Construindo Giovanna Moraes: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Giovanna Moraes, que está trabalhando atualmente seu mais recente disco, ‘Àchromatics’

“20 músicas que inspiraram ‘Àchromatics’? Queria ter mais do que só 20! É engraçado – de certa forma essas são músicas e pessoas que me inspiram ou inspiraram criativamente – algumas trago comigo desde criança da época quando não escolhia muito o que ouvir, já outras entraram em cena enquanto eu estava gravando o disco e procurando referências pra ajudar a criar meu som. Tem muitos outros sons que entraram em cena desde então – tudo é inspiração! De qualquer forma aqui vai minha tentativa”, diz.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Ella Fitzgerald“Perdido” (“Live at Mister Kelly’s”)

Impossível não falar de Ella Fitzgerald. Amo a natureza com que ela canta, fazendo qualquer coisa parecer fácil. Essa música já escutei tanto que transcrevi o solo dela quase inteiro (risos). Tem um tom de felicidade e bom humor nela – acho impossível não sorrir ouvindo.

Esperanza Spalding“Good Lava” (“Emily’s D+ Evolution”)

Amo como a Esperanza mesclou jazz com rock nesse CD, mas, especialmente nessa musica, gosto muito dos slides vocais que ela usa. É um recurso que também utilizei no meu álbum e eu não conhecia antes de ouvi-la.

Hiatus Kayote“Molasses” (“Choose Your Weapon”)

Amo Nai Palm, acho que a voz dela incrível e essa música maravilhosa com uma pegada bem rítmica. Parece que tem uma novidade a cada compasso.

Fiona Apple“Hot Knife” (“Idler Wheel”)

Fiona arrasa, canta com uma emoção de um jeito que eu sinto o que ela quer dizer, mesmo se não escutei a letra. A música faz com que o idioma no qual ela canta não faça diferença.

Aurora“Murder Song (5, 4, 3, 2, 1)” (“All My Demons Greeting Me As A Friend”)

Admiro muito a voz da Aurora e suas linhas melódicas. Acho o trabalho dela lindo, uma referência para meu trabalho visual também. Aurora é das minhas, deixa você achar que entendeu o que está acontecendo e aí joga algo que você não esperava.

Gilberto Gil“Refazenda” (“Refazenda”)

Acredite ou não, mas acho que tem uma pegada de baião na parte C da minha canção “Dark”. Escutei muito à “Refazenda” treinando a rítmica para conseguir gravar.

Tom Zé“Toc” (“Estudando o Samba”)

Amo essa música doida. Escutando ela sinto que tem um mundo de coisas, pensamentos acontecendo em paralelo, em ciclo – variações do mesmo problema, pingando pela música até que acaba, do nada.

Gal Costa“Cultura e Civilização” (“Gal Costa”)

Adoro a Gal e sua flexibilidade vocal e acho que tem uma pegada de se arriscar no jeito que canta, adoro. Ela não tem medo de errar, porque ela sabe errar, e sabe que no erro vem algo de inédito, honesto e bonito. Acho que nesse sentido tenho algo de Gal também.

White Stripes“Seven Nation Army” (“Elephant”)

Amo White Stripes! Não é nenhum segredo (risos). Desde a estética e o “branding” do vermelho-preto-branco do Jack White, ao som e a química entre ele e Meg, me encanta a confiança de fazer um som tão grande com dois integrantes somente.

Jimi Hendrix“Foxey Lady” (“Are You Experienced”)

Amo essa música e amo Jimi. Já passei altos micos cantando e dançando essa música quando pensei que estava sozinha, rs. Para mim, Jimi tem uma pegada amarga e um som pesado, delicia, gravado em afinação 432Hz.

Patti Smith“Gloria: In Excelsis Deo” (“Horses”)

Acho a Patti incrível! Ela começa seu álbum de estreia, Horses, com essa musica, já deixando claro que ela se responsabiliza por tudo na sua vida, inclusive seus pecados. Uma mulher que canta pra caralho e que abriu mil portas mostrando que mulher pode ser e cantar do jeito que quiser. Mil brincadeiras de timbre, escuto muito como estudo.

Sepultura“Roots Bloody Roots” (“Roots”)

Eu adoro esse álbum todo – acho muito incrível a historia por trás desses brasileiros fazendo metal pesado em inglês e arrasando. Pelo que conheço da história, um deles teve um sonho tribal onde o índio chefe voltou irritado com o homem civilizado pela coisas completamente irracionais que ele fez sobre a terra. Adoro isso, de um álbum conceitual, acredito que o meu seja também. Descobri o que é “Drive Vocal” ouvindo Sepultura também.

Beach Boys“Wouldn’t It Be Nice” (“Pet Sounds”)

Falando de álbum conceitual, impossível não falar de Pet Sounds. Sinto que entendo a pegada de Brian Wilson, isso de querer usar tudo como instrumento – de fazer coisas que muitos poderiam achar estranho e feio, mas como num todo funciona de um jeito lindo.

Blondie“Hanging on the Telephone” (Blondie – Parallel Lines)

Mulher bandleader com cara de meiguinha (risos), já adorei. Foi um dos primeiros CDs que comprei, adoro sua mescla entre rock e pop.

The Runaways“Cherry Bomb” (“The Runaways”)

Meio riot grrrl, mulheres fodas, cansadas de ter que fazer o papel de menininha, quebrando tudo e ao mesmo tempo tirando um sarro. Adoro.

Talking Heads“Psycho Killer” (“Talking Heads 77”)

Gosto dessa pegada da letra, de não ser só significado, mas também uma sonorização. Um de minhas músicas também traz isso, no caso, “Dark”, onde no lugar de um “Fa Fa Fa” vem um “D-D-D”, mas com esse recurso.

Frank Zappa“The Walking Zombie Music

Sons mais experimentais e com essa pegada de improviso que eu adoro. Fora que ele é um performer maravilhoso! Gosto muito, tanto que fui ver a banda do filho dele, Zappa plays Zappa, sozinha, porque não achei ninguém pra ir comigo e me diverti pacas (acho uma delicia ir sozinha em show, aliás).

Queen“The Show Must Go On” (“Innuendo”)

Freddie Mercury não tem comparação. Gravada em um take, no final da vida dele, quando ele já estava bem mal e mesmo assim uma das músicas que ele canta com mais recursos vocais. Acho essa música treta.

Beatles“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”)

Não só a música, o álbum como um todo redefiniu o que são os Beatles pra mim e o que é música popular. Mostrando que dá pra fazer algo complexo e conceitual, mas que ainda tenha um apelo popular ao mesmo tempo. Adoro o aspecto performático também, com o álbum sendo a peça toda.

Hermeto Paschoal“Quebrando Tudo”

Hermeto não pode faltar – meu compositor favorito! Inclusive tive o prazer de conhecê-lo enquanto estava gravando o disco em uma apresentação/bate papo dele na UNICAMP. Acho ele vital para qualquer um que tente fazer música de um jeito diferente. Para mim o Hermeto é um símbolo de inovação musical – mostra que existe muitos mais sons e instrumentos para descobrir. O projeto dele, de melodias inspiradas em sons falados, acho incrível também. Quando fui falar com ele, ele respondeu com a mesma melodia e rítmica que eu falei com ele (risos). Doidão, adoro ele.

Cantarolando e sentindo o blues: “St. James Infirmary”

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A jovem Meg White descobriu esta canção e a apresentou para seu companheiro Jack fazer sua própria versão nos White Stripes. Assim como Meg, eu também descobri esse clássico do blues através de um desenho da Betty Boop.

No episódio de 1933, a Betty Boop faz as vezes de uma Branca de Neve sensual e, assim como na história original, reproduz a cena macabra em que ela fica morta dentro de um caixão de vidro. Porém, para acompanhar a morbidez da cena, o criador Max Fleischer preparou uma das cenas mais legais de desenho animado que eu já vi: enquanto o caixão de vidro cai num buraco para o submundo, o palhaço Koko – personagem recorrente nos desenhos da Betty Boop –  canta um blues sofrido sobre um rapaz que foi ao hospital ver o corpo de sua amante, enquanto se transforma em um fantasma. Super a ver com a verdadeira vibe da Branca de Neve morta:

Eu fui à enfermaria St. James, eu vi minha garota lá

Ela estava esticada em uma mesa comprida e branca

Tão doce, tão fria, tão formosa

Deixe-a ir, deixe-a ir, Deus a abençoe

Seja lá onde ela estiver

Ela pode procurar em todo este mundo

Mas nunca vai encontrar outro homem gentil como eu

A voz do palhaço é de Cab Calloway, que fazia parte das big bands mais populares nos anos 30 e 40. Os movimentos do palhaço Koko também foram inspirados em Calloway, que era famoso por suas apresentações performáticas. A propósito, ele faz uma participação no filme “Irmãos Cara de Pau” (1980), cantando “Minnie The Moocher.

O blues cantado por Koko é “St. James Infirmary”, uma canção tradicional sem data ou autoria certa. Acredita-se, porém, que suas diversas versões têm origem na canção britânica de 1770, “The Unfortunate Rake”, em que narra a visita de alguém a um hospital – provavelmente para tratar doenças venéreas – e, sabendo que vai morrer, dá instruções sobre o que fazer em seu funeral.

Assim como na original britânica, a tradicional americana de 100 anos depois também possui passagens com instruções sobre o que o narrador quer que façam em seu funeral. Outras versões que originaram “St. James Infirmary” também podem ser encontradas como “Gambler’s Blues” [ou o “blues do apostador”], datadas entre o final do século XIX e começo do XX, e são atribuídas principalmente aos negros americanos.

Voltando à Betty Boop morta, enquanto Koko canta e dança como em cortejo ao caixão de vibro, o cenário de fundo vai ficando cada vez mais macabro, com várias caveiras ao fundo e referências à bebedeira e jogatina. O cenário criado no desenho não é por acaso, isso porque a canção se refere mesmo a um ambiente de submundo, típico entre os negros do começo do século XX dos EUA, época em que a canção tradicional chegou aos bardos dos jovens americanos. A simbologia das caveiras também pode ser associada aos funerais de Nova Orleans, com referências à cultura vudu.

St. James Infirmary, como um blues tradicional que se preze, tem infinitas regravações e versões. Desde Joe Cocker até White Stripes, como falei no começo do texto. A mais famosa delas talvez seja a do Louis Armstrong, que é também uma das mais tristes, vibe de lamento, mesmo. Eu mesma já tive a oportunidade de estar em um funeral em que o falecido pediu para tocar esta versão, o que foi feito. Foi uma das experiências mais tristes, mas, se serviu para alguma coisa, foi para sentir verdadeiramente O BLUES.

Construindo Color For Shane: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Color For Shane

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo Color For Shane, que indica suas 20 canções indispensáveis.

The Strokes“Is This It”
Eu já conhecia Strokes antes, mas só quando eu tinha uns 14, 15 anos e estava na casa de um primo que eu peguei o CD na mão. E acho que o combo encarte e som me hipnotizou de um jeito que até hoje, qualquer coisa que não seja relacionada à música é sem graça pra mim.

Interpol – “Stella Was a Diver and She Was Always Down”
O disco “Turn On The Bright Lights” é tipo um molde de CD para mim. Ele tem o número certo de músicas, a sequência perfeita de sons, a capa é muito legal e o encarte é só uma foto, mas é A FOTO. Eu gosto de todas as músicas do disco, mas a “Stella Was a Diver and She Was Always Down” é responsável, pelo menos para mim, pelo clima do disco. Além de ser o nome que mais se destaca na contracapa.

Radiohead“Myxomatosis (Judge, Jury & Executioner)”
Radiohead é minha banda predileta. Tipo, aquela banda que você gosta quando adolescente que é especial. Eu lembro que qualquer minuto livre era desculpa para ouvir. Esse som fez eu me tocar que grave é muito legal. Até hoje eu tento fazer o timbre da minha guitarra ser uma mistura do riff do Ed O’Brien e o baixo do Colin Greenwood.

Placebo“Haemogoblin”
Foi o primeiro som que vi alguém usando um megafone para cantar. Essas coisas te marcam sabe? Depois disso, sempre pedi pra quem fosse o responsável pela mix de alguma gravação do Color for Shane para colocar pelo menos um pouco de distorção na voz. Além disso, a estrutura desse som também é bem interessante, ele é bem barulhento, mas ao mesmo tempo tem um refrão bem pop que aparece na minha cabeça nas horas mais improváveis.

Sonic Youth“Fire Engine Dream”
Eu costumava ouvir esse som todo dia de manhã no caminho para a faculdade. Era bem legal saber que o som no seu fone era bem mais confuso do que qualquer outra coisa acontecendo ao seu redor.

The (International) Noise Conspiracy“Bigger Cages, Longer Chains”
Na verdade podia ser qualquer música do INC, mas essa foi a primeira que eu ouvi. Ela faz parte da construção do Color, porque até hoje essa banda me da coragem de escrever sobre o que eu quiser e também me ajudou a conhecer vários livros que me inspiram muito.

Primal Scream“Lord is My Shotgun”
Uma das músicas mais legais que já fizeram na história do planeta Terra!

The Clash“Straight to Hell”
Essa música é uma daquelas atemporais. A letra sempre vai ser atual, infelizmente. Mas sabe aquela história de mudar o mundo com uma música? Acho que essa é a que chega mais perto. Por isso, ela sempre vai ser uma inspiração para mim.

The Kills“U.R.A. Fever”
Eu lembro que estava numa Saraiva ou Fnac em 2008, 2009 e adorava pegar CDs que não conhecia e ouvir naqueles fones que você passava o código de barras. Bom, foi assim que conheci The Kills. Eu adorei a capa do “Midnight Boom” e quando coloquei para ouvir começou a tocar “U.R.A. Fever” e… não parei de ouvir até hoje.

The Cure“Lost”
Esse som repete o mesmo riff a música inteira. É tão simples e tem uma letra tão sensacional que é impossível, para mim, não ouvir umas três vezes seguidas. Essa simplicidade me inspira bastante no Color for Shane.

Smashing Pumpkins“Bodies”
“Bodies” é a trilha sonora do meu caminho para casa. Quando eu estava na escola, quase não conseguia ouvir outra coisa.

The White Stripes“The Hardest Button to Button”
White Stripes é uma ótima inspiração para qualquer duo. Não pelo motivo piegas de ser um dos mais famosos, mas porque eles exploravam o que realmente duas pessoas podiam fazer. O que eu gosto nesse som, é que ao vivo, o Jack White parece ser uma cinco pessoas.

KVB“Always Then”
Essa banda tem uma atmosfera própria. Os caras falam que eles são um projeto audiovisual. O primeiro show que vi deles foi no Boiler Room, tem no Youtube, vale muito a pena ver. E essa música faz parte de tudo que eu monto para ouvir.

INVSN“#61”
Eu bati o carro em 2013. Não foi nada muito horrível, mas o bastante para me deixar com um dor de cabeça por um bom tempo. Nessa época minha namorada me indicou a banda por essa música. Eu gostei muito e me ajudou a lidar com todos os problemas que tive que resolver e, lógico, é influência do Color até hoje.

Underground Youth“I Need You”
Não lembro muito bem como conheci Underground Youth. Só sei que não consigo parar de ouvir há uns 2, 3 anos e sempre começo por essa música.

The Raveonettes“She Owns the Streets”
Raveonettes é uma banda que me fez repensar todo o som do Color for Shane. Desde meu set de pedais, linhas de bateria até o jeito que me visto. O Radiohead fez eu me apaixonar por graves e o Raveonettes pelos agudos. “She Owns the Streets” é meu som deles que mais gosto.

At the Drive-in“Mannequin Republic”
Quando eu era mais novo, eu resisti bastante ao At the Drive-in. Foram ‘n’ motivos babacas, mas meu amigo Juan Carlos, que já foi baterista do Color e agora é vocalista do Chá de Vênus, sempre falou que eu ia gostar. Bom, quando eu ouvi, não deu outra. Não consegui parar até agora. E esse som, além de ter participação do Iggy Pop, é muito legal!

The Julie Ruin“Ha Ha Ha”
Eu adoro lo-fi e me inspiro muito no jeito que a Kathleen Hannah canta, Julie Ruin para mim é um prato cheio. Gosto muito dessa coisa de frases grandes e cuspidas. Além disso, as letras dela são muito boas. Esse som tem uma frase muito boa, “just like Jim Jones you’re charismatic”… Muito bom!!

Fugazi“Exit Only”
Eu toco numa banda de rock de garagem lo-fi underground, barulhenta, desafinada e que canta em inglês no Brasil. Fugazi é tipo uma defesa para continuar fazendo o que eu faço.

Velvet Underground“Heroin”
Velvet Underground é uma das maiores influências do Color. No começo era mais óbvio, as mixagens das músicas eram bem trabalhadas para soarem como um Velvet Underground dos anos 2000. A linguagem musical está completamente diferente, a qualidade das gravações tinha que ser melhor. Mas ainda dá para encontrar muitas influências deles no nosso som.

“O rock vive, mas você precisa ir a shows e festivais para senti-lo 100%”, diz o duo The Monday Project

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The Monday Project se irrita constantemente pois, por ser um duo,  ouve comparações com o Royal Blood e tantas outras bandas que apostam no formato enxuto com apenas guitarra e bateria. “Não somos um clone pegando o rabo do cometa. Somos rockers com um som e personalidade próprias”, dizem. Formada em 2013 em Londres, a banda era originalmente um trio, mas com o tempo perceberam que três era demais e somente com Darius (aka Mr. D) (voz e guitarra) e Luka (aka Duck Face) (bateria e backing vocal) já tinham o som cru, simples e barulhento que queriam.

“O garage blues pesado do TMP, guiado por ótimos riffs, ritmos pesados e batidas retumbantes fala por si só” disse a revista The Blues Mag, sobre as comparações com Black Keys e White Stripes. Com os singles “The Waiting Game” e “London Samba” e o EP “Small Talk” (2015) no currículo, a banda tem tocado “por cervejas” e está louca para trazer sua barulheira para o Brasil.

Conversei com Darius sobre a carreira da banda, a proliferação de duos e a popular morte do rock:

– Como a banda começou?
A banda começou como um trio. Alain (o ex-baterista) deixou o projeto assim que marcamos alguns shows. Luka tomou seu lugar como um favor. Depois de alguns shows e ensaios, ele disse: por que não ficamos como um duo? Foi uma boa idéia… E apostamos nela.

– Qual o significado do nome “The Monday Project”?
O nome The Monday Project é o resultado de meses sem encontrar um nome bom. Nós costumávamos ensaiar toda segunda-feira… Simples assim!

– Porque o formato duo é tão popular no rock hoje em dia?
É popular, mas ainda bastante incomum, nós achamos. Não são muitos os músicos que são “corajosos” o suficiente para pular em um palco sem o terceiro ou o quarto membro da banda. Ser um duo é um equilíbrio muito bom e é muito difícil encontrar esse equilíbrio. A música de um duo é geralmente crua e simples, a gente acha… E os ouvintes gostam.

– Então, vocês estão atualmente tocando por cervejas, segundo sua página do Facebook. Quantas cervejas seria necessário para trazê-los para o Brasil?
Sim, estamos tocando por paixão e cervejas. Clubes em Londres querem trazer a banda para uma multidão e se certificar de que eles tomem umas cervejas com você. Nós adoraríamos ir para o Brasil … só precisamos de alguns shows agendados e começar a economizar 🙂

The Monday Project

 

– Como é seu processo criativo?
O processo criativo do TMP é muito fácil … Nós fazemos uma jam até chegarmos alguns riffs juntos. Decidimos o que é o verso, refrão, ponte e blá blá blá… Vamos para casa ouvir o novo material e criar uma melodia para as letras e, finalmente, as letras no fim! Nossa música “We Are” foi feita em poucos minutos, por exemplo.

– Se vocês pudessem trabalhar com QUALQUER músico, quem seria?
Nós definitivamente gostaríamos de colaborar com The Bloody Beetroots. Ótima mistura de electro e rock.

– O pop matou o rock’n’roll?
Não, o rock’n’roll ainda está muito vivo, está apenas se escondendo por trás do enorme poder da mídia. Rock é a música que você tem que chegar e descobrir… Não é na TV, não é pelas principais rádios… Você tem que levantar a bunda da cadeira e ir a shows e festivais para senti-lo 100%.

– Como você definiria o som da banda?
Nosso som é simplesmente sólido e groovy no estúdio e ao vivo. Fácil!

The Monday Project

 

– Quais são suas maiores influências musicais?
Nós dois gostamos dos grandes riffs de guitarra de Tom Morello e Black Sabbath, a bateria alta e sólida de Tommy Lee e da criatividade dos QOTSA.

– Recomende bandas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!)
Definitivamente Twin Creator (Irlanda) e Gonzo Morales (Dinamarca). Você pode ouví-los no soundcloud!

Conheça os mais estranhos produtos de merchandising de bandas e artistas

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Weezer Snuggle

Esse post podia muito bem ser somente sobre o Kiss e seus mirabolantes produtos com a cara de Gene Simmons e Paul Stanley, que incluem desde camisinhas até um caixão pra você passar sua estadia no além-túmulo curtindo rock and roll a noite toda. Mas não: não é só a trupe mascarada que cria peças de merchandising que vão muito além das camisetas pretas e canecas. Confira outras bandas e artistas que criaram produtos bizarros (e alguns até bem interessantes, pra falar a verdade):

O molho de churrasco sangrento do GWAR

GWAR BBQ sauceO GWAR sempre foi uma banda de galhofa e o molho deles segue a linha. Afinal, quem não quer um molho “sangrento” com o nome da banda que usa codinomes bizarros e encena abortos “de zoeira” no palco? Além de já ter tido uma vocalista, Vulvatron, que jorrava sangue de seus gigantes peitos falsos que faziam parte de sua fantasia de palco. Podia ser molho de churrasco, quem sabe os fãs não curtiriam?

As calcinhas (não usadas) de Katy Perry

Calcinha da Katy Perry

 

Como diz aquele velho forró de duplo sentido, não é nada disso que você está pensando: não são as calcinhas usadas pela Katy Perry, e sim calcinhas com a marca Katy Perry e seu primeiro álbum de sucesso, “One Of The Boys”.

A cerveja contra o sistema do Ratos de Porão

Cerveja Crucificados Pelo Sistema

Dado Dolabella diria que este produto é coisa de quem “traiu o movimento punk, véio”, mas ninguém deve levar nada do que sai da boca de Dado Dolabella à sério (em nenhuma circunstância). Só não deixa de ser cômico uma cerveja ser vendida com o nome “Crucificados Pelo Sistema”, mas quem somos nós pra julgar essa Red Ale punk?

O dichavador do Wavves

Dichavador do Wavves

 

Pra você que quer fumar uma substância lo-fi com mais harmonia, um dichavador bandeiroso do Wavves pra deixar seus hábitos fumetas mais modernosos.

O shortinho Carla Perez do Mastodon

Shortinho do Mastodon

 

Um singelo shortinho que remete ao clipe de “The Motherload” e seu twerking. A singela inscrição que fica no derriére diz tudo: ASSTODON.

O cobertor de churrasqueira do AC/DC

AC/DC churrasqueiraPara não deixar sua potente churrasqueira ao relento tomando sereno, que tal algo do AC/DC para cobrí-la? Bon Scott aprovaria isso, provavelmente. Ah, a churrasqueira não está incluída no produto!

O aromatizador de automóveis do OK Go

Aromatizador OK Go

Muitos artistas como Shakira, Britney Spears e Beyoncé têm perfumes (e 90% deles são da Jequiti). Mas alguém pensa no cheirinho de novo do seu carro? O OK Go pensa! Escolha entre Andy (canela), Damian (“cheirinho de carro novo”), Dan (eucalipto), and Tim (abacaxi) e enfie-se no trânsito com o nariz mais contente!

O… er… “limpador de esperma” do Tenacious D

Tenacious D esperma

 

Bom, o Tenacious D foi mais longe. Em vez de lançar uma camiseta ou algo do tipo, a dupla de Jack Black e Kyle Gass preferiu lançar uma bela toalhinha para limpar a sujeirada que você faz assistindo vídeos pornográficos na internet. Útil e ainda tem um pequeno unicórnio.

Camisinhas “Achtung Baby” do U2

Camisinha U2

Bono Vox e sua turma não querem que você pegue alguma doencinha por aí enquanto pratica o amor livre com a galera. Mas é melhor não usar a da foto: como você pode ver, ela venceu em 1992, provavelmente.

O cobertorzinho fofo do Weezer

Weezer Snuggle

Quem melhor que o Weezer pra lançar um fofo cobertor com bracinhos pra facilitar sua vida no inverno? Só a banda do Rivers Cuomo conseguiria ter um merchandising desse tipo e continuar sendo a banda que é.

Os anéis de vagina da Grimes

Grimes pussy

 

Calma, calma: os anéis da Grimes vão nos dedos, mesmo. Só que eles são no fofo formato de uma pequena bucetinha. Em várias cores.

O sabonete do Racounteurs

Sabonete Racounteus

Porque diabos uma banda lançaria um sabonete? Bom, o rótulo mesmo diz: “c’mon, people, you know we all gotta keep it clean”.

O kit de costura dos White Stripes

Costura White Stripes

 

Bom, Jack White não começou sua linha de produtos estranhos relacionados à seus projetos no The Racounteurs. Afinal, qual outra banda teria a audácia de lançar um kit de costura e ainda conseguir ser cool depois disso? Os White Stripes, é lógico!

O suéter fofo de Natal do Slayer

Slayer suéter

 

Que tal agradar sua avó e colocar um belo suéter na próxima reunião de família? Para manter sua alma tr00, use esta bela blusa do Slayer, pra mostrar que mesmo agradando a vovó você continua headbanger.

O kit de dildos do Ramnstein

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Sim, os alemães do Ramnstein foram ao limite: depois do clipe pornô de “Pussy” (com cena de gozada e tudo), eles lançaram um kit de dildos. E não é só isso: cada piroca foi moldada de acordo com o membro de um dos membros da banda. O kit ainda acompanha algemas e gel lubrificante.

 

The Hunted Crows fala sobre seu som, bandas de dois integrantes e promete novos singles

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Acho que o The Hunted Crows foi a minha primeira descoberta do final de 2014/começo de 2015 que realmente me deixou impressionado. Quando dei o play em “Sniff You Out” pela primeira vez, jurei que era alguma banda que já estava nas paradas de sucesso. Afinal, o barulho dos australianos não deve nada ao do Royal Blood, que ganhou notoriedade após um elogio de Dave Grohl.
Com o EP “The Hunted Crows” esbanjando riffs vigorosos e bateria violenta, o duo de Melbourne promete dominar o mundo em breve. Por enquanto, tocam toda quinta-feira no bar Yah Yahs, na Austrália.
A dupla Luy Amiel e Jacob Linnett me deu uma entrevista e falou um pouco sobre o início da banda, as duplas de rock que estão surgindo e as dores e delícias de se começar uma banda de rock em um mundo dominado pelo pop.

– Como a banda começou?
Tocávamos juntos em outras bandas e sempre sentimos que havia uma cerca química entre nós. Pouco mais de um ano atrás, decidimos ver o que podíamos fazer sozinhos, e desde então não olhamos pra trás!
– Eu sei que essa é a pergunta mais clichês de todos os tempos, mas… como surgiu o nome The Hunted Crows?
Na verdade nós tiramos as palavras de dentro de um chapéu! Inclusive, o engraçado é que as primeiras palavras que saíram foram “Deep” e “Purple”. Por questões óbvias, tiramos novas palavras!
– Li alguns artigos que comparavam seu som com “as faixas mais raivosas dos White Stripes”. Vocês concordam?
Sim e não! Eu acho que definitivamente existem elementos do nosso som que podem ser comparados ao do White Stripes, e acho que qualquer banda com uma formação como a nossa será fatalmente comparada com eles. Mas nós não temos muita influência de outros duos – achamos que se olharmos as músicas que amamos (sejam de duplas ou não!) e nos inspirarmos nelas, podemos começar a criar coisas novas que outros duos ainda não exploraram!
Capa do EP "The Hunted Crows"
Capa do EP “The Hunted Crows”
– Quem vocês diriam que são as maiores influências musicais da banda?
 Rage Against the Machine, Queens of the Stone Age, Red Hot Chili Peppers, James Brown, Britney Spears
– Vocês são uma dupla. O “power duo” é uma coisa “cool” nos dias de hoje, com o sucesso de bandas como o White Stripes, The Kills, Black Keys e Royal Blood. Porque o terceiro membro está tão obsoleto?
Bom, na nossa situação, foi por acaso – achamos que seria uma ideia divertida tocar só nós dois depois de tocarmos juntos em algumas bandas de quatro integrantes. Somos bons, amigos, então saiu algo meio orgânico. Na verdade não importa quantas pessoas estão na banda – contanto que a música seja boa! Mas acredito que existem algumas vantagens de se tocar em um duo. Duas pessoas interagindo entre si é algo muito mais fácil para se trabalhar do que com cinco pessoas. Também facilita em tomar decisões – mesmo que sejam apenas definir datas de ensaio e etc.
Ao mesmo tempo, existem limitações – e não apenas musicais. Uma limitação grande (especialmente neste momento, em que a banda nos custa dinheiro) é quando temos que economizar para gravar ou algo assim – dividir os custos entre duas pessoas pode ser bem difícil. Mas também temos apenas dois vôos pra pagar, então alguns custos são reduzidos, neste caso! Então, tudo depende do estágio financeiro em que a banda está. Tenho certeza que o Royal Blood está muito feliz que está dividindo os lucros entre apenas duas pessoas!
– Que outros aspectos do mundo inspiram vocês?
 De certa forma, política. Nenhum de nós é super informado sobre os prós e contras do sistema político – mas isso não significa que você não pode ficar irritado ou frustrado quando ouve sobre coisas horríveis que o governo pode estar planejando. “Hungry Wolves” foi escrita quando nosso primeiro ministro, Tony Abbott, estava tentando devastar um grande lote de mata virgem. Porém, não queríamos escrever uma música sobre essa situação especificamente – é mais algo que espero que pode desencadear algum sentimento em outras pessoas, para se impor pelo que acreditam.
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– Qual o maior desafio para uma banda nova?
Trabalhar com as limitações de uma banda com duas pessoas, ganhar reconhecimento local e global (o que agora é possível graças à internet!) e o principal deles: DINHEIRO! Quem sabe um dia nós poderemos trabalhar duro para fazer música e não ter que nos preocuparmos em PAGAR por isso!
– Que bandas novas impressionaram vocês ultimamente?
Redcoats // Clowns // Lurch & Chief // Alice Ivy – todas bandas de Melbourne, Austrália!
– Quais serão os próximos passos do The Hunted Crows?
Gravaremos algumas músicas para o primeiro semestre de 2015 e estamos planejando fazer alguns shows maiores e tocar em lugares para onde ainda não fomos.
– O que vocês acham da música que está sendo lançada hoje em dia?
Se você está perguntando no que se refere à música pop, não temos muita opinião, mas existe uma cena de funk e groove voltando (pelo menos aqui na Austrália), e isso é uma coisa incrível. Tem muita coisa ótima acontecendo e está começando a chegar no mainstream, acredito que porque muitas pessoas estão cansadas da música pop monótona que nos empurram garganta abaixo. A cena punk aqui também está indo muito bem. Tem muito rock fermentando por aqui no momento e nós não poderíamos estar mais felizes.
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– Se vocês pudessem fazer cover de QUALQUER música, qual seria?
“Zebra”, do John Butler Trio. Nós dois crescemos ouvindo o JBT, e estamos tocando essa nos últimos  shows – em uma versão bem mais pesada. É bem divertido!
– Vocês estão gravando coisas novas? Podemos esperar um disco completo em breve?
Talvez não um disco completo – mas lançaremos pelo menos dois novos singles este ano. Se tudo der certo, poderemos financeiramente produzir ainda mais – quem sabe um EP! Nós preferimos gastar um monte de dinheiro em algumas poucas músicas, mas ter a certeza de que a qualidade da gravação é realmente profissional – porque uma vez que está online, está lá pra sempre!
– Podemos esperar uma visita dos Hunted Crows no Brasil? 
A gente ia amar! Se existir demanda o suficiente pra isso, adoraríamos – o blog Crush em Hi-Fi fez um trabalho incrível em espalhar nosso som por aí – então quanto mais pessoas compartilhando nossa música no maravilhoso Brasil, melhor!
Ouça o EP “The Hunted Crows”: