Construindo Personas: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Personas, que recentemente lançou seu disco “Vazio”.

“Na composição do Vazio eu tinha uma grande carga de bandas gringas como inspiração, mas ultimamente tenho descoberto várias bandas nacionais que fazem o tipo de som que a gente gosta de ouvir, de fazer, de colar no rolê pra assistir e de aprender com elas, e particularmente, ver essa cena acontecer me faz sentir que estamos no caminho certo e tem algo pra gente aí”, diz Rodrigo Cerqueira, baixista e vocalista da banda.

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João Capecce – guitarrista

Green Day“Jesus Of Suburbia”
Provavelmente a referência mais clichê das pessoas que cresceram nos anos 2000, mas Green Day é uma das minhas bandas preferidas desde que me conheço por gente, e acho justo dizer que foi quando assisti “Bullet In A Bible” que percebi que eu queria criar uma banda e tocar por aí.

Basement“Promise Everything”
Basement foi uma das bandas que mais nos inspirou enquanto estávamos compondo as músicas do “Vazio”, tanto a energia das músicas quanto a honestidade quase brutal foram algumas das coisas que tentamos trazer para o EP.

Movements“Kept”
Movements é uma banda que bebe da mesma fonte que o Basement, um emo mais atual, com letras extremamente honestas e músicas que sempre atingem quem tá ouvindo de uma forma quase dolorosa. Recentemente lançaram seu primeiro álbum, o “Feel Something”, que foi o que mais ouvi no ano passado.

Hateen“Quem Já Perdeu Um Sonho Aqui”
Curiosamente, nunca fui de ouvir Hateen quando eles realmente faziam sucesso, mas tenho ouvido bastante ultimamente, principalmente o último álbum, mas “Quem Já Perdeu Um Sonho Aqui” é provavelmente uma das mais clássicas, e inclusive tocamos ela algumas vezes nos primeiros shows que fizemos com o “Vazio”.

My Chemical Romance“Welcome To The Black Parade”
Em algum momento dessa lista eu teria que colocar as bandas emos de 2000, que foram as que formaram meu gosto musical e ainda ouço todo dia. Fiquei em dúvida se colocava Simple Plan ou Blink-182 ou Good Charlotte, mas My Chemical Romance é uma que nunca me canso de ouvir e parece que sempre faz eu me sentir da mesma forma que me senti da primeira vez que ouvi.

SOX“Los Angeles”
SOX é uma banda aqui de São José dos Campos (uma das melhores, diga-se de passagem), e apesar de não serem influência direto em nosso som, foram os caras que nos trouxeram para os rolês, nos ajudaram desde o começo e sempre estão na correria junto com a gente.

menores atos“Doisazero”
Admito ter demorado pra gostar de menores atos, mas teve uma vez que eu tava no carro do Digão indo pro ensaio e essa música tava tocando e percebi o quanto era bom. Animalia é provavelmente uma das melhores coisas que saiu no Brasil no últimos anos. Sem contar que o Cyro faz com uma guitarra só o que muita banda por aí não consegue fazer com três, é uma aula pra qualquer power trio por aí.

Brvnks“Don’t”
Brvnks é uma das minhas bandas preferidas que saiu ultimamente, a voz da Bruna é maravilhosa, as letras são sempre bem relacionáveis e o instrumental bem simples mas grudento. Acho que gosto bastante dessa em especial pois escrevo bastante sobre amores (passados, platônicos e não correspondidos), e acho que essa música é o hino definitivo do amor não correspondido.

eliminadorzinho“Das Vezes Que Conversamos na Cama e Acabamos Dormindo”
Fui ouvir essa música pela primeira vez pra ver a linda referência de Pokémon que tem no meio dela, mas acabei me apaixonando por todo o resto que tá rolando. Existe alguma coisa nela, talvez a combinação de tudo, que faz o mundo parar por 6 minutos e instaura um sentimento de esperança gigantesco em mim, é algo realmente mágico.

Citizen“The Night I Drove Alone”
Para o bem ou para o mal, todas nossas letras acabam sendo triste, mesmo que tenha por traz um instrumental animado. Citizen é uma aula de como escrever música triste que chega a doer fisicamente quase. Essa música parece que foi feita cirurgicamente pra você receber todas as palavras Mat como um soco na cara.

Rodrigo Cerqueira – baixista e vocalista

Diego Xavier“4 Casas”
Esse som, apesar de novo, é a cara do emo dos anos noventa. E saber que esse som é daqui do Vale do Paraíba me dá um certo orgulho de ver que as bandas daqui tem uma veia na música triste, sincera e muito boa.

Cap’n Jazz“Oh Messy Life”
Falando em emo dos anos noventa, Cap’n Jazz é uma grande referência sem sombra de dúvida. Em especial essa música, onde a letra e o instrumental casam muito bem, trazendo uma atmosfera única pra música, que sempre tentamos trazer para a nossa música.

Modern Baseball“Just Another Face”
Às vezes fica até difícil de falar sobre algumas músicas, e esse som é um desses. Essa mexe com os sentimentos, assim como todas as outras do Modern Baseball, os caras não erram nunca. Com toda certeza é uma banda que observamos e aprendemos muito.

Basement“Canada Square”
A primeira vez que ouvi esse som foi um choque, porque foi uma das primeiras músicas que realmente parei pra escutar e ler a letra junto e só consegui pensar “mano, é por isso que quero fazer música”. Ela é um soco no queixo, você consegue sentir tudo que o Andrew fala na música.

Title Fight“27”
A gente sempre tem os altos e baixos na vida, e quando eu ouvi essa música eu tava em um dos momentos ruins, e eu não queria mais estar. Ela meio que me ajudou a relembrar tudo que passei e perceber que merdas acontecem, mas que tava na hora de tocar o baile e seguir em frente.

Raça“Super Ação”
Com certeza é a música que mais tem inspirado no processo de composição, não só do “Vazio”, mas principalmente nas novas. Eu acho absurdo a maneira como eles conseguem transformar as ideias em música e deixar a gente com um gostinho de que a única forma de encontrar sentido na vida é fazendo e tocando música.

gorduratrans“vcnvqnd”
Mano, esses caras são absurdos, por mim eu teria colocado todas as músicas dos caras aqui. Os caras que me apresentaram o shoegaze, que é um negócio muito foda. O som dos caras é uma coisa caseira, feita só por dois caras e mesmo assim transmite o que muita música superproduzida não consegue dizer.

Def“Sobremesa”
Cara, banda perfeita. Me ajudou muito a pensar em músicas mais “bonitinhas” em nosso processo de composição. Os caras tem métrica muito boa, a voz da Deb é muito suave e gostosa de ouvir, e esse tipo de som é o que a gente tá tentando trazer pras músicas mais calmas, algo mais delicado e bom de ouvir.

Polara“Boate”
Esses caras são a representação do rock barulhento e confuso, o típico adolescente inconformado com a vida e com amor e sofrendo por paixões não correspondidas. Quando eu conheci esse som eu só pensei “caralho, esse é o tipo de som que eu quero fazer”. As composições são muito fodas, sem contar que os caras são loucos no palco, que foi o que me chamou atenção e me fez perceber que esse barulho tinha muito a dizer no fundo.

Terno Rei“Criança”
Essa banda tá em outro patamar, outro nível, é o tipo de banda que você pensa “porra, os caras chegaram lá”. Letras muito elaboradas, um instrumental simples mas que diz muito. Ouvir esses caras é um aprendizado tanto musical quanto de vivência, as ideias deles são muito parecidas com as minhas, e acho que esse é o mais doido da música, você poder transmitir suas ideias e ter gente que se encontra e se reconhece nessas ideias.

Construindo And The Night Never Came: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Construindo And The Night Never Came

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda And The Night Never Came, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Chelsea Wolfe“Carrion Flowers”
A Chelsea Wolfe é pra mim um dos artistas ativos mais criativos e interessantes. Essa faixa abre talvez o seu disco mais pesado – “Abyss”. Já começa com um soco na cara com esse baixo que parece os gemidos do próprio satanás. Aliás, o mais interessante dessa música é que todos os sons que se ouve vem de guitarra, bateria, baixo e voz, mas ao mesmo tempo ela soa quase eletrônica de tão meticulosamente esculpidos que são os timbres. Isso é muito importante pra mim porque tento ao máximo fugir de sons muito reconhecíveis, timbre é um dos pilares do que acredito ser o meu som.

Chelsea Wolfe“Feral Love”
Outra dessa diva gótica. O synth que abre essa música tem um timbre (de novo!) inconfundível – qualquer nota tocada nesse synth vai remeter a essa música de tão icônico. Mas acho que o grande charme dessa faixa está na bateria incessante, levemente distorcida, numa cadência incômoda que me deixa sem ar até a música acabar. Esse tipo de incômodo capaz de fazer tudo que é externo aos meus fones sumir pela duração da música é um fenômeno que aprecio muito e tento resgatar a mesma tensão no meu som.

Russian Circles“Xavii”
Talvez seja uma blasfêmia dizer que uma música de menos de 10 minutos é uma das melhores do post rock, mas pra mim é isso mesmo. Um arranjo de guitarra simples, mas muito efetivo, com um reverb que encaixa como uma luva, o synth que entra como apenas uma textura extra mais adiante na música parece ter sido destinado a estar nessa música. Post rock é uma das minhas grandes influências, mas às vezes sinto que certos clichês (como o crescendo, seguido de um estouro) acaba desgastando o gênero. Essa música é um perfeito exemplo de um post rock que soube usar sua melancolia sem se render a essas artimanhas, apesar eu mesmo me ver caindo neles de vez em quando!

Have a Nice Life“Hunter”
Outra banda interessantíssima da atualidade. Quando eu descobri Have a Nice Life, eu senti que pude pela primeira vez visualizar o som que eu queria buscar no “Wolves of Ill Omen”. “Hunter” é uma grande saga – sua letra evoca um ambiente mitológico que me leva com ela, além de conter um “entreguismo do espírito” em trechos como “you can eat my flesh and bones, leave nothing that is needed” que é muito caro a mim, pessoalmente – elemento este que aparece também na minha talvez banda preferida que vai aparecer na lista logo, logo. Atenção especial para a guitarra que soa quase como um synth e para a bateria que alterna nos compassos entre o hi-hat e a caixa – e miraculosamente consegue fazer as duas peças da bateria ter um impacto igualmente forte.

Have a Nice Life“Cropsey”
Outra deles. O sample de voz que inicia a faixa me marcou muito, não tem uma vez que ouço sem repetir as palavras com a boca junto, quase como uma oração. Mas a grande estrela é a bateria, tão processada que somente se sente seu impacto e é difícil definir exatamente o que está acontecendo – mas não é preciso entender, só sentir mesmo. Cada vez mais camadas de distorção são adicionados a este eterno loop de bateria, até que a música se mova como uma só onda sonora resultando em algo que só o Have a Nice Life seria capaz de fazer. Esse foi um desafio que encontrei enquanto compunha o “Wolves of Ill Omen”, um desafio que tentei tornar um ponto forte do álbum – loops que se mantém eficazes por minutos.

Have a Nice Life“A Quick One Before The Eternal One Devours Connecticut”
A última deles, juro! De novo, o tema aqui é repetição, mas dessa vez o mais hipnótico que se pode chegar. Eu costumo dizer que ouvir essa música gera o mesmo sentimento que eu imagino um suicida tendo, uma paz em saber que tudo vai acabar, que chega como um golpe e dura poucos segundos até que o gatilho seja apertado. Nem preciso dizer que é uma música que me afeta muito. Dark, pois é… mas assim que é bom! haha

Portishead“Machine Gun”
O que acontece quando uma das melhores bandas do mundo vai full industrial? Essa belezinha aqui. Um show de timbres e sons irreconhecíveis (lembra do que eu falei antes sobre isso?) onde todos os sons tem a força de uma percussão, como um golpe no peito. E pra acabar, como se já não tivesse perfeita, no final entra aquele synth lindo. Uma música que eu não mudaria nada, uma referência industrial pra mim mesmo que a banda não tenha se aventurado por esse som em nenhum outro momento da discografia.

The Body“Hail to Thee, Everlasting Pain”
Quando eu penso em “música pesada” eu penso nisso aqui. Uma música nada convencional que me prende até o fim com seu intrigante universo sombrio. Com uma progressão bem bizarra, essa música consegue ser extremamente sombria sem recorrer a nenhum caminho fácil pra chegar nesse resultado. Assim como muitas outras nessa lista, um exemplo de música que consegue tirar qualquer um do seu estado natural – ninguém sai dessa a mesma pessoa de antes.

Nine Inch Nails“The Great Below”
Essa aqui é a famosa, a minha “talvez banda preferida”! Eu sou completamente obcecado por Trent Reznor e Nine Inch Nails dos anos 90. NIN tem o poder de me fazer ouvir algo que eu posso jurar que veio de mim mesmo, mesmo que eu nem tivesse sido nascido quando certos álbuns foram concebidos, ou seja, NIN perfeitamente captura minha alma. Todo a auto destruição, o entreguismo, a raiva e a melancolia que formam quem eu sou. Essa faixa eu especial está aqui por conta das suas ricas texturas, de um dos melhores arranjos de bateria que já ouvi e por conta do significado pessoal que eu tiro da letra, uma história que pode ou não ser verídica (defendo com dentes que é), mas que sinto que faz parte de mim, talvez um orgulhinho de ter desvendado a letra mais bonita já escrita na história da música. Pra mim, claro! Se eu tivesse escrito qualquer verso dessa música, eu poderia morrer em paz.

Nine Inch Nails“Reptile”
Faixa do meu álbum favorito de todos os tempos, “The Downward Spiral”. O sentimento de ser seu coração destruído e sua cabeça desgraçada por alguém é devastador e muito mais complexo do que um simples ódio pelo outro – é muito mais um ódio por si próprio. Isso fica muito claro na performance dessa música no Woodstock de 94 – talvez minha performance ao vivo favorita de todos os tempos. Me vejo em cada passo que Trent toma naquele palco, em cada grito, em cada gesto. De forma semelhante a “The Great Below”, se eu fizer uma performance como aquela algum dia na minha vida, posso morrer em paz. Mas uma performance tão boa só pode vir de uma música muito boa, e esse é definitivamente o caso.

Sneaker Pimps“Grazes”
Consider o trip hop um fenômeno musical inesperado – uma junção de tendências que encaixam de forma única. Essa faixa de Sneaker Pimps é, pra mim, um exemplo de trip hop bem utilizado. O solo atrapalhado revela uma fragilidade que combina muito bem com uma das vozes mais intrigantes e doces da música, a de Chris Corner. Mas acho que essa música não seria metade do que é se não fosse pelo sample de voz que aparece logo no começo, onde se pode ouvir os sutis cortes e manipulações feitos na gravação original que trazem uma ótica completamente diferente se aquela melodia tivesse presente na gravação original emitida somente com a voz humana. Um som que me traz arrepios logo no primeiro segundo da faixa!

Radiohead“Everything In It’s Right Place”
Provavelmente a banda de longa data mais surpreendente, consistente e dedicada que eu já conheci. Em cada álbum se pode perceber uma nova fase musical na vida dos membros, o que sempre resulta em discos incríveis como “Kid A”. Essa música foi um choque quando ouvi pela primeira vez, já que ouvi a discografia em ordem cronológica – “onde estão as guitarras?” “Por que a voz dele soa tão estranha?” e outras são perguntas que eu me fiz muitas vezes ouvindo e reouvindo esse disco até entendê-lo. E fico feliz que eventualmente o tenha feito, pois é definitivamente um dos melhores discos da história! Cada faixa um experimento diferente – que funciona. Daria pra dizer que por causa desse disco eu me tornei o viciado em música que sou hoje.

Joy Division“Atmosphere”
Um clássico gótico que estava na minha mente o tempo inteiro enquanto compunha “Don’t Lose Your Mind, Sweetheart”. O jeito que o synth grave encaixa com a bateria evoca um sentimento tão único que eu não pude deixar de referenciar, talvez quase plagiar, na minha música mencionada. A responsável por me fazer amar tanto os tons de uma bateria e buscar sempre incluí-los de alguma forma.

Title Fight“Head in the Ceiling Fan”
Eu amo o contraste entre melancolia e explosão e essa música faz exatamente isso. Esse contraste ficou implícito em todo o álbum, mas é possível fazer uma ligação direta – com as guitarras de “Nimble” tentei conseguir um efeito quase onipresente que sinto que essa faixa consegue obter.

Fever Ray“If I Had a Heart”
O disco de onde essa vem estava na minha cabeça o tempo todo enquanto compunha “A Present Foreseen”. Os vocais graves icônicos de Fever Ray estão presentes nessa faixa, assim como uma tentativa de fazer uma música completamente sintética. Por onde anda Fever Ray? Queremos mais discos!

Low“(That’s How You Sing) Amazing Grace”
Eu confesso – tenho um ponto fraco por caixas de bateria que parecem um soco no meu ouvido. “Amazing Grace” do Low tem um dos timbres mais interessantes de caixa que já ouvi, e não é só isso – colocada numa música calma, soturna! Esse contraste esteve muito em minha mente conforme eu escolhia os timbres de percussão que acabaram no meu álbum.

Sinoia Caves“Sentionauts”
Da trilha sonora de um dos meus filmes favoritos, “Sentionauts” é um exemplo de sintetizadores retrô sendo usados pra criar algo referenciante e moderno ao mesmo tempo – e eu adoro isso. Se alguém me dissesse que essa trilha sonora veio de uma máquina do tempo que veio dos anos 80 (2080, no caso) eu acreditaria. Outra faixa que é possível traçar um paralelo direto – “Beyond Touch” veio do meu amor por esse disco.

The Soft Moon“Black”
“Darkwave” é um gênero difícil de definir. Muitas vezes acaba passando por goth rock, post punk, new wave… mas o que vem a minha cabeça é isso aqui. Esse synth quase witch house com essa percussão que mais parece uma marcha é assustador, mas ao mesmo tempo me transporta pra algum clube noturno onde eu me perguntaria “será que posso sentar em posição fetal aqui no meio da pista?”. Enfim, uma sonoridade muito difícil de encontrar por aí e que me representa muito!

Sleep Party People“I’m Not Human At All”
Outra música que se apresenta como uma saga, progredindo por vários estágios e conseguindo sucesso em todos eles. Dos tempos de ouro do Sleep Party People, essa música me marcou principalmente na performance que fizeram dela na Copenhagen Sessions de 2010. Aquela guitarra simples, seguindo apenas os acordes da música funciona como uma cereja no bolo. Foi a primeira vez que vi percussão eletrônica sendo incorporada manualmente ao vivo e me deixou muito curioso pra tentar isso, mas ainda não tive oportunidade. Enfim, um grande exemplo de como construir uma música e manter ela interessante do começo ao fim.

Slowdive“Souvlaki Space Station”
Pra fechar a lista não poderia faltar a melhor música de um dos melhores discos da história. Eu realmente acredito que essa música nasceu de um momento em que todos os planetas se alinharam e todos os átomos do universo estavam no lugar certo – um fenômeno simplesmente. Uma música irreproduzível, cada segundo dela é exatamente o que deveria ser e jamais vai ser de novo – até me faz acreditar quando dizem que ela foi gravada em um take, depois de dezenas e dezenas de tentativas. “Mas o que faz dessa música tão especial?”. Aí que está – não sei. Acho que ela tem a própria alma e ela conversa comigo quando a ouço. De qualquer forma, não tem como deixar passar sem comentar o belíssimo uso de delay nas guitarras e baterias que me evocam um cenário espacial como o título sugere (e pela música “My God, It’s Full of Stars!” acho que fica claro que eu tenho uma relação muito forte com o espaço). Essa música é uma experiência que deve ser sentida por todo mundo pelo menos uma vez antes de morrer, é indescritível.