Verónica Decide Morrer impressiona em apresentação catártica no SESC Bom Retiro

Verónica Decide Morrer impressiona em apresentação catártica no SESC Bom Retiro

11 de setembro de 2017 0 Por Hanilton Medeiros

Formada em 2010 na cidade de Fortaleza, a banda Verónica Decide Morrer, agora radicada em São Paulo, apresentou-se no último dia 08 de setembro no charmoso teatro do SESC Bom Retiro, região central de São Paulo. Frutos de uma geração que também conta com nomes como Jonnata Doll & Os Garotos Solventes e o Cidadão Instigado, a banda impressiona pela alta qualidade de som e seu visual glam rock e com diversas referências dos anos 80.

A apresentação teve seu repertório criado em cima do primeiro disco da banda, que leva seu nome e foi disponibilizado virtualmente no ano passado. Respaldada pelas ótimas projeções inseridas ao fundo do palco, a banda soube ocupar todo o palco do SESC Bom Retiro e dar o seu recado de forma digna.

“Roxy Music”, primeiro single do disco, impressionou pelo peso extra que ganhou na interpretação ao vivo e com as lindas imagens do seu respectivo vídeo clipe nas projeções. Em seguida destacaram-se “Bicha Invejosa”, “Lady Cromada” e “Feito Hai Kai”.

 

A vocalista Verónica chamou a atenção por seus discursos voltados à causa transexual e destacou o “medo” como uma das piores sujeiras da nossa sociedade, e, num acordo com o público, orientou os presentes  para que no dia seguinte cumprimentassem as travestis, e assim vencerem o medo que a sociedade  insiste em ter dessa população. Considerando o fato de o Brasil ser o país que mais mata pessoas transexuais, esse tipo de conscientização é bastante pontual.

O encerramento do show ao som de “Testemunho de Trava” incluiu uma entrega especial de Verónica, que encerrou o show literalmente no chão e com a sensação de recado dado. A plateia completamente alucinada pediu bis e foi presenteada com mais dois números.

Verónica decidiu e morreu no SESC Bom Retiro, mas renasceu com a certeza de que o rock brasileiro vai muito bem, obrigado, e com a satisfação de ver pessoas transexuais ocupando espaços na sociedade e desconstruindo estereótipos alimentados durante anos.