The Psycodelicats preparam novo EP e afirmam que cena independente espanhola continua firme e forte

The Psycodelicats preparam novo EP e afirmam que cena independente espanhola continua firme e forte

1 de junho de 2016 0 Por João Pedro Ramos

A banda de Sevilha The Psycodelicats faz uma bela e criativa mistura de rock’n’roll, surf music e garage rock cheia de personalidade, resultando em uma explosão de energia com o espírito dos anos 60 e 70, mas com aquele toque de novidade. Na estrada desde 2014, a banda retrô já ganhou prêmios no III Concurso de Maquetas Traska Rock (em Peñas de San Pedro, Albacete), II Certamen de Música Nacional ManzanaFest (em Manzanares, Ciudad Real) e no Concurso de Bandas Musikanna (Sevilha).

Formada por Isa (vocal e percussão), Antonio (baixo e voz), Dani (guitarra e voz), Alejandro (bateria), Jose (trompete), Javier (trompete e voz) e Miguel (trombone), The Psycodelicats lançou no ano passado seu primeiro EP, “Vol. I”, de forma independente, e acaba de gravar seu sucessor, “Vol. II”, trazendo mais da mistura de rockabilly, surf music e influências de Brian Setzer e The Clash. “Estamos também em processo de gravação de alguns videoclipes originais que certamente serão muito falados. Pretendemos assim chegar a muitas pessoas de maneiras diferentes. Adoraríamos que a nossa música se expandisse para além das nossas fronteiras”, diz Isa.

Conversei com ela sobre a carreira da banda, o EP “Vol. I”, a cena rock espanhola e a vida de artista independente:

– Como a banda começou?

Tomando uma cerveja após um show que fizemos com outra banda que pertence ao nosso grupo, veio a ideia da criação de um novo projeto para explorar outros estilos musicais como rock, rockabilly e garage rock. A partir daí, fomos nos juntando a outros músicos companheiros e a banda começou a tomar forma. Rapidamente começaram a fluir idéias que se materializam em um curto espaço de tempo. Um ano depois, tínhamos gravado nosso primeiro EP e ganhado dois festivais de música nacionais.

– E de onde surgiu o nome The Psycodelicats?

Porque gostamos da música psicodélica com influências dos 60’s-70’s e nos identificamos com a vida dos gatos de rua.

– Falando nisso, quais são suas principais influências musicais?

Os membros da banda vêm de diferentes influências e experiências musicais, então do punk ao blues, rock’n’roll, soul (como a guitarra de Brian Setzer ou a voz de Wanda Jackson). Algumas das bandas que nos inspiraram estão The Sonics, The Hives, The Ventures, Dick Dale, Stray Cats, Dead Kennedys, Imelda May ou artistas de rock clássicos como Chuck Berry.

– Me falem um pouco mais sobre o material que a banda já lançou. 

Atualmente temos um EP chamado “Vol.I”. Nele pegamos o lado mais variado do nosso repertório, mostrando assim a variedade de estilos da banda, de músicas mais rock’n’roll até algumas mais garage ou surf com um toque fresco e novo.

The Psycodelicats

– Vocês são uma banda de Sevilla. Como está a cena rock hoje em dia por aí?

Todos os dias há mais e mais shows e bandas novas na cidade, mas é difícil para grupos de 7 músicos como nós ganhar a vida com esta atividade e ter nosso trabalho devidamente valorizado. A cena rock é cada vez mais emocionante e viva e, apesar de existirem muitas bandas novas aparecendo, muitos delas não têm a pureza e a paixão pela música, o impulso para realizar novas ideias e fazer coisas originais.

– Podem me contar um pouco mais sobre a cena rocker espanhola? Nós adoraríamos saber mais sobre as bandas que precisamos ouvir vindas da Espanha!

A cena rock, surf, garage e rock’n’roll é mais desenvolvida na área da costa mediterrânea espanhola, de Málaga até Valencia, subindo de Barcelona até o norte da Espanha. É lá que se reúnem os principais festivais neste estilo como Rockin Race Jamboree, Surforama, Fuzzville, Funtastic Dracula Carnival, Screamin ‘Rockabilly Weekender ou Mundaka Festival. Algumas das bandas nacionais essenciais (para o nosso gosto) são Aurora & the Betrayers, Freedonia, Pájaro, MadMartin Trio, Furia Trinidad, Al Supersonic and the Teenagers, The Limboos, Leone, The Electric Alley, 13 BATS, Brioles, The Hollers, El Lobo En Tu Puerta, St. Peter Square, Hot Clover Club, Red Rombo

– Como vocês veem o rock no mundo da música de hoje em dia?

Hoje em dia acreditamos foram impostas uma série de estilos musicais comerciais que estão cobrindo grande parte da cena musical, baseados em instrumentos virtuais e eletrônicos, matando a essência das bandas do passado e como a música vivia e era sentida antigamente. Apesar disso, há um grande crescimento do rock sendo tocado ao vivo, cobrindo todos seus estilos, e há uma grande variedade em que você pode facilmente encontrar boa música feita com paixão e sentimento.

– Como vocês se sentem sendo uma banda independente? Qual a melhor e a pior parte disso?

O que realmente nos emociona é criar sons novos e originais e é por isso que estamos muito satisfeitos em ser uma banda independente. A melhor parte é que fazemos o que queremos com total liberdade e as nossas ideias estão sendo muito bem recebidas. A pior é que é um monte de trabalho e fazemos tudo, e além de músicos temos outros trabalhos como relações públicas, design gráfico, secretário, gerente, empresário… e sendo a música independente, muitas vezes não lhe dão espaço para tocar na “liga dos magnatas”.

The Psycodelicats

 

– Quais são os próximos passos da banda?

Acabamos de gravar um novo EP, “Vol.II”, e espero que a recepção seja ainda melhor do que a do primeiro e que este registro possa nos abrir novas oportunidades para festivais, shows e também a possibilidade de ir a lugares novos. Estamos também em processo de gravação de alguns videoclipes originais que certamente serão muito falados. Pretendemos assim chegar a muitas pessoas de maneiras diferentes. Adoraríamos que a nossa música se expandisse para além das nossas fronteiras.

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Acho que na pergunta sobre as bandas da cena espanhola já citamos algumas das independentes que recomendamos!