The Bombers abraça o Sol e outros estilos em seu novo disco

The Bombers abraça o Sol e outros estilos em seu novo disco

7 de julho de 2017 0 Por Pedroluts

O Sol totaliza 99,86% a massa de todo o Sistema Solar e é composto majoritariamente por Hidrogênio. A fusão nuclear deste elemento com ele mesmo produz outro tipo de átomo, o Hélio, e é isso que gera toda a imensa energia do Sol. Mais do que sua imponência de tamanho, o Sol é primordial para nossa sobrevivência. Abraçar o Sol, portanto, não só é um ato alegoricamente corajoso, como também é uma ode à vida.

E a arte dos santistas The Bombers é solar. Emana não só energia como te incita a viver. E se vida é deixar rastros, Bombers fazem bonito carimbando uma marca única. Há ecos claros do punk de dias verdes e levada de ska sublime, mas não é só isso. Talvez, assim como o Sol, o convite do álbum é claro: confraternize.

E, também como nossa estrela-mor, a fusão dos elementos produz algo novo. No caso de “Embracing The Sun”, o sincretismo cultural é tão harmônico e divertido como surpreendente e curioso.

The Bombers

De longe, o melhor exemplo é “Exodus”. A narrativa sonora é rica e invejável. O riff inicial parece indicar uma levada mais pra um rockão do que para qualquer outra coisa. A música toda gira em torno desse espectro até que o segredo é desvendado: seu núcleo é formado não pelo riff de guitarra, mas por sanfona, triângulo e zabumba. The Bombers mostram que não é preciso cantar em português para ser brasileiro.

E eles não param por aí. Em “¿Qué Pasa?”, o grupo deixa de olhar para o horizonte atlântico para virar rumo ao Pacífico. Como se fosse uma releitura latina de Run DMC & Aerosmith, The Bombers acrescentou ao rap+rock o diálogo mais que necessário entre o Brasil e nossos vizinhos – sem contar o toque norteamericano com uma gaita blues!

Ao lado de “Exodus”, um dos grandes destaques do disco é a versão para “Mestre Jonas”, do trio Sá, Rodrix e Guarabyra. A adaptação é tão perfeita que soa original.

“Embracing the Sun” é divertido, intrigante e até reflexivo. Existem outros estilos abraçados pela banda neste disco – e que talvez alguns torçam o nariz. E aí também está parte da diversão… a reflexão do limite do estilo e os possíveis diálogos com outras formas musicais. Goste ou não, tudo que ouvimos hoje surgiu a partir de amálgamas anteriores.