A sujeira ressurge em Manchester com The Hyena Kill, banda com os dois pés na cultura Do It Yourself

20 de fevereiro de 2015 2 Por João Pedro Ramos

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A dupla The Hyena Kill não mede esforços pra mostrar que o rock continua vivo e tão sujo quanto o banheiro do CBGB’sSteven Dobb (vocal e guitarra) e Lorna Blundell (bateria) são especialistas em riffs ganchudos, grooves incríveis e batidas imundas.

Vindos de Manchester, cidade famosa por sua cena musical e berço de bandas como Oasis, The Stone Roses e The Smiths, a banda foi formada em 2011 e já lançou dois EPs: “Gush” em 2012 e “Scrape My Bones”, em 2013, ambos muito bem recebidos por fãs e críticos

Conversei com a dupla sobre sua trajetória, a falta de sujeira no rock atual, música pop e a popular “Madchester”:

– Como a banda começou?
Começamos como um trio, baixo bateria e guitarra. Éramos todos amigos na cena musical de Manchester. Estávamos todos em diferentes bandas e decidimos que seria divertido fazer uma jam e escrever algumas músicas e as coisas se desenvolveram muito naturalmente. Depois que lançamos o nosso primeiro EP, “Gush”, o baixista deixou a banda e nós decidimos continuar como dupla.

– De onde surgiu o nome “The Hyena Kill”?
Eu estava apenas colocando palavras juntas e depois de um monte de nomes estúpidos esse meio que ficou. Estávamos quase chamando Proudcow, graças a Deus esse não durou…

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– Quais são as suas principais influências musicais?
Bandas como Deftones, Helmet, Tool, Melvins. Mais recentemente Kill It Kid e The virginmarys.

– Vocês fazem um som sujo e barulhento. Você sente que tipo de som está em falta hoje em dia?
Na verdade não. É só de olhar para as bandas com que tocamos na cena DIY. Algumas dessas bandas são ainda mais sujas que nós, especialmente no departamento “riff”. Nos últimos dois anos, tem havido uma insurgência maciça de de bandas sujas e barulhentas realmente impressionantes. É um grande momento para a cena do rock no Reino Unido.

– Como você se sente sobre a música que está sendo lançada hoje em dia?
Depende do gênero a que você refere. Em termos de rock e música com guitarras é a melhor dos últimos anos. Mais e mais promotores DIY estão surgindo e organizando grandes shows e isso está ajudando bandas menos conhecidas a ganhar uma base de fãs. Parece que mais bandas estão recebendo exposição comercial também, mas eu ainda acho que as estações de rádio maiores poderiam estar fazendo muito mais para ajudar bandas independentes. Com relação ao que está nas paradas de sucesso que eu tô cagando, já que 90% é merda pura.

– A banda diz no release que é “qualquer coisa, menos indie”. Uma cutucada no cenário do rock atual?
(Risos) Na verdade queremos dizer que não somos nada parecidos com o estilo de música pelo qual Manchester é tão famosa. Manchester está estourando de bandas talentosas de todos os gêneros, mas a cena do rock está realmente viva no momento, especialmente a cena rock pesado.

– Vocês são da popular “Madchester”. Manchester pode ser considerada um grande ninho de novas bandas e música?
Sem dúvidas, Manchester sempre foi e continua a ser uma cidade fantástica para bandas e músicos. Ela tem uma das melhores heranças musicais no país (se não do mundo) e tem uma abundância de bons espaços e casas noturnas para novas bandas tocarem.

– Vocês já lançaram dois EPs. Planejam lançar um álbum completo?
Estamos voltando ao estúdio em junho para gravar material novo, seria bom fazer um álbum, mas nós não conseguimos ter o orçamento para isso. No entanto, vamos ver como será a próxima sessão de estúdio e partiremos daí.

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– A cultura do “álbum” está morta? As pessoas só querem ouvir singles hoje em dia?
Eu acho que depende do indivíduo. Eu, pessoalmente, ainda amo a experiência de um álbum, aproveitar a viagem de tudo.

– Eu li que vocês lançarão algo em março.
Sim, um double A-Side “Still Sick”/”Blisters”, a ser lançado dia 21 de março!

– Por que o formato “power duo” é tão alardeado nos dias de hoje?
Há um monte de duos de rock surgindo, o tempo todo. Eu acho que é um grande formato e quando bem feito pode ser realmente eficaz e poderoso. Pessoalmente, para nós, era apenas mais prático ficar como uma dupla. Nós decidimos que não seríamos capaz de substituir facilmente nosso ex-baixista e gostamos da dinâmica que tivemos juntos. Eu acho que se duas pessoas têm uma ligação musical e química e não sente a necessidade de adicionar um outro membro, isso é legal, desde que a música seja pura e de coração. Porém, baixo é um puta instrumento fodão, tocaremos com um baixista novamente se a pessoa certa aparecer.

– Quais novas bandas chamaram a atenção de vocês recentemente?
Estamos curtindo muito Kill it kid, FALLS e Alpha Male Tea Part no momento. The New Hawk Eyes também é uma banda do caralho!

Ouça os EPs “Gush” e “Scrape My Bones” do The Hyena Kill aqui: