Um panorama in loco da SIM São Paulo – Semana Internacional da Música 2016

SIM São Paulo 2016
A entrada da SIM São Paulo 2016
por Lucas Lerina

Rolou na ultima semana em São Paulo a SIM – Semana internacional da Música e eu, Lerina, baixista da Der Baum (e às vezes bacana), fui dar uma conferida no que rolou por lá para o Crush em Hi-Fi e trazer um pouco da minha experiência no olho do furacão!

No primeiro dia de palestras caí direto em uma fila animada com muitos rostos conhecidos e logo depois do credenciamento, parti para o meu primeiro painel, que tratava da “Música na Televisão Brasileira”. A mesa contava com produtores de programas de televisão (Rodrigo LariúPlay Tv; Caio CorsaletteMTV, VH1; Cris Lobo e Mariana AmarisAltas Horas).

SIM - A Música na TV Brasileira
e o povo não parava de entrar e sair.

Nessa mesa notei, logo de cara, uma das coisas que mais me incomodou nos três dias em que eu participei dos paineis: A quantidade de pessoas entrando e saindo o tempo todo. Sei que às vezes é difícil por ser tanta coisa ao mesmo tempo, e muitos jornalistas estavam tentando cobrir o máximo possível, mas era horrível a cara dos palestrantes quando alguém no meio da platéia levantava (daquelas cadeiras pouco barulhentas, diga-se de passagem) pra sair.

Maaaas, tirando isso, Rodrigo Lariú, produtor de conteúdo da Play TV, deu a letra sobre a Lei de Conteúdo Brasileiro (que determina que um determinado numero de conteúdo transmitido na rede fechada seja de produção nacional) dizendo que ela também vale para videoclipes, ou seja, se você tem uma banda e a empresa ou a pessoa que fez o videoclipe pra você regularizar este vídeo pelo certificado da ANCINE, o seu vídeo vira um produto muito mais fácil de ter um espaço a mídia. (Lembrando que para passar em outros programas, este mesmo requisito é necessário para poder receber em cima) #FICAADICA

O próprio Rodrigo elaborou um manual de como regularizar tudo, e deixou claro que quem quiser ter mais informações pode mandar um email pra ele: [email protected]

Em meio a isso, rolaram muitas outras mesas ao mesmo tempo e foi uma das coisas que no sabádo rolou bem melhor, com menos palestras, deixando espaço pra acompanhar melhor até os showcases. Acho que a quantidade de mesas ao mesmo tempo na quinta e na sexta se fez necessária pela agenda dos palestrantes, o que é uma pena.

Mas lá fui eu correndo pra mais um assunto que me interessava,”Minha Música na Novela”. Muitas pessoas perguntaram qual o segredo para se ter uma música na novela, e Marcel Klemm falou muito sobre a canção combinar com a narrativa, maaaas, fica pra você amigo leitor, decidir o que você acha. Eu tenho minhas dúvidas, mas se vocês quiserem tentar a sorte, o cara falou que ouve tudo com uma equipe de pessoas qualificadas e liberou esse email pra quem quiser entrar em contato com material: [email protected] (lembrando que a fila dos CDs entregues na SIM foram pra pilha de janeiro do cara, então pode esperar tranquilo.)

Ufa. Momento para respirar e desanuviar. Circulando pelos estandes conheci um pouco mais sobre os trabalhos da Tratore, Kiwi, CdBaby, Altafonte, Playax, UBC, Hearts Bleed Blue, Ponto4, entre outros. Vou só deixar o registrar para quem tiver interesse em conhecer um pouco mais dessas empresas. E segue o baile: Fingerfingerrr!

Apesar da Sala Adoniran Barbosa estar começando a esquentar ainda com pessoas meio que sem entender o que estava acontecendo, os caras da Fingerfingerrr mandaram ver no set de 20 minutos (infelizmente curto, mas que possibilitou a quantidade grande de bandas no showcase). Os caras estavam elegantérrimos, e não pararam um segundo. A Fernanda e o Ian (Der Baum) e o Jairo (Autoramas) estavam lá e não me deixam mentir. Em seguida, metendo o pé na porta, Deb and the Mentals. Caralho, recuperei as forças e me fui de novo para as mesas.

Show SIM São Paulo
Showcases curtos, mas imperdíveis.

“Prepare-se para conectar-se com a Argentina em 2017”, era o que dizia o titulo da mesa, mas o que eu senti é que os nossos hermanos querem muito mais vir pra cá do que realmente levar alguém. Inclusive o que se mostrou foi a criação do fundo argentino, que ajuda o músico (argentino) a comprar um instrumento, alugar um ônibus e partir para uma “gira”, o que deixou o recado: – “Galera, me convida que eu quero tocar.”. Soube de fontes seguras que o Uruguai é mais rock’n’roll, mas que a Argentina circula bem pelo centro também. Mais uma dica recomendada, é de que quem tiver interesse ou conhecer bandas para fazer esse intercâmbio, o consulado da Argentina no Brasil da todo o apoio, e o Marcus do Departamento de Cultura está a disposição.

Pra encerrar meu dia, parti para o meu território. “A Nova Força do Mercado Musical no RS”. O produtor Marcelo Fruet apresentou um pouco sua empresa, a Fruet Music, junto com som o pessoal da Marquise 51, mostrando que o RS está olhando pra frente nas questões musicas e saindo do mercado fechado que vinha mantendo a longa data. Também apresentaram uma parceria que estão desenvolvendo com o SEBRAE de um modelo de negócios baseado em economia criativa. A representante do SEBRAE disse que este modelo que busca o capital intelectual ainda está em fase de testes, mas que logo se expandirá para as demais regiões.

Fuet Music

Segundo dia de SIM, muitas palestras, muitas coisas para ver, mas logo de cara sou recebido pela galera do Pedro Pastoriz montando tudo pra tocar. “Óbvio que eu vou ver isso!”. Confesso que nunca tinha visto a banda, e tinha escutado só duas músicas, mas juro que tô até agora cantando “Restaurante Lotus”! Pra mim, um clássico instantâneo!

Sai meio desnorteado dessa apresentação, mas, Vamos à luta. Aproveitei o tempo, já que as palestras estavam rolando e fui fazer um “connect” na área de Networking e Business. Fiz o meu merch também, é claro!
Teve um determinado momento em que eu acabei ficando meio confuso, não sabia ao certo que palestra estava acontecendo em qual lugar, deixo a dica de mais telas para visualização do cronograma, já que estamos lá por estas palestras, e então acabei caindo na palestra sobre “Incubadoras e Aceleradoras de Música”.

Daniel Domingues começou explicando sobre o aplicativo lançado no RJ que funciona como um LinkedIn, mas que reúne músicos, garçons e prestadores de serviços de casas noturnas, operador de mesa de som, e com um mapa mostrando produtoras e casas noturnas. Achei genial; Anderson Foca contou um pouco de como foi a experiência de criar uma cena em Natal e hoje ser responsável por um dos maiores festivais da música no Brasil, explicando a força do lúdico que ajuda muito a continuar o festival; Luciano Balem ensinou que trabalha com música das 8h ás 19h, concentrado em editais, criação de projetos, e desenvolvendo linhas de contato com bandas e empresas para desenvolver seus festivais em Caxias do Sul; Fábio Predroza, ex-baixista do Móveis Coloniais de Acaju, trabalha na Circula e contou que esse projeto foi baseado nas reuniões de “Ajuda de Bandas” promovidas em DF quando estavam todos perdidos do que fazer, e notaram que as bandas não tinham o minimo pra poder seguir tralhando como fotos descentes e release; e por ultimo mas não menos importante, Thiago Lobão da empresa Acelerarte, que eu recomendo muito que vocês que têm interesse como banda de conseguir gerar uma renda, a procurar saber mais sobre, senão vou me estender muito.

SIM São Paulo

Depois de muito business, precisei de um pouco de carinho, e fui num encontro de amantes, os amantes do vinil! Queria deixar registrado que eu queria ter visto Yangos, e infelizmente não vi, mas quem tiver interesse manda um Google neles!

Por último nesse dia fui dar uma conferida na comitiva canadense pra saber o que eles tinha a nos dizer. Basicamente disseram: “Se você não tem dinheiro para fazer duas viagens, não vá a primeira vez”; “Se você fizer sucesso em Quebec, não fará no resto do Canadá, se você for tentar o resto do Canadá, não vá para Quebec” e por ultimo e não menos importante “No México eles são muito mais receptivos”.

“EU SOU MARIA BETHÂNIA, VALEU!” – Rodrigo Damati (Maglore) – E assim se foi mais um dia de SIM…

Depois de pirar na noite, sábado voltei já batendo cabelo na mesa de “Liberdade de Gênero na Música”. E cara, foi uma aula. Essas mina sabem o que fazem. Liniker, em certo momento, quando questionada da dificuldade de espaço na música no Brasil, falou “(…) Tem que segurar a onda pra não morrer no começo, música é um negócio muito estratégico”. Raquel Virginia completou: – “Rola muito o medo de me boicotarem, não deixo passar muita coisa, mas isso faz com que eu passe de arrogante e é uma dinâmica difícil…Quanto mais você quer que as coias funcionem do seu jeito, mais difícil fica”. E Jaloo encerrou o assunto dizendo: “Se um dia eu perder a mídia, vou continuar ligando meu computador, gravando minhas musiquinhas e pondo no soundcloud, quem quer que escute, BEIJOS!”.

SIM São Paulo

Sábado consegui lidar bem melhor com as palestras e os showcases, como já tinha comentado, e pude assistir shows do Tagore e do Ventre, que estavam lindos demais! Vou deixar aqui registrado que adoro Tagore!
Acabei encerrando minhas atividades na SIM aprendendo um pouco sobre composição com Frank Jorge e Tatá Aeroplano! Muito tranquilos e calorosos, os dois falavam tranquilamente com uma platéia de poucos sortudos, e ao final desta mesa agradeci muito ao Frank, pois sem ele eu não teria aprendido a tocar contrabaixo (e não estaria aqui e tals). #CHORAMOSABRAÇADOS

Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3
Tatá Aeroplano e Frank Jorge <3

Pois bem, o que eu pude acompanhar nesses dias foi uma quantidade muito pequena das diversas classes de músicos representadas. Muito se falou da aproximação do músico independente com as plataformas mais acessíveis, mas pra quem é essa acessibilidade? A abertura desse evento devia ser muito maior, já que em todas as mesas foi debatido a dificuldade do músico de ter uma renda, provavelmente essas mesas seriam de excelente ajuda a muitos músicos que não tem condições de participar de eventos desse valor. Outra coisa que me pegou foi a coisa de achar que um fundo público é necessário para incentivar o artista (debatido na mesa “Minha Carreira no Exterior”) , mas eu, do fundo do meu coração, acredito que a cultura da população tem que mudar, e principalmente a visão em relação ao músico, começar a ser visto como trabalho. “O Brasil sofre da cultura de uma face” como Marcel Klemm citou, e isso ajuda a desestabilizar todo o resto. Outra coisa bastante comentada foi o CD físico em relação ao streaming e eu vou usar as palavras do Fábio Pedroza, que eu acho que foram bem assertivas sobre o assunto: – “(…) A nossa venda digital nunca foi maior do que a venda de discos, e em todos esses anos a gente fez mais dinheiro no fim do show, com discos físicos e camisetas, então streaming é realidade pra quem?”

No mais, espero que essa SIM  tenha sido a primeira de muitas pra mim, pois aprendi muita cosa realmente valiosa lá, e encontrei várias pessoas que eu adoro pelos corredores do CCSP!


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