Americanos do GASH misturam punk rock e sadomasoquismo (e têm até uma dominatrix em sua formação)

Americanos do GASH misturam punk rock e sadomasoquismo (e têm até uma dominatrix em sua formação)

30 de setembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O GASH, da Filadélfia, mistura punk com sadomasoquismo em sua música. E não é só nas letras: os shows do grupo são cheios de rituais S&M sem censura e sem medo de ser feliz. A formação oficial conta inclusive com uma dominatrix e uma garota que é “bichinho de estimação oficial” do grupo. A vocalista Tibbie X não tem medo de interagir com o público, colocando sempre que possível a plateia no meio de toda a dor e delícia sua festa punk fetichista, muitas vezes permitindo que algum fã a algeme ou bata nela com os populares chicotinhos de couro.

Formada também por A.J Delinquent e Hit Cunningham (guitarras), Travis Travesty (baixo), Domme Stephxecutioner (dominatrix) e Chris Wiz (“bichinho de estimação”), a banda está preparando seu primeiro disco completo, “Astral  Liberation”, para janeiro de 2016. O sucessor do EP “Subspace” estará disponível em seu site oficial www.gashofficial.com

Conversei com Tibbie X sobre a relação do BDSM com o som da banda, os shows malucos e anárquicos e o punk rock como forma de libertação:

– Como a banda começou?
O GASH começou como uma evolução de uma mudança de consciência em 2012. Nos juntamos com um propósito e hoje estamos rodando o mundo unindo todos como parte de nós – nós somos parte deles.

– Porque “S&M Punk”?
O vínculo é uma relação de confiança, o lado espiritual entre dominador e submisso é o que desejo espalhar sobre o universo. Eu acho que BDSM é uma rota, a parte da luxúria é como eu estou familiarizada a viajar energicamente com alguém. Essa conexão elevada é tudo.

– Seus shows são conhecidos por serem uma experiência selvagem.
Nossos shows são uma interação compartilhada entre o público e banda. Eu lidero a banda como uma submissa, é o meu papel agradar a mim e às pessoas que vieram. É difícil descrever, porque nos alimentamos da energia do público, não há roteiro ou ensaio geral para nossas interações, os shows variam muito. Nós não nos separamos ou permitimos que o palco crie distância entre o público e a banda. Estamos todos no mesmo barco, por isso é nosso trabalho para trazer a plateia para dentro, fazer do palco nosso palco e todos estarem ligados no momento.

– Quais são suas principais influências?
Meus companheiros de banda, experiências sexuais predatórias e dominantes, a série Mad Max, projeção astral, vir do Lower East Side de NY, procurar amor, vontade de foder, filmes de Jean Rollin, morte e The Stooges.

GASH

 

– Vocês têm sua própria dominatrix como parte da banda.
Domme Stephxecutioner é parte do GASH, eu sou sua sub e fazemos a performance juntas. Ela é uma lutadora profissional e dançarina burlesca, então incorporamos isso aos nossos shows.

– A comunidade BDSM comparece aos shows da banda?
Sim, e eu quero mais pessoas vindo ver o GASH. Eu absolutamente amo casais que têm fetiche, kinksters e a comunidade LGBT se misturando à cena punk. Nós todos deveríamos nos unir, já que é tudo sobre liberdade. Ver pessoas vindo com coleiras e o público trans – é lindo e inspirador.

GASH

 

– Você pode me falar um pouco mais sobre “Subspace”?
“Subspace” é o EP de estreia do GASH. Tem 4 faixas, “Ritual”, “Deadly Venom Five”, “Astral D/S” e “Luxuria”. Todas as músicas têm letras autobiográficas misturadas à visões que apareceram para mim. Eu me tornei uma vassala do amor e um conduíte da luxúria através da música.

– Você acredita que a internet ajuda a promover novas bandas e levá-las a serem conhecidas em todo o mundo?
Eu acho que há uma dualidade meio “morde e assopra” acontecendo com a nossa tecnologia no momento. É isolador viver com nossos rostos em telas, mas estamos em contato uns com os outros de uma forma atemporal. Falando por mim, a internet ajudou minha banda porque eu consigo ficar mais próxima das pessoas que gostam de nossa música.

GASH

 

– O que o punk rock significa para vocês?
Liberdade.

– Como você imagina que estará a banda em 10 anos?
Eu na verdade estou surpresa por estar viva hoje. Tento não planejar nada. Eu consigo pensar no máximo que estou determinada a gravar algo neste fim de semana e torcer para que nada foda tudo.

GASH

 

– Vocês estão trabalhando em novas músicas?
Sim. Nós gravamos e estamos trabalhando em um disco completo chamado “Astral Liberation”. Será lançado em Janeiro de 2016 e estará disponível em gashofficial.com, a princípio.

– Recomende algumas bandas que chamaram sua atenção nos últimos tempos (especialmente se forem independentes!)
Sober Daze de Austin, Texas, são uma banda sólida e grudenta de skate punk. Barbaric, Sparklefight e Eat the Turnbuckle são bandas que eu adoro da Filadélfia, onde vivemos hoje em dia, todas com ótimas performances ao vivo. Estou também muito ansiosa para conhecer e ver as bandas com quem tocaremos em nossa turnê “Liberation For The Masses”.

Ouça o EP “Subspace” aqui: