The Last Internationale finaliza o sucessor de “We Will Reign” e promete shows no Brasil em breve

The Last Internationale finaliza o sucessor de “We Will Reign” e promete shows no Brasil em breve

16 de março de 2016 2 Por João Pedro Ramos

“The Last Internationale são o futuro do rock rebelde”, disse Tom Morello (Rage Against The Machine/Audioslave). “Eles têm convicção, paixão e a Delila é uma das melhores vocalistas a aparecerem nesta geração”. Com uma apresentação assim, não dá pra não ficar curioso e ir atrás do som da dupla Delila Paz (guitarra e vocal) e Edgey Pires (guitarra). E tenho quase certeza que você vai gostar. Com um EP (“New York, I Do Mind Dying” (2013)) e um disco de sucesso (“We Will Reign” (2014)) na bagagem, a banda acaba de lançar uma coletânea de lados B e outtakes e está trabalhando em seu segundo álbum, planejado para este ano.

Conversei com Delila e Edgey sobre a carreira da banda, sua rebeldia contra o sistema, a participação de Brad Wilk (Rage Against The Machine, Audioslave) no primeiro disco e suas raízes folk:

– Pergunta clichê: como a banda começou?
Dois jovens com alguns discos velhos de vinil, uma guitarra e a missão de fazer o rock and roll perigoso novamente.

– O primeiro EP, “New York, I Do Mind Dying”, é sensacional. Podem me contar um pouco sobre ele?
São algumas canções que gravamos anos atrás em Portugal durante uma turnê europeia. Apenas plugamos as guitarras e tocamos ao vivo. Nossa música preferida nele é “Cod’ine”.

– Daí veio “We Will Reign”, fazendo da banda um sucesso. Como foi isso para vocês?
Foi incrível fazer a turnê desse disco. Pudemos tocar com Robert Plant, The Who, Slash, Neil Young, Kings of Leon, Scott Weiland, Weezer, Counting Crows, Lenny Kravitz, entre muitos outros. Também foi quando começamos a tocar como headliners em shows esgotados.

– A presença de Brad Wilk (Rage Against The Machine) na bateria ajudou a aumentar o número de fãs nessa época?
Construímos nossa base de fãs por vários anos de trabalho duro, muitas turnês e sempre estando acessíveis às pessoas. The Last Internationale é maior do que qualquer membro individualmente. Consideramos isso um movimento crescente de pessoas que estão putas com o status quo e querem ver o rock and roll finalmente recuperado das corporações gananciosas e suas bandas de rock de marionetes vendendo uma rebeldia de mentira. Beba mais Coca-Cola!

The Last Internationale

Durante as gravações do segundo disco da banda

– Agora, vocês lançaram um disco com uma compilação de demos da banda (“This Bootleg Kills… Vol1”).
É um CD bootleg que está disponível apenas em nosso site. São 16 faixas com demos, outtakes, gravações ao vivo e versões acústicas. É como um diário em áudio de nossa evolução nos últimos 2 anos. Estamos muito orgulhosos desse disco.

– Eu li que vocês têm fortes raízes folk em seu som. É isso mesmo?
Todas as raízes levam de volta ao folk. E o folk tem o blues. Então sim!

– Quais as suas maiores influências musicais?
Robert Johnson, Charlie Chaplin, Freddie King, Howlin’ Wolf, Patti Smith, Woody Guthrie, Johnny Cash, Gil Scott-Heron, Pete Seeger, Muhammad Ali, Victor Jara, Jose Afonso, Caetano Veloso, Public Enemy, Nas, Rolling Stones, Beatles, Nina Simone

– Mesmo com a Mtv hoje em dia investindo mais em reality show do que em músicas, vocês acham que videoclipes ainda são uma parte importante do trabalho de uma banda?
Hoje em dia o importante é o espetáculo superficial. A bunda da Kim Kardashian ou de qualquer outra pessoa é mais relevante culturalmente do que a arte. E tudo é passageiro e descartável. Estivemos tão focados em criar músicas que amamos que não tivemos muito tempo para fazer clipes. Mas para responder sua pergunta, videoclipes são importantes pois são uma forma muito eficaz de fazer com que sua música seja ouvida.

The Last Internationale

– Como surgiu o nome The Last Internationale?
É derivado de “A Internacional” (hino para comunistas, social democratas e anarquistas). O que queríamos era um nome significativo, com um som urgente e empoderador. The Last Internationale. A Última Internacional. A batalha final para pegar de volta o rock and roll das mesmas pessoas que seqüestraram o nosso governo e terceirizaram os trabalhos de nossos pais para o exterior. Sim, é isso!

– Eu realmente espero ver vocês no Brasil alguma hora. Existem planos para isso?
Sim! Estamos planejando ir aí neste verão. Vamos anunciar em breve.

The Last Internationale

– Quais são os próximos passos da banda em 2016?
Terminar nosso segundo disco, turnê pelo mundo, e criar algum tempo para fazer videoclipes.

– Recomendem bandas que chamaram sua atenção nos últimos tempos (especialmente se forem independentes)!
Estávamos agora mesmo no estúdio ouvindo o novo disco do Tom Morello e ele está pegando fogo! Sobre novas bandas, todas são do underground. Cloud William de NY é um grande músico de blues. Ryan Harvey, Bells Roar e os outros artistas da Firebrand Records. Também somos grandes fãs de Run the Jewels!