Construindo Zé Bigode: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Zé Bigode, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Criolo“subirusdoistiozin”
Primeira musica que ouvi do Criolo, logo de cara achei o nome bem diferente, quando conferi o som ouvi uma base bem orgânica com uma pegada jazz, com aquele som de Fender Rhodes curti de cara e depois fui baixar o disco nó na orelha que foi bem importante pra mudar minha visão musical

Gil Scott Heron“Lady Day and John Coltrane”
Uma das minhas musicas favoritas do disco “Pieces of a Man”, clássico do Gill Scott Heron, essa musica toda vez que me sinto meio pra baixo serve de estímulo, assim como na letra ouvir “Lady Day and John Coltrane” levam os problemas pra longe, Gill Scott também o faz muito bem.

Oasis“Live Forever”
Ouvi muito Oasis na minha vida, e essa música sem duvida é uma das que mais escutei deles, lançada em 1994 no disco de estreia, o “Definitely Maybe”, escrita por Noel Gallagher, é uma homenagem a estar vivo.

John Coltrane“Acknowledgement”
Uma das músicas mais perfeitas da história da humanidade. É só isso que consigo dizer quando a ouço, muitos sentimentos nesse som aí! Sem contar que faz parte de um dos maiores discos da história, o “A Love Supreme”.

BaianaSystem“Playsom”
Só quem já foi num show do Baiana sabe a energia que é, e essa música pra mim é a que melhor define o som deles. Pedrada pura!

Nina Simone“I Put a Spell on You”
Nina Simone, né? Dispensa comentários, rainha!

Gilberto Gil“Drão”
Já era fã da musica desde sempre, quando descobri que era uma musica falando da separação dele com a Sandra Gadelha, um pedido de desculpas, tem vários jogos de palavras geniais.

Céu“Lenda”
Essa tem um groove que pega de primeira ouvida, lembro que quando descobri esse som e o disco de estréia dela, ouvi sem parar.

Elton John“Razor Face”
Eu podia indicar qualquer faixa do disco “Madman Across The Water”, que é um dos meus discos favoritos, mas vai “Razor Face”. Acho que é a que melhor representa essa fase do Elton John, quando ele tinha o timbre de voz bem agudo e lançava um clássico atrás do outro.

Gal Costa“Tuareg”
Se não me engano essa musica é do Jorge Ben. “Tuareg” mostra quanto o Brasil estava num ótimo momento musical no fim da década de 60, experimentando sonoridades de várias regiões do mundo e mesclando com a nossa musica tradicional. Os anos 60 foram bem intensos pra musica popular, apesar de politicamente estarmos em um dos piores momentos de nossa história.

Belchior“Alucinação”
Faz parte do álbum de mesmo nome, eu citaria o disco todo, mas escolho essa, que mostra o Belchior na sua melhor forma poética, dando o papo reto numa crítica ácida e certeira. “A minha alucinação é suportar o dia a dia”.

Chico Science e Nação Zumbi“Manguetown”
Chico Science talvez seja uma das minhas maiores influências, a sensacional analogia da parabólica fincada na lama… A música é isso, é universal, é um pouco de tudo que já escutamos nessa vida independente de território. Poucos souberam mesclar o tradicional com a vanguarda como Chico Science fez, um verdadeiro alquimista.

Jorge Ben“5 Minutos”
Falando em alquimista musical, aqui temos outro. “5 Minutos” chama minha atenção pela harmonia dela, diferente de quase tudo que ele fez. É torta mas tem groove, vê se pode?

Metá Metá“Oyá”
Metá Metá é uma das melhores coisas que a musica brasileira nos proporcionou nesse novo século. É punk? É samba? Música de terreiro? Escolhi “Oyá” por ter uma dinâmica entre a porrada e a calmaria.

Planet Hemp“Stab”
Nunca tive uma formatura, mas se tivesse certamente entraria com essa música. Escutei bastante quando andava de skate, me dá uma motivação enorme pra enfrentar as dificuldades.

Fela Kuti“Army Arrangement”
Essa música é quase um disco (risos). Com quase meia hora de duração, algo muito comum pro Fela Kuti, icone negro de resistência contra as opressões do governo e do imperialismo eurocêntrico.

Herbie Hancock“Dolphin Dance”
Uma mistura entre musica modal e musica tonal, um tema bem complexo de se improvisar, mostrando a verstatilidade harmônica do Herbie, uma lenda do jazz.

Miles Davis“So What”
Faz parte do essencial “Kind Of Blue”. Recomendo escutar esse disco a todos que querem saber mais sobre jazz. Ou melhor: a todos que gostam de ouvir música, recomendo a audição. Uma guinada que mudou o jazz, quebrando o virtuosismo técnico e cheio de progressões do bebop, inserindo o modalismo.

Led Zeppelin“Going To California”
Essa musica faz parte do clássico disco “IV”, amo todas desse disco, mas essa me marcou positivamente por bons momentos que tive embalados por esse som.

Milton Nascimento“Travessia”
Escolher uma do Milton é complicado, poderia fazer essa lista só com musicas dele que ainda faltariam mais 20! Mas “Travessia” é a minha favorita, desde a letra do Fernando Brant, que é uma das coisas mais lindas já musicadas, quanto a harmonia e arranjo. O trompete nessa faixa é algo de outro mundo.

“Fluxo” mostra a força orgânica e colaborativa do som instrumental jazzístico de Zé Bigode

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Zé Bigode
Zé Bigode

“Fluxo”, novo trabalho da banda Zé Bigode, é uma divertida e orgânica junção de jazz com música brasileira pelas mãos de diversos músicos comandados pelo compositor e instrumentista José Roberto Rocha, guitarrista e mentor do projeto. Além dele, a formação atual da big band conta com Daniel Bento (baixo), Thiago DaGotta (bateria), Victor Hugo (percussão), Rodrigo Maré (percussão), Victor Lemos  (saxofone), Thiago Garcia (trompete), Tiago Torres (trombone), Ingra da Rosa (poesia e spoken word), Pedro Guinu (teclados) e Jayan Vitor (guitarra). Ufa!

O disco foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana ao vivo, para capturar toda a essência da banda, que é o trabalho musical em grupo, utilizando a cooperação entre os membros e seus instrumentos se entrelaçando de forma fluida. “O nome do álbum veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo”, explica José. Conversei com ele sobre o trabalho, a carreira da banda, a cena musical hoje em dia e muito mais:

– Me contem um pouco mais sobre “Fluxo”, que vocês lançaram este ano!

José Roberto: “Fluxo” foi o marco inicial da banda, o primeiro trabalho já com a formação que dura até hoje. O nome dele veio baseado na concepção de que as coisas acontecem naturalmente e foi o que rolou: reuni a banda, fomos pro estúdio e em dois dias saímos com 90% dele pronto, apenas seguimos o fluxo.

– Como foi a gravação desse trabalho?

José Roberto: Foi gravado ao vivo no Estúdio Cia dos Técnicos em Copacabana. Pegamos duas sessões de 6 horas e gravamos as músicas. Foi tudo ao vivo, pra captar melhor a energia das musicas ao vivo, no nosso caso música instrumental mais voltada ao jazz e raízes populares. A energia está muito concentrada na troca de se tocar junto e isso influencia muito o som final, então era inviável fazer do jeito que a indústria tem feito nos últimos anos, que é um grava de cada vez depois junta tudo e está pronta a música.

– E como foi a criação das músicas que estão no disco?

Victor: O Zé chegava nos ensaios e nos apresentava a ideia inicial da composição, o esqueleto dela e então nós juntos trabalhávamos nela, no arranjo. Acho que todas elas foram feitas mais ou menos dessa maneira. E além disso tem os improvisos que saíram na hora da gravação mesmo.

– E como estão sendo os shows?

Victor: Tão sendo bem maneiros. O repertório é basicamente as músicas do “Fluxo”, quase todas, e algumas novas!

José Roberto: Os shows tem como base de repertório o disco “Fluxo”, porém tem rolado algumas musicas novas que sairão no formado de single no ano que vem. Ao vivo contamos também com a Ingra da Rosa que faz intervenções poéticas.

– Me contem como a banda começou.

José Roberto: A ideia do projeto veio comigo, no final de 2015 numa viagem a Recife, quando senti que era hora de fazer um trabalho que fosse mais na onda das coisas que eu vinha ouvindo e não tentar entrar em uma outra gig ou coisa do tipo. Assim que cheguei no Rio comecei a trabalhar em algumas músicas e gravei um EP chamado “Zé Bigode”, que foi basicamente feito todo por mim e contou com algumas participações como o Lucas Barata, o Rodrigo Maré e o Victor Caldas. Não sabia como o EP ia ser aceito, então deixei pra montar a banda depois do lançamento, e aí fui chamando os amigos dos quais tinha afinidade e vontade de trabalhar. As coisas foram acontecendo, mais gente foi chegando pra somar, até que a banda se formou.

– E como é a dinâmica em uma banda que tem tantos integrantes?

José Roberto: De uma forma geral é tranquila. Nós temos as coisas bem definidas, como dia e hora de ensaio. A grande maioria é parceira de sair pra beber e essas coisas, e todos tem interesses similares em relação ao que a música representa. De um tempo pra cá tem rolado uma formação reduzida pra alguns eventos que se constitui em um quinteto, mas é só quando o local em que vamos tocar não comporta todos da banda, ou caso role alguma viagem que seja mais na correria e dependa de um esforço financeiro maior dos músicos. O famoso “tirar do bolso” (risos).

– Hoje em dia vemos que existe um crescimento das bandas instrumentais no meio independente. Como esse formato foi redescoberto?

José Roberto: É, não sei se redescoberto é a palavra certa, porque sempre rolou som instrumental, só que agora a galera tem investido mais em outras coisas além da música, numa arte legal, num conceito, em como fazer a musica instrumental ser algo rentável… Muita gente tem na cabeça que música sem voz é apenas pra músico, o que às vezes tem um certo fundo de verdade. Muito músico se preocupa apenas em ser um bom músico tecnicamente e afins, e esquece que a música instrumental é também uma forma de expressão. Dá pra você fazer um som instrumental e estar inserido no contexto, afinal é tudo música. Quem vem com esse papo aí de separar as coisas por etiqueta é o mercado, né…

– Quais as principais influências da banda?

José Roberto: Acredito que não tem uma influência soberana, todos procuram escutar bastante música e coisas novas, então as referências estão sempre mudando. Mas rolam os pontos em comum, que é o lance de cultura popular como Maracatu, o Fela Kuti, Miles Davis, Rumpilezz, Moacir Santos, Lauryn Hill, e essa galera que tem feito o som contemporâneo, Abayomi, Nômade Orquestra, Bixiga 70

– Como vocês veem o mundo da música hoje em dia, especialmente no meio independente?

José Roberto: Tem muita coisa rolando, muita coisa boa, o que é ótimo. Hoje qualquer pessoa pode gravar suas musicas, não precisa de uma gravadora nem nada. Democratizou nesse sentido, mas o que acaba rolando é que o fluxo de novos artistas é tão intenso que muitos passam batido e acabam não sendo “visualizados”. Aí volta um pouco a antiga lógica: quem tem grana pra investir é quem aparece mais, ou quem tem os contatos. Se todo dia tem uma pá de disco novo, como é que tu vai aparecer? Claro que a musica é fundamental nesse processo, o independente é mais sincero nesse sentido, mas ainda vale um pouco daquela lógica quem tem grana sai uns passos na frente de quem não tem.

– Ou seja: mesmo sem as gravadoras, ainda continua do mesmo jeito. Quem tem o bom e velho apoio de alguém grande segue uns degraus acima.

José Roberto: Sim, sem contar os filhos de fulano e beltrano que automaticamente já elevam o status a algo que vale a pena, sendo que muitas vezes a pessoa nem tem um trabalho pronto. É complicado, mas acho que faz parte, né? É nesse sistema que nós vivemos, mas da galera que eu tenho visto aí circulando a grande maioria tem uma boa música e uma boa mensagem pra passar. Então, a balança equilibra, coisa que no mainstream é raro encontrar.

– Quais os próximos passos da banda?

José Roberto: Estamos finalizando as datas de show aqui no Rio, iremos participar de uma coletânea em homenagem ao Guilherme Arantes no inicio de 2018, e irão vir uns 2 singles com clipe um no primeiro semestre e outro no segundo semestre e tocar fora do Rio. Alô Recife, alô Nordeste: chama nóis! (risos)

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

José Roberto: Tem o pessoal do O Quadro da Bahia, IFÁ, da Bahia também, Orquestra Contemporânea de Olinda em Pernambuco… Aqui no Rio tem a Foli Griô Orquestra, Relogio de Dali, Amplexos… Em Sampa tem a Nômade Orquestra, a Xenia França, Luedji Luna, Rincon Sapiência, em BH o pessoal do Zimun… Como eu disse, muita coisa rolando.

https://open.spotify.com/album/1ksBypufTDA6n88DP9ZT3U

Zé Bigode trabalha sem parar em seu jazz alternativo com influências de ritmos nordestinos, americanos e até marroquinos

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Zé Bigode

José Roberto Rocha é um quase nômade entre a boemia desvairada da Vila Isabel e do esfumaçado Grajaú. Estes dois locais foram apenas algumas das inspirações para que o músico e compositor idealizasse o projeto Zé Bigode, que conta com repertório de música instrumental que passeia entre diversos estilos, indo do afrobeat ao jazz, passando por ritmos brasileiros como maracatu e baião. “É um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!”, tenta definir.

Em 2016, a banda lançou seu primeiro EP, auto-intitulado, que se desenrolou no primeiro disco da banda, “Fluxo”, lançado este ano. No disco, José Roberto toca guitarra acompanhado por Daniel Bento (baixo), Eric Brandão (bateria), Jayant Victor (guitarra), Victor Lemos (sax alto e tenor), Thiago Garcia (trompete), Rodrigo Maré (timbal, percussão), Bruno Durans (bongas) e Pedro Guinu (Rhodes, piano, clavinete, moog, orgão). O álbum também conta com a participação de Belle Nascimento, Alexandre Berreldi, Eduardo Rezende, Reubem Neto, Ingra da Rosa e Victor Hugo e foi gravado no Estúdio Cia dos Técnicos, no Rio de Janeiro. O prolífico grupo já está trabalhando em novas faixas, que devem sair em breve.

Conversei com o líder do Zé Bigode sobre a banda, a cena instrumental, a dificuldade em definir um gênero para sua música e o disco “Fluxo”:

– Como a banda começou?

Surgiu no final de 2015, eu estava cansado de sempre entrar em projetos e eles não irem pra frente por motivos diversos… Mas sempre esbarrando naquele problema de que não rolava concordância entre as partes e as coisas não andavam. Me cansei disso e resolvi montar um projeto “solo” em que eu fosse a principal cabeça. Aí fui reunindo uns amigos e gravamos um EP, lançado em maio de 2016.

– Me fala mais desse EP. Como ele foi composto e criado?

Algumas idéias eu já tinha pra esse EP, de temas que havia escrito, como de “7 Caminhos”, que deve ser o tema mais antigo que tenho. O conceito desse EP foi mais de apresentar o projeto ao mundo, ter algum material pra poder dialogar com as pessoas, foi algo mais “solitário” e menos coletivo que o Fluxo”. No EP não era uma banda fixa, e sim convidados, rolou até uma galera boa na gravação como o Carlos Malta, Leandro Joaquim, que tocava na Abayomy e o Pedro Selector, que toca com o Bnegão.

  • – Como rolou o disco “Fluxo”?
  • Assim que lancei o EP no ano passado formei a banda e começamos a ensaiar e fazer shows, fui adicionando temas novos ao repertório. No fim de 2016 decidi que era uma boa hora de registrar esses temas e fomos para o Cia Dos Técnicos em Copacabana no RJ. Minha ideia foi de fazer algo mais próximo da experiência ao vivo, então basicamente 80% do disco foi gravado ao vivo. Como este estúdio é grande, rolou de conseguir botar cada musico em uma sala e gravar ao vivo, mas sem vazamento. O nome “Fluxo” vem basicamente desse contexto, de deixar fluir as coisas. Vejo que as gravações atualmente estão cada vez mais frias, e música é feita pra ser tocada em conjunto e ao vivo.

– E porque investir em música instrumental?

A forma que me expresso melhor é com a guitarra, some a isso o fator que canto terrivelmente mal (risos). Mas acho que a música instrumental virou algo elitista ou técnica demais, música pra músico, música gourmet, e isso é coisa do mercado. O mercado inventou isso e acabou ficando… Mas eu discordo: música instrumental é música, pode entrar na cabeça do ouvinte tão facilmente quanto uma canção.

– Nos últimos tempos muitas bandas independentes instrumentais têm aparecido e feito barulho, como o Mescalines, por exemplo. Essa é uma tendência que deve crescer?

Acredito que sim, o publico tem se mostrado afim de curtir música instrumental, vendo que nem sempre música com letra tem algo a dizer e que é possível passar uma mensagem com o instrumental. E essa turma nova tem uma linguagem mais democrática, não repete os clichês nem quer fazer música só pra músico.

Zé Bigode

– Mas porque esse tipo de música não chega ao mainstream, na sua opinião? Porque o instrumental é praticamente ignorado, salvo casos como “Misrlou” do Dick Dale, que estourou graças à Pulp Fiction?

Indústria, musica instrumental já foi mainstream, vide o jazz, o bebop… Mas acredito que um dos motivos é o padrão radiofônico que foi inventado de música de curta duração, 3 minutos e meio em média, e a música instrumental foi cada vez mais ficando complexa e com longa duração… Mas o instrumental sempre esteve aí, Pink Floyd apesar de ter voz tem mais instrumental que canto (risos). “Weather Report”… Claro que não na mesma proporção, mas se garimpar ela esteve presente.

– Esse projeto você considera como solo ou tem membros fixos na banda?

Um pouco dos dois, os membros são fixos mas como tem meu nome e eu que escrevo os temas, acaba tendo mais a minha cara. Mas rola uma democracia, pessoal opina também, e somos bem amigos, quase uma família, numerosa e barulhenta por sinal (risos)!

– Como você definiria o som da banda para quem ainda não conhece?

Vixe… Um apanhado de coisa, mas numa linguagem voltada ao jazz. Mas tem Recife, tem Havana, tem Marrocos… Bahia, Nova York (risos)… Música do mundo. Difícil essa!

– World music?

Isso é que os gringos inventaram, né (risos). Jazz alternativo?

– Quais suas principais influências musicais para esse projeto?

Nação Zumbi, Wayne Shorter, Miles Davis, Daymé Arocena, Heraldo Do Monte, Criolo, Fela Kuti, Kamasi Washington, Elza Soares, bastante coisa que as vezes nem esta diretamente no som…

Zé Bigode

– Já estão trabalhando em novos sons?

Sim, lançamos o “Fluxo” agora em maio, mas já estamos com novos temas. A produção não para (risos)!

– Dá pra adiantar alguma coisa?

Em breve uma das musicas novas vai entrar no set do show, uma rumba com influências de jazz modal.

– Quais os próximos passos da banda?

Iremos prensar o disco em CD, e iremos circular por ai com o disco.

– Recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Hmm… Tem o Bixiga 70, Nômade Orquestra, Metá Metá, Mahmed, Negro Leo… Tem uma galera boa aqui do Rio também: Os Camelos, Foli Griô Orquestra, Kosmo Coletivo UrbanoRelógio de Dali