A dupla Horror Deluxe mistura The Cramps e José Mojica Marins com B-52’s em seu psychobilly apunkalhado

A dupla Horror Deluxe mistura The Cramps e José Mojica Marins com B-52’s em seu psychobilly apunkalhado

5 de agosto de 2015 3 Por João Pedro Ramos

O Horror Deluxe junta a crueza do punk, o ritmo do rockabilly e as deliciosas histórias de terror que inspiraram tantas músicas incríveis pelo mundo. A dupla faz um som poderoso repleto de fuzz e com uma bateria primal dançante cheia de energia.

Prix Overkill (bateria e voz) e Rogerio Ucra (guitarra e voz) são de Pouso Alto e começaram como uma marca de roupas e acessórios. Depois de um convite para participar de um tributo ao The Cramps, a dupla começou a tocar e nunca mais parou. Seus trabalhos ganharam muitos elogios, inclusive do Examiner. “Sabe quando às vezes você descobre uma banda e quer ouvir tudo o que eles têm a oferecer? Isso aconteceu comigo quando conheci o Horror Deluxe”, escreveram na resenha do disco “Bikini e Coturno”, de 2014.

Conversei com Prix e Ucra sobre sua carreira, a música pop atual (que eles não ouvem) e a vida de uma banda independente:

– Como a banda começou?

Prix: A Deluxe começou como marca de roupas e acessórios. Um produtor fonográfico viu nosso visual e nos chamou pra participar de um tributo ao Cramps. Aceitamos e gravamos sem nunca ter gravado nada antes. Inventamos o som na marra. O tributo foi cancelado. Melhor assim (risos)!

– De onde surgiu o nome da banda?

Prix: Fizemos uma lista de nomes que tinham a ver com o tema e estética que gostamos. E somamos essas duas palavras.

A dupla Horror Deluxe

Ucra: Um encontro de Zé Mojica Marins com The B-52’s.

– Quais são suas principais influências musicais?

Ucra: Replicantes. A demo ‘Pirata’ é meu ‘disco’ favorito.

Prix: The Cramps, Ramones, Motörhead, Toy Dolls, Mercenárias e Garotos Podres. Gosto do The Cure. Gosto de Dark e New Wave. Gosto das 5,6,7,8’s. Todos esses nos influenciam.

– Como é o processo de composição?

Prix: Varia. Algumas músicas vêm de uma base de bateria. Outras partem de letras que escrevemos juntos nos ensaios. A guitarra dita o começo de ideias ou às vezes é a última a falar.

– Se pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

Ucra: Gravamos um disco com versões de tracks que amamos. Tocamos algumas delas ao vivo. Bons exemplos são ‘Zombi B. Good’, ‘Prix Zombie’ e ‘Hanky Panky’.

Prix: Esse disco se chama ‘Bikini e Coturno’ e tem uma versão da ‘The Girl Can’t Help it’. Fazemos versões. Covers, creio que não vamos fazer.

A dupla Horror Deluxe

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma artista independente?

Prix: Não temos dificuldades. Somos livres. Gostamos dos desafios.

Ucra: Desconheço esquemas de grandes gravadoras. A Horror Deluxe nasceu fora disso. Temos parceria com selos fantásticos. Vamos continuar investindo nesse formato.

– Existem espaços suficientes para bandas autorais hoje em dia no Brasil? O que vocês acham da proliferação de bandas covers?

Ucra: Existe muito espaço. Toda banda encontra um público à altura do que propõe. A banda faz seu caminho pois existe tecnologia pra isso. Acho o cover preguiçoso.

– Qual a sua opinião sobre a música pop que está nas paradas hoje em dia?

Ucra: Desconheço. Ouço o ‘Loco Live’ sem parar (risos)!

Prix: Só ouço punk.

Prix, baterista do Horror Deluxe

– Quais são os próximos passos da banda?

Prix: Somos parte de uma coletânea que saiu a pouco e vamos tocar mais algumas datas em São Paulo divulgando. O disco se chama ‘Weirdo Fervo’ e traz um monte de banda legal.

Ucra: Gravamos um show em K7 com uma sessão de estúdio no lado B que deve sair em setembro.

– Indiquem algumas bandas e artistas novos que vocês adoram. Se possível, independentes!

Prix: Tenho ouvindo a demo de ’83 das Mercenárias. Tem punk rock ativo no Brasil. Muita banda boa. Não quero que isso pare.

Ucra: Indico Os Pontas, Os Hitchcocks, Os Asteróides, The Mullet Monster Mafia, Surfing Bones e Mary ‘O’ and The Pink Flamingos. A lista seria imensa. Mas essas são as que mais escuto no momento.