Construindo Giovanna Moraes: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Giovanna Moraes, que está trabalhando atualmente seu mais recente disco, ‘Àchromatics’

“20 músicas que inspiraram ‘Àchromatics’? Queria ter mais do que só 20! É engraçado – de certa forma essas são músicas e pessoas que me inspiram ou inspiraram criativamente – algumas trago comigo desde criança da época quando não escolhia muito o que ouvir, já outras entraram em cena enquanto eu estava gravando o disco e procurando referências pra ajudar a criar meu som. Tem muitos outros sons que entraram em cena desde então – tudo é inspiração! De qualquer forma aqui vai minha tentativa”, diz.

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Ella Fitzgerald“Perdido” (“Live at Mister Kelly’s”)

Impossível não falar de Ella Fitzgerald. Amo a natureza com que ela canta, fazendo qualquer coisa parecer fácil. Essa música já escutei tanto que transcrevi o solo dela quase inteiro (risos). Tem um tom de felicidade e bom humor nela – acho impossível não sorrir ouvindo.

Esperanza Spalding“Good Lava” (“Emily’s D+ Evolution”)

Amo como a Esperanza mesclou jazz com rock nesse CD, mas, especialmente nessa musica, gosto muito dos slides vocais que ela usa. É um recurso que também utilizei no meu álbum e eu não conhecia antes de ouvi-la.

Hiatus Kayote“Molasses” (“Choose Your Weapon”)

Amo Nai Palm, acho que a voz dela incrível e essa música maravilhosa com uma pegada bem rítmica. Parece que tem uma novidade a cada compasso.

Fiona Apple“Hot Knife” (“Idler Wheel”)

Fiona arrasa, canta com uma emoção de um jeito que eu sinto o que ela quer dizer, mesmo se não escutei a letra. A música faz com que o idioma no qual ela canta não faça diferença.

Aurora“Murder Song (5, 4, 3, 2, 1)” (“All My Demons Greeting Me As A Friend”)

Admiro muito a voz da Aurora e suas linhas melódicas. Acho o trabalho dela lindo, uma referência para meu trabalho visual também. Aurora é das minhas, deixa você achar que entendeu o que está acontecendo e aí joga algo que você não esperava.

Gilberto Gil“Refazenda” (“Refazenda”)

Acredite ou não, mas acho que tem uma pegada de baião na parte C da minha canção “Dark”. Escutei muito à “Refazenda” treinando a rítmica para conseguir gravar.

Tom Zé“Toc” (“Estudando o Samba”)

Amo essa música doida. Escutando ela sinto que tem um mundo de coisas, pensamentos acontecendo em paralelo, em ciclo – variações do mesmo problema, pingando pela música até que acaba, do nada.

Gal Costa“Cultura e Civilização” (“Gal Costa”)

Adoro a Gal e sua flexibilidade vocal e acho que tem uma pegada de se arriscar no jeito que canta, adoro. Ela não tem medo de errar, porque ela sabe errar, e sabe que no erro vem algo de inédito, honesto e bonito. Acho que nesse sentido tenho algo de Gal também.

White Stripes“Seven Nation Army” (“Elephant”)

Amo White Stripes! Não é nenhum segredo (risos). Desde a estética e o “branding” do vermelho-preto-branco do Jack White, ao som e a química entre ele e Meg, me encanta a confiança de fazer um som tão grande com dois integrantes somente.

Jimi Hendrix“Foxey Lady” (“Are You Experienced”)

Amo essa música e amo Jimi. Já passei altos micos cantando e dançando essa música quando pensei que estava sozinha, rs. Para mim, Jimi tem uma pegada amarga e um som pesado, delicia, gravado em afinação 432Hz.

Patti Smith“Gloria: In Excelsis Deo” (“Horses”)

Acho a Patti incrível! Ela começa seu álbum de estreia, Horses, com essa musica, já deixando claro que ela se responsabiliza por tudo na sua vida, inclusive seus pecados. Uma mulher que canta pra caralho e que abriu mil portas mostrando que mulher pode ser e cantar do jeito que quiser. Mil brincadeiras de timbre, escuto muito como estudo.

Sepultura“Roots Bloody Roots” (“Roots”)

Eu adoro esse álbum todo – acho muito incrível a historia por trás desses brasileiros fazendo metal pesado em inglês e arrasando. Pelo que conheço da história, um deles teve um sonho tribal onde o índio chefe voltou irritado com o homem civilizado pela coisas completamente irracionais que ele fez sobre a terra. Adoro isso, de um álbum conceitual, acredito que o meu seja também. Descobri o que é “Drive Vocal” ouvindo Sepultura também.

Beach Boys“Wouldn’t It Be Nice” (“Pet Sounds”)

Falando de álbum conceitual, impossível não falar de Pet Sounds. Sinto que entendo a pegada de Brian Wilson, isso de querer usar tudo como instrumento – de fazer coisas que muitos poderiam achar estranho e feio, mas como num todo funciona de um jeito lindo.

Blondie“Hanging on the Telephone” (Blondie – Parallel Lines)

Mulher bandleader com cara de meiguinha (risos), já adorei. Foi um dos primeiros CDs que comprei, adoro sua mescla entre rock e pop.

The Runaways“Cherry Bomb” (“The Runaways”)

Meio riot grrrl, mulheres fodas, cansadas de ter que fazer o papel de menininha, quebrando tudo e ao mesmo tempo tirando um sarro. Adoro.

Talking Heads“Psycho Killer” (“Talking Heads 77”)

Gosto dessa pegada da letra, de não ser só significado, mas também uma sonorização. Um de minhas músicas também traz isso, no caso, “Dark”, onde no lugar de um “Fa Fa Fa” vem um “D-D-D”, mas com esse recurso.

Frank Zappa“The Walking Zombie Music

Sons mais experimentais e com essa pegada de improviso que eu adoro. Fora que ele é um performer maravilhoso! Gosto muito, tanto que fui ver a banda do filho dele, Zappa plays Zappa, sozinha, porque não achei ninguém pra ir comigo e me diverti pacas (acho uma delicia ir sozinha em show, aliás).

Queen“The Show Must Go On” (“Innuendo”)

Freddie Mercury não tem comparação. Gravada em um take, no final da vida dele, quando ele já estava bem mal e mesmo assim uma das músicas que ele canta com mais recursos vocais. Acho essa música treta.

Beatles“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”)

Não só a música, o álbum como um todo redefiniu o que são os Beatles pra mim e o que é música popular. Mostrando que dá pra fazer algo complexo e conceitual, mas que ainda tenha um apelo popular ao mesmo tempo. Adoro o aspecto performático também, com o álbum sendo a peça toda.

Hermeto Paschoal“Quebrando Tudo”

Hermeto não pode faltar – meu compositor favorito! Inclusive tive o prazer de conhecê-lo enquanto estava gravando o disco em uma apresentação/bate papo dele na UNICAMP. Acho ele vital para qualquer um que tente fazer música de um jeito diferente. Para mim o Hermeto é um símbolo de inovação musical – mostra que existe muitos mais sons e instrumentos para descobrir. O projeto dele, de melodias inspiradas em sons falados, acho incrível também. Quando fui falar com ele, ele respondeu com a mesma melodia e rítmica que eu falei com ele (risos). Doidão, adoro ele.

Filosophone: Tom Zé, o homem que nasceu póstumo – Quando o público não entende seu gênio

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Tom Zé

Filosophone, por Matheus Queirozo

“Eu vo-lo digo: é preciso ter um caos dentro de si

para dar à luz uma estrela cintilante.”

(“Assim Falou Zaratustra” – Friedrich Nietzsche)

 

Ser um grande artista às vezes custa caro. Calma. Deixe-me pensar: teimo em acreditar que seja uma tarefa fácil ser um grande artista, mas como pode existir alguma exceção dentro disso, deixo então em aberto quando digo às vezes. Como acho realmente que ser um grande artista não é nada fácil, reformularei o começo deste texto, vamos lá: ser um grande artista, na maioria das vezes, custa muito caro! Pronto, talvez agora eu tenha conseguido repassar a intensidade da ideia de dificuldade que é ser um grande artista nesse mundo interminável da arte. Não é todo dia que nasce um gênio. E com certeza não há fórmula que mostre o caminho mais fácil. A genialidade é capaz de tornar um artista um ser atemporal, um imortal, assim como Machado de Assis na nossa literatura brasileira, um escritor que foi além do seu tempo, que através das letras conseguiu dar a sua contribuição intelectual para construir a nossa cultura. O gênio se destaca. O gênio sobressai em meio aos iguais, em meio àqueles que não apresentam o novo para o povo que anseia com a sede dos desertos mais caudalosos por uma arte que os preencha, que os satisfaça nesse rastejar misto de alegria e dor que é a vida. Como diria nosso filósofo otimista – otimista foi uma ironia só pra descontrair antes do grande pessimismo – Arthur Schopenhauer, a vida é dor e sofrimento. E em meio a dor e sofrimento, de tempos em tempos, surge um grande artista. E ser um grande artista, um gênio, nem sempre é sinônimo de felicidade, Tom Zé que o diga isso. Baiano nascido no município de Irará, localizado na nossa Grécia brasileira, fonte de arte e de sabedoria, a Bahia de Jorge Amado e Glauber Rocha, Tom Zé é hoje aplaudido, pode-se dizer, no mundo todo, um artista de uma originalidade tremenda que o elevou a gênio. Mas nem sempre foi assim.

Sabemos que em julho do ano de 1968, Tom Zé e os demais baianos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, juntamente com Nara Leão, Os Mutantes, além dos poetas Capinam e Torquato Neto, sob a regência sobre-humana do maestro Rogério Duprat, compunham um dos maiores discos já feito na história da música, o grandioso “Tropicália ou Panis et Circencis”.

Tom Zé no canto superior direito.

Foi o momento de glória estética! Nesse mesmo ano de 68, momento do ápice tropicalista, Tom Zé lança seu álbum de estreia, o “Grande Liquidação”, que abre com a canção “São São Paulo”. Nesse disco, o baiano de Irará escreve um texto na contracapa, e no final deixa registrado para a posteridade: “A sociedade vai ter uma dor de barriga moral”. Gravem bem esta frase, pequena, mas contundente.

Continuando a consolidação do artista: é nesse mesmo ano, mais precisamente em novembro/dezembro de 1968, que Zé tem a graça de ter sua música “São São Paulo” em 1º lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira. Os louros ao baiano de Irará! “Palmas ao Dom Quixote que ele merece!”. Segundo o maestro e arranjador Júlio Medaglia, em entrevista para o programa musical O Som do Vinil do Canal Brasil, “São São Paulo” é o “verdadeiro hino paulista, porque tem a ironia que vê a cidade com um olhar crítico, mostra os extremos daquela loucura maravilhosa que é São Paulo”.

Tom Zé no IV Festival de Música Popular Brasileira, recebendo das mãos de Júlio Medaglia o prêmio pela canção “São São Paulo”, que ganhou o 1º Lugar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“São oito milhões de habitantes

De todo canto em ação

Que se agridem cortesmente

Morrendo a todo vapor

E amando com todo ódio

Se odeiam com todo amor”

(São São Paulo, canção de Tom Zé, do álbum “Grande Liquidação”, 1968)

 

A genialidade de Tom Zé consiste na sua complexidade diante da sociedade composta pela massa. A massa é feita de cada pessoa que passa a vida em busca de sua identidade, é uma busca tão dedicada que alguns chegam a vender suas almas em troca de uma tribo, tudo para fazer parte de um grupo, tudo para fazer parte daquilo da galera que ouve os mesmos sons, que lê os mesmos livros, que fala as mesmas palavras, e tudo isso forma a massa, a massa que exige que você deixe de lado a sua identidade, aquilo que identifica você enquanto único em troca de uma vida massificada. É nesse momento que as pessoas perdem a sua identidade e são engolidas pela massa até se perderem dentro dela, até formarem algo unilateral, com os mesmos pensamentos, com a mesma visão de mundo, com os mesmos desejos programados. Diante de uma sociedade massificada, a genialidade de Tom Zé foi sendo aos poucos ignorada pelo público consumidor. Isso é comum com pessoas de personalidade autêntica, a peculiaridade as exclui da massa. Num planeta de enlatados, em que só é preciso requentar a comida feita anos trás, botar no prato e comer, porque é mais cômodo viver assim, o produto que cheira como diferente de tudo isso já soa como uma ameaça aos preguiçosos mentais, uma ameaça àqueles que sonham em morrer em suas zonas de conforto. O novo sempre vem para abalar as estruturas, “mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer”.

Quem diria, o gênio de Irará, em meados de 1972, lança sua pérola “Se O Caso É Chorar”, seu terceiro álbum, recheado das suas complexidades populares, que só o gênio autêntico possui. No programa O Som do Vinil, Tom Zé fala sobre a música título do disco: “em 1973, ela ficou na parada (de sucessos) durante uns seis meses e um dia ela foi primeiro lugar na parada da Rádio Nacional. E naquele tempo, você concorria com os Beatles, com Rolling Stones, com todo mundo, era uma parada só”.

“É somente requentar
E usar,
É somente requentar
E usar,
Porque é made, made, made, made in Brazil
Porque é made, made, made, made in Brazil”

(“Parque Industrial”, canção de Tom Zé, do álbum “Grande Liquidação”, 1968)

Com o álbum “Todos Os Olhos”, de 1973, é confirmado o aforismo do filósofo alemão Nietzsche, que diz: “há homens que já nascem póstumos”. Tom Zé nasceu póstumo. O gênio nasce incompreendido pelo seu tempo. Tom Zé, mesmo depois de todo o movimento tropicalista, teimou em continuar sendo Tom Zé, teimou em ser artista experimental do som e das palavras. A sua obra poética e sonora, cheia de jogos de palavras, repletas de experimentações inusitadas, lhe rendeu o exílio artístico. A massa não conseguiu engolir Tom Zé. A massa não tinha sistema digestivo competente para entender um homem póstumo. Ele era intragável para a sociedade.

Quando nasceu enquanto artista, nos idos de 1968, ele já havia previsto seu hiato: “A sociedade vai ter uma dor de barriga moral”. E a sociedade teve essa dor de barriga. Com isso, a massa expulsa o seu poeta da ágora tropical, condenando-o a tomar a mesma cicuta que levou Sócrates à morte. Mas a cicuta do gênio de Irará o leva a uma morte dos meios de comunicação, que é a reclusão das grandes mídias.

O diferente assusta, causa temor, tira qualquer um da sua zona de conforto. O novo amedronta, causa nervosismo, faz um rebuliço, causa até dor de barriga, porque o homem, depois que passou do estágio de nomadismo em que era um destemido andarilho pela natureza em busca da sua subsistência, perdeu a coragem de ver o mundo por novas perspectivas. Seu prazer agora se concentra naquilo que lhe parece mais seguro, por isso se prende a rotinas, a mesmices, a comportamentos cíclicos. A novidade é difícil de ser decodificada porque exige um esforço intelectual. Fazer parte de grupos é importante, pois, segundo o psicólogo russo Lev Vygotsky, o desenvolvimento intelectual do ser humano se dá através de suas interações sociais. O problema é quando o indivíduo perde a sua individualidade, enquanto identidade que lhe define, no meio de uma massa de pessoas que pensam do mesmo jeito, que se comportam da mesma maneira. É muito importante ser autêntico, ser original. A liberdade de pensamento só existe quando nós somos autônomos, quando somos donos de nós mesmos.

Tom Zé foi longe. Sua obra sempre foi permeada de experimentalismos tanto vocabulares quanto instrumentais. Ouvir sua música é uma viagem única. E quem embarcou nessa viagem e gostou foi o norte-americano David Byrne, ex-integrante da banda The Talking Heads, que redescobriu Tom Zé no final dos anos 80, numa viagem que fez ao Rio de Janeiro.

A história nos conta que Byrne, andando pelo Rio, queria conhecer um pouco mais do samba da nossa terra, bateu então os olhos num disco de capa branca que tinha apenas o nome e um desenho de arames, coisa simples. Ouviu e adorou. Era o quarto álbum de Tom Zé, “Estudando O Samba”, de 1976.

Daí por diante, o anarquista de Irará ficou conhecido nos Estados Unidos, depois na Europa e voltou a ser notícia.

Considero Tom Zé o artista mais tropicalista da Tropicália. Sem dúvida é o único do movimento que tem a alma tropicalista e que continua produzindo regularmente com toda sua carne e sangue tropicais, ele é aquele que nunca, jamais, perdeu o espírito tropical de poeta zombeteiro e ácido. Ave Tom Zé!

Construindo Molodoys: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Contruindo Molodoys
Molodoys

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Molodoys, que indica suas 20 canções indispensáveis. ” São músicas que me influenciam bastante no modo como são criadas e no que elas conseguem atingir na questão de criatividade e inovação seja em letra ou em melodia”, explicou Leo Fazio, guitarrista e vocalista. “Eu não uso músicas em especifico para me influenciar na hora de compor pra Molodoys, mas ultimamente quando to compondo to tentando pensar nessas, mais na questão de como se é feita a música do que na sonoridade em si”, esclareceu Vitor Marsula, tecladista .Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Cartola“Preciso Me Encontrar”
Leonardo: Música do Candeia gravada por Cartola em seu segundo disco. Eu a considero uma das músicas mais belas já feitas, seja em arranjo, progressão, letra ou melodia. A primeira vez que a ouvi fiquei completamente obcecado, seu lirismo e todo o sentimento que a letra passa em conjunto com a música já me serviram muito de inspiração quando ela está em falta, minha meta de vida é fazer algo comparável a essa música, (que é algo quase impossível, eu sei).

Pink Floyd“Take Up Thy Stethoscope And Walk”
Leonardo: Talvez minha preferida do Pink Floyd, já bebi muito dessa fonte e acho que dá pra perceber em algumas músicas do “Tropicaos”, nosso primeiro disco. Todo o peso e toda a visceralidade que essa música carrega me influenciam bastante dependendo do que eu estou criando, essas são características que eu gosto muito de trabalhar. E eu também sou apaixonado pela guitarrada do Syd Barrett, acho um estilo único e muito subestimado.

Bob Dylan“It’s Alright Ma (I’m Only Bleeding)”
Leonardo: Uma obra prima, seu lirismo é algo que me influencia profundamente, me inspiro muito em como o Dylan desenvolve a poesia das suas músicas, em como ele consegue usar de temas e fonemas pra te tranportar pra outro lugar enquanto a musica toca.

Chico Buarque“Construção”
Leonardo: O modo como a música vai crescendo e se desenvolvendo envolta dela mesma é genial, ando bebendo muito dessa fonte na hora de criar, atualmente tenho escrito bastante e essa é uma música que sempre me vem à cabeça quando procuro inspiração, tanto em letra quanto em arranjos.

The Velvet Underground“Heroin”
Leonardo: Acho que a Molodoys busca muito por uma boa ambientação nas músicas e a gente tenta trabalhar bastante no modo como elas transmitem as sensações ao ouvinte, e, pelo menos da minha parte, isso tem muita influência desse som do Velvet, totalmente visceral e criativo.

Arctic Monkeys“Still Take You Home”
Jairo: Acho a bateria do Matt Helders incrível, todo o peso e técnica que ela carrega me inspiram muito, e principalmente o fato de ele saber o que usar em diferentes partes da música para passar diferentes sensações, procuro muito isso em minhas baterias.

Queen“Melancholy Blues”
Jairo: Queen tem uma forte influência em mim há anos, acho que em toda bateria que eu crio tem um pouco deles. E esse som mais especificamente mostra como um drama pode ser perfeitamente passado à uma música. Essa em específico me inspira em todo o drama que ela carrega, acho sensacional como ela é trabalhada, é uma grande referência pra mim.

Beatles“A Day In The Life”
Jairo: Eu aprendi a tocar bateria acompanhando os discos dos Beatles, assim como o Queen, acho que é algo que está dentro de mim e das baterias que crio pra Molodoys, Ringo é um dos bateristas mais subestimados que existem, mas pra mim ele é inigualável. Além de que os Beatles servem de inspiração para eu criar em vários campos da música, eles são mestres em diversidade de estilo e sonoridades, foram pioneiros em muita coisa.

Miles Davis“All Blues”
Jairo: Uma das baterias mais lindas e suaves na minha opinião, e ao mesmo tempo carrega um peso tremendo, mas de outra forma, a bateria caminha e dança junto com outros os instrumentos, e isso é algo que eu procuro fazer em minhas composições pra bateria.

Muse“Uprising”
Jairo: Ouvi-la remete a algo importante pra mim, saber compor uma música forte e marcante sem perder a qualidade, acho que é uma grande preocupação pra mim na hora de compor pra Molodoys.

Chico Science e Nação Zumbi“Coco Dub”
Camilla: Eu e Léo somos muito fãs de Nação Zumbi e por isso essa referência partiu de nós, ficamos meses pirando horrores na grande maior parte da discografia, mas a “Coco Dub” tem uma essência experimental e livre. Foi a música que tínhamos como referência para a música “Tropicaos”. Lembro de ter ouvido ela a viagem toda repetidamente, quando fomos gravar em Amparo (interior de São Paulo).

Jupiter Maçã“Act Not Surprised”
Camilla: O baixo dessa musica é uma das minhas maiores referências de arranjo da vida. Eu gosto do jeito que ele é executado, é muito peculiar e até meio bruto, com um groove único. A psicodelia do Júpiter num geral também foi uma referência muito forte para nossas musicas, principalmente as do disco.

Som Imaginário“A3”
Camilla: Baita música dessa banda maravilhosa! Som imaginário é uma baita referência pra nós em questão de misturas de ritmos. Nessa musica, eles criam uma atmosfera tão brasileira mas de uma sonoridade tão futurista e cheia de groove e elementos não convencionais, é uma mistura de elementos muito bonita ❤

Tom Zé“Menina Jesus”
Camilla: Eu e Leo ficamos viciados nela pouco antes de gravarmos nosso segundo single. Acredito que ele se inspirou na letra e no fluxo dela para escrever a letra de “Ácido”. E Tom Zé continuará sendo o maior roqueiro da historia do MPB e maravilhoso.

Mutantes“Ave, Lucifer”
Camilla: Além de Pink Floyd, a mixagem dos Mutantes influenciou muuuito a mixagem do “Tropicaos”, uma pegada mais stereo. A “Ave Lucifer” é um belo exemplo de uma mix que fica perambulando sua cabeça (risos). PS: Use fones de ouvido para uma experiência mais completa!

Moving Gelatine Plates“Breakdown”
Vitor: Do álbum “Removing”, ela consegue ter tudo que uma música completa precisa, tanto na questão da estrutura, do começo, meio e fim, clímax e essas coisas, quanto pela questão do arranjo instrumental e de como eles conseguem conversar com o vocal e com os outros instrumentos.

Vangelis“Movement 1”
Vitor: Pois é uma das músicas que acho que chegou ao ápice do que é necessário para uma ambientação, que é algo que prezo muito.

Los Jaivas“La Poderosa Muerte”
Vitor: Pelo “feeling” que ela passa e por conseguir apresentar uma série de mudanças sem perder a característica principal.

Pink Floyd“Echoes”
Vitor: Por motivos de forças maiores agindo sobre mim.

Nine Feet Underground“Caravan”
Vitor: Pois ela é outra música que considero que tem tudo que uma música precisa.

Ouça a playlist aqui e siga o Crush em Hi-Fi no Spotify:

Garimpo Sonoro #12 – Estudando Tom Zé: 5 vezes em que Tom Zé foi nota 10!

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Tom Zé

De maneira dolosa, Tom Zé sempre se vendeu como o Vagabundo enquanto seus atos explicitavam seu dom chaplinesco. Em meio século de carreira, o artista vindo da hipercitada Irará-BA se formou em música na renomada Faculdade de Música da UFBA e usufruiu desta base técnica com tanto primor quanto sua abordagem criativa com as palavras e sons.

Precisaria de muitos caracteres para discorrer sobre o caráter artístico do Senhor Zé – incluindo sua relevância na Tropicália – por isso, como de praxe, resumirei em apenas cinco amostras:

“Tô” – Quando se vê toda a carreira de Tom Zé, “Tô” se mostra muito mais do que um manifesto: é uma cartilha que Tom Zé segue à risca.

Plágio – Em 1990, Tom Zé expôs um pouco do tortuoso caminho criativo cheio de dialogismos que ele costuma usar em sua obra. Aqui, ironiza uma acusação de plágio ao fazer uma música em que quase nada é seu.

“Estudando o Pagode” – Há 11 anos, Tom Zé levantava parte da bandeira do feminismo sob o véu de sua releitura sobre o pagode. O álbum, em forma de operetta em três atos, conta a história da opressão à mulher, sua relação com o homem e a distorção do amor. O disco todo vale a pena, mas aqui ilustro com “Proposta de Amor”.

“Tropicalea Jact Est” – Apesar de não incluir na série “Estudando”, Tom Zé revisita a evolução da Bossa Nova em um belíssimo disco que conta com participações atuais, como Mallu Magalhães, Rodrigo Amarante, Pélico e Emicida.

João da Esquina – No seu livro “Tropicália Lenta Luta”, Tom Zé mistura sua biografia com uma releitura sobre a vida de todos. Ao final, compilou alguns artigos que ele publicou em jornais diversos. Um deles, de 2001, homenageia João Gilberto ao mesmo tempo que consegue traçar um paralelo genial entre a Bossa Nova e a fórmula de Einstein E=MC²

Este não tem vídeo, mas leia o artigo (http://navegandonavanguarda.blogspot.com.br/2009/07/artigos-extraordinarios.html) enquanto ouve a instrumental “Toc”: