Banda Ghost of Matsubara enche as ruas do Japão de zumbis nipônicos em seu novo clipe “Dead Skin”

Banda Ghost of Matsubara enche as ruas do Japão de zumbis nipônicos em seu novo clipe “Dead Skin”

16 de março de 2015 0 Por João Pedro Ramos

1970618_10152874625663961_1970041446002019487_n

Tom Fallon era arqueólogo nos Estados Unidos. O mercado andava muito ruim e ele percebeu que estava tendo que cortar grama e fazer serviços de jardinagem para juntar alguma grana. Eis que um amigo dele chegou e disse “Ei, porque você não vai para o Japão dar aulas de inglês?” Foi o que Tom fez e assim deu origem ao Ghost of Mastubara.

Em 2005, Tom se mudou para o Japão, e em 2011 começou a banda, que conta com Tom Fallon na voz e guitarra, Tak Kudo no baixo e backing vocals e Kota Toyoshima na bateria. Em 2012, lançaram “From The Ashes Not Yet Cold” e o EP “Live From a Coma”.

A banda tem um som influenciado por TooL, Fallout Boy, Panic! At The Disco, Twenty One Pilots, My Chemical Romance, Muse, Bright Eyes, Coheed & Cambria, Flogging Molly, NOFX, Green Day e Johnny Cash e está lançando o clipe “Dead Skin”, recheado de zumbis japoneses.

Conversei com Tom (e já era quase meia noite no Japão!) sobre a banda, a vida no Japão, a cena de rock por lá e como a internet ajuda a fazer bandas alcançarem público internacionalmente:

– Como surgiu o nome da banda?

Em 2010, eu morava no bairro de Mastubara. Sendo um estrangeiro, você se sente às vezes como se estivesse lá, mas não estivesse, sabe? Como um fantasma. Daí surgiu o nome Ghost of Matsubara, que é como eu me sentia. Aqui no Japão o pessoal achava que se tratava de alguma lenda ou mito. Na época, o baixista Tak era o único japonês da formação, então depois dos shows as pessoas vinham até ele e perguntavam “você é o filho de Matsubara? Você é o Matsubara?” (risos)

– Vocês estão fazendo turnê?

Adoraríamos tocar pelo mundo, mas no momento estamos tocando por aqui mesmo. Em Tóquio, Nagoya…

– Como você define o som do Ghost of Matsubara?

Progressive punk indie core. Temos influências de tudo isso, então… Por exemplo, “Dead Skin” é bem punk 90s, mas no próximo disco teremos algumas músicas com um clima bem diferente, com um jeito mais progressivo… mais na direção do que o Coheed and Cambria faz. No próximo disco, teremos também uma música country e uma faixa escondida chamada “Homesick”, só comigo tocando um violão, algo como uma valsa country.

– Você falou que a formação mudou, o que rolou?

Começamos a banda com apenas um japonês na formação, o Tak. O baterista também era americano, como eu. Mas aí rolou aquela briga de egos, ele saiu e a situação foi uma merda. Tentei fazer ele ficar, mas ele insistiu que queria sair. Quando conseguimos um novo baterista, ele ficou puto. Dá pra entender? Agora eu sou o único não-japonês da banda. (risos)

10349011_10152705922013961_4003044600992664299_n– E banda é mais bem aceita pelo público japonês agora, com dois membros nipônicos?

Podemos dizer que sim. É mais fácil de sermos aceitos por causa dos membros japoneses. Eu sou fluente em japonês, o baterista anterior não era, então hoje a banda se conecta melhor com o público.

– Como é o processo criativo de vocês?

As letras são todas minhas. Às vezes eu já penso em um riff de guitarra ou numa progressão de acordes. Aí levo para os ensaios, o Tak ouve e normalmente diz “hmmm… legal” (risos). Aí eles modificam ou ajudam a progredir tudo até que se transforme em uma canção. O Tak é um ótimo músico, então criamos tudo como um time.

– As letras são todas em inglês ou tem algumas em japonês?

Tem uma música chamada “Eclipsed” que tem um trecho em japonês. Eu escrevi ela sobre uma menina que me deu um pé na bunda e não entendia inglês. Como eu fiquei bem puto com o rompimento, fiz esse trecho em japonês pra que ela entendesse o que eu estava dizendo. (risos)

– O que você acha das músicas que estão sendo lançadas atualmente?

Eu vi algo engraçado sobre isso: um meme com o Geddy Lee, o baixista e vocalista do Rush, que dizia “Eu toco baixo, enquanto canto, toco teclado e piso nos pedais de distorção com os pés. Como esse povo que usa playback porque dança pode ser chamado de artista?” Mas existem coisas boas no pop, não dá pra negar. Eu adoro quando bateristas de rock colocam, por exemplo, uma levada de disco music no meio da música. Acho que tudo tem seu lado bom, musicalmente.

– Quais os maiores desafios de ser uma banda independente?

Como músico de rock, pelo menos você faz o que quer fazer. Eu adoraria ter mais auxílio, mas é bom não ter que responder para ninguém. Existe o exemplo da Avril Lavigne, que começou como rock e foi indo na direção do que os empresários pediram, virando uma marionete pop.

– E como anda a cena independente no Japão?

No Japão as pessoas querem que você pague para tocar, o que eu acho muito errado. Mesmo que seja uma proposta ruim, que pelo menos haja um retorno para a banda. Nos faça uma proposta e estaremos felizes por tocar, sabe?

10698576_10152705921988961_3040249923906755392_n– Aqui no Brasil também tem locais que exigem que as bandas vendam ingressos para tocar.

Sim, isso é horrível. Mesmo que a banda seja talentosa, ela está sendo roubada. Além disso, só seus amigos irão “assistir” você. Aqui no Japão, querem que vendamos ingressos por US$ 25!

– Falta um pouco de alma na música de hoje em dia?

Tem um lugar aqui em Nagoya onde jovens músicos independentes vão para tocar, normalmente com voz e violão, cantando com sua almas. Esses dias estava lá um cara com um computador e um microfone cantando. Era um tipo de karaokê, e as pessoas pensam que isso é música. Bom, eu realmente não respeito isso aí.

– Que bandas recentes fazem sua cabeça?

As duas principais são o Coheed and Cambria, que tem um trabalho de guitarra e letras incríveis, e Passenger, um músico folk com ótimas letras e que toca muito bem seu violão, um dedilhado incrível. Ah, e tem o 21 Pilots! Conheci essa nos vídeos relacionados do Youtube. Fui clicar sem muita expectativa e HOLY SHIT!

– Você disse que conheceu o 21 Pilots pelos vídeos relacionados do Youtube. O Youtube ajuda na divulgação de bandas para mais pessoas por todo o mundo?

Na verdade o Youtube é apenas uma plataforma, cabe às bandas fazerem com que os clipes ou vídeos fiquem conhecidos pelo grande público. O Youtube não faz nada pra nos ajudar. Existem canais que ajudam a divulgar bandas novas e a cena underground, como o BlankTV, que inclusive já passou clipe nosso.

– No Japão agora tem um movimento musical chamado Visual Kei, cheio de maquiagens, cabelos e etc. O que você acha disso?

O Japão pode ser cheio de artifícios, você precisa ter algo que chame a atenção no visual. Eu não gosto de usar esses artifícios visuais, eu cresci com Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden… cru, sem figurino. O Tak viveu 10 anos nos Estados Unidos e pensa como eu, então a banda segue nesse estilo.

– Quais são os próximos passos do Ghost of Matsubara?

Estamos arrecadando dinheiro para nosso próximo disco (no http://www.gofundme.com/gomnextcd) e depois de “Dead Skin”, queremos fazer clipes para mais músicas. “Dead Skin” foi sobre zumbis, queremos fazer mais alguns com temas de monstros, o próximo deve ser de alguma criativa saindo do oceano, algo como uma mistura de Godzilla e King Kong

– Vocês pretendem vir tocar no Brasil?

Adoraríamos ir para o Brasil, mas não temos contatos por aí. Se alguém quiser levar uma banda de rock diretamente do Japão para tocar aí, nós somos a banda que procuram! (risos)

– Onde podemos ouvir as música do Ghost of Matsubara?

No nosso site (http://ghostofmatsubara.com) tem tudo lá. Se você quiser comprar nossas músicas, peço que compre direto no próprio site (http://ghostofmatsubara.com/gomdirectbuymusicstore), apesar de elas estarem disponíveis no iTunes e CDBaby. Sabe como é, assim o dinheiro vem direto pra nós. Cortem os intermediários! (risos)