Chamada de “a nova voz paulistana” pela Rolling Stone, Monique Maion trabalha em novo álbum

Chamada de “a nova voz paulistana” pela Rolling Stone, Monique Maion trabalha em novo álbum

16 de outubro de 2015 2 Por João Pedro Ramos

A cantora Monique Maion mistura jazz com blues desde 2005, quando começou sua carreira no Syndikat Jazz Club, em São Paulo. Suas performances dramáticas, cheias de personalidade e atitude glam rock a levaram a ganhar elogios de todos os lados, chegando a ser chamada pela revista Rolling Stone de “a nova voz paulistana”. Sua voz pode ter um timbre jazzy, mas a atitude é totalmente rocker. Hoje morando em Venice, em Los Angeles, Monique não pensa em voltar ao Brasil.

“Essa mudança mudou minha música completamente. A principio pensei que seria uma limitação, mas na prisma Californiana, de fato a vida é um oceano de possibilidades. Fiquei leve para rodar milhas, contrato de obrigações ficou menor. Finalmente aprimorei meu piano e aprendi a guitarra, ukelele. One girl band”, explicou a cantora. Monique já lançou discos com o projeto Sunset, em parceria com o músico Gustavo Garde, e também com a banda Os Fellas, além de seus registros solo. “Tenho material para mais um 5 discos”, revela a prolífica artista, que também tem projetos para livros.

Bati um papo com Monique sobre sua carreira, a vida em Los Angeles e a história de seu disco “Lola”:

– Como você começou sua carreira?
Considero os shows no Syndikat Jazz Club em 2005 o inicio da minha carreira. Tenho historias de shows anteriores na adolescência, mas foi uma fase laboratorial. Interiorizei a profissão após gravar uma demo amadora com standards jazz que usei para marcar a residência nesse petit JazzClub nos Jardins. Subi no myspace e em poucos meses recebi uma mensagem do Marcelo Viegas para a Rolling Stone. Depois de ver a primeira resenha na revista dos sonhos disse para mim mesma “Agora foi…” Caminho sem volta.

– Quais são suas principais influências?
Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Tom Waits, Arnaldo Baptista, Frank Zappa, The Residents, PJ Harvey, Cat Power.

– Me fale mais sobre seu disco de estreia.
“Lola” foi o parto da puta. Todo o karma concentrado em um embrião. Acreditei num plano de negócios do selo CurveMusic e era tudo mentira. A raiva era grande mas estava trabalhando em 3 outras bandas, não quis atrasar a carreira com brigas judiciais, me concentrei em apenas criar e pegar estrada. No total 4 discos e 1 EP vieram em 5 anos. Minha resposta para o caso “Lola” foi o EP “The Stolen Records” , inicio do meu último disco lançado pela Recohead em 2014 “Monique Maion & Banda estrelando Os Fellas”.

Monique Maion

– Conta melhor a história desse disco que foi roubado.
O “Lola” não foi roubado. “Lola” teve um contrato ruim com esse selo Brasil-Londres. Nunca recebi o CD fisico, foram vendidos 500 copias na Coreia, top vendas online na Rússia e não vi a cor desse dinheiro. Quando estávamos em turnê pelo Reino Unido, as máscaras caíram. Portanto, decidi trabalhar o novo EP sem o selo, direito que era meu analisando o contrato que atrelava apenas o Lola com a Curvemusic, nenhum direito a Afonso Marcondes para minhas futuras obras que então não aceitou meu “Não, eu não vou trabalhar mais com você, pode ficar com meu primeiro disco”. Ele se apropriou indevidamente de 4 masters do EP e imagens da turnê que investimos do nosso bolso. Afonso começou a mal dizer meu nome pelo mercado e teve a audácia de me ameaçar de processo, eu sabia que ele não tinha a copia do nosso contrato inicial porque estava tentando me fazer assinar “uma nova versão atualizada” com mudanças de cláusula enquanto finalizada a turnê em Berlin. Eu senti o cheiro do cocô de longe. Meu telefone toca ate hoje com artistas implorando para eu contar meu caso porque estão prestes a cometer o mesmo erro. Muita sorte que não comprei a briga e coloquei meus advogados nesse caso. A justiça foi feita a longo prazo, após muito trabalho interno, resgatei os arquivos roubados em baixa qualidade. Arthur Joly recuperou as tracks e lancei o EP “The Stolen Records” com o clipe de “I Killed a Man”, blend de memórias das nossas câmeras pessoais e imagens de Daniel Lima que Baga Defente compilou e editou magistralmente.

– Você está trabalhando em um novo álbum?
Sim. Tenho material novo para mais de 5 álbuns. Música pra dar e vender. Escrevi uns livros também. Tudo ainda na gaveta e caixas pelo mundo.

– Como foi essa mudança para Venice e como ela influenciou sua música?
Tenho muitos sonhos lúcidos reveladores. Basicamente imagens de tsunami, ursos polares saindo do mar como Power Rangers em ação e abelhas, muitas abelhas. Na época eu estava vivendo o sonho, casada numa casa com horta, jardins, estúdio, quartos para hospedes, festas e muitos banheiros. Tinha um apego pelo nosso estúdio 77, perto da minha mãe no Jaraguá, cozinhamos o disco lá, Mamma Cadela, Nevilton, Onagra Claudique, Seychelles, várias bandas ensaiando em nosso lar.

Então meu irmão poeta Marcelo Ariel interpretou os símbolos nos meu sonho e disse “é melhor fazer as malas, você mudará para uma casa tão pequena que acordara no piano”. No dia seguinte o proprietário pediu a casa de volta. Ae mudanças vieram ladeira abaixo: separação, minha irmã perdeu a casa num incêndio em Florianópolis e o choque da morte do meu grande amigo Paulo Queiroz e meu disco empacado na fábrica. Eu precisava de férias da minha vida.

Minha grande amiga Flávia Moraes abriu suas portas em Los Angeles para mim. Flavinha também me deu minha primeira guitarra, que foi minha companheira de viagem pela Califórnia. Pra cá vim em 2013, sem planos, apenas com a guitarra e o coração na mão. Então decidi não voltar mais a não ser para tocar no Brasil. Acabei num quarto tão pequeno que o piano virou cabeceira.

Essa mudança mudou minha música completamente. Não tenho mais a disponibilidade dos meus parceiros excepcionais criando o universo paralelo para eu cantar. A principio pensei que seria uma limitação, mas na prisma Californiana, de fato a vida é um oceano de possibilidades. Fiquei leve para rodar milhas, contrato de obrigações ficou menor. Finalmente aprimorei meu piano e aprendi a guitarra, ukelele. One girl band.

Hoje tenho um Circo sob rodas. Sou dona do meu palco, não toco por cerveja, sou respeitada nos Estados Unidos, não há trabalho sem contrato e depósito e luto pelos direitos humanos do artista ativo – segurança na alimentação e abrigo. Sou afiliada ao movimento Feed the People – Occupy Venice e tenho um trabalho ativo no criação e cultivo de hortas urbanas (Community Healing Gardens / The Learning Garden). Também contribuo com a MusicCare e Grammy Foundation que disponibiliza recursos para músicos em recuperação. Me sinto mais realizada aqui.

Monique Maion

– As pessoas ainda buscam os discos completos? Vale mais a pena apostar apenas em singles?
Sim, o real colecionador/pesquisador musical deseja bolacha na mão. Arthur Joly na Recohead é o canal no Brasil.

– Você chegou a ser chamada de “a nova voz paulistana” pela Revista Rolling Stone. Quem você indicaria como novas bandas e artistas que representam esta cena de SP que está surgindo?
Sou fã do Chucrobillyman, Filipe Catto, Karina Buhr, Karine Alexandrino, Thalma de Freitas, Os Haxixins, Blubell, meus amados Seychelles e sempre de olho nos mestres ativos André Abujamra, Arrigo Barnabé, Arnaldo Baptista, Tom Zé.

– A música pop ficou pior com o passar do tempo ou as críticas ao sertanejo e ao pop de hoje em dia são infundadas?
Acredito que hoje em dia, com o mundo digital, você é responsável pelo o que consome, portanto o mercado pop e sertanejo comercial não fazem parte do meu mundo, nem sei quais são as criticas de hoje dia porque simplesmente não existe para mim.
Eu gosto da música caipira de antigamente a la Viola minha Viola e gosto dos bons pops como Lykke Li, The Asteroids Galaxy Tour.

– Que bandas e artistas têm feito sua cabeça nos últimos tempos?
Acompanho todos os frutos dos produtores: Shawn Lee e Gregg Foreman. Sou fã. LA Witch, Ivory Deville e Kathy Meyers são minhas bandas prediletas em Los Angeles. Hidden Charms de UK me impressionou em seu show de estreia em Hollywood.

Ouça aqui o trabalho de Monique Maion: