Construindo Os Estilhaços: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Os Estilhaços, de São Paulo, que indicou sua 20 canções indispensáveis. “A gente quis fazer um exercício “democrático” de deixar cada um escolher suas músicas em vez de sentarmos e escolhermos todas “em consenso”, sem um ficar dando palpite nas músicas do outro… (risos)”, contou Cristina Alves (órgão). “Isso foi muito interessante, até para nós mesmos percebermos, de forma mais evidente, como as influências de cada um contribuem para o som que fazemos n’Os Estilhaços”. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Caio Sergio (guitarra)

The Music Machine“Eagle Never Hunts The Fly”
Esta é uma música que me surpreendeu desde a primeira vez que escutei. Uma das gravações mais pesadas que já ouvi. Não é à toa que são considerados uma das bandas pioneiras com intensidade e pegada de proto-punk.

Randy Alvey and the Green Fuz“Green Fuz”
Se tem uma música que traduz muito do que é o espírito “garage”, esta é Green Fuz. Gravação tosca, tocada ao vivo, com os instrumentos todos desafinados, bem do jeito que a gente curte.

Teddy and His Paches“Haight Ashbury”
Quando a gente ouve e gosta de verdade de música, sempre tem uma ou outra que a gente fica se imaginando um dia tocando (e isso independentemente de fazer parte de uma banda). Este é o caso de “Haight Ashbury”. Um som que eu sempre quis tocar e consegui fazer isso n’Os Estilhaços.

The Chocolate Watchband “Are You Gonna Be There (At the Love In)”
Daquelas que a gente carrega com a gente para a vida. Uma das primeiras músicas de garage rock que escutei e posso dizer que continua me influenciando até hoje. Acho que a pegada (ainda levemente) psicodélica deste som prenuncia a viagem mais intensa que a banda veio a mostrar posteriormente.

The Electras“Dirty Old Man”
Estar atrás de um microfone e na frente do público é sempre uma baita responsabilidade. Este som está na lista por ter sido a primeira música que cantei ao vivo, algo que me marcou bastante enquanto músico.

Cristina Alves (órgão)

The Seeds“March of the Flower Children”
Eu poderia escolher qualquer uma deles, mas esta marcou por ser a primeira música do The Seeds que conheci e confesso que a percepção inicial foi de total estranhamento. O coro de vozes infantis e os barulhos de chicote me pareciam muito assustadores. Future não é um disco “fácil”, mas aos poucos eu fui mergulhando na proposta não só deste álbum, mas na pegada da banda como um todo, e posso dizer que a partir daí abri minha cabeça para a psicodelia. Virou banda da vida.

The Beautiful Daze“City Jungle, Pt. 1 & 2”
Esta é literalmente uma música “duas em uma”. Ela saiu em compacto 7”, sendo o lado A com vocal e o lado B apenas instrumental. Cada vez que a escuto descubro algo diferente. Daquelas boas de ouvir no fone, com volume bem alto, para prestar atenção em cada instrumento. Destaque para o baterista que faz das viradas mais simples as mais perfeitas para a pegada “primitiva” e garageira da música.

Mavi Isiklar“Ask Çiçegi”
Quando comecei a me interessar pelas bandas de rock mais desconhecidas dos anos 60, tive uma fase (que nunca passou na verdade) de ir atrás deste tipo de som nos mais diversos lugares do mundo. Nessas pesquisas, descobri muita coisa boa, além de ter ficado mais que evidente o quanto o rock havia influenciado a música tradicional de cada país. É justamente nesta fusão das culturas que encontrei uma paixão. Escolhi “Ask Çiçegi” (Turquia) pois acho curioso o fato de eu ter conhecido primeiro esta versão do que a original “Send Me a Postcard” do Shocking Blue.

The New Hopes & Dimitris Santorinaios“Exo vrei mia agapi (Έχω βρεί μιά αγάπη)”
Quando eu crescer quero tocar como os gregos!! Hahaha… O rock 60’s deles é para mim uma influência direta como instrumentista. O timbre usado no órgão, bem marcado e agudo, muito mais em solos e notas soltas ao longo de toda a música dá um destaque para o instrumento e uma identidade bem característica na qual me inspiro bastante.

Ronnie Von“Anarquia”
O Ronnie é um cara que foi “redescoberto” há pouco tempo, tendo enfim sido reconhecido pelos maravilhosos três discos psicodélicos lançados respectivamente em 1968, 69 e 70. As primeiras vezes que ouvi, achava inusitado que aquele cara – muitas vezes só lembrado por atualmente apresentar um programa de televisão – tivesse feito algo tão avançado para a época. Acho que foi meu primeiro contato com a psicodelia feita aqui no Brasil.

Paulo Nobre (baixo)

The Sonics“The Witch”
Impossível de esquecer o show que eles fizeram aqui em São Paulo em 2015. Baita energia para uns senhores de mais de 70 anos. Esta música foi um dos primeiros sons garage que tocávamos para nos divertir nos ensaios entre amigos.

The Music Machine“Masculine Intuition”
Até tentamos não repetir bandas, mas The Music Machine é unanimidade! Uma das minhas preferidas deles. É agitada, enérgica, “para frente”. Faz parte do primeiro disco dos caras, que mescla sons próprios (só pedradas!) e covers de músicas muito famosas como “Taxman” e “Hey Joe”.

The Fuzztones“Ward 81”
Saindo um pouco dos 60’s, nos anos 80, o garage voltou a ter um destaque maior no cenário musical do rock, e com certeza uma das bandas mais importantes desta época é o The Fuzztones, que está na ativa até hoje. Este som é um clássico, sempre presente nas festas de garage, tem uma atmosfera bem insana.

The Count Five“Contrast”
Em tempos pré internet, obviamente era muito mais difícil ter acesso a músicas e bandas menos conhecidas. O que acabava rolando muitas vezes era de um amigo descolar um vinil ou cd bacana, e fazer cópias em versão fita K-7, para compartilhar mesmo. Foi o que aconteceu com este som, que para mim marcou época, trazendo mesmo uma nostalgia deste tempo.

The Baroques“Mary Jane”
Aquele tipo de música de arranjos simples que gruda na cabeça e não quer mais sair (mas no bom sentido!). Diferente da maioria das músicas, que possuem um solo de guitarra, nesta, quem manda é o baixo. Na época em que foi lançado, o single chegou a ser banido das rádios pelo fato da letra supostamente fazer apologia às drogas.

Alexandre Xéu (bateria)

The Blues Magoos“Gotta Get Away”
Nem sempre tocar e cantar ao mesmo tempo é algo simples. Esta foi a primeira música que fiz isso, lá por volta dos anos 2000. O refrão com diversas vozes alternadas é diferente e marcante.

The Music Machine“Talk Talk”
Esta batida meio “torta” da música é uma das coisas mais loucas que já ouvi. Sem dúvida o vocal do Sean Bonniwell é único, traz muita intensidade para o som.

Strawberry Alarm Clock“Incense and Peppermints”
A melhor maneira de descrever esta música é “como uma boa viagem de ácido”. Sem mais!

The Fuzztones“Strychnine”
Como o Paulo já havia comentado, era comum que a gente ouvisse música nas fitas K-7 gravadas por amigos, muitas vezes sem saber o nome da banda ou do som. Esta mesmo só fui descobrir que era uma versão do Fuzztones (para a música do The Sonics) pois havia uma versão ao vivo, em que anunciavam o nome da banda.

13th Floor Elevators“You’re Gonna Miss Me”
Um clássico da psicodelia. O que sempre chama atenção neste som é o “instrumento” usado junto com o microfone para fazer o barulho das “bolhas” e até hoje não sei se tem um nome específico para ele em português. Em inglês é “eletric jug”.

Londrinos do Oh! Gunquit não deixam pedra sobre pedra em seu primeiro disco de ‘rumble pop’, “Eat Yuppies and Dance”

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unnamedO quinteto Oh! Gunquit define o som da banda em seu release como ‘rumble-bop trash blitz freak-a-billy’. Acho que talvez esta seja mesmo a melhor forma de descrever o barulho dos londrinos: é algo como se você colocasse o Cramps, o B-52’s, R&B dos anos 60 e um pouco de surf music cheia de monstros numa coqueteleira e chacoalhasse por alguns minutos.

A banda acaba de lançar seu primeiro disco “Eat Yuppies and Dance” pelo selo londrino especializado em garage rock Dirty Water Records. A banda está fazendo uma tour promovendo o disco, e já teve inclusive a presença ilustre de Adam Ant invadindo o palco de uma de suas apresentações. O álbum dos rockers ingleses foi gravado de forma analógica no Gizzard Studio no Leste de Londres.

Conversei com Tina e Simon, o duo que encabeça a banda, sobre sua trajetória, os Cramps e o tal “rumble-pop”:

– Como a banda começou?

O Oh! Gunquit começou em 2010. Nós (Tina e Simon) éramos vizinhos nos conhecemos em uma noite doida em que dançamos até amanhecer no porão deum pub do norte de Londres em uma casa noturna chamada Nitty Gritty e decidimos formar uma banda influenciada por garage punk, surf e o R&B dos anos 60.

– Como surgiu o nome Oh! Gunquit?

Nosso nome veio em parte de uma cidade no Maine, nos Estados Unidos, que tem sido uma colônia de artistas desde 1800, nomeada pela tribo de índios americanos Abenaki – gostamos de como o nome se parece com a ideia de todas as armas parando.

– Podem definir o “rumble-pop” de seu som?

Nós chamamos de “rumble-bop” porque isso mais ou menos representa os muitos estilos musicais que gostamos e misturamos e sacudimos até que entre em erupção como uma briga de gangues adolescentes com diversão em vez de violência!

unnamed2– Quais são suas principais influências?

Principalmente os renegados musicais, aberrações e renegados desde o final dos anos 50 até o punk dos 70 como The Fugs, Bo Diddley, B-52’s do começo, Fela Kuti, The Kinks, The Sonics, X-Ray Specs, The Monks, além de tanto outros artistas da época, surf music esquisistas dos anos 60, afrobeat dos 70s, garage psych nuggets, discos crus e selvagens de R&B… Nós pegamos ideias de músicas que descobrimos mais do que de bandas específicas, eu acho.

– Eu percebi que sinto algo meio “Crampsy” em suas músicas. A banda de Lux Interior e Poison Ivy é influência para vocês?

Sim, nós amamos os Cramps! Além de serem uma grande banda, eles eram verdadeiros amantes e colecionadores de música que ajudaram a trazermuita música underground que não havia sido descoberta para um público maior. Além disso, eles tinham um estilo único de rock’n’roll  e seu show na Napa State Mental institute é um dos melhores shows de todos os tempos!

– Como o som da banda evoluiu desde que começaram?

Começamos como um trio de bateria, guitarra e vocais. Depois adotamos o saxofone e algumas mudanças de formação (alguns bateristas!). Acrescentamos baixo, trompete e em alguns momentos, órgão. Nosso som ficou maior e mais cheio agora com nossa formação de 5 pessoas. Continuamos sendo flexíveis e constantemente tentamos novos sons e estilos para manter as coisas frescas e divertidas mas sempre com a atitude Oh! Gunquit!


– Vocês acabaram de lançar seu primeiro disco, certo?

Sim, nosso primeiro disco, “Eat Yuppies & Dance” acabou de sair pelo selo underground de garage-rock Dirty Water Records. Espero que gostem!

A capa de "Eat Yuppies and Dance"
A capa de “Eat Yuppies and Dance”

– E como é o processo criativo da banda?

Geralmente Simon (guitarra/vocais) aparece com um riff solto e Tina (vocal/trompete) trabalha na melodia e outras partes. Depois disso a gente pega o esqueleto da música e leva para o ensaio com o resto da banda, Alex, Kieran e VeeVee, e batemos nela até ganhar forma. Ouvimos de novo para ver o que funciona e o que não funciona e fazemos esse processo novamente até termos algo que gostemos e que faça nossos ossos se mexerem.

– Onde vocês veem a banda em 10 anos?

Continuaremos fazendo música que é exótica e excitante, que tenha energia, coragem e que continue surpreendendo a nós e ao público. Também gostaríamos de continuar na Gold Pony e continuar tocando ótimos shows no maior número de lugar possível!

– Que novas bandas chamaram a atenção de vocês ultimamente?

Aqui em Londres nós amamos o Fat White Family, Slaves, Phobophobes e PINS, e da Europa The Mentalettes, King Khan & The Shrines e The Jackets são grandes bandas pra se ver ao vivo.

– Podemos esperar uma visita do Oh! Gunquit no Brasil em breve?

Adoraríamos! Ainda não temos nada marcado, mas vamos ver a repercussão do disco novo!

Ouça mais do ‘rumble-bop trash blitz freak-a-billy’ do Oh! Gunquit no Soundcloud e no BandCamp: