The Darts, o supergrupo do underground que aposta no Do It Yourself em seu estado mais puro

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The Darts

The Darts é uma banda de garage-psych-rock formada por Nicole Laurenne (The Love Me Nots, Motobunny, Zero Zero), Rikki Styxx (The Two Tens, The Dollyrots, Thee Outta Sites), Christina Nunez (The Love Me Nots, Casual Encounters, The Madcaps) e Michelle Balderrama (Brainspoon) que desde o ano passado está detonando com seu som único e barulhento. Depois de assistirem às bandas umas das outras por anos, Nicole e Michelle perceberam que seria ótimo começarem a compor juntas. Com seis músicas na bagagem, chamaram Rikki e Christina e os resultados podem ser conferidos no primeiro EP da banda, cheios de garage rock com o fuzz ligado no máximo e o órgão farfisa dando o tom, sempre com a bateria animalesca acompanhando.

Os singles que saíram deste trabalho, “Running Through Your Lies”, “Revolution” e “Take What I Need”, começaram a tocar bastante nas rádios americanas, com a última sendo nomeada “Coolest Song In The World” pela rádio Sirius e um veredito de “very cool” em um tweet do grande autor Stephen King. Agora parte do cast da Dirty Water Records de Londres, o quarteto prepara seu primeiro álbum, que deve sair ainda este ano, com turnê já agendada pelos Estados Unidos e Europa.

Conversei com Michelle sobre a carreira da banda, a influência dos outros trabalhos no som do quarteto, suas influências e a cena independente atual:

– Como a banda começou?

Somos grandes fãs das habilidades musicais umas das outras faz anos. Um dia nós apenas decidimos: ‘hey, vamos escrever algumas músicas juntos, gravá-las e cair na estrada!’ Imediatamente houve uma grande química musical entre nós quatro e isso só tem crescido desde então.

– Como vocês decidiram pelo nome The Darts?

Estávamos à procura de algo que só as meninas estão acostumadas a ouvir sobre, ou lidar com, que não fosse muito repugnante ou inapropriado, é claro… Aí percebemos que apenas as meninas têm as costuras do busto em suas camisas, que são chamadas de “darts” nos Estados Unidos. Parecia um bom jogo de palavras.

– Quais são suas principais influências musicais?

Tem tantas influências nesta banda! Mas apenas para citar algumas: Thee Tsunamis, Ty Segall, Wavves, The Trashwomen, Bleached, The Cramps, Billy Childish, The Headcoatees, Nick Cave, The Stooges, The Chesterfield Kings, The Ventures, Q65

– A banda é como um supergrupo do underground, com membros de bandas incríveis como The Two Tens, The Love Me Nots e Brainspoon. Como suas bandas refletem sobre o som do The Darts?

Essa é uma excelente pergunta! Nossas outras bandas estabeleceram uma base sólida para o som do The Darts. Na verdade, várias das músicas de nossos dois primeiros EPs foram faixas que escrevemos para nossas outras bandas ao mesmo tempo, mas nunca foram usadas. Então você definitivamente tem um gosto dos sons de nossas outras bandas combinadas em um único disco – o que nós achamos muito legal.

The Darts

– Conta mais sobre o primeiro álbum da banda.

Bem, o nosso primeiro EP de seis canções quase aconteceu por acidente, quase como uma gravidez inesperada (risos)… Mas muito melhor do que isso! Começou com Nicole e eu escrevendo algumas músicas juntas, “Revolution” e “Running Through Your Lies”, e então nós duas criamos mais músicas nos próximos meses porque estava tudo indo muito bem. Enviamos as demos para a banda para que todas gravassem suas partes (em duas cidades diferentes, nunca todas na mesma sala). O que conseguimos foi um EP de seis músicas, chamado de ‘The Darts”. Recebemos uma tonelada de atenção inesperada de lugares realmente legais, como o rádio Sirius XM e a Dirty Water Records.

– Como você descreveria a cena independente do rock hoje em dia?

Bem, nos últimos 20 anos, a tecnologia mudou imensamente o negócio da música, eu descreveria a cena rock independente com um tipo de abordagem “vai lá e faça sozinho”. E você agora realmente tem a liberdade de gravar um registro completamente em seu próprio país, se gerenciar e pegar a estrada, sem qualquer outra pessoa precisando se intrometer ou aprovar. É muito punk rock! Nós amamos isso. Descobrimos tantas bandas e pessoas e ideias em nossas carreiras musicais por causa de todos os DIY-ers por aí. Não queremos isso de nenhuma outra maneira.

The Darts

– Vocês são uma banda de garotas. O sexismo ainda está forte no mundo musical? Isso atrapalha para que mais mulheres formem bandas?

Eu diria que ser um bom músico tocando rock’n’roll é uma abordagem de marketing mais forte hoje em dia do que ser um homem, embora eu nunca tenha categorizado músicos por gênero. Mas para aqueles que o fazem, The Darts não são portadoras dos típicos estereótipos da música pop feminina. Nosso som não é o que o público espera ouvir quando vê as quatro entrarem no palco de vestidos e batom. Nós amamos apenas ser quem somos, e trazendo um pouco de mistério – para que as pessoas não sejam capazes de prever o que vem de nós.

– Vocês estão trabalhando em material novo?

Sim, estamos sempre trabalhando em material novo! Na verdade nós acabamos de gravar seis novas músicas para o nosso novo álbum e vamos gravar mais seis no início de maio! Definitivamente muito material quente chegando! Nicole e eu estamos constantemente escrevendo, é uma doença. Estamos sempre olhando para o próximo projeto.

– Quais são os próximos passos da banda?

Somos abelhas ocupadas! Além de gravar outro disco completo que estamos criando nesta primavera, temos um novo lançamento oficial de clipe e uma turnê européia começando no final de maio, seguido por mais viagens pelos EUA no verão e outono com algumas grandes bandas. Estamos esperando ter o novo álbum lançado pela Dirty Water Records em setembro. Gostaríamos de chegar ao Japão de alguma forma, mas ainda não sei como, ainda. Está vindo, entretanto!

– Recomendem bandas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente!

Playboy Manbaby, Mean Motor Scooter, White Hills, Death Valley Girls, Shovel, Escobar, Wand, Holy Wave, Temples, Weird Omen, Electric Children, The Two Tens, The Dollyrots, Fu Manchu, Fat White Family e The Sold And Bones.

The Total Bettys lutam contra machismo no mundo da música: “As mulheres precisam se apoiar!”

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The Total Bettys

O punk não morreu, e para o quarteto de São Francisco The Total Bettys, o pop punk também não. “Nos identificarmos como band pop punk pode não ser “cool” como já foi, mas ainda existe um milhão de bandas pop punk por aí”, explica a vocalista e guitarrista do quarteto de São Francisco, Maggie Grabmeier. “Enquanto continuarmos fazendo música, manteremos o gênero vivo”. Também formada Bri Barrett (guitarra), Anthony Adani (baixo) e Chris Nolasco (bateria), a banda lançou o EP “Connect With The Couch” recentemente e está na estrada tocando pelos Estados Unidos e preparando-se para a gravação de seu primeiro álbum ainda este ano.

A líder da banda é firme quando o assunto é machismo no mundo da música e toda a dificuldade que mulheres infelizmente ainda enfrentam quando fazem parte de uma banda. “É difícil subir no palco sabendo que é possível que alguém grite comentários sobre seu corpo ou ver que não há nenhuma mulher na formação de bandas que tocam por aí”, diz. “A melhor arma contra o machismo no mundo da música é que as mulheres se apoiem e deem força ao sucesso umas das outras”.

Conversei com Maggie sobre este assunto, a carreira da banda, a conexão com o pop punk e o EP “Connect With The Couch”:

Bandcamp: https://thetotalbettys.bandcamp.com/
Facebook: https://www.facebook.com/thetotalbettys
Twitter: https://twitter.com/thetotalbettys

– Como a banda começou?

Eu me mudei para São Francisco depois de me formar na faculdade na Filadélfia, e estava muito motivada desde o começo em formar uma banda pop punk. Existe uma abundância de bandas punk incríveis em São Francisco, e eu estava morrendo de vontade de me inserir na cena. Primeiro eu conheci a guitarrista do The Total Bettys, Bri, por um anúncio no Craigslist que ela postou sobre querer fazer música com outras mulheres que amassem Sleater-Kinney e Ex Hex. Eu basicamente a amei imediatamente. Nós também conhecemos Anthony, nosso baixista, no Craigslist. Conhecemos nosso baterista Chris em uma noite de open mic onde ele tocou um medley de músicas do desenho Mulan.

– Quais as principais influências da banda?

Apesar de nós todos termos crescido ouvindo aquele pop punk icônico do começo dos anos 2000, pegamos muito de nosso energia de composição de músicos contemporâneos que estão fazendo barulho na cena atual. Eu especialmente acho que mulheres músicas me inspiram e me motivam. Bandas como Bully, Best Coast, Tacocat, Charly Bliss, Tancred… Eu amo todas.

– Como surgiu o nome The Total Bettys?

É uma frase do filme “As Patricinhas de Beverly Hills” (“Clueless”)! É um dos meus filmes preferidos, é super engraçado e eu me identifico muito com a personagem principal, Cher (além de amar seu estilo). A frase “total betty” significa uma mulher maravilhosa, e acho que nós quatro realmente simbolizamos isso.

– Me contem mais sobre o disco “Connect With The Couch”. De onde surgiu este nome?

“Connect with the couch” (“se conectar com o sofá”) é parte da letra de nosso primeiro single, “No Kings”. A música é toda sobre o conforto de ter um melhor amigo e todas as coisas gratificantes que melhores amigos compartilham. “Se conectar com o sofá” é uma das muitas coisas que faço com meus melhores amigos. Outras coisas (como é explicado na música) incluem ir à mercado de pulgas, ir à praia e tomar café da manhã, apenas para citar algumas.

– E como foi o processo de gravação do EP?

Bri e eu gravamos e produzimos esse EP juntas no apartamento dela. Honestamente, foi um trabalho duro, mas foi um dos sentimentos mais gratificantes quando ficou pronto. A Hand and a Half Records de Matt, amigo do meu irmão, nos ajudou na mixagem, e nós lançamos por conta própria. Bri e eu funcionamos muito bem juntas e ter o ouvido de produtora dela realmente ajudou o EP a ser o que é.

– Vocês se consideram uma banda pop punk, gênero que já foi considerado decadente (ou até morto). O que acham dessas afirmações?

Bom, nos identificarmos como band pop punk pode não ser “cool” como já foi, mas ainda existe um milhão de bandas pop punk por aí. Enquanto continuarmos fazendo música, manteremos o gênero vivo. Eu sou uma amante orgulhosa de pop punk, e não só porque me lembra de minha juventude rebelde; Eu me identifico com o estilo e o sinto em meu coração.

The Total Bettys

– Qual a opinião de vocês sobre o machismo na indústria musical? Vocês já sofreram com isso, sendo uma banda com integrantes mulheres?

Sim, o machismo ainda existe na indústria musical. Não apenas acho difícil para mulheres para se inserirem na cena e conseguirem sucesso (acredite em mim, ainda estou tentando), é difícil para mulheres subirem no palco sabendo que é possível que alguém vá gritar um comentário sobre seu corpo. É difícil comprar na Guitar Center quando os funcionários acham que ela não sabem de nada. É difícil fazer uma passagem de som quando o técnico de som dá em cima dela. É difícil olhar no calendários das casas de show locais e ver que frequentemente não tem nenhuma mulher na formação de nenhuma das bandas que se apresentarão. Infelizmente, a lista continua. Se tem alguma mulher e música lendo isso que queira falar sobre seus sentimentos ou experiências com machismo, por favor, entre em contato. A melhor arma contra o machismo no mundo da música é que as mulheres se apóiem e deem força ao sucesso umas das outras.

– Como é o processo de composição da banda?

Nós não seguimos sempre o mesmo processo especificamente! Normalmente, uma nova música começa com uma ideia de letra ou melodia vocal, mas Bri e eu estivemos trabalhando em começar música de riffs de guitarra ou progressões de acordes fora do comum. Cada membro da banda escreve sua parte da música, e editamos juntos. É um processo muito cheio de amor.

– Quais os próximos passos de The Total Bettys em 2016?

Tanta coisa! Estamos abrindo para os queridos do pop punk The Dollyrots em sua tour por São Francisco dia 3 de junho, e temos datas reservadas em julho para nosso próximo álbum, aí em agosto vamos fazer uma tour pelo sul da california, incluindo um show no Ladyfest em San Luis Obispo em 6 de agosto. Lançaremos nosso próximo disco antes do fim do ano, então fiquem de olho nisso!

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Agora estamos ouvindo muito de nossos novos amigos Jay Som, Horrible/Adorable e All Dogs!