Banca Tatuí traz shows de Tatá Aeroplano, Julia Valiengo, Mariana Degani e Remi Chatain em seu teto dia 19

Banca Tatuí traz shows de Tatá Aeroplano, Julia Valiengo, Mariana Degani e Remi Chatain em seu teto dia 19

17 de março de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Neste sábado, dia 19, acontecerá a primeira festa do ano na Banca Tatuí, na Santa Cecília. O teto da popular banca de publicações independentes receberá shows de Tatá Aeroplano e Júlia Valiengo e também Mariana Degani e Remi Chatain apresentando o show do recém lançado disco “Furtacor”, além da sempre ótima discotecagem do Coletivo Trama.

As publicações não ficarão de fora, é claro. Durante o evento, rolam os lançamentos do livro “Bagagem“, do Troche e do zine Mó Tesão, com ilustrações de Magra de Ruim.

Conversei com João Varella sobre o evento de sábado:

– Dia 19 rola a primeira festa da Banca Tatuí. O que vai rolar de música?
É a primeira do ano. Teremos três atrações musicais. Shows de Tatá Aeroplano + Julia Valiengo e Mariana Degani + Remi Chatain, além da discotecagem do Coletivo Trama.

– Porque colocar shows ao vivo no teto de uma banca?
Porque temos uma estrutura bacana para isso, apesar de nunca termos planejado. O engenheiro que tocou a obra da banca exagerou na dose e fez uma estrutura que aguenta 1,5 tonelada. Logo, veio a ideia de pôr bandas tocando lá em cima.
Foi um acaso muito fortuito, pois a música tem uma ligação íntima com publicações, independentes ou não.

– O que Tatá Aeroplano + Julia Valiengo vão apresentar?
Nós não combinamos setlist com os artistas, mas creio (e torço) que teremos a presença das entidades Frito Sampler e Grace Ohio. Também há expectativa pelo material solo do Tatá e algo da Trupe Chá de Boldo (oremos).

– E o que podemos esperar da apresentação de Mariana Degani + Remi Chatain?
Aposto numa apresentação calcada no disco “Furtacor”, recém lançado e uma das melhores coisas que surgiu neste primeiro trimestre em termos de música brasilera.

Banca Tatuí

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– Vocês já tiveram problemas com a polícia impedindo as apresentaçãos. Como evitar isso?
A polícia nunca chegou a impedir apresentações. A polícia sempre surge no final, dialoga e entende que os shows são curtos. No final da conversa, o entendimento tem sido que a arte traz muito mais benefícios à região do que malefícios, ainda mais se levarmos em consideração que antes da banca a esquina era uma boca de tráfico.

– Vocês acham que essas operações de Psiu e afins estão atrapalhando a cena musical de São Paulo?
Atrapalham, mas se levarmos em conta São Paulo toda, não muito. Sinto que atinge mais os bares. Talvez sejam outros fatores que atrapalhem. Para deixar claro, minha posição é de repúdio ao que aconteceu com o Puxadinho da Praça. Nunca fui na casa, mas a contribuição que ela deu à cena da cidade foi notória. A cena musical de São Paulo é prejudicada hoje pela crise, que faz as pessoas ficarem em casa vendo o Netflix ao invés de sair, ao invés de consumir outro tipo de arte diferente do cardápio de séries da plataforma.

– Como a cena musical paulistana (e do Brasil) pode melhorar?
Pergunta ampla, mas vou responder entendendo “melhorar” como uma questão de qualidade musical. Aí respondo que é dando mais atenção ao rap. Sinto que esse é o gênero musical que tem algo a dizer hoje em dia. Não que todo artista tenha agora que cantar rap, mas a atitude e a energia vinda do hip hop são o que há de mais relevante em termos musicais. É hora dos artistas do centro aprenderem com a periferia. Além disso, claro, aquela aflição que atinge todos os artistas: arranjar formas de se viabilizar financeiramente através da música para poder assim se dedicar de corpo e alma em sua arte, conseguindo assim criar. Isso vale para escritor, artista plástico, etc..

– Podemos esperar mais shows na Banca Tatuí em 2016? 🙂
Sem dúvida! Esse é só o primeiro.

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