Banda mineira de indie folk Bear Me Again prepara o lançamento do single “2062” para 2016

Banda mineira de indie folk Bear Me Again prepara o lançamento do single “2062” para 2016

17 de dezembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

A volta do folk, adaptado ao rótulo “indie folk”, está com tudo. Parte dessa retomada do estilo é a banda mineira Bear Me Again, formada por Wendhell Werneck (voz e violão), Luis Lopes (baixo e back vocal), Diego Ernane (guitarra e back vocal) e Gabriel Martins (bateria). Na estrada desde 2012, o grupo busca misturar a essência do folk tradicional com a eletricidade e peso do rock alternativo britânico.

Em setembro, a banda lançou seu primeiro disco, auto-intitulado, gravado, mixado e masterizado no Estúdio Guerra por Lucas Guerra, em Minas Gerais. Ele está disponível para download no site do grupo: http://bearmeagain.com.br/ Conversei com eles sobre sua carreira, influências, cena de Minas Gerais e o rótulo “indie”:

– Como a banda começou?

Wendhell: Bom, eu comecei a compor com uns 14 anos de idade, mesmo sem saber tocar ou cantar muito bem, e escrevi muitas músicas desde essa idade até os 20 anos, quando conheci o Thiago França (baterista). Nesse entremeio, tentei criar vários projetos pra, de alguma forma, entrar no mundo da música, tanto solo como outras bandas. Eu fiz a proposta pro Thiago de tocarmos as músicas que eu tinha escrito – as que eu não tinha perdido ou jogado fora. Nós iniciamos o projeto num quartinho onde ele estudava e tinha uma bateria velha e um violão, e ele pareceu gostar. Daí, começamos a ensaiar regularmente e criar músicas juntos, até começarmos a encaixar os outros membros que foram chegando depois. Desde que começamos a ensaiar até a primeira formação completa da banda – violão, guitarra, baixo e bateria – foram por volta de 1 ano, ou mais.

– Porque o nome “Bear Me Again”?

Wendhell: O nome sempre causa um pouco de confusão, porque a palavra “bear” pode significar urso. Essa é a tradução mais conhecida da palavra. Mas, como verbo, a palavra pode significar algumas outras coisas, e uma delas é “parir”, “dar a luz”. Então ficaria mais ou menos: “me gere de novo” ou “me tenha de novo”. Esse nome é uma forma de nos lembrar que a gente nunca vai saber o suficiente, e nunca vai ser bom o suficiente; a gente tem que sempre se reinventar.

– Quais são suas principais influências musicais?

Wendhell: A banda tem muitas influencias diferentes de um membro pra outro. Muda bastante a formação musical. Sei que o Luis gosta muito de Red Hot Chili Peppers, Between the Buried and Me, Rage Against the Machine, Los Hermanos, já o Diego gosta muito de AC/DC, John Mayer, The Mars Volta, City and Colour, John Frusciante, Cynic… De todas as bandas que me influenciaram, pessoalmente, tem três que ficaram mais marcadas pra mim e me influenciam ate hoje: Coldplay, Kings of Leon e Red Hot Chili Peppers. Mas eu fui me apaixonando por muitas coisas que também tiveram papel muito importante nisso: Mumford and Sons, Johnny Cash, Neil Young, U2, Dry the River e muitas músicas aleatórias que se destacaram mais que o artista pra mim.

– Me falem um pouco sobre o primeiro disco da banda.

Diego: Vejo o primeiro disco como o primeiro passo da banda, literalmente. Foi uma oportunidade que tivemos para nos escutar e entender o som como alguém “de fora”, algo que não tem como fazer quando estamos tocando, creio que isso acontece com muitas bandas e a partir disso podemos amadurecer nosso som. Música é algo em constante mudança, estamos sempre tocando e criando coisas novas, às vezes temos novas ideias em músicas que já estão prontas e gravadas e, dependendo de como ficar, podemos mudar a forma de tocar adaptando para os shows, mas sabendo que a essência dela estará ali, gravada e guardada. Daqui a alguns anos vamos comparar todos os CDs e ver o quanto mudamos com o passar do tempo, espero que sempre para melhor.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Wendhell: É difícil demais rotular ou definir o som, mas quando eu tento, acho que o que melhor define é que a banda tem um pouco da essência do Folk e um pouco do sentimentalismo e pegada do Rock britânico, misturado no que já tem dentro de cada integrante naturalmente.

Diego: Principalmente quando tem esse “rotulo” de indie, podemos explorar mais áreas que talvez não poderíamos arriscar por ter um estilo definido, então para simplificar vejo o som da banda como algo que gostamos de ouvir, tocar e criar. Cada um coloca sua referência na mesa, misturamos tudo e o resultado é o que vocês ouvem nas nossas músicas.

Bear Me Again

– Porque escolheram cantar em inglês?

Wendhell: Eu comecei me aprofundar no inglês e na música mais ou menos na mesma época. O inglês era muito empolgante pra mim quando eu comecei a aprender, então, em tudo que eu fazia, eu queria usa-lo. As duas coisas meio que se fundiram e eu acabei me acostumando. Hoje em dia, quando eu tento escrever em português é meio desastroso.

– O que ocorre em Minas Gerais que gera tantas bandas criativas, de todos os gêneros?

Luis: É a facilidade com que se pode divulgar o trabalho hoje em dia. Sempre existiu muitas bandas talentosas e criativas de diversos estilos, não só em Minas, mas em todo o Brasil e com a ajuda da internet, que é o principal veiculo de comunicação das bandas independentes, essas bandas tem dado mais as caras e chegado com mais intensidade às pessoas. Antes os talentos eram escondidos. Só conhecia quem conhecia ou quem conhecia quem conhecia.

Diego: Por todo canto do Brasil tem bandas boas, por exemplo, a Far From Alaska é uma banda que está fazendo muito barulho em todo país e é do Rio Grande do Norte. Acho que o brasileiro nasce com uma ginga que não é tão notável em outros países. Nação Zumbi, Novos Baianos, Mutantes, por exemplo, são bandas que evidenciam essa ginga e aqui em BH não é diferente, quando vejo bandas como Primerandar tocando fico me perguntando por que os caras não estão rodando o Brasil com sua música. BH é conhecida como berço do metal, mas tem tantas bandas boas de outros estilos que aqui poderia ser berço de música boa, pena que não temos um movimento forte para lançar tantas bandas quanto era merecido.

– Vocês citam “indie” entre as inspirações da banda. Vocês não acham que este rótulo se banalizou e é aplicado à bandas dos mais diversos estilos? Pra vocês, o que é “indie”?

Luis: Indie é o termo abreviado em inglês da palavra independente. Se uma banda é independente, logo, ela é “indie” e isso pode ser aplicado a diversos estilos. Não acho que se tornou banal, é apenas o reflexo do grande crescimento de bandas novas independentes.

Wendhell: Entendemos que o termo, realmente, foi tomando um conceito mais abrangente pras pessoas, até se tornar um rótulo; as vezes até usado fora de lugar. Apesar de não saber descrever em palavras o que torna uma música “Indie”, (tratando-se do conceito de estilo musical que a palavra ganhou com o tempo) eu vejo que temos muita similaridade com bandas que são associadas à categoria em alguns aspectos, como Strokes, Arctic Monkeys, The Smiths, etc.

– Quais os planos da banda para 2016?

Wendhell: Tocar no máximo de lugares possíveis.

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos (especialmente se forem independentes)

Luis: Recomendo uma banda belorizontina, muito boa, chamada Primerandar. Gosto também da Entreveias, também de BH, Apanhador Só de Porto Alegre e o cantor e compositor Zé Pi de São Paulo, membro da extinta banda Druques. Os Druques não estão mais em atividade, mas vale muito a pena ouvir os 2 CDs deles.