Chalk Outlines lança novo single “Bowing Back”, influenciado por espetáculo de ballet

Chalk Outlines lança novo single “Bowing Back”, influenciado por espetáculo de ballet

21 de novembro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

O Chalk Outlines acaba de lançar o sexto single de sua carreira, “Bowing Back”, criado após o vocalista e guitarrista Bruno Palma ficar encantado por uma apresentação de ballet. “É meio engraçado falar isso, mas é verdade mesmo. Eu me identifiquei com o que rolou ali. Foi como ver uma encenação de momentos da minha própria vida, só que em forma de coreografia”, explica. A banda, também formada por Erick Barros (guitarra), Eduardo Zampolo (baixo e backing vocal) e Samuel Malentacchi (bateria), surgiu a partir da transformação do extinto grupo de hardcore H.E.R.O em 2013. As referências musicais são diversas e refletem no som sem amarras do quarteto: eles vão do punk ao indie, passando pelo grunge, shoegaze e até a velha e boa música de dentista da Alpha FM.

Parte do ótimo cast da Howlin’ Records, o grupo cita como influências bandas como Ramones, The Replacements, Stone Roses, Faith No More, Sonic Youth, Sugar, Hüsker Dü, Tears For Fears, Swervedriver, Superchunk, Big Star, Midnight Oil, Gin Blossoms, Soul Asylum e até Ace Of Base. Falei com Bruno sobre “Bowing Back” e “International Waters”, single que vem por aí em breve, além da carreira da banda, a vida de artista independente e muito mais:

– Me falem um pouco mais do single novo, “Bowing Back”!

Eu fiz “Bowing Back” depois de ter assistido a um espetáculo de ballet. É meio engraçado falar isso, mas é verdade mesmo. Eu me identifiquei com o que rolou ali. Foi como ver uma encenação de momentos da minha própria vida, só que em forma de coreografia. Bem doido. A música a gente foi fazendo junto. Chamamos o João Paulo do Lava Divers pra participar porque a gente ama a banda dele. E ele é um cara sensacional. O Aecio, que gravou, mixou e masterizou “Bowing Back”, botou uma meia-lua ali também.

– E como foi gravar o clipe com o Raul Fernandes?

O Raul é amigo meu da época da faculdade. Ele fez, junto com a Verônica Gubert, o nosso primeiro videoclipe, “Gold”. Quando “Bowing Back” ficou pronta eu mandei pra ele e perguntei se ele animava de fazer mais um. Ele topou na hora. Depois de uns dias ele veio com a ideia de gravar esse artista que ele conhecia. E assim foi. Ele passou um dia lá com o Francisco Baratti, que está com 95 anos de idade e trabalha todos os dias. Foda, né? E ele dançou ouvindo nosso som. Foi demais isso!

– E o que podemos esperar do próximo, “International Waters”?

Acho que “Bowing Back” é nossa música mais pop. “International Waters” é bem outra história. Tem bastante guitarra, bastante textura, bastante ruído. E uma parte dela é um samba que eu inventei, mas que na música não parece samba. É meio difícil explicar isso, mas o fato é que ela tem uma progressão de acordes que é super do samba, pra cantar com “laiá laiá”.

– Me falem um pouco mais sobre o material que vocês lançaram até hoje.

A gente só lançou single até hoje. Foi uma coisa que aconteceu por pura falta de dinheiro pra fazer um disco inteiro, mas que a gente começou a curtir. É um formato legal de trabalhar porque a gente adora pirar em como vão ser as capas e tal. E a gente tem capas que são trampos de artistas que a gente curte um monte: PC Pereira, João Gonçalves, Xilip, Estela Sokol e Gui Mohallem. A de “International Waters” é um trabalho do Nazereno, que é um artista incrível. Fora isso, a gente tá adorando trampar nas músicas do lado B. Atualmente, a gente faz o lado A em estúdio e o lado B em casa. E o lado B é sempre uma versão de músicas nossas que a gente nunca gravou. A gente toca em show do jeito que a gente fez, com bastante guitarra, mais banda mesmo. Só que na hora de gravar pro lado B a gente subverte. Fizemos uma acústica, uma meio com a cara do Billy Idol e a mais recente, “All Over”, que é o lado B de “Bowing Back”, é como se fosse o Guilherme Arantes jogando Super Mario louco de batida de abacaxi com vinho. E a próxima é um reggae que deu muito errado.

Chalk Outlines

– Como a banda começou?

Todos nós tocamos na última formação do H.E.R.O, que era uma banda de hardcore. Quando o Tranka (vocal do H.E.R.O) resolveu sair fora a gente decidiu continuar tocando junto, mas dar uma reformulada. Nós todos gostamos de hardcore, mas de muitas outras coisas também: indie, shoegaze, grunge e tal. E a gente ama as músicas que tocam na Alpha FM também. Elas, aliás, acho que até inspiram mais a gente do que o rock mesmo. A banda começou em 2013 e de lá pra cá a gente tem tocado por aí e lançado esses singles. Com “International Waters” serão sete.

– De onde surgiu o nome “Chalk Outlines”?

Cara, não sei. Dar nome pra banda é uma das coisas mais chatas que existem nesse mundo. Tudo, absolutamente tudo, soa absurdamente brega. Chalk Outlines foi uma ideia dentre um monte de outras ideias, que eu felizmente nem lembro mais. Acho que foi a ideia que a gente ficou com menos vergonha e por isso ficou como nome.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Rock alternativo dos anos 90, as baladinhas que embalavam a dança da vassoura das festinhas que a gente ia na adolescência e trilhas de novela, tipo “A Viagem”. Essencialmente, é isso o que a gente é.

– Como vocês veem a cena independente nacional hoje em dia? Ela tem como crescer?

Complexo pra caramba. Tem artista independente que está em trilha de novela da Globo. Sem brincadeira. Se você pensar nesses termos, no independente está esse cara, que teve sua música executada por seis meses de segunda a sexta em “Velho Chico”, e tem a gente, que tá absurdamente longe desse cenário. A gente segue tocando. A gente ama tocar. E a gente nem tem grandes pretensões nem nada. A gente só quer continuar. Mas ensaiar, gravar, manutenção de equipamento… É tudo caro pra caralho. Então a gente precisa se organizar financeiramente pra poder sobreviver mesmo. É difícil, é cruel, mas a gente vai achando maneiras de fazer rolar.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Depende do contexto. Se a pessoa pergunta por curiosidade genuína eu tento explicar que a gente curte rock alternativo, tipo Superchunk e Seaweed, mas que a gente pira um monte em Sade e Elton John, e que a gente busca um pouco dessa mistura no que fazemos. Se é alguém que pergunta por perguntar, tipo parente, eu falo que a banda é de rock e torço pra não perguntar se parece Charlie Brown.

– Quais os planos da banda para 2017?

Lançar mais singles. Provavelmente vamos lançar mais quatro singles no ano que vem. Estava falando hoje mesmo com o artista que vai assinar uma das capas. Também queremos tocar mais fora de São Paulo. Fomos recentemente pro Rio de Janeiro e pegamos gosto, então estamos agilizando pra viajar mais no ano que vem.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Cara, tem tanta coisa boa rolando. É até difícil recomendar. Nós temos umas bandas irmãs, que são o The Hexx, o Horace Green e o Cristo Bomba. A gente ama esses caras de paixão. O Lava Divers e o Bloodbuzz também são massa demais. Tem também Blear, Loyal Gun, Vapor, In Venus, Kill Moves, Cipriana, Better Leave Town, Mudhill… Todas bandas muito foca. Fora do rock, piro na MC Linn da Quebrada, que tem um trampo genial.