André Whoong faz sucesso com o divertido clipe “Vou Parar de Beber”, de seu primeiro disco, “1985”

André Whoong faz sucesso com o divertido clipe “Vou Parar de Beber”, de seu primeiro disco, “1985”

4 de novembro de 2015 3 Por João Pedro Ramos

Quando as pessoas assistem ao clipe de “Vou Parar de Beber”, de André Whoong, costumam comentar: “Se a Mtv Brasil ainda estivesse viva como era, esse vídeo ganharia um VMB, com certeza”. Não dá pra discordar, afinal, o clipe dirigido por Deco Farkas tinha tudo para ser vencedor de diversos prêmios do extinto canal musical UHF: é divertido, bem produzido, tem ótima fotografia e faz os olhos brilharem com seu stop motion amalucado.

A música faz parte de “1985”, primeiro trabalho de Whoong, que foi lançado neste ano e está sendo apontado por críticos e veículos especializados como um dos melhores do ano. Na estrada desde 2003, Whoong nem sempre foi artista solo: é o responsável pelos arranjos de cordas e sopros para o disco “Esmeraldas” da cantora Tiê, pelas trilhas sonoras de alguns curtas da diretora Tata Amaral, já compôs em parceria com David Byrne (ex-Talking Heads)…

Conversei com André sobre sua carreira, o clipe de “Vou Parar de Beber”, o disco “1985”, as redes sociais na vida de um músico e muito mais:

– Quando você começou sua carreira?
Comecei em 2003. Que foi pra valer mesmo. Até então eu tocava em casa e nas salas de casa de amigos. Comecei tocando baixo em banda de baile que meu pai era maestro e tecladista. Eu tocava em casamento, bar mitzvah e etc. Foi um baita aprendizado pois tocava coisas que eu não conhecia. Meu pai contava 1,2,3 vai! Eu tinha que ir atrás olhando na mão esquerda dela. Depois entrei pra faculdade onde conheci gente que trabalho até hoje. Ia pra faculdade pra ficar tocando no saguão e conversando com os amigos. Isso valeu muito a pena. Os amigos. Dois deles estão na minha banda desses shows do disco “1985”.

– As redes sociais são essenciais para um músico hoje em dia?
Sim, se souber usar! Eu ainda tô me entendo com elas. Tem que achar o seu público e saber como direcionar. É quase uma empresa o seu trabalho autoral hoje em dia. Tem vários detalhes que tem que ser trabalhados. Não adianta nada também você ter 284949 likes na página do Facebook mas seu som ser vazio e sazonal. A combinação dos dois é importantíssimo. Digo, ser criativo na música e obstinado na divulgação. E tem o fator sorte também, né?

– Me fale mais sobre o clipe de “Vou Parar de Beber”.
Foi um clipe difícil de fazer mas lindo de ver! O Deco Farkas é foda e tem uma percepção incrível de fotografia. saímos sem roteiro. Ideia na cabeça e câmera na mão. Ele ia desenvolvendo tudo no caminho. A parte em que eu me arrasto na Pedroso de Moraes foi horrível. Tinha que deitar, tirar foto, levantar, andar um passo, deitar de novo e tirar foto. Mas precisávamos de 300 fotos pra animação ficar legal. Ou seja… Baita malhação infernal. Mas valeu todo o esforço.

– Este clipe, se a Mtv Brasil ainda estivesse viva, provavelmente seria indicado a algum VMB. Você acredita que a emissora em seu formato anterior faz falta à música brasileira?
Faz sim! Mas sei que ela continua ativa com outro conceito mas que tem espaço para artistas novos. Claro que pelo fato de antigamente ela ter feito parte da TV aberta, era mais abrangente. Aliás , muita gente disso isso quando viu o clipe. “Faria sucesso na Mtv antiga”. Achei lindo porque quando acabou a Mtv eu fiquei muito triste por nunca ter visto um clipe meu lá. Mesmo que não tinha música pra fazer um clipe na época. Descobri muita banda nos anos 90 pela Mtv. Era o Spotify da época. Só que com indicações e VJ’s com os pés no banquinho! Amava assistir Beavis And Butthead xoxando os clipes. E o Cazé desligando “na caaaaaaara” Se eu revirar as coisas na casa da minha mãe, devo achar uns VHS com gravações dos clipes da época.

– Quais são suas principais influências musicais?
Enya, Duncan Browne e Mulheres Negras.

– Você está lançando seu primeiro álbum. Pode me falar mais sobre ele?
Ele é um disco sobre as coisas que passo no dia a dia e sobre estar com 30 anos. Por isso ele chama “1985”. Abordo de forma leve o lance e o encargo de virar adulto. Cada um amadurece numa hora.  Mas tento sempre ser honesto e sem me perder muito no lado mais lúdico. Gosto de ser sentimental no jeito bruto, sólido e descontraído. São 12 músicas. É um disco de canção, pop e rock.

André Whoong

– O show de lançamento já teve participações muito bacanas, como a de Tiê. Como rolou esse contato?
Ela é minha amiga e minha parceira. Começamos a trabalhar em 2011 e não paramos mais desde então. Temos uma facilidade incrível pra fazer coisas juntos e ter ideia. Fazemos musicas juntos de um jeito bem fácil. Gosto do jeito que ela pensa na música de uma forma simples. Ela gosta de ser direta e simples e isso é difícil de fazer. E eu lancei meu disco pelo selo/gravadora dela, que chama Rosa Flamingo.

– Quais as suas inspirações para criar?
As coisas que me acontecem no dia a dia. Brigas do Facebook, ressacas, meu bairro, as pessoas que moram nele, badtrip, uma menina que estou afim, outra que nem tanto. Coisas que todos passamos.

– Quais são seus próximos passos?
Fazer show em todo o lugar que der e fazer vários clipes. Fiz um clipe da “Vou Parar de Beber” com o Deco Farkas que ficou lindo. Adorei a ideia de fazer a imagem da música de forma despretensiosa. Precisamos nos levar menos a sério.

André Whoong e Roberta Martinelli

André Whoong e Roberta Martinelli, do Cultura Livre

– Quais são as principais dificuldades de ser um artista independente? E as vantagens?
A vantagem é a auto gestão. Você se promove e decide as coisas do seu jeito. E existe um interesse grande em bandas independentes. As pessoas gostam de bandas independentes pois tem muita personalidade nisso. Geralmente as bandas fazem o rolê de tudo. Vai na Galeria do Rock fazer camiseta, faz adesivo, faz o escambau pra divulgar e faz com muito amor. Isso fica impresso no produto final e acaba sendo um lance atraente. As dificuldades são coisas que só existe se você não conseguir ser obstinado e levar a parada a sério. Tudo tem que ser resolvido. Ser independente é isso. Resolva seus problemas.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Gosto muito da Luiza Lian que tá com um disco lindo e novo, do Fingerfingerrr que tem um show explosivo e festivo e estão pra lançar seu primeiro disco e do Rafael Castro que tem uns 9 discos e todos geniais.

Ouça o disco “1985” completo aqui: