Audiometria – Será que o disco “Restart” (2009), do Restart, é tão ruim assim?

Audiometria – Será que o disco “Restart” (2009), do Restart, é tão ruim assim?

22 de junho de 2017 4 Por João Pedro Ramos

Restart – “Restart”
Lançamento: 22 de novembro de 2009
Gravação: Estúdio Artmix
Duração: 30:55
Gravadora: Independente
Produção: Guto Campos

Audiometria, por João Pedro Ramos

Esta coluna está sendo preparada há tempos. Anos, até. Eu nunca fui de fazer resenhas de discos, embora goste de ler este tipo de texto. Não gosto de falar que a obra de outra pessoa é ruim simplesmente porque eu não gosto. Afinal, gosto é algo muito pessoal, certo? Tem tanta gente que detesta as bandas que eu adoro e tem tanta banda que eu acho tão sem graça e o público em geral considera genial…

Mas foi daí que me veio um estalo: já que eu sempre tentei achar o lado bom das músicas, porque não ouvir discos que são constantemente xingados, algo como um crash test dummie musical, tentando ver se aquele álbum realmente não tem nada de bom mesmo? Pois bem, me dispus a colocar os fones e tentar fazer essa empreitada.

Para começar, fui atrás do disco que gerou uma horda de fãs e junto com eles um tsunami de piadinhas: “Restart”, o disco de 2009 que fez o quarteto Restart estourar. E sabem que, 10 anos depois, eu nem acho os moleques tão ruins? Antes mesmo de ouvir o disco, já fiquei meio nostálgico, e talvez você também se sinta assim: lembra quando a molecada curtia muito esse pop rock em que os ídolos seguravam instrumentos musicais? Na época, como “roquista”, eu zombava muito dos meninos do happy rock, mas hoje em sinto que muitas bandas que podem ter surgido desde então podem ter começado inspirados no baixo feliz do Pe Lanza. Mas isso é divagação.

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Já tinha pensado em ouvir esse álbum para esta coluna algumas vezes, mas desistia no meio do caminho. Bom, é hoje. Chega de enrolar: vamos à “Restart”. No Spotify descobri que este trabalho tem até uma versão em espanhol, vejam só.

Bom, começamos com um dos maiores hits do quarteto colorido, “Recomeçar”. Sabe que eu acabei gostando dessa música? É um hardcorezinho com um teclado dispensável, com letra bobinha e refrão mega grudento. E devo dizer que a voz adolescente de Pe Lanza casa direitinho com o que eles propõe. A quebra de bateria no estilo pop punk lá pelo meio da música não é muito bem sucedida. A ideia aparentemente era emular um Blink-182, mas a volta é meio perdida. Tenho a impressão que esta música vai ficar grudada na minha cabeça até amanhã.

“Vou Cantar”. Chegou um violãozinho. Ecos de CPM 22 na letra. Ah, pronto, entrou a guitarra. Roquinho feliz… Bom, dá pra entender o rótulo “happy rock”. Entrou a voz de Pe Lu, o guitarrista e outro vocalista da banda. Essa realmente dá uma certa irritação, pois é mais “chorada”. “Talvez seja você que me completa e que me faz querer viver”, diz o refrão. Meloso como qualquer canção de amor adolescente. E tem o momento das palminhas, só com vocal a bateria, algo que Bon Jovi ficaria orgulhoso.

Confesso que deixei o disco tocando durante “Amanhecer No Teu Olhar” e “Sobre Eu e Você” e nem prestei atenção, e realmente fiquei com preguiça de voltar tudo de novo. Vou dizer que ficou tocando e não me incomodou. Acho que a segunda era uma baladinha, mas não tenho certeza. Vamos pra próxima.

“Levo Comigo” é o hit-balada do disco, e em 2010 tocava na Mtv todo dia umas 20 vezes. Infelizmente, ela começa com Pe Lu cantando, e a voz de Ursinho Carinhoso que ele faz é realmente difícil de engolir. Mas aí vem o refrão, com Pe Lanza berrando a plenos pulmões, e a música ganha ares de sucesso do Yahoo nos anos 80. Entrariam muito bem num Globo de Ouro da Globo. A letra dá uma certa vergonha, rimando “sentir” com “por ti”, mas novamente: é uma banda adolescente, o que você esperava?

A próxima, “Lembranças”, tem um sample moderninho meio fora do lugar, mas depois vira um roquinho animado com aquela velha letra de lembranças de amor adolescente. Dessa vez até a voz do Pe Lu funciona, e a bateria de Thomaz merece ser lembrada. Não, ele não faz nada extraordinário, mas toca direitinho que lhe é pedido, com viradas bem encaixadas. A faixa não gruda na cabeça. Não, não vou fazer nenhum trocadilho com “Lembranças”.

Ei, uma mudança, afinal. “O Meu Melhor” tem um ritmo mais quebrado, levado no violão, aquela coisa meio praiana. Novamente temos Pe Lu fazendo uma voz de fofuchinho, e isso dificulta em ouvir a música até o refrão, quando entra o sempre presente vocal de Pe Lanza com as velhas influências de hardcore melódico. Será que estou sendo chato de implicar com a voz do guitarrista? Afinal, estou tentando ver o lado bom do disco. Enfim, vamos pra próxima.

“Ao Teu Lado” é cantada por Pe Lu e Pe Lanza ao vivo e não é que dá certo? As vozes dos dois unidas ficam bem. Essa é curtinha. Depois veio “Final Feliz”, penúltima do disco, com um violãozinho praiano a la Jack Johnson e novamente a voz do Pe Lu que eu não quero voltar a comentar. A violinha é simpática e o baixo de Pe Lanza é interessante. Novamente, parei um pouco de prestar atenção na faixa “Bye Bye”, mas posso dizer que é meio que uma faixa criada especialmente para fechar o disco. Meio genérica das outras, sem tirar nem pôr, e termina com os vocalistas cantando “Bye Bye”. Cai o pano.

Acabei de descobrir que o projeto gráfico foi feito pelo guitarrista Koba, e realmente ele merece palmas. A capa é bem bacana com uma pegada talvez não-intencional meio The Clash. Além disso, é um disquinho independente com menos de meia hora de duração que ficou na 2º posição no Top 20 ABPD e vendeu mais de 100 mil cópias, sendo certificado com Disco de Platina, e isso é louvável. No fim, depois de quase 10 anos do lançamento do disco, dá pra dizer que todo aquele “ódio roquista” era coisa de… bom, de babaca, mesmo. Não, “Restart” não virou um disco que eu colocaria para ouvir em casa, mas acho que depois de ouvir o álbum todo, tô gostando ainda mais de “Recomeçar”. Eu não falei que essa música ia me grudar na minha cabeça?