Bifannah faz tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz no disco “Maresia”

Bifannah faz tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz no disco “Maresia”

27 de setembro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Cantando em português, espanhol e galego, a banda Bifannah faz um som que define como tropicalismo atlântico com lisergia e fuzz. Eu bem que tentei achar alguma outra definição para o que a banda faz, mas eles acertaram na mosca: uma mistura de psicodelia, Tropicália, stoner rock, garage e o fuzz sempre ativo. Então pra que eu complicaria algo que a própria banda já havia descomplicado?

Formada por Antía Figueiras (baixo, teclado e vocal), Guille V. Zapata (guitarra e vocal), Antón Martínez (bateria e percussão) e Pablo Valladares (guitarra), a banda surgiu no final de 2015, em algum lugar entre Barcelona, Londres e Galícia. Lançaram um EP auto-intitulado no mesmo ano e em 2017 veio “Maresia”, seu segundo trabalho, com uma dose ainda maior de influências sessentistas e setentistas no som e uma coesão maior entre as faixas.

– Como a banda começou?
Bifannah surgiu em 2015 quando Antía e Guillermo morávamos em Barcelona e Antón em Londres. Um ano mais tarde e depois de gravar nosso primeiro EP, também entra Pablo na banda. Anteriormente os 4 já estivemos em outras bandas, além de ser bons amigos.

– O que significa Bifannah?
A bifana é um prato típico português, uma sandes (sanduíche). Guillermo tirou cinco anos a estudar no Porto, e nesse período, temos uma lembrança, uma noite de festa que acabou com uma bifana a altas horas… O dia a seguir foi terrível, e o conceito de bifana ácida e perigosa foi engraçado, pelo que deu para a alteração do nome a “Bifannah”.

– Quais as suas principais influências musicais?
Há muita coisa que nos influencia: desde o movimento tropicalista, as bandas europeias dos anos 60 e as harmonías vocais da west coast até o afro-beat ou a psicodelia revivalista.

– Como você definiria o som da banda?
Não é fácil, mas podemos falar de pop, psicodelia e garage com reminiscências 60s e 70s.

bifannah

– A banda tem integrantes de diversas nacionalidades. Como isso se reflete no som?
Realmente todos somos de Vigo (Galiza), mas por exemplo Antía tem origens brasileiras e estamos a morar em diferentes cidades. Isso causa que quando nós combinar, ensinamos músicas e bandas novas uns aos outros.
Sempre tentamos investigar novos sons e isso afeta positivamente ao processo de criação.

– Como é seu processo de criação?
Desde o início trabalhamos a distância. Partimos de ideias de guitarra, baixo ou órgão que cada um trabalha individualmente na primeira fase. Depois já com a presença dos 4, partilhamos sensações e trabalhamos de forma muito intensiva para desenvolver e terminar a estrutura definitiva de cada canção.

– Me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.
Em 2016 lançamos 5 músicas no “Bifannah EP”. O primeiro trabalho que foi a porta de chegada para os primeiros concertos em Espanha e Portugal. Também foi a apresentação para trabalhar com o selo The John Colby Sect.
A finais de 2016 começamos com a criação do primeiro LP, que foi lançado finalmente em junho de 2017: “Maresia”. Um trabalho gravado na Galiza com Iban Pérez (Selvática, Pantis) e mixado pelo Jasper Geluk (Jacco Gardner, Altin Gün) na Holanda.

– Como você vê a cena independente autoral hoje em dia e como faz para trabalhar dentro dela?
Hoje é muito mais fácil trabalhar uma cena independente e auto-sustentável pela difusão e possibilidades de Internet. Há muitos estilos a ser escutados e criados por muito pessoal que já também não têm paciência para escutar 10 músicas de uma banda só. Isso é complicado, mas acho que as bandas têm de procurar o seu próprio espaço, ter o seu próprio movimento a todos os níveis para não depender de ninguém mais do que a sua própria música e dos que gostam e partilham. Também acho que a cena independente atual, está a criar mais solidariedade entre bandas, do que nunca foi antes.

bifannah

– Quais os seus próximos passos?
Agora tudo vai ser apresentar “Maresia” em direto por Espanha, Portugal, Holanda e UK. Também já estamos a pensar em novas canções para um novo single, mas sempre tentando levar nossa música o mais longe – artística e físicamente – possível!

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Dos últimos tempos gostamos de bandas como Fumaça Preta, Altin Gün, The Babe Rainbow, MØURA, Tess Parks, Mystic Braves, Bruxas