz as pessoas pensarem. Logo concluímos que as pessoas que gostam de rock também são mais inteligentes.
Dennis – Pra mim o rock não morreu, e se depender de mim, nunca vai morrer. Rock é muito rico e tem muitas bandas que são boas e temos que correr atrás delas.
Felipe – É importante não se contentar só com o que tem por aí e ir atrás de outras bandas. O rock não é moda. O rock é uma questão de cultura e valores.