Construindo Giovanna Moraes: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da cantora

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora Giovanna Moraes, que está trabalhando atualmente seu mais recente disco, ‘Àchromatics’

“20 músicas que inspiraram ‘Àchromatics’? Queria ter mais do que só 20! É engraçado – de certa forma essas são músicas e pessoas que me inspiram ou inspiraram criativamente – algumas trago comigo desde criança da época quando não escolhia muito o que ouvir, já outras entraram em cena enquanto eu estava gravando o disco e procurando referências pra ajudar a criar meu som. Tem muitos outros sons que entraram em cena desde então – tudo é inspiração! De qualquer forma aqui vai minha tentativa”, diz.

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Ella Fitzgerald“Perdido” (“Live at Mister Kelly’s”)

Impossível não falar de Ella Fitzgerald. Amo a natureza com que ela canta, fazendo qualquer coisa parecer fácil. Essa música já escutei tanto que transcrevi o solo dela quase inteiro (risos). Tem um tom de felicidade e bom humor nela – acho impossível não sorrir ouvindo.

Esperanza Spalding“Good Lava” (“Emily’s D+ Evolution”)

Amo como a Esperanza mesclou jazz com rock nesse CD, mas, especialmente nessa musica, gosto muito dos slides vocais que ela usa. É um recurso que também utilizei no meu álbum e eu não conhecia antes de ouvi-la.

Hiatus Kayote“Molasses” (“Choose Your Weapon”)

Amo Nai Palm, acho que a voz dela incrível e essa música maravilhosa com uma pegada bem rítmica. Parece que tem uma novidade a cada compasso.

Fiona Apple“Hot Knife” (“Idler Wheel”)

Fiona arrasa, canta com uma emoção de um jeito que eu sinto o que ela quer dizer, mesmo se não escutei a letra. A música faz com que o idioma no qual ela canta não faça diferença.

Aurora“Murder Song (5, 4, 3, 2, 1)” (“All My Demons Greeting Me As A Friend”)

Admiro muito a voz da Aurora e suas linhas melódicas. Acho o trabalho dela lindo, uma referência para meu trabalho visual também. Aurora é das minhas, deixa você achar que entendeu o que está acontecendo e aí joga algo que você não esperava.

Gilberto Gil“Refazenda” (“Refazenda”)

Acredite ou não, mas acho que tem uma pegada de baião na parte C da minha canção “Dark”. Escutei muito à “Refazenda” treinando a rítmica para conseguir gravar.

Tom Zé“Toc” (“Estudando o Samba”)

Amo essa música doida. Escutando ela sinto que tem um mundo de coisas, pensamentos acontecendo em paralelo, em ciclo – variações do mesmo problema, pingando pela música até que acaba, do nada.

Gal Costa“Cultura e Civilização” (“Gal Costa”)

Adoro a Gal e sua flexibilidade vocal e acho que tem uma pegada de se arriscar no jeito que canta, adoro. Ela não tem medo de errar, porque ela sabe errar, e sabe que no erro vem algo de inédito, honesto e bonito. Acho que nesse sentido tenho algo de Gal também.

White Stripes“Seven Nation Army” (“Elephant”)

Amo White Stripes! Não é nenhum segredo (risos). Desde a estética e o “branding” do vermelho-preto-branco do Jack White, ao som e a química entre ele e Meg, me encanta a confiança de fazer um som tão grande com dois integrantes somente.

Jimi Hendrix“Foxey Lady” (“Are You Experienced”)

Amo essa música e amo Jimi. Já passei altos micos cantando e dançando essa música quando pensei que estava sozinha, rs. Para mim, Jimi tem uma pegada amarga e um som pesado, delicia, gravado em afinação 432Hz.

Patti Smith“Gloria: In Excelsis Deo” (“Horses”)

Acho a Patti incrível! Ela começa seu álbum de estreia, Horses, com essa musica, já deixando claro que ela se responsabiliza por tudo na sua vida, inclusive seus pecados. Uma mulher que canta pra caralho e que abriu mil portas mostrando que mulher pode ser e cantar do jeito que quiser. Mil brincadeiras de timbre, escuto muito como estudo.

Sepultura“Roots Bloody Roots” (“Roots”)

Eu adoro esse álbum todo – acho muito incrível a historia por trás desses brasileiros fazendo metal pesado em inglês e arrasando. Pelo que conheço da história, um deles teve um sonho tribal onde o índio chefe voltou irritado com o homem civilizado pela coisas completamente irracionais que ele fez sobre a terra. Adoro isso, de um álbum conceitual, acredito que o meu seja também. Descobri o que é “Drive Vocal” ouvindo Sepultura também.

Beach Boys“Wouldn’t It Be Nice” (“Pet Sounds”)

Falando de álbum conceitual, impossível não falar de Pet Sounds. Sinto que entendo a pegada de Brian Wilson, isso de querer usar tudo como instrumento – de fazer coisas que muitos poderiam achar estranho e feio, mas como num todo funciona de um jeito lindo.

Blondie“Hanging on the Telephone” (Blondie – Parallel Lines)

Mulher bandleader com cara de meiguinha (risos), já adorei. Foi um dos primeiros CDs que comprei, adoro sua mescla entre rock e pop.

The Runaways“Cherry Bomb” (“The Runaways”)

Meio riot grrrl, mulheres fodas, cansadas de ter que fazer o papel de menininha, quebrando tudo e ao mesmo tempo tirando um sarro. Adoro.

Talking Heads“Psycho Killer” (“Talking Heads 77”)

Gosto dessa pegada da letra, de não ser só significado, mas também uma sonorização. Um de minhas músicas também traz isso, no caso, “Dark”, onde no lugar de um “Fa Fa Fa” vem um “D-D-D”, mas com esse recurso.

Frank Zappa“The Walking Zombie Music

Sons mais experimentais e com essa pegada de improviso que eu adoro. Fora que ele é um performer maravilhoso! Gosto muito, tanto que fui ver a banda do filho dele, Zappa plays Zappa, sozinha, porque não achei ninguém pra ir comigo e me diverti pacas (acho uma delicia ir sozinha em show, aliás).

Queen“The Show Must Go On” (“Innuendo”)

Freddie Mercury não tem comparação. Gravada em um take, no final da vida dele, quando ele já estava bem mal e mesmo assim uma das músicas que ele canta com mais recursos vocais. Acho essa música treta.

Beatles“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”)

Não só a música, o álbum como um todo redefiniu o que são os Beatles pra mim e o que é música popular. Mostrando que dá pra fazer algo complexo e conceitual, mas que ainda tenha um apelo popular ao mesmo tempo. Adoro o aspecto performático também, com o álbum sendo a peça toda.

Hermeto Paschoal“Quebrando Tudo”

Hermeto não pode faltar – meu compositor favorito! Inclusive tive o prazer de conhecê-lo enquanto estava gravando o disco em uma apresentação/bate papo dele na UNICAMP. Acho ele vital para qualquer um que tente fazer música de um jeito diferente. Para mim o Hermeto é um símbolo de inovação musical – mostra que existe muitos mais sons e instrumentos para descobrir. O projeto dele, de melodias inspiradas em sons falados, acho incrível também. Quando fui falar com ele, ele respondeu com a mesma melodia e rítmica que eu falei com ele (risos). Doidão, adoro ele.

Construindo Retrosense: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda Retrosense, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Rash (vocais)

Paramore“Crushcrushcrush”

Uma das primeiras músicas que ouvi do Paramore, que é grande influência não só para mim, mas para Retrosense. Fiquei totalmente viciada, acho o clipe muito foda! Também foi um dos primeiros covers que fizemos no começo da banda. Lembro de conversar com o Otávio na UEM (Universidade Estadual de Maringá) sobre a gente tocá-la nos ensaios (risos).

ABBA“Mamma Mia”

Minha mãe ouvia Abba praticamente todos os dias. Assim como também ouvia Michael Jackson, Queen, Cindy Lauper. Isso me influenciou muito musicalmente. Abba é uma grande influência porque é uma banda sueca que canta em inglês e fez sucesso mundial. Isso sempre provou para mim que MÚSICA é universal. E um baita clássico, né? A gente curte muito essa música. Fazemos uma releitura dela nos nossos shows que fica bem massa.

Haim“Forever”

Haim é uma banda que eu ACHO FODA DEMAIS. Quando eu comecei a conhecer melhor o trabalho delas eu fiquei muito inspirada. O álbum ‘Days are Gone’ foi uma grande referência de sonoridade para mim, elas fazem tipo um Fleetwood Mac moderno, acho muito massa. E essa música marcou a Retrosense porque fazíamos uma versão dela.

Joan Osborne“One of Us”

Essa música me dá muita nostalgia. Ela é tipo Retrosense roots (risos). É uma música linda que fala “e se Deus fosse um de nós?” sempre me fez refletir muito, e isso tem tudo a ver com que a gente queria/quer passar com a Retrosense: reflexões.

The Cranberries“Linger”

Cara, Cranberries é foda. É uma banda muito nostálgica para mim também… lembro do meu irmão ouvindo bastante e me dizendo que eu poderia ter uma banda parecida. E o timbre da Dolores? Incrível. Me inspirei bastante. Perdê-la esse ano foi foda.

Pitty“Equalize”

O clichêzão de toda banda com vocal feminino fazer uns covers de Pitty no começo (risos). Mas acho isso muito massa! Admiro muito a Pitty e o legado que ela tem deixado no rock feito por mulheres.

Avril Lavigne“Nobody’s Home”

RASH EMOOOOOOOO. Ai gente, dá licença. Mas caramba, ouvi muito. Era minha música favorita ever. E olha o tanto de tempo que a Avril conseguiu ficar no topo das paradas. Isso me inspira demais!

Otávio (guitarra)

Bastille“Flaws”

Bastille me inspirou muito por causa dos arranjos vocais, os sintetizadores, a percussão, enfim, tudo! Sinto-me um pouco sinestésico ouvindo Bastille.

Paramore“Still Into You”

Quando o Taylor York se tornou integrante definitivo do Paramore, ele conseguiu criar um novo conceito de guitarra pop. Essa música é estruturada em torno do riff da guitarra que é extremamente melódico com timbres surreais. A maneira como ele consegue conduzir a música me fez repensar a minha maneira de tocar.

John Mayer“Heartbreak Warfare”

Mais um exemplo genial de como conduzir a música com o riff de guitarra e criar uma atmosfera particular com os timbres. Vindo do John Mayer não é de se espantar. Na verdade, todos os CDs dele me inspiraram muito.

Mr. Big“Nothing But Love”

Mr. Big não tem nenhuma ligação direta com a Retrosense. É uma influência pessoal. Essa música em especial me chamou atenção desde o início porque o guitarrista Paul Gilbert, que costuma ser virtuoso nas músicas, faz um solo completamente simples, mas genial. Sempre que preciso criar um solo nas músicas da Retrosense, eu paro pra escutar essa música e me inspirar.

Goo Goo Dolls“Name”

Creio que a maioria das pessoas tem uma música que leva a mente para outra dimensão. Essa é a minha! Uma “depressing ballad”. Essa música influenciou completamente na minha maneira de compor, especialmente as músicas melancólicas.

P!nk“Just Give Me a Reason”

Um fato: eu vicio em uma única música e ouço ela compulsivamente durante um mês pelo menos. Acredito que eu ouvia “Just Give Me A Reason” umas 40 vezes por dia. Não sei se pela melodia, pelo ritmo ou por me lembrar alguém. (Nota da Rash: O Otávio faz isso com todas as músicas que ele ouve, sério. (risos) e P!nk também é uma grande referência. QUE MULHER!)

Rosa de Saron“O Sol da Meia Noite”

Essa banda é simplesmente incrível. Eles conseguem ser geniais em cada elemento das músicas: harmonias complexas, melodias marcantes, letras inspiradas em crescimento pessoal, timbres incríveis. É tudo complexo e simples ao mesmo tempo. Quando ouvi “O Sol da Meia Noite” pela primeira vez, eu pensei “esses caras não tem limite” (risos).

José (bateria)

Linkin Park“Breaking the Habit”

“Breaking the Habit” do álbum “Meteora” é o tipo de obra prima que mostrou que a banda poderia seguir novas direções, sem um instrumental tão pesado ou uma voz gritante. Tem muita inovação e elementos eletrônicos, mas ao mesmo tempo é simples. Essa música cairia bem em qualquer álbum da banda, sem contar na emoção que a letra e a voz de Chester imprime para a música e mostra que sempre podemos mudar ou enfrentar algo que está nos fazendo mal.

Twenty One Pilots“Holding on to You” (versão ao vivo)

Twenty One Pilots é um duo que impressiona pela performance e que não pode deixar de ser citado, pois é tão impactante que é quase imperceptível notar os samples estão que sendo tocados ao vivo para apenas dois integrantes. Em “Holding on to You”, além do duo usar elementos de vários estilos com música eletrônica, em sua versão ao vivo eles impressionam quanto o baterista dá um salto mortal durante uma parte da música. Isso mostra que a alta performance e o carisma podem ser mais importante que vários detalhes.

Fresno“Deixa o Tempo”

A Fresno inicialmente não era uma influência para a banda, mas após o Breakout Brasil, não deixamos de admirar e nos inspirar no trabalho do Lucas Silveira e cia. Em “Deixa o Tempo”, o Fresno mostrou um amadurecimento em suas composições, sem perder o dom de fazer canções pop/rock de qualidade, mas fugindo do genérico, com muitos efeitos de guitarras e sintetizadores e as vozes trabalhadas entre Lucas e Tavares.

The Killers “When You Were Young”

“When You Were Young” é um hino para os fãs do The Killers, ela possui um riff inconfundível, vocal emocionante, melancólico e uma sonoridade um pouco densa. Esse som é admirável por ser uma amostra da sonoridade que a banda iria seguir nos próximos anos. Essa é uma influência pessoal pra mim, pois curto mudanças.

The Beatles“Ticket to Ride”

É claro que não ia faltar um clichezão de influência de todas as bandas né… Sim, Beatles, essa canção me traz vários sentimentos como nostalgia, humor e alegria, sem contar que o instrumental dela é muito simples (batera, guitarra) e os vocais trabalhados. Quando penso em uma música foda com o instrumental simples (principalmente a batera) e mesmo assim contagiante, sempre lembro de “Ticket to Ride”.

My Chemical Romance“Welcome to the Black Parade”

Não pode ficar de fora um emo raiz (risos) Mas sério, sinto uma ambiência inexplicável nesse som que tenho certeza que marcou muita gente na famosa “época da MTV” eu sou fãzaçoooo do Gerard Way, pra mim ele é um dos melhores vocais que existem com seu estilo peculiar, seus gritos. Quem não curte é preconceito (polemizei (risos)).

Existia alguma treta entre Frank Zappa e The Beatles?

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Se você começar superficialmente analisando, a capa de We’re Only In It For The Money” (1968), terceiro álbum do The Mothers of Invention e uma paródia do vinil do The Beatles, o famoso Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), nasce uma dúvida. Era apenas ironia ou uma crítica política?

Mas mergulhando um pouco mais e entendendo melhor a coexistência destes IMENSOS nomes, podemos encontrar declarações que mostram uma admiração mútua com pitadas de discordância política. No próprio lançamento do Sgt., Paul McCartney afirmou que o álbum era o “Freak Out”, álbum de 1966 do The Mothers of Invention, dos garotos de Liverpool.

A paródia da capa foi consensual, Paul autorizou mesmo com ressalvas sobre a gravadora e afins. Obviamente, isso aconteceu, e as primeiras edições foram censuradas, publicadas apenas no interior do álbum, até Frank Zappa criar sua própria gravadora e criar o formato independente. Mas isso não impede de acharmos que sim, o título critica a forma como a música estava sendo produzida na época, e de como Zappa queria talvez deixar claro que ele fazia o que queria como queria porque ele gostava, mas isso não anula seu interesse por capital. “As pessoas achavam que os Beatles eram deus! Isso não é correto” é uma das frases dele que mais vi sendo reproduzidas.

A imagem é de autoria de um parceiro de outras diversas capas que envolvem Zappa: Carl Schenkel. Este que era não só fotógrafo, como ilustrador, animador, designer e finalmente: especializado em capas de álbuns. Ele e Zappa eram muito parceiros, e outros diversos álbuns como Lumpy Gravy”, “Cruising with Ruben & the Jets”, “Hot Rats”, “Cheap Thrills” e “Mystery Disc” também são dele.

A capa não era uma provocação, mas se você escutar “Oh No” logo depois de ouvir “All You Need Is Love”, bem, a sua dúvida tende a retornar:

E a versão do The Mothers Of Invention:

A canção “Oh No”, que critica de maneira satírica “All You Need Is Love”, não é deste álbum. Ela foi escrita em 1967, mesmo ano que a “original”, mas lançada apenas em 1970, quando Weasels Ripped My Flesh” saiu nas lojas.

“Oh no
I don’t believe it
You say that you think you know
The meaning of love
You say love is all we need
You say
With your love you can change
All of the fools
All of the hate
I think you’re probably
Out to lunch”

Existem comentários de que em 1988 em shows, Zappa tenha feito misturas de “Norwegian Wood” / “Lucy In the Sky With Diamonds” / “Strawberry Fields”, e algumas gravações no Youtube que comprovam superficialmente:

Há registros também de que John e Yoko tenham participado de um dos shows do novo Mother em 1971 e depois usaram a performance como material para o disco deles em 72, de nome Some Time In New York City”, que foram deixadas de lado na reedição do álbum.

Bem, depois de tudo isso, muitas leituras do Reddit e Zappa Wiki Jawaka, não existia treta até segunda prova, apenas uma coexistência em uma época onde a efervescência cultural era gigantesca, amém.

Tamanho não é documento: cantarolando 10 músicas curtinhas

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Esta semana estava relembrando esse disco que já dá para ser considerado um clássico independente brasileiro, o “Noisecoregroovecocoinvenenado(2006) da banda paraibana Zefirina Bomba, e reparei que a maioria das músicas têm menos de 2 minutos. Aliás, boa parte delas nem chega a 1 minuto. Pauleiras na medida certa, direto ao ponto e que deixam um aftertaste de satisfação. Tipo um bocado caprichado ou um Yakult.

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Algumas músicas curtas, apesar de deixarem aquele gostinho de quero-mais, são tão redondinhas que nos dão a sensação de que se fossem maiores, estragaria. É sobre este sentimento que trata a coluna de hoje, que, em vez de gastar as tintas com uma canção só, vai homenagear 10 faixas curtíssimas para cantarolar o dia inteiro sem enjoar.

A primeira delas é a hipnótica “O Que é que tem pra tu ver na TV”, do Zefirina Bomba. No mundo do hardcore, não é incomum as canções serem curtas, diretas intensas e imediatas. Essa do Zefirina se destaca porque passa uma ideia tão simples quanto sincera, a letra é “O que é que tem pra tu ver na TV? Comercial.” – não precisa dizer mais nada. Mas principalmente, a bateria foge daquela batida reta típica de HC para dar um peso estilo Dave Grohl arretado – alias, Guga é um dos melhores bateristas que já vi ao vivo. O resultado, depois que a música termina é um grande “minha nossa”.

Ainda no mundo do punk/hardcore, a canção “Wasted”, do Black Flag é uma expressiva e suficiente canção de 51 segundos sobre um cara que fez muitas merdas enquanto estava bêbado. Considerando outras canções do BF, como a “Drinking and Driving”, talvez a letra na verdade esteja zombando desse moleque que faz um monte de merda para parecer “cool”, em vez de estar enaltecendo suas realizações. Mas também pode ser uma letra absolutamente literal, o que não a deixa menos interessante e franca. Aliás, o EP de estréia do Black Flag, Nervous Breakdown (1979) em que está a Wasted, é um ótimo exemplo de concisão e suficiência, já que só tem 5 minutos de duração.

Na lista também tem Beatles, com a singela hidden track de 23 segundos no disco Abbey Road” (1969), intitulada “Her Majesty”. É uma mini-canção satírica sobre a rainha Elizabeth II escrita pelo Paul McCartney. Essa faixa era para ficar entre a “Mean Mr. Mustard” e a Polythene Pam” – aliás, duas canções curtinhas de pouco mais de 1 minuto, que muito bem poderiam fazer parte desta lista também. Mas o Sir Paul não achou que combinou, e pediu que a cançãozinha fosse destruída. Porém, a gravadora EMI tinha uma política de não destruir nada que fosse gravado pelos Beatles, então a pequena “Her Majesty” foi inserida no disco após um trecho de silêncio depois da última faixa, sem ser listada na tracklist, tornando-se a primeira hidden track da história. Os Beatles inventando moda (meio sem querer), pra variar.

A próxima faixa é uma verdadeira obra-prima de 1:55 minutos. “Renaissance Fair” (1967), do Byrds. Essa canção é aparentemente simples, mas na verdade é cheia de detalhes nos lugares certos. Ela fala de uma feira renascentista – provavelmente em um sonho – com várias cores, música, aromas de especiarias e pessoas com flores no cabelo. Esse cenário descrito na canção é embalado pelas impecáveis harmonias vocais, e um mix de guitarras com um saxophone, que dão um climão e te levam pro sonho junto com eles. Essa dá pra ouvir em loop.

Mantendo o clima ‘renascentista’ da lista, outra pérola de 1:23 minutos é a “Cheap Day Return” do Jethro Tull. A canção acústica, assim como várias do “Aqualung” (1970), tem uma influência forte dos violões do Bert Jansch e Roy Harper, ou seja, folkão britânico de primeira, trazendo essa vibe medieval perfeito para as flautas do Ian Anderson e seu vocal com muita expressão.

Ainda nos folkões britânicos, não poderia faltar uma do Incredible String Band, a “Son of Noah’s Brother” (1968). Possivelmente uma referência bíblica, a letra da canção mais curta desta lista é a frase “Many were the lifetimes of the Son of Noah’s brother/
See his coat the ragged riches of the soul [muitas foram as vidas do filho do irmão de Noé/ veja seu casaco, as riquezas esfarrapadas da alma]”. A linguagem solene contrasta com a simplicidade da canção, mas a letra é uma frase tão completa que já se faz suficiente pra sustentar e dar força para a faixa, tanto que é uma cançãozinha muito querida do disco “Wee Tam and The Big Huge”.

Em uma vibe parecida está a “El Rey” (1973), do Secos e Molhados. É outro caso, assim como a do Incredible String Band, em que a concisão da música faz você pensar mais ainda no que ela significa. Nessa dos Secos e Molhados, é pintada uma cena de um rei, ou alguém com muito poder, passando diante do observador. A letra é repleta de símbolos e imagens concretas, como uma poesia barroca dessacralizada, como os modernistas faziam. Logo de cara, ele joga a decadência do poder para nós com a imagem do “rei andar de quatro”, causando um choque inicial que em seguida é quebrada com o “quatro caras diferentes”, que pode significar algo como as máscaras do poder. Sem contar nas imagens das celas cheias de gente, e das velas, representando as mortes causadas pelo monarca. Isso ainda num contexto da ditadura militar… Essa música dá para viajar muito, merece um post só pra ela. Brilhante.

A próxima música é do meu maldito favorito, Walter Franco. A faixa “Água e Sal” está no disco “Ou Não” (1973). Eu sempre involuntariamente cantarolo esta música enquanto tomo bando de sal para neutralizer as energias – às vezes precisa, recomendo muito. Mesmo sem querer, muitas músicas do Walter Franco têm meio que uma função de mantra, e essa é uma delas.

Eu já fiz um post aqui nesta coluna sobre a representante Britpop dessa lista [veja aqui], a “Far Out” do Blur. Ela tem a versão extendida, mas eu não consigo me acostumar com ela maior do que os 1:40 min que estão no disco “Parklife” (1994) . É a essência do Syd Barrett suficientemente capturada pra deixar qualquer um satisfeito depois de ouvir.

Para fechar, “Horn” do Nick Drake. Que coisa mais linda, gente. Essa faixa instrumental, lenta, violão simples mas muito característico do estilo de Nick Drake. Apenas ouçam.

Playlist:

Construindo Yannick Aka Afro Samurai: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do rapper

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foto por Luís França

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o rapper paulistano Yannick Aka Afro Samurai, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Beatles“I Want You” (She So Heavy)
Essa música eu ouvi por anos na minha infância. Minha mãe é fã de Beatles e quando meus irmãos e eu estávamos fazendo a lição de casa, ouvíamos “Abbey Road” sempre. Esse disco eu conheço de cor.

Jethro Tull“Aqualung”
Na minha adolescência aos domingos pela manhã, meu pai gostava de nos acordar com uma música, ele aumentava no último volume se dirigia ao meu quarto, levantava a persiana e chegava gritando “borá acordar!”. “Aqualung” era uma de suas preferidas, no início peguei “bode” desse som, mas depois passei a ouvir e gostar de Jethro Tull.

Wu-Tang Clan“Wu-Tang Clan Ain’t Nuthing Ta Fuck Wit”
Uma das primeiras paixões musicais, quando eu ouvi Wu-Tang Clan pela primeira vez senti que era isso que eu queria fazer da vida, cantar rap. Pelo fato de ser filho de pai negro e mãe japonesa, ver homens negros cantando rap sob a influência da cultural oriental, me senti representado.

Racionais MC’s“Mano na Porta do Bar
A primeira referência de rap nacional foi Racionais MC’s, o disco “Holocausto Urbano” foi um choque pra mim, e o seguinte, “Raio X do Brasil”, foi algo surreal. Decorei todas as músicas e a partir dai incorporei o rap na minha vida. Lembro que um amigo tinha esse vinil e eu ficava ouvindo em casa, meus pais devem ter pensado “o Yannick vai ser maloqueiro” (risos). Pois é, sou (risos).

Body Count“Body Count In The House”
Musicalmente falando eu comecei a ouvir rock, meu irmão é roqueiro nato, conhece muita banda e claro por influência dele eu conheci essa banda fenomenal, que unia o melhor do rap com o melhor do rock.

Rage Againt the Machine“Killing In The Name”
Outra grande influência do meu irmão, eu queria ser o Zack de la Rocha, pois já gostava de rap e de rock e ele unia toda a levada do rap e a fúria do rock, monstro! Quando fui no SWU e vi esses caras ao vivo eu pensei “Agora posso morrer, pois já vi e senti de tudo”.

Bobby McFerrin“The Voice”
Esse álbum “The Voice” do Bobby McFerrin fez muita diferença na minha infância. Teve um dia em que estava no meu quarto e meu pai, minha mãe e meus irmãos estavam na sala assistindo TV. Eu peguei essa fita K7 coloquei no walkman do meu irmão, coloquei o fone e fiquei pirando e cantando as músicas desse disco que são todas performadas através apenas da voz do cantor. Eu pirei tanto e cantei tão alto que meu pai e meu irmão vieram ao meu quarto e ficaram me olhando por um bom tempo, dando muita risada pois eu estava de olhos fechados cantando “I Feel Good”, tomei um baita susto quando eu abri os olhos e lá estavam eles rindo de mim, foi muito engraçado (risos).

Seal“Kiss From The Rose”
Essa canção é linda, outra grande influência do meu pai. O meu pai é muito fã de Seal e desde a canção “Crazy” eu virei fã também. Mas quando saiu o disco “Seal 1991” e meu pai o comprou eu devo ter ouvindo umas mil vezes. Ouvir Seal me fez enxergar o quão eu era e ainda sou sensível em relação a vozes até hoje eu choro quando o ouço, ele é um grande artista.

Stone Temple Pilots“Plush”
Outra canção da adolescência roqueira que tive, lembro que quando passava esse clipe na MTV eu tentava imitar o timbre do Scott Weiland.

Alice In Chains“Would”
Mano, esse som é de arrepiar! Lembro que quando eu ouvia o baixo eu corria pra frente da TV ou do radio porque a minha vontade era ser o Layne Staley. Às vezes tinha medo dessa música, parecia um invocação do mal (risos)!

M.R.N“Noite de Insônia”
Grande época da radio comunitária Bela Vista FM, ouvi muito esse som, comprei o CD e tudo. Um salve ao Movimento Ritmo Negro! “Charley Baby Brown” era um outro som pesado do grupo.

U2“Kiss Me Thrill Me Hold Me Kill Me”
Antes de entrar na trilha do filme “Batman Forever”, o meu irmão já tinha esse disco, quando eu ouvi falei “U2 é muito foda!”. Essa música é daquelas pra transar com a namorada e ela nunca mais te esquecer (risos).

Boot Camp Clik“And So”
Um dos grupos de rap underground mais fodas do mundo, antes desse som eles já faziam clássicos enquanto muitos no rap queriam fazer hits. Pra mim é uma grande inspiração, gosto e bebo dessa fonte.

Def Squad“Full Cooperation”
Um dos grupos mais fodas do rap, Keith Murray, Redman e Erick Sermon e claro, eu tenho ate hoje esse cd, “obrigaaah” (risos)

Canibus“I Honor U”
Cara, esse é um tipo de som que sempre quis fazer, colocar uma linda voz feminina no refrão e vim arregaçando nas rimas. A “Luto Por Você” do EP “Também Conhecido Como Afro Samurai” é também inspirada nela.

Sean Paul“Gimme The Light”
Teve uma época que mergulhei no ragga através de um amigo, o Guilherme “Presa”, skatista e vídeomaker conceituado. Ele me apresentou esse mundo do reggae roots e do raggamuffin, lembro que quando o Sean Paul veio ao Brasil fomos no show dele e ficamos na primeira fila.

Kamau“Só”
Sempre que preciso entender a seguinte frase “A solidão é a dádiva dos seres excepcionais” eu ouço essa música. Kamau é um desses seres excepcionais. Valeu mestre.

U2 e Pavarotti “Miss Saravejo”
Mano choro sempre que ouço essa música. Lembro que quando a ouvi na adolescência aflorou uma paixão pela ópera e música clássica, porque quando o Pavarotti começa a cantar não tem como não se emocionar.

Tricky“She Makes Me Wanna Die”
Quando a Martina Topley Bird veio a São Paulo e eu perdi esse show, eu literalmente chorei. Lembro perfeitamente ter passado na frente do antigo Studio SP na Rua Augusta, trombei um conhecido e o perguntei o que ia rolar e ele me disse “ah, vai rolar um trip hop”. Não entrei de vacilão que fui, e no dia seguinte li no jornal que esse “trip hop” era a Martina e ela cantou essa canção. Fiquei puto. Anos depois o Tricky veio e eu não podia perder esse show por nada desse mundo. Fiquei 2 horas antes da bilheteria do SESC abrir e comprei o ingresso dos 2 dias. No dia do show eu levei o CD que contém essa música e tive a puta sorte de encontrá-lo, trocamos ideia, ele autografou o meu CD, tiramos uma foto e mano, o cara é muito sangue bom a ponto de me levar ao camarim dele, nunca esquecerei esse dia. Fora os dois shows que foram surreais, botaram o SESC Pompeia abaixo.

Joe Cocker“With A Little Help From My Friends”
Cara eu tenho 33 anos, assisti ao seriado “Anos Incríveis” na TV Cultura, então quem é dessa época, vai entender o porque. Esse som maravilhoso.

Construindo Juvenil Silva: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o cantor e compositor pernambucano Juvenil Silva, que indica suas 20 canções indispensáveis. “Minha lista fala de primeiros impactos e encontros com obras e artistas que viriam muito, de modo geral, me influenciar na música. Fazer essa listinha foi revirar um baú de memórias saborosas que há tempos não mexia. Foi um prazer. Algumas coisas ficaram de fora mas é a vida… Ninguém vai morrer”. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bob Dylan “Mr Tambourine Man”
Era um atípico dia cinza e de chuva em Recife, a capital tropical do país. Eu havia trazido pra casa uma fita k7 com uma coletânea de Dylan. Seria nosso primeiro encontro. Quando “Mr Tambourine Man” ecoou, algo além daquela voz de areia e mel me transpassou o corpo. Eu sabia que eu nunca mais seria o mesmo depois daquilo. Prossegui meu caminho deglutindo tudo que me era possível encontrar da obra dele. Nunca me senti tão bem alimentado, preenchido.

The Who“My Generation”
Quando conheci The Who, através dessa bomba, fudeu, eu queria ser mod! (Risos) Mesmo morando em Hellcife, que é a porra de um lugar super quente. Eu catava terninhos coloridos em brechós e outros acessórios que me remetia aquela vibe. Logo além da grande influência sonora, se falando principalmente pelo modo de tocar e compor de Pete Townshend, abria-se pra mim todo um novo e maravilhoso universo estético que abracei por uma determinada época.

Ave Sangria“Dois Navegantes”
Meus amigos haviam alugado um CD que era um CD gravado de um vinil, tinha um som todo meio agudo e havia chiado de vinil. Quando o play foi dado e a introdução de Dois Navegantes, faixa abre alas do único disco da banda mais fantástica de minha terrinha, aquele som divino me embebedou, me enfumeceu embelezando minhas asas com novas e coloridas penugens. Ave Sangria.

Mutantes“Don Quixote”
Um vinil, na contra capa, seres do outro mundo… Era o segundo dos Mutantes, o que na frente Rita tá de noiva. Por intermédio dele me entrou Arnaldo Baptista, todo aquele universo de arranjos genias de orquestras, as guitarras lindas e inimagináveis de Serginho, Rita Lee e suas potências criativas. Toda aquela orgia sonora embaralhava de forma maravilhosa minha cabeça. “Palmas para Don Quixote que ele merece”.

The Beatles“I’m Only Sleeping”
Conhecia a fase “iê iê iê” dos Beatles, quando o “Revolver” entrou na jogada, me expandiu para um outro universo Beatle. “I’m Only Sleeping” vinha com aquela preguiça e falsa despretensão de ser uma das minhas canções preferidas deles. Fiquei fissurado na brincadeira de guitarras reversas e nessas harmonias derretidas. Amo a melodia vocal!

Love“Alone Again Or”
Num certo e idiota momento em que eu achava que nada mais me surpreenderia tanto… Em que eu já achava que conhecia todos meus deuses… Me aparece Arthur Lee. “ Alone Again Or” abre a porta pra “Mudanças Eternas”.

Sá, Rodrix e Guarabyra“Desenhos no Jornal”
Lembro como hoje, era noite, havia saído de um ensaio num estúdio do centro. Um amigo estava com uns vinis na mão, entre eles o “Terra” de Sá, Rodrix e Guarabyra. Nunca vou entender o porque, até porque ele gostava de som bom. Talvez ele quiser legal comigo ou estivesse afim de comer um cachorro quente, ou estava sem passagem pra voltar pra casa. Bem, não sei. Mas ele me vendeu o vinil por três reais. E foi assim que eu adentrei no mundo maravilhoso do que chamam “Rock Rural”. Essa música me deita num cama bem fofinha e decola pra mim pelo cosmo entre sensações orgasmáticas e delírios de amores.

Serge Gainsbourg “Intoxicated Man”
Sem perceber a gente vai se apegando ao habitual, o que nos vem. Em relação a música, a gente fica meio que nessa, musica em português, musica em inglês… Serge chegou trazendo outro idioma, sonoridade, dimensão… “Intoxicated Man“ me chapa, me dilui e me funde a cores mais opacas com duras e finas texturas. Abordagens peculiares em outras estéticas sonoras e melódicas.

T.Rex“Jeepster”
Com essa Marc Bolan me seduziu, me excitou e me desflorou pro seu universo glam e peculiar. Gosto como soa e é usada a voz, como funciona a fusão percussão + guitarras, a produção e tudo que envolve essa e outras tantas do T.Rex, que definitivamente é uma de minhas maiores influências.

David Bowie “Life On Mars”
Lembro de ter em meu walkman uma fita abafada do “Hunky Dory” quando saí pleno livre das garras do quartel. Fui dispensado. Saí, era cedo dia, desci numa praça antes da minha parada habitual. Quando terminava essa música eu rebobinava e ouvia de novo, olhando sempre por nada específico que era o tudo de bonito que aquela manhã me proporcionava. “Life on Mars” é uma composição incrível, amo a forma como cresce, explode, surpreende mirando e acertando em cheio num infinito de beleza me fazendo bem. Eu me lasco todo de emoção!

Gilberto Gil – “Cérebro Eletrônico”
Gil arregaçando o irreal entre o balanço na viola, aqueles órgãos pastosos e alucinantes, guitarras futuristas, letras que me levavam além e no geral ter a convicção que ouvir Gilberto Gil era ter uma aula intensa de composição. Esse disco de 69, e o de 68 me fez conhecer uma outra faceta do Baiano e da música brasileira em si. Foi a tal da Tropicália e suas bananas ao vento que me sopraram por novos caminhos também.

Sérgio Sampaio“Eu Sou Aquele Que Disse”
Sampaio entrou na minha vida pra ficar e me arrastar pra universos ainda mais belos e sombrios em termos de poesia e canção. “Eu Sou Aquele Que Disse” está no primeiro álbum que tive contato, o primeiro de sua carreira, produzido por ninguém menos que Raul Seixas. Assim como essa, enumeras outras composições de Sérgio me fazem a cabeça e o coração.

Itamar Assumpção “Presadíssimos Ouvintes”
A dimensão de um groove totalmente novo e único pra mim. Entre a voz, baixo, batidas, escalas nas guitarras… Aquela narrativa peculiar contida na letra e acompanhada por arranjos incríveis e super complexos mesmo dendro, passeando numa harmonia simples. Piro em Itamar e em toda uma turma da chamada Lira Paulistana.

Reginaldo Rossi“Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”
A real é a seguinte, tem coisa que se entranha em sua essência quando você é criança e em relação a música, o brega era algo que meu pai ouvia muito nos fim de semanas em casa. Seja tomando umas ou se arrumando pra sair para dançar nas gafieiras.“Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme” é só uma entre um enxurrada de hits de Rossi que habitam em mim desde sempre, que por muito ficou guardado mas que depois voltou a tona.

Chet Baker“But Not For Me”
Uma pluma que me envolve em ligeiros e sutis encantamentos. Baker é meu prefiro no universo do jazz. Amo como ele usa a voz e o trompete, amo “But Not For Me” e outras tantas desse esplendor.

MC5“Kick Out The Jams”
Dos tempos de furia e algazarra juvenis. Eu alucino na energia e na violência proferida em cada fragmento de kick out the jams.

Belchior“Coração Selvagem”
Meu beeem… Essa sim eu posso dizer sem titubear que é a minha canção preferida desse filosofo foda que é Belchior. Cruel e amável, primitivo e a frente do tempo ao mesmo tempo. A letra dessa música é um manifesto da paixão pela simples alegria de ser.

Nick Drake“Pink Moon”
Eu já conheço Drake há um certo tempo, mas do ano passado pra cá se intensificou meu amor pela obra dele. Lembro de dias em que todas as noites antes de dormir eu o colocava pra tocar, embalar minha mente me lubrificando para sonhos doces e fantásticos. Essa canção e de um beleza harmônica e estética sonora muito peculiar do universo dele.

Sly and the Family Stone“I Want To Take You Higher”
Foi através dessa pedrada que embarquei no mundo de Sly e outras tantas pérolas do soul, como as do Stevie Wonder e no Brasil, Tim Maia, Toni Tornado… Sou apaixonado por soul music e essa música em especifico me deu o estalo pra compor uma canção que se tornou uma espécie de hino no underground que se chama “Eu Vou Tirar Você Da Cara”, que é foi até regravada e adentrou na trilha sonora do filme “Tatuagem”. Sly é um Deus demônio genial!

Raul Seixas“A Maçã”
Por último, mas poderia está em primeiro, Raul Seixas. Algo que levo carimbado em meu dna sonoro. É incrível que até hoje em dia (que escuto bem menos Raul, por ser algo que ouvia muito na adolescência) quando mostro canções minhas pra algumas pessoas, elas percebam Raul ali no meio… “A Maçã” é um hino do amor livre de padrões. Amo essa letra, harmonia, arranjo e a impecável interpretação do Raul.

Renascimento doloroso: John Lennon – “Plastic Ono Band” (1970)

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Poucas vezes uma obra foi tão determinante para me fazer entender que a música é, primeiramente, algo de extrema intimidade, pessoal por essência. Fazer dessa qualidade uma reafirmação é muito difícil, ainda mais sendo uma das pessoas mais famosas do mundo e recém ex-beatle. Coragem define este disco.

Seco, extremamente enxugado, quase esvaziado, melancólico, desesperado, reflexivo e redentor. Assim é Plastic Ono Band”, essa obra-prima sem igual.

O que mais me impressiona neste disco é que, ao contrário dos trabalhos mais emblemáticos do início da carreira solo de seus ex-companheiros de banda (como é o caso dos também incríveis Ram” e All Things Must Pass”, de Paul McCartney e George Harrison, respectivamente), John parece não ter feito um enorme esforço para tirar da cabeça essas canções. Tudo parece ser bem natural, espontâneo, de coração e em um nível genial. Claro que houve ajuda para fazer este disco sair do papel. Phil Spector, que assina a produção, foi esperto e manteve seu temperamento musical discreto. Ou seja, em “Plastic Ono Band” você não terá nada de “wall of sound” e aquela porrada de músicos tocando em mono. O LP é extremamente básico, porém de um modo original. Pegue como exemplo “Hold On”: guitarra, baixo, bateria e voz embalados por uma letra claramente voltada para o próprio autor. A temática do trabalho é John Lennon, do início ao fim.

Na comovente “Mother”, Lennon exorciza seus traumas de infância e chega a partir nosso coração com versos como “Mama don’t go, daddy come home”. Não restam dúvidas de que John vivia um período muito complicado. Mesmo que ele não quisesse dar o braço a torcer (algo que ficou muito claro na lendária entrevista publicada na revista Rolling Stone em 1970), o fim dos Beatles foi uma verdadeira porrada na alma daquele que fundou o maior fenômeno da história da cultura pop.

Beirando os 30 anos, Lennon atravessou essa difícil fase como pôde. Até que acabou embarcando numa espécie de terapia alternativa chamada “grito primal”, onde o paciente é encorajado a reviver e a expressar seus sentimentos básicos e que o terapeuta considera que podem ter sido reprimidos. O psicanalista americano Arthur Janov, criador dessa terapia, teve Lennon como paciente, e sobre isso disse certa vez: “Nunca vi tanta dor em toda a minha vida! Toda a dor de não ter sido amado fica gravada no cérebro, nos músculos, nos ossos das pessoas”. Agora, voltando para “Mother”, podemos perceber como tudo isso se encaixa: observe como é descarnado de qualquer tipo de filtro de ego aqueles berros no final da canção… se ainda estivesse nos Beatles muito provavelmente essa música não seria gravada.

Em “Isolation”, outra canção de apertar o coração, mostra Lennon guiado por poucas notas do seu piano enquanto observa o comportamento das pessoas em geral. E a letra é tão honesta que não há como fugir da mensagem. Pouca gente nesse mundo é capaz disso, esse incrível dom de saber abrir a cabeça das pessoas com poucas palavras.

Em tempo, vale ressaltar o trabalho impecável de Ringo Starr e Klaus Voormann na bateria e no baixo, respectivamente. Sem a simplicidade dos dois amigos de longa data de John (Ringo não precisa apresentar, já o alemão Klaus é o sujeito que fez a capa do LP Revolver” (1966), camarada de Lennon e dos Beatles desde os tempos de Hamburgo), talvez “Plastic Ono Band” teria resultado em “apenas” um excelente disco.

Em dois momentos cruciais do LP não é Lennon quem pilota o piano. Em “Love”, uma canção absurdamente linda sobre o que é o amor, é Spector quem guia John. Um dos clássicos do catálogo de sua carreira solo, “Love” é limítrofe: alguns podem achar piegas, outros podem passar despercebido por esse adjetivo fácil e notar que afinal, o que ele canta ali é fundamental. Algo tão certeiro quanto a letra de “Imagine”. Como ele conseguia fazer isso?

Em “God”, com Billy Preston no piano, John joga o famoso balde de água fria nos fãs dos fab four: “I don’t believe in Beatles/ I just believe in me/ Yoko and me/ And that’s reality/ The dream is over… Na verdade, é uma letra duríssima que não deixa passar despercebido nem Dylan, nem a Yoga, nem Elvis, nem Jesus e tampouco Deus. Nem precisa mencionar o tipo de discussão que essa música gerou, ainda mais vindo de um cara que quatro anos antes havia dito que “os Beatles são mais populares que Jesus Cristo”.

A pegada iconoclasta também dá as caras em “I Found Out”, com um jeito mais rock ‘n’ roll, o que ele sentia mais a vontade de fazer. A faixa pode ser considerada o resultado de uma década na qual o compositor passou por diversos gurus em busca da iluminação, com meditação, drogas e a Terapia Primal. Na música ele deixa de lado esta série de falsos ídolos que ele tinha acumulado ao longo dos anos e os rejeita. A guitarra de John soa excelente, assim como em “Well Well Well”, outro rock mais direto e com direito a berros que chegam a parecer Kurt Cobain em seus melhores momentos.

“Look At Me” tem aquele dedilhado tão característico que pinta as faixas “Julia” e “Dear Prudence”, do White Album” (1968), e a melodia é de uma melancolia verdadeiramente dolorida. Esta poderia estar em um hipotético trabalho dos Beatles, assim como “Remember”, que de certa forma traz a pulsação de “I Found Out” e a reflexão de todo o resto do trabalho. Um belo registro.

“Working Class Hero” é um dos melhores momentos da carreira de John. Um simples folk onde ele destila todo seu lado amargo de ver o mundo em uma letra espetacular e atemporal. Apenas por essa já valeria a pena dar uma chance para esse disco, mas “Plastic Ono Band” é um desfile de clássicos geniais.

O disco acaba com a triste “My Mummy’s Dead”, uma quase vinheta lo-fi, sem pretensão alguma de soar maior que aquilo. É apenas um adorno.

O LP foi recebido com elogios. No começo de 1971 o álbum chegou ao número oito no Reino Unido e foi para o número seis nos Estados Unidos, passando 18 semanas no Top 100.

“Plastic Ono Band” é figura presente em praticamente todas as listas de melhores discos.

Em 2000 a revista Q colocou o trabalho no 62º lugar na sua lista dos 100 Maiores Álbuns Britânicos de todos os tempos. Em 1987, foi classificado como o 4º na lista da Rolling Stone dos 100 melhores álbuns do período entre 1967 e 1987. Em 2003, ele foi colocado no 22º posto na lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos, também da Rolling Stone. Em 2006 “Plastic Ono Band” foi escolhido pela Time como um dos 100 melhores de todos os tempos.

Este é um trabalho irretocável de um dos maiores artistas da História. Sempre que alguém questionar a importância dos Beatles ou a qualidade de Lennon como compositor, diga apenas: “Plastic Ono Band”.

Construindo Van Der Vous: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Van Der Vous, banda de rock psicodélico de Salvador, Bahia, mostrando quais sons influenciaram suas composições.

The Doors“Break on Through (To The Otherside)” (1967)
A banda The Doors é uma grande influência para o disco “La Fuga”, principalmente pela vocalização. Influenciado especialmente pela poesia de Jim Morrison, as improvisações e em algumas baterias que foram criadas para o disco, como a questão da bateria latina com influências da bossa-nova, claramente exposta na música “Break On Through (To The Other Side)”.

The Doors“People Are Strange” (1964)
Entre as grandes músicas do Doors que influenciou nossas composições estão “The End”, “When the Music’s Over” e “People Are Strange”. No nosso disco enxerga-se essa influência marcante nas músicas: “What You Need”, “You Know”, “Cirque de Júlia”, “Back to Reality”.

Cream “Sunshine of Your Love” (1968)
O Cream, com as longas improvisações blueseiras e os louváveis solos de Eric Clapton, é maior influência com relação às improvisações de guitarra.

Cream“Strange Brew” (1968)
O Cream misturava a psicodelia com o blues e ao vivo transcendia os ouvintes com longas e magníficas improvisações.

The Beatles“I Want you (She’s So Heavy)” (1968)
Em algumas músicas percebe-se a nuance psicodélica do Beatles, principalmente na música “Cirque de Júlia” do nosso disco, na caída que lembra a música “I Want you (She’s So Heavy)”.

The Beatles“Being For The Benefit of Mr. Kite!” (1968)
Incríveis efeitos sonoros.

Pink Floyd“Bike” (1967)
O primeiro disco do Pink Floyd, “The Piper At The Gates of Dawn”, teve profunda influência na decisão de entrar na psicodelia de cabeça.

Pink Floyd“Astronomy Domine” (1997)
O disco mostra a criatividade de Syd Barrett em suas composições cósmicas e ácidas, como em “Astronomy Domine”. Ouvir a música “I Get High” do nosso disco.

Os Mutantes“Mágica” (1969)
A música mais viajante dos Mutantes.

Os Mutantes“A Hora e a Vez do Cabelo Nascer” (1972)
Incrível riff e solos.

Black Sabbath“Wicked World” (1973)
O peso do Black Sabbath é uma das nossas inspirações, não apenas nos improvisos (uma das influências do Black Sabbath é o Cream!), mas nas músicas também.

Black Sabbath“N.I.B” (1973)
O disco “Live At Last” teve profunda influência na minha forma de solar e de compor algumas músicas, como em “Behind The Wall Of Your Pain”, que apesar de ter o nome parecido com uma música do Sabbath, é totalmente original. Algo como se o The Doors e o Sabbath tivessem tido um filho.

Nirvana“Territorial Pissings” (1991)
Eu mesmo fiz a mixagem do disco “La Fuga” e fui influenciado pela compressão utilizada no “Nevermind”.

Nirvana “Breed” (1991)
Podemos perceber algumas influências como em “Come Alone and Play”, que traz uma pegada mais grunge ao nosso disco.

Tame Impala“Its Not Meant To Be” (2011)
Quando ouvi essa banda pela primeira vez eu pirei. Um rock psicodélico atual e ao mesmo tempo sessentista, com improvisações fodas, principalmente no disco “Innerspeaker” (o primeiro deles).

Tame Impala“Sundown Syndrome” (2010)
Ouvir a música “Mind Changes’ do nosso disco “La Fuga”.

Mac Demarco“Chamber Of Reflection” (2012)
Influencia para o novo disco da banda, dá para escutar no novo single “Poesia Lunática” lançado em 2016.

Caribou“Melody Day” (2007)
Buena sonoridade psicodélica com influenciou a música “Somehow” do disco “La Fuga”.

Dungen“Fredag” (2008)
Influencia direta do Tame Impala que acabei usando como influencia para música “Somehow” do disco “La Fuga”.

Lô Borges“Homem da Rua” (1972)
“Sonho no chão
E a festa não apaga
O estranho silêncio na rua.”

Ouça a playlist com as escolhas da banda:

15 discos de mashups que são verdadeiras obras-primas musicais

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Um mashup, também conhecido como mesh, mash up, mash-up, blend, bootleg e bastard pop, é uma música criada a partir da mistura de duas ou mais canções já existentes, normalmente usando o vocal de uma em cima do instrumental de outra, para que se combinem e criem algo novo. Esse tipo de criação ficou famosa no começo dos anos 2000, com a mistura de Christina Aguilera e The Strokes “A Stroke Of Genius”, que unia “Genie In A Bottle” e “Hard To Explain” e trazia à luz algo totalmente novo, unindo o rock garageiro com o pop plastificado. A partir daí os mashups tomaram o mundo, chegando até à grande mídia com discos como “Collision Course”, que unia Jay Z e Linkin Park, e o espetáculo “Love”, do Cirque du Soleil, com um grande mashup da obra dos Beatles.

Existem diversos discos completos usando o mashup como base, e alguns são verdadeiras obras-primas. Selecionei 15 deles:

Team Teamwork“Ocarina of Rhyme”

Misturar Dr. Dre, Mike Jones, Jay Z, Clipse e outros rappers renomados com a trilha sonora de Zelda é algo que só uma mente genial e divertida conseguiria fazer. Lançado em 2009, o disco é ótimo mesmo para quem não é fã da saga de Link.

DJ Danger Mouse“The Grey Album”

Hoje em dia o Danger Mouse é um reconhecido produtor e fez trabalhos como o último disco dos Red Hot Chili Peppers, “The Getaway”, do ano passado. Em 2004, no auge dos mashups, ele caía de boca unindo o disco “The Black Album” do Jay Z com o clássico “The White Album” dos Beatles, resultando no premiado “The Grey Album”. A junção de faixas como “What More Can I Say” com “While My Guitar Gently Weeps” são impecáveis.

Alex Hodowanec“Yeezer”

O estudante da Universidade de Ohio Alex Hodowanec se inspirou no “Grey Album” pra criar “Yeezer”, com 10 faixa que unem Kanye West com Weezer de uma forma nunca antes imaginada. “A primeira música que trabalhei foi misturando ‘Through The Wire’ do Kanye com ‘Beverly Hills’. Assim que essa fechou, eu pensei ‘já que fiz esse, melhor fazer mais nove, certo?'” Hoje em dia é incrivelmente difícil de achar para baixar ou assistir mesmo no Youtube.

Wugazi“13 Chambers”

Inacreditavelmente, este disco de 2011 consegue unir com perfeição os raps do Wu Tang Clan com o hardcore do Fugazi. Faixas como “Sleep Rules Everyything Around Me” são sensacionais.

Dean Gray “American Edit”

Em novembro de 2005 o Dean Gray (uma piadinha com um anagrama de Green Day) foi lançado, misturando o disco de 2003 que levou o trio de punk rock de volta aos topos das paradas com tudo o que você pode imaginar. Lógico que deu rolo com a gravadora, que fez questão de tirar do ar o disco. A faixa “Boulevard Of Broken Songs”, misturando Green Day com Oasis, chegou a ser um semi-hit.

The Kleptones“A Night At The Hip Hopera”

Misturando a música do Queen com rap e muitos trechos de filmes como “Curtindo A Vida Adoidado”, “A Night At The Hip Hopera”, de 2004, foi banido pela Hollywood Records, é claro, pelo uso de seus samples. Dá pra ouvir no Soundcloud:

Fela Soul“Amerigo Gazaway”

“Fela Soul” é, além de um ótimo trocadilho, uma união incrível. Fela Kuti com certeza é uma influência no De La Soul, então fazer essa mistura era praticamente algo natural. Ainda bem que aconteceu.

Otaku Gang“Life After Death Star”

Criado pelo rapper Richie Branson e o produtor Solar Slim, o disco reune as clássicas músicas de John Williams para a saga Star Wars com os versos pesados do Notorious B.I.G.

DJ BC“The Beastles”

Quem diria que o quarteto de Liverpool soaria tão bem quando misturado com o trio de Nova Iorque, hein? O “The Beastles” criado pelo DJ BC já tem três discos completos que misturam Beastie Boys com Beatles de forma maestral.

The Kleptones“Yoshimi Battle the Hip Hop Robots”

Uma improvável colisão entre o Flaming Lips com vários rappers e o resultado é “Yoshimi Battle The Hip Hop Robots”. Aliás, improvável na época, já que hoje em dia uma das maiores colaboradoras da banda é a super improvável Miley Cyrus.

DJ Max Tannone“Jaydiohead”

Radiohead e Jay-Z unidos pelo DJ Max Tannone, de Nova Iorque, também conhecido pelo seu antigo nome de guerra Minty Fresh Beats. Surpreendentemente bom.

Seanh2k11“Sadevillian”

O disco pega os raps pesados e inusitados de MF DOOM e traz toda a sensualidade da rainha do R&B Sade para dar o clima. Funciona perfeitamente bem. Confira nas sete faixas do álbum:

Coins“Daft Science”

O DJ e produtor de Toronto Coins ficou dois anos preparando o disco que mistura as rimas certeiras dos Beastie Boys com samples de tudo que o Daft Punk já fez. “Daft Science” foi lançado em 2016 e pode ser ouvido no Bandcamp:

Wait What“Notorious XX”

O par The XX e Notorious B.I.G. pode parecer fora do comum, mas o produtor de São Francisco Wait What conseguiu fazer com que a união parecesse feita para acontecer. Lançado em 2010, “The Notorious XX” teve mais de um milhão de downloads e ganhou do The Guardian o título de “melhor disco de mashup de 2010”.

João Brasil“Big Forbidden Dance”

O DJ brasileiro que tocou até nas Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016 pega um monte de funk carioca e mistura perfeitamente com Madonna, Raimundos, The Strokes, Iron Maiden, The Offspring e muito mais. Inacreditável de tão bacana. Hoje em dia tá difícil de achar pra baixar.

Construindo Naissius: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som do artista

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Construindo Naissius

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a participação do Naissius, que se apresentará nessa sexta-feira na Sensorial Discos com o repertório de seu disco de estreia, “Síndrome do Pânico”, além de músicas inéditas que estarão em seu próximo álbum. 

The Beatles“Hello Goodbye” (do disco “Magical Mistery Tour”, 1967)
Quando era criança, vi o clipe desta música e não entendi nada; foi a primeira que lembro ter sentido vontade de me tornar músico.

Jeff Buckley“Lover, You Should’ve Come Over” (do disco “Grace”, 1994)
O Jeff Buckley me mostrou que não havia problema algum em adorar Nina Simone e MC5 numa época em que eu ainda era um tanto ‘purista’.

Screamin’ Jay Hawkins“I Put a Spell On You” (do disco “I Put A Spell On You”, 1977)
Eu já adorava essa música quando criança, na versão do Creedence – meu pai tinha uma coletânea do Creedence e eu sempre escutava. Fui descobrir a versão original muitos anos depois e hoje tenho o estranho hábito de procurar versões dela na internet. São inúmeras, por diversos artistas, mas nenhuma supera a original.

Raul Seixas“A Maçã” (do disco “Novo Aeon”, 1975)
Aos 13 anos de idade interpretei o Raul Seixas no teatro e, para pegar o ‘sotaque’, fui ouvir toda a discografia dele. ‘A Maçã’ é sobre esse conceito de monogamia e traição que somos submetidos desde o nascimento e o qual nunca questionamos – além de ser uma das melhores músicas do Raul.

The Clash“Know Your Rights” (do disco “Combat Rock”, 1982)
O The Clash foi a primeira banda de punk rock que eu me apaixonei. O ‘Combat Rock’ foi um dos primeiros discos que eu comprei na vida e teve grande influência na minha formação.

Minor Threat“Guilty of Being White” (do disco “Complete Recordings”, 1988)
Eu já fui menosprezado por estar em lugares que não eram para ‘pessoas como eu’; o engraçado é que isso já aconteceu tanto por eu ser ‘muito branco’ quanto por ser ‘muito preto’.

Titãs“Desordem” (do disco “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas”, 1987)
Ainda me pergunto como os Titãs conseguiram fazer músicas com letras tão fortes se tornarem hits nacionais.

Chemical X“What’s Your Problem?” (da demo “What Ever Happened?”, 2003)
Trio de irmãs que tocam um punk rock de primeiro nível. Na minha adolescência era um alívio vê-las tocando entre tantas bandas que soavam iguais. Através delas eu passei a me interessar por feminismo, o movimento riot grrl e bandas como o Bikini Kill.

Nirvana“Sappy” (do box “With The Lights Out”, 2004)
As primeiras vezes que vim para São Paulo foram de trem, descendo na Luz, para passar a tarde na Galeria do Rock atrás de bootlegs. Quando ouvi essa música do Nirvana num CD de raridades, percebi que ela fugia do padrão ao relatar a vivência de uma mulher que leva uma vida de abusos e não se dá conta disso.

MC5“Kick Out The Jams” (do disco “Kick Out The Jams”, 1969)
Provavelmente uma das melhores músicas já escritas até hoje.

The Monks“Monk Time” (do disco “Black Monk Time”, 1966)
São ‘os Beatles do mal’. Não vou resumir a história pois vale muito a pena ir atrás dessa banda e desse disco. É pop com caos numa medida que nunca havia sido feita e provavelmente nunca mais será.

John Lennon“God” (do disco “Plastic Ono Band”, 1971)
Lennon usou seu primeiro disco para lavar a roupa suja com todo mundo, inclusive com o todo-poderoso, que ele se refere como ‘um conceito pelo qual medimos nossa dor’. Sigo o conselho de um amigo e sempre que escuto esse disco o faço ‘com muito cuidado’.

Chico Buarque“Construção” (do disco “Construção”, 1971)
Meus pais sempre ouviram muito Chico e ainda criança lembro que essa música me assustava: a crescente dos arranjos; a letra; a ideia da morte inevitável e repentina… É uma música que me impactou muito.

Nick Drake“Saturday Sun” (do disco “Five Leaves Left”, 1969)
Quando estava escrevendo o ‘Síndrome do Pânico’ eu ouvi muito os discos do Nick Drake. São de uma simplicidade e beleza tão raros… Nada é forçado ou exagerado.

New York Dolls“Personality Crisis” (do disco homônimo, 1973)
O New York Dolls me deu um nó no cérebro: usar calças rasgadas não parecia nada audacioso depois de ver caras vestidos de mulher tocando um rock sujo e minimalista. Ao conhecer a banda eu finalmente passei a tentar (des)construir minha própria imagem.

Fagner“Canteiros” (do disco “Manera Fru Fru Manera”, 1973)
É a música que eu canto no karaokê.

Chris Bell“I Am The Cosmos” (do disco “I Am The Cosmos”, 1992)
Se a discografia do Big Star é desconhecida e subestimada, esse disco solo de um dos integrantes é um tesouro perdido (lançado 15 anos após sua gravação). A música é a que dá nome ao disco e é daquelas que sempre me pega pelo nervo.

Ryan Adams“Afraid Not Scared” (do disco “Love Is Hell”, 2004)
O ‘Love Is Hell’ é um disco maravilhoso e essa é uma das minhas favoritas desse disco e de toda a discografia do Ryan Adams.

Rodriguez“Sandrevan Lullaby Lifestyles” (do disco “Coming From Reality”, 1971)
Uma das minhas letras e música favoritas. Conheci o Rodriguez uns anos antes de sair o documentário sobre sua obra e desde então seus dois discos que servem como uma espécie de bússola.

Mark Lanegan Band“Bombed” (do disco “Bubblegun”, 2003)
Ouvi esse disco quando saiu. Me fez entender que não é necessário ter guitarras ou gritos para ser rock.