Wonderbitch mistura disco, punk, rock progressivo e a breguice pop dos anos 80 – e não é que dá certo?

Wonderbitch mistura disco, punk, rock progressivo e a breguice pop dos anos 80 – e não é que dá certo?

30 de março de 2016 0 Por João Pedro Ramos

O Wonderbitch resolveu colocar em um liquidificador sonoro ingredientes tão diferentes quanto punk, disco music, rock progressivo dos anos 70 e toda a breguice cheia de ombreiras, lasers e teclados do pop oitentista. Nessa mistureba maluca, conseguiram criar um indie rock dançante e cheio de personalidade em seus dois EPs, “Wonderbitch” (2015) e “Loves You” (2013). O som da banda tem tudo para fazer parte das paradas de sucesso das rádios rock por aí, não devendo nada para grandes nomes do rock alternativo atual.

Alex Chod (vocal e teclados), Bruce Smith Jr. (guitarra), Corey Spears (baixo) e Butch Wade (bateria) receberam elogios até da Revista Rolling Stone por sua participação no SXSW de 2015, sendo citados como um dos pontos altos do festival. Agora, a banda está em turnê pelos Estados Unidos, mas sem parar de produzir singles sempre que possível.

Conversei com eles sobre os anos 80 e sua breguice, o esquisito nome da banda, a vida de artista independente e mais:

– Como a banda começou?
A banda começou quando nossa antiga banda (The Vorticists) se dissolveu. Estávamos tendo problemas em ficar na mesma página com aquela banda, que era de art rock psicodélico muito delicado, além de vivermos em duas cidades diferentes. Além disso, sempre curtimos quando pessoas dançavam com nossas músicas, então decidimos fazer algo mais atrevido e divertido.

– E de onde surgiu o nome “Wonderbitch”?
O nome nasceu quando estávamos indo em uma viagem de Indiana para visitar Austin, no Texas (para onde eventualmente nos mudamos), estávamos entediados no carro e começamos a inventar nomes de bandas engraçados, onde Wonderbitch foi o mais engraçado. No nosso primeiro show, dissemos para a plateia “agora vamos mudar nosso nome para Wonderbitch!” (nós nos chamávamos ‘The Fool’ no pôster do evento), e nossos amigos aplaudiram e deram risada. Então ficamos com ele.

Wonderbitch

foto por Dani Bauer

– Quais são as suas maiores influências musicais?
Todos temos gostos diferentes, mas tem certas coisas que cada membro traz que nós todos gostamos, e a influência acaba sendo uma combinação de música moderna de festivais, pop dos anos 80 e “yacht rock”, o prog rock dos anos 70 e 2000, um pouco de disco e um pouco de punk.

– Me falem um pouco sobre “Wonderbitch”, seu mais recente EP.
O EP “Wonderbitch” foi concebido porque com a mudança para Austin e tendo encontrado novos membros para a banda, precisávamos mostrar nosso material. Além disso, criar discos é algo muito divertido para fazer com sua vida!

– E sobre “Loves You”, o primeiro EP da banda?
Para mim, “Loves You” é um pouco mais educado e gentil e também um pouco mais progressivo. Os novos membros que entraram na banda em “Wonderbitch” têm personalidades muito mais agressivas, e acho que isso se mostra nas músicas.

– Como vocês definiriam o som da Wonderbitch?
Gostamos de usar ‘Sophisticated Fun’ para definir nosso som. Música divertida que é bem pensada e bem construída e que pode elevar a experiência das pessoas para algum lugar muito bacana, para que elas possam realmente perceber algumas coisas legais que estão acontecendo se estiverem inclinadas a ouvir com atenção.

Wonderbitch

foto por Dani Bauer

– Uma de suas influências declaradas é o som dos anos 80, que às vezes recebe o rótulo de “brega” pelo seu uso de teclados e baladas românticas. O que vocês acham sobre isso?
Na minha opinião, música brega muitas vezes tem a intenção de fazer você se sentir melhor, ou pelo menos mexer com suas emoções. Não tenho certeza dos motivos pelos quais acho tão fascinante, mas na minha música eu gosto de usar os as aspectos do “brega” que conseguem melhorar meu humor ou são engraçadas – sintetizadores brilhantes e plastificados, letras confortadoras, progressões de acordes esperançosas, coisas que eu me lembro da televisão na infância – eu gosto de tentar embalar tudo isso como algo divertido e reconfortante para o público. Nós já tivemos tanta “breguice” forçada em todos nós por todas nossas vidas, gosto de usar um pouco dessa linguagem com um pouco de senso de humor. Dá pra achar beleza em tudo.

– Como é ser uma banda independente hoje em dia?
Acho que a cena independente é uma experiência caótica e maravilhosa. Eu realmente não sei outra forma de descrevê-la! Me pergunto se algum dia teremos um momento de indústria musical firme novamente. Estou nessa.

– Quais os próximos passos da Wonderbitch?
Agora tocaremos em nossa área dos Estados Unidos. Vamos ir de encontro a nossos fãs em toda a área, enquanto continuamos lançando singles sempre que possível para manter as coisas frescas!

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Se forem independentes, melhor ainda!
Nossos bons amigos de Los Angeles têm duas bandas: Triptides e Frankie and the Witchfingers. Eles são caras incríveis fazendo coisas muito legais! Também o Fluffer, de Cincinnati, Ohio, está fazendo coisas bem bacanas misturando ‘bubblegum’, dance e heavy math. Tem uma nova banda de surf rock aqui em Austin chamada Shark Rider que nós também gostamos bastante.