Venus Wave leva o DIY a sério e prepara seu primeiro EP recheado de psicodelia

Venus Wave leva o DIY a sério e prepara seu primeiro EP recheado de psicodelia

25 de junho de 2018 0 Por João Pedro Ramos

O quarteto paulistano Venus Wave é uma banda independente e autossuficiente, produzindo todo seu próprio material com as próprias mãos e questionamentos sobre o mundo. Formada por Julia Danesi (vocal), Manu Rodrigues (guitarra), Camilla Araújo (baixo) e Carol Flores (bateria), o grupo tem muita influência do rock psicodélico dos anos 60 e 70 e do stoner rock, com ecos de Led Zeppelin, Blues Pills, Jimi Hendrix, Purson, Black Sabbath, Rival Sons, Cream e Janis Joplin. Seu primeiro EP está em produção e é previsto para o segundo semestre de 2018. Segundo elas, o disco fecha um ciclo: “Ele contêm músicas que vem sendo desenvolvidas desde 2016. Elas tiveram muitas mudanças desde os primeiros rascunhos, e acreditamos que irão representar o fim de um ciclo passado e o começo de um novo, com a sonoridade agora bem diferente”, contam.

– Como surgiu a banda?
A Venus surgiu no começo de 2016, com uma formação completamente diferente. A banda foi formada pela nossa vocalista, a Julia, e a baixista da época, a Giovana. Elas se conheceram por amigas em comum e ambas tinham uma vontade grande de formar uma banda feminina. A Julia tocava com a Lara (baterista) e depois encontraram a Juliana (guitarrista). Naquela época estava todo mundo começando, e a banda não tinha uma ideia própria de como seria o som, cada uma tinha um gosto musical muito diferente, que transitava entre um rock mais pesado, o indie, psicodélico e o rock clássico. As referências aos poucos foram se misturando, a mensagem e a identidade também foram sendo lapidadas, até que, depois de algumas mudanças de formação, a banda se consolidou em harmonia com a Manu nas guitarras, a Carol na bateria, a Camilla no baixo e a Julia continuou nos vocais.

– Vocês estão preparando o primeiro EP para os próximos meses. Podem adiantar algo sobre ele?
Esse EP contêm músicas que vem sendo desenvolvidas desde 2016. Elas tiveram muitas mudanças desde os primeiros rascunhos, e acreditamos que irão representar o fim de um ciclo passado e o começo de um novo, com a sonoridade agora bem diferente. As músicas conversam entre si, uma vez que falam sobre temas similares: questionamentos sobre sentimentos internos, misticismo (temos uma relação muito forte com o que está por aí, no universo e fazendo parte de nós, que nos parece tão distante e inexplicável), como também sobre deixar a sua mente fluir e aceitar novas ideias. Ao mesmo tempo que as músicas também são muito diferentes, falando sobre a sonoridade de cada uma delas. Rolou muita experimentação para buscarmos uma identidade sonora. Queremos trazer uma experiência transcendental para o ouvinte, como se ele viajasse numa onda de Venus.

Falando um pouco sobre a produção, somos uma banda independente e autossuficiente. Produzimos nosso próprio material gráfico, nossa divulgação, e não seria diferente com nosso primeiro EP. Estamos fazendo tudo em um estúdio construído na casa da guitarrista, Manu, ao lado do produtor João Nin. Ele está nos ajudando a lapidar detalhes, gravar, mixar e masterizar as faixas. É bem bacana ter a liberdade de produzir tudo em casa hoje em dia, em um ambiente confortável para nos expressar, repensar ideias e acompanhar tudo de pertinho.

foto: Ilka Rehder

– Como pensaram no nome Venus Wave e como ele reflete o som da banda?
O nome da banda surgiu de uma conversa de bar, na frente do estúdio que a gente ensaiava na época, ali em Pinheiros. Literalmente sentamos no bar e nos comprometemos a não levantar da mesa até que pensássemos em um nome. Sempre tivemos uma relação muito forte com o espaço, com a astronomia, com elementos que fogem do nosso alcance como seres humanos. Achamos que esse nome representa a banda de forma que: nunca sentimos que fazíamos parte dessa realidade, sempre fomos pessoas estranhas, com mensagens divergentes, que pareciam pertencer a outro lugar. Além de existir um simbolismo direto do planeta Venus com o feminino. Talvez tenhamos vindo de Venus mesmo, quem sabe?

– Como vocês veem esse retorno da psicodelia na música hoje em dia?
Acho que bandas como o Tame Impala, Temples, até a The Outs e o Boogarins, que são da cena brasileira, representam bem essa sinestesia provinda da música. Rola um tabu grande sobre esse tipo de som ser diretamente ligado ao uso de substâncias que possam alterar seu estado corporal, mas a real é que as músicas por si só já representam um universo gigante de cores, texturas e sentimentos. A psicodelia representa esse estado de transe, de viver o momento, de sentir o seu corpo. Se você fechar os olhos escutando esse tipo de música, vai poder sair da onde está sem nem precisar se mover. Sentimos que o momento atual pede por isso, por um escape, por um gatilho que distorça a realidade.

– Quais as principais influências para o som da banda?
Cada membro da banda têm influências próprias, naturalmente. Mas o interessante da Venus foi a mistura: a Camilla é muito ligada em rock psicodélico, músicas mais descontruídas sonoramente, MPB. A Carol já gosta de artistas indie, de músicas minimalistas. A Manu tem uma influência dos “grandes” guitarristas da história, Jimmy Page, Toni Iommi, Jimi Hendrix, com riffs bem marcados e característicos. E a Julia passeia por referências vocais que vêm também de grandes ícones como a Janis Joplin, ou da música brasileira, Rita Lee, mas é muito ligada na sonoridade psicodélica. O nosso som como um todo mistura os anos 60 e 70 com influências mais atuais, tornando as músicas mais contemporâneas.

foto: Ilka Rehder

– Vocês são uma banda 100% feminina. Até hoje o número de mulheres no palco em festivais e eventos musicais ainda é muito menor que o de homens. Como vocês veem isso? Apesar de estarmos progredindo, ainda há muitos problemas?
Ainda há problemas de aceitação. Essa rotulação de “banda feminina”, é muito complicada, na verdade. Nós somos uma banda de mulheres, assim como existem bandas de homens e bandas mistas. Existem subjulgamentos por isso? Sim. Somos parte de um movimento de resistência? Sim. Mas acreditamos que o que queremos acima de tudo é nos expressar e desenvolver nosso trabalho. É uma pena não podermos fazer isso naturalmente, sem nos preocupar com essa segregação, e termos que lutar para mudar isso. Mas a luta por esse espaço já faz parte da nossa realidade enquanto mulheres em todos os âmbitos da sociedade, não só na música. E aos poucos, muitas mulheres, felizmente, vêm ganhando destaque nos palcos.

– Qual a opinião da banda sobre a cena musical independente hoje em dia?
Existe uma diversidade de elementos e estilos que se dão dentro do contexto musical que temos no independente. É tanta coisa boa e diversa acontecendo ao mesmo tempo que só conseguimos associar a uma tela imensa cheia de elementos construindo uma coisa única, por vários lados. Além do rock como um todo e a neopsicodelia, o rap por exemplo, também ganhou uma força imensa, inclusive com as mulheres cis/trans (tem aí a Flora Matos, a Linn da Quebrada, a Tassia Reis e isso só falando das que já são enormes). E diríamos mais que isso, além dos projetos musicais, tem uma galera enorme que contribui demais para a construção de todo esse contexto pelas vias do jornalismo e do entretenimento. A galera dos blogs de música como o próprio Crush, o Cansei do Mainstream, o Minuto Indie, RockALT, são fundamentais para a difusão dos projetos. A galera de iniciativas como A Porta Maldita, o Contramão Gig também são exemplos de espaços justos para o autoral. Além de todos os festivais independentes (que estão cada dia maiores). Vemos com otimismo o que está rolando, principalmente pela integração entre os meios e os projetos, por saber que além de bons músicos e projetos florescendo, temos um público cada vez mais interessado e uma galera de outros lados somando para a construção desse cenário todo. Isso é lindo demais.

– Quais os próximos passos da banda?
Após a finalização desse EP, pretendemos lançar um single acompanhado de um clipe. Enquanto isso, vamos continuar subindo aos palcos e conhecendo novas bandas, fazendo novas parcerias por aí, para divulgar nosso som. Adoramos saber de novos projetos, novos festivais! É um sonho fazer uma turnê fora de São Paulo, também.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
As Bahias e a Cozinha Mineira, As Despejadas, Ventre, Céu, Carne Doce, Six Kicks, Antiprisma, O Grande Grupo Viajante, Andirá, Letrux, Madame Mim, The Mönic (todas possuem mulheres na formação). Também gostamos muito da Leza (que tivemos o prazer de dividir o palco), d’O Terno, Maglore, etc. De bandas gringas, nos ligamos muito ao Blues Pills (que tem a Elin Larsson como vocalista, uma voz poderosíssima), a Maidavale da Suécia (que também é composta por mulheres), o Rival Sons, Temples, Radio Moscow, etc. Tem muita coisa boa pra ser descoberta por aí.

We're BACK!

Nesta sexta-feira, dia 09/03, subiremos aos palcos novamente. Após um longo ano de muito estudo, mudanças e desafios, nosso retorno está marcado no Bar da Avareza, na Rua Augusta! E que lugar seria melhor para nosso retorno que o bar da Cervejaria Mea Culpa, com chopp no tap? Além de comemorar o mês da mulher com um evento feito POR mulheres: na discotecagem, no som ao vivo comandado por nós, além de flash tattoo. E aí, cê não vai perder, né? ;)Comemoramos também o primeiro show da nova formação da Venus, com Manu Rodrigues na guitarra, Caroline Flores na bateria, Camilla Araújo no baixo e Julia Danesi nos vocais.Serviço: Venus Wave no Bar da Avareza | Rua Augusta, 591 | Evento à partir das 19h, show às 23hConfirme presença no evento: ⊙ Pink Friday ⊙ Minas no Rock ⊙

Posted by Venus Wave on Tuesday, March 6, 2018