Lançamentos Etílicos #3: Brisocks, Paquetá e Arthur Migotto

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Hoje, vamos destacar as novidades e relembrarmos de momentos épicos do cenário underground. Inverno chegando, cada vez mais difícil de tomar aquela cerveja gelada, resta irmos ao vinho e às dicas do Etílico:

Começamos com o lançamento da banda gaúcha Brisocks. Formada por Marcelo Fagundes na guitarra e voz, Jonas Dutra no baixo e voz, Pablito Diego na guitarra e Anderson Bitencourt na bateria, a banda santa mariense está na ativa desde 1999, sendo uma das clássicas da cidade que um dia foi reconhecida como a “Seattle dos pampas”.

O vídeo foi gravado no Ateliê da Gare, e tem produção da Carecas Filmes e Brisocks.
“De Dia de Noite” integra o EP “Esse Cara Não Sou Eu”, lançado em setembro de 2017.

“Badtrip for Democracy”é o segundo EP da Paquetá (Canoas/RS). As captações deste material foram realizadas por Jeferson Marchetto, em 2017,  no Estúdio Navarro. Entre pausas para shows e outros planos da banda, este material levou cerca de um ano para ser finalizado.  São seis faixas, sendo que a faixa “Quando a Gente Não Pode Fazer Nada, a Gente Avacalha e se Esculhamba” é uma montagem feita a partir de um áudio gravado no Whatsapp. As diferenças deste EP para o Surfadelic Dreams”, primeiro registro da banda, são mais visíveis na captação do som. As referências aqui passeiam por sonoridades e texturas mais voltadas aos anos 80. Outra curiosidade sobre o trabalho é a arte de capa assinada por Daniel Hogrefe, guitarrista da banda, que reflete sobre a textura do disco e sobre o momento da “badtrip for democracy”.

Neste mês, tivemos o aniversário do lendário vocalista Ronnie James Dio. Para comemorar esta data tão importante, relembramos da homenagem feita pelo músico e produtor, Arthur Migotto. O mineiro gravou esta bela homenagem no ano de 2017, colocando sua característica forte e única no vocal, marcando a data especial.

Samuca e A Selva apresenta “Flores Raras” em audiovisual

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Gravação Clip Vai Madurar

Falar em Samuca e A Selva é falar de um coletivo de bons músicos que sabem colocar o público para dançar. Apresentam bem a sua malemolência das harmonias e levam o suíngue acompanhada de boas letras com humor e sagacidade. Agora, eles apresentam todo seu gingado potencial em formato de audiovisual.

‘Flores Raras’ foi a música escolhida para apresentar bem aos olhos, além dos ouvidos, o disco “Madurar”, que foi lançado em 2016, pela YB Music e foi indicado ao 28º Prêmio da Música Brasileira. Nesse álbum, Samuca e A Selva contou com grandes parecerias como o Thiago França do Metá Metá e o Maurício Fleury do Bixiga 70.

O Clipe, que conta com a presença de bailarinos profissionais encenando, acontece em um cenário simples, mas que remete fielmente a essência da música, que tem a composição de Rodolfo Lacerda, Bruno Parola e Dani Agrelli. “Eles escreveram a letra em uma viagem à Juréia e acharam a minha cara”, conta o vocalista e compositor, Samuel Samuca.

A música tem um ritmo latino e quente, que é representada no clipe através de flores, folhas e um principal cenário, que é uma cama com flores derramadas. O casal no clipe, em meio à trama, dialoga bem com a sensualidade e explora ações e repulsa, que estão presentes na música.

O audiovisual de “Flores Raras” tem a direção assinada por Rodolfo Dox, cenografia de Carol Mota, e conta com a atuação dos bailarinos Maria Glória Poltronieri Borges, Ana Clara Poltronieri Borges, João Paulo Andrade Gomes. O resultado está florido e dançante, dá o play e baila!

Caburé Canela faz som que junta baião, samba, bossa, rock, blues, afro-beat, semba “e até Black Sabbath”

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Macumba-Erudita. Samba-Cigano. Reggae-Jazz. Punk-Baião. Essas são algumas das muitas formas de tentar descrever um pouco do som da banda Caburé Canela, de Londrina, apesar de nenhuma delas ser muito certeira em definir a mistureba brasileira que o sexteto faz.
Formada em 2013 por Carolina Sanches (voz), Lucas Oliveira (voz, guitarra e violino), Maria Carolina Thomé (percussão), Mariana Franco (contrabaixo), Paulo Moraes (bateria) e Pedro José (voz e guitarra), a banda une influências de ritmos populares como baião, samba, bossa nova, rock, blues, afro-beat, semba de Angola e rumba “e talvez até um pouco de Black Sabbath“, segundo Lucas.
Em fevereiro de 2018 lançaram o primeiro trabalho, “Cabra Cega”, no Espaço Cultural SESI de Londrina. Da campanha de financiamento coletivo à produção do show de lançamento, da escolha das músicas à arte da capa do disco, tudo foi realizado de forma independente e unindo as forças dos seis membros e toda sua criatividade. Conversei um pouco com a banda sobre sua carreira e o disco:

– Como a banda começou?

Lucas: A banda começou em 2013, comigo, o Paulo que é o batera e a Maria, que é percussionista. Eu morava em Angola, estava dando aula por lá, e quando voltei, queria montar uma banda autoral. Daí chamei os dois, que já haviam tocado comigo antes em outros projetos. Fomos construindo a ideia, e chamando outras pessoas. A Maria chamou a Carolina, que é cantora e compositora, e a Mariana, que é baixista. O último membro a entrar foi o Pedro, que era um amigo nosso, e que acompanhava a banda também. Ele é guitarrista, cantor e compositor.

– E quando foi isso?

Lucas: Foi mais ou menos no meio de 2013. Daí até o Pedro entrar foi quase um ano.

Carolina: Em 2013 o grupo foi se formando, mas o lançamento oficial foi em setembro de 2014, com um ensaio aberto no Grafatório e outro oficial em outubro numa festa grande chamada “Quizomba: O Samba e outros Batuques”, aqui de Londrina.

– E como surgiu o nome da banda? O que ele significa pra vocês?

Carolina: Bom, Caburé Canela é uma coruja, de pequeno porte, do Sul da América do Sul (risos).
Lucas um dia veio com essa ideia, e achamos interessante pensar que é uma ave arisca – que não se deixa decifrar. Tem o símbolos que expressa certos traços poéticos do grupo: o olhar agudo sobre as cenas do mundo, o caráter notívago, o gosto pelo mistério. A coisa noturna que a coruja tem.

Lucas: Estavamos na loucura de achar um nome, que é algo bem difícil… Aí fui atrás de vários nomes de plantas, de bichos, de aves, etc, e achei esse, que é uma espécie de coruja que habita a América Latina. Fui pesquisando mais a fundo, e vi que as palavras “Caburé” e “Canela”, também tinham significados muito especiais. Caburé, além de ser coruja de modo genérico, também quer dizer mestiço de Nativo Americano e Africano. Remetendo a questão da ancestralidade brasileira. Canela tem a ver com especiaria do oriente, uma coisa longínqua, mística, exótica.

Carolina: E caburé também significa mestiço de negro com índio… o que seria o cafuzo. e mestiço de branco com índio caboclo.

– O som de vocês tem bastante de música africana e brasileira, além de jazz, rock, e até punk. Dá pra definir o som de vocês? Eu acho que é bem difícil, né…

Carolina: (risos) Os dois!

Lucas: Acho que é Música Brasileira. A gente brinca com essa coisa de gênero faz tempo, tentando saber o que é de verdade. Punk-Baião, Macumba-Erudita, Igapó-Beat, etc. Igapó é um lago aqui da nossa cidade!

– Quais bandas e artistas vocês citariam como influências no som de vocês?

Lucas: Como somos em seis pessoas, cada um traz múltiplas influências, aí vai longe (risos), mas posso citar algumas mais diretas, como Itamar Assumpção e a Anelis, sua filha; Jards Macalé; os tropicalistas todos; bandas como Chico Science e Nação Zumbi, Otto, Chico César, Hermeto. Isso do Brasil, daí tem influências de rumba, semba, blues, rock, afrobeat, reggae, e alista segue (risos). Vai achar até um Black Sabbath.

Carolina: Tem coisas que remete aos procedimentos que o Arrigo Barnabé usava e a vanguarda paulista no geral também né.. Um grupo atual acho que talvez seja o Metá Metá.

Lucas: Olha, esqueci deles (risos).

Carolina: É, acho que é isso!

– Me falem um pouco mais do disco que vocês lançaram!

Lucas: Foi nosso primeiro disco. Depois de quase cinco anos. Já havíamos gravados as faixas, mas queríamos o CD físico também. Daí fizemos uma promoção pré-venda, que viabilizou a prensagem. São sete musicas no disco, que refletem um pouco nossa trajetória, a busca para se firmar, o auto conhecimento, e a tentativa de se enquadrar nos padrões pré-estabelecidos. O disco gira em torno do personagem “andarilho”, que busca algo que ele não sabe o que é. Nessa trajetória, se depara com lugares, medos, frustrações, amores, perdas. No final percebe que a vida é apenas um fluxo, e que só se pode fluir por onde há espaço. No caso, é o encontro com o nada.

Carolina: A música que abre o álbum é a “Andarilho” e tem uma frase dela que dá nome ao disco “Como cabra cega, algo que nega e não vê, e procura sem saber o quê”.

– Então no fundo o disco tem um conceito e um personagem… quase uma ópera-rock!

Lucas: Sim. Não chega a ser uma ópera-(MPB?), Mas tá quase lá!

Maria Carolina: É interessante que composições de diferentes autores se amarrarem tao bem. Mostra bem o quanto o grupo dialoga bem entre inquietações e formas de perceber a vida. Quando nos reunimos (eu por Skype) pra fechar a sequência das musicas parecia q era tudo bem planejado. Mas na verdade não foi, não conscientemente. Fiquei bem impressionada com a amarração que as composições fizeram.

Carolina: É legal pensar no conceito do ópera-rock né, acho que inconscientemente vai meio por aí mesmo. Se formos pensar a sequência, esse enredo que inventamos para o andarilho caminhar.. e que mesmo depois de gravado e mixado, mantemos a ideia inicial e ainda começamos a utilizar de outras coisas, né… Desde o figurino, iluminação, também as projeções do lançamento até as próprias falas que eliminamos entre uma música e outra…. Perpassa sim por esse lugar que a ópera-rock caminhou (risos).

– Como é o processo de composição da banda?

Lucas: Algumas vezes a música vem quase pronta. Outras vezes construimos tudo juntos. Nas minhas músicas, geralmente tenho bastante clareza do que imagino que vai ficar bom, mas sempre vem uma ideia de alguém e vamos incorporando. Cada um trás sua própria linguagem, e é bem interessante tentar fazer essa junção das ideias. Algumas musicas são construídas quase que inteiramente de maneira coletiva. Cada um construído uma parte e dando ideias para o todo da música.

– Os shows da banda são um espetáculo à parte. Vocês podem descrever uma apresentação pra quem nunca viu?

Carolina: Temos músicas do Lucas, do Pedro José, minhas e por enquanto, uma do Paulo. Eu funciono meio esquisitamente… Escrevo e depois invento a melodia, gravo e levo pro grupo. Daí a gente começa a pirar com os instrumentos. A música do Paulo (Faixa 5, “Sem”) surgiu meio assim também, ele me enviou a letra, fiz um riff no violão, o que hoje é a base do baixo, e inventei a melodia. Depois foi a construção coletiva, desenvolvendo o todo.

Maria Carolina: É uma experimentação corpórea. Nos preocupamos muito com as dinâmicas, e as vezes jogamos uns blocos de informação pro publico absorver. Pedro definiu bem no ultimo show, musica pra quem não “sabe” dançar. É de se ouvir com o corpo todo, vejo que quando conseguimos essa entrega total no palco o publico também corresponde. Considerando a cozinha, que é o meu lugar,rs somos bem livres… A regra é focar as notas verdadeiras. E é isso que espero que nossa apresentação seja, livre verdadeira e intensa.

– Então é muito mais que apenas uma experiência musical!

Maria Carolina: É pra ser! Muita pretensão?

– Lógico que não!

Carolina: É o desejo né, pode parecer pretensioso mas parte da verdade mesmo. Não consigo descrever… No show de sexta a Suy Correa veio me dizer que ela achou sinestésico e curador..
Acho interessante o olhar do outro, porque do palco vemos uma coisa mas no fundo não sabemos o que acontece no outro, como estão recebendo aquilo tudo né…

– Já estão trabalhando em novas músicas?

Carolina: Antes mesmo de lançar o álbum já fazíamos shows com mais músicas. Músicas fechadas, arranjadas e que podemos fazer sempre, temos 22. E tem outras que estão em processo, amadurecidas aos poucos. Na maioria das vezes pedem pra gente encurtar um pouco o show (risos)
mas dá pra tocar umas duas horas!

– Essas músicas farão parte de um disco, EP, sairão como singles? Aliás, o que vocês acham do conceito de “‘álbum” hoje em dia, com as pessoas ouvindo música em serviços de streaming e muitas vezes ouvindo mais as músicas “soltas” do que o disco completo e na ordem?

Maria Carolina: Essa pergunta é nosso grande ponto de interrogação do momento. Estamos aprendendo, descobrindo os caminhos. Essa tal de independência faz com que percorramos um caminho mais cheio pedras.. Pra mim é tudo muito novo, ainda gosto do lado a e do lado B.

Carolina: Ainda temos dúvidas. Estamos loucos pra gravar outro disco (tem um sonho aí de vinil também), mas como o “Cabra Cega” acabou de sair, ainda estamos no processo de apresentar esse primeiro CD pro mundo. Estamos tentando fechar shows fora de Londrina, enfim… Provavelmente entraremos nesse processo no segundo semestre. É esquisito pensar a música hoje né, é tudo muito imediato. Ou viraliza ou está a margem. A imagem é bastante influenciadora e é tudo tão híbrido que não dá pra saber com que peso pisar ou como tatear esse território. Gravamos duas músicas recentemente, uma vai entrar numa coletânea e a outra estamos pensando em soltar um single daqui uns meses, ou um vídeo com ela. Vamos amadurecer a ideia. Acho que assim, por exemplo, soltamos o álbum completo no youtube, e ali tem muito menos visualizações do que no Spotify ou outras plataformas… Por essa perspectiva, não ouvir o álbum inteiro, sequencial e tal, “destrói” um pouco todo o trabalho que foi realizado na produção dele, no sentido da construção do personagem, os caminhos por onde ele passa e tudo mais. Mas por outro lado, não dá pra reclamar. Vivemos nesse imediato, gostamos de poder escolher o que queremos ouvir, mesmo que isso exclua outras faixas. É uma evolução poder escolher a música certa, né?! Mas o conceito de álbum acho que ainda funciona e tem sido cada vez mais explorado pelos artistas. Sendo recriado.

Lucas: Pensamos nesse primeiro álbum como uma obra “fechada”. Acho que, como artistas, precisamos pensar no conceito de obra, seja ela um álbum, um single, um vídeo, etc. Hoje em dia tem muita música apenas para o entretenimento. Isso não é ruim, mas parece que música é apenas isso. Gosto da ideia de criar, e acho que isso as vezes fica de lado, principalmente no mundo extremamente consumista que vivemos.

– Aliás, falando nisso… Hoje em dia o clipe voltou a ter uma grande importância. Como vocês veem esse tipo de formato?

Carolina: Eu adoro! Sou formada em artes visuais, então a visualidade, o audiovisual me pega bastante. Era muito massa nos anos 90 quando ficava a tarde toda assistindo Mtv. O meio mudou né, nesse caso a TV foi deixada de lado e o Youtube dominou nessa parte, por que podemos assistir em qualquer lugar e hora. Mas poxa, tenho visto tanta produção bacana da galera. Tenho curtido os que tem menos produção, os que dá pra ver que foram feitos na raça e que carregam uma essência meio roots, que é feito com verdade e de forma simples… Estamos produzindo dois clipes do álbum, e entendo que o formato visual é uma ferramenta muita expansiva, tanto de divulgação quanto de possibilidade de desdobramento musical.

– E o que podemos esperar nesses clipes? Dá pra adiantar algo?

Lucas: Muitos nudes (risos)! Brincadeira.

Carolina: (Risos) Olha só! (Risos). Estamos fugindo da literalidade. Acho que é uma das únicas coisas que temos definido. Na manga tem o clipe do “Andarilho”, que nós mesmos estamos filmando. Acho que vai sair uma coisa bem densa, obscura. Nosso olhar pros detalhes e movimentos da rua, pro ritmo dela. Captando os rastros que passam desapercebidos no cotidiano. Um processo novo pra nós, e é massa pensar que vai ser coletivo. E o outro é da música “Vaso”, que chamamos um coletivo aqui de Londrina que chama Cãosemplumas. Eles estão fazendo uma animação, nada literal, com muita variação de traços, alguns desenhos que remete as garatujas das crianças, e outros, bem detalhados. Nesse processo deles estamos tentando não interferir não, lançamos a ideia e estamos nos segurando pra não pressionar, na tentativa de deixar-los dizer mais um pouco sobre o que já construimos com a música! Mas agora vamos incluir um só com nudes mesmo, pra ver se ficamos famosos! (risos)

– Quais os próximos passos da banda?

Carolina: Temos tentando trabalhar um pouco as expectativas, pra não ficar frustado demais né. Não tá muito fácil ser artista independente e ainda produzir tudo. Estamos em busca de produtores que nos ajudem a criar um ritmo pra nossa agenda de shows. Porque é necessário sair da casinha e adentrar o universo dos festivais, estrada e tudo mais. E continuar produzindo/criando sem perder a essência inicial, que é a de pirar a cabeça mesmo, continuar saindo do quadrado, das convenções… inventando e ao mesmo tempo se divertir fazendo o que a gente acredita.

Lucas: Próximos passos são de expandir os territórios.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Lucas: Cara, tem muita gente boa. Aqui de Londrina tem a galera do Aminoácidos, tipo música brasileira progressiva (MBP?). Tem também o pessoal do Maracajá, que faz um som bem diferente, incorporando bastante do funk proibidão. É bom interessante. Gosto bastante da Anelis Assumpção. Tem um trabalho bem conciso. Tem também a galera de Sampa, do selo Risco, bem legal todos eles. A música brasileira é bem rica, e parece que nestes tempos de crise aparece muita gente boa. Em Londrina tem uma onda boa de música autoral. Já vou adiantando que logo logo vai sair uma coletânea só com artistas londrinenses.

Carolina: BaianaSystem, Carne Doce, Francisco El Hombre, Mulamba, Bixiga 70, Far From Alaska, Cidadão Instigado, Curumin, Metá Metá, Kiko Dinucci – “Cortes Curtos” (fodão), os da Juçara Marçal.

Lucas: Tem também o Abacate Contemporâneo, uma banda bem legal daqui. Amigos nossos também, já fizemos alguns shows juntos.

Carolina: Fernanda Branco Polse com o Bicho Branco Polse… e por aí vai!

Lucas: Queria acrescentar que o disco pode ser comprado físico com a gente ou então da pra pedir pela página no Facebook. Estamos no Spotify, SoundCloud, Deezer e todo o resto. Quem quiser segue a gente lá no Instagram, curte a página no Facebook, se inscreve no nosso canal, me liga no whats!

Construindo Falso Coral: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o disco “Delta”

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Falso CoralBela Moschkovich (vocal), Bemti (vocal e viola caipira), Pedro Lauletta (bateria), Guilherme Giacomini (sintetizadores) e Henrique Vital (baixo) escolheram 20 faixas que inspiraram as 10 faixas inéditas que estarão no disco “Delta”, que sai no segundo semestre.

Em 2016 a banda Falso Coral lançou o EP “Folia” onde apresentava pela primeira vez a mistura característica da banda: rock alternativo, viola caipira, sintetizadores e vocais duetados. Depois de dois anos rodando com o EP, a banda está pronta pra colocar no mundo o primeiro álbum, que se chama “Delta” e está sendo produzido por André Whoong (que também produziu o álbum “Gaya” de Tiê). Pra viabilizar o disco a banda abriu uma campanha no Benfeitoria, com várias recompensas,  precisando atingir a meta até o final de junho. Para contribuir com a produção e lançamento do disco, acesse agora: http://benfeitoria.com/falsocoral.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Castello Branco“Necessidade”
Bemti: Melodia incrível e produção impecável. Tudo com um senso de grandeza e simplicidade misturados que fazem o Castello Branco ser um dos grandes artistas da “nova geração”. O Falso Coral começou fazendo músicas em inglês e eu só comecei a compor mais em português do que inglês porque eu me reafundei em clássicos como Clube da Esquina e discos como o “Serviço” do Castello Branco e de outras pessoas dessa mesma geração lá pelos idos de 2014/2015.

Joan Baez“It’s All Over Now, Baby Blue”
Bela: Essa canção (que é do Bob Dylan) interpretada pela Joan Baez é linda demais! Os dois são uma inspiração enorme para mim, mas a Joan é especialmente nos vocais.

Florence + The Machine“Delilah” 
Bela: A Florence é outra referência de voz que eu uso muito. Ela alterna com frequência entre uma voz potente e agudos muito bem colocados, coisa que com a música do Falso Coral eu gosto de fazer também. As linhas de backing vocals também são um material de estudo interessantíssimo!

Guillemots“Made-up Love Song #43”
Bemti: Guillemots era uma banda mestre em mesclar nostalgia com melodias épicas. “Made-up Love Song #43” não fez eles estourarem à toa, é toda a fórmula deles resumida em 3 minutos e meio de euforia e cores. Quem prestar atenção no nosso disco vai ouvir uma influência direta dessa música e de toda a vibe Guillemots em pelo menos 2 faixas.

Chico Buarque“Até o Fim”
Bemti: “Faísca” é uma música que estará no disco “Delta” e é a que mais se aproxima do meu trabalho solo. É a que tem a linha de viola mais complexa e um ritmo extraído da catira, que é uma dança bem típica que eu via quando eu era criança em Minas Gerais. Ela tem uma vibe “música brasileira atemporal”. O André Whoong, produtor do disco, disse que pra ele lembrou muito Maurício Pereira. Pra mim ela é uma nuvem de tudo de brasileiro que eu ouço desde criança. Pensando na lista eu lembrei de “Até o Fim” que é um meio samba, com piano, triângulo etc e uma cadência melódica super divertida e elegante ao mesmo tempo com a qual eu consigo traçar paralelos com “Faísca”. Também vale mencionar como influência todo o trabalho do violeiro Ivan Vilela, principalmente as parcerias dele com o extraordinário pianista Benjamim Taubkin (sério, escutem).

Vandaveer“A Mighty Leviathan of Old”
Bela: Vandaveer é uma das minhas bandas favoritas e uma enorme referência de um folk contemporâneo que ainda tem um pé no caipira – ainda que nesse caso seja o caipira norte-americano. Essa música, de um disco de 2009, é uma das mais memoráveis deles,  me assombrou desde o dia que eu escutei pela primeira vez e com certeza influencia muito do meu estilo de composição. O refrão sem letra e as harmonias vocais são duas coisas que aparecem no Delta.

A Fine Frenzy“Come On, Come Out”
Bemti: De toda a geração de bandas indie com vocais femininos, A Fine Frenzy (projeto da Alison Sudol, que hoje em dia está milionária como uma das protagonistas de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”) é uma das melhores pra mim. Com um refinamento extraordinário pra composições e sem medo de soar “soft” demais. O primeiro disco dela, “One Cell in the Sea”, é uma obra-prima de pop alternativo e abre com essa maravilha de música que é “Come On, Come Out”.

Editors“Push Your Head Towards the Air”
Bemti: Quando eu comecei a compor “A Heart for Rent” (uma das duas músicas em inglês que vão estar no disco e a mais antiga de todas), ela tinha uma linha vocal saída diretamente dessa música. Depois entreguei a melodia pra Bela e ela compôs uma letra com uma linha completamente diferente por cima, foi a primeira música que a gente compôs junto. Mas a música ainda continua com essa atmosfera grave que eu amo no Editors e que sempre aparece nas coisas que eu componho aqui e ali.

Fiona Apple“Every Single Night”
Bela: Quando essa música saiu, depois de tanto tempo sem nenhum álbum da Fiona, meu coração explodiu um pouco! O estilo de escrita confessional dela me influencia muito e isso passa, sem dúvidas, pras composições minhas que foram para o “Delta”. Além disso, tentei trazer um pouco da referência dela com a voz meio falada misturada ao canto, que eu adoro.

Björk“Wanderlust”
Bemti: Eu sou louco por melodias grandiosas. Ainda quero fazer mil coisas orquestradas que nem muita coisa que a Björk faz. Enquanto essa hora não chega, dá pra ouvir bastante dessas linhas vocais e melodias “larger than life” ao longo do “Delta”. Nessa hora ajuda ter uma banda com 5 pessoas onde as 5 pessoas não se seguram pra pesar a mão na intensidade.

Violeta Parra“Gracias a La Vida”
Bela: Cresci ouvindo música latinoamericana em casa e volta e meia isso aparece em alguma música. Com certeza, faz parte do DNA de “Delta” e dá para ouvir a referência em uma das faixas inéditas que vamos lançar! Essa canção linda, na versão da Violeta Parra, me comove demais.

Mew – “Am I Wry? No”
Bemti: Mew é a minha banda favorita do universo. Tudo que eu faço vai ter algum traço de Mew invariavelmente. É difícil escolher uma música mas acho que quando eu fiz “Waltz of the Great” (a outra música em inglês do disco) eu provavelmente estava tentando fazer uma versão caipira de “Am I Wry? No” que é indie do começo dos anos 2000 mas com uma nostalgia deliciosa pelo shoegaze e rockzinhos alternativos dos anos 90 em geral.

Keane“Bedshaped”
Bemti: Keane é a minha segunda banda favorita do universo e também é difícil escolher só uma música. Mas pra mim “Bedshaped” é uma explosão de melodia e melancolia que me “contaminou” pra sempre desde a primeira vez que eu a ouvi. Keane é muito inspirado por Beatles e eu sempre reconheço algumas “Beatlezices” que eu componho onde na verdade eu estava me espelhando no Keane. É o caso especialmente de uma das músicas do disco que se chama “A Hora Chega”.

Kings of Leon“Knocked Up”
Henrique: Escolhi essa faixa porque o baixo da música é basicamente tônica e oitava a música toda, e é algo que eu acho bem característico das minhas linhas. As linhas que o Jared Followill usa nas músicas da banda são sempre muito simples, mas igualmente eficientes e poderosas. Acho que, modestamente, minhas linhas são parecidas neste sentido!

Disasterpeace“Home” (Trilha sonora de Fez)
Guilherme: O Disasterpeace é um dos mais conhecidos e admirados compositores de trilha de games atualmente e me influencia bastante nas minhas composições de synth.

Fleetwood Mac “Dreams”
Pedro: O “Rumours” do Fleetwood Mac um dos meus discos preferidos, e eu acho que um dos pontos altos dele é a sonoridade e a timbragem que os instrumentos tem. Nessa música tudo soa bonito e nada está fora do lugar, é uma aula de arranjo. Eu queria um som de bateria parecido com o do Mick Fleetwood pro nosso disco, e acho que conseguimos!

Midlake“The Old and the Young”
Pedro: Eu descobri essa banda por acaso e é uma das que eu mais ouvi nos últimos dois anos, e acho o som deles muito próximo do nosso. Consigo ouvir a voz do Bemti e da Bela nessa música.

O Terço “Queimada” 
Pedro: Resposta pra pergunta “Como colocar viola num disco de rock?”.

Beatles“Strawberry Fields Forever”
Pedro: Enquanto a gente ensaiava a minha canção preferida do “Delta”, a sonoridade dessa música sempre me vinha à mente. E bom, Beatles é sempre uma influência né?

Pearl Jam“Given to Fly”
Pedro: No “Delta” eu uso bastante os tons da bateria pra fazer grooves, e em uma música em particular eu quis ir na onda dessa, que é a minha preferida do Pearl Jam (e olha que não é fácil pra um pisciano fazer esse tipo de escolha). Além disso, uma das músicas no disco é minha e eu fiz ela numa época que eu estava ouvindo o Into the Wild todo dia, e foi uma influência muito marcante.

Las Puperelles faz a conexão Brasil – Argentina com o pé enfiado no fuzz

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Las Puperelles

A rivalidade entre Brasil e Argentina fica somente no futebol. A ligação entre os dois países é o núcleo do som sessentista e cheio de fuzz das Las Puperelles, formadas pela junção de basicamente duas bandas:  Las Fantásticas Pupés, Lucy Fire (bateria) Solxie (baixo e voz); do ParallèlesAndreia Crispim (baixo fuzz e voz) e Paula Villas (guitarra e voz), e também de Donna Kether (guitarra fuzz e voz), do Sisters Mindtrap. No disco “Selva Latina”, também contaram com a percussão da convidada especial Marianne Crestani, do Bloody Mary Una Chica Band, na faixa “Guajira Sicodélica”.

“É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos”, conta Lucy, com quem conversei um pouco. Confira:

– Como a banda começou? Como rolou essa junção de bandas?
Las Puperelles começou como um projeto das integrantes das bandas Parallèles e Las Fantásticas Pupés, ambas lançadas pelo selo argentino Rastrillo Records. E a partir das oportunidades que tivemos de nos encontrar, tanto no Brasil quanto na Argentina, tivemos a ideia de nos juntar e tocar músicas das duas bandas mais algumas covers. Depois a Donna Kether (Sisters Mindtrap) também passou a fazer parte da patota. Este último verão Cristina Alves (Os Estilhaços) foi nossa invitada especial no teclado fazendo todas juntas aquele barulho que tanto gostamos.

– E o que cada banda trouxe para Las Puperelles?
A influência do 60s punk, do garage rock e das bandas só de mulheres. Também nossas próprias versões em espanhol e português, porque somos garageiras latinas.

– Como é ser de uma banda com integrantes de diversos países?
Nos organizamos com antecedência para aproveitar melhor nosso tempo. Resolvemos o que vamos tocar antes e, quando nos encontramos, geralmente fazemos um ou dois ensaios e estamos prontas pros shows. É muito bom ter encontrado irmãs tao loucas e exóticas de ambas terras! Então a conexão musical acontece imediatamente quando estamos juntas e os shows ao vivo são muito intensos.

– Me contem mais sobre o trabalho que vocês já lançaram.
São seis músicas gravadas analogicamente, em rolo, entre covers e versões que fizemos de algumas das bandas que amamos, com produção do Luis Tissot, do Caffeine Sound Studio, e participação da Marianne Crestani (Bloody Mary Una Chica Band).

– Quais as principais influências musicais da banda?
Bandas de garage e punks dos anos 60. Também bandas garageras dos anos 80 e 90 que recuperam o estilo sessenta.

– Como vocês veem o levante feminino no mundo da música?
A palavra levante tem a ver com motim ou surgimento, e não sei se esse é o ponto. As mulheres sempre estiveram presentes na música, assim como em todo o tipo de arte, mas muitas vezes não tinham seu devido reconhecimento. Achamos muito importante e transformador o impacto hoje do movimento de mulheres no mundo inteiro, como uma maneira de nós tomar consciência de nosso próprio poder estando juntas e de visibilizar todo nosso trabalho nas diferentes áreas. Poder se expressar e fazer o que gosta é um direito de todxs. Só queremos respeito e ocupar cada vez mais espaços, poder ser livres de fazer o que queremos fazer.

– Como vocês veem a cena independente do rock hoje?
A internet mudou muito a cena independente. Se antes você tinha que mandar seu material pelo correio, divulgar shows colando cartazes pela cidade ou através de fanzines e revistas com enfoque mais alternativo, hoje qualquer banda pode ser ouvida em qualquer lugar do mundo. Essa facilidade ajuda bastante na hora da divulgação ou de conseguir um selo para lançar material, por exemplo. Mas também faz com que muitos prefiram o conforto do lar com seu Spotify a realmente apoiar a cena independente indo aos shows ou comprando material das bandas.

– Quais os próximos passos da banda?
Gravar músicas próprias, lançar em vinil e continuar fazendo shows em SP e Bs As.

– Recomendem bandas e artistas independentes de seus países que todo mundo deveria conhecer.
Brasil: Sisters Mindtrap, The Diggers, Os Estilhaços, Thee Dirty Rats, Modulares, Blood Mary una Chica Band. Argentina: Zorros Petardos Salvajes, Los Telépatas, Trash Colapso, Sarcófagos Blues Duo, Moretones, The Black Furs.

Lançamentos Etílicos #2: Mundo Virtual, Negus e Maestro Sujo

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Nesta edição, trabalhos de inéditas do cenário underground nacional rockeiro para atualizar o seu setlist.

Começamos com os mineiros da Mundo Virtual, que voltou as atividades depois de algum tempo e aproveitou o clima de recomeço para soltar um vídeo de uma música nova, gravada diretamente do Estúdio Saletta em Belo Horizonte. No vídeo podemos ver cenas da banda executando a canção “Cena de Cinema”. Veja abaixo:

Mundo Virtual – Cena de cinema

Fala Galera. estamos com saudades.Gostariamos de mostrar pra vcs um pouquinho da nossa nova musica 'Cena de Cinema'" Ah quem sou eu pra julgar?Deus faz isso no meu lugar…"

Posted by Banda Mundo Virtual on Monday, May 14, 2018

“Então, na verdade ainda não decidimos se vai estar no primeiro EP ou se vamos lançar só como single, vamos decidir em breve”, conta Daltão Bass, que nesse novo momento da banda, ao que tudo indica trocará o baixo pelas baquetas. Outra novidade é um videoclipe que está por vir. “Vamos começar a gravar o segundo clipe da banda com a musica ‘Hey’. Nesse meio tempo vamos organizar a casa”, afirma o músico.

Fora da cena mineira, indo ao Rio Grande do Sul, encontrei sonoridade nova do músico Alexandre Marques, que encaminha seu disco de inéditas sobre o projeto Negus. O porto-alegrense traz seu folk com a produção de Diego Lópes, conhecido por ser o baixista da banda Acústicos e Valvulados.

Para encerrarmos nosso giro musical, hoje fico por Porto Alegre mesmo, tendo o psicodelismo do Maestro Sujo. “Carnificina” é uma música do álbum “Experimentos do Fim do Mundo”, contando com a direção de Felipe Quinto Busanello e a realização da Casa de Insetos estúdio/selo musical.

Crazy Bastards mostra em clipe de “Nostalgia” que o pop punk continua vivo e pulando

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Imagine-se no final dos anos 90/começo dos 2000, quando bandas de punk rock divertidas como Blink-182, Sum 41 e Forfun estavam tomando conta da cabeça da juventude roqueira com o chamado “pop punk”. É exatamente nesta época e clima que você se sente ao ouvir “Selfie Entitled”, primeiro trabalho do trio de Curitiba Crazy Bastards, formada por TT (Tiago Oliveira – Vocal/Guitarra), Ge (Geanine Inglat – Vocal/Baixo) e Kiko (Leandro Sousa – Bateria).
O clipe de “Nostalgia”, single do álbum, atesta que a diversão é o principal fator que os três levam em consideração para sua música. Quer coisa mais divertida e cheia de molecagem que gravar em um daqueles parques de diversões de shopping, com direito à pulo na piscina de bolinhas? “A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir”, conta TT.
  • Como a banda começou?

Ti: Minhas outras bandas estavam paradas por vários motivos externos à mim, aí como não consigo ficar sem fazer som acabei montando esse projeto com a ideia de fazer um som que é o meu natural, pop punk divertido. Aí fui atrás de pessoas que tinham a mesma pira aí chamei esses dois arrombados e deu tudo certo.

Quais as maiores influências da banda?

Ti: Cada um tem uma, mas acho que em comum temos Blink 182, Green Day, Sum 41, Neck Deep principalmente. Bandas pop punk zoeira em suma.

Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!

Ge: É o album mais fofinho ever, a capa é um desenho de uma foto nossa e cada música tem uma tirinha com uma interpretação gráfica da música, bem diver. São só 18 minutos de pop punk maloqueiro, super rápido de ouvir. Apostamos nas músicas curtinhas, fica tudo mais fácil (risos). Mais fácil de ouvir, de gravar, de fazer clipe…

Kiko: Tanto as musicas quanto os vídeos foram feitas sem pensar em consequências ou “o que as pessoas vão pensar”. Simples ou trabalhado, cada detalhe veio do coração. O que achamos que ficou legal ou que nos agradou, a gente gravou/fez e fim. Um CD de 18 minutos. As pessoas ironicamente se perguntam “porque?”. Simples: A gente optou pelo diferente… pelo simples.. o suficiente para transmitir uma mensagem da forma direta.

Ti: Inicialmente era pra ser um EP com 6 músicas, mas aí como ia ficar muito curto achamos melhor fazer um CD full de uma vez. Esse álbum a gente focou no “mal uso de celular” pelas pessoas, como estamos cada vez mais dependentes disso e os efeitos psicológicos, culturais e comportamentais que isso vem trazendo. Com uma linguagem por vezes irônica mas a mensagem/reflexão espero que seja positiva no fim.

Como é o processo de composição da banda?

Ge: Normalmente eu ou o Ti (na maioria das vezes o Ti) aparecemos com uma ideia meio pronta, gravamos umas demos na casa do Ti e depois tocamos juntos no ensaio para ver o feeling, se ficar boa levamos pra frente, se não, partimos pra próxima.

Kiko: O Tiago e a Ge são as máquinas de composição da banda. Sendo assim, me resta então entrar com as idéias mais idiotas ou sem sentido. Quanto a parte mais “séria” da composição das músicas, apenas complemento e ajudo na composição das melodias, o que é faácil com esses 2 arrombados visto que o gosto e a sintonia entre a gente é perfeita.

Ti: A músicas são sempre uma expressão de alguma coisa, um sentimento, uma ideia, enfim. Tento ser positivo nas letras, “reclamar” um pouco dos problemas da vida mas com uma atitude positiva e resiliente de “a vida é foda mesmo, mas bola pra frente”.

Como anda o público pop punk hoje em dia?

Kiko: Não só no pop-punk mas em todo estilo rock generalizado, infelizmente as pessoas estão mais preocupadas em ouvir covers ou bandas megamente conhecidas ao invés de abrir a cabeça e dar atenção pra quem compõe o autoral. O novo, o autoral, a novidade é sempre vista como “lixo de garagem, portanto não merece atenção”. De forma natural, o Crazy Bastards procura não se apegar a isso. Afinal, fazemos por amor, por nos divertirmos em trio! Nossos ensaios são recreativos e nos complementa em termos de alegria… as pessoas gostarem é um lucro!

Ti: Eu vejo que tem um publico sim, não a toa começou a rolar vários shows gringos de pop punk aqui ultimamente. Mas concordo que no geral o público dá mais atenção ao cover e tem pouca paciência pra coisa nova, espero estar errado!

Ge: Pop punk’s not dead! Apesar de ter sumido um pouco, a galera true que curte pop punk ta por aí, é só olhar nos lugares certos (risos).

O rock ainda é relevante como antes? Ele tem chances de voltar ao mainstream?

Ge: Relevante como antes não, mas eu acho que é só uma fase, logo volta… Tem bastante banda da hora vindo pro Brasil, bastante banda daqui voltando, fazendo show, album novo, se tudo der certo é só questão de tempo pro rock voltar.

Ti: Acho que rock dificilmente vai ser mainstream como é em outros países, questão de cultura mesmo. O pop punk em Curitiba nunca chegou a explodir, ele começou mas logo na sequencia já veio o emo exagerado que acabou dominando, aí a galera ficou meio órfã de pop punk, pouquíssimas bandas seguiram nessa linha. A gente vai seguir o trabalho, sem muita expectativa, pela diversão mesmo, se voltar a ser mainstream estaremos aqui já.

Como foi a produção do clipe de “Nostalgia”?

Ti: A coisa mais divertida do sul do universo (risos), brincar na piscina de bolinha gigante e fliperama não tem como não ser. A gente colocou como meta de que tudo que a gente for fazer como banda tem que ser divertido, porque de chato já basta a vida de adulto e os boletos que nunca param de vir. Já fiz muitas coisas com banda e as vezes era chato e maçante, com a Crazy a gente tenta fazer bem feito mas não levando tão a sério também.

Kiko: Simples e pouco planejado. Nada de câmeras sofisticadas, roteiros ou “idéias para conquistar as pessoas”. Uma simples GoPro, rolé no shopping com amigos, cerveja e idéias espontâneas que nossos corações mandaram resumem as filmagens.

Ge: DIVER. Foi bem simples e true na real, pegamos a GoPro do Kiko e partimos pra um shopping aqui em Curitiba. Ficamos brincando junto com as crianças na piscina de bolinhas, jogando nos fliperamas, sendo julgados pelos “adultos” (risos). A banda toda é bem 5a série, então esse clipe saiu bem natural.

O pop punk deve amadurecer ou isso vai contra o que esse estilo representa?

Ti: Acho que as pessoas confundem o conceito de “não levar tão a sério” com ser irresponsável e infantil. O pop punk tem um “lado” que é mais maduro sim, mas a ideia geral é ser divertido mesmo, mas não necessariamente imaturo, apesar de as vezes ser um pouco hehe. É só um momento pra vc não se levar tão a sério, esquecer um pouco dos problemas da vida e “have some fun”.

Kiko: Acho o tema meio confuso.. Cada banda deve falar ou fazer o que quer.. cabe às pessoas gostarem ou não. O Crazy Bastards fala besteira, fala coisa séria e etc.. Mas fala pq quer e não pra se adaptar a um estilo.. Gostamos do estilo do som, as letras são nossa forma de expressar o que realmente pensamos e foda-se.

Ge: Não vejo problemas em amadurecer desde que seja uma coisa natural da banda, as pessoas mudam e tudo bem. Sem graça é quando a galera se leva muito a sério e fica uma parada claramente forçada. Eu sempre achei pop punk divertido pra caralho. Já tem merda o suficiente rolando no mundo, então ensaiar com a banda, tocar músicas divertidas e falar besteira por umas três horinhas é uma das minhas coisas favoritas. Mas essa é minha visão do pop punk, tem galera aí querendo ser madura e séria, deixa eles (risos). Se a música for boa vou ouvir de qualquer forma.

Quais os próximos passos da banda?

Kiko: A vida e a estrada me ensinaram a não criar expectativas… Mas também ensinaram a não cometer erros. É a primeira banda onde me sinto em casa. Onde decidimos fazer ou não um clipe, gravar ou não.. etc. Se todos estão afim, a gente vai la e faz. Pronto! Por hora, a idéia é seguir como sempre fazemos: Criar musicas, ensaiar bêbado, falar muita merda e etc.

Ti e Ge: Em resumo é isso, fazer show, divulgar o CD, comer pizza, fazer clipe, tomar bera, músicas novas pro próximo album.

Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Ge: Crowning Animals, post hardcore de Curitiba, da pesada essa. Phone Trio voltou ano passado, pop punk diver também. Never Too Late abriu pro Four Year aqui em Curitiba e foi tesão. Várias bandas legais aparecendo mais ultimamente.

Kiko: Tenho ouvido bastante Between You and Me e We were Sharks.

Ti: De mais recente tem os amigos do Out in Style, HC melódico de primeiríssima.

Em clima de Copa, Orquestra Passa a Bola homenageia o jogador Gabriel Jesus

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A união de músicos e peladeiros do Recife resultou em uma orquestra para compor sobre futebol. O primeiro single, que homenageia Gabriel Jesus, foi lançado nesta terça, 15.

A um mês de começar a tão esperada Copa do Mundo, os pernambucanos da Orquestra Passa a Bola já entraram em campo para lançar o primeiro single do projeto, que homenageia o jogador Gabriel Jesus. Esse é primeiro trabalho do grupo, idealizado por Tiné, que tem como pretensão compor e tocar apenas sobre futebol.

Com o título ‘Gabriel Jusus, Antes e Depois’, o primeiro single chegou para entusiasmar o público para entrar no clima da copa. A música conta a trajetória do atacante revelado pelo Palmeiras, menino craque do Jardim Perí que a quatro anos atrás na copa de 2014, estava pintando a rua do seu bairro de verde amarelo, e na copa seguinte em 2018, é o camisa 9 da seleção com mais títulos mundiais.

Essa ideia veio de um grupo de peladeiros, que também são músicos e, claro, se juntaram para fazer uma banda. O projeto, que é idealizado pelo Tiné Equilibrista e tem a produção musical de Luccas Maia, hoje assina como uma Orquestra, pela quantidade de músicos participando.

Segundo Tiné, o coletivo teve a ideia de se reunir para gravar a primeira música durante o amistoso Brasil x Alemanha, que o resultado do jogo resultou no primeiro trabalho, quando Gabriel Jesus, marcou o primeiro gol contra a algoz Alemanha.

A ideia é que até o início da Copa ainda saiam mais dois singles, um sobre o craque Neymar e outro sobre a Seleção Completa. Mas, também estão sendo compostas músicas sobre a Chapecoense, time que sofreu um acidente trágico de avião em 2016, e Muricy Ramalho.

A Orquestra Passa a Bola, que começou como um Bloco de Carnaval em 2018, conta com o escrete de ouro Tiné, Igor de Carvalho, Victor Camarote, Muta, Zé Gleisson, Maneco Bacarelli, Pecinho Amorim, Guga Fonseca, Rogério Samico, Rodrigo Jangaman, Luccas Maia, João Zarai, Filipe Novais e Alexandre Barros.

O vídeo, que tem a produção de Iba, da Believe Filmes, está disponível no Youtube. O single também pode ser escutado pelo Spotify e Deezer. Dá o play e sente o cheiro de Copa no ar.

Por Rebeca Gouveia

Banda espanhola No Crafts mistura garage, surf e pop espanhol dos anos 80

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Formada em Madrid em 2015 por Carlos Núñez (voz e guitarra), Ángel Hontecillas (baixo e synth), Celia Juárez (bateria), a banda No Crafts se conheceu na escola, onde ficaram amigos graças à seu interesse por música. O tédio os levou a começar a tocar e criar sua mistura de garage rock, surf music e o pop espanhol eletrônico dos anos 80. Em janeiro, a banda lançou seu primeiro EP, “No Arts, No Crafts”, e preparam um mini-LP para os próximos meses, de onde saiu seu mais recente single, “Heavy”.

– Como a banda começou?
Nos conhecemos há muito tempo (na escola) e sempre nos interessamos pela música. Também estávamos entediados, então decidimos começar esta aventura. Aprendemos a tocar juntos e, quando ficarmos mais velhos, esqueceremos como tocar juntos. Somos irmãos de pais diferentes.

– E como pensaram no nome No Crafts?
A origem é secreta até que alguém descubra. Um motivo que nos levou a escolher esse nome é que ele não descreve como trabalhamos, porque sempre fizemos as coisas com as mãos e do nosso jeito. Nós apenas pensamos que era engraçado.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Para uma banda, é sempre difícil definir seu som. Nós dizemos que é uma boa mistura de garage, surf, pop espanhol dos anos 80 … Houve uma tendência aqui na Espanha nos anos 80, chamada “La Movida”. Era meio synth pop (tipo Depeche Mode, New Order…) com um toque punk. É engraçado, porque “La Movida” influenciou muitas bandas espanholas atuais, mas ninguém nos anos 90 pareceu gostar.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram!
Começamos a lançar alguns singles para ver que tipo de feedback teríamos. Então, decidimos gravar nosso primeiro EP “No Arts, No Crafts”, que foi lançado em 17 de janeiro. Esse disco nos deu a oportunidade de tocar em algumas cidades e festivais aqui na Espanha. Também tocamos em Portugal há alguns meses. O fato de vender merch e discos no exterior, tocar em rádios nacionais e internacionais, e alguém no Brasil vir falar conosco … é muito reconfortante. Nosso último single “Heavy” foi lançado em março e é do nosso próximo álbum (um mini-LP) que provavelmente será lançado depois do verão.

– Eu adoro os vídeos da banda. Como vocês veem o formato videoclipe hoje em dia?
A chave dos nossos videoclipes consiste em fazer um esforço para fazer do nosso jeito. Nós só trabalhamos com nossos amigos, o que facilita o processo de gravação. Isso também se aplica à gravação das músicas e ao design de nossas capas. Nossos próprios amigos em uma festa real: é isso que faz com que vídeos como “Feeling Sick” pareçam naturais. É natural mesmo!

– Quais as suas principais influências musicais?
Estamos descobrindo novas músicas o tempo todo, e isso faz com que nossas músicas variem um pouco, mas não importa o quê, nós sempre permaneceremos fiéis ao nosso som. Cada um de nós ouve diferentes gêneros de música, por isso temos visões diferentes mesmo em nossas próprias ideias. Podemos ser influenciados por uma determinada banda, mas não necessariamente temos que soar como eles. Alguns exemplos podem ser o King Krule, ou até mesmo o Black Eyed Peas.

– Como vocês veem o mundo da música atualmente?
A indústria da música e o mundo mudaram muito nos últimos anos. Hoje em dia, a percepção do que vai fazer sucesso é decidida pelo público, não pelas gravadoras; o que é viral é o que as pessoas consomem, e é isso que a indústria quer, esses artistas virais. Muitos novos artistas, incluindo designers ou dançarinos, são descobertos na internet. Especificamente na indústria da música, é difícil mencionar uma banda que você acha que vai ficar no topo no futuro. As pessoas ganham mais do que querem, o que é bom, mas as tendências mudam muito e o setor também, dificultando o sucesso de uma banda.

– E vocês acham que algum dia o rock pode voltar ao topo das paradas?
Não parece que vai ser em breve, mas na verdade não achamos que seja necessário, porque as mudanças são boas. Os Beatles e Doors fizeram algo novo em seu momento, e hoje em dia é melhor dar chances e ver como alguém pode entender esse rock, deixando-nos descobrir um novo tipo de rock. Diziam que os Strokes eram salvadores do rock do século 21, mas não se pareciam com as coisas que estávamos acostumados a ouvir antes. Talvez precisemos que isso aconteça novamente, um novo tipo de rock pode aparecer em algum lugar que você não espera.

– Vocês conhecem música brasileira? Gostariam de tocar no Brasil?
A música clássica brasileira que conhecemos são Caetano Veloso e João Gilberto. Eles tiveram muito impacto aqui na Espanha e são muito reconhecidos. Na cena indie, mais como nós, devemos admitir que somos grandes fãs de Boogarins e Cansei de Ser Sexy. Na verdade, os Boogarins são muito populares na cena underground espanhola. Talvez quando eles voltarem, seria bom abrir para eles. E claro, nós adoraríamos ir ao Brasil! Seria uma oportunidade incrível. Nós queremos que isso se torne realidade, porque poder fazer uma turnê internacional é um sonho para nós.

– Quais são seus próximos passos?
Como dissemos antes, vamos lançar um novo álbum depois do verão. Esse trabalho é mais pop que o que estamos fazendo até agora. É uma espécie de álbum “emo-pop”, porque a música é feliz e cativante, mas quando você se concentra nas letras, você verá que elas são mais agridoces do que a música. Isso é algo que você pode curtir em nosso último single “Heavy”, mas também em nosso próximo single (pronto sair em maio). Também estamos tentando fazer isso em nosso novo vídeo, como uma evolução completa, mas com a essência do No Crafts.

– Recomendem bandas independentes que chamarem sua atenção ultimamente!
Aqui na Espanha você pode encontrar muitas novas bandas emergentes, e especificamente, o último show que nos impressionou foi o de uma banda chamada Keems, de Barcelona, que faz um tipo de post rock. Nós realmente achamos que eles são incríveis e encorajamos as pessoas ao redor do mundo a darem ouvidos porque realmente vale a pena. Internacionalmente, descobrimos recentemente Gus Dapperton e Cuco. Devemos admitir que o “Lo Que Siento” de Cuco é uma música que nunca falha em nossas festas.

Não se perca em “Labirinto”, som inédito do menores atos lançado hoje

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Capa do single "Labirinto".

O novo disco do menores atos está aos poucos tendo cara, coração e melodia. Nessa quinta-feira, 10, foi disponibilizada a segunda música do futuro álbum, chamada “Labirinto“. A primeira, lançada anteriormente, foi o single “Devagar“.

As características sonoras da banda, como as linhas rápidas de baixo, bateria e guitarra entrando em conflito com a rasgada e urgente de Cyro, vocalista do trio carioca responsável por dar uma roupagem nova ao emo e ao rock alternativo no Brasil.

O álbum, que ainda não tem nome e data de lançamento, está sendo mixado e masterizado por Gabriel Zander (Noção de Nada, Zander), e será lançado pela Flecha Discos.

Curta o novo som abaixo.