Um passeio pelos dois primeiros dias do Oxigênio Festival 2019

Um passeio pelos dois primeiros dias do Oxigênio Festival 2019

26 de setembro de 2019 0 Por João Vitor Silva

A edição 2019 do Oxigênio Festival ocorreu entre os dias 12 e 15 de setembro e contou com nomes já consagrados rock nacional e com diversas bandas do cenário underground. O evento teve dois palcos e os shows aconteciam simultaneamente, o que acabou fazendo o público ter que optar entre eles, dessa forma, muitas bandas menos conhecidas acabaram tocando para um público pequeno. Um exemplo foi no segundo dia: quando o Glória entrou no  palco, pouco a pouco o público foi esvaziando o show da banda Nervosa. Infelizmente, são coisas difíceis de se evitar em festivais.

O primeiro dia foi o mais curto, o palco principal contou com apenas quatro atrações. A primeira delas foram os caiçaras do Bayside Kings, que já começaram com tudo. Trazendo seu fã-clube, que ajudou a animar o público que não conhecia o som hardcore dos caras, a banda fez um dos melhores shows que eu acompanhei no festival. O vocalista, Milton Aguiar, mostrou uma grande performance, fazendo o show inteiro fora do palco, pulando e agitando junto com o público.

Bayside Kings – foto por Rodrigo Polo

Bayside Kings – foto por Rodrigo Polo

Bayside Kings – foto por Rodrigo Polo

Bayside Kings – foto por Rodrigo Polo

Bayside Kings – foto por Rodrigo Polo

Bayside Kings – foto por Rodrigo Polo

Depois da canseira que o Bayside colocou no público foi a vez do Sugar Kane subir no palco. Era mais uma banda desconhecida para mim e gostei bastante do som dos caras, que fazem um punk rock de qualidade. Em questão de intensidade o Sugar Kane perdeu pro Bayside, mas os caras seguraram bem a público que conheciam bem as músicas da banda. Inclusive, haviam muitas pessoas com camisas e fazendo um belo coro em alguns sons.

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Sugar Kane – foto por Rodrigo Polo

Com o fim do show do Sugar, aguardei a atração principal: Dead Fish. Tudo bem que a última banda a se apresentar foi o CPM 22 e que eles têm músicas mais conhecidas pelo grande público. Mas estava bem nítido que a grande maioria ali estava ansiosa mesmo para ver o Dead Fish. E aos sempre presentes gritos de “Ei Dead Fish, vai tomar no c#”, a banda entrou no palco e fez, de longe, o melhor show do festival. Rodrigo Lima estava, como sempre, muito elétrico no palco e a banda fez questão de tocar na íntegra o álbum mais recente, Ponto Cego”, lançado em maio deste ano. Os antigos sucessos também foram cantados, o que levou a galera a loucura, levando até a um coringa sim, o do Batman — subir no palco e cantar com os caras.

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Dead Fish – foto por Rodrigo Polo

Para fechar a noite o CPM 22 fez um show legal. Não foi nada extraordinário, já tive a oportunidade de ver a banda ao vivo em outra oportunidade e foi bem padrão. Eles subiram, cantaram, a galera agitou nas músicas mais conhecidas, destaque para “Não Sei Viver Sem Ter Você” e “Regina Let’s Go”. Infelizmente, optei por sair na antepenúltima música e não vi o fim do show e muita gente fez o mesmo. Já estava bem tarde e o transporte público não funcionava, então a galera preferiu sair antes para evitar as altas taxas de Uber. Ponto negativo. 

CPM 22 – foto por Eduardo Costa (besouros.net)

O segunda começou com a banda The Mönic tocando no palco principal. Era mais uma banda desconhecida pra mim e acabei gostando do que ouvi. As meninas – são quatro mulheres na banda- fazem um som que lembra as bandas do início dos anos 90. Músicas agressivas com riffs marcantes é das características da banda e o show conseguiu segurar bem a onda do público para atração que viria logo em seguida.

The Mönic – foto por Dayane Mello (Besouros.net)

Na sequência quem se apresentou foi a consagrada Ratos de Porão. Sem João Gordo, que segue se recuperando de problemas de saúde, a banda se apresentou em trio com o guitarrista Jão assumindo os vocais, mas mesmo assim não decepcionou. Bastante gente chegou cedo para acompanhar a apresentação da banda, que além de várias palavras de protesto, aproveitaram para promover uma campanha solidária, que busca doações para famílias que ficaram desabrigadas após incêndio em uma comunidade de São Paulo.

Ratos de Porão – Foto por Dayane Mello (Besouros.net)

Depois do show muito agitado do Ratos, fui conhecer uma banda que estava me chamando a atenção desde a fila. Vi bastante gente com as camisas do Zumbis do Espaço, banda que eu não conhecia e que além do nome curioso, também possuíam estampas com figuras satânicas e outras monstruosidades.

Os Zumbis se apresentaram no palco secundário, e foi um dos poucos shows que acompanhei lá. Quando os caras entraram no palco, me surpreendi de primeira. Velhos barbudos no melhor estilo gangue de motoqueiro, que começaram a cantar músicas sobre monstros, bebedeira, brigas e tudo que caracteriza o que eu chamo de “rock de tiozão”. O show foi bem animado, com os fãs cantando em coro quase todos os refrões, nessa hora bateu até um pouco de tristeza por nunca ter ouvido eles antes.

Na sequência, no palco principal, foi a vez do Glória de apresentar. Conhecida há um bom tempo do público, os caras vieram com a premissa de divulgar o álbum mais novo que saiu esse ano. Um fato que chamou a atenção foi o do vocalista, Mi Vieira, estar fazendo o primeiro show 100% sóbrio em vários anos. Em cima do palco, eles conseguiram prender bastante a atenção do público, que a essa hora já lotava a área do palco principal, e fazer coro com as músicas mais famosas.

Glória – Foto por Dayane Mello (Besouros.net)

Continuando no palco principal, o show seguinte foi o do Pense. Mais uma surpresa muito agradável. O som pesado, quase sempre gritado e com letras muito boas, foi uma das melhores coisas que escutei naquele dia. Inclusive o show deles foi, na minha opinião, bem melhor do que de outras bandas consideradas maiores e com certeza o melhor daquele dia.

Pense – Foto por Dayane Mello (Besouros.net)

Depois desse show que começou o vacilo do festival. A grande maioria das bandas que se apresentaram flutuavam entre o hardcore, metalcore, punk e esses estilos mais pesados, e para finalizar o dia eles colocam uma banda de reggae. Nada contra o som da Big Up – banda que se apresentou logo após o Glória no palco principal – mas colocar uma banda de reggae no meio de um som mais pesado é meio desanimador para o público, principalmente para quem não conhece eles. Você sai de um bate cabeça, muitas vezes esperando para ouvir outro som pesado e aí colocam uma banda de reggae, um pouco broxante.

Mas o cronograma já premeditava essa “queda” no ritmo. Supercombo e Braza fecharam o dia, e confesso que não consegui assistir o shows, preferi ir embora para a casa enquanto o metrô ainda tava aberto. Mas repito, não acho que o problema sejam as bandas, mas sim de terem selecionado mal os dias e horários para eles tocarem.

Infelizmente, tivemos alguns problemas e não conseguimos cobrir o terceiro dia de festival. Mas o que foi passado pela produção foi que teve uma queda de energia enquanto o Strike cantava sua última música. O gerador e vários aparelhos de som ficaram drasticamente comprometidos, o que levou ao cancelamento dos shows que viriam a seguir. Para compensar, a banda Francisco El Hombre realizou um show acústico, ali mesmo, na pista do palco, muito bem aceito pelo público. Já a Far From Alaska realizou um show extra no dia 22 (o domingo seguinte) para aqueles que compraram o ingresso pro festival. Que venha o Oxigênio Festival 2020!