Um biscoito da sorte foi a faísca do disco “Good Fortune”, do trio The Forty Nineteens

Um biscoito da sorte foi a faísca do disco “Good Fortune”, do trio The Forty Nineteens

4 de dezembro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Um verdadeiro liquidificador que mistura Dramarama, Elvis Costello, Smithereens e Iggy and the Stooges. Este é o The Forty Nineteens, da California, que lançou recentemente seu disco “Good Fortune”, produzido por David Newton do Mighty Lemon Drops, praticamente um membro não-oficial da banda.

Formada por John (vocais), Chuck (guitarra e vocais) e Nick (bateria e vocais), a banda começou sua carreira lançando “No Expiration Date” em 2012, seguido por “Spin It” em 2014 e finalmente “Rebooted” em 2016. A música “I’m Free”, deste último, chegou a ser nomeada a “Música Mais Legal do Mundo” pelo programa de rádio Little Steven’s Underground Garage. Agora, a banda prepare-se para uma turnê em apoio ao lançamento de “Good Fortune” e sonha em vir ao Brasil. “Nos falem mais sobre agentes de ou promotores para irmos atrás!”, falou Nick, com quem conversei um pouco.

– Como você começou sua carreira?
Eu comecei a tocar bateria com 14 anos, depois de assistir bandas tocarem na minha comunidade local em dias de piquenique. Polka, country, rock’n’roll. Fui atraído pela bateria e me sentava atrás dos bateristas observando como eles se apresentavam. Com 10 a 12 anos, juntei-me à banda do ensino médio e aprendi o controle do pescoço e leitura da vista. Nosso professor era o irmão de Henry Mancini. Ele foi paciente e fez com que a música fosse divertida. Nós só tocávamos em almofadas de prática, então, infelizmente, fiquei entediado e encerrei a banda. Dois anos depois, veio a coceira novamente e comprei uma bateria de baixo custo. Eu tocava 3 horas por dia, sete dias por semana. Mamãe e papai saíam de casa por uma hora ou duas para eu poder praticar. Minha família era muito solidária, e também músicos. Papai tocava gaita e bateria, minha mãe e meu irmão tocaram guitarra, minha irmã tocava violão. A música sempre estava em volta da casa. Meu cachorro acabou se acalmando depois de alguns meses e me observava praticar. Aparentemente, me tornei um baterista melhor, e comecei a tocar com bandas pela cidade. Uma coisa levou a outra e me mudei para Los Angeles para começar minha carreira musical.

– Como surgiu o nome The Forty Nineteens?
O vocalista John e o Chuck trabalham no campo legal, e 4019 é o código legal da Califórnia para créditos de bom comportamento. Exemplo: digamos que alguém está cumprindo uma pena de 6 meses por fazer bebidas ilegamente, você recebe um dia de folga em sua sentença por todos os dias que você fica sem problemas. É o nosso lema. “Todo mundo merece algum tempo por bom comportamento”.

– Quais são as maiores influências da banda?
O John curte Graham Parker, The Beatles, The Romantics. Já o Chuck gosta de bandas californianas de punk como Social Distortion. Eu gosto de The Who, rock’n’roll dos 1950s e garage rock.

– Me contem um pouco mais sobre “Good Fortune”.
John estava comendo em um restaurante chinês e seu biscoito da sorte dizia “seu talento musical será exibido em breve”. Com uma mensagem tão positiva, ele sugeriu que “Good Fortune” fosse o título do novo disco. Nós concordamos. A banda não é política, mas promovemos a positividade com nossas músicas e perspectivas em geral. Você não pode esperar que as pessoas mudem, mas você tem a capacidade de se mudar para melhor. Como sugere a faixa 7, “se você deixar amor, o amor ganhará”. O disco tem sido tocando por Genya Ravan e Rodney Bingenheimer na Little Steven’s Underground Garage Sirius XM e no programa de Bill Kelly na WFMU Jersey City.

– E o que vocês já tinham lançado antes desse trabalho, como foi?
Todos os nossos discos foram produzidos por David Newton, do The Mighty Lemon Drops. Ele é um ótimo produtor/engenheiro, além de um grande cara. Ele nos ajuda tremendamente. No ano passado, lançamos “Rebooted”, com 12 músicas que entraram nas paradas das college radios e nas rádios comerciais. Little Steven’s Undergound Garage escolheu “I’m Free” como “Música Mais Legal do Mundo” na semana de 3 de junho de 2016. Nós tocamos no Yankee Stadium neste ano e nos divertimos muito. Em 2014 lançamos “Spin It”, com 8 faixas que também tocaram nas rádios. “No Expiration Date”, de 2012, tem 11 faixas. Este disco é o que fez a bola rolar para nós. Foi nossa primeira gravação com Dave Newton, e também nosso tecladista Kevin McCourt. Ele fez turnês com Stevie Wonder, entre outros. Paul du Greis fez a masterização dos discos. Ele começou sua carreira trabalhando com X, Bruce Springsteen, The Blasters e muitos outros artistas de destaque. Nós sempre estivemos com ele.

– Como é seu processo de composição?
John geralmente vem com os riffs ou ideias de música. Eu costumo levar as músicas e organizá-las. Chuck também acrescenta muito. Nós descobrimos acordes ou arranjos juntos também. Depende apenas de quando a idéia flui. Todos nós tentamos fazemos o melhor que podemos. Dave traz seus muitos anos de experiência e nos oferece essa experiência de uma forma muito fácil e divertida. Nós adoramos gravar com ele, e estamos ansiosos para o próximo projeto.

– O que você acha da a cena musical independente hoje em dia?
As bandas têm ferramentas incríveis disponíveis para a sua criação de música, promoção e outros. A(s) cena(s) são brilhantes. Eu, por exemplo, curto muito os sons indie que saem de Cleveland. Muitas grandes bandas, que espero que sejam ouvidas fora de Cleveland.

– Qual é a sua opinião sobre a era de streaming em que vivemos?
Eu gosto. No passado, fazíamos mixtapes e passávamos para amigos ou vice-versa. Agora você pode chegar ao mundo e ouvir mil bandas diferentes em apenas um dia, se você tiver tempo. É muito legal isso!

– Descreva um show do Forty Nineteens para alguém que nunca viu. Talvez possamos nos ver no Brasil algum dia?
Aprendemos a fazer shows abrindo para bandas como Red Hot Chili Peppers, Bash and Pop, The Blasters, Beat Farmers e muitos outros. Nós tentamos mostrar esse espírito de curtição em nossos shows. A vida é muito curta para se preocupar com as coisas em um show de rock. Só queremos que todos se divirtam, dancem e esqueçam um pouco do mundo. Gostaríamos de apresentar no Brasil, nos falem sobre agentes de ou promotores para irmos atrás. Nós tocamos no Double Nueve no Peru também, então espero que possamos chegar ao seu lindo país! Esperamos em um futuro muito próximo, obrigado por perguntar!

– Quais são os seus próximos passos musicais?
A banda está nos estágios iniciais de escrever o próximo disco. Nós também planejamos fazer uma turnê de nosso novo álbum, e estamos nos preparando para estar em fevereiro para a costa oeste, e abril para o leste dos Estados Unidos e, possivelmente, o Brasil!

– Recomende algumas bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção ultimamente.
Eu realmente gosto de uma banda de Pittsburgh chamada The Gothees. Eles são um cruzamento entre The Monkees e Joy Division. Vão atrás de ouvir.