Construindo Cachalote Fuzz: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda mineira Cachalote Fuzz, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Within You Without You”
Arthur: Música lançada numa coletânea chamada “Sgt Pepper Knew My Father”, de 1988 que tinha o Sonic Youth e outros grandes nomes. Conheci o Guilherme (guitarrista) a uns seis anos atrás e resolvemos formar a banda. Eu como fã de Sonic Youth, ele fã de Beatles, essa música foi o encontro sonoro que fez tudo fluir.

Jupiter Apple“As Tortas e As Cucas”
Arthur: Hino dentro da Cachalote Fuzz. A gente discute mil coisas, mas quando o assunto é Jupiter na banda, ninguém discorda de nada. Amamos esse maluco e concordamos que ele é um dos maiores da psicodelia brasileira, sem mais.

Velvet Underground“I Can’t Stand It”
Arthur: A gente já fez frituras e frituras com esse som bicho, desde o começo da banda, até hoje. Velvet Underground é escola pra todos nós e uma grande influência no nosso jeito de tocar.

Caetano Veloso“Mora Na Filosofia”
Arthur: O “Transa” é um dos maiores discos da música brasileira. Caetano Veloso tava em sua melhor fase e o Jards Macalé arrebentou nos arranjos. Tocamos essa música no primeiro ensaio da banda.

Brian Jonestown Massacre“Anemone”
Iuri: O estilo de composicão, a textura dos timbres e as performances desses caras, sempre foram influências pra gente. Anemone é uma canção de apenas dois acordes que te levam longe, de vez enquanto apresentamos ela nos nossos shows e é sempre uma viagem.

Tame Impala“Elephant”
Iuri: Tanto “Elephant” quanto o disco inteiro “Lonerism” do Tame Impala, deu um boom no cenário neo psicodélico e abriu novas portas para outras bandas que vieram numa onda parecida. A pegada firme na batera e o baixo marcante de “Elephant”, forma o ápice da música, além também de todos aqueles synths e guitarras ardidas, é foda demais.

CAN“Vitamin C”
Iuri: Indo mais atrás no tempo agora, a banda Can sempre pirou a gente com aquela fritura setentista na parte instrumental e também nos vocais excêntricos do japonês Damo Suzuki. “Vitamin C” cria uma atmosfera tão estranha e peculiar, que a gente não poderia deixá-la de fora dessa lista.

Erasmo Carlos“É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo”
Guilherme: Continuando nos anos 70, que é uma época realmente influente no nosso som, a sonzeira brazuca fervia demais também. Essa canção do Erasmo de 1971, permanece atual até hoje, tanto na poesia contestadora e direta, como nos belos arranjos.

The Stooges“No Fun”
Guilherme: Entre as referências de rock’n’roll, The Stooges e Velvet Underground sempre foi as mais presentes. Essa música representa uma grande influencia na construção da sonoridade da banda, principalmente nas nossas primeiras gravações. Acredito que a banda toda curte trabalhar com riffs simples.

Black Sabbath“Planet Caravan”
Guilherme: Foi o Vini que me aplicou esse som. Black Sabbath psicodélico! A estrutura e a atmosfera da música favorece alguns trechos de jam e improviso, que nos ajudava a trabalhar nossa comunicação e entrosamento. Foi um destaque no show de lançamento da revista Paralela.

Tagore“Pineal”
Arthur: O som do Tagore chegou na gente bem na época que a gente tava começando a pirar nas psicodelias do nordeste, principalmente nas bandas do chamado movimento Udigrudi (Alceu, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, etc). O choque foi momentâneo, piramos. E depois quando eles foram lançar o “Pineal”, fizemos uma miniturnê juntos. E acabou que hoje todo mundo da banda é de casa: Tagore, Caramuru, Julião, Xandão, João Felipe. Rolou a parada sensacional de participarem do nosso disco e produzirem também. A gente é fã desses caras.

Porcas Borboletas“Menos”
Arthur: Esses são nossos professores da cena independente do Triângulo Mineiro, por vários fatores. Lembro ver o show deles no lançamento do disco (A Passeio), numa época que nem frequentava tanto shows de bandas independentes. Essa música mudou tudo, virei frequentador assíduo dos eventos locais e quis trabalhar com música independente desde então.

Radiohead “Everything In Its Right Place”
Arthur: Eu sou grande fã, mas nem todo mundo da banda gosta, mas concordamos que não tem como ignorar essa gigantesca banda. O Radiohead revolucionou a música pós anos 90, acreditamos ser uma das maiores bandas da nossa geração. E essa música em si é um hit das festinhas depois dos shows.

Cachorro Grande“Que Loucura!”
Arthur: Tivemos vários shows memoráveis que fizemos na nossa cidade, mas alguns são foda. Um deles foi com o Cachorro Grande. Que um noite sensacional. A festa no camarim, as loucuras, várias conversas malucas. Acho que são uma grande influência pra todo mundo no rock’n’roll brasileiro. Esses caras são foda.

Lou Reed“Vicious”
Arthur: Já falamos de Velvet, eu sei. Mas essa música é praticamente um hino pra todos nós. Descreve muita coisa de cada um da banda, em vários aspectos. Loucura pura, bicho.

Almirante Shiva“Ziggy”
Arthur: Acho que nem dá pra expressar em palavras a admiração que todos nós temos por estes caras. Foram uma das primeiras bandas que trouxemos pra nossa cena, demos altos rolês juntos aqui por Minas Gerais, mais de uma vez. E a gente sempre pirou no jeito dos caras tocarem, no som que cada um faz, neles no palco. Uma banda especial pra gente, sem dúvidas. E mais uma coisa: PEDRO VIVE!

Alceu Valença“Veneno”
Arthur: Se o Brasil alguma vez teve um rei na música, jamais foi Roberto Carlos, e sim Alceu Valença. Bicho, não tem nem como querer falar da obra deste maluco aqui, pelas inúmeras fases nos 50 anos de carreira, e admiramos todas. Mas dois dos maiores discos da psicodelia brasileira, são sem dúvidas “Espelho Cristalino” e “Vivo”, ambos de 1976.

Stealers Wheel“Stuck in the Middle of You”
Iuri: Essa banda escocesa com essa canção principalmente, representa a nata do rock setentista e da cena underground que rolava na época. Somos admiradores do folk e da música caipira, Stealers Wheel é uma mistura de tudo que é bom e criativo.

Holy Wave“Do You Feel It”
Iuri: Uma mescla de instrumentais neo-psicodélicos com a levada marcante do rock 4×4 formam o diferencial dessa banda Texana. “Do You Feel it” abre o álbum “RELAX” que é um dos melhores discos da banda, que é relativamente nova ainda.

The Cure“The Lovecats”
Iuri: Fãs dos anos 80 também que somos, The Cure pra representar essa turma boa. “The Lovecats” une jazz, 80’s, teatro, e gera uma atmosfera peculiar do som “geral” do Cure. Fecha com chave de ouro nossa lista!

Construindo LuvBugs: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo LuvBugs, do Rio de Janeiro, formado por Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz) Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bikini Kill“Girl Soldier”
Paloma: Definitivamente, a Tobi Vail é uma grande baterista/musicista e a minha maior influência Riot Grrrl na LuvBugs e na vida. “Guess you didn’t notice. Why we were dying. I guess you didn’t give a fuck. After all, only women were dying”.

Breeders“No Aloha” (“Last Splash”, 1993).
Rodrigo: Melodia vocal açucarada mergulhada em guitarras distorcidas em amps valvulados, isso é praticamente a base de 80% dos sons da LuvBugs.

Babes In Toyland“Hello” (“Nemesisters”, 1995).
Paloma: Riot Grrrl até a alma, “Hello” introduz esse belo disco de punk rock, dessa banda linda que tenho como grande influência de que as mulheres podem sim fazer rock. Lori Barbero é uma grande referência de baterista.

Nirvana“School” (“Bleach”, 1989).
Rodrigo: Um dos riffs mais contagiantes da história do rock and roll, tem uns 3 riffs da LuvBugs que nasceram daí, Coração Vermelho, Verde Zen e algum outro que não estou lembrando.

Sonic Youth“Becuz” (“Washing Machine”, 1995).
Paloma: O timbre dessa guitarra e seu riff repetitivo somado ao essencial vocal da excêntrica Kim Gordon tornam essa introdução do “Washing Machine” algo que sempre está presente na minha mente.

Wavves“No Hope Kids” (“Wavves”, 2009).
Rodrigo: Um amigo voltou daquele cruzeiro do Weezer uma vez com um vinil do Wavves e disse que queria me mostrar um som de uma banda que ele tinha conhecido os caras na piscina do cruzeiro. Logo que ouvi me liguei que era o som que eu queria fazer e “No Hope Kids” é um punk rock de garagem perfeito, ouvi até entrar no sangue.
Influência nas composições e nas mixagens dos discos, esse som tem uma mix lo-fi referência pra mim.

Nirvana“Dumb” (“In Utero”, 1993).
Paloma: A simplicidade dessa letra consegue demonstrar toda a complexidade da vida em um perfeito paradoxo existencial. “I’m not like them but I can pretend”. As composições da LuvBugs são assim, mais simples possíveis.

Freud And The Suicidal Vampires “It’s Hard To Write A Good Song In 5 Minutes (When You’re So Difficult To Describe)”
Rodrigo: Outro som referência de mix lo-fi. Riff alucinante com uma guitarrinha fazendo um solo de tema. Daí eu percebi que o álbum “Dias em Lo-Fi” poderia ter isso também, som de duas guitarras e não apenas uma como nos outros, até que a gente tem se virado bem ao vivo.

Velvet Underground“Venus in Furs” (“The Velvet Underground and Nico”, 1967).
Paloma: Impactante até a alma, impossível não se afetar com a experiência que essa música passa. “I could sleep for a thousand years. A thousand dreams that would awake me. Different colors made of tears”.

Ronnie Von“Imagem” (“A Máquina Voadora”, 1970).
Rodrigo: Esse som escutei tanto em determinada época da minha vida, que sempre quando escuto novamente reencontro meu jeito de escrever as músicas da LuvBugs e até meu jeito de pensar sobre a vida. Outro dia um amigo me falou em alguma semelhança em alguma melodia de voz minha ou jeito de cantar e eu acabei dando
razão a ele.

John Frusciante“Look On” (“Inside Of Emptiness”, 2004).
Paloma: O John é surreal. Essa música, (e esse disco) é cativante do início ao fim. Melodia, letra e guitarra lindas e totalmente inspiradoras. “When I thought life was terrible, things were going fine… A paper and a pencil are the
best friends I’ve got. Look on”.

Dinosaur Jr“Drawerings” (“Where You Been”, 1993).
Rodrigo: Outro dia eu li “J.esus Mascis é meu pastor e nada me faltará”. Amém.

L7“One More Thing” (“Bricks Are Heavy”, 1992).
Paloma: Esse grunge anos 90 de melodia e guitarra arrastada é perfeito e uma das minhas maiores influências também.

Elliott Smith“Coast To Coast” (“From a Basement on the Hill”, 2004).
Rodrigo: Considero de alguma forma Elliott Smith uma grande influência pro “Dias em Lo-Fi”, sempre o escutei mas até então não considerava muito essa influência à LuvBugs. Nesse álbum a gente acabou deixando umas camadas um pouco mais tristes que nos anteriores e “Coast To Coast” foi grande referência pra canções como por
exemplo “Ela Sabe o que é Certo”, claro que não é uma cópia, assim como todas as influências, a gente acaba fazendo do nosso jeito.

My Bloody Valentine“Only Shallow“ (“Loveless”, 1991).
Paloma: Vocal calmo e delicado mas ao mesmo tempo forte e intenso. É uma das principais influências shoegaze da LuvBugs.

Elastica“Stutter” (“Elastica”, 1995).
Rodrigo: Composição contagiante, batida dançante, “ritmo de acadimia”, fuzz rasgando o refrão, vocal cantarolado, cabelo no rosto, ufa, tudo que eu preciso nessa vida. E tento levar pra LuvBugs.

Oasis“Live Forever” (“Definitely Maybe”, 1994).
Paloma: Oasis é uma banda que apesar de controversa é inspiradora e me influencia na hora de compôr, mesmo que inconscientemente. “Maybe I just want to fly. I want to live. I don’t want to die”.

Lou Reed“Hangin’ Round” (“Transformer”, 1972).
Rodrigo: Lou Reed fez as melhores canções que ouvi na minha vida, ele é a maior referência musical, pode crer. Inventou tudo que eu ouço hoje e se alguma banda do mundo não tem nenhuma influência do Lou ou Velvet Underground eu nem preciso escutar. Essa canção em especial, o jeito dele cantarolar a melodia ao mesmo tempo
que descreve a cena é mágico.

Courtney Barnett“Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” (“Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit”, 2015).
Paloma: Essa música fala de situações que são reais na vida das pessoas e traduz perfeitamente boa parte do meu cotidiano. É assim com a maioria das composições dessa australiana que veio pra ficar e conquistou o coração da LuvBugs. “I wanna go out but I wanna stay home”.

Titãs“Taxidermia” (“Titanomaquia”, 1993)
Rodrigo: “Se eu tivesse seus olhos não seria famoso, eu não quero ser útil, quero ser utilizado, inutilizado, inutilizado”. Acho que foi meu primeiro contato com poesia dentro do rock’n roll. Esse som é referência pra qualquer coisa que eu faça.

Construindo Leila: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Leila

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o a banda de Campinas Leila, formada por Bruno Trchmnn no electro-saz e Waldomiro Mugrelise na bateria.

Mattar Muhhamed“Mabruk Alek” (do disco “Belly Dance”)
Dificil escolher uma musica do Mattar, meu grande heroi do buzuq. Tem vários videos dele tocando no youtube, alguns em festas que eu gosto muito. Conheci ele logo que caiu um buzuq em minhas mãos e logo foi a primeira referência que encontrei. Essa é uma musica comum de dança do ventre.. As vezes eu escuto um improviso dele só pra conseguir pegar uns 5 segundos pra tocar depois e esses segundos rendem uma musica de 20 minutos. Eu amo esse cara.

Samira Tawfic“Anin El Naoura” (do disco “Anin El Naoura”)
Samira Tawfic é uma cantora libanesa que canta em um dialeto beduíno da Jordânia. Eu conheci ela em um cassete muito tosco, todo saturado, e ainda hoje acho estranho ouvir ela com um som limpo, porque pra mim era muito pesado (risos). Esse som eu adoro que começa com um buzuq, e a voz dela é linda.

Omar Korshid“Enta Omri” (do disco “Tribute to Om Koulsoum”)
Omar Korshid é um guitarrista, a musica é de Umm Kulthum e Mohamed Abdel Wahab. É apenas a introdução da canção original, e é um tema muito famoso. Omar é o rei da guitarra árabe, e como quase todo músico da época era também ator de cinema. Essa é talvez a única música árabe que eu realmente aprendi a tocar (mal).

Sivam Perwer“Yarê” (do disco “Lê Dilberê”)
Sivan Perwer é curdo, canta e toca o saz Por anos suas fitas foram proibidas na Turquia, Iraque e Síria por serem cantadas em curdo. É musica de luta, é muito direta e muito forte, é lirismo de combate. O saz tem esse som enorme na mão dele é só esse acompanhamento, esse disco tem um som grandioso que eu gosto muito.

Sun City Girls“Sev Archer” (do disco “You Are Never Alone With an Cigarette – Singles Vol 1.”)
Sun City Girls é algo sem volta, eu conheci por acaso um disco de singles “You Are Never Alone with a Cigarette” e peguei pelo nome, e quando ouvi foi um choque. Liberdade pra fazer o som que quiser, como quiser, onde quiser. Esse som tem muito das guitarras da musica árabe, mas o SSG é muito mais, free jazz, Vietnã, Marrocos, Kali, Iraque, espaço sideral, passado, futuro, vodooo, tabaco, ranho de camelo e drinks de vinagre. Sir Richard Bishop, Alan Bishop e Chales Gocher, amém. SSG é minha religião.

The Cure“A Forest” (do disco “Seventeen Seconds”)
Eu nunca passei pelo punk na adolescência, isso veio depois. Eu cai direto no post-punk e essa é basicamente a música que eu mais ouvi na vida. Esse som é perfeito, não é nem um som pra mim, é um lugar. As guitarras, e esse pulso que rola. Foda.

Sonic Youth“Bull in the Heather” (do disco “Experimental Jet Set, Trash and No-Star”)
Sonic Youth pra mim é uma obsessão, cada mês um disco diferente é o meu favorito, então tentei escolher um som sem pensar muito. Gosto do espaço nesse som, é esse lance dele ser tão simples e bastante emotivo para o Sonic Youth. Eu só “aprendi” a tocar guitarra porque li sobre as afinações que eles usam e isso me incentivou a afinar como eu bem entendia e tocar como eu quisesse.

Le Trio Joubran & Mahmoud Darwish“Sur Cette Terre – Faraadees” (do disco “A l’ombre des Mots”)
Mahmoud Darwish é o grande poeta da causa palestina, um dos maiores poetas da poesia árabe moderna. Le Trio Joubran é um trio de oud também palestino. Eu conheço a poesia por traduções, não sei nada de árabe. Esse som eu ouvi primeiro solto, sem o resto do disco, tipo uma pedrada.

Victor Jara “El Derecho de Vivir en Paz” (do disco “El Derecho de Vivir en Paz”)
No começo do Leila (quando chamava Para Leila Khaled) a ideia era alternar entre barulho, drone e canções como essa. Essa fase não tem quase gravações, mas quem foi nos shows deve ter visto um instrumental desse som outras canções como “Bella Ciao”. Inacreditável de bonita.

Stereolab“Crest” (do disco “Transient Random-Noise Bursts With Announcements”)
Stereolab pra mim é catarse e emoção, não sei da onde tiram que é uma banda blasé. O primeiro disco, “Peng!” foi o disco que eu mais ouvi na vida. Guitarra, farfisa, socialismo ou barbárie. A letra dessa musica é a minha favorita do mundo “If there’s been a way to build it, there’ll be a way to destroy it. Things are not all that out of control”.

Markos Varvamkaris – “Taxim Zeimpekiko” (do disco “Ta Matoklada Soum Lampoun”)
Markos Varvamkaris é um dos grandes inovadores do bouzouki grego como instrumento solo, não dá pra falar de bouzouki sem falar do Markos. Esse som é um improviso, com uma canção no final. Dá pra sentir o cheiro de cigarro.

Dariush Dolat-Sahi“Sama” (do disco “Eletronic Music, Tar and Sehtar”)
Ele foi um músico iraniano que estudou música eletrônica em Columbia-Princeton, onde esse disco foi gravado. Eu não sei sobre como essas músicas foram feitas, mas tem uma sensação de improviso que eu gosto muito, e essa colagem de sons. Essa é uma referência bem óbvia pro Leila.

Velvet Underground “European Son” (do disco “Velvet Underground & Nico”)
O Velvet pra mim são os bootlegs, eu coleciono (o que com a internet é bem fácil na real). É alto, é livre, as músicas se estendem por 30 minutos. La Monte Young, Ornette Coleman, Bo Didley, tá tudo ai. Um pouco disso está condensado nessa faixa de estúdio. As guitarras do Lou Reed são incríveis, no disco não dá muito pra sacar quão doidas elas são.

Sun Ra“The Night of the Purple Moon” (do disco “The Night of the Purple Moon”)
Difícil escolher um som do Sun Ra, mas esse é do disco que eu mais ouvi. Sun Ra é algo que posso ouvir a qualquer hora, qualquer dia e sempre vai ser exatamente o que eu precisava ouvir. O que eu mais gosto é como parece um som feito com prazer, não é um improviso cerebral e frio nem mesmo agressivo, é livre e solar (sem trocadilho).

Kamylia Jubran & Werner Hasler“Miraat Al-Hijarah” (do disco “Wameedd”)
Kamylia Jubran é uma artista palestina, e uma das fundadora do Sabreen, um grupo palestino renovador da canção árabe e profundamente envolvido com a causa palestina e a luta política. Nesse disco ela canta e toca oud com Werner Hasler, um suíço que entra com os eletrônicos. Eu não sei muito sobre ele, mas esse disco é maravilhoso. Tudo da Kamilya Jubran é incrível, especialmente o oud, mas essa música tem apenas alguns fragmentos do oud e a voz e é muito forte.

Vibracathedral Orchestra“Magnetic Burn” (do disco “The Queen of Guess”)
Vibracathedral é um grupo de improviso (eles dizem que são mais jams que improvisos na verdade) de Leeds. Eles gravam tudo que tocam e lançam boa parte disso. Um tempo atrás eu tinha até medo de mostrar essa banda pra amigos e ser acusado de plágio, mas tanto faz, sou obcecado por eles.

The Sisters Of Mercy“Temple of Love” (do disco “Some Girls Wander by Mistake”)
Eu disse que caí direto no gótico. Falam que é brega, mas é inveja. Olha esse som, é tipo uma cascata de veludo, como fizeram isso? Se eu fizer algo com um terço dessa textura eu fico feliz. A forma é legal também, esse riff em loop e esses eventos que vão acontecendo em volta. “Temple of Love” é meu “Blitzreig Bop”.

The Raincoats“Only Loved at Night” (do disco “Odyshape”)
Elas trocam de instrumento no meio da música, e tem uma nota que a baixista deixa soando para ter tempo de pegar a kalimba, a guitarrista fica só fazendo um chk-chk e depois tem um micro silêncio e o baixo volta com a linha de guitarra, dá arrepio até.

Colin Newman“But No” (do disco “A-Z”)
Catarse, sempre. Amo esse disco, é pura energia, a forma como esse som vai se construindo. O disco seguinte dele, o “Provisionally Entitled The Singing Fish” é instrumental e poderia ter mais a ver falar dele pelo lance de não ter vocal, mas o que me pega mesmo é a catarse desse som, essas melodias bonitas que ele vai empilhando e depois grita em cima essa letra meio mantra até não poder mais e fim.

Umm Kulthum“Zalamna El Hob Desk” (do disco “Zalamna El Hob”)
A diva do cairo, a voz do egito, o planeta do leste. Eu poderia escolher qualquer musica dela, conhecer sua voz mudou minha vida. Ouvir Umm Kulthum é ouvir uma voz que é amada por muitos, por todo mundo árabe e a diáspora. Essa música talvez eu tenha escutado mais que outras (sim, ela tem 39 minutos e isso é até curto para ela, suas apresentações duravam em torno de 4 ou 6 horas) porque caiu primeiro em minhas mãos, e alguns trechos ficaram gravados na minha mente, em especial alguns que eu sampleei e fiquei trabalhando por horas colando e cortando ouvindo em loop e tocando em cima.

Construindo Color For Shane: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Read More
Color For Shane

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo Color For Shane, que indica suas 20 canções indispensáveis.

The Strokes“Is This It”
Eu já conhecia Strokes antes, mas só quando eu tinha uns 14, 15 anos e estava na casa de um primo que eu peguei o CD na mão. E acho que o combo encarte e som me hipnotizou de um jeito que até hoje, qualquer coisa que não seja relacionada à música é sem graça pra mim.

Interpol – “Stella Was a Diver and She Was Always Down”
O disco “Turn On The Bright Lights” é tipo um molde de CD para mim. Ele tem o número certo de músicas, a sequência perfeita de sons, a capa é muito legal e o encarte é só uma foto, mas é A FOTO. Eu gosto de todas as músicas do disco, mas a “Stella Was a Diver and She Was Always Down” é responsável, pelo menos para mim, pelo clima do disco. Além de ser o nome que mais se destaca na contracapa.

Radiohead“Myxomatosis (Judge, Jury & Executioner)”
Radiohead é minha banda predileta. Tipo, aquela banda que você gosta quando adolescente que é especial. Eu lembro que qualquer minuto livre era desculpa para ouvir. Esse som fez eu me tocar que grave é muito legal. Até hoje eu tento fazer o timbre da minha guitarra ser uma mistura do riff do Ed O’Brien e o baixo do Colin Greenwood.

Placebo“Haemogoblin”
Foi o primeiro som que vi alguém usando um megafone para cantar. Essas coisas te marcam sabe? Depois disso, sempre pedi pra quem fosse o responsável pela mix de alguma gravação do Color for Shane para colocar pelo menos um pouco de distorção na voz. Além disso, a estrutura desse som também é bem interessante, ele é bem barulhento, mas ao mesmo tempo tem um refrão bem pop que aparece na minha cabeça nas horas mais improváveis.

Sonic Youth“Fire Engine Dream”
Eu costumava ouvir esse som todo dia de manhã no caminho para a faculdade. Era bem legal saber que o som no seu fone era bem mais confuso do que qualquer outra coisa acontecendo ao seu redor.

The (International) Noise Conspiracy“Bigger Cages, Longer Chains”
Na verdade podia ser qualquer música do INC, mas essa foi a primeira que eu ouvi. Ela faz parte da construção do Color, porque até hoje essa banda me da coragem de escrever sobre o que eu quiser e também me ajudou a conhecer vários livros que me inspiram muito.

Primal Scream“Lord is My Shotgun”
Uma das músicas mais legais que já fizeram na história do planeta Terra!

The Clash“Straight to Hell”
Essa música é uma daquelas atemporais. A letra sempre vai ser atual, infelizmente. Mas sabe aquela história de mudar o mundo com uma música? Acho que essa é a que chega mais perto. Por isso, ela sempre vai ser uma inspiração para mim.

The Kills“U.R.A. Fever”
Eu lembro que estava numa Saraiva ou Fnac em 2008, 2009 e adorava pegar CDs que não conhecia e ouvir naqueles fones que você passava o código de barras. Bom, foi assim que conheci The Kills. Eu adorei a capa do “Midnight Boom” e quando coloquei para ouvir começou a tocar “U.R.A. Fever” e… não parei de ouvir até hoje.

The Cure“Lost”
Esse som repete o mesmo riff a música inteira. É tão simples e tem uma letra tão sensacional que é impossível, para mim, não ouvir umas três vezes seguidas. Essa simplicidade me inspira bastante no Color for Shane.

Smashing Pumpkins“Bodies”
“Bodies” é a trilha sonora do meu caminho para casa. Quando eu estava na escola, quase não conseguia ouvir outra coisa.

The White Stripes“The Hardest Button to Button”
White Stripes é uma ótima inspiração para qualquer duo. Não pelo motivo piegas de ser um dos mais famosos, mas porque eles exploravam o que realmente duas pessoas podiam fazer. O que eu gosto nesse som, é que ao vivo, o Jack White parece ser uma cinco pessoas.

KVB“Always Then”
Essa banda tem uma atmosfera própria. Os caras falam que eles são um projeto audiovisual. O primeiro show que vi deles foi no Boiler Room, tem no Youtube, vale muito a pena ver. E essa música faz parte de tudo que eu monto para ouvir.

INVSN“#61”
Eu bati o carro em 2013. Não foi nada muito horrível, mas o bastante para me deixar com um dor de cabeça por um bom tempo. Nessa época minha namorada me indicou a banda por essa música. Eu gostei muito e me ajudou a lidar com todos os problemas que tive que resolver e, lógico, é influência do Color até hoje.

Underground Youth“I Need You”
Não lembro muito bem como conheci Underground Youth. Só sei que não consigo parar de ouvir há uns 2, 3 anos e sempre começo por essa música.

The Raveonettes“She Owns the Streets”
Raveonettes é uma banda que me fez repensar todo o som do Color for Shane. Desde meu set de pedais, linhas de bateria até o jeito que me visto. O Radiohead fez eu me apaixonar por graves e o Raveonettes pelos agudos. “She Owns the Streets” é meu som deles que mais gosto.

At the Drive-in“Mannequin Republic”
Quando eu era mais novo, eu resisti bastante ao At the Drive-in. Foram ‘n’ motivos babacas, mas meu amigo Juan Carlos, que já foi baterista do Color e agora é vocalista do Chá de Vênus, sempre falou que eu ia gostar. Bom, quando eu ouvi, não deu outra. Não consegui parar até agora. E esse som, além de ter participação do Iggy Pop, é muito legal!

The Julie Ruin“Ha Ha Ha”
Eu adoro lo-fi e me inspiro muito no jeito que a Kathleen Hannah canta, Julie Ruin para mim é um prato cheio. Gosto muito dessa coisa de frases grandes e cuspidas. Além disso, as letras dela são muito boas. Esse som tem uma frase muito boa, “just like Jim Jones you’re charismatic”… Muito bom!!

Fugazi“Exit Only”
Eu toco numa banda de rock de garagem lo-fi underground, barulhenta, desafinada e que canta em inglês no Brasil. Fugazi é tipo uma defesa para continuar fazendo o que eu faço.

Velvet Underground“Heroin”
Velvet Underground é uma das maiores influências do Color. No começo era mais óbvio, as mixagens das músicas eram bem trabalhadas para soarem como um Velvet Underground dos anos 2000. A linguagem musical está completamente diferente, a qualidade das gravações tinha que ser melhor. Mas ainda dá para encontrar muitas influências deles no nosso som.

Construindo Antiprisma: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do duo

Read More
Construindo: Antiprisma

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Para começar, temos o duo Antiprisma, de Victor José e Elisa Oieno, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

The Rolling Stones“Street Fighting Man”
Victor: É a minha banda de coração desde criança, e desse tipo de coisa você não se livra nunca, e nem quero me livrar! Acho que para o Antiprisma o disco “Beggar’s Banquet” tem sido uma referência desde o início. A sonoridade acústica que produziram em boa parte desse álbum soa áspera, gasta, meio envelhecida… Ali não tem frescura e nem fofura, e de certa forma é um pouco desse caminho que a gente procura seguir.

The Byrds“Going Back”
Victor: Várias vezes a gente conversa sobre como fazer soar uma música e quase sempre resvalamos em Byrds. Talvez seja nossa influência mais gritante. Não me conformo como é que tem gente que não liga pra essa banda… The Notorious Byrd Brothers” é uma referência muito forte para o Antiprisma.

Stone Roses“Waterfall”
Elisa: Aqui está o representante britpop da nossa lista. Gostamos muito de Stone Roses, especialmente o primeiro álbum, que nos lembra muito o Byrds. Para nós, é um bom exemplo de como fazer coisas novas a partir de suas influências. Nós gravamos e lançamos uma versão desta música “Waterfall”, junto com nosso EP.

Big Star“The Ballad Of El Goodo”
Victor: As melodias te conquistam na primeira escutada. O som é redondinho, com harmonias bonitas, violões e guitarras legais. Parece uma fórmula simples, mas não é. Essa faixa do primeiro álbum explica bem o que é essa banda. Big Star tem um som bonito, e mesmo no terceiro disco, que é meio esquisitão, você reconhece essa qualidade.

Love“Andmoreagain”
Victor: O Love chama atenção porque mescla essa vibe de folk rock com pop barroco com uma capacidade absurda, e Forever Changes é uma obra-prima perfeita de cabo a rabo, não tem como melhorar aquilo. Se conseguisse fazer uma música dessa categoria algum dia me dava por satisfeito. Além disso, a banda sabia impor o peso do rock quando precisava soar agressiva. Arthur Lee foi um baita compositor de música pop.

Bert Jansch “Poison”
Elisa: Esse é daqueles caras que dá até um orgulhinho de ouvir. As músicas dele são essencialmente folk, várias delas muito calcadas na música tradicional escocesa, e com melodias lindas. Isso junto com o violão típico de Bert Jansch e sua pegada blues e jazz, solto e ‘cool’. Me lembro de ter lido em algum lugar que o Bert Jansch está para o violão assim como o Jimi Hendrix está para a guitarra elétrica. Ouvir Bert Jansch com certeza é uma escola para o Antiprisma.

Velvet Underground “All Tomorrow´s Parties”
Elisa: Velvet é uma banda muito importante para o Antiprisma. Acho que o nosso lado mais experimental, o estilo que procuramos em algumas músicas, a liberdade artística que nunca podemos nos esquecer… isso vem muito do Velvet Underground.

Grateful Dead“St Stephen”
Victor: A liberdade que a gente percebe na música do Grateful Dead é inspiradora. Sem contar a capacidade para improvisos e a versatilidade que eles têm para saltar de um gênero para outro. Poucas bandas têm essa personalidade tão forte quanto eles. A cena de São Francisco dos anos 1960 no geral é muito cativante, é algo que sempre escutamos hora ou outra.

Milton Nascimento“San Vicente”
Victor: Essa a gente até já se aventurou a tocar em alguns shows. Milton Nascimento é uma coisa que não dá pra definir. Principalmente na fase dos anos 1970, ele fez discos misturando rock com jazz, música latinoamericana, caipira, progressivo e mais um monte de coisas, mas sempre soando autêntico, sem se perder. É legal quando não dá pra classificar algo coeso, e ele é único.

Kurt Vile“Baby´s Arms”
Elisa: Quando conhecemos Kurt Vile, acabamos nos identificando muito com o som que ele faz. O disco “Smoke Ring For My Halo”, parece ter referências muito parecidas com as nossas, seja nas canções em si ou na escolha de timbres, que passa pelo folk dos anos 60 e pelo pós-punk e anos 90. Aliás, foi por causa de uma entrevista que vi do Kurt Vile, em que ele estava em uma loja escolhendo alguns discos e falando sobre eles, que conheci Bert Jansch e Fairport Convention. A partir disso, eu e o Victor entramos em um período em que descobrimos e ouvimos muita, mas muita coisa mesmo de folk britânico, o que acabou sendo um dos embriões para a formação do nosso som.

John Fahey“On The Sunny Side Of The Ocean”
Victor: Quando a gente começou a tocar junto entramos nessa fase de moldar nosso estilo próprio escutando tudo quanto é referência. E foi daí que veio John Fahey. Desde então me inspiro muito no seu modo de tocar, e por incrível que pareça ele foi um dos motivos para acrescentarmos a viola caipira em algumas canções. Parece estranho, mas muito do que ele faz no violão soa extremamente brasileiro, tipo aqueles violeiros das antigas. Aí existe uma conexão bem estranha.

Bert Jansch – “Winter is Blue”
Elisa: Quando eu conheci o som da Vashti Bunyan, me identifiquei imediatamente. O vocal tranquilo, meio envergonhado e quase sussurrado me inspira bastante, e as canções dela têm melodias fortes e bonitas. O disco “Just Another Diamond Day” é lindo, intimista e sincero, um belo exemplo de álbum folk, se quiser chamar assim. Ela lançou também uma compilação de singles (“Some Things Just Stick in Your Mind”) onde está a “Winter is Blue”, em que as canções têm uma roupagem até mais pop do que folk, muito bom.

Beatles“Norwegian Wood”
Victor: Se você faz música com algum viés pop e valoriza muito as melodias é praticamente impossível não pensar em Beatles em alguma parte do processo de compor. Beatles é uma escola, né. Todas as fases da banda são importantes pra nós, e estudar as gravações também nos ajudou muito desde o comecinho.

Siouxsie and The Banshees“Israel”
Victor: A referência pode não aparecer muito no nosso álbum ou no EP, mas pós-punk é uma coisa bastante forte nas nossas influências. Essa fase que chamam toscamente de “gótica” é muito criativa. Vários discos são realmente muito artísticos, e Siouxsie é uma baita banda foda. É legal ver como uma composição essencialmente punk, de estrutura simples, ganha outro aspecto quando se pensa em arranjos estranhos e sons inusitados. Acho que aprendemos muito com isso.

Cat Power“Nude as The News”
Elisa: O que mais gostamos nas músicas da Cat Power é o fato de elas parecerem super básicas, mesmo não sendo, e isso acaba refletindo talvez na maneira de estruturarmos criações do Antiprisma. Essa canção “Nude As The News” é foda. Tem uma base simples de guitarra que permeia a música inteira, mas mesmo assim a Chan Marshall consegue trazer várias partes diferentes e muita dinâmica.

Simon and Garfunkel“Scarborough Fair”
Elisa: Simon & Garfunkel é uma referência muito importante para o Antiprisma, principalmente o jogo de harmonias vocais que eles fazem. Acabamos sempre tendo eles meio que como um paradigma de qualidade, um ideal a ser alcançado e para nós é muito divertido “estudar” o que eles fazem nas músicas.

Sonic Youth“I Love You Golden Blue”
Elisa: Talvez não apareça tanto no Antiprisma, apesar de muita gente já ter perguntado se gostamos de Sonic Youth. Para mim, é uma inspiração constante. Desde a maneira de tocar, os arranjos e até o estilo dos vocais. Eu adoro esse jeito meio blasé, meio displicente de cantar da Kim Gordon.

Secos e Molhados“Fala”
Victor: Aquele primeiro disco é uma coisa que não tem como evitar. As letras são ótimas, a proposta visual eu acho que nunca vai morrer por completo e as músicas por si só sobreviverão pra sempre. O fato de ser do Brasil algo assim faz a gente lembrar como nosso país é foda na música.

Fairport Convention“Percy´s Song”
Elisa: Essa é uma banda que gostamos muito. O som do Fairport Convention é bastante único, sendo uma banda de rock com identidade forte na música tradicional britânica. As melodias inspiradas no estilo folk tradicional britânico e o uso de guitarras e violões com o efeito “drone” (em que fica soando uma nota constante na música), muito presentes no Fairport, são coisas que gostamos de usar no Antiprisma. Essa música “Percy´s Song”, na verdade é do Bob Dylan, mas gostamos muito dessa versão deles e do jeito de cantar da Sandy Denny (vocalista da banda).

Pink Floyd “Echoes”
Elisa: Escolher só 20 músicas é difícil. Era para ter entrado nesta lista também o Syd Barrett. Afinal, tanto as canções dele solo quanto as do começo do Pink Floyd são influências fortes para nós. Mas tudo bem, escolhemos a “Echoes”, cuja melodia lembra muito o Pink Floyd com o Syd, mas já tem a estrutura “espaçada” e melancólica, típica dos anos seguintes da banda. Com certeza, mesmo sem perceber, acabamos sempre colocando algo de Pink Floyd no nosso som.

Ouça aqui a playlist do Antiprisma e siga o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify:

Músicas para embalar os seus domingos e esquecer das segundas

4264487946_02befdf542

Domingo. Um dos dias mais odiados da semana. Não pelo domingo em si, mas por preceder o primeiro dia útil, ele é até mais triste que a inevitável segunda. E por este motivo, é um dos dias com grandes músicas dedicadas a ele. E já que os sentimentos destinados ao primeiro dia da semana não são dos melhores, o mesmo não se pode dizer das canções.

E se seu domingo está sem graça e precisando de uma trilha sonora, deixa comigo.


Faith No More – Easy

Sim, a versão original dos Commodores é incrível, mas a trupe de Mike Patton fez uma versão que me diz muito mais e passa melhor aquele sensação “dominical” que é a intenção aqui. Segundo Lionel Richie, que escreveu a música, ela “se aplica a qualquer pessoa que vive em uma pequena cidade do Sul dos EUA. Pequenas cidades do sul ficam mortas à partir das 23:30 de sábado. Então eu meio que tive que pensar em minhas próprias experiências – de Lionel Richie de Tuskegee, Alabama, onde não há coisas como festas que vão até às 4 da manhã.


 Titãs – Domingo

Acho que, pra mim, esta é a música que mais simboliza este dia tão preguicento. Paulo Miklos fala sobre tradições do domingo brasileiro, como a presença inevitável de Sílvio Santos com sua risada característica na TV (o que acabou atrapalhando sua veiculação via Rede Globo, que não queria citações ao rival) e quase tudo fechado. A música deu nome ao oitavo disco dos Titãs, lançado em 1995.


Queen – Lazy On A Sunday Afternoon

Esta ode à preguiça saiu no disco “A Night At The Opera”, de 1975, e fala basicamente de como o interlocutor ama a preguiça de um domingo à tarde. Curtinha.


David Bowie – Sunday

A faixa que abre o disco “Heathen”, de 2002, marca o retorno de Tony Visconti, que produziu muitos dos discos clássicos dos anos 70. Como o Bowie nunca tentou explicar esta letra, fica difícil querer definí-la. Dê uma ouvida e tente descobrir o que o camaleão quis dizer.


Sonic Youth – Sunday

O primeiro e único single do disco “A Thousand Leaves” trazia Macaulay Culkin em seu clipe. O ator andava meio sumido depois do sucesso de “Esqueceram de Mim”. Segundo o próprio Thurston Moore, o riff principal foi “emprestado” da música “Skeleton” da banda Helium, uma de suas preferidas.


Stone Temple Pilots – Naked Sunday

Sim, domingo é um bom dia pra ficar peladão em casa, porém a música não fala sobre isso. A faixa do disco “Core” fala sobre fé e espiritualidade, perguntando a Deus porque deveríamos confiar nele quando o fim chegar depois de tudo que passamos aqui na Terra. É, uma bad trip pesada do Scott Weiland.


Velvet Underground – Sunday Morning

Esta foi escrita por Lou Reed num domingão por volta das 6 horas da matina. Andy Warhol sugeriu que ele escrevesse sobre a sensação que rola quando o efeito do coquetel de drogas que o rapaz tomava estava passando. Reed não deixou que Nico cantasse essa: ele mesmo cantou, imitando ela.


Oasis – Sunday Morning Call

A primeira música com Noel Gallagher nos vocais desde “Don’t Look Back In Anger” saiu no disco “Standing In The Shoulder Of Giants” e é, novamente, uma balada. A música é sobre pessoas (que Noel não quis citar, mas se desconfia que ele fala de Kate Moss) que apareciam em sua porta de manhã, bem loucas. O clipe é inspirado no filme “Um Estranho No Ninho”.


Jefferson Airplane – Young Girl Sunday Blues

Do terceiro disco do Jefferson Airplane, “After Bathing at Baxter’s”, saiu esta pérola psicodélica dançante. Uma música um pouco mais alegrinha para o seu domingo.


Video Hits – Silvia 20 Horas Domingo

A versão da banda gaúcha Video Hits para a música da fase psicodélica de Ronnie Von é incrível. Diego Medina e sua trupe imprimem uma felicidade próxima à do B-52’s à canção, deixando-a com cara de domingão feliz. Tio Ronnie deve ter ficado orgulhoso dos pupilos. Pena que a banda durou tão pouco…


Tim Maia – Um Dia de Domingo

O vozeirão do rei do soul brasileiro vai bem com qualquer domingo. Faz de conta que ainda é cedo.


Ângelo Máximo – Domingo Feliz

Uma pérola do brega que eu adoro. Essa é pra deixar qualquer domingo feliz. Deixe o preconceito de lado e cante com o Ângelo Máximo que hoje é, sim, o seu dia.