5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo pelo rapper Rieg R.

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Rieg - Divulgação 2014 - foto por - Rafael Passos.

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje, o convidado é Rieg R. do grupo Rieg.

Afrika Bambaataa & Soul Sonic Force“Planet Rock”

Na música “Leave It To Me” da Rieg estávamos todos no grupo ouvindo muita coisa de música funk, eletrônica e hiphop. A essência dessa música é muita atemporal e incrível. Lembra um pouco também, por um lado, o Furacão 2000 no início aqui no Brasil. Esse beat foi muito presente na infância pra banda toda. Essa mistura doida de estilo, tentando em testar limites e criar algo novo, sem medo. Essa coisa da performance e de se adaptar a ambiente e meio cultural que vive, sem ser igual a todos. Tem toda uma simbologia por trás da parte visual, e experimentações doidas na parte musical – meio laboratório de cientista louco, com beats dançantes e culturalmente relevantes. Total revolucionário.

Tony Allen“Every Season”

Sou apaixonado por esse baterista. Mais uma vez a música que acompanha o disco é “massa demais”, como diríamos aqui em João Pessoa. A “Every Season” é a música que abre o disco. Com uma bateria que praticamente canta a música e te leva para uma viagem suave e mais sólida dentro do afroBeat. É uma ótima música para iniciar uma “pedalada” no Longboard. Pegar um vento na cara e evoluir o espírito em mil anos. 🙂

Damu the Fudgemunk“First Rondo”

God, esse cara é o rei dos beatbreak. Adoro a sonoridade que ele consegue imprimir com a Mpc 2000. Quando começamos a usar uma Mpc 1000, começamos a pesquisar referências e cheguei nele. Ele é um artista e produtor de música americana de hip hop de Washington, DC. Para quem gosta de recortar vai se divertir com ele. A parte Rítmica dele é bem forte. Damu é um verdadeiro garimpeiro a moda antiga.

Devo“Uncontrollable Urge”

Uma das minhas bandas preferidas de todos os tempos e influência total de estética, atitude e doidice. Eu lembro que uma das primeiras fitas k7 que comprei na vida, bem novinho, era do “Q: Are We Not Men? A: We Are DEVO!” e escutava tanto, tanto, tanto, que tive que consertar a fita algumas vezes já. Depois quando eu achei um VHS com show bootleg deles num mercado de pulgas, eu achei o máximo. Minha cabeça explodiu, hahah. Era punk, sem parecer igual as outras bandas. Era meio nerd com atitude punk. É pop, mas nem tanto. Era meio Kraftwerk, sem ser tão cabeça, mas com conceito também. Tem tantas referências de tantas bandas, que parece um quadro de colagens. Nisso, se transforma numa coisa tão única, doida e multifacetada, que acaba sendo muito original e interessante. A mistura de timbres, guitarras com synth, com visual, com narrativa. Amo demais. Eu tenho esse mesmo carinho pelos B-52s.

DJ Shadow“In/Flux”

A história do hip-hop e trip-hop tem muitos paralelos em comum e tem raízes que se cruzam um pouco. Bebem da mesma fonte que talvez seja o funk americano e o dub jamaicana, e dão ainda mais um jeitinho. Acho fascinante esse colagem de samples para criar algo novo. A ressignificação de momentos passados para criar novos. Eu fiquei bem na dúvida o que colocar como última música aqui na lista, porque tem muita mais coisa que queria citar do mundo hip-hop, dub, rock psicodélica ou música electrónica, mas eu acho que essa música do DJ Shadow tenta juntar um pouco de tudo e consegue. É uma viagem longa, como se fosse você zapeando na TV e tudo fazendo sentido. Esse vibe relaxado, o uso de orquestra sem vergonha, que nem tem com Massive Attack, essa emoção pura – mesmo através de recortes – eu amo. Só nessa música tem sample de Funkadelic, Earth, Wind & Fire, Chase, Mutabaruka, Tribe Called Quest e Alan Ross. Ou seja, uma mistura de vários estilos e intenções diferentes para criar algo novo e seu.