Construindo Loyal Gun: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Loyal Gun

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Loyal Gun, de São Paulo, que conta com Raffa Ap, no baixo, Bruno Duarte (Herod, Penhasco, O Apátrida e Attöm Dë) na bateria, Dija Dijones (O Apátrida, Penhasco, Odair José) na guitarra e voz e André Luiz (Fita e ex-Ronca) na guitarra.

Hum“Stars”
Hum é uma das maiores pérolas perdidas dos anos 90, sobretudo por conta de seus dois últimos discos, o sublime “You’d Prefere An Astronaut” e o irretocável “Downward Is Heavenward”. Talvez se dissermos que o som seja a mais perfeita simbiose entre Smashing Pumpkins e Sunny Day Real Estate não estaríamos mentindo. Se isso for algo difícil de acreditar, mais difícil para nós é acreditar que alguém não tenha ido ouvir Hum depois dessa referência. Nem que seja para nos desmentir.

Hüsker Dü“Chartered Trips”
“Zen Arcade” é, literalmente, uma grande viagem. A ideia é a seguinte: você é um jovem que se revolta (“Something I Learned Today”, “Broken Home, Broken Heart”, “Never Talking To You Again”) e, exatamente na quarta faixa, “Chartered Trips”, você, tomado por frustrações e esperanças, resolve pegar um ônibus e ir embora para um lugar onde você possa encontrar o seu verdadeiro eu e deixe de ser refém da opressão da qual acreditava ser vítima. Porém, a viagem é longa e ainda há muito para viver e aprender. Pode parecer algo muito ambicioso de se contar em um álbum, mas nada melhor do que a imaginação de quem está do lado de cá do falante para que grandes histórias sejam contadas.

The Posies“Solar Sister”
A melhor e mais nostálgica combinação que pode haver para nos levar de volta aos anos 90 é a de guitarras, cheias de feedback e distorção, poluindo belos acordes abertos que servem de sustentação para uma acachapante melodia vocal. E isso, Jon Auer e Ken Stringfellow (que também foi durante muito tempo músico de apoio do R.E.M.) fizeram com uma facilidade impressionante. E ainda continuam cometendo este tipo de canção até hoje, mal dá para acreditar nisso.

Swervedriver“Son Of A Mustang Ford”
Bandas de shoegaze como Ride, My Bloody Valentine, Catherine Wheel, Moose, Venus Beads e muitas outras são importantes na criação das nossas músicas, mas, talvez, a maior referência do estilo para nós seja o Swervedriver. Os acordes e riffs que saem da Jazzmaster de Adam Franklin saem dos discos e ficam permanentemente ressoando em nossos cerebelos, isso explica, por exemplo, alguns de nossos movimentos desengonçados no palco.

Dinosaur Jr.“Out There”
Faixa de abertura do antológico “Where You Been”. J. Mascis é uma referência tão forte para o Loyal Gun que cada um dos dois guitarristas possuíam uma Jazzmaster signature dele antes mesmo de se conhecerem. Não é por causa disso que algum deles venha a ter a destreza com instrumento que o inspirador do modelo tem, mas, sem dúvida alguma, fazem muitas coisas inspiradas no jeito de tocar deste guitarrista tão icônico e influente para os fãs de rock alternativo.

Thin Lizzy“For Those Who Love To Live”
Pode parecer estranho uma banda como esta na lista, mas a verdade é que com a primeira formação com 2 guitarristas (exatamente a que gravou este disco, o “Fighting”), o Thin Lizzy popularizou a ideia de se ter mais de um guitarrista solo numa banda. A ideia se popularizou e é possível notar como isso foi aplicado através dos tempos, de Iron Maiden a Hellacopters, de Judas Priest a A Wilhelm Scream. Adotamos isto ao nosso modo e buscamos aperfeiçoar algumas coisas de guitarra, como pensar em temas com melodias que nos soem interessantes e acordes que fujam um pouco do trivial.

Beezewax“Sign Of Relief”
Esta é uma banda norueguesa dos anos 90 com muita influência de Dinosaur Jr., Hüsker Dü e boa parte dos grupos dos anos 80 e 90 que militaram em favor das guitarras barulhentas e das melodias vocais cativantes. Tiveram um disco produzido pelo Ken Stringfellow (do Posies), para sermos mais precisos o segundo, o ótimo “South Of Boredom”, e seu vocalista, Kenneth Ishak, já esteve no Brasil por 2 vezes. Aliás, precisamos agradecer pelo disco de vinil que ele autografou e deu de presente: obrigado, Kenneth!

Placebo“Burger Queen”
Belíssima balada que encerra oficialmente (considerando que tem uma faixa escondida depois dela chamada “Evil Dildo”) um dos discos favoritos da casa, “Without You I’m Nothing”. O curioso sobre esta música é que, ao contrário do que o título pode expressar, não é sobre uma “rainha do hambúrguer”: é uma expressão para “gay que vive em Luxemburgo”, país onde o líder da banda, Brian Molko, morou na adolescência. No fim, é uma música sobre estar no lugar errado, na hora errada. Letras costumam ser uma preocupação comum para toda e qualquer banda, no entanto, é fascinante o número de formas que você pode empregar para dizer alguma coisa, expressar um sentimento ou contar uma história.

Buffalo Tom“Your Stripes”
Toda a banda tem um sonho, um tanto pueril de certa forma, de lançar discos bem produzidos, arrebanhar fãs, fazer turnês e tocar com seus ídolos. Se fossemos protagonistas de uma história assim, com certeza uma das bandas com a qual gostaríamos de tocar seria o Buffalo Tom, uma das nossas principais influências durante a fase da banda na qual éramos um trio. Uma informação interessante e que faz com que seja possível interligar uma referência em outra desta lista é que o Buffalo Tom, no início da carreira, foi produzido pelo J. Mascis, do Dinosaur Jr., o que rendeu ao trio de Boston o apelido de “Dinosaur Jr. Jr.”.

Superdrag“Do The Vampire”
Em alguns shows que fizemos algumas pessoas, fãs de rock alternativo como nós, costumam apontar 2 bandas como referências latentes nas nossas canções. Uma é o Placebo e a outra é este quarteto do Tennessee. De fato, as canções escritas por John Davis (seja no Superdrag, no Lees Of Memory, solo ou no Epic Ditch – onde toca com Nick Raskulinecz, produtor de bandas como Deftones, Mastodon, Rush e Foo Fighters, só para citar algumas) fazem muito a nossa cabeça, por mais que ele tenha tido uma estranha e inusitada fase que resultou em um disco inteiro dedicado a Jesus Cristo.

Sunny Day Real Estate“Guitar And Video Games”
Assumidamente, uma das nossas maiores influências nos primórdios da banda. Esta é uma das mais bonitas canções dos anos 90. Ela tem uma harmonia que traz uma certa melancolia, mas unida à uma sensibilidade impressionante e a performance vocal de Jeremy Enigk vai revelando uma intensidade no decorrer da música que acreditamos ser quase impossível não se render a tanta entrega e emoção na interpretação. A grande lição que fica aqui é a de que se a canção que você estiver tocando não tem a sua verdade como artista, pode desistir disso e ir fazer outra coisa.

Weezer“I Just Threw Out The Love Of My Dreams”
É bem difícil uma banda formada a partir dos anos 2000 que se dedique a tocar rock alternativo dos anos 90 não ser influenciada por Weezer. Esta é a única canção do Weezer com uma mulher no vocal principal, neste caso, a Rachel Haden (.that dog, Rentals, etc.). No começo do Loyal Gun, a ideia era ter uma vocalista e esta canção era uma das referências para a banda naqueles dias. Havia uma pessoa para tomar o posto, mas semanas antes de confirmarmos o primeiro ensaio com a primeira formação da banda, ela se mudou para a Alemanha. Ou seja, a banda mal começou e já tomou um 7 x 1.

Pin Ups“You Shouldn’t Go Away”
Já que o Spotify ainda não nos dá o prazer de poder ouvir Killing Chainsaw, Shed, Valv e outras bandas importantes que nos mostraram que era possível ter uma banda brasileira cantando em inglês, fazer trabalhos relevantes e ter um público, ainda que bem seleto, nada mais justo do que representar esta ideia e este ideal no Pin Ups. Acreditamos que cantar em outra língua é uma opção que toda e qualquer banda pode usar a seu favor e não há nisso razão para categorizá-la como uma banda menor e/ou desprezível. Para ilustrar isso, vale a pena mencionar que durante as gravações de “Dinner And Breakfast”, do The Hexx, os integrantes de Loyal Gun, Sky Down e Twinpine(s) que aparecem no vídeo estavam na verdade tocando esta música do Pin Ups. A ousadia de cantar em inglês prosperou e alcançou outras gerações.

Hateen“Mr. Oldman”
Ainda que o hardcore, assim como seus congêneres, não seja um estilo presente e/ou perceptível em nossas composições, bandas como Garage Fuzz, Street Bulldogs e Hateen foram importantes em nossa concepção sonora, pois, no começo dos anos 2000, há entre nós quem acompanhasse a fervilhante movimentação de bandas que levavam adolescentes a lotar as dependências do Hangar 110 todos os finais de semana naquele período, reforçando a ideia já perpetrada por Pin Ups, Second Come, Mickey Junkies, Killing Chainsaw, Dash, brincando de deus, Madeixas, Dead Billies, Úteros Em Fúria, Pinheads, Muzzarelas e tantas outras de que, se nós quiséssemos, inglês seria coisa nossa.

Superchunk“Cast Iron”
Patrimônio do rock alternativo dos anos 90, o Superchunk também é um exemplo mostrando um caminho, árduo mas possível, para quem não atende às exigências de mercado e nem quer atender, ao fundar seu próprio selo (a Merge Records) e lançar quase todos os seus discos do jeito que queria através dele. Obviamente, nossa realidade de país subdesenvolvido é diferente e é preciso compreender bem isso, mas sejamos honestos: se é praticamente certo que o rock não vai pagar nossas contas, porque então não tomar as rédeas de tudo e fazer o que der na telha do jeito que conseguimos lidar? Ganhar algum dinheiro é importante para pelo menos uma banda se custear, mas a prioridade tem que ser a música e o prazer que ela proporciona. Para ganhar dinheiro, o melhor é se dedicar paralelamente a outra coisa mesmo e conciliar na medida do possível.

Nada Surf“No Quick Fix”
Pode parecer uma receita um tanto cliché, mas ainda nos fascina esta tentativa de pegar uns 4 ou 5 acordes de guitarra, colocá-los em um compasso simples e tentar balbuciar uma boa melodia vocal para acompanha-los, enquanto se procura palavras que soem interessantes o suficiente para a ocasião. O Nada Surf é das bandas que investem no método e eles costumam se sair bem na esmagadora maioria das vezes.

Heatmiser“Christian Brothers”
Banda que teve Elliott Smith como vocalista. Tanto que a versão mais conhecida desta música é a que está presente em seu disco solo autointitulado, lançado em 1995. A versão solo (que apesar de ser gravada depois, foi lançada antes que a versão do Heatmiser) é tocada ao violão, acompanhada por uma discreta e contida bateria. É interessante ver como no formato com banda a canção muda e isso tem muito a ver com muitas canções que fizemos, pois elas muitas vezes partem de uma ideia feita ao violão e depois se tornam outras quando desenvolvidas com a banda toda.

Teenage Fanclub“Can’t Feel My Soul”
Powerpop é uma das grandes influências da banda, pois, na nossa concepção, um dos caminhos possíveis de se desbravar para se fazer uma boa canção é aquele no qual, entre um riff, um lick ou um acorde aberto cheio de overdrive, um baixo pulsante e uma bateria marcando bem o ritmo, você encontra uma melodia vocal que você, ao ouvir, também sente vontade de cantar. O Teenage Fanclub é um patrimônio do estilo que sabe muito bem como percorrer esta rota.

Wipers“Mystery”
Em um determinado período da banda, durante uma das diversas transições decorrentes de mudanças na formação, decidimos que escolheríamos algumas músicas que gostávamos para tocar em um ou outro show. Esta foi uma delas. Sua curta duração gerava uma dúvida sobre o que era melhor: improvisar e alongá-la ou apenas tocá-la inteira várias vezes seguidas. Acabamos optando pela segunda possibilidade. Mas é tão divertido tocar esta canção que, na verdade, tanto faz.

Nirvana“Sappy”
Foram os b-sides do Nirvana os responsáveis por mostrar uma outra faceta da banda (alguns deles, inclusive, são versões de canções do Wipers) e hoje, passados todos estes anos do furacão grunge e numa era na qual chega-se a falar sobre um revival do estilo, estes b-sides ainda se mostram preciosos. O que se extrai daí é a importância de se insistir procurando uma melhor disposição de acordes, uma linha de baixo mais interessante, uma melodia vocal mais cativante, pois, por mais que você não vá incluí-la em um álbum ou no seu repertório, é importante ter a convicção de que você fez o seu melhor e, mesmo que você consiga se superar em outras ocasiões em outras canções, em um dado momento o valor do que foi deixado para trás se fará perceptível de alguma maneira.

Construindo La Burca: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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La Burca

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo La Burca, que indica suas 20 canções indispensáveis.

L7“Andreas”
Amanda: Um marco na minha pequena vida musical, nunca mais fui a mesma depois que comecei a escutar essas mulheres e as vi pela tela da TV esfregando um modess na cara da sociedade no Hollywood Rock. Tinha uns 12 anos quando comprei o CD “Hungry for Stink”, deixava no repeat sempre. L7 foi uma referência forte na minha construção sonora. Uma tatuagem sonora. Acho que a música “Similar” é um exemplo.

Come“Hurricane”
Amanda: As linhas de guitarra preguiçosas/nervosas e vocal largado-chapado de Thalia Zedek me arrebataram nos anos 2000, época que descobri a banda. Inebriante essa canção. Tem um som inédito “El Topo”, que foi bem influenciado por essa fase, lembro que estava viciada no disco “Near Life Experience” quando compus.

Ramones“53rd e 3rd”
Amanda: Os Ramones construíram toda a minha base para fazer música. Eu pensava, também posso criar, caramba! Esse som é um deles, um épico punk e tem todo o contexto junkie psicótico do Dee Dee. Eu sempre racho o bico na última estrofe porque é absurda e lembro que não podemos nos levar a sério o tempo todo com nossas letras. Bom, tomara que ele não tenha puxado a navalha de fato, né. “Gonzo Truth”, que é uma canção relativamente calma nossa, tem uma batida da bateria em “slow motion” inspirada nesse som, por exemplo.

Wipers“Soul’s Tongue”
Amanda: Esse som me leva para passear por dunas sonoras da alma e me inspira em vários momentos, Greg Sage é uma escola foda. Tem umas linhas de som instrumental livres que faço pra me soltar e que formam sons depois que vem dessa linguagem, bom, pelo menos eu tento e vou continuar tentando! (risos)

Patti Smith“Wings”
Amanda: O que falar dessa mulher e da sua importância na nossa (r)existência musical/ artística como como ser humana? She is a benediction. Obrigada pelas asas & baladas, Patti ❤

Mercenárias“Imagem”
Amanda: Esse som é fantástico e ímpar, gosto muito do tom da voz da Rosália. Aos poucos começo a cantar uns trechos dos sons em português, e Mercenárias me “ajudam” nessa transição. Sempre escuto pra dar um gás no pt/br e lembrar das origens também (risos)!

Durutti Column“Sketch for a Dawn I”
Amanda: Esses dias coloquei pra Duda (nova batera) escutar, e ela falou: “É daí que vem os graves que vc sempre pede”! Os tum-dum-dum dos tons, sempre marcantes na hora de construir as minhas baterias mentais…(risos). Na real, o álbum “LC” do Durutti Column é o meu preferido de todos os tempos. Me pega de um jeito atemporal, adoro a “fragilidade” tão intensa dos sons desse magrinho querido.

The Index“Israeli Blue”
Amanda: Quando decidi assumir o violão folk e esboçava formar a La Burca, vinha escutando incessantemente essa banda psych-garageira. Puta som visceralzão, só lançaram 2 discos no final dos 60´s. Me apaixonei por eles e sempre retorno pra me revigorar no violão, embora o som deles seja com guitarra. Mas faço essa conexão sempre entre Index e violão.

Hazel“Day Glo”
Amanda: Som que me abraça e faz eu voltar no tempo de descobertas sonoras: melódico, pungente e grunge. Puta-que-o-pariu, que trio, ou melhor, que quarteto com o louco dançarino! As linhas de vocal intercaladas entre a baita batera Jody e do guitarrista Pete são fodas demais pro meu coração, muita criação grungística veio daí. Banda muito querida na minha vida.

Dead Moon“Clouds of Dawn”
Amanda: Essas bandas de Portland, vou falar, viu (Wipers e Hazel too)! Passava horas nas tardes distraídas e descompromissadas de minha adolescência ouvindo esse trio maravilhoso! Vi eles no doc “Hype” e chapei no som meio garageiro tosco bem tocado. Gosto muito dos vocais do casal, é muito emocionante. Esse som me acompanha há muito tempo e não abro mão.

The Slits“Dub Beat”
Jiulian Regine: O que me agrada na pesquisa rítmica de Palmolive é a experimentação dentro do gênero post-punk, a cada disco percebe-se fisicamente a liberdade de investigação, rompendo todas as limitações e queimando todas as bandeiras com gosto e bruxaria.

Autolux – “Listen To The Order”
Jiulian Regine: Os grooves de Carla Azar são verdadeiras fontes de inspiração e pegada, muita dinâmica, notas fantasmas e muita precisão. Escuto sempre com a alma toda, com segurança e alegria nas composições dela.

Babes In Toyland – “Hello”
Jiulian Regine: Lori Barbero trás uma pegada que é muito natural pra mim, tanto nos timbres quanto no estilo, que é um flerte ao metal.

Blood Mary Una Chica Band“Take Me”
Jiulian Regine: A Mari me trás uma mistura de influências que vem do blues ao garage fuzz, se decupar o trabalho dela você encontra muita influência que se atravessa e resulta sempre em trabalhos fantásticos. Absorvo sempre a riqueza da simplicidade do que é possível fazer para acompanhar um beat predominante que é o da guitarra, ou violão, no caso da La Burca. E não confunda simplicidade com facilidade!

Deap Vally“Baby Can I Hell”
Jiulian Regine: Julie Edwards me faz investigar a postura corporal, acima de tudo. Uma potência performática!

The Coathangers“Hurricane”
Jiulian Regine: Essa música me faz pensar no timbre, com cadência rápida e suja sem perder a nitidez, chimbal aberto no groove todo com dinâmica sucinta. Tenho a impressão de que Rusty adoraria conhecer La Burca (risos).

Carangi“Seven”
Jiulian Regine: A Carol Doro é um orgulho, além de ser aquariana do mesmo dia que eu (risos) temos muito em comum, incluindo nosso amor pelos batuques. Gosto de como ela soa na bateria, com essa pegada de grunge delicioso que ela trouxe para o Carangi, com essa banda eu fecho os olhos e mergulho nas cores dos timbres dos pratos que ela tanto escolhe com atenção. Em todos os níveis a La Burca me proporciona investigar esses timbres mais abertos de pratos e chimbal, com a caixa mais seca e precisa. A relação é direta.

Sleater-Kinney“Steep Air”
Jiulian Regine: Bom, a Janet me faz querer rudimentos e mais rudimentos, amo a forma como ela traz as viradas pra dentro dos grooves, não só como delimitação das partes mas como composição das frases.

Lava Divers“Done”
Jiulian Regine: A Zump me encanta, quando você a vê tocando você sente todo o amor e toda a forma de expressão através da bateria, eu costumo fechar os olhos e viajar.

Hangovers“V de Vinagre”
Jiulian Regine: Ai ai, Liege. Determinação (se for pra definir e olha que definições não me convém). Pegada forte, dança de bumbos, sempre atenta aos timbres. Poderosa!

Construindo Sky Down: conheça as 21 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo Sky Down

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Sky Down indicando suas 21 canções indispensáveis. “Mesmo sendo 21 musicas com certeza esta faltando várias coisas ai, como em qualquer lista”, diz Caio, vocalista e guitarrista.

The Stooges“Loose”
Caio: Sky Down começou comigo e com André combinando de ficarmos num estúdio tocando Stooges.

David Bowie“Life On Mars”
André: Colocar uma briga de salão de dança envolvendo marinheiros e “homens da lei” espancando o cara errado, tudo no mesmo caldeirão, transformando isso em uma epopéia digna de um show de horrores.

The Cure“Shake Dog Shake”
Amanda: Acho dançante, acho sensual e é uma das bandas favoritas, né.

Christian Death“Figurative Theater”
Amanda: Nem sei o que dizer, apenas RECEBA essa música como um presente. Esse disco quase furou de tanto que ouvi. Baixo estralano o côro.

Young Marble Giants“Credit In The Straight World”
Caio: Menos é mais.

The Clash“Complete Control”
André: A essência de Joe Strummer e Mick Jones está aqui. Música pra você levantar, pensar e seguir em frente.

CAN“Moonshake”
Amanda: De quando me apaixonei pelo motorik 4/4. Krautlovers.

Pin Ups“Feel So Strange”
Caio: Em algum ponto da adolescência caí no Pin Ups, obviamente pelas coisas que ouvia de rock alternativo, grunge, punk, etc, na época. Entrou no bolo das bandas que mais gosto.

PJ Harvey“Rid Of Me”
Caio: Quando gravamos o “…nowhere” o “Rid Of Me” era uma das referências que tinha na cabeça na época. Uma banda sendo gravada tocando numa sala, cru, meio que mesmo nesse meio digital moderno de hoje, ir pelo caminho do básico.

Plexi“Star Star”
André: Tão controversa é a música da letra, a banda mostra pra gente que é possível misturar um desabafo pesado com uma melodia maravilhosa.
Caio: Tô nessa, e com boa parte desse disco “Cheer Up”. “Peel” pra mim é o ápice deles ali.

Kid Kong and the Pink Monkey Birds  – “Lurch”
Amanda: Melodia bonita, tava numas de melodias lindas e pirei nesse disco.

Wipers“Wait a Minute”
André: A melhor música dessa banda que até hoje não foi sacada.
Caio: Eu ia falar do Youth Of America”, então vou aproveitar o espaço dessa aqui. Acho os três primeiros do Wipers “intocáveis”. Tem show nosso às vezes que escolhemos umas 5 musicas e “Youth Of America” pra ficar uns 10 minutos tocando ela, é uma boa desculpa pra terminar um show. Uma das coisas que gosto no “Youth Of America” também é como ele vai na contramão do que estava sendo feito no punk ou mesmo hardcore que começava a criar corpo na época (1981).

Pixies“Hey”
Caio: Meu objetivo de pop perfeito.

Raul Seixas“Quando Você Crescer”
André: Um tapa na cara da sociedade.

Sisters of Mercy“Alice”
Amanda: Eu amo Sisters of Mercy e nunca vou enjoar.

The Gun Club“Yellow Eyes”
Amanda: Uma linha de baixo triste e linda. Eu amo.

Siouxsie and the Banshees“Israel”
Caio: Rainha.

Jah Wobble“Subcode”
Amanda: Baixista do PIL, fudido. Recomendo demais esse disco com o Bill Laswell, inclusive.

The Brian Jonestown Massacre“Anemone”
Amanda: Ouvia direto esse som no 74club. Achava bonita. Um dia fui lá perguntar o que que era e quando saquei ouvi demais também!

X“Come Back To Me” 
André: Receber a notícia que a sua irmã faleceu momentos antes de subir ao palco e ir ao banheiro escrever a letra dessa música. Não preciso dizer mais nada.

Sex Pistols“No Feelings”
Caio: Gravamos essa lá no primeiro EP em 2012. Parece que toda vez que o assunto cai neles vira uma polemiquinha, vejo que a maior parte da galera vai pelo senso comum (que é uma banda de mentira, montada, etc). A maioria comprou a ideia que o empresário Malcolm vendeu deles (ponto pra ele) e pouco ouviram o que a banda em si diz ou mesmo no (óbvio) impacto que ela teve na cena musical inglesa e posteriormente no resto do mundo. Adoro as letras e o sarcasmo do John Lydon, ele tinha 20 anos quando teve que encontrar sua voz e escrever algo como “God Save The Queen”. Gosto muito do PiL também, que é onde ele realmente se mostrou algo além de alguém que ataca as instituições.

RockALT #2 – Lo-Fi, Miami Tiger, Stvz, The Replacements e Wipers

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RockALT #2

RockALT, por Jaison Sampedro

Esta semana o RockALT faz dois anos. Por causa deste fato e a necessidade de escrever uma coluna para o blog do Crush em Hi Fi, passei horas conferindo a seleção de musicas que toquei nos programa anteriores pensando quais musicas eu poderia recomendar. Assim como na coluna da semana passada, selecionei algumas bandas do cenário alternativo nacional pra apresentar, mas também resolvi separar duas bandas antigas que talvez você conheça e saiba que elas influenciaram muito um certo individuo chamado Kurt Cobain.

Lo-Fi
Sem dúvida essa é uma das bandas mais pesadas que já tocamos no RockALT, punk-rock hardcore de primeira, feroz, sujo e rápido. O trio de São José dos Campos foi formado em 2008 por Rogério (baixo), Thiago (guitarra e voz) e Marcelo (bateria) já tem um trabalho extenso e recentemente lançaram o EP “With Doubts on the Ways of God” e tem uma duração menor do que quatro minutos. Feroz, sujo e rápido levado ao pé da letra.

Miami Tiger
Ano passado a banda de São Paulo, Miami Tiger lançou seu primeiro EP “Amblose”, nós já tocamos musica “Meu Lugar” no programa 92. Gostei bastante das cinco músicas, a voz suave da vocalista Carox demostra ao mesmo tempo atitude e firmeza nas letras cheias de empoderamento. O grupo ainda conta com Pha Bemol (guitarra), Henrique Almeida (guitarra), André Oliveira (baixo), Franco Milane (bateria) e ainda teve a participação de Rodrigo Lima do Dead Fish na ultima faixa “Ali”.

Stvz
Enquanto fazia uma pesquisa pelo bandcamp procurando por musicas novas, trombei com Stvz, um som instrumental com uma pegada meio grunge meio indie. Não dá pra dizer muito sobre o “pequenas tragédias” porque até o presente momento só há uma musica disponível para escutar, a faixa “mad lex sed lex” me impressionou bastante. Vamos ver se o resto do álbum será nesse mesmo caminho, até porque os álbuns anteriores tinham uma pegada mais eletrônica. “Pequenas Tragédias” foi lançado dia 21 de fevereiro.

The Replacements
Uma das bandas antigas que selecionei é The Replacements, com certeza você os conhece pelos hits “Bastards of Young” e “Unsatisfied”, mas eu lhes asseguro, a banda é muito mais do que isso. Além de todo o mito do grupo de Minnesota, a história de sucesso que poderia ter e não teve, as inúmeras bandas que influenciou, essa é uma daquelas bandas dos anos 80 e que não parece ser dessa época. Dos quatro álbuns produzidos pela banda, sem dúvida, o melhor é “Let It Be” de 1984, por isso a música que vou selecionar é a segunda faixa, “Favorite Thing”. E sim, essa é minha musica favorita do disco (perdão pelo trocadilho)!

Wipers
Se você curte o cenário musical de Seattle, então fique sabendo que esse movimento musical dos anos 90 deve muito ao Wipers, e sem dúvida eles são o link perdido entre The Sonics e Nirvana. O líder do grupo Greg Sage era mais velho do que a maioria dos punks quando formou a banda: em 1977 ele tinha 25 anos. Sage era fã de Jimi Hendrix e obviamente ele não possuía o virtuosismo do ídolo, mas carregava praticamente a mesma intensidade em seus shows e rejeitava a aura amadora do punk. Pode-se dizer que Wipers é punk e ao mesmo tempo não é, por ter sido formado em Portland e não em grandes centros musicais como Nova Iorque e Los Angeles. Greg Sage criou um som único e forjaram o seu próprio caminho. Recomendo muito os três primeiros álbuns, o primeiro “Is This Real” de 1980 é daqueles discos que você escuta de cabo a rabo e a minha faixa favorita é “Mistery”. Se você não conhece a banda pare agora mesmo pra escutar e se você já conhece, faça o mesmo.

Se você curtiu essa coluna, não deixe de ouvir o RockALT! Nossos 93 programas estão disponíveis no link abaixo e o programa da semana sai sempre às quintas-feiras!

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