Demonia, de Natal, prepara-se para dominar o mundo com single “Reptilianos Malditos”

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Demonia

“Reptilianos Malditos” é o pontapé inicial do quinteto de Natal Demonia, formada por Karina Moritzen (vocal), Nanda Fagundes (guitarra), Isabela Graça (guitarra), Karla Farias (baixo) e Quel Soares (bateria). O som fala sobre assuntos conspiratórios como os Iluminatti, a Nova Ordem Mundial e a Elite Oculta, coisas que sempre aparecem na internet em teorias interessantíssimas, mesmo que muitas vezes malucas.

O quinteto está atualmente trabalhando em novas músicas que em breve serão lançadas. “Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso”, conta Quel. “Estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos”, completa.

– Como a banda começou?

Quel: A banda começou de uma ideia de Karina, ela queria montar uma banda só de meninas. Antes disso ela teve um outro projeto (também de meninas) que era a Monstra, porém não deu certo e acabou que ela nos convidou para fazer parte dessa banda, o que acabou dando certo.

Karina: Amanda Lisboa, uma amiga minha aqui de Natal, fez um post no Facebook querendo montar uma banda só de minas. Chamava Monstra e ensaiamos algumas vezes, mas não tava indo muito pra frente, então eu puxei a Karla, que tava na Monstra e chamei as outras meninas. Eu conhecia Quel da Joseph Little Drop porque sempre curti muito a banda, e a Karla e Quel são amigas de longa data. Não conhecia muito bem a Nanda, porque ela é bem mais nova (tem 19, eu acho), mas sabia que ela tocava guitarra e chamei pra tocar. A Isa eu sabia que tocava baixo e ela tava falando no Twitter que queria tocar, mas como precisávamos de guitarrista, chamei ela e ela topou também.

– Agora me expliquem um pouco da letra do primeiro single, “Reptilianos Malditos”!

Isa: A música foi feita porque eu sempre gostei do assunto, Iluminatti e Nova Ordem Mundial, Elite Oculta e etc… Eu vi um site sobre isso chamado Danizudo, onde ele expõe essa galera, faz uns videos e textos sobre isso e com base nisso eu decidi fazer uma música com essa temática, que é meio que expondo a raça dos reptilianos, que eles vieram pra cá há muito tempo atrás e construíram as pirâmides e até hoje eles formam a Nova Ordem Mundial, que controla todas as pessoas.

– E vão rolar outras músicas falando sobre temas conspiratórios assim? O que podemos esperar das próximas músicas do Demonia?

Quel: Estamos em processo de gravação de mais umas músicas nossas.

– Podem adiantar alguma coisa?

Quel: Em breve sairá a música “Espaço Sideral”, que é uma música meio debochada, porém fala sobre nossos direitos que estão cada vez mais sumindo, graças ao presidente postiço Michel Temeroso. e estamos viabilizando também uma gravação lo-fi de um show para jogar na internet para a galera sacar nosso repertório. O processo dessas gravações demoram mais, por que a gente faz tudo com a grana que a gente recebe. Está acontecendo aos poucos e sempre deixamos os nossos fãs a par dos nossos processos.

– Isso me leva a perguntar: como vocês veem a cena musical independente hoje em dia?

Quel: Ainda está caminhando devagar, porem a gente ver que a cena vem de um certo modo avançando. Tem uma galera ai fazendo o rolê acontecer. Karina também tem um selo (Brasinha Discos) no qual produz muitos eventos, e esses eventos sempre são abertos a bandas novas, isso ajuda a incentivar mais a galera a produzir musica própria e dar o gás para continuar também.

– Como chegaram ao nome Demonia e o que ele significa para a banda?

Quel: O nome Demonia é mais uma afronta, vivemos em um mundo bem machista e o nome é bem impactante, e como falamos sobre machismo e outros assuntos o nome é mais pra afrontar essa galera mesmo. Mostrar que somos mesmo as demônias que irão tocar nesses assuntos aí, quer queira, quer não. E isso é muito foda, porque as meninas se sentem bem confortáveis em nossos shows, às vezes falamos o que elas gostariam de falar e não tem coragem.

– Como vocês veem esse crescimento do conservadorismo e o machismo ainda presente no mundo da música (e fora dele)?

Quel: Isso é um puta retrocesso na humanidade, e vemos isso na política e infelizmente alguns desses personagem políticos acabam influenciando a sociedade, é tanto que a gente pode ver um candidatos a presidência do Brasil que é basicamente isso, o Bolsolixo. Um machista conservador que vem tendo muita visibilidade… É foda, e muita gente cai nas conversas desse bicho. Isso reflete muito na sociedade, quando você tem uma mídia que também é manipulada, a maioria da sociedade que tem acesso a esses canais acabam sendo influenciados.

Karina: Quanto a isso de conservadorismo e machismo, a gente vê com muita raiva e tristeza. É um tema muito recorrente nas nossas músicas, falamos sobre o golpe parlamentar, sobre o abuso no Supremo Tribunal Federal de Gilmar Mendes, sobre como é difícil nos sentir seguras em um mundo de homens. Ao mesmo tempo usamos bom humor pra deixar tudo mais leve, porque a gente não pode deixar essas pessoas ruins ganharem e tornarem o mundo da gente escuro como o deles é. A banda tem esse objetivo: afrontar quem quer defender retrocesso e entreter quem quer progredir se divertindo.

Demonia

– Como anda a cena independente em Natal?

Quel: A cena independente de Natal tá crescendo, podemos ver muitas bandas se sobressaindo, muitos nomes do meio underground fazendo sucesso, atingindo públicos. Nós somos uma dessas bandas e é muito lindo de ver esse progresso conjunto. Tem muito o que crescer, mas tá acontecendo devagar.

Karina: Faço mestrado em estudos da mídia e estudo como a internet tem dado destaque a nova música independente nacional. Eu sou bem otimista quanto à isso, acho muito massa ver os selos independentes ganhando espaço em festivais pelo brasil e arrematando cada vez mais público. A cena independente de Natal é linda. a gente tem muita história, tem um livro chamado “100 Discos Potiguares Pra Ouvir Sem Precisar Morrer” que documenta o rock daqui desde os anos 60.

– Quais são as principais influências do som da Demonia?

Quel: Então, somos 5 pessoas com estilos bem diferentes. Eu e Karla temos alguns gostos em comum: gostamos de umas tosqueiras como Os Pedrero, Mukeka di Rato, Skate Aranha e uns punk lo-fizão. A Nanda gosta de uns hardcore melódico e emo. A Karina é mais pro indie, e Isa tem muita influência afro e ritmos tropicais… E assim somos as Demônias!

Karina: A Isa eu acho que tá mais pro pop do que pra música afro (risos). Uma das bandas preferidas ela é Alabama Shakes. A Karla curte punk mas também ouve rap, ela coloca às vezes lá na casa dela, né, Quel? Atualmente eu tô bem empolgada com a Botoboy, acho incrível a performance do vocalista no palco. Mas temos artistas e bandas incríveis que nós somos muito fãs e são uma espécie de mainstream daqui, que o resto do Brasil não faz nem ideia que existe. Calistoga, Koogu, Fukai, são todas bandas incríveis que a gente acompanha há tempos a própria Joseph Little Drop que Quel toca é irada também.

– Quais os próximos passos da Demonia?

Karina: No momento estamos bolando uma session, mas tentando fazer com ajuda de amigos, pois não temos essa grana pra investir. É ralado, mas esperamos trazer um material profissional pro Youtube, que é onde a música está sendo mais popularidade hoje em dia. Queremos tocar em festivais também! Esse ano tocamos no Guaiamum Treloso em Recife e ainda não foi anunciado, mas vamos tocar no MADA aqui em Natal!

– Como vocês veem isso dos serviços de streaming e Youtube tomando conta?

Karina: Eu vejo com muito entusiasmo! Na minha pesquisa eu falo sobre como o Napster tirou o poder das grandes gravadoras e democratizou o mundo da música. Foi uma coisa incrível, um cara de um dormitório de faculdade criar um programa que destruiu toda uma indústria que era baseada em vendas de discos, obrigando-os a se remodelar. Antigamente você precisava que uma gravadora apostasse em você pra chegar em algum lugar. Hoje em dia
você tem total liberdade criativa pra criar o que quiser e jogar na internet, pra que pessoas que se identificam com o que você produz possam te ouvir e te acompanhar. Isso mudou tudo! É claro que as gravadoras se reformularam e não é nada um paraíso perfeito, mas que melhorou muito pro artista independente, melhorou. O Eduardo Vicente da USP tem um artigo chamado “A Vez dos Independentes” onde ele fala da cena de música independente do Brasil antes da internet. Era ralado, o músico independente precisava bater na porta das lojas de discos e pedir pra venderem o disco dele, coisas assim. Hoje em dia não tem mais isso, tá tudo muito mais horizontalizado, isso faz com que MC Loma, por exemplo, saia do interior de Pernambuco e vire o hit do Carnaval que produtores passam o ano inteiro tentando criar. Enfim, é tudo bem incrível e eu acho que esse retrocesso e conservadorismo é em parte uma reação do avanço rápido e repentino das pautas progressistas trazido pela internet.

– Tudo depende do “viralizar”, né.

Karina: Depende e não depende. Essa é uma discussão que tivemos num curso que fiz na UFRJ com o Jeder Janotti Jr da UFPE. Eu acho que existe hoje uma espécie de mainstream de nicho, onde você não precisa ter o alcance da MC Loma pra conseguir atingir seu objetivo como músico independente. Como exemplo disso eu cito o Boogarins. É uma banda que não tá na Globo, mas tá rodando o Brasil inteiro e enche casas de show por onde passa. Eu suponho que eles estejam bem satisfeitos onde estão, são a banda mais bem sucedida dessa cena atualmente, mas não são exatamente “virais”. Mas sim, com certeza os vídeos no Youtube deles terem varias visualizações é algo que ajudou a eles chegarem onde estão, a popularizar a banda. O Boogarins na minha opinião seria mainstream nesse nosso nicho dessa cena independente específica.

– Por fim: recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Karina: O disco d’O Grande Babaca tá sensacional, não vi falarem muito sobre mas tá com certeza um dos melhores da cena atual. O novo do menores atos também tá a coisa mais maravilhosa do mundo. Internacional eu sou apaixonada pelo Kane Strang e o Cosmo Pyke, mas eu acho que o Cosmo assinou com gravadora. Eu sou muito fã do Raça também, tô super ansiosa pelo disco novo. Letrux nós amamos e tivemos a oportunidade de conhecer no Guaiamum, foi genial! Bex, artista potiguar! Ela é paulista mas mora aqui em Natal Potyguara Bardo, uma drag que em breve sai um EP dela. Ela tem um talento absurdo, tem várias musicas no Soundcloud. Potyguara Bardo é uma drag que tem um hit no youtube (100k visualizações) chamado “Você Não Existe”, é uma lombra e Poty é uma fofa amamos muito. Ela gravou um EP recentemente e vai soltar muito em breve! Luan Battes, Joseph Little Drop. Bex, que é uma voz assim que sinceramente você vê ao vivo e parece coisa de outro mundo. E a Concílio de Trento, a outra banda de Nanda, hardcore melódico lindíssimo, acabaram de soltar um EP que tá com uma qualidade animal chamado “Tomara Que Não Chova”. Eu queria só agradecer você por se interessar na gente e se dispor a nos entrevistar! Você foi um dos primeiros a nos notar então muito obrigada por estar atento e buscando bandas novas pra fortalecer a cena!

Fluhe prepara para julho o EP “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, com influências de soul, trip hop e música africana

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Chico Leibholz já passou por diversos projetos musicais, mas o Boom Project foi o pontapé inicial para o seu trabalho mais autoral e pessoal, o Fluhe, que lançará seu primeiro EP, “Leve Devaneio Sobre Ansiedade”, em julho pela Alcalina Records.

Com influências de soul, trip hop, música africana, glitch e muito mais, ele compôs as canções do projeto sem muita pretensão para extravasar noites de insônia, depressão e ansiedade que lhe acometiam há algum tempo. Daí saíram músicas dedicadas às suas filhas, Luna e Helena, em um estilo que ele define como instrumental trip noise.

– Como surgiu esse novo projeto e como seus projetos anteriores influem no som?

Cara, surgiu de uma forma muito despretensiosa. Eu havia feito os rascunhos das músicas durante a segunda gravidez da minha esposa, e a princípio iria deixar no meu HD. Tirar a depressão, noites sem dormir e fadiga mental da minha cabeça. Nesse meio tempo fui chamado para tocar bateria em dois projetos, um com o Jimi Arrj e outro com o Rafa Bulleto. Basicamente juntei todos pra formar minha banda. O único projeto anterior que de fato influencia a Fluhe é a Boom Project, que era instrumental. Na real foi com a Boom que aprendi a fazer música instrumental, que hoje é o que (acho) (risos) sei fazer.

– E de onde surgiu o nome?

O nome é uma homenagem bem paternal. Fluhe é “for Luna and Helena “, que são minhas filhas.

– Pelo que entendi, elas são basicamente o motivo do projeto existir, certo?

Diria que o motivo é minha esposa. Elas são as melhores consequências disso tudo.

– E como você definiria o som desse projeto?

Instrumental trip noise. Peguei influências de soul, trip hop, música africana, glitch e fiz músicas sem pretensão. O noise vem de noites sem dormir e muita estafa.

– Me fala um pouco sobre as músicas desse projeto que você tem e como foram compostas. Pode ser tipo faixa a faixa, se quiser.

Massa!

01 – “Além das Bandeiras” – Numa dessas buscas infinitas madrugada adentro sobre eu mesmo caí em uma entrevista do John Lennon, de 1968. Ele fala como via o mundo naquela época, e basicamente parece semana passada. Fiquei com aquilo ecoando na cabeça e fiz um sample e depois criei a estrutura inteira.

02 – “Soturno Soturno” foi uma das músicas mais dolorosas durante o processo de gravação do EP ”Leve Devaneio Sobre Ansiedade” que sai em julho, via Alcalina Records. É a faixa que expressa um momento entre a véspera do nascimento da minha segunda filha, uma estafa mental, cansaço, noites sem dormir e um círculo vicioso com álcool.

03 – “A Segunda Casa” – Eu me mudei para São paulo em 2006 e fiquei até 2016. Essa música reflete tudo o que vivi na cidade. O caos, a solidão, aquele medinho que todo mundo que sai de uma cidade do interior e muda para a capital sente. O lance de estar solteiro, suscetível a conhecer alguém, de conhecer. Passar perrengue, se foder, Casar, ter filhos, crescer, sofrer, resistir, e se ludibriar. Esse é um leve devaneio da minha relação com sp. Pra mim é um trip hop gordo com sobras.

04 – “O Golpe” – Não sei para você, mas pra mim desde o golpe piorou. O sample é um trecho de uma entrevista do Tim Maia. Graças à Boom Project aprendi groovar com distorção..

05 – “874 C” – Essa é uma demo resgatada de um dos últimos ensaios com a Boom Project. Foi quando eu havia engrenado a tocar com dois guitarristas. Quase a melhor formação, e a que menos durou. Era o Nirso no baixo, André Zaccarelli na guitarra, Lucas Oliveira (Vitreaux, Maglore) na outra guitarra e eu na bateria. Perguntei se podia torná-la minha e eles liberaram. Groovão. Regravei a versão da demo mudando algumas coisas.

06 – “Alone and Empty” – o riff veio de alguma das vezes que tocava violao para minha filha mais nova, depois que ela nasceu. Foi a última música a entrar no EP. Essa música sintetiza minha compreensão sobre depressão. Você sempre se sente só e vazio entre momentos caóticos quase felizes. Ela conta com a participação de Luka Funes nas guitarras.

– Você pretende continuar com o projeto ou foi algo pensado apenas para o EP?

A partir do momento que essas músicas viraram parte de um todo, e um projeto meu virou uma banda, o plano é continuar. Tenho rascunhos de um próximo ep e de um primeiro full.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos temspo!

Confesso que tenho escutado muito menos que que gostaria, mas é pelo fato de eu estar morando no interior de São Paulo e a grande maioria dos rolês aqui é de banda cover. Mas o que me mostraram e eu curti bastante foram: o duo Antiprisma que é folk psicodélico, a Leza que além de ser do brother Gustavo, pra mim é um stonerzão bem psicodélio, mais pra psico que stoner, mas é chapado. O disco “Vol 2” da Sheila Cretina também é fodão. Indico também as meninas do Obinrin Trio e o som do Giovani que nem é tão mais independente assim.

Ouça o single “A Segunda Casa”:

Quinteto suíço Miss Rabbit quer trazer seu barulho sônico para o Brasil

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Miss Rabbit

A banda suíça Miss Rabbit começou como cover e aos poucos foi inserindo suas músicas próprias nos shows, misturando influências diversas de punk, pós-punk, reggae, blues e muito mais para criarem seu som vulcânico e cheio de potência. Por isso,  Angela Bösch (vocal), Melanie Curiger (guitarra), Fabienne Curiger (baixo), Roger Köppel (guitarra) e Thomas Frei (bateria) não fazem um som muito fácil de definir, já que cada música segue um caminho que reflete a personalidade de seus integrantes.

Mesmo nos álbuns que lançaram até agora, “Miss Rabbit” (2013) e “Tales From The Burrow”(2016), o som continua mostrando todas as experimentações sonoras que o quinteto desenvolveu desde seu início. “Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver”, explica Fabienne, com quem conversei um pouco:

– Como a banda começou?

Foi em uma noite engraçada no nosso bar favorito. Quatro amigas decidiram que era hora de começar uma girlband.

– Por que o nome Miss Rabbit?

Miss Rabbit era o nome do coelho do nosso guitarrista. Como uma banda cover, nos chamávamos Wotan’s Hasen (Coelhos de Wotan), Wotan era o nome do nosso primeiro baterista. Então, tem algo nostálgico por trás disso também.

Miss Rabbit

– Quais as maiores influências musicais da banda?

Somos muito abertos a todos os tipos de música, mas especialmente Nirvana, Juliette Lewis e Danko Jones, alguns dos nossos grandes ídolos.

– Quando vocês decidiram mudar do cover para fazer suas próprias músicas?

Nós nos divertimos muito como cover e quando nosso ex-baterista começou sua jornada pelo mundo, decidimos continuar e escrever nossas próprias músicas.

– Como o seu público reagiu a isso?

Colocamos mais músicas próprias em nossos shows pouco a pouco, então o público teve tempo suficiente para se acostumar.

Miss Rabbit

– Como está a cena do rock hoje na Suíça?

A cena musical aqui é, infelizmente, um pouco sobrecarregada, com bandas sem fim e infinitas possibilidades de ver uma banda online via streaming. É difícil tirar as pessoas de suas casas para assistir bandas ao vivo.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Começamos a escrever nossas próprias músicas em 2010. Estávamos tentando encontrar nosso próprio estilo, experimentando gêneros diferentes como punk rock, ska, reggae, blues, baladas e também escrevemos algumas letras em alemão. Nosso novo álbum, lançado em 2018/2019, será o único com nosso som único com o qual ficamos mais confortáveis. Mas vamos sempre continuar experimentando e tentando nos desenvolver.

– Vocês já estão trabalhando em novas músicas? Você pode nos dar alguns spoilers?

Sim, na verdade nós trabalhamos no nosso terceiro álbum, que esperamos lançar no final de 2018. No momento, não podemos dar spoilers, mas nos siga no Facebook e você vai ficar sabendo!

– Quais são os próximos passos da banda?

O mundo! (risos) Brincadeira. Sua alma! Honestamente, nós adoraríamos tocar em todo o mundo, especialmente na América do Sul. O nosso guitarrista tocou no Brasil antes e ele adorou o público incrível daí.

– Recomendem bandas independentes e artistas que chamaram sua atenção ultimamente.

Nós tocamos dois grandes shows com The Soapgirls (ZA) – www.soapgirls.com. Nós logo nos tornamos amigos
e ficamos impressionados com a paixão delas pelo que estão fazendo. Outras bandas que merecem ser
ouvidas são:
Skafari (CH) www.skafari.ch
Never Say Die (AT) www.neversaydie.at
Nachtschatten (DE) www.nachtschatten-band.com
Crossed (CH) www.crossed.ch

Violins – O retorno do hiato e a “Era do Vacilo”

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Beto Cupertino - voz e guitarra Pedro Saddi - teclado Gustavo Vazquez - baixo Fred Valle - bateria

Há aproximadamente um mês, entrevistei o vocalista e compositor de uma de minhas bandas nacionais preferidas que, após quase 10 anos de hiato, lançou uma música nova. Quando o Violins anunciou em sua página do Facebook que voltara do hiato e lançaria um disco novo neste ano, no mesmo dia comentei com alguns amigos: “poucas vezes me arrisco a dizer isso, mas acredito que esse vai ser um dos melhores álbuns de 2018”.

Pouco tempo depois, saiu o line-up completo do Festival Bananada, um dos grandes festivais de música do Brasil, que aconteceu nesse mês em Goiânia – GO, cidade natal da banda e, lá estava o nome deles. Outro ponto que me deixou surpresa foi o anúncio de clipes, eles nunca foram de produzir videoclipes.

Quem não conhece a banda deve se perguntar porque me surpreendi tanto com coisas que artistas fazem o tempo todo, ainda mais em tempos onde produções audiovisuais estão em alta, onde as redes sociais são uma vitrine comum e tocar em festivais também. Mas o Violins nunca seguiu regras, sempre foram o verdadeiro Lado B. Não de uma maneira hipster e proposital, mas de forma genuína, simples, pé no chão.

Depois de conversar com o vocalista e compositor Beto Cupertino, entendi que Violins é o que é, é porque é, sem mais complicações, estratégias ou pretensões.

Hoje em dia vemos muitas bandas com excelentes apresentações, técnicas impecáveis, execução perfeita das músicas, palcos maravilhosos, discos muito bem produzidos, mas não trazem verdade nenhuma no que fazem, algumas nem mesmo na mensagem, é um teatro bem feito, sem genuinidade, não transmitem verdade alguma. Violins anda na contramão do excesso de profissionalismo das bandas atuais e ressignifica a palavra amadorismo. Faz porque ama.

Outra coisa interessante sobre a banda, é que apesar de diversos fãs fiéis espalhados por todos os cantos, a grande maioria acima de 25 anos (devido ao contexto, cronologia e tempo do último hiato), existem poucas entrevistas com eles, nenhuma após a última pausa. Eu que sempre quis ficar de frente com um dos compositores que mais me influenciaram no fim da minha adolescência e que até hoje é um dos meus favoritos da música nacional, não sabia por onde começar as perguntas. Conheci Violins em um período conturbado e aquelas letras, aquele sentimento cru expressado nas músicas repletas de existencialismo, me mostrou que eu poderia colocar beleza em qualquer coisa. Não me fizeram mudar a forma de ver algumas questões, me fizeram mudar a forma de lidar com elas. Eu lia as letras do Violins como quem lia contos, mesmo sem áudio. A forma metafórica e o realismo que Beto Cupertino utilizava para abordar coisas aparentemente complexas era genial. Então, o que eu iria perguntar para esse cara? Lembrei que alguns amigos e músicos também tinham a curiosidade de saber várias coisas que ainda não haviam sido esclarecidas pela banda. Por fim, com todas as perguntas em mãos, procurei Beto, que foi muito gentil e extremamente receptivo.

Beto diz não saber nada sobre internet e esse é um dos motivos pelos quais a banda ainda não é tão presente nas redes sociais (ainda). Comprovei a veracidade disso, porque foi uma dificuldade para que ele entendesse como funcionava uma entrevista por vídeo no Skype, mas no fim das contas, deu tudo certo e aqui está:

– A pergunta que todos querem saber: qual foi o motivo do hiato, por que tanto tempo?

Beto: Foi uma coisa natural da vida de cada um. A gente vai ficando velho, as contas chegam e desde o começo da banda eu tenho uma vida profissional que me sustenta, até porque mexer com música é só prejuízo, né (risos)? Então por essas ocupações cotidianas das pessoas da banda e até por já ter gravado muitos discos, naturalmente começamos a parar de ensaiar, fazer shows e aí ficou assim por um bom tempo. Desde 2012 que não lançávamos um disco e agora vamos lançar um neste ano. Nunca ficamos parados por tanto tempo. Mas fizemos alguns shows, poucas vezes. Fizemos há pouco tempo um show em comemoração aos 10 anos de “Tribunal Surdo” aqui em Goiânia.

– Hoje vemos muitas bandas utilizando um contexto nas letras como vocês faziam há muitos anos atrás, conteúdo com mais “tristeza”, mais carregados de conflitos, em paralelo a uma ascensão de bandas psicodélicas e positivas. A Violins e outros grupos da mesma época influenciaram muitos dos grupos de hoje com certeza. A quê você acha que se dá essa nova leva de compositores?

Beto: Sendo sincero, estou acompanhando pouco a cena musical e escutando pouca música. Não conheço muito o que está acontecendo agora, então sou muito displicente para analisar essas coisas. Mas acho que tem a ver com a própria situação social e política do país, mais acirrada, então acho que esse sentimento de frustração, de irritação, de revolta e a vontade de usar as coisas mais marginais da vida para fazer alguma representação em músicas tem a ver com os ciclos da vida, faz parte da história do lugar onde você está vivendo, isso te influencia de alguma forma e as pessoas têm mais necessidade de escrever sobre isso. Eu sinto essas coisas muito presentes na minha realidade, então falar sobre isso faz parte de uma manifestação natural minha. Talvez tenham muitas pessoas que não têm interesse em falar sobre isso, mas tem muita coisa para ser falada. Faz parte do meu cotidiano, das coisas que eu gosto de escrever e acho interessante. Mas na discografia da banda tem muita coisa muito diferente também, sobre relacionamentos, sobre paixões e amores, até coisas mais otimistas, então a banda não é só a parte politica e ‘’baixo-astral’’, varia de acordo com o que passamos enquanto pessoas.

– Me parece que a discografia do Violins realmente é um reflexo das fases dos compositores. Os últimos dois álbuns tinham algum ar mais “positivo”, Aurora Prisma soava mais romântico, Grandes Fiéis já trazia sentimentos em uma perspectiva mais amarga e conflituosa. Tribunal Surdo foi mais social e marcante para muita gente, inclusive a música ‘’Grupo de Extermínio de Aberrações’’ que causou muita polêmica na época por abordar o fascismo com uma ironia enorme, sem dizer que era uma ironia e naquele tempo não discutíamos alguns temas (racismo, homofobia, elitismo social, etc.) como hoje…

Beto: O “Tribunal Surdo” foi feito para ter essa musicalidade mais suja, falando sobre coisas meio feias, mas eu acho que ele tem uma beleza justamente nessa visão de que sempre que você denuncia alguma coisa ruim, de alguma forma você esta tentando olhar para alguma coisa melhor. Então, no fundo dele, em algum lugar, ele tem essa esperança meio suja. Esses dias estava conversando sobre as pessoas das minhas redes sociais, como muitas têm pensamentos completamente diferentes dos meus mas estão nas minhas redes sociais por causa da música, eu fico pensando porque essa música atrai uma pessoa que pensa tão diferente de mim. Por exemplo, um disco como o Tribunal Surdo. Será que a pessoa ouviu e não entendeu como uma ironia? Que eu realmente penso como diz na ‘“Grupo de Extermínio de Aberrações’’ e algumas outras? Eu lembro que quando saiu o encarte do disco, até colocamos na capa que as letras eram ficções e tudo mais, porque eu sabia que esse tipo de interpretação poderia vir. Mas lançamos porque achamos que seria importante falar das coisas que falamos e da forma que falamos lá. E que bom que existem pessoas que reconhecem tanto esse disco, se uma pessoa gostou desse disco, já justifica o motivo dele existir.

– Ainda sobre Tribunal Surdo e aproveitando para trazer algumas perguntas de outras pessoas, o Ian Black, publicitário e também grande fã da banda, perguntou qual a possibilidade de vocês terem um álbum mais conceitual e político como foi o Tribunal Surdo.

Beto: Esse disco novo tem muitas músicas que vão por essa vertente. Algumas músicas dão uma “quebrada” para não ficar muito monotemático, mas tem muitas músicas que refletem esse ambiente político. É um disco que vai ter muita ligação com os discos anteriores que também faziam esse tipo de abordagem. Então sim, ele vai mais pela linha do “Tribunal Surdo”. A diferença é que ele é mais “acessível”, musicalmente falando. As músicas vão entrar de forma mais suave aos ouvidos, o Tribunal Surdo tinha uma sonoridade mais fechada. Esse disco é fácil de entender, tem um apelo mais “pop”. É um álbum mais “palatável”, mas ainda com as letras mais agressivas, as vezes irônicas, meio na linha do Tribunal Surdo mesmo.

– Vocês não são muito ativos nas redes sociais e na internet em geral, por que?

Beto: A banda sempre foi meio das sombras. Esses dias eu estava até perguntando se tínhamos Instagram, fui procurar e não encontrei, acho que tenho que procurar saber com alguém se existe, porque eu realmente não me lembro. O site está fora do ar. A banda também estava sem ensaiar, sem tocar, acho que quando estávamos mais ativos havia um preocupação maior, faz parte também do nosso afastamento da rotina de banda que foi diluindo as “manifestações internéticas”.

– Hoje a internet vai além de “baixar musicas”, ela forma opiniões, ela comunica diretamente com quase todos os públicos. É muito difícil para uma banda atingir algum público sem ter presença na internet, principalmente com os mais jovens. Como vocês pensam em atingir essas pessoas mais novas que ainda não tiveram contato com a banda? É intencional esse “desaparecimento”? Tem quem pense que é uma estratégia para a banda continuar sendo considerada “Lado B”.

Beto: Agora nós já temos uma pagina no Facebook, mas pretendemos sim começar a atuar mais nesses canais de comunicação. Temos a consciência que hoje a internet é o maior canal e vamos revigorar tudo para inserir as novas músicas e a nova fase. Não existe nenhuma pretensão “cult” em se manter escondido, não é intencional, é na maioria das vezes pela nossa correria de vida individual mesmo, falta de tempo. Eu, por exemplo, trabalho o dia inteiro e depois vou para a faculdade. Muitas vezes não consigo me dedicar como gostaria. Ser desconhecido não traz nenhum benefício para a banda.

– Vocês anunciaram recentemente que lançariam videoclipes nesse ano. De onde veio a vontade de começar a trabalhar com audiovisual?

Beto: Temos pouco material audiovisual, clipes mesmo temos só dois. Mas também vem dessa necessidade de se fazer mais presente em outras mídias.

– E porque voltar aos palcos agora? Tem algum motivo específico?

Beto: O mesmo motivo que gerou todas as nossas manifestações: foi instintivo, não foi nada planejado. Eu achei que depois de 2012 a gente nunca mais iria gravar um disco, que já havíamos feito o suficiente. Mas recentemente me bateu uma vontade de escrever músicas e como eu sei que a banda tem uma história, falei com o pessoal que seria interessante fazer algumas coisas novas, sem nenhuma pretensão, só para fazer as músicas acontecerem. Eu acho que a parte mais legal de ter banda é ir para o estúdio gravar, compor os arranjos, gravar as vozes. Eu acho isso muito mais legal do que tocar ao vivo. Tocar ao vivo é muito ruim as vezes, algumas coisas escapam do nosso controle, ainda mais quando se trata de uma banda independente, você depende muito de outras coisas, não sabe se o palco vai ser bom, se a estrutura vai ser boa. Já a parte criativa está mais dentro do nosso controle e é a parte que mais me dá prazer em ter banda. Então dentro dessa filosofia eu procurei os meninos para gravar, o Tiago (ex-baixista) não animou muito e sugeriu colocar outra pessoa no lugar. O Gustavo Vasquez produziu nossos discos e agora esta com a gente no baixo. Eu já tinha muitas musicas feitas e algumas surgiram durante o processo, agora temos dez musicas inéditas para lançar.

– O nome “Era do Vacilo” é muito bom. De quem foi a ideia de usar essa ironia cômica no título do álbum?

Beto: Foi uma ideia minha. É um nome cômico ao mesmo tempo que é realista. Diante dos últimos tempos, das relações das pessoas na internet, da situação política no Brasil, acho que realmente estamos na “Era do Vacilo”. É um nome bem simbólico sobre a era em que o disco será lançado. A ironia sempre tem uma comicidade por trás. Tem muita coisa tragicômica por trás das musicas do Violins, até exagerando em alguma coisa para deixar ridículo. Eu acho legal utilizar essa figura de linguagem nas letras porque ela abre um leque de interpretação.

– E o álbum está previsto para sair quando?

Beto: Estamos trabalhando nele com calma, sem atropelos, para ficar exatamente como queremos, mas acredito que nesse semestre ele será lançado.

– Vocês voltaram à ativa em um período muito conturbado, socialmente e ideologicamente. Estamos em um caos social, onde todos estão divididos e existe muito extremismo, isso torna mais difícil compor e se expor, existe um risco que não existia antes. Quem viveu entre os anos 90 e 2000, se encaixa muito bem naquele trecho de Clube da Luta: “Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Não tivemos uma guerra mundial, não temos uma grande depressão. Nossa guerra é espiritual, nossa depressão são nossas vidas”. Essa ausência de conflitos marcantes fez a nossa geração se tornar terrível. A geração que vem agora, consegue presenciar mais conflitos sociais, tem mais necessidade de lutar, mas ao mesmo tempo tem grandes dificuldades de se relacionar e se comunicar, não tem hábitos de leitura, nem de desenvolver um raciocínio aprofundado, escrevem em apenas 140 caracteres, se comunicam na maioria das vezes pelo WhatsApp, é tudo muito superficial. Já o Violins tem uma linguagem mais complexa, temas mais profundos e contestações sociais, então como vocês acham que será a aceitação das novas músicas perante a nova geração? Como vocês vão se posicionar liricamente e dentro dos temas abordados para atingir essas pessoas?

Beto: Eu acho que as músicas estão escritas de uma forma clara. Não tem muita complexidade em termos de letra. Contudo, cada um tem o seu jeito de escrever e eu acho que o meu não vai mudar muito. As letras desse disco vão ser mais parecidas com as do Tribunal Surdo, seja com metáforas, ironias ou narrando uma estória. Uma das músicas narra a estória de um cara que tomou uma bala perdida. É mais ou menos como o “Tribunal Surdo” fazia também.

– Você tem um pouco dessa ‘“pegada” storyteller, né?

Beto: Eu acho muito interessante isso de contar uma pequena estória dentro de uma letra. Claro que existe uma limitação muito grande porque letra de música é uma coisa muito achatada, tem que respeitar métricas e tudo mais, então as coisas são mais limitadas. Mas esse também é um desafio legal. Quando as composições se tratam de uma estória, elas têm que ser escritas de uma forma que seja muito clara, com começo, meio e fim e com a mensagem que você quer passar. Mas acho que as letras dessa vez estarão fáceis de compreender, apesar de não serem tão diretas. Elas estão dentro de toda a temática atual, claro que dentro da minha perspectiva de ver o mundo, algumas pessoas vão se identificar e outras não, mas é normal, tudo bem.

– O Ian Alves, guitarrista da Brvnks, também de Goiânia, perguntou quais as referências que você utiliza na hora de compor e se você tem alguma dica para quem quer compor bem em português.

Beto: É muito difícil falar em referências porque muitas pessoas e coisas te influenciam sempre. Existem as referências de texto, existem as referências na hora de compor uma sequência de acordes na guitarra que são diferentes das utilizadas para criar melodias. As vezes tem uma referência vocal dos Beach Boys, da década de 60, com aquele monte de vocalistas e tudo mais, mas ao mesmo tempo gosto de guitarras de rock inglês. E além disso tem as influências da minha infância, de Clube da Esquina, misturado com coisas da adolescência como Deftones (que tem uma melodia e peso que gosto também). É meio que um caleidoscópio de influências que monta uma pessoa, cada uma vai ter as suas, então acho difícil dar referências porque são minhas referências baseadas no que eu passei, estudei e aprendi, da cultura que eu cresci, essas características formam cada compositor. Provavelmente o cara que cresceu em um bairro diferente do meu vai ter outra visão do mundo e outras influências. Por isso acho muito difícil dar receitas prontas para composição, é algo muito individual. O meu método é muito caótico, não sigo uma ordem de escrever primeiro e depois compor a melodia, geralmente faço os dois ao mesmo tempo, mas isso também não funciona para todos.

– Ele também perguntou se você tem alguma influencia de Sunny Day Real Estate, porque viu que você tem até tatuagem da banda.

Beto: Muitos discos do final da década de 90 me influenciaram bastante, dentro das bandas americanas que eu gosto muito está o Sunny Day Real Estate, com certeza me influenciou muito, principalmente no inicio da Violins.

– E quais outras bandas ou artistas que o Violins tem como referência? Porque sempre tenho dificuldade para classificar a banda em algum gênero ou descrevê-la. Você também tem essa dificuldade?

Beto: Eu considero uma banda de rock e pra mim isso é o suficiente. Mas se precisar detalhar eu também tenho dificuldade em dizer, até porque eu não domino muito essas “classificações”. Então somos uma banda de rock, ou rock independente, as vezes “rock alternativo” por ser mais elaborado, ou mais melódico, ou mais difícil de compreender. Sendo só de rock pra mim tá legal. Posso citar algumas bandas como o Radiohead, os primeiros álbuns deles dos anos 90 me influenciaram bastante, o próprio Sunny Day Real Estate e as bandas chamadas de “emo” na década de 90. Também gosto muito de rock inglês, ouvi muito Beatles e Pink Floyd na infância. E gosto muito de música pop, escuto muito.

– O Douglas Carlos, da Sick, banda de rock instrumental experimental do Triângulo Mineiro (banda ótima por sinal e que recomendo bastante), perguntou como você se sente ao ver algumas composições antigas, se tem alguma que você se arrepende, ou que não faz mais sentido nenhum e se tem alguma que hoje faz mais sentido ainda.

Beto: Olha… tem muita coisa que eu escrevi que eu não gosto mais hoje em dia, que eu não faria novamente. Tem coisas do Aurora Prisma mesmo que hoje não gosto mais em termos de letra (vou falar só do disco e não da musica, tá? risos). Mas também tem esse lado de escutar coisas antigas que hoje fazem muito mais sentido do que na época, acontece isso às vezes. O legal da musica é isso. A partir do momento que você grava uma música e ela fica eternizada, ela passa pelo tempo e a interpretação sobre ela também muda. Por isso é bom escrever coisas mais abstratas, porque elas permitem interpretações diferentes que você pode sempre revisitar de formas diferentes.

– Vocês vão tocar no Festival Bananada, que além de ser um dos maiores festivais de música alternativa do Brasil, acontece na cidade de vocês. Muitos consideram essa apresentação como o grande retorno da banda. Vocês também enxergam dessa forma? Qual a expectativa para esse show?

Beto: Tocar no Bananada é massa demais, a gente toca no festival desde o começo dos anos 2000 quando começou a crescer esses festivais aqui em Goiânia, junto Goiânia Noise, depois o Vaca Amarela, mas esses dois festivais, o Bananada e o Goiânia Noise são muito tradicionais, o Bananada tem 20 anos. A gente ficou por um tempo sem tocar nesses festivais mas nesse ano estamos muito animados, principalmente porque vamos tocar as músicas novas pela primeira vez ao vivo, a gente ainda nem ensaiou essas músicas juntos com a nova formação da banda. A gente foi construindo as músicas no estúdio, então eu nunca toquei elas com o Gustavo na banda, por exemplo. Então pra nós vai ser uma coisa nova, porque nunca tivemos isso na nossa história. Sempre que a gente ia gravar um disco, já tínhamos ensaiado pra caramba, aí entrava no estúdio e gravava, mas dessa vez não, fomos meio que fazendo as músicas separadamente, juntou tudo e gravou. Ficou muito legal, foi muito bom esse processo porque as músicas ainda são muito novas pra gente, então não tem aquele sentimento de tocar ao vivo e já estar cansado da música, no nosso caso ainda nem ensaiamos, inclusive temos que fazer isso logo porque o show está perto, mas vamos tentar ensaiar pelo menos uma semana antes pra não passar muita vergonha (risos). Mas vai ser ótimo, é um público grande, uma oportunidade boa pra divulgar as músicas novas.

– Você sabe quem tem pessoas que vão ao festival só para ver vocês tocarem, certo?

Beto: Uma pessoa me falou no Facebook esses dias que sairia do Rio de Janeiro só para ver o nosso show no Bananada. Toda vez que tocamos em algum lugar e alguém me diz que viajou só para ver a gente tocando, pra mim é o auge de realização de uma pessoa que faz música, quando alguém vem te falar que saiu da cidade dela só para ver o show da sua banda, pra mim é a coisa mais foda que pode acontecer. Na primeira vez que isso aconteceu comigo eu não acreditei, eu achei que a pessoa estava tirando onda com a minha cara, foi difícil acreditar que era verdade. A gente toca na maioria das vezes em capitais, então quando a gente vai tocar em Belo Horizonte por exemplo, tem muitas pessoas das cidades próximas que vão, até pessoas de São Paulo, isso é muito mais do que a gente pensou quando começou a banda, lá em 2001, no quartinho da minha casa. Na época a gente queria ter uma chance de tocar no Goiânia Noise apenas, era o nosso “auge”, então isso pra mim é uma realização como compositor. Ter uma pessoa que viaja pra te ver tocar é uma coisa muito foda.

– E vai acontecer turnê nova com o disco novo?

Beto: O problema de fazer shows é a agenda de cada um, aí já fica uma complicação, a gente não tem essa flexibilidade de horários nas nossas vidas profissionais pra ficar uma semana viajando. Então não tem como fazer turnê porque não tem como ficar vários dias fora, cada um tem um trabalho fixo aqui e dependemos deles. Os shows que fazemos geralmente são em fins de semana, bate e volta, não conseguimos emendar dias e dias de show. Fazemos um show pontual aqui ou ali mas não vai acontecer uma sequência enorme de apresentações porque não temos condições mesmo de fazer isso por inúmeros fatores. Mas claro que pretendemos tocar várias vezes e em vários lugares para divulgar o disco.

– Ok, mas suponhamos que apareçam boas oportunidades, o álbum estoura, vira um sucesso, aparecem várias propostas, inclusive financeiras, e aí? Vocês estão preparados pra isso?

Beto:  Eu não tenho isso como objetivo. Se isso acontecer provavelmente eu vou negar.

– É sério? Você negaria?

Beto: Eu não tenho nenhuma vontade de viver só ganhando dinheiro com shows e música. Minha vida já está construída em outra carreira, eu não trocaria o que eu tenho hoje pra ficar vivendo com um pouquinho só para fazer música, eu não consigo. Eu me cansaria de ter que viajar e tocar toda hora, eu não gosto desse ritmo, sou muito caseiro, não é pra mim esse tipo de coisa. Eu já considero que eu vivo de música justamente porque eu não dependo dela para pagar minhas contas, então eu posso realmente viver o que eu quiser na música porque eu não dependo dela, essa liberdade pra mim é muito legal.

– Algumas bandas que surgiram na mesma época que vocês estão voltando aos palcos também, isso é muito interessante. E ainda dentro desse tema, o Luden Viana da banda E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante perguntou como vocês conseguiram permanecer ativos durante tanto tempo, tendo em vista que a banda chegou a acabar e voltou devido a pedidos do público na época do Orkut. Como é ser uma das poucas bandas independentes remanescentes do começo dos anos 2000?

Beto: Eu acho que houve um ciclo. Acho que muitas bandas dessa época ficaram muito presas dentro do que estávamos falando, do objetivo de ter que fazer a banda “virar alguma coisa”. Houve uma euforia no começo dos anos 2000, muita coisa sendo construída, as bandas independentes começaram a tocar nas rádios, mais estrutura para as bandas, festivais rolando no Brasil inteiro, mas aí as pessoas viram que dali pra frente não caminharia muito mais e eu acho que isso gerou uma ressaca em muitas bandas, que inclusive desapareceram nessa época. Eu acho muito bom que os integrantes das bandas que estão voltando agora tenham amadurecido enquanto pessoas e estão voltando a fazer música de uma forma despretenciosa (no sentido do “profissionalismo” da banda), fazendo as coisas por amadorismo no sentido de fazer porque ama, no bom sentido da palavra amador. E isso não significa fazer mal-feito e sim fazer com carinho, porque gosta, com um sentimento legal, sem aquela pressão de ter que fazer a banda ser isso ou aquilo. Essa pressão acaba com a banda, acaba com a credibilidade dos artistas, acaba com a espontaneidade da música. E alguns dos integrantes das bandas que passaram por essa ressaca agora já estão mais decididos na vida pessoal mesmo e decidiram voltar a ter banda porque gostam de tocar juntos, gostam de gravar, gostam de fazer shows e se só 10 pessoas ouvirem e gostarem, foda-se. O importante é fazer parte disso e é isso que vale.

– Depois de conversar com você, percebe-se que realmente vocês tem pouca noção do simbolismo que o Violins tem para muita gente e a influência que é para muitas outras bandas, é interessante ver essa forma verdadeira e despretensiosa de levar a banda e o que vocês fazem.

Beto: Talvez eu não tenha essa noção, mas eu fico muito feliz de imaginar que possa acontecer isso, de achar que tem quem nos tenha como referência. Esses dias eu estava lendo uma entrevista com uma banda aqui de Goiânia, o Components, e eles estavam citando o Violins como influência e eu pensei como isso é legal, ter uma banda que influenciou uma outra banda, um músico ou uma pessoa na vida mesmo, que foi tocada por aquilo. Isso é o mais legal de fazer música, essa conexão que é gerada com as pessoas, pessoas que vêm conversar com você e parece que você conhece há muitos anos porque vocês estão conectados à música, pela frequência das músicas que as pessoas têm em comum. Eu tenho amigos no Brasil inteiro por causa da banda, isso é uma das coisas que move muito essa missão de fazer música.

– Pra finalizar, eu sempre coloco Violins como uma das minhas bandas nacionais favoritas e muitas pessoas me pedem pra apresentar a banda, sugerir músicas ou algum álbum e eu geralmente não sei o que fazer porque os discos são muito diferentes, as músicas também. Eu tenho as minhas preferidas mas entendo que podem não agradar tanto quem nunca escutou a banda. Se você tivesse que separar algumas músicas para quem nunca ouviu Violins conhecer a banda, quais músicas ou álbum você sugere?

Beto: Nossa, isso é muito difícil, difícil demais! Acho que o disco que eu mais apresento para as pessoas que eu vejo que não são de ouvir música independente, mais do senso comum da música, de ouvir rádio, que não são muito pesquisadoras, é o Direito de Ser Nada”, tem o clipe de “Rumo de Tudo”, então eu acho que é uma boa para começar a conhecer a banda de uma forma mais acessível.

– Mas sem falar apenas de acessibilidade, mais para dizer “isso aqui é Violins, isso é o que o Violins quer transmitir”.

Beto: Tem algumas músicas que são representativas de cada disco. Do Greve Das Navalhas” tem “Tsunami” e “Do Tempo”, de Grandes Infiéis” tem “Atriz” e “Glória”, do “Tribunal Surdo” tem “Anti-Herói Pt. 1″ e “Manicômio”… essas músicas são as que geralmente nos pedem para tocar nos shows. Do Redenção dos Corpos” tem “Entre o Céu e o Inferno”, “Festa Universal da Queda”

– Desculpa interromper, mas é que “Redenção dos Corpos” é um dos meus álbuns preferidos da vida e “Entre o Céu e o Inferno” é uma das minhas favoritas da banda. Esse álbum me pegou justamente num período de conflitos espirituais e existenciais também, na linha entre a fé e as questões humanas individuais, esse álbum aborda muito isso, então tem um lugar importante pra mim. Eu precisava falar sobre ele!

Beto: É bom demais ouvir isso porque é um disco que eu tenho um grande carinho por ele, foi muito legal de fazer, gosto das músicas, das letras. É que tem discos que eu escuto e me dá uma certa vergonha, sabe? Eu penso: “Ah! Nunca mais quero ouvir esse disco na minha vida”. Mas o “Redenção dos Corpos” não, é um disco que eu ouço e penso que não fiz muita cagada ali. Ele é um disco que tem um cunho pessoal grande porque ele traz o questionamento existencial. Na minha casa eu fui o único que não fez primeira comunhão, eu sempre tive o questionamento de nunca conseguir me entregar a uma religião, a um corpo fechado de dogmas, sempre tem uma coisa ou outra que eu não consigo aceitar, tem coisas que eu concordo mas eu nunca consegui dar aquele salto de fé necessário, então eu sempre me vi nessa condição vulnerável de pesquisador e investigador. Eu não tenho religião mas não sou totalmente despido de religiosidade. Eu não consigo explicar todas as questões, fico na condição de ficar só com a pergunta.

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Enquanto eu transcrevia o áudio da entrevista, foi divulgada a primeira musica do álbum “Era do Vacilo”: “Herói Fabricado”. Foi lançada em formato de videoclipe, praticamente um “lyric video”, objetivo, bem feito, com simbologias sutis e com o foco naquilo que talvez seja o ponto mais forte da banda: a lírica e a mensagem. Não precisava de mais.

“Herói Fabricado”, a priori, parecia somente uma crítica aos ícones conservadores que supostamente podem salvar a pátria, mas foi além, é um questionamento para todos. Ataca, inclusive, as tentativas de amenizar os conflitos sociais entre oprimido e opressor. Sem falso moralismo, sem idealismos pacifistas utópicos. Violins trouxe com essa música o lado social de Tribunal Surdo com a sutilidade de Redenção dos Corpos, que, pra mim, são os dois melhores álbuns da banda. A opção de fazer um clipe com foco na lírica foi brilhante. Violins é para escutar com o encarte do disco em mãos, acompanhando as letras, absorvendo e tentando digerir aos poucos cada palavra, cada entrelinha, toda a semântica. O instrumental traduz perfeitamente o sentimento de cada trecho, te faz sentir o que deve ser sentido em cada parte da mensagem. Com mais peso que a maioria das canções dos dois últimos álbuns, Herói Fabricado nos deixa na expectativa de mais um álbum marcante, mais dias escutando as mesmas musicas com afinco, em uma agradável e lenta digestão.
Que venha “Era do Vacilo”.

Caburé Canela faz som que junta baião, samba, bossa, rock, blues, afro-beat, semba “e até Black Sabbath”

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Macumba-Erudita. Samba-Cigano. Reggae-Jazz. Punk-Baião. Essas são algumas das muitas formas de tentar descrever um pouco do som da banda Caburé Canela, de Londrina, apesar de nenhuma delas ser muito certeira em definir a mistureba brasileira que o sexteto faz.
Formada em 2013 por Carolina Sanches (voz), Lucas Oliveira (voz, guitarra e violino), Maria Carolina Thomé (percussão), Mariana Franco (contrabaixo), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (voz e guitarra), a banda une influências de ritmos populares como baião, samba, bossa nova, rock, blues, afro-beat, semba de Angola e rumba “e talvez até um pouco de Black Sabbath“, segundo Lucas.
Em fevereiro de 2018 lançaram o primeiro trabalho, “Cabra Cega”, no Espaço Cultural SESI de Londrina. Da campanha de financiamento coletivo à produção do show de lançamento, da escolha das músicas à arte da capa do disco, tudo foi realizado de forma independente e unindo as forças dos seis membros e toda sua criatividade. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira e o disco:

– Como a banda começou?

Lucas: A banda começou em 2013, comigo, o Paulo que é o batera e a Maria, que é percussionista. Eu morava em Angola, estava dando aula por lá, e quando voltei, queria montar uma banda autoral. Daí chamei os dois, que já haviam tocado comigo antes em outros projetos. Fomos construindo a ideia, e chamando outras pessoas. A Maria chamou a Carolina, que é cantora e compositora, e a Mariana, que é baixista. O último membro a entrar foi o Pedro, que era um amigo nosso, e que acompanhava a banda também. Ele é guitarrista, cantor e compositor.

– E quando foi isso?

Lucas: Foi mais ou menos no meio de 2013. Daí até o Pedro entrar foi quase um ano.

Carolina: Em 2013 o grupo foi se formando, mas o lançamento oficial foi em setembro de 2014, com um ensaio aberto no Grafatório e outro oficial em outubro numa festa grande chamada “Quizomba: O Samba e outros Batuques”, aqui de Londrina.

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Carolina: Bom, Caburé Canela é uma coruja, de pequeno porte, do Sul da América do Sul (risos).
Lucas um dia veio com essa ideia, e achamos interessante pensar que é uma ave arisca – que não se deixa decifrar. Tem o símbolos que expressa certos traços poéticos do grupo: o olhar agudo sobre as cenas do mundo, o caráter notívago, o gosto pelo mistério. A coisa noturna que a coruja tem.

Lucas: Estavamos na loucura de achar um nome, que é algo bem difícil… Aí fui atrás de vários nomes de plantas, de bichos, de aves, etc, e achei esse, que é uma espécie de coruja que habita a América Latina. Fui pesquisando mais a fundo, e vi que as palavras “Caburé” e “Canela”, também tinham significados muito especiais. Caburé, além de ser coruja de modo genérico, também quer dizer mestiço de Nativo Americano e Africano. Remetendo a questão da ancestralidade brasileira. Canela tem a ver com especiaria do oriente, uma coisa longínqua, mística, exótica.

Carolina: E caburé também significa mestiço de negro com índio… o que seria o cafuzo. e mestiço de branco com índio caboclo.

– O som de vocês tem bastante de música africana e brasileira, além de jazz, rock, e até punk. Dá pra definir o som de vocês? Eu acho que é bem difícil, né…

Carolina: (risos) Os dois!

Lucas: Acho que é Música Brasileira. A gente brinca com essa coisa de gênero faz tempo, tentando saber o que é de verdade. Punk-Baião, Macumba-Erudita, Igapó-Beat, etc. Igapó é um lago aqui da nossa cidade!

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências no som de vocês?

Lucas: Como somos em seis pessoas, cada um traz múltiplas influências, aí vai longe (risos), mas posso citar algumas mais diretas, como Itamar Assumpção e a Anelis, sua filha; Jards Macalé; os tropicalistas todos; bandas como Chico Science e Nação Zumbi, Otto, Chico César, Hermeto. Isso do Brasil, daí tem influências de rumba, semba, blues, rock, afrobeat, reggae, e alista segue (risos). Vai achar até um Black Sabbath.

Carolina: Tem coisas que remete aos procedimentos que o Arrigo Barnabé usava e a vanguarda paulista no geral também né.. Um grupo atual acho que talvez seja o Metá Metá.

Lucas: Olha, esqueci deles (risos).

Carolina: É, acho que é isso!

– Me falem um pouco mais do disco que vocês lançaram!

Lucas: Foi nosso primeiro disco. Depois de quase cinco anos. Já havíamos gravados as faixas, mas queríamos o CD físico também. Daí fizemos uma promoção pré-venda, que viabilizou a prensagem. São sete musicas no disco, que refletem um pouco nossa trajetória, a busca para se firmar, o auto conhecimento, e a tentativa de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos. O disco gira em torno do personagem “andarilho”, que busca algo que ele não sabe o que é. Nessa trajetória, se depara com lugares, medos, frustrações, amores, perdas. No final percebe que a vida é apenas um fluxo, e que só se pode fluir por onde há espaço. No caso, é o encontro com o nada.

Carolina: A música que abre o álbum é a “Andarilho” e tem uma frase dela que dá nome ao disco “Como cabra cega, algo que nega e não vê, e procura sem saber o quê”.

– Então no fundo o disco tem um conceito e um personagem… quase uma ópera-rock!

Lucas: Sim. Não chega a ser uma ópera-(MPB?), Mas tá quase lá!

Maria Carolina: É interessante que composições de diferentes autores se amarrarem tao bem. Mostra bem o quanto o grupo dialoga bem entre inquietações e formas de perceber a vida. Quando nos reunimos (eu por Skype) pra fechar a sequência das musicas parecia q era tudo bem planejado. Mas na verdade não foi, não conscientemente. Fiquei bem impressionada com a amarração que as composições fizeram.

Carolina: É legal pensar no conceito do ópera-rock né, acho que inconscientemente vai meio por aí mesmo. Se formos pensar a sequência, esse enredo que inventamos para o andarilho caminhar.. e que mesmo depois de gravado e mixado, mantemos a ideia inicial e ainda começamos a utilizar de outras coisas, né… Desde o figurino, iluminação, também as projeções do lançamento até as próprias falas que eliminamos entre uma música e outra…. Perpassa sim por esse lugar que a ópera-rock caminhou (risos).

– Como é o processo de composição da banda?

Lucas: Algumas vezes a música vem quase pronta. Outras vezes construimos tudo juntos. Nas minhas músicas, geralmente tenho bastante clareza do que imagino que vai ficar bom, mas sempre vem uma ideia de alguém e vamos incorporando. Cada um trás sua própria linguagem, e é bem interessante tentar fazer essa junção das ideias. Algumas musicas são construídas quase que inteiramente de maneira coletiva. Cada um construído uma parte e dando ideias para o todo da música.

– Os shows da banda são um espetáculo à parte. Vocês podem descrever uma apresentação pra quem nunca viu?

Carolina: Temos músicas do Lucas, do Pedro José, minhas e por enquanto, uma do Paulo. Eu funciono meio esquisitamente… Escrevo e depois invento a melodia, gravo e levo pro grupo. Daí a gente começa a pirar com os instrumentos. A música do Paulo (Faixa 5, “Sem”) surgiu meio assim também, ele me enviou a letra, fiz um riff no violão, o que hoje é a base do baixo, e inventei a melodia. Depois foi a construção coletiva, desenvolvendo o todo.

Maria Carolina: É uma experimentação corpórea. Nos preocupamos muito com as dinâmicas, e as vezes jogamos uns blocos de informação pro publico absorver. Pedro definiu bem no ultimo show, musica pra quem não “sabe” dançar. É de se ouvir com o corpo todo, vejo que quando conseguimos essa entrega total no palco o publico também corresponde. Considerando a cozinha, que é o meu lugar,rs somos bem livres… A regra é focar as notas verdadeiras. E é isso que espero que nossa apresentação seja, livre verdadeira e intensa.

– Então é muito mais que apenas uma experiência musical!

Maria Carolina: É pra ser! Muita pretensão?

– Lógico que não!

Carolina: É o desejo né, pode parecer pretensioso mas parte da verdade mesmo. Não consigo descrever… No show de sexta a Suy Correa veio me dizer que ela achou sinestésico e curador..
Acho interessante o olhar do outro, porque do palco vemos uma coisa mas no fundo não sabemos o que acontece no outro, como estão recebendo aquilo tudo né…

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Carolina: Antes mesmo de lançar o álbum já fazíamos shows com mais músicas. Músicas fechadas, arranjadas e que podemos fazer sempre, temos 22. E tem outras que estão em processo, amadurecidas aos poucos. Na maioria das vezes pedem pra gente encurtar um pouco o show (risos)
mas dá pra tocar umas duas horas!

– Essas músicas farão parte de um disco, EP, sairão como singles? Aliás, o que vocês acham do conceito de “‘álbum” hoje em dia, com as pessoas ouvindo música em serviços de streaming e muitas vezes ouvindo mais as músicas “soltas” do que o disco completo e na ordem?

Maria Carolina: Essa pergunta é nosso grande ponto de interrogação do momento. Estamos aprendendo, descobrindo os caminhos. Essa tal de independência faz com que percorramos um caminho mais cheio pedras.. Pra mim é tudo muito novo, ainda gosto do lado a e do lado B.

Carolina: Ainda temos dúvidas. Estamos loucos pra gravar outro disco (tem um sonho aí de vinil também), mas como o “Cabra Cega” acabou de sair, ainda estamos no processo de apresentar esse primeiro CD pro mundo. Estamos tentando fechar shows fora de Londrina, enfim… Provavelmente entraremos nesse processo no segundo semestre. É esquisito pensar a música hoje né, é tudo muito imediato. Ou viraliza ou está a margem. A imagem é bastante influenciadora e é tudo tão híbrido que não dá pra saber com que peso pisar ou como tatear esse território. Gravamos duas músicas recentemente, uma vai entrar numa coletânea e a outra estamos pensando em soltar um single daqui uns meses, ou um vídeo com ela. Vamos amadurecer a ideia. Acho que assim, por exemplo, soltamos o álbum completo no youtube, e ali tem muito menos visualizações do que no Spotify ou outras plataformas… Por essa perspectiva, não ouvir o álbum inteiro, sequencial e tal, “destrói” um pouco todo o trabalho que foi realizado na produção dele, no sentido da construção do personagem, os caminhos por onde ele passa e tudo mais. Mas por outro lado, não dá pra reclamar. Vivemos nesse imediato, gostamos de poder escolher o que queremos ouvir, mesmo que isso exclua outras faixas. É uma evolução poder escolher a música certa, né?! Mas o conceito de álbum acho que ainda funciona e tem sido cada vez mais explorado pelos artistas. Sendo recriado.

Lucas: Pensamos nesse primeiro álbum como uma obra “fechada”. Acho que, como artistas, precisamos pensar no conceito de obra, seja ela um álbum, um single, um vídeo, etc. Hoje em dia tem muita música apenas para o entretenimento. Isso não é ruim, mas parece que música é apenas isso. Gosto da ideia de criar, e acho que isso as vezes fica de lado, principalmente no mundo extremamente consumista que vivemos.

– Aliás, falando nisso… Hoje em dia o clipe voltou a ter uma grande importância. Como vocês veem esse tipo de formato?

Carolina: Eu adoro! Sou formada em artes visuais, então a visualidade, o audiovisual me pega bastante. Era muito massa nos anos 90 quando ficava a tarde toda assistindo Mtv. O meio mudou né, nesse caso a TV foi deixada de lado e o Youtube dominou nessa parte, por que podemos assistir em qualquer lugar e hora. Mas poxa, tenho visto tanta produção bacana da galera. Tenho curtido os que tem menos produção, os que dá pra ver que foram feitos na raça e que carregam uma essência meio roots, que é feito com verdade e de forma simples… Estamos produzindo dois clipes do álbum, e entendo que o formato visual é uma ferramenta muita expansiva, tanto de divulgação quanto de possibilidade de desdobramento musical.

– E o que podemos esperar nesses clipes? Dá pra adiantar algo?

Lucas: Muitos nudes (risos)! Brincadeira.

Carolina: (Risos) Olha só! (Risos). Estamos fugindo da literalidade. Acho que é uma das únicas coisas que temos definido. Na manga tem o clipe do “Andarilho”, que nós mesmos estamos filmando. Acho que vai sair uma coisa bem densa, obscura. Nosso olhar pros detalhes e movimentos da rua, pro ritmo dela. Captando os rastros que passam desapercebidos no cotidiano. Um processo novo pra nós, e é massa pensar que vai ser coletivo. E o outro é da música “Vaso”, que chamamos um coletivo aqui de Londrina que chama Cãosemplumas. Eles estão fazendo uma animação, nada literal, com muita variação de traços, alguns desenhos que remete as garatujas das crianças, e outros, bem detalhados. Nesse processo deles estamos tentando não interferir não, lançamos a ideia e estamos nos segurando pra não pressionar, na tentativa de deixar-los dizer mais um pouco sobre o que já construimos com a música! Mas agora vamos incluir um só com nudes mesmo, pra ver se ficamos famosos! (risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Carolina: Temos tentando trabalhar um pouco as expectativas, pra não ficar frustado demais né. Não tá muito fácil ser artista independente e ainda produzir tudo. Estamos em busca de produtores que nos ajudem a criar um ritmo pra nossa agenda de shows. Porque é necessário sair da casinha e adentrar o universo dos festivais, estrada e tudo mais. E continuar produzindo/criando sem perder a essência inicial, que é a de pirar a cabeça mesmo, continuar saindo do quadrado, das convenções… inventando e ao mesmo tempo se divertir fazendo o que a gente acredita.

Lucas: Próximos passos são de expandir os territórios.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Lucas: Cara, tem muita gente boa. Aqui de Londrina tem a galera do Aminoácidos, tipo música brasileira progressiva (MBP?). Tem também o pessoal do Maracajá, que faz um som bem diferente, incorporando bastante do funk proibidão. É bom interessante. Gosto bastante da Anelis Assumpção. Tem um trabalho bem conciso. Tem também a galera de Sampa, do selo Risco, bem legal todos eles. A música brasileira é bem rica, e parece que nestes tempos de crise aparece muita gente boa. Em Londrina tem uma onda boa de música autoral. Já vou adiantando que logo logo vai sair uma coletânea só com artistas londrinenses.

Carolina: BaianaSystem, Carne Doce, Francisco El Hombre, Mulamba, Bixiga 70, Far From Alaska, Cidadão Instigado, Curumin, Metá Metá, Kiko Dinucci – “Cortes Curtos” (fodão), os da Juçara Marçal.

Lucas: Tem também o Abacate Contemporâneo, uma banda bem legal daqui. Amigos nossos também, já fizemos alguns shows juntos.

Carolina: Fernanda Branco Polse com o Bicho Branco Polse… e por aí vai!

Lucas: Queria acrescentar que o disco pode ser comprado físico com a gente ou então da pra pedir pela página no Facebook. Estamos no Spotify, SoundCloud, Deezer e todo o resto. Quem quiser segue a gente lá no Instagram, curte a página no Facebook, se inscreve no nosso canal, me liga no whats!

Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

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Las Puperelles

A rivalidade entre Brasil e Argentina fica somente no futebol. A ligação entre os dois países é o núcleo do som sessentista e cheio de fuzz das Las Puperelles, formadas pela junção de basicamente duas bandas:  Las Fantásticas Pupés, Lucy Fire (bateria) Solxie (baixo e voz); do ParallèlesAndreia Crispim (baixo fuzz e voz) e Paula Villas (guitarra e voz), e também de Donna Kether (guitarra fuzz e voz), do Sisters Mindtrap. No disco “Selva Latina”, também contaram com a percussão da convidada especial Marianne Crestani, do Bloody Mary Una Chica Band, na faixa “Guajira Sicodélica”.

“É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos”, conta Lucy, com quem conversei um pouco. Confira:

– Como a banda começou? Como rolou essa junção de bandas?
Las Puperelles começou como um projeto das integrantes das bandas Parallèles e Las Fantásticas Pupés, ambas lançadas pelo selo argentino Rastrillo Records. E a partir das oportunidades que tivemos de nos encontrar, tanto no Brasil quanto na Argentina, tivemos a ideia de nos juntar e tocar músicas das duas bandas mais algumas covers. Depois a Donna Kether (Sisters Mindtrap) também passou a fazer parte da patota. Este último verão Cristina Alves (Os Estilhaços) foi nossa invitada especial no teclado fazendo todas juntas aquele barulho que tanto gostamos.

– E o que cada banda trouxe para Las Puperelles?
A influência do 60s punk, do garage rock e das bandas só de mulheres. Também nossas próprias versões em espanhol e português, porque somos garageiras latinas.

– Como é ser de uma banda com integrantes de diversos países?
Nos organizamos com antecedência para aproveitar melhor nosso tempo. Resolvemos o que vamos tocar antes e, quando nos encontramos, geralmente fazemos um ou dois ensaios e estamos prontas pros shows. É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram.
São seis músicas gravadas analogicamente, em rolo, entre covers e versões que fizemos de algumas das bandas que amamos, com produção do Luis Tissot, do Caffeine Sound Studio, e participação da Marianne Crestani (Bloody Mary Una Chica Band).

– Quais as principais influências musicais da banda?
Bandas de garage e punks dos anos 60. Também bandas garageras dos anos 80 e 90 que recuperam o estilo sessenta.

– Como vocês veem o levante feminino no mundo da música?
A palavra levante tem a ver com motim ou surgimento, e não sei se esse é o ponto. As mulheres sempre estiveram presentes na música, assim como em todo o tipo de arte, mas muitas vezes não tinham seu devido reconhecimento. Achamos muito importante e transformador o impacto hoje do movimento de mulheres no mundo inteiro, como uma maneira de nós tomar consciência de nosso próprio poder estando juntas e de visibilizar todo nosso trabalho nas diferentes áreas. Poder se expressar e fazer o que gosta é um direito de todxs. Só queremos respeito e ocupar cada vez mais espaços, poder ser livres de fazer o que queremos fazer.

– Como vocês veem a cena independente do rock hoje?
A internet mudou muito a cena independente. Se antes você tinha que mandar seu material pelo correio, divulgar shows colando cartazes pela cidade ou através de fanzines e revistas com enfoque mais alternativo, hoje qualquer banda pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Essa facilidade ajuda bastante na hora da divulgação ou de conseguir um selo para lançar material, por exemplo. Mas também faz com que muitos prefiram o conforto do lar com seu Spotify a realmente apoiar a cena independente indo aos shows ou comprando material das bandas.

– Quais os próximos passos da banda?
Gravar músicas próprias, lançar em vinil e continuar fazendo shows em SP e Bs As.

– Recomendem bandas e artistas independentes de seus países que todo mundo deveria conhecer.
Brasil: Sisters Mindtrap, The Diggers, Os Estilhaços, Thee Dirty Rats, Modulares, Blood Mary una Chica Band. Argentina: Zorros Petardos Salvajes, Los Telépatas, Trash Colapso, Sarcófagos Blues Duo, Moretones, The Black Furs.

Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

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Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.

Banda espanhola No Crafts mistura garage, surf e pop espanhol dos anos 80

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Formada em Madrid em 2015 por Carlos Núñez (voz e guitarra), Ángel Hontecillas (baixo e synth), Celia Juárez (bateria), a banda No Crafts se conheceu na escola, onde ficaram amigos graças à seu interesse por música. O tédio os levou a começar a tocar e criar sua mistura de garage rock, surf music e o pop espanhol eletrônico dos anos 80. Em janeiro, a banda lançou seu primeiro EP, “No Arts, No Crafts”, e preparam um mini-LP para os próximos meses, de onde saiu seu mais recente single, “Heavy”.

– Como a banda começou?
Nos conhecemos há muito tempo (na escola) e sempre nos interessamos pela música. Também estávamos entediados, então decidimos começar esta aventura. Aprendemos a tocar juntos e, quando ficarmos mais velhos, esqueceremos como tocar juntos. Somos irmãos de pais diferentes.

– E como pensaram no nome No Crafts?
A origem é secreta até que alguém descubra. Um motivo que nos levou a escolher esse nome é que ele não descreve como trabalhamos, porque sempre fizemos as coisas com as mãos e do nosso jeito. Nós apenas pensamos que era engraçado.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Para uma banda, é sempre difícil definir seu som. Nós dizemos que é uma boa mistura de garage, surf, pop espanhol dos anos 80 … Houve uma tendência aqui na Espanha nos anos 80, chamada “La Movida”. Era meio synth pop (tipo Depeche Mode, New Order…) com um toque punk. É engraçado, porque “La Movida” influenciou muitas bandas espanholas atuais, mas ninguém nos anos 90 pareceu gostar.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!
Começamos a lançar alguns singles para ver que tipo de feedback teríamos. Então, decidimos gravar nosso primeiro EP “No Arts, No Crafts”, que foi lançado em 17 de janeiro. Esse disco nos deu a oportunidade de tocar em algumas cidades e festivais aqui na Espanha. Também tocamos em Portugal há alguns meses. O fato de vender merch e discos no exterior, tocar em rádios nacionais e internacionais, e alguém no Brasil vir falar conosco … é muito reconfortante. Nosso último single “Heavy” foi lançado em março e é do nosso próximo álbum (um mini-LP) que provavelmente será lançado depois do verão.

– Eu adoro os vídeos da banda. Como vocês veem o formato videoclipe hoje em dia?
A chave dos nossos videoclipes consiste em fazer um esforço para fazer do nosso jeito. Nós só trabalhamos com nossos amigos, o que facilita o processo de gravação. Isso também se aplica à gravação das músicas e ao design de nossas capas. Nossos próprios amigos em uma festa real: é isso que faz com que vídeos como “Feeling Sick” pareçam naturais. É natural mesmo!

– Quais as suas principais influências musicais?
Estamos descobrindo novas músicas o tempo todo, e isso faz com que nossas músicas variem um pouco, mas não importa o quê, nós sempre permaneceremos fiéis ao nosso som. Cada um de nós ouve diferentes gêneros de música, por isso temos visões diferentes mesmo em nossas próprias ideias. Podemos ser influenciados por uma determinada banda, mas não necessariamente temos que soar como eles. Alguns exemplos podem ser o King Krule, ou até mesmo o Black Eyed Peas.

– Como vocês veem o mundo da música atualmente?
A indústria da música e o mundo mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia, a percepção do que vai fazer sucesso é decidida pelo público, não pelas gravadoras; o que é viral é o que as pessoas consomem, e é isso que a indústria quer, esses artistas virais. Muitos novos artistas, incluindo designers ou dançarinos, são descobertos na internet. Especificamente na indústria da música, é difícil mencionar uma banda que você acha que vai ficar no topo no futuro. As pessoas ganham mais do que querem, o que é bom, mas as tendências mudam muito e o setor também, dificultando o sucesso de uma banda.

– E vocês acham que algum dia o rock pode voltar ao topo das paradas?
Não parece que vai ser em breve, mas na verdade não achamos que seja necessário, porque as mudanças são boas. Os Beatles e Doors fizeram algo novo em seu momento, e hoje em dia é melhor dar chances e ver como alguém pode entender esse rock, deixando-nos descobrir um novo tipo de rock. Diziam que os Strokes eram salvadores do rock do século 21, mas não se pareciam com as coisas que estávamos acostumados a ouvir antes. Talvez precisemos que isso aconteça novamente, um novo tipo de rock pode aparecer em algum lugar que você não espera.

– Vocês conhecem música brasileira? Gostariam de tocar no Brasil?
A música clássica brasileira que conhecemos são Caetano Veloso e João Gilberto. Eles tiveram muito impacto aqui na Espanha e são muito reconhecidos. Na cena indie, mais como nós, devemos admitir que somos grandes fãs de Boogarins e Cansei de Ser Sexy. Na verdade, os Boogarins são muito populares na cena underground espanhola. Talvez quando eles voltarem, seria bom abrir para eles. E claro, nós adoraríamos ir ao Brasil! Seria uma oportunidade incrível. Nós queremos que isso se torne realidade, porque poder fazer uma turnê internacional é um sonho para nós.

– Quais são seus próximos passos?
Como dissemos antes, vamos lançar um novo álbum depois do verão. Esse trabalho é mais pop que o que estamos fazendo até agora. É uma espécie de álbum “emo-pop”, porque a música é feliz e cativante, mas quando você se concentra nas letras, você verá que elas são mais agridoces do que a música. Isso é algo que você pode curtir em nosso último single “Heavy”, mas também em nosso próximo single (pronto sair em maio). Também estamos tentando fazer isso em nosso novo vídeo, como uma evolução completa, mas com a essência do No Crafts.

– Recomendem bandas independentes que chamarem sua atenção ultimamente!
Aqui na Espanha você pode encontrar muitas novas bandas emergentes, e especificamente, o último show que nos impressionou foi o de uma banda chamada Keems, de Barcelona, que faz um tipo de post rock. Nós realmente achamos que eles são incríveis e encorajamos as pessoas ao redor do mundo a darem ouvidos porque realmente vale a pena. Internacionalmente, descobrimos recentemente Gus Dapperton e Cuco. Devemos admitir que o “Lo Que Siento” de Cuco é uma música que nunca falha em nossas festas.

Mattiel investe no visual com seu rock and roll cru e prepara segundo álbum pela Burger Records

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Em setembro de 2017 a Burger Records lançou “Mattiel”, o primeiro disco da banda de Atlanta capitaneada por Mattiel Brown. Além de cantora e compositora, Mattiel também é designer, algo que pode ser notado na parte visual de sua arte, com capas, fotos de divulgação e clipes que chamam a atenção e trazem muito do trabalho diário dela. “Design sempre foi uma parte de tudo”, ela contou em entrevista ao site Immersive Atlanta. “Se eu não tiver controle do visual de um projeto com a minha cara, me sinto muito insegura. Então eu realmente preciso ter a palavra de como tudo fica”.

Seu álbum de 12 faixas foi produzido por Randy Michael e Jonah Swilley e traz basicamente rock and roll básico e cru com influências da música sulista norte-americana, indo do gospel ao folk e blues, tudo com riffs grudentos e a voz potente de Mattiel. Em breve será lançado seu terceiro clipe, “Bye Bye”, novamente em parceria com o videomaker/fotógrafo Jason Travis, que também trabalhou em “Count Your Blessings” e “White Of Their Eyes”. “Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar”, conta Mattiel.

– Como você começou sua carreira na música?
Eu cresci ouvindo discos clássicos dos anos 60/70 da coleção de discos da minha mãe (Peter Paul and Mary, Bob Dylan, Rolling Stones, Joan Baez), mas não comecei a fazer minha própria música até encontrar as pessoas certas para trabalhar comigo. Seus nomes são Randy Michael e Jonah Swilley, e eles produziram o primeiro álbum, “Mattiel”. Eles também são músicos incríveis que viajam comigo na estrada.

– Como você definiria seu som?
Basicamente é rock’n’roll. Mas é melhor as pessoas ouvirem pra definir.

– Conte mais sobre o material que vocês já lançaram!
O disco auto-intitulado, “Mattiel”, traz material que escrevemos há cerca de 3 anos. Demorou bastante para um selo pegar e promover o álbum, mas estamos bem felizes com a recepção do público no ano passado. Estamos ainda mais animados para o próximo álbum – é TÃO bom. Mal posso esperar.

– Eu adorei os clipes da banda. Como seu trabalho com design influencia esse tipo de trabalho?
Obrigada! Eu passei os últimos 5 anos trabalhando em um estúdio de design para uma empresa de tecnologia chamada MailChimp. Pude trabalhar com gente muito talentosa e inteligente que sempre está cuspindo ideias inteligentes, então o treinamento que tive naquela área foi de grande ajuda. Nesse trabalho, eu faço e construo peças, faço o design de propaganda impressa e faço ilustrações. O videomaker/fotógrafo Jason Travis e eu nos conhecemos quando estávamos os dois trabalhando lá (agora ele está em Los Angeles), e trabalhamos juntos nos clipes agora. Acabamos de gravar um novo clipe em LA para “Bye Bye”, estamos muito animados com ele.

– Quais as suas principais influências musicais?
Poeticamente, eu amo Donovan, Bob Dylan, The White Stripes, Lou Reed, Blind Willie McTell, entre muitos outros. No sentido puramente musical, eu amo música gospel sulista – The Staple Singers, Mahalia Jackson, e o bluegrass sulista – Earl Scruggs / Foggy Mountain Boys. Tendo crescido na Georgia, a música sulista americana definitivamente cavou o seu espaço bem fundo no meu coração.

– Como você vê o mundo da música hoje em dia?
É uma paisagem muito vasta e imprevisível de onde estamos hoje em dia. Acho que muito hip hop ótimo está saindo agora, o Kendrick Lamar em particular chamou minha atenção. Sua escrita é incrivelmente boa.

– O rock and roll pode voltar ao topo das paradas algum dia?
Não tenho certeza. Não passo muito tempo olhando as paradas de sucesso. Só tento escrever material interessante o melhor que posso.

– Você conhece algo de música brasileira? Gostaria de tocar no Brasil?
Não! Eu realmente não conheço, mas eu amo trabalhar e ia adorar passar um tempo na América do Sul. O Brasil, pelo que vi e li, parece ter uma cultura enormemente vibrante.

– Quais os seus próximos passos musicais?
Tour, fazer alguns bons contratos, tour, tour, tour.

– Recomende artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!
Weyes Blood, Juan Wauters, King Krule, Sunflower Bean, The Lemon Twigs, Starcrawler, Tall Juan. Tenho certeza que estou esquecendo algumas. Mas essas são ótimas.

The Knickers reforça todo o poder feminino no mundo do rock em novo clipe

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Formado em 2007, o quinteto de Fortaleza The Knickers se formou com uma proposta de empoderamento feminino e atitude em seu som, calcado no hard rock e heavy metal com influências de bandas como Girlschool e Runaways.
Em 2009 gravaram seu primeiro disco, “Motherfucker”, o que as levou a fazer diversos shows e participar em 2010 de um dos maiores festivais de rock de Fortaleza, o Forcaos. Em 2016, já como quinteto, a banda lançou o EP “Figth For The Life”, que busca traduzir todo o machismo e feminicídio contra os quais lutam todos os dias, em nome de todas as mulheres.

Formada por Alline Madelon (vocal), Paloma Oliveira (guitarra), Tina Paulo (guitarra), Alessandra Castro (baixo) e Crilainy Aposam (bateria), a banda participou da Seletiva Wacken Open Air (2011), do IV Rock Cordel em Juazeiro do Norte (2012) e fizeram a abertura dos shows da banda Crucified Barbara, da Suécia, em 2012, e da banda Steelwing (também da Suécia), em 2014.

– Como rolou esse novo clipe, “Rock and Roll”?
Tina: Lançamos o EP “Fight For The Life” ano passado, e o clipe é importante pra divulgar e essa música, que é uma bônus track. Falamos com o Maurício e conseguimos o teatro do Cuca Mondubim (equipamento cultural de Fortaleza). Contamos com ajuda dos técnicos e produtores do equipamento. Gravamos o clipe em 3 horas e 1 hora para arrumar equipamento e amamos!

– Vocês são uma banda puramente rock. Como vocês veem o estilo hoje em dia?
Tina: Como sempre foi visto, o que muda é que hoje as pessoas tem mais acesso, mais informações sobre bandas e as próprias bandas são mais independentes. Também acho que muitas bandas hoje em dia se preocupam muito com as mensagens que estão passando. Algumas, né?

– Me falem mais sobre o material que vocês já lançaram.
Tina: Temos dois EPs, O “Motherfucker”, lançado em 2010, quando tínhamos outra formação, e em 2017 foi lançado o Ep “Fight For The Life”, com uma pegada mais pesada e com 5 integrantes, formada somente por mulheres. As letras basicamente falam sobre machismos e rock n’roll.

– Como a banda começou?
Paloma: O inicio propriamente dito foi quando eu e a Aline (vocalista) nos encontramos e conversando, descobrimos que tínhamos a mesma ideia. Montar uma banda de heavy metal composta por meninas. Como desde o inicio, nosso foco era ter um projeto de musicas autorais, começamos a buscar outras garotas interessadas na proposta, como é normal em todas as bandas, até chegar nesta formação sólida atual, mudamos de integrantes pelos mais variados motivos.

– De onde surgiu o nome The Knickers?
Paloma: Sendo fã da banda americana Kiss, vi que em alguns shows haviam lingeries jogadas no palco. Então me veio a ideia de usar o nome The Knickers, que também faz uma alusão a uma banda formada por garotas.

– Como é a cena rock da região? Vocês comentaram que ela anda bem em alta…
Tina: Aqui tem muita banda autoral boa ,com trabalhos legais e bem produzidos, mas o investimento das casas e festivais acabam sendo ainda das bandas covers. Elas estão mais nos bares ganhando cachês. Muitas bandas autorais ainda fazem o fluxo de ir para o Sul, pois sabemos que o mercado é outro, então muitos deles são reconhecidos lá primeiro, mesmo estando muito tempo no mercado da música da nossa região.

– Quais as principais influências da banda?
Tina: Vixen, Crucified Barbara, Girlschool, The Runaways.

– Como vocês veem a globalização da cena independente, com o uso das redes sociais? Ela ajuda a tirar o nicho regional?
Tina: Sim, ajuda bastante. Fazer contatos e manter a comunicação ativa com que curte o som é importante, pois mantém a banda em atividade. Com as plataformas digitais, isso está cada vez mais forte (sobre tirar o nicho regional), e estamos passando por um processo de transição sobre a forma que estamos nos dando com tanta informação.

– Já estão trabalhando em novas músicas?
Tina: Sim, estamos trabalhando músicas inéditas que devem estar no nosso primeiro full-lenght, junto a outras musicas que estão no nosso último EP.

– Recomendem bandas e artista independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Tina: Damn Youth, Facada, Manger Cadaver.