“The Wall” (1982) – O mal estar da civilização numa perspectiva Floydiana

The Wall

Pink Floyd – The Wall
Lançamento: 1982
Diretor: Allan Parker
Roteiro: Roger Waters
Elenco Principal: Bob Geldof, Christine Hargreaves e James Laurenson

Antes de tudo, queria dizer que foi extremamente trabalhoso fazer esse texto. Além da minha conexão com o filme em questão ser muito forte, toda vez que punha Pink Floyd pra me inspirar, só entrava numa brisa intensa e absurdamente profunda (porque é isso que Pink Floyd faz). Foi ainda bastante desafiador fazer isso sem ficar muito intelectualóide, mas nisso já acho que não tive tanto sucesso… Enfim, fica aí o texto sobre o que é pra mim, a maior obra de todos os tempos. Valeu! Curtam aê!

Imagético, sensitivo e alucinado, o filme faz a partir do disco “The Wall” do Pink Floyd de 1979, uma grande reflexão sobre os muros que nos cercam (individual e socialmente) e suas construções numa perspectiva claustrofóbica que só soma mais tijolos no muro. Contando com o Bob Geldof (vocalista do Boomtown Rats) no papel do protagonista, o musical que é um amontoado de clipes, se constrói como sendo as alucinações dum músico famoso (Pink) em uma viagem lisérgica no seu quarto de hotel antes dum show, misturando lembranças de sua infância com as do seu casamento e paranoias de todo o tipo, criando imagens oníricas dignas das mais intensas interpretações freudianas. As animações do Gerald Scarfe que transfiguram os desenhos do artista, reforçam a potência sonhadora da obra além de darem uma baita ajuda na decodificação das alucinações do cara.

O álbum que inspira o filme é por si só já uma ópera (obviamente sem a parte visual). Bastante auto-biográfico e marcando, junto com o “Final Cut” de 83, o momento da banda de discos DO ROGER WATERS (o que, com razão, deixou os outros membros meio putos), o disco conta a história dum músico famoso que cresceu sem o pai morto na guerra, com uma super proteção da mãe, uma repressão bizarra na escola e por fim já em sua fase adulta, uma uma decadência em drogas que “faz parte do trabalho”.

Sobre o disco, ainda, vale ressaltar o trabalho do produtor e engenheiro de som Bob Ezrin, responsável pelas falas que acompanham as músicas, introduzindo-as e conectando-as, reforçando o caráter operesco do álbum.

Voltando à questão temática, o muro são milhares de muros. São os que construímos ao redor de nós mesmos, mas é também o muro de Berlim (o filme é de 82, a tensão pra queda já tava bem forte) são os muros impostos socialmente que dizem “estes aqui, aqueles ali”, são os muros feitos de carros de luxo que erguemos pra nos defender de nós mesmos (o filme trabalha durante toda sua extensão com a tensão que existe entre o eu e o cara do espelho) e ainda mais uma série de outros que eu ainda na décima vez em que assisto não percebi. O que vai ficando cada vez mais claro pra mim, são as maneiras como o Pink (o cantor personagem no filme) se desespera constantemente com os tijolos que o cercam e tenta quebrá-los em atos de loucura exacerbados e destrutivos (é necessário destruir a si mesmo pra destruir o muro?).

Is there anybody out there?

Esse tal desespero que é meio que a marca duma boa gama de músicas do grupo, e que é marcado sempre com os solos psicodélicos e as letras apocalípticas que indicam “dissociação de identidade”, aparece na “ópera” com os surtos do Bob Geldof pulando e quebrando tudo, xingando o mundo da janela do quarto.

O filme é ainda cheio de referências à banda, como o momento em que o professor lê a poesia escrita pelo Pink criança e a tal poesia é um trecho de money (“New car, caviar, four star daydream/ Think I’ll buy me a football team“). Também quando o cantor entra no banheiro do quarto, raspa a sobrancelha, corta curto o cabelo, raspa os pelos do peito e deixa sangrar umas gotas pelo corpo, é uma referência ao Syd Barrett (fundador do Pink Floyd) que uma vez abandonou um jantar, foi pra casa, raspou a cabeça e voltou ao jantar como se nada tivesse acontecido.

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:


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