Carlos Maltz, ex-Engenheiros do Hawaii, lança livro “O Último Rei do Rock” e single “Lanterna na Proa”

Carlos Maltz, ex-Engenheiros do Hawaii, lança livro “O Último Rei do Rock” e single “Lanterna na Proa”

7 de maio de 2015 0 Por João Pedro Ramos

CARLOS MALTZ

Carlos Maltz, baterista dos Engenheiros do Hawaii entre 1986 a 95, lançou este ano seu segundo livro, “O Último Rei do Rock” e um novo single solo, “Lanterna na Proa”. “Atualmente eu sou psicólogo e atendo em meu consultório em Brasília. Não tenho mais tempo para estar na estrada fazendo shows”, explica, deixando claro que os dias de membro de uma grande banda de rock já são parte de um passado nostálgico, preferindo explorar seu lado escritor.

“Como é viver à sombra de um mito? Ou, pior, de um legítimo rei do rock: John Lennon. Essa é a sina de Juan LMK, que pelos desígnios do acaso nasceu no mesmo  dia, hora e hospital onde morria o gênio dos Beatles. Estamos em 2020, e a banda de Juan, a Paralelepípedos do Óbvio, está decadente e vive das migalhas que caem das mesas dos últimos fãs, quando Juan recebe um convite absurdo e inesperado: tornar-se o garoto propaganda de um novo produto que vai mudar a história da humanidade, o primeiro implante nano-neural para a expansão da inteligência. Juan tem a oportunidade de se tornar o que sempre sonhou em segredo: mais famoso do que John Lennon”. Esta é a sinopse de “O Último Rei do Rock,” estreia de Maltz na ficção, lançando um olhar detetivesco e analítico sobre a indústria musical e a cultura pop.

Conversei com Maltz sobre o novo livro, o single e sua carreira:

– Você está lançando uma música nova, em conjunto com o livro “O Último Rei do Rock”. Pode me falar um pouco deste novo projeto?

Bom, na verdade, eu estou lançando mesmo é o livro “O Último rei do Rock”. A idéia de gravar a música veio na sequência. Eu já tinha essa música há muito tempo. O pessoal da Editora me pediu uma idéia de promoção pro livro. Eles queriam alguma foto antiga ou gravação rara dos Engenheiros, pros fãs, esse tipo de coisa. Eu disse a eles que não tenho praticamente mais nada de material antigo, que eu já passei tudo pra frente, já passei tudo o que eu tinha pros fãs. Então resolvemos partir pra uma gravação nova. Pra mostrar o que eu estou fazendo agora. Que tem muito mais a ver com o livro, inclusive.

– Seu primeiro livro, “Abilolado Mundo Novo”, foi acompanhado de shows. “O Último Rei do Rock” seguirá essa linha?

Não sei. Provavelmente não. Atualmente eu sou psicólogo e atendo em meu consultório em Brasília. Não tenho mais tempo para estar na estrada fazendo shows. Isso exige um bocado de trabalho e atenção.

– Quais são suas principais influências musicais?

Pink Floyd, Led Zeppelin, Rush, Zé Ramalho. E as bandas dos anos oitenta.

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– O projeto Irmandade ainda está na ativa?

Não. A galera mora toda no Rio e eu me mudei pra Brasília em 2000. Nós tocamos juntos até essa época, mais ou menos.

– Seu último disco solo saiu em 2001. Está preparando um novo ou está focado em seus outros projetos, como a literatura?

Bom, eu tenho material pra gravar um disco novo, mas, no momento, não tenho tempo pra me dedicar a isso. Entre escrever livros, atender o povo e os meus estudos na Psicologia e na Astrologia, não sobra muito tempo.

– Você ainda tem contato com os membros do Engenheiros do Hawaii, banda da qual é fundador?

Basicamente com o Humberto. A gente se comunica on-line, e se encontra de vez em quando pra tocar em algum show, quando ele toca aqui em Brasília.

– Você continuou tendo uma relação com o Humberto Gessinger mesmo depois de sua saída da banda. Acredita que pode haver uma reunião, como rolou com o Ira?

Poder, pode. Mas não sei se a gente quer. Não sei se ele quer. Eu mesmo, nesse momento, não quero. Estou olhando mais pra frente do que pra trás. Engenheiros teve o seu tempo. Estou vivendo outras coisas nesse momento. Não pretendo me tornar uma estátua num museu de cera de mim mesmo. Nem estou dizendo que os caras do Ira ou seja quem for estejam fazendo isso. Mas os Engenheiros aconteceram de uma forma natural, em um determinado momento. As coisas estavam acontecendo, a banda foi uma consequência. Reunir agora seria uma coisa totalmente diferente, artificial. Entendo as pessoas, os fãs que querem que isso aconteça. Mas eu sou uma pessoa além de ser um personagem na história que rola na cabeça deles. Sou uma pessoa e tenho a minha vida além dos out-doors da celebridade. Uma vez perguntaram ao John quando os Beatles voltariam, ele disse: quando nós voltarmos ao high school. Isso faz muito sentido pra mim.

– Quais as suas canções preferidas de tocar do Engenheiros do Hawaii?

Meu disco preferido é o “Revolta dos Dândis”, de 1987.

https://www.youtube.com/watch?v=jhq9NctjGEg

– Você também participou do projeto Pouca Vogal do Gessinger. Como foi esse reencontro?

Sempre é legal. A gente tem alguma química quando toca junto. A gente aprendeu a tocar juntos. A errar juntos. Eu aprendi a tocar bateria pra acompanhar o Gessinger. Então… É meio natural, entende? Mesmo que a gente fique muito tempo sem tocar junto.

– Diga algumas bandas que não são conhecidas do grande público e você acredita que todo mundo deveria conhecer.

Não sei. tô por fora disso. Não sou o cara mais indicado pra fazer essas indicações. Tenho escutado o Muse. Acho que eles estão caminhando pra ser a banda numero 1. Têm uma fundação muito sólida no rock antigo, e uma compreensão bem ampla do que é fazer Rock’n’Roll hoje.