Uma entrevista pré-quarentena com os londrinos do cinemático Chernobyl Sunshine Club

Uma entrevista pré-quarentena com os londrinos do cinemático Chernobyl Sunshine Club

16 de abril de 2020 0 Por João Pedro Ramos

A banda de Londres Chernobyl Sunshine Club foi entrevistada um pouco antes do mundo mudar, de tudo virar de cabeça pra baixo e de todos ficarem confinados em suas casas para tentar manter-se longe do temido coronavírus. Ou seja: provavelmente, os planos futuros da banda foram adiados.  Talvez isso até ajude na produção de novos sons, já que algumas das inspirações para seu som “cinemático” são trilhas sonoras de filmes e games, criando um alt folk com um pouco de indie e influências de rock, metal, jazz e até música clássica.

Formada em 2016, a banda gravou seu primeiro single, “When Death Was A Boy”, em 2017, seguida por “Pelagius”, em 2018, que ganhou elogios de Tom Robinson na BBC 6, entre outros. Os três singles seguintes, “Birthdayland”, “Crayons” e “Vultures”, mostram como a evolução do grupo aconteceu: no som dá pra ouvir ecos de ​Beck, Elbow, The National, The Flaming Lips e Arcade Fire,​ por exemplo, incluindo aí um pouco da esquisitice e criatividade dos artistas citados. Conversei um pouco com a banda:

– Como a banda começou?
Frank: Começamos como um projeto de duo folk para tocar noites de open mic em Londres com músicas que sobraram da minha banda antiga, Bury Me Low. Conforme desenvolvemos nosso som, percebemos que tínhamos que recrutar músicos com idéias semelhantes e cresceu a partir daí.

– Como vocês criaram o nome e o que isso significa para vocês?
Frank: Havia um lugar perto de onde eu cresci chamado The Sunshine Club, era uma colônia nudista para as pessoas mais velhas jogarem vôlei e tênis nuas. Eu pensei que este era um nome legal, mas tentei pensar em um local completamente inapropriado para uma colônia de nudistas. Chernobyl parecia uma boa escolha, e é uma palavra muito legal.

– Você declararam que se inspiram nas trilhas sonoras de videogames e filmes. Quais jogos e filmes você diria que te inspiraram mais?
Frank: Eu realmente gosto de partituras muito dramáticas, como The Legend of Zelda e The Elder Scrolls, mas acho que a trilha de videogame que me deu a maior inspiração desde o início foi o Crash Bandicoot original do PlayStation. Tentamos capturar parte do drama cinematográfico de grandes trilhas sonoras como “The Good, The Bad, The Ugly” e “The Godfather”, essas enormes e épicas paisagens sonoras são fascinantes e têm as melhores idéias.

– E quais bandas você diria que inspiraram seu som?
Frank: Tentamos incorporar elementos de diferentes gêneros, os mais inspiradores são as bandas que criam ótimas atmosferas, como Fleet Foxes, Radiohead, Joy Division, Korn e Massive Attack, para citar alguns.

– Contem mais sobre o material que você lançou até agora.
Frank: Até agora, lançamos 5 singles, nossos dois primeiros (“When Death Was a Boy” e “Pelagius”) foram gravados com uma abordagem mais Lo-Fi, os dois têm um som do tipo Spaghetti Western. “When Death Was a Boy” foi adicionado a muitas playlists diferentes do Spotify, principalmente playlists de Halloween. “Pelagius” foi o nosso primeiro gostinho do airplay nacional, foi jogado na BBC6 aqui no Reino Unido. Os singles seguintes, “Birthdayland”, “Crayons” e “Vultures” são mais uma expansão do nosso som. Tivemos mais tempo com eles e conseguimos refinar as coisas e mexer com diferentes texturas, isso realmente nos ajudou a explorar novas idéias.

– Como você definiria o som da banda para alguém que nunca ouviu?
Will: “Cinemática” é uma palavra que aparece em muitas críticas que tivemos e que dá uma boa ideia, mas
muitas das nossas coisas ainda são muito folclóricas como essência. É uma mistura estranha, mas nos deu uma identidade real no som.

– Como está a cena underground hoje em Londres?
Will: Esperemos que esteja melhorando. Desde que estivemos aqui, sempre houve música ao vivo todas as noites em
diferentes partes da cidade e existem algumas bandas realmente ótimas, mas muitos locais independentes
têm sofrido, o que significava que os que não estavam fechando estavam cobrando altos preços de entrada. Para bandas que começam, pode ser realmente difícil atrair uma multidão. Tivemos notícias recentes dizendo que foram diminuídas as taxas, e com isso esperamos ver algumas mudanças e as coisas melhorando. Vou mencionar a promotora de shows The Soft Machine. Eles organizam noites regulares em Camden com ótimos line-ups e a entrada é sempre gratuita, então, siga-os no Facebook, se você estiver procurando a verdadeira cena musical underground de Londres.

– Quais são os próximos passos?
[Nota: a entrevista foi realizada antes do surto do COVID-19]
Will:
A próxima coisa que planejamos são alguns vídeos de sessões ao vivo nos estúdios da Animal Farm, em
Bermondsey. Eles são um pouco mais crus e mostrarão um lado um pouco diferente do que podemos fazer. Entramos no estúdio no início de março, então fique de olho em nossas redes sociais.

– Recomende bandas independentes e underground que chamaram sua atenção ultimamente!
Will: Pessoalmente, eu curto The Void. Eles são de Paris originalmente, mas estão em Londres há alguns
anos agora, eles fazem um puta show ao vivo. Também tem uma banda chamada Sun Bloom, fizemos
um show com eles no ano passado e eles foram ótimos.

Ouça: