Australianos do The Jezabels colecionam prêmios e não têm medo de se aproximar do pop

Australianos do The Jezabels colecionam prêmios e não têm medo de se aproximar do pop

26 de outubro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Formada na Austrália em 2007, The Jezabels já lançou 3 EPs (The Man Is Dead”, “She’s So Hard” e “Dark Storm”)  e 2 discos (“Prisoner” e “The Brink”) e hoje em dia não tem mais medo de abraçar o pop. “Pop é uma palavra estranha”, diz a vocalista Hayley Mary. “Mas conforme você vai ficando mais velho e mais experiente, a tendência é apreciar mais a simplicidade”.

Contando também com Nik Kaloper na bateria, Samuel Lockwood na guitarra e Heather Shannon nos teclados, a banda recebeu diversos prêmios: ‘Disco do Ano’ no Rolling Stone Awards, Australian Music Prize e ARIA Award de ‘Melhor Lançamento Independente’, em 2012, e ‘Single do Ano’ no Rolling Stone Awards de 2014.

Conversei com Nik sobre a carreira da banda, sua discografia e a paixão deles pelo Brasil:

– Como a banda começou?

Nós quatro fomos para a Universidade de Sydney e Hayley e Heather estavam escrevendo músicas que acabaram contando com a ajuda de Sam na guitarra e, em seguida, eu na bateria. Começamos a tocar com o objetivo de competir em uma batalha de bandas na faculdade – quando ficamos em segundo, pensamos que poderia ser em uma boa, e continuamos indo em frente. Isso foi quase 8 anos atrás.

– Me falem sobre o material que vocês já lançaram.

Nós lançamos 3 EPs e 2 álbuns até agora. Cada EP tem 5 faixas, o primeiro álbum tem 13 faixas e o segundo álbum tem 10 (com uma faixa bônus na versão australiana) – Seus nomes, em ordem cronológica, são The Man Is Dead”, “She’s So Hard”, “Dark Storm”, “Prisoner” e “The Brink”. Temos também um álbum ao vivo. Todo nosso material é escrito de forma colaborativa – todos nós temos um grau de influência sobre as canções.

– Quais as suas maiores influências musicais?

Eu cresci ouvindo grunge e emo bandas como Sunny Day Real Estate e Cursive. Depois ampliei um pouco meu gosto e descobri o death metal técnico e os belos ritmos trabalhados no gênero. Em certo momento, percebi que vale a pena ser influenciado por todo tipo de música, por uma razão ou outra. Eu tenho escutado Queen todo dia, por exemplo.

– Como surgiu o nome Jezabels?

O nome refere-se à personagem bíblica Jezebel. Ela é muito vista como um símbolo da mulher caída na sociedade de hoje, acho que nós estamos tentando fazê-la ficar de pé novamente.

The Jezabels

– Como você descreveria seu som?

Grande e dramático.

– Qual é o melhor lugar em que vocês já tocaram?

Uma vez que nós tocamos em um barco a vapor que estava viajando ao redor do rio Willamette em Portland, Oregon. Nós estávamos fora no deck superior assistindo pontes maciças passarem por cima de nós enquanto tocamos nossas músicas. Essa foi uma experiência bastante especial.

– Vocês pretendem vir ao Brasil? Você conhece alguma banda brasileira?

Nós absolutamente adoraríamos ir ao Brasil. Infelizmente, não temos planos para isso ainda. Nós estamos determinados a ir para a América do Sul antes do fim de nossa carreira, nós definitivamente faremos o nosso melhor. Sepultura são brasileiros, conhecemos eles!

– O rock and roll ainda vive nos dias de hoje?

Absolutamente, eu só acho que você precisa cavar um pouco mais para encontrá-lo no nosso panorama musical atual. Se rock and roll a significa ter uma atitude anti-establishment e subversivo, eu acho que é visto menos na mídia mainstream da música nos dias de hoje, infelizmente.

– Qual a melhor e a pior parte de ser uma banda independente?

A melhor parte de ser uma banda independente é exatamente isso, a independência. A pior parte é encontrar maneiras para financiar algumas de suas atividades, sempre será mais difícil para uma banda independente para encontrar o investimento de capital necessário para fazer um álbum e turnê.

– Recomende algumas bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Ultimamente eu tenho escutado muito Com Truise e Melt Banana (de estilos muito diferentes!) Se quem estiver lendo isto não tiver dado atenção suficiente para o Kraftwerk, recomendo Computer World – assisti um documentário sobre Kraftwerk e nunca percebi até que ponto que eles influenciaram a trajetória da música moderna. Desde então, fiquei viciado neles.