Maneiras de xingar: Titãs – “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” (1991)

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Bolachas Finas, por Victor José

Após uma trinca de álbuns lendários e obrigatórios (Cabeça Dinossauro”, Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” e Õ Blesq Blom”), os Titãs estavam naquela posição que toda banda almeja: não precisavam mais mostrar o seu valor. Afinal, quem é que contestaria naquela altura do campeonato a importância daqueles oito rapazes para a música popular brasileira?

“Tudo Ao Mesmo Tempo Agora” veio em uma época em que a política do país – pra variar – estava em frangalhos. A “Era Collor”, mais precisamente. Falta de perspectiva, desemprego e aquela sensação de que todo mundo foi roubado e feito de idiota. Tudo isso deve ter feito a cabeça da banda, que não economizou na grosseria e lançou um disco bem no espírito do “foda-se”.

Bem, nem todo mundo curte esse álbum. A própria banda diz ser um dos trabalhos mais confusos, mas eu vejo de outra maneira. A época pedia isso, precisava disso. Obviamente, todos esperavam mais um trabalho coeso como “Õ Blesq Blom”, mas Titãs (naqueles tempos) não era uma banda muito adepta ao lugar comum, então nada de repetir fórmulas por conta do sucesso comercial.

Há uma coisa muito importante no disco logo de cara: Liminha não foi o produtor. Essa parceria brilhante, que rendeu a fase de ouro da banda se desfez nesse período, voltando somente no lendário Acústico MTV”. Sendo assim o grupo arriscou na produção e gravou numa casa alugada.

Na obra há uma unidade forte. Pela primeira vez o grupo inteiro assina todas as 15 faixas. Além disso arranjaram em conjunto, frisando a força das guitarras de Toni Bellotto e Marcelo Fromer.

Eles ousaram em lançar “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”, ainda mais porque ali há letras escrachadas como ”Clitóris”, “Saia de Mim” e “Isso Para Mim É Perfume”, essa última com um irreconhecível Nando Reis cantando versos como “amor, eu quero ver você cagar”… Também há aquela brincadeira com palavras, como no caso de “Obrigado”, “Uma Coisa de Cada Vez” e “Não É Por Não Falar”. Também destaco as performances de Branco Mello, que achou neste disco um tom certeiro, como pode ser conferido em “Filantrópico” e “Flat-Cemitério-Apartamento”.

A respeito do som, dá para dizer que você pode esperar uma música pesada, carregada de guitarras sujas, um rock sem muita lapidação e que combina muito bem com um dia de revolta. Sim, esse disco é pra ser escutado alto, bem alto. É uma espécie de Titanomaquia” (seu sucessor) tosco. O teor das letras chega a ser meio juvenil e jocoso.

É óbvio que a mídia caiu em cima e criticou bastante o disco, que por fim apresentou vendas modestas. Mas acho que até eles mesmos sabiam que seria assim. O que faz desse trabalho ainda mais especial.

Ainda vale a experiência de ouví-lo, justamente porque este é o último álbum com a formação clássica. Isso porque Arnaldo Antunes pularia fora em 1992, para a tristeza de muita gente que, como eu, ama os Titãs desse período.

Talvez você deteste, talvez ame, não sei. O que eu sei é que esse disco é uma obscuridade que merece uma chance. Quem teria coragem de lançar isso hoje?

Construindo Naissius: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do artista

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Construindo Naissius

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a participação do Naissius, que se apresentará nessa sexta-feira na Sensorial Discos com o repertório de seu disco de estreia, “Síndrome do Pânico”, além de músicas inéditas que estarão em seu próximo álbum. 

The Beatles“Hello Goodbye” (do disco “Magical Mistery Tour”, 1967)
Quando era criança, vi o clipe desta música e não entendi nada; foi a primeira que lembro ter sentido vontade de me tornar músico.

Jeff Buckley“Lover, You Should’ve Come Over” (do disco “Grace”, 1994)
O Jeff Buckley me mostrou que não havia problema algum em adorar Nina Simone e MC5 numa época em que eu ainda era um tanto ‘purista’.

Screamin’ Jay Hawkins“I Put a Spell On You” (do disco “I Put A Spell On You”, 1977)
Eu já adorava essa música quando criança, na versão do Creedence – meu pai tinha uma coletânea do Creedence e eu sempre escutava. Fui descobrir a versão original muitos anos depois e hoje tenho o estranho hábito de procurar versões dela na internet. São inúmeras, por diversos artistas, mas nenhuma supera a original.

Raul Seixas“A Maçã” (do disco “Novo Aeon”, 1975)
Aos 13 anos de idade interpretei o Raul Seixas no teatro e, para pegar o ‘sotaque’, fui ouvir toda a discografia dele. ‘A Maçã’ é sobre esse conceito de monogamia e traição que somos submetidos desde o nascimento e o qual nunca questionamos – além de ser uma das melhores músicas do Raul.

The Clash“Know Your Rights” (do disco “Combat Rock”, 1982)
O The Clash foi a primeira banda de punk rock que eu me apaixonei. O ‘Combat Rock’ foi um dos primeiros discos que eu comprei na vida e teve grande influência na minha formação.

Minor Threat“Guilty of Being White” (do disco “Complete Recordings”, 1988)
Eu já fui menosprezado por estar em lugares que não eram para ‘pessoas como eu’; o engraçado é que isso já aconteceu tanto por eu ser ‘muito branco’ quanto por ser ‘muito preto’.

Titãs“Desordem” (do disco “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, 1987)
Ainda me pergunto como os Titãs conseguiram fazer músicas com letras tão fortes se tornarem hits nacionais.

Chemical X“What’s Your Problem?” (da demo “What Ever Happened?”, 2003)
Trio de irmãs que tocam um punk rock de primeiro nível. Na minha adolescência era um alívio vê-las tocando entre tantas bandas que soavam iguais. Através delas eu passei a me interessar por feminismo, o movimento riot grrl e bandas como o Bikini Kill.

Nirvana“Sappy” (do box “With The Lights Out”, 2004)
As primeiras vezes que vim para São Paulo foram de trem, descendo na Luz, para passar a tarde na Galeria do Rock atrás de bootlegs. Quando ouvi essa música do Nirvana num CD de raridades, percebi que ela fugia do padrão ao relatar a vivência de uma mulher que leva uma vida de abusos e não se dá conta disso.

MC5“Kick Out The Jams” (do disco “Kick Out The Jams”, 1969)
Provavelmente uma das melhores músicas já escritas até hoje.

The Monks“Monk Time” (do disco “Black Monk Time”, 1966)
São ‘os Beatles do mal’. Não vou resumir a história pois vale muito a pena ir atrás dessa banda e desse disco. É pop com caos numa medida que nunca havia sido feita e provavelmente nunca mais será.

John Lennon“God” (do disco “Plastic Ono Band”, 1971)
Lennon usou seu primeiro disco para lavar a roupa suja com todo mundo, inclusive com o todo-poderoso, que ele se refere como ‘um conceito pelo qual medimos nossa dor’. Sigo o conselho de um amigo e sempre que escuto esse disco o faço ‘com muito cuidado’.

Chico Buarque“Construção” (do disco “Construção”, 1971)
Meus pais sempre ouviram muito Chico e ainda criança lembro que essa música me assustava: a crescente dos arranjos; a letra; a ideia da morte inevitável e repentina… É uma música que me impactou muito.

Nick Drake“Saturday Sun” (do disco “Five Leaves Left”, 1969)
Quando estava escrevendo o ‘Síndrome do Pânico’ eu ouvi muito os discos do Nick Drake. São de uma simplicidade e beleza tão raros… Nada é forçado ou exagerado.

New York Dolls“Personality Crisis” (do disco homônimo, 1973)
O New York Dolls me deu um nó no cérebro: usar calças rasgadas não parecia nada audacioso depois de ver caras vestidos de mulher tocando um rock sujo e minimalista. Ao conhecer a banda eu finalmente passei a tentar (des)construir minha própria imagem.

Fagner“Canteiros” (do disco “Manera Fru Fru Manera”, 1973)
É a música que eu canto no karaokê.

Chris Bell“I Am The Cosmos” (do disco “I Am The Cosmos”, 1992)
Se a discografia do Big Star é desconhecida e subestimada, esse disco solo de um dos integrantes é um tesouro perdido (lançado 15 anos após sua gravação). A música é a que dá nome ao disco e é daquelas que sempre me pega pelo nervo.

Ryan Adams“Afraid Not Scared” (do disco “Love Is Hell”, 2004)
O ‘Love Is Hell’ é um disco maravilhoso e essa é uma das minhas favoritas desse disco e de toda a discografia do Ryan Adams.

Rodriguez“Sandrevan Lullaby Lifestyles” (do disco “Coming From Reality”, 1971)
Uma das minhas letras e música favoritas. Conheci o Rodriguez uns anos antes de sair o documentário sobre sua obra e desde então seus dois discos que servem como uma espécie de bússola.

Mark Lanegan Band“Bombed” (do disco “Bubblegun”, 2003)
Ouvi esse disco quando saiu. Me fez entender que não é necessário ter guitarras ou gritos para ser rock.

Quando artes convergem: músicas que foram inspiradas na literatura

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Kate Bush
Kate Bush

Sinestesia, por Rafael Chioccarello

O mais lindo do mundo das artes talvez seja como o olhar clínico de seu receptor altera toda a perspectiva sobre algum fato, ato ou história. Isso é mágico e de certa forma quando alguém com um repertório significativo e um universo imaginativo livre de limites e preconceitos compartilha esse conhecimento: se transforma em mais arte.

Hoje vamos viajar pelo mundo fantástico das entrelinhas, não necessariamente no realismo fantástico de Neil Gaiman ou Gabriel Garcia Marquez mas em como o mundo da literatura – na mão de bons compositores – ganha uma nova página na história da música. Nada mais propício após o encerramento da vigésima quarta edição da Bienal do Livro de São Paulo.

literatura

A canção “Killing An Arab” do The Cure foi escrita em 1978 e inspirada pelo livro “O Estrangeiro” (1942) da fase filosófica “absurdista”/existencialista do escritor francês Albert Camus.

A história é simples porém intrigante e atual de certa forma, se vermos os recorrentes conflitos entre França e o mundo árabe. Para quem não sabe, a Argélia é um país onde aconteceu uma dominação/colonização francesa e seus colonizados se tornaram súditos do reino francês. No roteiro, um homem franco-argelino é o protagonista. E dias após o funeral de sua mãe, mata um árabe que estava em um conflito com um amigo.

O personagem, que atende pelo nome de Meursault, é preso e sentenciado a pena de morte. O autor utiliza de um recurso literário interessante – e intrigante – em que a história é a subdividida em duas partes. A primeira contando sua perspectiva e pensamentos em primeira pessoa dos ocorridos antes e outra depois do assassinato.

Um fato interessante é que o livro inicialmente não foi um sucesso comercial, tendo vendido apenas cerca de 4 mil cópias. Mas nada como o livro cair na mão da pessoa certa, não é mesmo?  No caso foi ninguém mais ninguém menos que Jean-Paul Sartre, que escreveu um artigo explicando o livro com suas interpretações pessoais. Depois disso, o livro teve seu sucesso por assim dizer, sendo considerado um clássico da literatura do século XX.

A canção do The Cure é polêmica e gerou certa dor de cabeça para Robert Smith. Tudo isso por pura ignorância de quem leva a canção literalmente ao pé da letra. Alguns alegaram que a faixa promove violência contra os árabes, chegando ao disco de singles, Standing On The Beach” (1986) a ser comercializado com um adesivo alertando sobre o conteúdo “racista”.

Ao saber desse fato ~queima filme~ Smith mandou descontinuar essa prensagem com medo de que as vendas do álbum se tornassem um grande fracasso. Após anos colecionando polêmicas pós-acontecimentos midiáticos como a guerra do golfo e o 11 de setembro, em 2005 eles voltaram a incluir a canção em seus sets porém com a letra modificada para “Kissing An Arab”. Por essa Albert Camus jamais sonharia.

Após o sucesso da trajetória meteórica de Ziggy Stardust por esse planeta e um dos mais incríveis álbuns da carreira de David Bowie, chegávamos ao ano de 1973. E ele continuava na crista da onda, numa fase regada de excessos, purpurina e viagens psicodélicas, a ponto de, conectado ao art rock nova iorquino, se aventurar a fazer um álbum inteiro baseado em um dos maiores clássicos da literatura mundial: 1984″ (1948) de George Orwell.

Claro que este só foi o ponto de partida para Diamond Dogs” (1973), pois ele reimaginou a versão glam pós apocalíptica dos temas totalitários da obra do escritor. Como a maioria das pessoas sabe, Bowie era um artista completo e moda, cinema, teatro e música eram extensões de sua arte. A ideia inicial era fazer uma produção teatral do livro, porém Orwell barrou. Sério gente, que ERRO! Teria com certeza ficado incrível, algo na linha “Rocky Horror Picture Show de 1984.

O álbum também marca o fim da era do personagem Ziggy Stardust. Em seu lugar entra Halloween Jack e teve como um dos primeiros singles a ser lançados “Rebel Rebel”. Preciso descrever o visual de Bowie nessa nova fase? Acho que todos já mentalizaram.

Um detalhe interessante é que a prensagem original do disco termina com o barulho: “Bruh/bruh/bruh/bruh/bruh“, que para quem já leu o livro ou viu o filme do 1984 logo identifica como primeira sílaba de “(Big) Brother” sendo repetida incessantemente. Tão o jeito Bowie de perturbar.

Com certeza você já ouviu “Sympathy for the Devil”, sendo fã dos Rolling Stones ou não. Mas poucos sabem a origem da canção: alguns mais preconceituosos cravam como Jagger vendendo a alma para diabo ou algo do tipo, pois desconhecem a real inspiração para a canção que vem diretamente do mundo da literatura.

A faixa que integra o disco Beggars Banquet” (1968) foi composta pela dupla Keith Richards e Mick Jagger. Originalmente, a canção chamava – durante o período de composição – “The Devil In Me” e Jagger cantava seus versos sendo o diabo em pessoa e se gabava do seu controle sobre os eventos da humanidade. Não sei o que seria do mundo se essa versão tivesse sido a final, mas o caos estaria instaurado, já que na versão mais “light” deu toda a polêmica satanista que temos conhecimento.

Em 2012, Mick Jagger afirmou que na verdade a inspiração para a letra veio de dois escritores: o poeta francês (e tradutor de Edgar Allan Poe) Charles Baudelaire e de “O Mestre e a Margarita” do russo Mikhail Bulgakov, além de creditar o estilo a narrativa do estilo das composições de Bob Dylan. Para deixar a atmosfera mais quebradiça e “torta”, Keith Richards deu a ideia de mudar o tempo da canção e adicionar percussão, assim transformando a antes canção folk em algo perto de um samba feito por britânicos.

O livro russo traz uma curiosidade um tanto quanto diferente. Escrito entre os anos de 1928 e 1940, ele só foi publicado em 1967. Alguns dirão claramente que foi por censura, devido ao teor político bastante forte, já que seu roteiro fala sobre a visita do demônio à URSS durante o período de crescimento do ateísmo na região. Alguns críticos consideram a obra uma das melhores do século XX, muito por conta das sátiras bem humoradas da descrição dos arquétipos soviéticos.

Se você gosta de Florence & The Machine, Cat Power, Bjork, St Vincent, PJ Harvey, Madonna, Ladyhawke, Bat For Lashes e Goldfrapp, deveria agradecer pela existência da Kate Bush. Todas artistas foram influenciadas crucialmente pela artista. A canção “Wuthering Heights” foi o single de estreia da Kate para o mundo em 1978 e foi direto pro topo das paradas do UK.

A composição foi escrita por Kate Bush aos 18 anos e é inspirada num livro de mesmo nome, que em português foi traduzido como “Morro dos Ventos Uivantes”. Mas o que poucos sabem é que até então ela nem tinha tido contato com a obra literária e sim com uma adaptação para mini-série feita pela rede de televisão britânica BBC.

A letra é inspirada nos últimos 10 minutos da adaptação que foi ao ar em 1967. Sim, a letra já tinha 10 anos quando tivemos o lançamento consumado. Depois claro que Kate foi atrás do livro e descobriu um fato: ela faz aniversário no mesmo dia da escritora Emily Brontë, 30 de Julho.

O livro trata-se de um romance do período gótico da literatura, é a única obra da escritora, e foi lançado em 1847. Ou seja: no ano em que Bush assistiu a mini-série na TV a obra estava completando seus 120 anos. Hoje em dia é considerado um dos clássicos da literatura inglesa do século XIX. Em 1993, os metaleiros do Angra regravaram a canção para seu álbum de estreia, Angels Cry”. Repare na apresentadora do programa da Rede Mulher tirando onda com André e Kiko (que fazem um playback  muito do safado, já que o programa não tem nada a ver com a banda).

Vocês com certeza já ouviram falar da Clarice Lispector, mas talvez não da canção “A Hora da Estrela” do Pato Fu. 30 anos depois do lançamento do último livro publicado em vida da escritora, a faixa está presente no álbum, “Daqui pro Futuro” (2007).

Durante entrevista com a banda em 2007 para o portal UOL em que questionaram o fato eles responderam:

“Tem a ver e dá para se fazer uma leitura. Quem conhece a obra dela vai encontrar a história do livro. Mas também tem outra leitura sobre pessoas que querem virar estrelas e fazer sucesso. Elas acham que parece fácil virar a vida em um clique, mas isto exige talento. O livro é uma referência muito preciosa. Sobre a literatura: nós lemos desde Stephen King a Clarice Lispector, de tudo um pouquinho, os temas são muito variados. Como viajamos muito, temos que ter sempre um livro a mão.”

“Epitáfio” dos Titãs teve sua inspiração em um poema de Nadine Stair. O curioso foi que a poetisa americana no momento que escreveu sua prosa tinha 85 anos de idade. Realmente, se pararmos para ler o poema, notamos a similaridade com a composição de Sérgio Britto:

“Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade
bem poucas coisas levaria a sério.

Seria menos higiênico, correria mais riscos, viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas,
nadaria em mais rios.

Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveram sensata e produtivamente
cada minuto da sua vida; claro que tive momentos de alegria.

Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos.

Não percam o agora.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.

Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, como sabem, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo.” Poema datado de 1935

Um clássico de Marisa Monte, “Amor I Love You” também bebe das fontes literárias. Se você já fez vestibular em algum momento de sua vida provavelmente lembrará do famoso trecho que Marisa homenageia na canção. Afinal de contas, “Primo Basílio” (1878) de Eça de Queiroz é recorrente nas listas de livros obrigatórios para o processo seletivo.

A canção que foi hit no ano 2000 em todo país chegou a ser indicada na categoria de melhor canção brasileira no Grammy Latino, foi tema da novela “Laços de Família” (TV Globo) e teve seu videoclipe premiado na categoria “Melhor Videoclipe de MPB” no VMB.

Na faixa o trecho é recitado pelo Arnaldo Antunes, ex-Titãs, de maneira poética:

“…tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações.”

Para fechar escolhi uma música nada óbvia de um dos grandes artistas do Brasil, Zé Ramalho. “Admirável Gado Novo” (1979), consegue fazer a história da agricultura do interior do país dialogar com logo dois clássicos da literatura mundial: “Admirável Mundo Novo” (Aldous Huxley) e “1984” (George Orwell).

O romance de Huxley narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas.

Assim vemos o tom forte da canção criticando a falta de mobilidade social. A ilusão de que as coisas vão melhorar mesmo trabalhando abaixo de circustâncias sub-humanas. Em “Cidadão”, Zé também mostra o sofrimento e dificuldade da classe operária em conseguir cravar seu espaço na sociedade.

A canção ganhou um fôlego em 1996 quando entrou para a trilha da novela “O Rei do Gado”. Cássia Eller no ano seguinte regravou para o álbum Música Urbana” (1997).

“Paradas de sucesso são um pensamento retrógrado”, brada Pedroluts

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Pedroluts
Pedroluts

Passando longe de qualquer pretensão de atingir os ultrapassados hit parades das rádios FM, a voz gutural de Pedroluts, que remete à Tom Waits e ao Bob Dylan dos últimos tempos, chegou a receber elogios da Ilustrada durante uma apresentação com sua antiga banda Hooker’s Mighty Kick durante a Virada Cultural (em uma sacada de um apartamento próximo ao palco do Arouche). A influência da dupla é inegável também no som do projeto musical, que bebe do folk, blues, rock e soul, tudo regado a Jack Daniels com algumas pedras de improviso aqui e ali.

Com um EP no Soundcloud (“The Chair”) e várias músicas soltas pela internet, Pedroluts ainda não tem planos para o futuro de seu projeto. “Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo”. Por enquanto, ele participou do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”, organizado pelo Crush em Hi-Fi em parceria com o Hits Perdidos, mandando uma versão matadora e elogiada de “Não Vou Me Adaptar”, e fará parte da banda que promete uma jam com versões de clássicos da banda no lançamento do tributo neste domingo na Associação Cultural Cecília.

Conversei com Pedro sobre sua carreira, os projetos por onde já passou, influências e sua versão para “Não Vou Me Adaptar”.

– Como você começou seu trampo musical?

Meu trampo musical como Pedroluts? É uma descoberta e garimpo que já dura uns 15 anos. Acho que o Pedroluts ainda está em formação, mas agora tenho uma noção melhor do que quero e do que não quero… É um processo divertido de ressignificar a si mesmo e encontrar as brechas a serem exploradas, mesmo que dentro do mesmo contexto (atualmente, mais pro folk e blues).

– Você falou que tá “mutando” o projeto Pedroluts há cerca de 15 anos. Como foi essa metamorfose e por quais fases o projeto passou?

Poutz… Nem eu sei ao certo. Acho que é só uma confluência das coisas que fiz ao longo dos anos e dos quais quero ter uma relação mais pessoal. Já toquei em bandas de thrash metal (o que voltarei em breve) e acho isso muito foda, mas não vejo isso atrelado diretamente ao que quero fazer como Pedroluts.

– Quais são as principais influências musicais que você vê refletidas (ou já viu) no trabalho deste projeto? Mesmo que não sejam explícitas no som.

Isso muda de tempos em tempos, mas hoje é basicamente: Bob Dylan, Tom Waits, Ray Bonneville, Sean Rowe, Raul Seixas, Howlin’ Wolf, John Lee Hooker, Titãs… Acho que é isso. Mas mais do que as influências de estilo, vejo também influência de perfil… Quase todos esses caras trilharam seu caminho de maneira intuitiva e pessoal. Tem outros que me influenciaram, mas que não estão aí. Glenn Gould é um ótimo exemplo. Ele é um pianista canadense de música erudita, mas cuja abordagem à arte diz muito pra mim.

– Falando em Titãs, como foi a sua participação no tributo “O Pulso Ainda Pulsa”? Como foi a escolha do som e a transformação que você fez nele?

Primeiro, foi uma honra ter participado. O Titãs tem um protagonismo nas minhas escolhas musicais – foi uma das primeiras bandas de rock que eu comecei a ouvir. E o disco “Go Back” foi meu primeiro contato com a banda. Então, apesar de gostar muita coisa dos Titãs, principalmente as mais recentes, sabia que minha escolha tinha que ser algo deste disco. Daí veio “Não Vou Me Adaptar”. Minha versão foi uma humilde releitura da canção. Para mim, ela sempre foi uma visão sobre a adolescência e suas mudanças, mas achei que ela poderia ganhar uma versão mais velha, com ares carrancudos e ranzinzas. Tentei algumas versões até que encontrei a mudança que seria o foco da minha: mudar o tom maior para tom menor. Isto mudou consideravelmente a música e me deu liberdade para dar a abordagem que eu queria. O resto foi consequência de improvisos e experimentações, com esse arranjo “a la polka”, digamos assim.

Pedroluts

– E você vai participar da banda que vai fazer a jam no evento do lançamento, no dia 28. Como vai ser?

Pelos ensaios vejo que vai ser algo bem divertido. Muito mais do que um tributo ou homenagem, é uma celebração a uma banda essencial para a música brasileira. Não será uma continuação do tributo lançado, mas uma extensão… um complemento em carne e osso.

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa flyer

– Fale um pouco do material que você lançou até agora.

O pouco material que lancei é fruto de uma série de coisas: músicas que fiz anos atrás, canções recentes, covers… vejo cada música como uma pessoa – com sentimentos e humores. Então minha ideia é tentar interpretá-la conforme seu momento e minhas intenções.

– Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista independente?

Os dois. Por um lado é uma maneira única de se conectar com diferentes pessoas – o próprio Tributo aos Titãs é uma prova positiva deste potencial. Aliada à internet, a facilidade em gravar vídeos, sons e afins auxilia na divulgação e na disseminação de algo que seria local e para poucos. Por outro lado, esta coisa sob demanda e individual – ouvindo músicas no fone de ouvido ou assistindo clipes/shows no seu computador ou tablet – torna a experiência menos coletiva. É uma tendência ao carregar seu mundinho dentro do seu celular, mas se paga um preço por esta praticidade, como não se deparar com o inusitado ou curtir o momento de um show – ao invés de apenas querer registrá-lo. Acho que atualmente menos pessoas estão dispostas a ver coisas novas ao vivo, justamente pelo fato de não poderem “zapear” com a mesma rapidez que podem garimpar na internet e no conforto do lar, por exemplo.

Pedroluts

– Qual a melhor e pior parte de ser um artista independente hoje em dia?

Não sei como é não ser, mas ser independente é bom e ruim pelo mesmo motivo: você é seu próprio chefe. Você tem a liberdade de levar sua arte para qual caminho quiser, mas também é preciso ser a pessoa chata a se cobrar para ter algo relevante, sem ter uma equipe ou uma estrutura de produtora por trás.

– Você acredita numa retomada do rock às paradas de sucesso no Brasil?

Eu não acredito mais nas paradas de sucesso. É um pensamento retrógrado.

– O que falta para fortalecer a cena independente brasileira, como já aconteceu nos anos 90 e 2000?

Acho que falta uma mobilidade maior de todos. Atualmente São Paulo está recebendo algumas iniciativas bem legais, com casas que abrem as portas para bandas novas e, principalmente, autorais. Sinto que aquela tendência de bandas covers está diminuindo. Espero, pelo menos, que isto aconteça. Uma coisa é celebrar a música, como fizemos no tributo, outra coisa é se apoiar no sucesso do passado para se assumir como uma comida requentada no microondas – sem gosto ou essência. Com a abertura destes espaços, as pessoas vão começar a mudar o modo de consumir a música – diminuindo as relações com o passado (como é o caso das bandas covers) e ampliando a tendência de assimilar coisas novas.

– Quais os próximos passos do Pedroluts em 2016?

Não sei ainda. Preciso me reunir com meu chefe para isso, mas nossas agendas nunca batem (risos).
Quero gravar mais, talvez escalar uma banda pequena para trabalhar com ideias que estão vindo na minha cabeça. Talvez explorar mais os sons que faço sozinho. O que importa é curtir o que se faz e fazer com sinceridade – é piegas, mas ainda dá certo.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Essa é uma pergunta muito injusta porque sempre me esqueço de incluir um ou outro. Mas alguns sons que tenho ouvido são: O Terno (cujos clipes são fodaralhásticos), Céu, Elza Soares, Sean Rowe (que lançou um EP pelo Kickstarter recentemente), Cerveblues Band (toda quinta no Cervejazul… mais que necessário para quem está em SP), Nasi, Wander Wildner… acho que é isto que me vem na cabeça agora.

Der Baum criam sua versão de “Mulher Nota Mil” no clipe de “Veronika Robótika”

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Der Baum

Formada no final de 2014, a Der Baum, de São Bernardo do Campo, não esconde suas influências oitentistas. O novo clipe para “Verônica Robótika”, faixa-título do mais recente EP do grupo, mostra bem isso: nele a banda representa sua própria versão do enredo do clássico da Sessão da Tarde “Mulher Nota Mil”, em que nerds conseguem criar uma mulher usando o computador. Mas no caso do Der Baum, a mulher virtual se revolta e não aceita ser comandada por seu criador.

Formada por Ian Veiga (teclados e voz), César Neves (bateria), Fernanda Gamarano (guitarra e voz), Lucas Lerina (baixo e voz) e Amanda Buttler (pads, percurssão e voz), a banda mistura new wave, post punk, shoegaze e indie rock. Eles já lançaram os EPs “The Architeture of the City” (2015), gravado em casa, no estudio do tecladista Ian – o estudio Intrínseco, “We Already Live in the Future”, (2015), gravado no Estúdio Costella e co-produzido por Chuck Hipolitho (Vespas Mandarinas) e “Verônika Robótika”, lançado em Outubro de 2015, gravado e co-produzido no Estúdio Costella também pelo ex-Forgotten Boys Chuck.

Em abril de 2016 a banda foi uma das oito bandas selecionadas para gravar um single que fez parte de uma coletânea especial da Levis em homenagem ao modelo de calça 501, ficando entre as mais votadas pelo publico junto com BBGG e Mais Valia. A Der Baum participou também da coletânea “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo em homenagem aos Titãs organizado pelos blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos. Agora a banda trabalha em seu primeiro álbum, previsto para 2017.

Conversei com Ian e Fernanda sobre a carreira da banda, o clipe de “Verônica Robótika”, o disco que vem por aí e a participação no tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa” e no evento de lançamento, que rola no dia 28 (domingo):

– Como a banda começou?

Fernanda: A banda foi formada no fim de 2014 por mim e pelo Ian. Juntamos uns amigos de outras bandas pra fazer uma jam, vimos que rolou e continuamos ate hoje!

– E de onde surgiu o nome Der Baum? O que significa?

Fernanda: Der Baum significa ao pé da letra “o árvore” na língua alemã. Como o Ian morou um tempo em Berlim e sabe falar a língua (risos), pensamos q um nome em alemão seria diferente e mais interessante, pois em inglês é muito comum e também não queríamos em português, caçamos no dicionário alemão um nome que soasse legal em português e que não significasse algo sem sentindo para um alemão, aí vimos Der Baum, soou legal e decidimos que seria esse!

– Quais as principais influências musicais da banda?

Fernanda: Nós temos uma influencia muito forte dos anos 80. Misturamos muito new wave, post punk, pop, dance, indie e fazemos tudo isso virar a Der Baum (risos).

– Algum artista, disco ou banda inspira vocês? Cite algumas pra nós!

Fernanda: Muitas! Mas o que inspira quase 90% da banda é o David Bowie! Mas também tem muitas como The Cure, Depeche Mode, New Order, Smiths, Paws, Strokes, CSS, entre outras!

– Me fala um pouco do material que vocês lançaram até agora.

Fernanda: Temos na bagagem 3 EPs lançados! O primeiro EP, “The Architecture of the City”, foi totalmente gravado independente no nosso homestudio (no estúdio Intrínseco). Já o segundo, “We Already Live in the Future”, e o “Veronika Robótika”, foram gravados no Estudio Costella com o Chuck Hipolitho, cada um tem 3 sons, soando mais profissional do que o primeiro, mas sem fugir do do it yourself.

Der Baum
Der Baum

– E vocês acabaram de lançar o clipe da faixa-título do mais recente EP, né? Como foi a produção deste clipe? Qual é a ideia e a inspiração dele?

Ian: Toda produção foi conduzida pelos nossos parceiros do Coletivo Seis da Escola Técnica Roberto Marinho. O clipe foi desenvolvido em cima de referencias que passamos pra eles em reuniões de pré produção… Queríamos algo meio oitentista e eles vieram com a ideia do roteiro e animação. Eles fizeram uma pesquisa extensa assistiram muitos clipes e filmes no fim o clássico do cinema “Mulher Nota 1000” foi uma das maiores inspirações e o tema acabou focado um pouco no esteriótipos femininos de hoje em dia acompanhando o conteúdo do som em si.

– Vocês participaram do tributo aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”. Como foi isso? Qual a relação da banda com o trabalho dos Titãs?

Ian: Eles sempre foram uma referência pra gente, principalmente a fase pós punk e new wave… E em geral pelas composições em português sempre foram uma referência. Por isso a gente topou na hora participar do Tributo. A gente logo atacou a musica e criamos a base em conjunto depois a batera foi gravada em parceria com a banda Abacates Valvulados no Rabbit Hole Estudio do Rafael Coelho. A gente queria que todos cantassem ja que todos são vocalistas na Der Baum. Foi complicado mas deu certo. A gente mixou e masterizou o som aqui no Studio Intrínseco.

Der Baum
Der Baum

– No Der Baum todos são vocalistas. Como vocês trabalham isso? Quem compõe faz o vocal? Como vocês dividem? Mesmo nos Titãs a gente sabe que rolavam algumas discussões…

Ian: Quanto a isso nunca rolou treta, na verdade a gente sempre tenta sentir qual das vozes encaixa com o tema, mas na maioria das vezes as vozes estão todas sempre presentes, em duos ou cantando coros intercalando com o vocal “principal” e não tem isso de meu ou seu som, a gente tenta envolver todos na composição justamente por isso.

– E alguns membros da banda vão participar da ~mega-banda~ no lançamento do “O Pulso Ainda Pulsa”, é isso? Como está rolando?

Fernanda: Sim! Participaremos eu e o Ian! Esta rolando legal com a galera! Acredito que vá ser uma grande festa!

Saiba mais e confirme presença no evento, que acontece dia 28 (domingo) aqui:

O Pulso Ainda Pulsa

– Vocês acham que a internet, com Youtube, streaming e etc, ajudaram ou atrapalharam as bandas independentes?

Ian: Acho que é uma ferramenta muito boa pra bandas independentes pois se a banda não tem contato com selo ou gravadora existe a opção de publicar com essas ferramentas, mas na minha opinião infelizmente a monetização não é justa e tudo se focou nessas redes e outras ferramentas estão quase esquecidas e vender merchan e lotar shows esta cada vez mais difícil. Acho que tudo esta interligado.

– Ou seja: agora a divulgação das bandas está mais “fácil”, mas existem menos conversão disso em pessoas que acabam indo aos shows. Mas será que isso tem a ver com a internet ou essa geração não está tão interessada em música fora do circuito mainstream como antigamente?

Ian: Acho q não esta fechado a esse público não, digo não é exclusivo da geração mais nova. Tem muita gente nova que pesquisa referências novas e antigas e muita gente mais velha que se fechou em casa também acho que o problema é generalizado e as pessoas estão se isolando em geral e esperando tudo acontecer em uma mini tela de led.

– Outra coisa que na teoria mudou, mas na prática nem tanto: o machismo continua forte no mundo da música? Como vocês veem isso?

Fernanda: Acho que sim, o machismo ainda existe porem hoje vejo muita mais minas nas bandas, fazendo festa incríveis de lotar e tudo mais. O que ainda falta é a visibilidade e reconhecimento por esse movimento de meninas nas bandas, às vezes ou quase sempre os caras pensam q mina em banda é só pra chamar atenção, mas não, não é… Mulheres também são talentosas e precisam ser mais valorizadas!

– Quais os próximos passos da Der Baum?

Ian: Estamos compondo novos sons para um projeto mais completo. Queremos evoluir nosso conceito para um álbum com mais músicas e estamos tendo o trabalho de fazer isso com muito carinho e detalhe. Será nossa apresentação ao publico nacional. E para esse álbum muitas parcerias massa estão sendo fechadas.

Fernanda: Estamos no momento compondo um álbum que vai conter pelo menos 10 músicas novas, estamos com menos shows por esse motivo, queremos nos focar mais no álbum, fazer ele bem produzido, em breve vamos lançar um crowdfounding.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo deveria ouvir.

Ian: Kid Foguete, Aldo, Two Wolves, Napkin, Iluminight, S.E.T.I.

Coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa” traz tributo independente aos Titãs

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O Pulso Ainda Pulsa
Capa por Leo Buccia

Os blogs Crush em Hi-Fi e Hits Perdidos lançam hoje a coletânea virtual “O Pulso Ainda Pulsa”, um tributo com 32 artistas independentes fazendo versões, covers e reconstruções de músicas de uma das maiores bandas que o rock brasileiro já ouviu: os Titãs. Uma das bandas mais camaleônicas de sua geração, o octeto permeou sua carreira indo de canções de amor à duras pauladas políticas, do punk à MPB, do experimentalismo ao rock puro. E, afinal, 30 anos depois do lançamento do clássico disco “Cabeça Dinossauro”, um verdadeiro divisor de águas na música nacional, o rock brasileiro continua vivo. O Pulso Ainda Pulsa.

O projeto é uma homenagem à obra de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Charles Gavin, Sérgio Britto, Branco Mello, Nando Reis e Paulo Miklos. Nas faixas, o grupo paulistano é reverenciado em versões que vão do bluegrass ao electro, passando pelo folk, punk, hard rock e experimentalismo. O pulso ainda pulsa abaixo dos radares da grande mídia musical.

O tributo conta com a participação 33 artistas e bandas: Abacates Valvuldos, Aletrix, All Acaso, BBGG, Camila Garófalo, Cigana, Color For Shane, Danger City, Der Baum, FingerFingerrr, Giallos, Gomalakka, Horror Deluxe, Jéf, Moblins, Mundo Alto, Nãda, Não Há Mais Volta (com participação do Badauí, vocalista do CPM22), Paula Cavalciuk, Pedroluts, Penhasco, Porno Massacre, Ruca Souza, SETI, Sky Down, Subburbia, Subcelebs, The Bombers, Thrills And The Chase, The Hangovern, O Bardo e o Banjo, Ostra Brains e Videocassetes. Cada uma fez a produção de sua faixa de forma independente e mais detalhes sobre cada gravação estão disponíveis no site www.opulsoaindapulsa.com.br

Ouça aqui o tributo “O Pulso Ainda Pulsa”:

10 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Prix Overkill e Rogério Ucraman, o duo Horror Deluxe

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Horror Deluxe

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, os convidados são o casal Rogério Ucraman e Prix Overkill, do duo Horror Deluxe. Cada um escolheu 5 pérolas incríveis pra você degustar com muito prazer:

Prix Overkill:

Little Richard –  “The Grirl Can’t Help It”
“Música cheia de energia. Um exemplo pra seguir”.

The Cramps “Wrong Way Ticket”
“Dançante. Música boa é assim: faz vibrar e tira o fôlego!”

Motörhead – “Love Me Like a Reptile”
“Sem o ingrediente sexo não é rock’n’roll”.

As Mercenárias“Me Perco Nesse Tempo”
“Trilha sonora pra vida”.

Titãs – “Fazer O Quê”
“Gosto de punk ‘foda-se’. Liberta”.

Rogério Ucraman

Arrigo Barnabé – “Acapulco Drive-In”
“Quadrinhos de ficção científica de bolso em forma de música”.

Secos e Molhados –  “O Vira”
“A Cripta do Terror transa com a MPB e diverte”.

Os Replicantes – “O Futuro é Vortex”
“Faz acreditar no Sol virando Lua. Faz imaginar muita situação fantástica”.

Deep Purple – “Stormbringer”
“Stormbringer is coming! Time to die, porra!”

White Zombie –  “Thunder Kiss 65”
J. Yuenger (my man) apresenta o mellhor riff ever. Música pra strip tease com bambolê”.

Ocupar e resistir: 10 músicas para inspirar os estudantes que lutam por educação em São Paulo

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PM agride estudante

Em setembro, o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin anunciou um projeto de reforma (ou “reorganização”) que fecharia por volta de 100 escolas no estado, teoricamente para adequar alunos de séries diferentes e corpo docente. Tudo muito mal explicado e vago. Isso gerou a revolta de muitos estudantes, que ocuparam suas escolas a partir do dia 9 de novembro, com o EE Diadema, no ABC Paulista. Hoje, são 199 escolas estão ocupadas, sendo 173 na capital paulista.

Nesta semana, um áudio de uma reunião do chefe de gabinete da Secretaria da Educação Fernando Padula Novaes, braço direito do secretário Herman Voorwald, com dirigentes de ensino, mostrou que a reação será “adotar táticas de guerrilha” contra os estudantes.  “Nessas questões de manipular tem uma estratégia, tem método. O que vocês precisam fazer é informar, fazer a guerra de informação, porque isso que desmobiliza o pessoal”, declarou no áudio.

Em protestos realizados pela educação, os estudantes já foram agredidos e presos arbitrariamente pela Polícia Militar de São Paulo, sendo ameaçados com armas e recebendo golpes de cacetete, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio, algo terrivelmente impensável realizado exatamente por quem deveria, na teoria, “servir e proteger” a população. Hoje, o Ministério Público de São Paulo prometeu entrar com um pedido de liminar para suspender a tal “reorganização” proposta.

Abaixo, uma lista com 10 músicas que podem inspirar os estudantes que se mantém firmes no intuito de defender seus direitos e manter suas escolas abertas e funcionando. Toda a força aos estudantes. Continuem firmes!

  • Patti Smith“People Have The Power”

“The power to dream/to rule
To wrestle the world from fools
It’s decreed the people rule
It’s decreed the people rule
Listen
I believe everything we dream
Can come to pass through our union
We can turn the world around
We can turn the earth’s revolution
We have the power
People have the power”

  • Bob Marley“Get Up, Stand Up”

“Get up, stand up: stand up for your rights!
Get up, stand up: don’t give up the fight!
Preacherman, don’t tell me
Heaven is under the earth
I know you don’t know
What life is really worth
It’s not all that glitters is gold
‘Alf the story has never been told
So now you see the light, eh!
Stand up for your rights, come on!”

  • The Clash“Know Your Rights”

“You have the right to remain silent
You are warned that anything you say
Can and will be taken down
And used as evidence against you
Listen to this: run”

  • Sepultura“Refuse/Resist”

“Chaos A.D.
Disorder unleashed
Starting to burn
Starting to lynch
Silence means death
Stand on your feet
Inner fear
Your worst enemy
Refuse, resist”

  • Gil Scott Heron“The Revolution Will Not Be Televised”

“The revolution will not be right back
after a message about a white tornado, white lightning, or white people.
You will not have to worry about a dove in your
bedroom, a tiger in your tank, or the giant in your toilet bowl.
The revolution will not go better with Coke.
The revolution will not fight the germs that may cause bad breath.
The revolution will put you in the driver’s seat.
The revolution will not be televised, will not be televised”

  • Titãs“Estado Violência”

“Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
Futuro da nação
Homem em silêncio
Homem na prisão
Homem no escuro
Futuro da nação…
Estado Violência
Deixem-me querer
Estado Violência
Deixem-me pensar
Estado Violência
Deixem-me sentir
Estado Violência
Deixem-me em paz”

  • Public Enemy“Fight The Power”

“It’s a start, a work of art
To revolutionize make a change nothin’s strange
People, people we are the same
No, we’re not the same:
Cause we don’t know the game
What we need is awareness, we can’t get careless
You say what is this?
My beloved lets get down to business
Mental self defensive fitness
(Yo) bum rush the show
You gotta go for what you know
Make everybody see, in order to fight the powers that be
Lemme hear you say…
Fight the Power”

  • John Lennon“Power To The People”

“Power to the people
Power to the people, right on
Say you want a revolution
We better get on right away
Well you get on your feet
And out on the street”

  • Ratos de Porão“Conflito Violento”

“Gás lacrimogêneo
Bomba de efeito moral
Bala de borracha na cara
Repressão policial
No conflito violento
Desobediência civil
Caminhando contra o vento
Patriotada varonil
Vai, cubra sua cara e sai
Linha de frente e vai
Grite com ódio e vai
Não perca o foco”

  • Periferia S/A “Devemos Protestar”

“Todos devemos protestar
Não podemos nos intimidar
A terra nunca foi lugar de amor e paz
E quem está aqui tem que lutar
Devemos protestar queremos revolução”

 

Tributos e homenagens: confira 18 músicas que são inspiradas em outros artistas e bandas

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Kurt Cobain e Flea

Homenagens e tributos são comuns no mundo da música, já que entre os artistas sempre surgem influências, amizades e a admiração à grandes músicos. São comuns os tributos aos que já se foram, como no clássico single de Elton John “Candle In The Wind”, que já foi lançada como homenagem à Marilyn Monroe e Princesa Diana. Mas também existem as canções que se originam da mais pura admiração. Reuni 18 canções que prestam homenagens a outras bandas e artistas:

Queen – “Life Is Real”
Homenagem a John Lennon

A música do disco “Hot Space” foi composta em homenagem a John Lennon. Ela emula diferentes estilos de música de Lennon, e as letras são principalmente sobre quando Freddie Mercury soube que John havia morrido.

Motörhead – “R.A.M.O.N.E.S.”
Homenagem aos Ramones

“R.A.M.O.N.E.S.” é uma homenagem do Motörhead aos Ramones. Presente no álbum de 1991 “1916”, a música cita nominalmente todos os membros da banda novaiorquina, inclusive Dee Dee Ramone e Tommy Ramone,  que já haviam saído do grupo na época. Os próprios Ramones regravaram a música depois, em uma “auto-homenagem”.

Zé Ramalho – “Para Raul”
Homenagem a Raul Seixas

Zé Ramalho queria ter gravado um disco junto de Raul quando este estava vivo, mas infelizmente não rolou. Quando ele foi gravar o disco-tributo “Zé Ramalho canta Raul Seixas”, fez “Para Raul”, a última faixa do disco, em homenagem ao cantor. A escolha de músicas para o disco foi bem difícil, já que Paulo Coelho não permitiu que nenhum das músicas em que ele fazia parceria com Raulzito entrassem. “Achei grotesco, sem elegância nenhuma. Mas não há como uma pessoa me interromper“, comentou Zé.

Yes – “The Messenger”
Homenagem a Bob Marley

Sim, é isso mesmo: o Yes gravou reggae. No disco “The Ladder”, de 1999, saiu a música “The Messenger”, uma homenagem do grupo de rock progressivo ao nome mais conhecido do reggae: Bob Marley.

Raimundos – “Joey”
Homenagem a Joey Ramone

Os Raimundos sempre prestaram todas as reverências possíveis aos Ramones, seus mestres e maior inspiração musical. Quando Joey Ramone morreu, em 2001, inspirou os discípulos (em seu primeiro disco sem Rodolfo Abrantes nos vocais, “Kavookavala”) a gravar “Joey”, uma canção ramônica que homenageava o vocalista da banda punk.

Puff Daddy (ou Diddy, ou qualquer que seja o nome que ele usa hoje) – “I’ll Be Missing You”
Homenagem a Notorious B.I.G.

Sean “Puffy” Combs aproveitou um sample de The Police e a perda de um de seus melhores amigos pra criar uma homenagem que o colocou no topo das paradas do Disk Mtv em 1997 . Detalhe: Sting não cobrou nada pelo sample, e Faith Evans, que canta o refrão, é exposa do falecido Notorious B.I.G.

Titãs – “As Aventuras do Guitarrista Gourmet Atrás da Refeição Ideal”
Homenagem a Marcelo Fromer

No primeiro disco sem nenhuma participação do guitarrista Marcelo Fromer, falecido em 2001, os Titãs gravaram uma música bonita e melancólica para homenageá-lo. Cantada por Paulo Miklos, ela fecha o disco “Como Estão Vocês”, de 2003.

Red Hot Chili Peppers – “Tearjerker”
Homenagem a Kurt Cobain

O Red Hot Chili Peppers fez turnê com o Nirvana em 1992, logo depois que seu guitarrista John Frusciante saiu da banda e caiu em um vício em heroína. A música homenageia Kurt Cobain, que se suicidou em parte graças ao vício e saiu no disco “One Hot Minute”.

Green Day – “Amy”
Homenagem a Amy Winehouse

“Eu não a conheci, só achei que foi uma perda muito trágica. O interessante é que como o disco tem um clima de festa, ‘Amy’ vem com um gostinho do que são as consequências dessa farra”, disse o vocalista Billie Joe Armstrong sobre a música para a revista Rolling Stone.

Ben Folds – “Late”
Homenagem a Elliott Smith

Ben Folds fez turnê com Elliott Smith em 1998, quando ainda estava com o Ben Folds Five. A letra fala de Smith e cita até suas habilidades no basquete. “Joguei com ele e o Beck uma vez”, disse, “e Elliott estava fazendo cestas como se não houvesse amanhã.”

Roger Daltrey – “Under a Raging Moon”
Homenagem a Keith Moon

“Under A Raging Moon” é um tributo de Roger Daltrey a Keith Moon, baterista do The Who que morreu em 1978. John Entwistle, baixista da banda, queria tocar esta canção em vez de “Won’t Get Fooled Again” no Live Aid de 1985. Como Pete Townshend discordou, Entwistle gravou sua própria versão da música em seu disco “Left For Live”.

Roberto Carlos – “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”
Homenagem a Caetano Veloso

A letra desta música é uma homenagem a Caetano Veloso feita por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Foi composta quando Caetano encontrava-se no exílio, em Londres, para onde foi deportado em 1969 pela Ditadura Militar.

U2 – “Stuck In A Moment You Can’t Get Out Of”
Homenagem a Michael Hutchence

Bono escreveu esta sobre o suícidio de seu amigo Michael Hutchence, vocalista do INXS. A música é escrita na perspectiva do autor tendo uma discussão sobre o suícidio, em que ele tenta convencer Hutchence a não fazê-lo.

R.E.M. – “Let Me In”
Homenagem a Kurt Cobain

Esta música do disco “Monster” foi escrita após a morte de Cobain, que era fã do R.E.M. A banda ganhou muitas das guitarras do líder do Nirvana em 1994, dadas de presente por Courtney Love, e eles as usaram nesta música.

The Who – “Old Red Wine”
Homenagem a John Entwistle

Foi lançada na coletânea “Then and Now”, e usa um riff que chegou a ser tocado por Entwistle em seus últimos shows com o Who. Outra música que foi lançada na coletânea foi “Real Good Looking Boy”, uma homenagem à Elvis Presley.

The Queers – “Brian Wilson”
Homenagem a Brian Wilson

A música leva o nome de seu homenageado, o  maluquinho líder criativo dos melhores anos dos Beach Boys. “It’s a good thing, Brian Wilson / It’s a good thing we’ve got you around / It’s a good thing, Brian Wilson / ‘Cause you’ve got your feet on the ground”, diz a letra do grupo punk.

Só Pra Contrariar – “Tributo aos Mamonas”
Homenagem aos Mamonas Assassinas

Logo que os Mamonas Assassinas morreram no trágico acidente de 1996, surgiu esta homenagem de um grupo que não poderia ter menos a ver com o quinteto de Guarulhos: o Só Pra Contrariar. A música chora a perda dos Mamonas em uma balada triste.

Foo Fighters – “Friend Of a Friend”
Homenagem a Kurt Cobain

Escrita primeiramente quando Kurt Cobain ainda estava vivo, em sua demo com o codinome Pocketwatch “Late!”, Dave Grohl fala sobre Cobain e Krist Novoselic e suas impressões ao entrar no Nirvana. Mais tarde, ele gravou a música novamente no disco “In Your Honor”, dos Foo Fighters.

O duo FingerFingerrr abre com o pé na porta a estreia da festa Rock Lobster, no Neu Club

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FingerFingerrr_promo
Foto: Daniela Ometto

No dia 02 de maio, sábado, estreia no Neu Club a festa Rock Lobster, onde este que vos fala e Raul Ramone (do Degenerando Neurônios) colocarão nas pickups o melhor do rock alternativo, tentando fugir um pouco dos hits repetidos à exaustão na noite paulista. Para inaugurar esta empreitada com o pé na porta, a banda FingerFingerrr fará o show do esquenta, prometendo deixar os tímpanos mais sensíveis zumbindo.

Formado por Flavio Juliano (voz/guitarra/baixo) e Ricardo Cifas (bateria/voz/teclados), o duo FingerFingerrr possui um som que mistura influências de punk rock e hip hop. Em 2013, a banda lançou seu EP de estreia, “The Lick It EP”, partindo na sequência para os EUA, onde fizeram uma série de show, inclusive na lendária casa de discos Cactus, em Houston, além de participar do circuito alternativo do SXSW. No Brasil, os shows continuaram nas principais casas indie de São Paulo, dentre elas a Casa do Mancha, Puxadinho e Beco 203, onde dividiram o palco com a banda francesa The Plasticines. Em 2014, uma nova tour pelos EUA, dessa vez com diversas datas por Nova York e Los Angeles.

Em 2015 a banda lançou seu novo single, “Buck You”, e está preparando seu disco de estreia até o final do ano.

Conversei com Flavio e Cifas sobre a carreira da banda, o single “Buck You” e o circuito independente de São Paulo:

– Como a banda começou?

CIFAS: Eu e o Flavio tocamos juntos desde 2008, tivemos algumas bandas e projetos com outros parceiros. Dentre esses trabalhos a gente montou o FingerFingerrr que, no começo, era um quarteto. Com essa formação gravamos “The Lick It EP” e fizemos diversos shows. Há cerca de um ano nos tornamos um duo e começamos a trabalhar de forma integral na banda.

– Como surgiu o nome FingerFingerrr?

FLAVIO: Eu queria um nome que tivesse uma palavra muito fácil mas que ao mesmo tempo tivesse uma particularidade na sua escrita. Cheguei na palavra “Finger”, que eu sempre gostei e que a maioria das pessoas conhece a tradução. Falei pro Cifas e rapidamente a gente chegou ao FingerFingerrr. É tão legal que tem que ser escrito duas vezes. O nome não é pra ter um significado claro e concreto mas é incrível como a palavra “dedo” sugere um monte de coisa para as pessoas.

– Quais são as principais influências musicais da banda?

FLAVIO: Qualquer música, de qualquer banda ou artista, ou fração de som pode ser uma influência. Mas em termos de sonoridade, dá pra dizer que um ponto de partida pra entender nosso som é baseado em tudo que eu ouvia quando comecei a entender música, de Chili Peppers e Guns N’ Roses, até Blur e Radiohead; e algumas características do rap/punk do Beastie Boys e aquela pressão e atitude do Hip Hop e Rap dos anos 90, e como ele evoluiu até agora.

– Vocês acabaram de lançar o single “Buck You”. Podem falar um pouco mais sobre esta música?

FLAVIO: A primeira versão dela foi feita em 2012 no meu lap. Os timbres eram muito mais puxados para o hip hop do que qualquer coisa. Quando chegou a hora de realmente gravar em estúdio, não estava soando bem. O Gianni Dias, que formou o FingerFingerrr com a gente, produziu a faixa e chegamos num novo arranjo – mais banda, menos computador. O Gianni mixou e masterizamos em Nova York. A história da composição mesmo aconteceu baseada num encontro inesperado que tive com uma ex-namorada numa época que morei em Paris. Eu estava amargo, crítico e tentando entender o coração quebrado – então fui pra Paris ficar mais ‘perto‘ da cultura e cidade dela, mas sem encontrá-la pois a gente não estava se falando. Então, totalmente sem querer, a gente trombou um no outro num protesto em Paris. Conversamos rápida e cordialmente, e pronto… não a vi mais. Alguns meses depois veio a música… o instrumental primeiro, logo em seguida a melodia e boa parte da letra juntos.

– Como é o processo de composição de vocês?

CIFAS: A gente usa várias formas de compor tanto a letra quanto a música e elas sempre se misturam durante o processo. Tem vezes que eu chego com uma ideia, ou o Flavio muitas vezes chega com ideias ou a gente faz jams e começamos uma ideia juntos. A partir dai a gente pega esse material e tenta desenvolver ele ao máximo criando outras partes e caminhos para aquela ideia inicial que pode ser um refrão, um verso, uma melodia ou riff. Nesse processo a gente grava tudo, desde a primeira vez que aquela ideia foi executada até como ela se transformou após um mês tocando e gravando. A gente ouve tudo e bate o martelo de como a musica soou melhor no processo e pronto!

– Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?

CIFAS: Tem várias musicas que a gente gosta, “Tender” do Blur é demais, a gente já tocou “National Anthem” do Radiohead, que é muito boa, “AA UU”, do Titãs é muito foda também. Acho que o que não falta nesse mundo é música boa pra se tocar. Mas quanto a isso, acho que o público e as bandas tem que valorizar a música autoral. O “culto” ao cover e principalmente as bandas cover é uma das coisas mais nocivas ao mercado independente e autoral. Primeiro porque essas bandas acrescentam muito pouco pra cena musical da sua cidade, elas apenas reverberam o que já é sucesso e dão subemprego para alguns músicos. Muitas vezes as casas/bares/bandas fazem isso afirmando que o cover atinge mais público e lota a casa. Isso é subestimar o público, é chama-lo de burro. E não somente isso, é querer se eximir de produzir cultura e ganhar dinheiro com isso. Ainda bem que existem diversas casas de sucesso que são voltadas para a música autoral e é cada vez mais crescente a vontade do público de ver coisas novas.

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– O rock pode voltar ao topo das paradas no Brasil?

CIFAS: Isso é uma questão de mercado, não sei se necessariamente isso seria bom pro rock. Prefiro fazer parte do processo que está consolidando o circuito independente de música no Brasil para que as bandas e compositores consigam viver de seus trabalhos em todas as esferas de sucesso, desde o cara que produz um grande hit até o artista independente que tem uma inserção de mercado bem pequena. Não adianta o rock bombar e um artista ganhar milhões e todos os outros não ganharem nada, ou muito pouco. Essa equação está mudando e isso só faz com que as pessoas produzam mais e vivam da sua arte.

FLAVIO: E se o rock voltar ao topo, a banda ícone que bombar tem que fazer muita questão de trazer o gênero inteiro consigo – apoiando, criando um selo, vendendo etc.

– Quais são as maiores dificuldades de ser uma banda independente?

CIFAS: Existem muitas dificuldades para se ter uma banda. Acho que antes de mais nada você deve ter a plena convicção do que quer, da sua ideia, e pensar que música é a sua expressão, é a forma que vai traduzir essa ideia. Sinceridade e honestidade com o que você faz e com o seu público sempre. Ah, e trabalhar quase 24 horas por dia, todos os dias… (risos)

– Quais são os próximos passos da FingerFingerrr?

FLAVIO: Esse ano vamos fazer a turnê de divulgação do nosso novo single “Buck You” pelo Brasil e América do Sul. Também já temos datas marcadas em junho nos EUA. Em setembro entramos em estúdio para gravar nosso primeiro disco mas ainda não sabemos se vamos lançar ainda esse ano ou no começo de 2016.

– No dia 02 vocês se apresentam no Neu Club abrindo a festa Rock Lobster. A casa sempre conta com “esquentas” com bandas autorais. Vocês acham que este tipo de apoio a bandas autorais está em falta em São Paulo?

CIFAS: Eu acho que é crescente a demanda de casas autorais em SP, o público tem ouvido cada vez mais as bandas independente e as bandas estão se propondo a serem cada vez mais profissionais. Essa é uma receita de sucesso. A iniciativa da Neu é super legal, tem tudo pra dar certo e somar com todas as alternativas independentes que estão acontecendo na cidade de São Paulo.

– Quais bandas novas e independentes vocês recomendariam para que todo mundo ouvisse?

CIFAS: Tem muitas: Mel Azul, Pure, Garotas Suecas, VRUUMM, Eduardo Barretto, Inky, Far From Alaska, Vitreaux, Boom Project, Bixiga 70, Bárbara Eugênia, Carne Doce, André Whoong, Nana Rizinni, Holger, Leo Cavalcanti, Moxine, Karina Buhr, Tatá Aeroplano, Wolfgang, DaVala e o Núcleo Sujo, Single Parents, Sheila Cretina, Apanhador Só, Vivendo do Ócio… Isso é que dá pra lembrar de agora…

Ouça “The Lick It EP” aqui:

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Serviço:

Rock Lobster @ Neu Club
Quando: 02/05/2015 (sábado)
Esquenta: FingerFingerrr (22h, grátis – quem chegar para o esquenta não paga para ficar na festa)
Preços:
*Com lista: R$15 (entrada) ou R$40 (consumação)
Sem Lista: R$25 (entrada) ou R$60 (consumação)
Lista: Mande seu nome para [email protected]
*Confirmação no evento do Facebook já garante seu nome na lista https://www.facebook.com/events/1709576705936445/
Endereço: Rua Dona Germaine Burchard, 421, Barra Funda