Trio de Sorocaba Eugênio faz trilogia de EPs sobre dor, superação e fuga

Trio de Sorocaba Eugênio faz trilogia de EPs sobre dor, superação e fuga

26 de fevereiro de 2019 0 Por João Pedro Ramos

Formada por Paulo Lins (guitarra, baixo, voz, samplers), Sthé Caroline (guitarra, bateria, voz) e Murilo Shoji (bateria, baixo, voz, samplers, ukulele, trombone), a banda de Sorocaba Eugênio lançou recentemente o primeiro de uma trilogia de EPs que tratarão de temas como dor, perda e superação. O álbum “Um Pouquinho de Nada” é composto por 5 músicas que focam em tratar a dor em todos os seus formatos, seja emocional, física, passional ou cognitiva. Gravado ao vivo no Teras Records (Sorocaba, SP) por Tony Salga e produzido pela própria banda, o trabalho mostra um pouco do que esperar do Eugênio, com um som que mistura o indie rock, a MPB, a psicodelia e o experimentalismo. “Se fosse pra definir, diria talvez uma psicodelia meio noise com influências brasileiras e uma salada de indie rock com pop”, conta Murilo.

– Como surgiu a banda?

Paulo: A banda surgiu em 2017, em abril, quando eu (também membro do Mezatrio), montei uma banda com Sthé Caroline, que tocava na Filhos de Marte com o Murilo Shoji. O trio se encontrou para uma jam, o santo bateu e nasceu a Eugênio!

– E porque esse nome?

Paulo: Como a banda já nasceu com a ideia de montar uma trilogia sobre dor, reflexão e superação, Eugênio soou legal, pois parece un nome sério, de alguém dando um conselho. Eugênio também significa “Eu + Gênio” = eu sou meu próprio gênio da lâmpada, sou dono dos meus desejos e realização deles.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Murilo: Bom, essa é uma pergunta complexa porque nunca foi uma preocupação muito grande nossa sentar e rotular o som que nós fazemos. O interessante é que todos nós temos influências muito distintas e isso influencia bastante no som. Como fazemos uma rotação de instrumentos (Sthé vem pra bateria e eu pra guitarra, ou o Paulo alterna entre guita e baixo) acaba que cada música tem suas peculiaridades. Mas se fosse pra definir, diria talvez uma psicodelia meio noise com influências brasileiras e uma salada de indie rock com pop.

– Quem vocês citariam como maiores influências musicais para a banda?

Paulo: Radiohead!

Sthé: Ventre!

Murilo: A ideia é ter essa agregação de referências mesmo hahahaha Mas acho que pra mim seria Bring Me The Horizon, pelo menos no momento.

– Me contem mais sobre o material que vocês já lançaram.

Paulo: Lançamos em janeiro o 1o EP da Trilogia, que se chama “Como Diria Eugênio: Um Pouquinho de Nada”; este primeiro trabalho foca em tratar a dor em todos os seus formatos, seja emocional, física, passional, cognitiva. Ele é composto por 5 músicas que divagam sobre este tema.

Paulo: O EP foi gravado em Sorocaba com o pessoal da Téras Records e está disponível em todas as plataformas web.

– Podem me contar mais sobre essas músicas e como cada uma fala sobre este tema?

Sthé: Então, complicado.. “Voar” foi feita no começo de um relacionamento a distância, a música diz muito desse apego ao sentimento, porém também diz muito sobre a insegurança de tipo “tô sentindo, meu Deus! O que acontece agora?”. “Vaza” diz sobre negação dentre de varias confusões emocionais, “Seguro” diz sobre a “dor” da entrega incondicional. “Gota” diz sobre a “dor” do desejo não alcançado. “Doce” fala sobre uma fase de aceitação, como que por exemplo, entregar uma canção para alguém fosse tão pesado quanto entregar todos os sentimentos de uma forma clara para dar certo o relacionamento.

– E o que podemos esperar dos próximos EPs?

Paulo: Os 2 próximos terão uma carga emocional muito forte e diretamente representada por um som mais pesado e complexo. Em junho devemos lançar o 2o EP que se chamará “Como Diria Eugênio: Longa História, Breves Fins”, que trata do reconhecimento dessa dor e o conflito entre a aceitação e o plano de fuga. Em outubro devemos lançar o 3o, que se chamará “Como Diria Eugênio: Enfim, Um Espelho Invisível Sou Eu”, que trata da superação, seja ela com ou sem final feliz.

– Como vocês veem a cena independente hoje em dia?

Sthé: Há um movimento ascendente em Sorocaba, com o advento das mídias sociais está mais fácil, porém, como há mais bandas há uma “competição” maior pro número baixo de lugares para tocar.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos

Paulo: Ventre, Guido, Ombu, My Magical Glowing Lens, Paula Cavalciuk, Marrakesh, Baleia, Terno Rei, Luneta Mágica, Medulla, Alderia, SadFuzz, Ventilas.