The Shorts mostra suas “sexy tunes” cheias de atitude no EP “Serendipity” e trabalha em seu primeiro álbum

The Shorts

Formada em 2014 em Curitiba, The Shorts é uma banda que traz uma interessante mistura de noise, guitar, shoegaze, soul, punk rock e muito girl power, resultando em um som que a mesma define como “bluenoise and sexy tunes”. Letras em inglês, som competente e cheio de garra, vocal rasgado na medida certa. “Temos muitas influências, de todas as décadas e de todos os gêneros musicais, e também influências visuais e literárias que guiam inclusive as letras das músicas”, explicam.

Formado por Natasha Durski (vocal), Andreza Michel (baixo e backing vocal), Babi Age (bateria), Taís D’Albuquerque (guitarra e backing vocal) e Daniel K (guitarra), o grupo lançou seu primeiro EP, “Serendipity”, em agosto de 2015 e desde está na estrada, já tendo aberto shows para grandes nomes como As Mercenárias, Death, Mac DeMarco (no Festival Coisarada #1) e Unknown Mortal Orchestra (no Popload Gig). Em novembro do ano passado, lançaram seu primeiro videoclipe, “Happy Lies”, inteiramente produzido pela vocalista Natasha. Nesta semana a banda começa a trabalhar em seu primeiro disco completo, previsto para este ano.

Conversei com Natasha sobre a carreira da banda, o EP “Serendipity”, a relação com a banda irmã Uh La La! e o próximo disco:

– Como a banda começou?

A banda surgiu comigo e com a Andreza Michel (nossa baixista). A gente costuma se reunir bastante pra fazer umas jams e criar uns sons, tudo de maneira despretensiosa, pra diversão mesmo. Numa dessas eu mostrei umas músicas minhas pra Deza e ela curtiu. Começamos a desenvolvê-las e as tocamos com uma galera, até que surgiu a ideia de transformar essa brincadeira em uma banda. Nossa ideia a princípio era ser uma banda só de mulheres, mas com o tempo incluímos mais um guitarrista, o Daniel. Queríamos criar mais ambiências sonoras nas músicas e sentíamos que faltava alguma coisa. Como o Dani tinha visto todos os nossos shows antes dele entrar, achamos que seria a pessoa certa pra integrar a nossa gangue.

– De onde surgiu o nome The Shorts?

A gente tem mania de transformar umas brincadeiras despretensiosas em coisa séria. O nome da banda surgiu antes da banda. Estávamos indo pro Lollapalooza em 2014 e a Deza comentou que queria ir de shorts, porque tava muito calor. Eu entendi que ela tinha falado que queria ver “The Shorts” e perguntei que banda era essa, já que eu não conhecia. Dai ela me falou que ela queria ir DE SHORTS e não ver uma banda chamada The Shorts. E eu falei: “olha, bem que podia ser uma banda né”. Uns meses depois, quando a gente começou a ensaiar, resolvemos dar o nome da nossa banda imaginária pra banda real.

– A banda conta com membros de outra banda independente muito importante e reconhecida na cena, o Uh La La. Como as bandas se conectam musicalmente?

A Uh La La ! é nossa banda amiga e irmã. As duas bandas são projetos bem diferentes e com propostas diversas, mas acho que um bom ponto de conexão forte entre as duas bandas é o fato de que, em ambos os projetos, a Andreza Michel (nossa baixista) tem forte presença na composição, na métrica das músicas. É engraçado que o tom lúdico da Uh La La !, em contraponto com a melancolia presente nas melodias da The Shorts são guiadas pelos acordes maiores e menores. A gente faz quase tudo em acorde menor. No entanto, ambas as bandas tem uma pulsação comum, que reflete na energia que trazemos pro palco.

– Quais as maiores influências do The Shorts?

Temos muitas influências, de todas as décadas e de todos os gêneros musicais, e também influências visuais e literárias que guiam inclusive as letras das músicas. Como eu também sou artista visual, os trabalhos às vezes se entrelaçam e se conectam. É difícil falar por todo mundo, por cada um tem seu universo musical, mas temos bastante influência do Sonic Youth, Savages, PJ Harvey, Radiohead, Tame Impala, muito soul e blues, Pink Floyd, Brian Eno, David Bowie, Portishead, Amy Winehouse, L7, Blondie, Ty Segall, Iggy Pop, e da minha diva mor, Nina Simone. Tem mais um monte, mas essas foram as que lembrei agora.

The Shorts

– Me falem um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

Temos um EP, o “Serendipity”, que foi lançado em agosto do ano passado. Ele traz as primeiras músicas que compomos (algumas delas eram sementes nas jams que citei no começo da entrevista), e que nos pareciam mais completas e coesas nesse primeiro momento da banda. Foram gravadas nos nossos primeiros meses enquanto quinteto, e refletem essa primeira etapa, de descobrimento inclusive (e dai o nome “Serendipity”) da nossa música e da nossa forma de tocar. De modo geral, foi um trabalho bem recebido e ficamos contentes com o resultado. Trabalhamos com uma amiga de Chicago na produção, que já havia trabalhado com Smashing Pumpkins no estúdio que ela trabalhava lá nos EUA, e também tivemos o nosso amigo Chuck Hipólitho, lá do Estúdio Costella na mix e master desse trampo.

– Como a mídia têm ajudado os artistas independentes hoje em dia? Quem podemos apontar como aliados da cena underground?

É muito importante pras bandas ter seu material divulgado em diferentes veículos de mídia, pois através de matérias e reportagens alcançamos novos públicos e de certa forma, a mídia tem esse poder de legitimar a competência de um trabalho, como se que, pro público aceitar aquilo como “bom”, ele precisa estar no jornal. Pras bandas independentes acaba sendo ainda mais importante. Os portais que eu acompanho e que vejo bastante coisa interessante sobre o underground são vocês do Crush em Hi-Fi, o Tenho Mais Discos que Amigos, Monkeybuzz, o blog do Asteroid Entretenimento, A Escotilha, Trabalho Sujo, Mondo Bacana, Nada Pop, Ouvindo Antes de Morrer

– Como foi abrir os shows da Unknown Mortal Orchestra no Brasil?

É muito bom tocar com bandas que você admira. Já tivemos o prazer de dividir o palco com várias bandas que admiramos, como Mac DeMarco, O Terno, Death e As Mercenárias, e sempre dá pra levar boas lembranças na troca que esses encontros promovem. É também uma ótima oportunidade pra expandir nosso público. Estamos bem ansiosos pra dividir o palco com o UMO, que é uma das melhores bandas do cenário internacional recente, e também pra estar presente num evento da Popload.

– Vocês são de Curitiba. Como está a cena rock daí hoje em dia?

Curitiba sempre revelou inúmeras bandas de rock maravilhosas. Esse ano, inclusive, várias bandas curitibanas lançarão novos trabalhos de estúdio. Tem sempre algo bem legal surgindo, mas temos dificuldade de projetar essas bandas nacionalmente, algo que eu acredito que seria mais fácil se houvesse um movimento coletivo das bandas pra transformar esse cenário, como acontece, por exemplo, no nordeste do país. Temos dificuldade também de encontrar espaços pra tocar que ofereçam a estrutura que uma banda precisa e paguem um cachê digno. Isso dificulta um pouco, até pra banda conseguir fazer um caixa pra colocar o pé na estrada.

The Shorts

– Quais os próximos planos da banda em 2016?

Semana que vem começaremos a gravar nosso primeiro álbum cheio. A previsão é de lançar esse trabalho em setembro desse ano. Inclusive, iremos colocar no ar nas próximas semanas um projeto de crowdfunding pra ajudar com os gastos do álbum, que, infelizmente, não são poucos. Ainda esse ano vamos passar novamente por São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e vamos pela primeira vez ao nordeste, pro lancamento do novo disco. Também temos novos clipes engatilhados e apresentações marcadas aqui em Curitiba. Eu e Andreza somos meio workaholics, mas é necessário pra colocar uma banda independente pra rodar.

– Recomendem bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Se forem independentes, melhor ainda!

Gostamos muito da cena de Natal em geral, não só pela qualidade das bandas, mas também pela união entre eles, o que com certeza faz diferença na divulgação desse som Brasil e mundo afora: Camarones, Far From Alaska são algumas delas. Eu também gosto muito da Inky, que acredito ser uma das melhores bandas desse país. Tem a Courtney Barnett, que conheci ano passado e ando curtindo pra caramba, e Peixefante também, que conheci pelo Spotify numa playlist que a The Shorts também está incluída. O Ty Segall com o King Tuff nesse álbum novo também tá uma maravilha e precisa ser ouvido..

– O machismo continua rolando forte no mundo da música? A banda sente isso? Como podemos combater esse mal?

Apesar de muita gente estar abrindo os olhos e percebendo quanta misoginia rola desde em situações aparentemente triviais a casos de polícia, é muito difícil ser mulher no mundo, e isso inclui o mundo da música. Somos subestimadas, temos nosso talento colocado à prova em muitas situações e temos que ouvir muita porcaria machista, tanto do público quanto de staffs com os quais acabamos trabalhando em apresentações. Sinto também que, se uma banda de mulheres faz sucesso, ela nunca é colocada no mesmo patamar de uma banda formada por homens. Ao meu ver, uma das formas de combater isso é desconstruir a visão que a nossa sociedade tem da mulher. Somos fortes e podemos fazer o que quisermos.


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