Vencedor do Emmy “George Harrison: Living in the Material World” estreia na Netflix

George Harrison

George Harrison Living In The Material World

Ano: 2011
Gênero: Documentário
Duração: 208 min
Direção: Martin Scorsese

Quando falam que George Harrison é o Beatle que mais mudou não é por menos. Dividido entre o mundo material e o espiritual, o irmão do meio do grupo britânico não era nem estrela como Paul McCartney, nem prolífico como John Lennon. O homem dos acordes solitários sentiu o mesmo peso d afama que os demais integrantes, mas foi ele quem passou pela transformação mais curiosa. Após anos ofuscado pelo talento de Mcartney e Lennnon para a composição das letras, “Something” revelou um artista genial.

Martin Scorsese nos brinda com mais um excelente documentário. Indo da explosão da Beatlemania, seus efeitos nos integrantes e a consequente dissolução da banda. Mas é ao abordar à fase solo do artista que o longa ganha sua energia. O documentário parece mesmo interessado em nos revelar o caráter espiritual de George Harrison e a forma como o hinduísmo modificou sua vida e carreira. Das viagens de ácido à meditação, sua parceria com o indiano Ravi Shankar e os questionamentos a respeito da fé, são detalhados em entrevistas e imagens de arquivo, onde jornalistas questionam essa devoção. É curioso ver quando anos depois em sua colaboração com o grupo de comédia britânico Monty Python, ele produz “A Vida de Brian”, sátira religiosa que gerou desavença com grupos católicos mais fervorosos.

Recheado com entrevistas e imagens de arquivo, o documentário ainda traz passagens importantes, como gravação de “All Things Must Pass” em 1970, seu lendário álbum triplo com a colaboração com o produtor Phill Spector, O concerto em Bangladesh e shows com o grupo The Traveling Wildburys (que contava com ninguém menos que Bob Dylan e Roy Orbison) Mas nada tão angustiante como o relato surpreendente de quando um homem invadiu sua casa em 1999, ferindo ele e sua esposa Olivia. Aquela violência e a proximidade com a morte fazem o artista repensar a vida.

Não é de estranhar portanto que o maior medo do “Beatle quieto” fosse com a forma como iria fazer a transição. Em Berlim, antes da fama, quando o grupo conhece os artistas Klaus Voorman e Astrid Kirchherr (passagem essa retratada no filme “Backbeat – Os Cinco Rapazes de Liverpool”) a fotografa diz que através da foto que tirou de George num momento de luto pela morte repentina de Stu Sutcliffe, outrora baixista dos Beatles, conseguiu captar um momento de iluminação do rapaz. Não obstante em seu leito de morte, a esposa de Harrison, Olivia, revela que o quarto se iluminou com a passagem do marido. E foi essa luz que George Harrison deixou conosco em suas letras e riffs geniais.


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