5 Pérolas Musicais Escolhidas a dedo por Daniely Simões, baterista da The Mönic

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Daniely Simões, baterista do The Monic

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, a convidada é Daniely Simões, baterista do quarteto The Mönic!

The Bots“I Like Your Style”

Uma dupla de pura sujeira e riffs marcantes com um vocalista de um timbre diferente sem frescura.

Company of Thieves“Modern Waste”

Genevieve tem uma voz tão marcante que me lembra a Alanis só que ainda mais poderosa. Guitarras muito bem trabalhadas e aquele tecladinho pra dar uma preenchida. Acabaram de lançar um EP maravilhoso mas minha escolhida é a do segundo disco.

Villainy“Syria”

Nova Zelândia não guarda apenas a casa dos Hobbits mas também essa banda sensacional que um Kiwi me mandou e eu pirei. Pode ouvir qualquer disco desses caras e mergulhe nessa sujeira toda.

Animal Alpha“Fire! Fire! Fire!”

Essa banda norueguesa infelizmente acabou mas deixou sua marca. É meio metal com uma linha vocal bem interpretada com berros e melódicos muito bem trabalhados.

Outrun The Sunlight“Where Ever Word Spoken, Spoke”

Pra quem gosta de som instrumental e muito delay se dê uma chance pra escutar essa banda. São muitas nuances e um vai e volta que te deixa alucinado.

The Mönic surge como uma fênix barulhenta das cinzas do BBGG no clipe de “High”

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O quarteto paulista The Mönic nasceu assim que o BBGG parou de respirar, uma verdadeira reencarnação imediata. Da ex-banda, Dani Buarque (voz e guitarra), Joan Bedin (voz e baixo) e Ale Labelle (voz e guitarra) trazem sua garra, competência e aquela vontade de tocar seu som o mais alto possível. E agora, com a entrada de Daniely Simões (bateria), o volume está cada vez mais ensurdecedor.

A primeira amostra do que o The Mönic tem a oferecer vem no clipe de “High”, lançado pela Deckdisc, uma produção 100% feminina. “A ideia de ser um clipe nosso tocando surgiu da consciência de que esse é um ponto forte nosso, o ao vivo, a estética, então quisemos aproveitar isso pra divulgar a novidade que é The Mönic”, conta Ale. Agora, a banda está compondo loucamente e está mais entrosada do que nunca. “Em menos de 2 meses após a entrada da Dani na batera tínhamos um set de show 100% com composições nossas e novas. Aí veio a ideia de zerar o jogo e começar a partida de novo”, explica Dani. “Já temos nosso próximo single gravado. Ele se chama “Buda”, é em português e também será lançado pela Deckdisc. Estamos com um monte de músicas prontinhas pra gravar um álbum e esperamos que isso role em breve”, adianta.

– Me contem mais sobre esse renascimento como The Mönic. 

Dani Buarque: A entrada da Dani foi crucial pra acontecer o que já achávamos que ia acontecer: mudar de nome e começar tudo do zero. A gente não sentia mais como BBGG, virou outra vibe, outra coisa. A gente passou a se ver muito mais e consequentemente compor juntas. Isso deu uma força muito grande pra gente e uma vontade maior ainda de criar uma coisa totalmente nossa. Em menos de 2 meses após a entrada da Dani na batera tínhamos um set de show 100% com composições nossas e novas. Aí veio a ideia de zerar o jogo e começar a partida de novo.

– Vocês já estão trabalhando em um disco ou EP?

Dani B: Nós ainda não gravamos um disco. Temos 12 músicas prontinhas mas gravamos apenas 2 faixas. A “High”, que lançou agora, e muito em breve sai nosso segundo single, chamado “Buda”. Foi muito natural a composição de tudo. A gente nunca olhou uma pra cara da outra e disse: vamos fazer muitas músicas? Com a saída do Mairena a gente começou a compor, já que antes nossas composições não entravam na banda. Então tivemos mais liberdade. Acho que a vontade de ter as músicas na banda eram tão grandes pra todas que em 1 mês tínhamos 9 músicas redondinhas e mais 1 mês só estávamos com o set de show 100% com músicas só nossas. Eu posso dizer que foi totalmente do coração. Na demo que mandamos pro Rafael Ramos, tinha música de todas as integrantes da banda, e coincidentemente quando ele escolheu as músicas com maior potencial, era uma música de cada e uma que fizemos todas juntas.

Joan: A gente começou a criar juntas, fato que ainda não tinha ocorrido antes na BBGG e em pouco tempo já havíamos gravado uma demo com um monte de músicas novas. Mais pesadas e mais nossa cara. O álbum ainda não rolou, mas não deve demorar pra sair, já que temos muitas músicas.

– Como apareceu o novo nome da banda?

Joan: Dar nome a uma banda é realmente difícil, ainda mais quando as quatros tem que concordar (risos).

Dani B: Foi a coisa mais difícil do mundo. Ficamos 4 meses sem um único nome que agradece a todas.Era muito frustrante não ter um nome. Aos 45 do segundo tempo eu postei uma foto com a minha irmãzinha no meu aniverário. As duas estavam com chifrinhos de diabinho, coloquei na legenda “The Monias”. Dai joguei pra banda e no brainstorm se tornou “The Mönic” (que foi ideia na real do meu marido Lincoln). A gente achou o nome bom pelo trocadalho do carilho e por ser divers (risos). Eu particularmente queria um outro nome pra banda que gosto mais, na real eu e a Daniely ainda vamos montar outra banda só pra usar esse outro nome. Mas agora a banda acredita em democracia então ficou esse mesmo (risos).

Daniely: Eu e a Dani ainda temos muita fé nesse nome, porque é insuperável e as pessoas precisam saber disso (risos).

Ale: Eu queria que fosse “The Monicas” (risos).

– Como foi a composição das novas músicas?

Joan: Eu acho que pelo motivo de agora a gente estar compondo juntas, todas as nossas músicas ganharam mais força, não só as músicas, mas a banda mesmo ganhou mais energia. Estamos aprendendo muito com a criação, muito mesmo.

Dani B: Foi incrível e natural. Eu acordava com algo na cabeça, gravava no celular mandava no grupo e a gente ia trabalhando juntas do início ao fim. Foi algo que nunca tinha vivido. Uma mandava ideia pra outra e mesmo que algumas músicas fizemos separadas, tem o toque de todas em todas as músicas. Acho que ninguém na banda sabia que seria tão natural e fácil fazer algo que nunca tínhamos feito antes. A gente ficava no estúdio horas e mais horas arranjando cada pedacinho das músicas, uma ouvindo e respeitando a opinião da outra, uma ajudando a outra. Isso com certeza nos uniu ainda mais. Aprendi mais nesse período de 5 meses com a banda do que aprendi na minha vida inteira tocando.

Ale: Foi leve e divertido. Cada uma somou com alguma coisa. Pros encontros de composição, a gente passava várias horas em estúdio e mal percebia o tempo passar.

Daniely: A partir do momento que cada uma encaminhou suas ideias em áudio e em estúdio, colocamos em prática. Aconteceu de uma maneira tão fácil que parecia que eu e elas nos conhecíamos por anos. Foi ali que, acho que posso dizer pro todas, descobrimos que estávamos fazendo a coisa certa.

– O que vocês trazem do BBGG para o The Mönic?

Joan: Foi o começo de tudo, sou muito grata por ter feito parte da BBGG. Foi uma puta base pra gente do que é ter uma banda, da correria, da persistência… Pra chegar com os dois pés agora.

Dani B: Maturidade. Acho que todas nós sabemos da importância que a BBGG teve, não só na nossa formação musical e vivência de palco, como também pra definir se a gente quer isso mesmo. Todo mundo sabe o quão difícil é ter banda que só toca som autoral. Fora que graças a BBGG que conheci essas minas fodas que respeito e admiro infinitamente.

Ale: Muita experiência e prática. Todas nós mudamos e crescemos muito como artistas ao longos dos anos na BBGG.

– Como foi a entrada da Dani na bateria?

Joan: Chegou descendo a mão, quebrando tudo. <3

Dani B: Eu amo contar essa história. Fizemos uma audição com 5 bateristas e todas arregaçaram. Ficamos em dúvida entre a Dani e a Sarah. Era um páreo dificílimo. A primeira audição era elas tocando BBGG… No primeiro teste, lembro da Dani errando algo que a gente não percebeu, mas ela ficou tão nervosa que levantou da bateria e jogou a baqueta longe (risos). Enfim, no segundo teste, queríamos ver como elas eram na hora de compor, então gravamos 3 sons nossos, apenas voz e violão, e elas precisavam criar uma bateria do zero. No teste as duas arregaçaram de novo, mas acabamos escolhendo a Dani. Lembro que na minha primeira conversa com ela, perguntei que bateria ela tinha e ela disse “nenhuma”. Eu perguntei onde ela praticava e ela respondeu que na cabeça e nos travesseiros dela. Eu fiquei engasgada e disse “tá, mas essas bateras novas das musicas que você criou, você tocou onde?”. Ela respondeu que nunca havia tocado elas, a não ser na cabeça dela. E que no dia do primeiro teste dela, ela não sentava na bateria há 6 anos. Eu tenho um puta orgulho dela. É uma mina que não toca pra caralho porque ela quer ser a melhor baterista, ela toca pra caralho porque é automático, ela ama isso, e se dedica nisso 24 horas por dia, mesmo não tendo uma bateria, o tempo livre dela é sempre ouvindo musica e assistindo video de show e prestando atenção a cada detalhe. É uma honra ter ela com a gente. Eu chamo ela de Demogorgon, porque a cada ensaio a bicha cresce uns 20 metros.

Daniely: Eu quero aproveitar para agradecer a Sarah, porque se não fosse por ela eu não teria encontrado o estúdio no dia do primeiro teste. Eu já estava com o celular na mão pra gravar um vídeo pra mandar pras meninas dizendo que eu fui mas não tinha encontrado o lugar, sendo que eu estava de frente (risos). Assim ela saiu desse lugar que magicamente apareceu ali e eu consegui participar. Estava bem receosa porque não me sentia segura em nenhuma música que acabei tendo que improvisar mas deu certo, então tá bom.

– Quais são as principais influências da banda?

Dani B: Eu só percebo as influências depois que a música tá pronta. É bem inconsciente, mas acho que essas músicas novas tem elementos de bastante coisas diferentes por exemplo: Hole, Queens of The Stone Age, The Kills, Nirvana, Garbage.

Ale: Eu cresci tocando The Distillers, então acho que é meio inevitável passar um pouco dessa base pra músicas. E não podemos esquecer de L7 também, que é a banda que mais dizem que se compara o som.

– Como foi a produção do clipe para “High”?

Ale: 100% feminina. Surgiu de um contato da Mari, que conheci trabalhando na PlayTV, querendo produzir um clipe nosso junto com a parceira dela, Carol. Depois disso nos encontramos pra bater o martelo na ideia do clipe e praticamente uma semana depois já estávamos filmando. A equipe contou também com a Carol que brilhou na maquiagem. A ideia de ser um clipe nosso tocando surgiu da consciência de que esse é um ponto forte nosso, o ao vivo, a estética, então quisemos aproveitar isso pra divulgar a novidade que é The Mönic.

– Quais os próximos passos da banda?

Dani B: Já temos nosso próximo single gravado. Ele se chama “Buda” e é em português e também será lançado pela Deckdisc. Estamos com um monte de músicas prontinhas pra gravar um álbum e esperamos que isso role em breve. Em abril também temos nossa primeira tour e será no Sul <3

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamara sua atenção nos últimos tempos.

Joan: SixKicks, The Biggs, Water Rats, Overfuzz, Sky Down

Dani: Vixi, tem tantos… Nessa lista tem desde samba até rock: The Biggs, Ekena, SixKicks, Cat Vids, Autoral, Overfuzz, Water Rats, Der Baum, Batuque de Lara, Sky Down, Corona Kings, Obinrin Trio.

Daniely: SixKicks, Karen Dió, Der Baum, Muff Burn Grace.

Ale: Todos esses artistas maravilhosos que já citaram, mais Karen Dió, Odradek, Devilish, Marrakesh, Raça, Musa Híbrida, Young Lights, Carne Doce, Lava Divers, Brvnks, FingerFingerrr, Cinnamon Tapes, Trombone de Frutas, e a lista vai longe!