O duo Whale House mistura psicodelia, rock noventista, cordas e até valsa no disco “Clowder”

O duo Whale House mistura psicodelia, rock noventista, cordas e até valsa no disco “Clowder”

25 de setembro de 2019 0 Por João Pedro Ramos

O duo Whale House, de Wisconsin, nos Estados Unidos, evita definir o seu som. Há mais de uma década na ativa, Clayton Brice e Caleb Price dizem apenas que estão empenhados em desmantelar sistematicamente as formas e convenções do rock e remontar as peças de maneiras inesperadas para criar um som cru e sem restrições.

Seu primeiro álbum, “Clowder”, mostra um pouco de toda a mistura musical do duo, que se inspira muito no rock alternativo dos anos 90, psicodelia dos 60s e rock experimental de bandas como o Radiohead. O disco foi construído ao longo de um ano à distância, sendo que depois essas faixas foram gravadas diretamente em fita, com o mínimo de intervenções digitais possíveis. No disco, dá pra ouvir que além de rock, existem influências de ritmos diversos, incluindo incursões até pela valsa. Conversei com a dupla sobre sua carreira e seu primeiro disco:

– Como a banda começou?

Caleb: Nós dois estávamos fazendo aulas de composição musical na universidade e decidimos começar a tocar juntos. Começamos como uma dupla gravando demos no apartamento de Clayton. Começou muito experimental, músicas vagamente construídas em torno de colagens sonoras eletrônicas.

Clayton: A partir daí, começamos a trabalhar com um baterista e começamos a criar música alta de nosso garage rock como uma peça de três.

– E como surgiu o nome para a banda?

Clayton: Caleb leu em um livro sobre os nativos americanos do noroeste do Pacífico. Eles se referiram ao oceano como uma “Casa das Baleias”. Nós só gostamos, achamos que parecia novo.

– Quais as principais influências do som da banda?

Caleb: Grunge dos anos 90 e rock psicodélico dos anos 60 são as duas principais influências. Além de um pouco de rock experimental, como Radiohead.

Clayton: Nós realmente gostamos de bateria pesada e instrumentação psicodélica … Sempre procurando novos sons.

– Como vocês definiriam o som da Whale House?

Clayton: Sempre mudando e evoluindo…

Caleb: Nós gostamos de ser barulhentos e fazer sons malucos, mas também gostamos de ser melódicos.

Clayton: A dinâmica surge frequentemente.

Caleb: Tentamos ser cativantes e experimentais.

Clayton: Caleb, você poderia falar sobre a construção e desconstrução de sons de rock … Não me lembro de suas palavras exatas…

Caleb: Tentamos pegar formas de rock clássico, separá-las e juntá-las de maneiras novas e interessantes.

– Me contem mais sobre o primeiro disco da banda.

Caleb: Nosso álbum se chama “Clowder”, que significa “um grupo de gatos”. Ele abrange uma ampla faixa dinâmica: possui faixas acústicas solo, tem stomp rock, tem seções de cordas, tem valsas psicodélicas… Nós realmente tentamos ir a muitos lugares com os sons. Esperemos que leve o ouvinte a uma jornada.

– Então poderia ser visto como um álbum conceitual.

Caleb: Não é necessariamente um álbum conceitual, no sentido de que não há uma única história que todas as músicas seguem, mas há uma forma definida no álbum. Uma sensação definitiva de crescente tensão e, no final, uma espécie de libertação.

Whale House

– Então não dá pra encaixar a música de vocês em um gênero, né?

Clayton: Eu diria que sim…

Caleb: Acho que é isso mesmo.

Clayton: A única constante é que está sempre mudando.

– Então, nunca dá pra adivinhar o que o Whale House fará na sequência!!

Clayton: Exatamente!

– Vocês acham que a música “sem gênero” é o futuro?

Caleb: Opa, pergunta interessante.

Clayton: Acho que passear por gêneros diferentes apenas mantém as coisas interessantes. Estamos escrevendo juntos por 10 anos, então nos ajuda a encontrar novos caminhos.

Caleb: Acho que os gêneros vão continuar se desviando e se misturando entre si.

Clayton: Eu diria também que nosso disco “Clowder”, de muitas maneiras, é único para tudo o que está acontecendo ao nosso redor… Gravar as faixas em fita, usando equipamentos antigos, coisas assim.

Caleb: Não sei se tudo será totalmente sem gênero, porque as pessoas precisam categorizar de alguma forma, mas acho que gênero é um conceito que continuará a evoluir com certeza.

– Você pode me contar mais sobre o processo de gravação deste álbum?

Clayton: Basicamente, usamos ferramentas antigas, como em um disco do Led Zeppelin ou do Pink Floyd nos anos 70. Todos os sons do disco tinham que ser feitos em uma sala.

Caleb: O núcleo das faixas foram todas tocadas ao vivo, apenas três músicos tocando juntos em uma sala.

Clayton: Não havia correção de ritmo ou afinação usada em nenhum lugar do disco, o que de alguma forma se tornou uma maneira mais rebelde de trabalhar na era digital.

– Quais são suas músicas preferidas nesse disco?

Clayton: Eu diria que “Doll” e “Elephant” são destaques para mim. “Doll” pela quantidade de soco e energia. E “Elephant” porque foi o menos desenvolvido dentre tudo o que trouxemos. Começamos com quase nada e criamos isso no estúdio.

Caleb: “Twilight Sleep” tem um quarteto de cordas tocando nele. Esse era um território novo e emocionante para nós. A primeira faixa “Into The Bluffs” tem uma bateria incrível. Eu gosto do quão louca é “Paper Cuts”, que foi originalmente escrita por Clayton no violão, coisa que nunca se imagina com base no resultado.

Clayton: Em se tratando da letra, “Elephant” foi feito olhando as pinturas de Salvador Dali e escrevendo as primeiras palavras que vêm à mente…

– Quais são os próximos passos da banda?

Caleb: Estamos trabalhando em outro clipe.

Clayton: Sim, outro clipe!

Caleb: E temos mais shows para celebrar o novo lançamento.

Clayton: Além de divulgar o novo disco de vinil (foi a primeira vez que prensamos um disco).

– Recomende bandas independentes que chamaram sua atenção ultimamente!

Caleb: Acabamos de tocar com algumas bandas, Cult of Lip e Tabah, de Minneapolis, que eram muito boas.

Clayton: The Ultrasounds from Winona são uma das nossas favoritas.

Caleb: Adelyn Rose é um grande grupo em nossa cidade natal de Eau Claire, WI.