Thee Dirty Rats, o duo de garage rock que criou seus próprios instrumentos, lança seu segundo EP, “Perfect Tragedy”

Thee Dirty Rats, o duo de garage rock que criou seus próprios instrumentos, lança seu segundo EP, “Perfect Tragedy”

7 de outubro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O Thee Dirty Rats leva o esquema Do It Yourself do punk rock a sério. Afinal, Luis Tissot (voz e cigar box) e Fernando Hitman (bateria) são responsáveis pela construção (literal) de um de seus instrumentos, a cigar box que faz as vezes de guitarra e baixo nas canções de garage rock primitivo (“quase infantil”, segundo eles) do duo de São Paulo.

O sucessor do EP “Fine Art of Poisoning 1 & 2” (2015) já está saindo do forno. Se chama “Perfect Tragedy” e está disponível no formato digital e em 2016 em fita K7. Sim, você leu direito, fita K7.  “Vinil é perfeito, por mim faria tudo em vinil, mas ainda é caro produzir. Então, para uma banda como a nossa, o K7 é a mídia que faz mais sentido”, explica Luis. “A gente faz um som lo fi, não estamos nem aí pra alta definição e blá blá blá”.

Conversei com Luis sobre a carreira da dupla, a construção da cigar box, as vantagens do lançamento de uma fita K7 e a cena independente do rock no Brasil:

Como começou o Thee Dirty Rats?
Em 2014 eu e o Fernando começamos fazer uns sons juntos, mas não estávamos satisfeitos com os timbres da minha guitarra queríamos um som diferente, que tivesse a ver com as músicas que estávamos fazendo. Aí tentamos trocar a guitarra por um baixo e também não deu certo, então resolvemos tentar construir um instrumento que desse o som que a gente estava imaginando. Demorou uns 2 meses pra fazer uma espécie de cigar box e rolou, ficou exatamente como a gente queria. As músicas ficaram ótimas nesse instrumento e começamos a compor o primeiro EP, “Fine Art of Poisoning 1 & 2”, lançado em abril de 2015.

Me fala mais dessa cigar box. Como foi a construção dela?
É basicamente um pau com 3 cordas esticadas. Eu peguei uma caixa de madeira, coloquei um captador de um baixo quebrado Giannini que estava há anos encostado, o Fernando descolou um pedaço de janela que virou o braço e as tarrachas são de uma outra guitarra velha que eu tinha. Foi tudo reciclado, a única coisa que compramos foi um spray pra pintar. Deu um trabalho pra acertar, o projeto foi na base da tentativa e erro, algumas coisas a gente teve que improvisar e o projeto foi mudando conforme a gente ia vendo se funcionava ou não.

Quais são suas maiores influências musicais?
Eu e o Fernando tocamos desde 1998 juntos. A gente já teve algumas bandas de punk, garage e blues juntos, então tudo vem daí. O Dirty Rats flerta com o Garage 60’s back from the grave numa roupagem New Wave 80’s meio robótica. Tem bastante Devo, Buzzcocks, Gun Club… a gente tenta fazer músicas bem simples, curtas, quase infantil, baseada em um riff ou uma melodia de vocal apenas como um mini mantra de 1 minuto e meio.
Me conte um pouco mais sobre o EP “The Fine Art of Poisoning”.
São 7 músicas gravadas ao vivo sem overdubs em um gravador de fita cassete no Estúdio Caffeine em dezembro de 2014. A gente convidou um amigo nosso para fazer a captação ( Jonas Morbach) e eu mixei. Foi super simples fazer o EP, foi tudo em 2 ou 3 dias.
Thee Dirty Rats
E acabaram de lançar um novo, certo?
Sim, o EP com 8 sons chama “Perfect Tragedy” e saiu agora em outubro no formato virtual e a versão física em K7 em janeiro.
Porque as fitas K7 estão voltando? A nostalgia faz parte disso? Quais são as vantagens?
Acho que CD morreu, pelo menos os meus aparelhos morreram… Nenhum funciona mais. Vinil é perfeito, por mim faria tudo em vinil, mas ainda é caro produzir. Então, para uma banda como a nossa, o K7 é a mídia que faz mais sentido. É barata e colecionável. Na minha vitrola toca K7 e eu escuto as bandas dos meus amigos em K7 tb. A gente faz um som lo fi, não estamos nem aí pra alta definição e blá blá blá. Música é boa ou não, alta definição não ajuda a banda a ficar boa.

Você já esteve em diversos outros projetos musicais. Como cada um deles influenciou o Thee Dirty Rats?
O Dirty Rats é diferente musicalmente das outras bandas que eu toco ou já toquei. Acho que o que eu aprendi com as outras bandas foi como fazer uma banda existir no modo prático: gravar, lançar, fazer turnê, artes, divulgação. Várias das bandas que eu toquei eram duos ou até one man band, então eu aprendi a tocar com poucos instrumentos e tentar extrair o máximo do mínimo. O Dirty Rats segue essa ideia, são apenas 3 cordas e 3 peças de bateria.

Thee Dirty Rats

Quais são as maiores dificuldades e as maiores vantagens de ser uma banda independente?
Eu nunca fui uma banda mainstreain, só conheço o que é a minha realidade. Ser independente hoje em dia é o estado natural de 90% das bandas. Ou você faz você mesmo ou você não vai tocar, gravar, viajar… Além de fazer você mesmo, você tem que agregar outras pessoas e bandas que estejam na mesma onda que você. Nada se constrói sozinho, essa é a regra número um.

Quais casas de SP você recomendaria para quem tem banda autoral e quer tocar ou para quem curte sons novos e quer conhecer novos artistas?
Zapata, Hotel Tees, Sensorial Discos, Associação Cecilia, 74 Club (Santo André)

Como é o processo de composição de vocês?
Eu vou para o ensaio com algum riff ou uma melodia de voz e a partir daí o Fernando faz uma batida e tudo fica mais claro. A gente monta o som juntos, normalmente rola bem rápido.

Recomende algumas bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Melhor ainda se forem independentes!
Só vou citar bandas nacionais que tocam hoje: Bloody Mary Una Chica Band, Blackneedles, Vermes do Limbo, Sonora Scotch, Os Pontas, Post, Cadáver em Transe, Rakta, O Lendário Chucrobillyman, Chuck Violence, Golden Jivers, Dead Rocks, Gasolines, Bang Bang Babies, Mary O and the Pink Flamingos, Os Savages.

Ouça os EPs “The Fine Art of Poisoning” e “Perfect Tragedy” aqui: