Existia alguma treta entre Frank Zappa e The Beatles?

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Se você começar superficialmente analisando, a capa de We’re Only In It For The Money” (1968), terceiro álbum do The Mothers of Invention e uma paródia do vinil do The Beatles, o famoso Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), nasce uma dúvida. Era apenas ironia ou uma crítica política?

Mas mergulhando um pouco mais e entendendo melhor a coexistência destes IMENSOS nomes, podemos encontrar declarações que mostram uma admiração mútua com pitadas de discordância política. No próprio lançamento do Sgt., Paul McCartney afirmou que o álbum era o “Freak Out”, álbum de 1966 do The Mothers of Invention, dos garotos de Liverpool.

A paródia da capa foi consensual, Paul autorizou mesmo com ressalvas sobre a gravadora e afins. Obviamente, isso aconteceu, e as primeiras edições foram censuradas, publicadas apenas no interior do álbum, até Frank Zappa criar sua própria gravadora e criar o formato independente. Mas isso não impede de acharmos que sim, o título critica a forma como a música estava sendo produzida na época, e de como Zappa queria talvez deixar claro que ele fazia o que queria como queria porque ele gostava, mas isso não anula seu interesse por capital. “As pessoas achavam que os Beatles eram deus! Isso não é correto” é uma das frases dele que mais vi sendo reproduzidas.

A imagem é de autoria de um parceiro de outras diversas capas que envolvem Zappa: Carl Schenkel. Este que era não só fotógrafo, como ilustrador, animador, designer e finalmente: especializado em capas de álbuns. Ele e Zappa eram muito parceiros, e outros diversos álbuns como Lumpy Gravy”, “Cruising with Ruben & the Jets”, “Hot Rats”, “Cheap Thrills” e “Mystery Disc” também são dele.

A capa não era uma provocação, mas se você escutar “Oh No” logo depois de ouvir “All You Need Is Love”, bem, a sua dúvida tende a retornar:

E a versão do The Mothers Of Invention:

A canção “Oh No”, que critica de maneira satírica “All You Need Is Love”, não é deste álbum. Ela foi escrita em 1967, mesmo ano que a “original”, mas lançada apenas em 1970, quando Weasels Ripped My Flesh” saiu nas lojas.

“Oh no
I don’t believe it
You say that you think you know
The meaning of love
You say love is all we need
You say
With your love you can change
All of the fools
All of the hate
I think you’re probably
Out to lunch”

Existem comentários de que em 1988 em shows, Zappa tenha feito misturas de “Norwegian Wood” / “Lucy In the Sky With Diamonds” / “Strawberry Fields”, e algumas gravações no Youtube que comprovam superficialmente:

Há registros também de que John e Yoko tenham participado de um dos shows do novo Mother em 1971 e depois usaram a performance como material para o disco deles em 72, de nome Some Time In New York City”, que foram deixadas de lado na reedição do álbum.

Bem, depois de tudo isso, muitas leituras do Reddit e Zappa Wiki Jawaka, não existia treta até segunda prova, apenas uma coexistência em uma época onde a efervescência cultural era gigantesca, amém.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Mariângela Carvalho, do Distúrbio Feminino

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Mariângela Caravalho
Mariângela Caravalho

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Mariângela Carvalho, do zine Distúrbio Feminino. “Pra essas 5 pérolas, escolhi ir pro lado da non-music e peguei artistas declamando spoken words em cima de alguma base musical (ou não) ou vice-versa. Muito barulho e poesia fragmentada”.

William Burroughs e Kurt Cobain – “The Priest” They Call Him”

William Burroughs e Kurt Cobain tinham muito além do vício em heroína em comum, eram ambos fragmentados e o lado sujo da vida era levado amplamente a sério. Trabalharam com imagem, texto, música e acreditavam no poder da pirâmide de orgônio. A admiração mútua rendeu um encontro célebre em 1993, mas, um ano antes, Cobain se ofereceu para fazer uma colaboração com Burroughs, o que resultou neste obscuro episódio na vida de ambos, “The Priest” They Call Him”. O texto é parte de um ensaio de 1973 do escritor e narrado por Burroughs/The Priest ele mesmo. Cobain, após receber a gravação, criou bases de guitarra completamente noise para trilhar a narrativa e o resultado é meio perturbador. Quando lançada, a colaboração ganhou edição em vinil e mais tarde em CD. Esta, com certeza, é uma das parcerias mais junkies da história”.

Lou Reed – “Romeo Had Juliette”

“Uma das minhas letras/canções preferidas de Lou Reed é “Romeo Had Juliette” porque parece ser uma música delicada, romântica, mas na verdade é uma história absurda que pouco tem a ver com a ideia de Romeu e Julieta. Ouvir Lou recitando essa poesia sob base minimalista e em tom de narrativa não deixa nada a desejar à versão original”.

Yoko Ono, Kim Gordon e Thurston Moore – “I Never Told You, Did I?”

“Muito há para se dizer de uma colaboração que reúne Yoko Ono, Kim Gordon e Thurston Moore. “YOKOKIMTHURSTON” (2012), é, no mínimo, uma peça de arte no sentido literal – “contundente”, “sem igual”, “inovador”. Este compilado de seis faixas tem as poesias e pensamentos de Yoko em forma livre, entre sussurros, gritos e interpretação peculiar. Ela já havia experimentado com isso há muitas décadas, mas a parceria somou um caos cacofônico ao repertório. Em vários momentos, a co-criação se torna bem esquizóide. Vale dizer que esta foi a primeira vez que Kim e Thurston lançaram algo juntos após se separarem”.

Lydia Lunch – “Conspiracy of Women”

“Lydia Lunch sempre teve o tom e desprendimento necessários para proporcionar inúmeras incursões pelo estilo spoken-word. Em suas bandas e trabalho solo, em vários momentos ela apenas recitava algo em cima de uma trilha, porém, em 1990, ela lançou um título apenas seguindo este formato. Conspiracy of Women é um tratado feminista libertário entoado com fúria e lirismo”.

Pujol – “Political Errors at The End of the 20th Century”

“Daniel Pujol é um ilustre pouco conhecido. Seus álbuns e EPs não são incríveis apenas pela audácia instrumental ou por sua guitarra supersônica, mas principalmente porque sua música é um diário cantado. Sua facilidade linguística (endossada por um Phd na mesma área) ganha destaque em meio à composição sonora pois é o diferencial – e também o norte das canções. Em 2015, no EP Kisses, ele fez um híbrido entre canções convencionais e spoken-word. No ano seguinte, lançou “Stinky Toy”, primeiro single apenas como spoken-word e, em abril deste ano, saiu o lado A de seu novo trabalho (com esta linguagem), Political Errors at The End of the 20th Century, com tema baseado na transição dos séculos e na mudança das tradições”.

E se os Beatles não tivessem acabado? Conheça os discos que o Fab Four podia ter lançado nos anos 70

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The Beatles 70s

O blog Albums That Never Were, cujo blogueiro usa o pseudônimo soniclovenoise, tenta criar versões reais para discos que nunca saíram do papel ou mesmo da imaginação dos fãs. Discos como “Sheep” (a versão “tru” de “Nevermind”, do Nirvana, imaginada e rascunhada por Kurt Cobain) ou “Smile”, dos Beach Boys (a obra maluca de Brian Wilson que deveria ter saído logo após a explosão de “Sgt Pepper Lonely Hearts Club Band” dos Beatles) são criados por ele, que compila as músicas e explica como o álbum “imaginário” foi criado. Uma de suas experiências mais interessantes foi a criação de cinco discos que mostram uma realidade alternativa onde os Beatles continuaram juntos como banda nos anos 70.

O criador uniu as músicas solo que mais condizem com o “espírito Beatle” em suas versões que mais soam como um disco completo e ajustou volume, pitch e etc. para deixar tudo o mais correto, coeso e próximo possível de um disco real. Nesse clima de “What If”, confira os cinco álbuns que os rapazes de Liverpool poderiam ter criado se o sonho não tivesse acabado:

(post traduzido do blog Albums That Never Were)

The Beatles – Instant Karma! (1970)

The Beatles Instant Karma

 

Lado A
1. Instant Karma! (We All Shine On) (Lennon)
2. All Things Must Pass (Harrison)
3. Every Night (McCartney)
4. I Found Out (Lennon)
5. Beware of Darkness (Harrison)
6. Working Class Hero (Lennon)
7. Momma Miss America (McCartney)

Lado B
8. It Don’t Come Easy (Starr)
9. Isolation (Lennon)
10. Junk (McCartney)
11. My Sweet Lord (Harrison)
12. Maybe I’m Amazed (McCartney)
13. Love (Lennon)
14. Hear Me Lord (Harrison)

Nesta realidade alternativa, em 1970 os quatro lançariam um álbum chamado “Instant Karma!”, um disco introspectivo e sombrio, cheio de canções enxutas de John e Paul e as músicas grandiosas e produzidas de George e Ringo. Sonoramente, ele ficaria em algum lugar entre o “White Album” em seus contrastes e “Abbey Road” em a sua majestade épica. Todas as músicas são de diferentes perspectivas, ainda que sugiram a mesma coisa: um desejo para a compreensão das essências da natureza humana básica e a busca pela própria alma. As músicas parecem criar uma narrativa especial: os membros da banda engajando-se em seu próprio diálogo com eles mesmos, tentando recuperar o vínculo entre eles que tinha se perdido ao longo dos 4 anos anteriores.

Então, imaginem que, nesta linha de tempo alternativa, em algum momento de 1970, os Beatles demitiram Allen Klein e de alguma forma entraram em um acordo de como gerenciar a Apple Records, permitindo que os membros da banda separassem a música do negócio, evitando a destruição da banda. Com o sucesso de “Here Comes The Sun” e “Something” e seu incrível catálogo de músicas não utilizadas e novas, George finalmente conseguiria uma parcela igual de suas próprias canções sendo apresentadas juntamente com as de Lennon/McCartney (com a garantia de que Linda e Yoko fossem permitidas no círculo íntimo dos Beatles, se necessário). Satisfeito com o trabalho de Phil Spector em “Let It Be”, os Beatles optariam por tê-lo produzindo a maior parte de suas gravações em toda a década de 1970 (apesar da relutância de McCartney). John concordaria, mas gostaria de usar o som despojado de banda ao vivo, como nas sessões de “Get Back” no ano anterior, pelo menos em suas próprias composições escritas em suas sessões de terapia de grito primal. Ringo, como sempre, estaria apenas feliz por estar lá.

“Instant Karma!” faria sucesso comercial e de crítica, restabelecendo os Beatles como uma força musical dominante na década de 70. Três singles seriam lançados a partir deste álbum em 1970 e início de 1971: “Instant Karma”, com o B-side “That Would Be Something”, “Maybe I’m Amazed” com o B-side “Apple Scruffs” e “My Sweet Lord”, com o B-side “Well Well Well”. O sucesso de “Instant Karma!” daria uma nova confiança para a banda que estava tão perto de terminar, especialmente com um novo produtor, um papel mais forte para o seu guitarrista como compositor e a incerteza da relevância da banda em uma nova década. Reagrupando no verão de 1971 com um novo conjunto de canções e um novo sentido de unidade, os Beatles tentariam gravar seu segundo álbum da década de 1970. Você pode imaginar?

(Baixe “Instant Karma” em Mp3 320kps aqui)

The Beatles – Imagine Clouds Dripping (1971)

The Beatles Imagine Clouds Dripping

 

Lado A:
1. Power To The People (Lennon)
2. What is Life (Harrison)
3. Dear Boy (McCartney)
4. Bangla Desh (Harrison)
5. Jealous Guy (Lennon)
6. The Back Seat of My Car (McCartney)

Lado B:
7. Imagine (Lennon)
8. Another Day (McCartney)
9. Art of Dying (Harrison)
10. Oh My Love (Lennon)
11. Uncle Albert/Admiral Halsey (McCartney)
12. Isn’t It A Pity? (Harrison)

O segundo disco é “Imagine Clouds Dripping”, uma citação surreal de Yoko Ono que  John achou foi particularmente inspiradora e define o tom para um álbum bastante colorido. As músicas foram escolhidos não só pela qualidade, mas para o que poderia continuar a levar “a tocha Beatles ‘. Musicalmente, o disco abandonaria a sonoridade mais crua do anterior e re-imaginaria os luxuosos arranjos que George pedia a Phil Spector para suas canções.

Então sente-se, relaxe e imagine o seguinte: depois do sucesso de seu primeiro álbum dos anos 1970, “Instant Karma!”, os Beatles se reuniriam e concentrariam-se em um novo álbum com alguns dos suas mais fortes canções desde “Abbey Road”, muitas vezes com arranjos grandiosos do produtor Phil Spector. Em meio à gravação do álbum, George fica sabendo da tragédia em Bangla Desh e rapidamente escreve uma canção em homenagem, que os Beatles gravariam e lançariam como single. George organizaria o Concerto para Bangladesh, onde os Beatles fariam sua primeira apresentação ao vivo em dois anos, A experiência positiva do show daria aos Beatles, particularmente George e John, a coragem de começar uma turnê européia no final de 1971. Na turnê, haveria também a participação dos velhos amigos Billy Preston nos teclados e Klaus Voormann tocando baixo quando Paul estivesse tocando guitarra ou piano.

A crítica citaria “Imagine Clouds Dripping” como um dos pontos mais altos da carreira dos Beatles, comparando-o a um segundo “Sgt. Peppers”. Há uma série de singles de sucesso durante 1971, incluindo “Imagine” com o B-side “Monkberry Moon Delight”, “Another Day” com o B-side “Crippled Inside” e “Jealous Guy” com o B-side “I Dig Love”. E, como já mencionado, “Bangla Desh” seria lançada como um single para promover o seu concerto, com o B-side sendo a única contribuição de Ringo para as sessões do disco, “Choochy Coochy”. Enquanto “Bangla Desh” entraria no álbum, “Coochy Coochy” não. O sucesso dos Beatles na turnê européia de 1971 os estimularia a planejar uma turnê americana em 1972, e uma necessidade de novo material – no mundo material …

(Baixe “Imagine Clouds Dripping” em Mp3 320kps aqui)

The Beatles – Living In The Material World (1972)

The Beatles Living In The Material World

 

Lado A:
1. Back Off Boogaloo (Starr)
2. Hi, Hi, Hi (McCartney)
3. John Sinclair (Lennon)
4. Get On The Right Thing (McCartney)
5. Who Can See It (Harrison)
6. Woman Is The Nigger Of The World (Lennon)

Lado B:
7. Live and Let Die (McCartney)
8. New York City (Lennon)
9. Living In The Material World (Harrison)
10. Single Pigeon (McCartney)
11. Happy Xmas (War Is Over) (Lennon)
12. My Love (McCartney)

“Living In The Material World” seria o azarão desta pós-vida dos Beatles. Algo como um primo do “Magical Mistery Tour”. Um disco menor, mas agradável. Bote a imaginação pra funcionar novamente: depois do sucesso dos Beatles em sua turnê européia no final de 1971, eles planejam uma nos Estados Unidos no início de 1972. As primeiras datas da tour são um sucesso tão imediato e tão agradável para os Beatles que os quatro membros e suas famílias encontram-se em uma residência temporária em Nova York e planejam uma “interminável” tour no continente durante o resto do ano. O Fab Four então é tomado por um desejo imediato de novo material e elabora rapidamente e registram “Living In The Material World”, novamente com Phil Spector produzindo. A demanda para o produto de forma que coincidisse com a tour “interminável” de 1972 pelos EUA obriga a gravadora a incluir muitos B-Sides e canções dos Beatles que já estavam encaminhadas, junto com o material recém-gravado.

O único single das novas canções gravadas em New York do álbum seria “Back Off Boogaloo”, de Ringo, com o B-side “Big Bard Bed”, recebendo críticas mistas, muitos se perguntando por que a superior “My Love” de Paul não era lançada como single. O próprio Lennon afirmou que “Woman Is The Nigger of The World” deveria ter sido o primeiro single, mas o resto da banda se recusou, por razões óbvias. Paul alegou que era suicídio comercial e nem queria incluí-la no álbum. Um acordo foi feito quando Lennon permitiu “Live and Let Die”, no álbum, uma canção que ele detestava e executada puramente por razões contratuais (embora ele entendesse que era importante do ponto de vista da venda do álbum e até mesmo admitido gostar de James Bond). Phil Spector sugeriria o hino feministade Lennon para o final do lado A no LP, para que os ouvintes sensíveis poderia simplesmente parar e mudar de lado se eles se sentissem ofendidos. Os DJs pareciam fazer exatamente isso.

Os críticos seriam muito duros com “Living In The Material World”, chamando-o de caça-níqueis e simplesmente uma desculpa para estender sua turnê da América (em vez de o contrário). Seria observado que o álbum parecia ser principalmente para a tour em si do que um disco de verdade, e a orientação política das canções de Lennon. Os críticos também apontariam a inclusão de músicas mais pop para completar o álbum fraco, como “Live and Let Die” e o single de dezembro de 1971 “Merry Xmas (War is Over)” com o B-Side “C Moon”. A Rolling Stone até mesmo apelidaria o álbum de “Filler In The Material World”. Os Beatles levariam a crítica muito mal, refletindo em sua tour e suas suposta cada vez mais excessivas festas no backstage e abuso de drogas. Encerrando sua turnê norte-americana no final de 1972, os Beatles ponderariam o próximo passo: como manter sua banda em fuga?

The Beatles – Band On The Run (1973)

The Beatles Band On The Run

 

Lado A:
1. Mind Games (Lennon)
2. Jet (McCartney)
3. One Day At A Time (Lennon)
4. Mrs. Vanderbilt (McCartney)
5. Photograph (Ringo)
6. Be Here Now (Harrison)

Lado B:
7. Band On The Run (McCartney)
8. I Know, I Know (Lennon)
9. No Words (McCartney)
10. Out Of The Blue (Lennon)
11. The Day The Earth Gets Round (Harrison)
12. Let Me Roll It (McCartney)

Este seria provavelmente um dos melhores discos desta vida setentista dos quatro rapazes de Liverpool. O álbum resultante desta experiência do Albums That Never Were foi tão coesa que metade das músicas parecia estar no mesmo tom, o que permitiu que a primeira metade do lado B tivesse um crossfade continuamente! Note que a faixa-título é irmã de canções como “I Know, I Know” e “No Words” com ela conduzindo o lado B em vez do lado A, pois o álbum parecia precisar de um soco dinâmico de esquerda e direita de “Mind Games” e “Jet” para iniciar o registro.

Após a longa tour norte-americana em 1972, os Beatles fariam um retiro em um estúdio nigeriano isolado para escrever e gravar músicas para seu próximo álbum. A serenidade após uma turnê agitada e cheia de festas tornaria a banda mais focada e unida em seus esforços. o single não incluso no disco “Give Me Love (Give Me Peace On Earth)” com “Picasso’s Last Words (Drink To Me)”, gravado durante estas sessões, tornaria-se um hit número um, enquanto os Beatles terminariam o restante do álbum em Londres. “Band On The Run” seria finalmente lançado em 1973, para enorme aclamação crítica e comercial, saudado como o “novo Abbey Road”.

Visto não apenas como seu melhor álbum na década de 1970, mas um dos melhores álbuns da carreira dos Beatles, “Band On The Run” recuperaria qualquer força perdida a partir do ano anterior com “Living In The Material World”. Dois singles de sucesso viriam com “Band On The Run”: “Mind Games”, com o B-side “Helen Wheels” e “Jet” com o B-side “Meat City”. Eles então embarcariam em uma turnê mundial em setembro de 1973. Seria agridoce, porém, como na conclusão das sessões de gravação de “Band on the Run” quando John entrou no que ficou conhecido como seu “fim de semana perdido”, que se estendeu durante toda a tour e para o próximo ano. Exasperado pelo comportamento selvagem e deslealdade eminente durante a turnê de 1972 da América do Norte de John, Yoko Ono se separaria do cantor, presumivelmente para permitir-lhe uma “despedida de solteiro estendida” para exorcizar seus demônios. John abraçou sua liberdade recém-descoberta com entusiasmo, e o sucesso comercial de “Band On The Run” e da turnê mundial resultante era um palco para isso. Apenas em 1974 Paul reconheceria a espiral descendente de John, e esperaria que houvesse uma maneira de impedir que os Beatles dissessem boa noite…

(Baixe “Band On The Run” em Mp3 320kps aqui)

The Beatles – Good Night Vienna (1974)

The Beatles Good Night Vienna

 

Lado A:
1. Venus and Mars/Rock Show (McCartney)
2. Whatever Gets You Thru The Night (Lennon)
3. Love In Song (McCartney)
4. So Sad (Harrison)
5. Steel and Glass (Lennon)

Lado B:
6. Junior’s Farm (McCartney)
7. (It’s All Down To) Good Night Vienna (Lennon/Starr)
8. Dark Horse (Harrison)
9. #9 Dream (Lennon)
10. You Gave Me The Answer (McCartney)
11. Nobody Loves You (When You’re Down and Out) (Lennon)
12. Venus and Mars (reprise) (McCartney)

Como todos poderiam supor, em certo ponto a vida da banda já não seria possível, já que Lennon deixou de fazer (lançar comercialmente) música em 1975, aposentando-se para se tornar um pai/dono de casa. Teríamos três opções para continuar a série de álbuns dos Beatles de 1970: 1) continuar sem John Lennon; 2) continuar esta série com contribuições de Lennon sendo suas “Dakota demos” acústicas emparelhando com o material de Paul, George e Ringo; 3) interromper a série por completo. Por mais que isso possa ser uma decepção para você, o editor do Albums That Never Were optou pela opção 3, presumindo que os Beatles teriam um hiato indefinido em 1975, permitindo aos outros três para perseguir suas carreiras solo. Terminaria com a aposentadoria de John Lennon. Além disso, após este ponto, Paul e os álbuns solo de George diminuíram em qualidade.

Use a imaginação e vamos lá: Após o sucesso do álbum de 1973 “Band On The Run”, John continuaria o que é chamado de seu “fim de semana perdido”. Depois de uma turnê mundial no início de 1974, os Beatles fariam um retiro para gravar outro álbum naquele verão, mas as sessões seriam conturbadas graças a um Lennon desajustado, preocupado apenas com festas ao lado de suas celebridades-amigas, isso sem mencionar um súbito ataque de laringite para George, impedindo-o de contribuir em qualquer número de novas canções que ele havia escrito para o álbum. A liderança de Paul vê a banda com dificuldades para completar o álbum, incentivando um disco gravado principalmente ao vivo, com “Venus and Mars” abrindo e fechando o álbum. A capa contaria com Linda McCartney e os Beatles representando a letra de “Junior’s Farm”.

A resposta seria geralmente positiva para “Good Night Viena”, tanto crítica quanto comercialmente. Definitivamente não é o seu álbum mais forte até agora, mas não seria uma decepção como “Living In The Material World”. “Junior’s Farm” seria o single, junto com o B-side “Ding Dong, Ding Dong”, um sucesso em 1974. Uma breve turnê européia seria planejada junto com algumas datas americanas. A queda, em torno da época do lançamento do single de “Whatever Gets Você Thru The Night”, foi quando Paul previu a  destruição eminente do colega de banda e querido amigo pelo seu excesso de alegria turbulenta. Talvez os Beatles haviam vivido mais tempo do que deveriam? Paul perceberia que John estava simplesmente mascarando sua solidão e a perda de Yoko, a pessoa que criou o equilíbrio em sua vida. O título de seu álbum- aparentemente uma gíria para “está tudo acabado” – seria profético, sendo que Paul sabia que a única maneira de salvar John era parar a loucura dos Beatles, a entidade que tinha permitido a destruição de John.

Ao tocar as datas nos EUA, Paul orquestrou uma reunião de John e Yoko para conciliação, esperando deixar John reencontrar o equilíbrio que faltava na sua vida. O plano de Paul daria certo, e John e Yoko mais uma vez encontrariam os pedaços de si mesmos desaparecidos um no outro. O show final dos Beatles aconteceria no Madison Square Garden em 28 de novembro de 1974 (com Elton John abrindo). John e Paul decidiriam juntos que era hora de os Beatles entrarem em hiato indefinido para salvar John e libertar os outros. Vendo uma oportunidade de redenção para o seu abandono da família anterior, John, posteriormente, se aposentou da música para se concentrar em uma vida familiar e doméstica para participar mais da vida de seu segundo filho. O resto dos Beatles estaria livre para prosseguir suas próprias carreiras solo. O resto é história … Ou poderia ter sido, de qualquer maneira.

(Baixe “Good Night Vienna” em Mp3 320kps aqui)