Construindo The Scuba Divers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda de Santos The Scuba Divers, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Daniel Teles (Guitarrista e Vocalista)

Coheed and Cambria“Time Consumer”
Não consigo parar de ouvir os discos deles desde que conheci a banda há pouco mais de um ano atrás e isso obviamente exerceu influência no meu jeito de tocar e cantar. Abri meus ouvidos para o universo do emo e post hardcore, me levando a escutar outras bandas que agora são inspiração para mim como o Tricot e o Tosite Ling Sigure. A faixa “Weather Repport”, que ainda não foi gravada mas sempre marca presença nos sets ao vivo, é o exemplo mais claro dessa influÍncia emo na banda.

A Flock Of Seagulls“Modern Love Is Automatic”
Representando minha veia new wave, incluo a faixa de abertura do disco homônimo de uma das bandas mais injustiçadas dos anos 80. Os timbres espaciais e melodias marcantes de Paul Reynold exerceram significante influência no meu jeito de tocar guitarra. Troque o sintetizador da faixa por barulho e você terá algo próximo de “Snowflake”.

The Smiths“Still Ill”
Essa é uma banda que eu tenho certeza que se eu não incluisse qualquer um dos outros integrantes poderia o ter feito. Forte influência nas guitarras limpas, linhas de baixo, vocais, letras. O The Smiths está cravado no DNA da banda, por mais que nossos trabalhos mais recentes tenham se distanciado um pouco da influência britânica muito presente no debut, Johnny Marr me ensinou que uma guitarra limpa fazendo acordes de jazz pode ser muito mais empolgante que solos de guitarra.

Sonic Youth“Chapel Hill”
Antes de qualquer influência musical, a postura de palco, o barulho, o senso de liberdade que a banda transmite ao vivo e nos clipes foi fundalmente pra formação da nossa própria ideologia como banda. As primeiras vezes que escutei Sonic Youth eu não entendi nada pra ser bem sincero, mas algo neles me chamou atenção e eu continuava voltando pra escutar mais. Existe algo belo em ver uma banda dando tudo de si e se divertindo no processo. Eu só espero isso de todo show da Scuba: terminar o show exausto porém feliz em estar ali naquele palco tocando pra 5 ou 5 mil pessoas. E “Chapel Hill” é muito foda por sinal!

Rush“Afterimage”
Alex Lifeson é outro dos meus guitarristas preferidos e eu precisava incluir algo do Rush. Sou apaixonado por rock/metal progressivo, mas a maioria das bandas está longe demais do nosso som para existir uma influência que não seja algo pontual ou conceitual. Mas aí você tem o Rush oitentista, uma mistura perfeita do drama e intensidade post punk com a musicalidade do rock progressivo. O que mais eu posso dizer? Rush é uma das combinações mais inacreditáveis de músicos talentosos dentro de uma única banda.

Maurício Teles (Baixista e Vocalista)

The Smiths“Hand In Glove”
Eu poderia escolher uma cacetada de músicas do Smiths, mas essa com certeza foi a que mais me marcou de primeira. O vocal de Morrissey é dramático e inspirado e eu sempre tento trazer um pouco disso nas canções da Scuba. Além disso, qualquer coisa que o Andy Rourke faz no baixo me deixa pirado.

Iron Maiden“Purgatory”
Iron Maiden foi o principal responsável na minha vida por eu me interessar realmente por música. A velocidade, a agressividade, é tudo bem intenso. Steve Harris sempre me inspirou para que eu tocasse baixo da forma mais energética possÌvel e nessa track ele demonstra exatamente isso.

Placebo“Every You Every Me”
Brian Molko tem um timbre sensual quase feminino e isso sempre foi um atrativo pra mim. Ao mesmo tempo que é leve, é profundo. Eu busco sempre experimentar na forma como irei cantar e esse estilo mais “foda-se”, menos preocupado com técnica, é algo que eu gosto de implementar em algumas músicas da Scuba.

U2“Sunday Bloody Sunday”
A voz de Bono Vox sempre me impressionou. Desde criança eu tento reproduzir a emoção e a força que ele passa com seus refrões. Quem sabe um dia eu chego lá (risos).

Tears For Fears“The Working Hour”
Se algum dia alguém sentir o que eu sinto ao ouvir esta música com alguma música da Scuba eu já posso morrer feliz.

Gabriel Ramacciotti (Baterista)

Sufjan Stevens“Come On! Feel The Illinoise!: The World’s Columbian Exposition / Carl Sandburg Visits Me In A Dream”
Uma música de enorme exercício de criatividade. Seu resultado sonoro é brilhante não só pelo seu ritmo em 5/4, mas também por sua instrumentação e arranjo sensacionais.

XTC“Senses Working Overtime”
Outra música que ouvi muito quando comecei a estudar música. Apesar de ser uma música simples, Andy Partridge (vocalista e compositor) consegue criar um arranjo típico de um new wave, porém tendo um resultado carismático e estonteante.

Weezer“No Other One”
“Pinkerton” é de longe o melhor álbum do Weezer (polêmica). Poderia colocar todas as tracks do álbum porém essa em especial me traz lembranças de quando comecei a tocar bateria, em meados de 2013, e como nunca conseguia tocar o começo da música.

American Football“Never Meant”
Apesar de sua temática não fazer jus à sua propriedade sonora. Os timbres de guitarra e pureza sonora tornam a música mais atrativa, fazendo-a fluir bem. As viradas e levadas de bateria são pontos importantes que absorvi, inclusive tocando o começo em alguns ensaios (risos).

Dave Matthews Band“The Stone”
Uma das poucas músicas que cultivo desde quando comecei a estudar música. As linhas melódicas e o groove da bateria são pontos que aprecio na música.

Iury Cascaes (Guitarrista e Vocalista)

Nirvana“Lithium”
Essa música eu escolho porque sem ela não existiria muito bem um Iury compositor, um Iury que trabalha em termos de música, um Iury numa banda. Já ouvi várias vezes que o Nirvana é uma daquelas bandas que fazem as pessoas criarem bandas, e atesto a veracidade desse rumor: a “Lithium” é a música deles que eu mais gosto, e facilmente a música mais importante da minha vida. A voz rasgada e ao mesmo tempo bela do Cobain, a bateria simples e poderosa do Grohl, o baixo na faixa do Krist – tudo isso junto com a letra genial, que retrata a indecisão de uma mente convulsiva, me atinge com um espanto musical absurdo que sempre acompanha a minha escuta desse som: “In a daze, I’ve found God” (deslumbrado, encontrei Deus) É simplesmente surreal! Se não fosse Cobain, eu não teria criado o gosto por dizer as coisas em formato de poesia, de música.

Tool“Eulogy”
Se o Nirvana me é a banda mais importante no sentido de que me introduziram ao barato de compor e se expressar, o Tool me é a banda mais foda e única do planeta porque através deles eu conheci uma expressão musical não só exatamente auditiva, mas integral, considerando a arte uma secreção que tem que vazar por todos os poros e de todas as maneiras possíveis: os caras do Tool tocam em tempos quebrados, têm uns clipes visual mente surreais, montam palcos incríveis, gigantes, com configurações que nunca são óbvias; o Maynard se veste com umas roupas bizarras, já tendo tocado até de lingerie – porra! Até o site dos caras foi artisticamente pensado! O Tool me trouxe essa coisa totalidade, da coerência de estilo, do alargamento das fronteiras da unidade estética, de uma integração artística entre tudo aquilo que diz respeito a uma banda. Eu poderia ficar falando horas do Tool – mas pra encurtar eu digo algo dessa música especÍfica: que vocal do caralho! Inspirador!

George Harrison“My Sweet Lord”
Se o Tool me ensinou isso da unidade, o George vem me ensinando (pois comecei a ouvi-lo recentemente) da preocupação de grandeza que tem que ter o artista na hora da composição, da escrita. Com preocupação de grandeza quero dizer uma preocupação de que o tema abordado pela música não seja raso, mas profundo; uma preocupação de que aquilo de que diz a música fale ao mesmo tempo de tudo, do infinito, e humildemente. Devemos botar tudo de nós em nossas composições – e botando tudo de nós, botamos tudo do mundo todo… O dever de dialogar com a seriedade da falta de fundo que é a existência. “My Sweet Lord” é uma música gospel hippie… Um hino àquilo que, por diversos motivos chamamos Deus, é independente de seu nome maior que nós e misterioso. Além do mais, estes violões estão entre os acordes mais pesados que já ouvi. E não é só nessa música, mas sim no CD todo! O George é foda, lendário, iluminado.

The Doors“The End”
Esse som do The Doors é épico demais. Talvez seja daí que vem meu gosto por músicas grandes e meio hipnóticas. Hoje conheço algumas coisas do Krautrock que muito me agradam mas o The Doors, que conheço já há muito, foi a primeira coisa psicodélica que eu pus na minha mente, e a coisa mais dionisíaca que eu já escutei. O Jim Morrison é um animal maluco. A “The End” me chama atenção porque quando você ouve ela parece que você tá chapado de LSD… Não precisa nem dropar! Possível sentir a loucura em cada acorde, subindo, subindo, ficando cada vez mais pesada. Essa porra é um ritual de índio, cara! A influência que tem em mim é justo essa duração estendida em que, por causa da batida e do acorde, você fica estendido, em transe. Ultimamente tenho buscado essa impressão com minhas composições.

Rancore“Mãe”
O Rancore é uma das bandas brasileiras que mais admiro. Os caras tem um som que eu não vi em outro lugar. Como o Tool, os julgo bem únicos. Mas o que amo do Rancore mesmo são os seus shows. Fui em um no Bujas no começo de 2017 ou final de 2016 (não me lembro) que era o último de sua turnê de despedida. Imagina? Eu nunca senti algo tão incrível: todo mundo ali se massacrando, agindo feito uma massa enfeitiçada por música, se debatendo, botando tudo o que fosse possível para fora, largando a goela ela mesma jogada no chão, em meio ao vapor que era o conjunto de todos os suores daquela galera. As paredes escorriam, o calor era imenso. E a energia era descomunal. Naqueles momentos me dei conta de que eu gostaria de fazer shows daqueles, antológicos, imperdíveis, memoráveis. Nessa música específica há a importância das guitarras do Candinho – me é uma inspiração o jeito que ele toca -, das letras e da voz do Teco, forte e cristalina. Vale conferir o clipe, que é muito bom!

De 60 anos pra cá: álbuns essenciais de 58, 68, 78, 88, 98 e 2008

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Quem diria, um ano da coluna Bolachas Finas! Como estamos em clima de ~comemoração~ aqui vai um texto um pouco diferente. Dessa vez falo um pouco sobre discos relevantes de 1958, 1968, 1978, 1988, 1998 e 2008. Que tal?

Enfim… De sessenta anos pra cá muita coisa mudou e muita coisa perdurou. Sim, são detalhes aparentemente óbvios, mas que enriquecem ainda mais a qualidade do velho e a proposta do novo. Quero dizer, o seu eu de 1958 poderia escutar o então moderno Lady In Satin” de Billie Holiday e se apaixonar (ou não) pelas canções, mas naquele momento você não teria como afirmar que aquele disco é um dos maiores monumentos da história do jazz cantado. E hoje podemos perceber esse grande álbum resvalando em uma enxurrada de coisas, de Aretha Franklin a Janis Joplin e Amy Winehouse.

O mesmo aconteceu com 2008, ou 1998… O que uma obra como “Moon Safari” do Air consegue comunicar? Será que artistas revisitarão aquele som daqui 30 anos, olhando aquilo como algo cheio de pioneirismo? Existem coisas que só o tempo é capaz de avaliar.

Pois bem, aqui vai uma breve lista com alguns desses “discos especiais”:

“Canção do Amor Demais” – Elizete Cardoso (1958)

É “apenas” o marco zero da bossa nova. Composições de Vinicius de Moraes e Tom Jobim com o revolucionário violão de João Gilberto, tudo isso pela primeira vez… Não é pouca coisa! A “Santíssima Trindade” do gênero faz uma cama generosa para a potente e dramática voz de Elizete Cardoso, que com sua pegada de “era do rádio” manda muito bem em todas as 13 faixas. Canção do Amor Demais” é um disco fundamental, daqueles que você precisa saber da existência. O álbum não fez sucesso logo de cara, a prensagem inicial foi de 2 mil cópias, e sua grandeza só foi reconhecida quando a bossa nova explodiu fora do Brasil. Isso precisa ser preservado no imaginário popular brasileiro. Destaque para “Chega de Saudade”, “As Praias Desertas” e “Canção do Amor Demais”.

“Astral Weeks” – Van Morrison (1968)

O segundo LP da carreira-solo do irlandês Van Morrison é tido até hoje como um dos melhores álbuns de todos os tempos. Logo é fácil notar a potência artística do trabalho: uma mistura de folk com a improvisação do jazz e arranjos inventivos. O jeito de Morrison cantar, que une gospel, soul e pop (meu Deus, sempre me lembra demais Mick Jagger!), é emocionante, perfeito para aquela atmosfera meio relaxada. Astral Weeks” foi concebido em apenas três sessões, o que endossa o tom de improviso da base instrumental. Apesar de ser um trabalho de um artista essencialmente inclinado para a veia singer/songwriter, o resultado sonoro é impressionante, e toda a banda consegue destaque. Esse é pra ouvir muitas vezes. Destaque para “Astral Weeks”, “Sweet Thing” e “Cyprus Avenue”, que assim como “Madame George” Morrison empregou a técnica literária do fluxo de consciência para produzir a letra.

“The Last Waltz” – The Band (1978)

Considerado por muita gente como um dos espetáculos mais venerados da história do rock, o último show da canadense The Band foi muito mais que isso. Foram mais de quatro horas de música, com direito a convidados como Paul Butterfield, Eric Clapton, Neil Diamond, Bob Dylan, Emmylou Harris, Ronnie Hawkins, Dr. John, Joni Mitchell, Van Morrison, Ringo Starr, Muddy Waters, Ronnie Wood e Neil Young. O concerto foi tão chique que foi servido um verdadeiro banquete para as 5 mil pessoas presentes no Winterland Ballroom, em São Francisco (era Dia de Ação de Graças). Poetas declamando e baile dançante também fizeram parte do roteiro. Sobre a música… olha, realmente esse show é uma covardia. O repertório de primeira linha passa por toda a carreira do grupo e ainda visita versões dos artistas convidados. Imperdível e obra de arte fundamental para entender a realeza que já foi o rock ‘n’ roll. Martin Scorsese transformou a noite num dos documentários de música mais aclamados do cinema, que por sinal é realmente lindo. Destaque para “Up on Cripple Creek”, “Mannish Boy”, “Helpless”, “The Night They Drove Old Dixie Down” e “I Shall Be Released”.

“Daydream Nation” – Sonic Youth (1988)     

         

Mais de meio mundo passou por esse disco para fazer o som da década posterior. Talvez o mais importante LP do Sonic Youth, Daydream Nation” de certa forma sedimentou a proposta da banda e elevou seu som inventivo e ruidoso em status de obra-prima. Todas as faixas são relevantes, e ali é fácil notar algo estranhamente acessível, bizarro e ao mesmo tempo (até então) novo. O casamento das guitarras de Lee Ranaldo e Thurston Moore impressiona até hoje, e o carisma do vocal falado de Kim Gordon cai como uma luva, muito embora no fundo eu sempre esteja inclinado a acreditar que o ritmo sólido de Steve Shelley (aliado ao baixo constante de Kim) seja o segredo dessa banda incrível. Em Sister” (1987) o SY apontava para essa sonoridade, porém em “Daydream Nation” a afirmação musical é mais contundente e segura. Discaço que parece jamais envelhecer. Destaque para “Teen Age Riot”, “The Sprawl” e “’Cross The Breeze”.

“The Miseducation of Lauryn Hill” – Lauryn Hill (1998)

Esse enorme sucesso de público e crítica da ex-vocalista do influente grupo de rap Fugees ainda soa incrível e já é um trabalho de indiscutível importância. A mistura de hip hop, r&b, reggae, gospel e soul rendeu uma enxurrada de Grammys (cinco no total) e, até hoje, oito milhões de cópias vendidas somente nos Estados Unidos. Hill conseguiu com sua salada musical mostrar os limites do rap e como esse gênero consegue ser tão flexível e ainda assim íntegro, algo como o Exile on Main St.” da década de 1990: uma reverência aos gêneros norte-americanos mais tradicionais em uma roupagem adequada ao seu tempo. É impressionante pensar que agora esse álbum já tem 20 anos! Mais um que você precisa ter na estante ou no celular. Destaque para “Everything Is Everything”, “Lost Ones” e “To Zion”.

“Fleet Foxes” – Fleet Foxes (2008)

Revisitar o passado foi a tônica da década de 2000. Enquanto uma penca de grupos persistia até saturar no post-punk e proto-punk até mais ou menos 2007, o Fleet Foxes veio com essa pegada completamente “fora da curva”. Essa atmosfera de Crosby, Stills & Nash com Fairport Convention, quem diria, deu tão certo a ponto de chamar atenção desse público reticente em relação ao folk rock. A verdade é que a banda faz um som verdadeiramente bonito, e é difícil não respeitar esse tipo de coisa. Robin Pecknold, líder da banda, além de talentoso vocalista é um compositor de mão cheia. Melodias e harmonias memoráveis, algo não tão explorado de uns anos pra cá, e sim, isso já é um incrível mérito. Revisitar é bom, mas poucos fazem isso com o devido respeito e capacidade. Seria essa obra aspirante a clássico? Destaque para “White Winter Hymnal”, “Your Protector” e “Quiet Houses”.

Construindo Cachalote Fuzz: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a banda mineira Cachalote Fuzz, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Within You Without You”
Arthur: Música lançada numa coletânea chamada “Sgt Pepper Knew My Father”, de 1988 que tinha o Sonic Youth e outros grandes nomes. Conheci o Guilherme (guitarrista) a uns seis anos atrás e resolvemos formar a banda. Eu como fã de Sonic Youth, ele fã de Beatles, essa música foi o encontro sonoro que fez tudo fluir.

Jupiter Apple“As Tortas e As Cucas”
Arthur: Hino dentro da Cachalote Fuzz. A gente discute mil coisas, mas quando o assunto é Jupiter na banda, ninguém discorda de nada. Amamos esse maluco e concordamos que ele é um dos maiores da psicodelia brasileira, sem mais.

Velvet Underground“I Can’t Stand It”
Arthur: A gente já fez frituras e frituras com esse som bicho, desde o começo da banda, até hoje. Velvet Underground é escola pra todos nós e uma grande influência no nosso jeito de tocar.

Caetano Veloso“Mora Na Filosofia”
Arthur: O “Transa” é um dos maiores discos da música brasileira. Caetano Veloso tava em sua melhor fase e o Jards Macalé arrebentou nos arranjos. Tocamos essa música no primeiro ensaio da banda.

Brian Jonestown Massacre“Anemone”
Iuri: O estilo de composicão, a textura dos timbres e as performances desses caras, sempre foram influências pra gente. Anemone é uma canção de apenas dois acordes que te levam longe, de vez enquanto apresentamos ela nos nossos shows e é sempre uma viagem.

Tame Impala“Elephant”
Iuri: Tanto “Elephant” quanto o disco inteiro “Lonerism” do Tame Impala, deu um boom no cenário neo psicodélico e abriu novas portas para outras bandas que vieram numa onda parecida. A pegada firme na batera e o baixo marcante de “Elephant”, forma o ápice da música, além também de todos aqueles synths e guitarras ardidas, é foda demais.

CAN“Vitamin C”
Iuri: Indo mais atrás no tempo agora, a banda Can sempre pirou a gente com aquela fritura setentista na parte instrumental e também nos vocais excêntricos do japonês Damo Suzuki. “Vitamin C” cria uma atmosfera tão estranha e peculiar, que a gente não poderia deixá-la de fora dessa lista.

Erasmo Carlos“É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo”
Guilherme: Continuando nos anos 70, que é uma época realmente influente no nosso som, a sonzeira brazuca fervia demais também. Essa canção do Erasmo de 1971, permanece atual até hoje, tanto na poesia contestadora e direta, como nos belos arranjos.

The Stooges“No Fun”
Guilherme: Entre as referências de rock’n’roll, The Stooges e Velvet Underground sempre foi as mais presentes. Essa música representa uma grande influencia na construção da sonoridade da banda, principalmente nas nossas primeiras gravações. Acredito que a banda toda curte trabalhar com riffs simples.

Black Sabbath“Planet Caravan”
Guilherme: Foi o Vini que me aplicou esse som. Black Sabbath psicodélico! A estrutura e a atmosfera da música favorece alguns trechos de jam e improviso, que nos ajudava a trabalhar nossa comunicação e entrosamento. Foi um destaque no show de lançamento da revista Paralela.

Tagore“Pineal”
Arthur: O som do Tagore chegou na gente bem na época que a gente tava começando a pirar nas psicodelias do nordeste, principalmente nas bandas do chamado movimento Udigrudi (Alceu, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, etc). O choque foi momentâneo, piramos. E depois quando eles foram lançar o “Pineal”, fizemos uma miniturnê juntos. E acabou que hoje todo mundo da banda é de casa: Tagore, Caramuru, Julião, Xandão, João Felipe. Rolou a parada sensacional de participarem do nosso disco e produzirem também. A gente é fã desses caras.

Porcas Borboletas“Menos”
Arthur: Esses são nossos professores da cena independente do Triângulo Mineiro, por vários fatores. Lembro ver o show deles no lançamento do disco (A Passeio), numa época que nem frequentava tanto shows de bandas independentes. Essa música mudou tudo, virei frequentador assíduo dos eventos locais e quis trabalhar com música independente desde então.

Radiohead “Everything In Its Right Place”
Arthur: Eu sou grande fã, mas nem todo mundo da banda gosta, mas concordamos que não tem como ignorar essa gigantesca banda. O Radiohead revolucionou a música pós anos 90, acreditamos ser uma das maiores bandas da nossa geração. E essa música em si é um hit das festinhas depois dos shows.

Cachorro Grande“Que Loucura!”
Arthur: Tivemos vários shows memoráveis que fizemos na nossa cidade, mas alguns são foda. Um deles foi com o Cachorro Grande. Que um noite sensacional. A festa no camarim, as loucuras, várias conversas malucas. Acho que são uma grande influência pra todo mundo no rock’n’roll brasileiro. Esses caras são foda.

Lou Reed“Vicious”
Arthur: Já falamos de Velvet, eu sei. Mas essa música é praticamente um hino pra todos nós. Descreve muita coisa de cada um da banda, em vários aspectos. Loucura pura, bicho.

Almirante Shiva“Ziggy”
Arthur: Acho que nem dá pra expressar em palavras a admiração que todos nós temos por estes caras. Foram uma das primeiras bandas que trouxemos pra nossa cena, demos altos rolês juntos aqui por Minas Gerais, mais de uma vez. E a gente sempre pirou no jeito dos caras tocarem, no som que cada um faz, neles no palco. Uma banda especial pra gente, sem dúvidas. E mais uma coisa: PEDRO VIVE!

Alceu Valença“Veneno”
Arthur: Se o Brasil alguma vez teve um rei na música, jamais foi Roberto Carlos, e sim Alceu Valença. Bicho, não tem nem como querer falar da obra deste maluco aqui, pelas inúmeras fases nos 50 anos de carreira, e admiramos todas. Mas dois dos maiores discos da psicodelia brasileira, são sem dúvidas “Espelho Cristalino” e “Vivo”, ambos de 1976.

Stealers Wheel“Stuck in the Middle of You”
Iuri: Essa banda escocesa com essa canção principalmente, representa a nata do rock setentista e da cena underground que rolava na época. Somos admiradores do folk e da música caipira, Stealers Wheel é uma mistura de tudo que é bom e criativo.

Holy Wave“Do You Feel It”
Iuri: Uma mescla de instrumentais neo-psicodélicos com a levada marcante do rock 4×4 formam o diferencial dessa banda Texana. “Do You Feel it” abre o álbum “RELAX” que é um dos melhores discos da banda, que é relativamente nova ainda.

The Cure“The Lovecats”
Iuri: Fãs dos anos 80 também que somos, The Cure pra representar essa turma boa. “The Lovecats” une jazz, 80’s, teatro, e gera uma atmosfera peculiar do som “geral” do Cure. Fecha com chave de ouro nossa lista!

Construindo Miêta: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto Miêta, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Sonic Youth“Diamond Sea”
Bruna: Talvez essa seja a música da minha vida. Ela traz simbolismos muito fortes para mim tanto na letra, quanto nas harmonias, linhas de guitarra e modo de cantar. Acho que Sonic Youth é uma banda unânime para a Miêta inteira e os noises e microfonias que carregamos vieram basicamente deles. Essa música específica representa muito do que eu coloco como ideal de expressão artística. Tem uma subjetividade muito bem trabalhada criativamente, disfarçada de ironia cheia de metáforas. E simplesmente não tem como não gostar da harmonia tortuosa e acessível, recheada com uma sessão rítmica bem simples.

The Durutti Column“Never Know”
Bruna: Todo mundo sabe que eu sou meio louca dos anos 80. Durutti Column é um projeto do Vini Reilly, um dos guitarristas que mais me inspiram. Quando eu ouvi a primeira vez, sendo apresentada por um amigo (também bem fã de post-punk e outras variáveis) que botou uns vinis do Vini pra tocar, eu só tive aquela reação de “meu deus, que guitarra é essa”. É pós-punk, é experimental, é chill out, é um monte de coisa pelas quais você consegue alcançar lugares bem interessantes com o sempre supremo delay. É um dos timbres do sonho. E essa é uma das primeiras músicas que ouvi.

DIIV“Bent (Roi’s Song)”
Bruna: DIIV é outra banda unânime. E um exemplo de guitarras simples e de bom gosto. Os riffs e linhas são geniais de tão minimalistas e complementares uns aos outros. Além da voz soprosa que configura um shoegaze novo e muito bem feito e explorado. Essa música específica talvez seja uma das minhas top 3 da banda e ela consegue criar tensões muito bem colocadas para depois seguir com fluidez e vigor em algumas explosões que são marcadas, principalmente, pelas cordas que o Zach é rei em posicionar nas estruturas da música. A letra é uma poesia à parte também.

Jimi Hendrix“The Wind Cries Mary”
Bruna: Esse homem é um cliché necessário à maioria dos guitarristas. Não tem muito o que falar. Mas desde que conheci, levei pra sempre o aprendizado de riffs em cima de acordes abertos, da brincadeira do acorde maior com o riff blueseiro que segue pro acorde relativo menor e de jogar uma sétimazinha aqui e ali pra deixar a harmonia dinâmica e gostosinha. Não tem como evitar que Jimi saiu dos anos 60 e alcançou até o shoegaze independente hoje.

Courtney Barnett“History Eraser”
Bruna: A Courtney representa muito do que eu considero música honesta, criativa, nova mas com um pézinho, criando lastro histórico, nas referências do passado. A forma dela de tocar guitarra é algo que sempre tive como referência na Miêta também. Os acordes rasgados e bem timbrados, o ritmo e uma ponte entre o noise e o folk/blues fazem ela ser uma guitarrista e compositora monstruosa, mas que mantém a simplicidade da sua expressão e faz música de forma espontânea.

Sonic Youth“100%”
Luiz: Steve Shelley pra mim é o baterista que melhor desconstroi a bateria dentro do rock alternativo, principalmente na fase da banda até o “Washing Machine”. A bateria em “Dive” (nossa música), é totalmente Steve Shelley.

Smashing Pumpkins“1979”
Luiz: “1979” é lição de saber até onde a bateria deve ir numa música simples. Não precisa de mais nada, aqui, sério. Uma virada em qualquer lugar ia estragar tudo. Tanto que as versões ao vivo dela são péssimas (desculpa, Jimmy, ma faltou bom senso (risos)).

Pin Ups“It’s Your Turn”
Luiz: No primeiro show da Miêta a gente fez um cover dessa música, e tirar a bateria dela abriu minha mente pro que o som da banda precisava. Apesar de eu ter entrado com quase todas as baterias já criadas, foi bem esclarecedor pro que a banda ia precisar a partir daquele momento.

Dinosaur Jr.“I Don’t Wanna Go There”
Luiz: As baterias do Murph, pra mim, foram referência nessa fase de entrar pra Miêta e voltar a tocar esse tipo de som onde menos é mais, mas sem ser simplista, mas, principalmente em relação a timbre. Sempre gostei de um som bem orgânico e pra sonoridade da Miêta faz todo o sentido.

Warpaint“Undertow”
Luiz: Stella Mozgawa é, pra mim uma das maiores referências no “menos é mais”. Um set reduzidíssimo como o dela desafia a criatividade e eu tento absorver e me reciclar ritmicamente, área em que ela é impecável. “Undertow” é minha favorita da banda e, se tem alguma música no “Dive” em que eu apliquei muita coisa que aprendi com a Stella, é “Am I Back”.

Ventre“A Parte”
Marcela: A Ventre é uma banda que eu amo e o Hugo é um monstrão do baixo, eu piro muito nas linhas dele! Eu como baixista só existo muito recentemente (risos), e ele foi uma das figuras que me inspiraram e fortaleceram desde o início da banda, quando eu deixei de ser só vocal e peguei o baixo, comecei a estudar e criar. Esse ao vivo no Méier deve ser o trem que eu mais escutei esse ano hehe.

Sabine Holler“The Hanged Woman”
Marcela: Eu adoro a honestidade nas canções da Sabine, sou fã desde a Jeniffer Lo-fi, as linhas de voz e suas letras são grande inspiração pra mim. Tive a oportunidade de assistir a uma apresentação dela no início do ano que me tocou muito – a forma como executa as canções ao vivo sozinha, a entrega…

Marrakesh“Sheer Night”
Marcela: Eu descobri Marrakesh esse ano pela Raça, outra banda que adoro, e fiquei bem apaixonada. Eu adoro o flerte entre indie e elementos elementos eletrônicos e até do R&B no som deles, tem muito a ver com o mix das paradas que gosto de ouvir e que tenho como referência. Essa música pra mim é das melhores lançadas no ano passado.

PJ Harvey“Down By The Water”
Marcela: PJ foi escolinha pra mim em diferentes aspectos, eu lembro que ficava repetindo os bordões no violão quando era mais nova haha, meio que abc do baixo pra mim antes de começar a estudar e tal. O magnetismo dela me inspirou demais também lá atrás quando tive minha primeira banda, a entrega desnuda nas letras e performance.

DIIV“Under the Sun”
Marcela: DIIV foi uma das primeiras coisas que a gente ouviu junta como banda, uma das primeiras bandas que a Célia me apresentou. Por motivos óbvios então uma banda, disco e música muito representativos. Dos discos que mais ouvi quando comecei a pegar os baixos da Miêta e que me ajudaram a meio que abraçar uma simplicidade coesa com os demais elementos, com o todo da música.

Broken Social Scene“7/4 (Shoreline)”
Célia: Essa banda tem alguns maravilhosos hits que me influenciaram e são inesquecíveis pra mim. Vira e mexe, sempre ando ouvindo, e é aquele tipo de coisa que quase sempre acontece comigo, sai algo de influência naturalmente. Nessa música em especial, o tempinho dela me cativa, que inclusive foi uma influência pra criação da guitarrinha de “Dive”. Considero “Shoraline”, “Cause = Time” e “Almost Crime” dos melhores e mais lindos hinos noventistas!

Stereolab“The Noise Of The Carpet”
Célia: Amo Stereolab de paixão, principalmente por ser uma das minhas referências de minas fazendo músicas “esquisitinhas” desde a adolescência. Fugia do padrão punk/hardcore que era mais conhecido no meu meio na época. O que mais me chama atenção e inclusive amo fazer, são os backings. Cada uma tem sua linha diferente, como se fossem 3 músicas diferentes praticamente. Acho isso lindo, e pensei muito nisso na criação dos backings de “Messenger Bling”, por exemplo.

Sonic Youth“Karen Revisited”
Célia: Essa é uma das músicas que mais me rendeu altos arrepios e choradas em ônibus haha. As dissonâncias me comovem muito e ninguém melhor que Sonic Youth pra representar isso. Naturalmente eu sempre vou fazer algo que soe como, pelo tanto que já ouvi/ouço. Tá aqui no subconsciente e nem sai por querer. Amo as guitarras de “Karen Revisited” e vou defendê-las!

My Bloody Valentine“Cupid Come”
Célia: Essas palhetadas tudo pra baixo, rítmicas, quase percussivas me fazem aguar os olhinhos! Fora essa barulheira cheia de efeito saturado e essa impressão de disco empenado. É uma delícia que não me canso de ouvir! Acho que é uma influência geralzão pras músicas da Miêta, essa mistura de peso com suavidade, bruto com delicado. Melodias tranquilas e noise sem fim, amo!

Superchunk“First Part”
Célia: Foi minha porta de entrada pra bandas dissonantes mais pesadas haha. Primeiro que a mina foi uma ENORME referência pra mim, eu achava ela muito foda e queria ser igual a ela quando crescesse! Vi o clipe de “First Part” na MTVLado B, e fiquei fissurada! Arrumei toda a discografia em muito pouco tempo e ouvi toda essa coisa linda loucamente! Os solos infinitos no final da “First Part” e várias outras é o que mais gosto neles e pensando aqui agorinha, pode ter sido influência em “Ages”, novamente aquela questão de absorver e reproduzir algo do tipo, por ter ouvido e continuar ouvindo bastante.

Construindo LuvBugs: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o duo LuvBugs, do Rio de Janeiro, formado por Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz) Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Bikini Kill“Girl Soldier”
Paloma: Definitivamente, a Tobi Vail é uma grande baterista/musicista e a minha maior influência Riot Grrrl na LuvBugs e na vida. “Guess you didn’t notice. Why we were dying. I guess you didn’t give a fuck. After all, only women were dying”.

Breeders“No Aloha” (“Last Splash”, 1993).
Rodrigo: Melodia vocal açucarada mergulhada em guitarras distorcidas em amps valvulados, isso é praticamente a base de 80% dos sons da LuvBugs.

Babes In Toyland“Hello” (“Nemesisters”, 1995).
Paloma: Riot Grrrl até a alma, “Hello” introduz esse belo disco de punk rock, dessa banda linda que tenho como grande influência de que as mulheres podem sim fazer rock. Lori Barbero é uma grande referência de baterista.

Nirvana“School” (“Bleach”, 1989).
Rodrigo: Um dos riffs mais contagiantes da história do rock and roll, tem uns 3 riffs da LuvBugs que nasceram daí, Coração Vermelho, Verde Zen e algum outro que não estou lembrando.

Sonic Youth“Becuz” (“Washing Machine”, 1995).
Paloma: O timbre dessa guitarra e seu riff repetitivo somado ao essencial vocal da excêntrica Kim Gordon tornam essa introdução do “Washing Machine” algo que sempre está presente na minha mente.

Wavves“No Hope Kids” (“Wavves”, 2009).
Rodrigo: Um amigo voltou daquele cruzeiro do Weezer uma vez com um vinil do Wavves e disse que queria me mostrar um som de uma banda que ele tinha conhecido os caras na piscina do cruzeiro. Logo que ouvi me liguei que era o som que eu queria fazer e “No Hope Kids” é um punk rock de garagem perfeito, ouvi até entrar no sangue.
Influência nas composições e nas mixagens dos discos, esse som tem uma mix lo-fi referência pra mim.

Nirvana“Dumb” (“In Utero”, 1993).
Paloma: A simplicidade dessa letra consegue demonstrar toda a complexidade da vida em um perfeito paradoxo existencial. “I’m not like them but I can pretend”. As composições da LuvBugs são assim, mais simples possíveis.

Freud And The Suicidal Vampires “It’s Hard To Write A Good Song In 5 Minutes (When You’re So Difficult To Describe)”
Rodrigo: Outro som referência de mix lo-fi. Riff alucinante com uma guitarrinha fazendo um solo de tema. Daí eu percebi que o álbum “Dias em Lo-Fi” poderia ter isso também, som de duas guitarras e não apenas uma como nos outros, até que a gente tem se virado bem ao vivo.

Velvet Underground“Venus in Furs” (“The Velvet Underground and Nico”, 1967).
Paloma: Impactante até a alma, impossível não se afetar com a experiência que essa música passa. “I could sleep for a thousand years. A thousand dreams that would awake me. Different colors made of tears”.

Ronnie Von“Imagem” (“A Máquina Voadora”, 1970).
Rodrigo: Esse som escutei tanto em determinada época da minha vida, que sempre quando escuto novamente reencontro meu jeito de escrever as músicas da LuvBugs e até meu jeito de pensar sobre a vida. Outro dia um amigo me falou em alguma semelhança em alguma melodia de voz minha ou jeito de cantar e eu acabei dando
razão a ele.

John Frusciante“Look On” (“Inside Of Emptiness”, 2004).
Paloma: O John é surreal. Essa música, (e esse disco) é cativante do início ao fim. Melodia, letra e guitarra lindas e totalmente inspiradoras. “When I thought life was terrible, things were going fine… A paper and a pencil are the
best friends I’ve got. Look on”.

Dinosaur Jr“Drawerings” (“Where You Been”, 1993).
Rodrigo: Outro dia eu li “J.esus Mascis é meu pastor e nada me faltará”. Amém.

L7“One More Thing” (“Bricks Are Heavy”, 1992).
Paloma: Esse grunge anos 90 de melodia e guitarra arrastada é perfeito e uma das minhas maiores influências também.

Elliott Smith“Coast To Coast” (“From a Basement on the Hill”, 2004).
Rodrigo: Considero de alguma forma Elliott Smith uma grande influência pro “Dias em Lo-Fi”, sempre o escutei mas até então não considerava muito essa influência à LuvBugs. Nesse álbum a gente acabou deixando umas camadas um pouco mais tristes que nos anteriores e “Coast To Coast” foi grande referência pra canções como por
exemplo “Ela Sabe o que é Certo”, claro que não é uma cópia, assim como todas as influências, a gente acaba fazendo do nosso jeito.

My Bloody Valentine“Only Shallow“ (“Loveless”, 1991).
Paloma: Vocal calmo e delicado mas ao mesmo tempo forte e intenso. É uma das principais influências shoegaze da LuvBugs.

Elastica“Stutter” (“Elastica”, 1995).
Rodrigo: Composição contagiante, batida dançante, “ritmo de acadimia”, fuzz rasgando o refrão, vocal cantarolado, cabelo no rosto, ufa, tudo que eu preciso nessa vida. E tento levar pra LuvBugs.

Oasis“Live Forever” (“Definitely Maybe”, 1994).
Paloma: Oasis é uma banda que apesar de controversa é inspiradora e me influencia na hora de compôr, mesmo que inconscientemente. “Maybe I just want to fly. I want to live. I don’t want to die”.

Lou Reed“Hangin’ Round” (“Transformer”, 1972).
Rodrigo: Lou Reed fez as melhores canções que ouvi na minha vida, ele é a maior referência musical, pode crer. Inventou tudo que eu ouço hoje e se alguma banda do mundo não tem nenhuma influência do Lou ou Velvet Underground eu nem preciso escutar. Essa canção em especial, o jeito dele cantarolar a melodia ao mesmo tempo
que descreve a cena é mágico.

Courtney Barnett“Nobody Really Cares If You Don’t Go To The Party” (“Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit”, 2015).
Paloma: Essa música fala de situações que são reais na vida das pessoas e traduz perfeitamente boa parte do meu cotidiano. É assim com a maioria das composições dessa australiana que veio pra ficar e conquistou o coração da LuvBugs. “I wanna go out but I wanna stay home”.

Titãs“Taxidermia” (“Titanomaquia”, 1993)
Rodrigo: “Se eu tivesse seus olhos não seria famoso, eu não quero ser útil, quero ser utilizado, inutilizado, inutilizado”. Acho que foi meu primeiro contato com poesia dentro do rock’n roll. Esse som é referência pra qualquer coisa que eu faça.

5 Pérolas Musicais escolhidas a dedo por Gilbert Spaceh, do Early Morning Sky

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Gilbert Spaceh
Gilbert Spaceh

Todo mundo tem seus gostos, preferências e, é claro, seus garimpos no mundo da música. Com certeza tem alguma banda ou artista que só você conhece e faz de tudo para espalhar o som entre seus amigos e conhecidos. “Todo mundo precisa conhecer isso, é genial!” Se você é aficionado por música, provavelmente tem uma pequena coleção pessoal de singles e discos que não fizeram sucesso e a mídia não descobriu (ou ainda vai descobrir, quem sabe) que gostaria que todo o planeta estivesse cantando.

Pois bem: já que temos tantos amantes da música querendo recomendar, o Crush em Hi-Fi resolveu abrir esse espaço. Na coluna “5 Pérolas Musicais”, artistas, músicos, blogueiros, jornalistas, DJs, VJs e todos que têm um coração batendo no ritmo da música recomendarão 5 músicas que todo o planeta PRECISA conhecer. Hoje o convidado é Gilbert Spaceh, fotógrafo e membro do Early Morning Sky e do Days Of Dahmer.

Beat Happening“Hot Chocolate Boy”
‘Hot Chocolate Boy’ é o grande hit do Beat Happening e do terceiro álbum de estúdio ‘Dreamy’, que foi lançado em 1991 pela K Records, gravadora de Olympia (EUA) liderada pelo próprio vocalista do Beat Happening Calvin Johnson. Conheci Beat Happening e Hot Chocolate Boy entre 93 e 91, sempre foi pra mim a maior referencia de todos os tempos”.

Sonic Youth“Silver Rocket”
‘Silver Rocket’ é uma das minhas músicas preferidas do Sonic Youth (tarefa muito difícil escolher uma). ‘Daydream Nation’ é o quinto álbum do Sonic Youth e Silver Rocket foi o segundo single deste grande clássico”.

Soundhead“Loop”
‘Heaven’s End’, álbum debut desta banda formada no sul de Londres fundada em 1986. Robert Hampson e sua esposa, Bex, fizeram lenda com o seu som psicodélico e barulhento se tornando uma grande referencia ao estilo shoegaze. Sou bastante influenciado pelas guitarras do ‘Loop’ e por Soundhead”.

Spaceman 3 – “Losing Touch with My Mind”
“Som hipnótico desta grande banda Inglesa. Que serve de referencia para a maioria das bandas shoegaze. ‘Losing Touch With My Mind’ é a musica que abre o album de estreia ‘Sound of Confusion’ do Spaceman 3“.

My Bloody Valentine“Cupid Come”
“Considero como um grande clássico do My Bloody Valentine e uma das minhas musicas preferidas. Sendo a maior referencia do grande álbum ‘Isn’t Anything’, tem uma linda melodia e guitarras com bastante reverb e bem barulhentas. MBV, grande banda Irlandesa”.

Construindo Weird Fingers: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Weird Fingers

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o Weird Fingers, projeto do garoto paranaense Raad Ferreira, que com 15 anos e muito tempo livre já lançou dois discos em 2017 e está pra lançar seu terceiro nesse mesmo ano, intitulado “Ciclos”. Todos seguem uma identidade lo-fi e noise. “Eu sou meio que péssimo tentando escolher essas coisas, 20 é um número pequeno ainda e vou me sentir meio mal deixando gente de fora, mas tá tudo bem! (Risos)”

Xiu Xiu“I Luv The Valley OH!”
“Essa é minha favorita de todas nesse mundo, e olha que é difícil pra eu sair nomeando assim! Tudo sobre ela me fascina, instrumentais desconexos e caóticos que se de alguma forma se encaixam tão bem! As variações entre músicas agressivas e calmas, a voz dolorida e assombrosa do Jaimie… Ah, as performances ao vivo também são de cair o queixo!”

Fábio de Carvalho“Paz Imensa”
“Era impossível não citá-lo nessa lista. Foi um dos primeiros artistas que me trouxeram inspiração para começar a gravar tudo sozinho. O cara é um dos melhores compositores nacionais dessa geração e com certeza um dos artistas mais importantes que eu escuto e espero escutar pelo resto da minha vida”.

Have A Nice Life“Burial Society”
“Pô, eu me amarro demais na atmosfera que eles conseguem criar, na forma como suas palavras, às vezes difíceis de se compreender conseguem penetrar tão fundo. Amo demais os sons sujos e marcantes!”

Sonic Youth“100%”
“Outra que tá no meu top 3 bandas favoritas. Sério, não tem como não amar Sonic Youth e todo mundo sabe. Eu até faço referência ao álbum “Daydream Nation” na letra de uma música minha!”

Sigur Rós“Gobbledigook”
“Essa fecha meu top 3 bandas inspiradoras demais que eu amo e nunca saem da minha cabeça! Tudo bem que meu som não lembra tanto assim, mas eu me inspiro bastante na parte dos vocais, que me deram muita mais coragem pra soltar minha voz do jeito que ela é”.

Theuzitz“Sinédoque, SP”
“Lembro quando eu fui ouvir o “Peso das Coisas” pela primeira vez e tava achando meio “bleh” no começo, e me arrependi uns 15 segundos depois quando começou aquela barulheira muito doida da primeira faixa. Inspirei muito nele pra começar a gravar coisas mais acústicas”.

Neutral Milk Hotel“In The Aeroplane Over The Sea”
“Simplesmente genial! Também me influenciou muito mesmo pra começar a compor mais coisas acústicas e deixar de lado à sujeira”.

Elvis Depressedly“Thou Shall Not Murder” 
“É meio besta na verdade, mas é um dos meus favoritos nessa pegada “bedroom pop”. Eu pego bastante do vocal do Matthew, e também foi um dos grupos que me inspirou mais à trabalhar com sintetizadores”.

Message to Bears“Farewell, Stars”
“A atmosfera, ambiência, uma coisa etérea assim. Esse projeto solo do multi-instrumentista Jerome Alexander, é sensacional, daquelas músicas que tu chora ouvindo, sem nem mesmo ter letra alguma. Eu comecei a aprender dedilhados e afins por causa desse projeto na verdade!”

Bon Iver“Flume”
“Eu comecei à ouvir recentemente, e fiquei tão encantado que passei bastante coisa dele pra esse meu último disco. (que foi mais folk que roquinho). também me trouxe mais confiança na minha própria forma de cantar”.

Lupe de Lupe“Eu Já Venci” 
“Essa é “aquela”. A que bate forte mesmo. Acho que além de influenciar muito na minha sujeira sonora, me trouxe também confiança pra cantar mais do meu próprio jeito!”

Flying Saucer Attack“Wish”
“Minha banda favorita de ~shoegaze~, nas minhas primeiras músicas (queime meus brinquedos/caraca bicho) eu tava ouvindo muito essa banda, e não vou mentir, tive que fazer alguma coisa meio parecidinha! A diferença é que o som deles é 190000x melhor”.

Spencer Radcliffe“Mermaid”
“Acho que é um dos produtores popzinho lo-fi mais subestimados. As melodias do “Looking In” me marcaram de um jeito sensacional”.

Slows Down“The Way Down Leerin”
“Daquelas bandas obscuras que tu acha aleatoriamente e se apega demais! Acho que tudo que for meio esquisito avant não sei que lá me pega de um jeito bom demais e eu acabo transmitindo pras minhas próprias músicas”.

Jason Anderson, Wolf Colonel“That’s My Life”
“É uma espécie de junção de dois projetos do mesmo artista, só tem um disco e é uma coisa linda demais, eu amo como se alterna entre vários gêneros diferentes nas faixas! “that’s my life” é uma música que bate forte demais. Aliás a gravação é genial”.

gorduratrans“você não sabe quantas horas eu passei olhando pra você”
“Me deram aquela força de vontade inicial pra começar a gravar tudo sozinho e me fizeram gostar cada vez mais de barulheira, daquelas de derreter a mente”.

Teen Suicide“we found two dead swans and filled their bodies with flowers”
“Poxa, muito por causa deles eu não tive medo de gravar as coisas com os recursos que eu tinha e fazer algo muito bonito, é uma banda que eu ouvi demais em momentos difíceis também, e quando tô por um momento difícil é quando componho, então já viu. (Risos)”

Beat Happening“Cast A Shadow”
“Acho que o mesmo caso de vários já citados acima, envolvendo a forma de produção principalmente, sem contar que os caras fazendo realmente tudo sozinhos e se divertindo demais, sem se importar com o que iam pensar te enche de emoção.

Gregory And The Hawk “Oats We Sow” 
“Uma das maiores influências do “ciclos”. Vocais lindos demais, letras lindas demais, instrumental simples e cativante, não tem como não amar!”

Daniel Johnston“True Love Will Find You In The End”
“Um dos artistas que eu escuto ate doer os ouvidos. me influenciou demais tanto na forma de produzir e na parte das artes, que eu faço todas sozinho com desenhos bem minimalistas”.

Construindo Nycolle F: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

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Construindo Nycolle F

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora, compositora e instrumentista Nycolle F, que lançou no final do ano passado seu EP “When The Sun Comes”.

Drop Nineteens – “Shannon Waves”
Bom, quero por esta música em primeiro lugar pois ela tem uma certa significância para mim. Algo enigmático, surpreendente… (In)felizmente (não sei) eu diria que sou uma pessoa complicada para gostar de músicas facilmente. A melodia sempre foi o que realmente me atraiu ali. A sequência de notas, a linha de baixo, etc, cada instrumento fazendo seu trabalho ali. Uma simples coisa pode desviar todo o meu caminho na tentativa de apreciar tal som. Mas voltando ao assunto, diria que “essa é a música”, a minha música! 100% da forma que amo. Soa como uma viagem astral… Ou sentir-se fora de si, viajando num carro velozmente enquanto o sol nascente se exibe e o vento brinca com seus cabelos… Correr freneticamente por entre ruínas… Ou simplesmente apreciar a lua e seus mistérios. Para que letra? Se a melodia já fala por si só. Talvez seja esse o motivo de eu fazer muitas músicas instrumentais. ‘Eu canto através de minha guitarra’.

Elliott Smith“Roman Candle”
A primeira vez que o ouvi foi graças a música de Portland nos anos 90, conhecido pelo movimento grunge também que não gosto de dizer que é apenas bandas de Seattle, afinal, algumas bandas não foram nem formadas ali e são bem relembradas pelo mesmo. Diria que entre Seattle e Portland, eu escolho mil vezes Portland. Conheci essa pérola após ouvir Hazel, o clássico “Day Glo”, som amável e que me causa uma certa nostalgia sobre meu passado quando o assisto. E caçando bandas de madrugada no YouTube, eis que aparece a Madonna cantando “Between the Bars” do Elliott e já havia lido em alguns sons o nome dele nas descrições de alguns sons do Heatmiser. Resolvi ouvir e havia gostado e aí sim comecei a ir clicando nos vídeos ao lado para conhecer melhor os sons. Logo me apaixonei… A letra dessa música realmente me deixa triste e sinto essa energia que Elliott deixou pra gente nela… E coisas em comum. O violão ali…….. Quando aquele sublime toque continuo e devastador na guitarra aparece… O mistério. Sem palavras.

Cay“Skool”
Cay foi uma banda irada dos anos noventa. Um som rasgado, da forma que amo. Melhor dizendo, grunge! Anet Mook é uma das minhas inspirações como musicista ainda mais por ser mulher. Um vocal único e que merecia mais reconhecimento. Infelizmente Anet morreu de uma forma trágica… Li que ela foi atropelada (E sóbria! Ela tinha problemas com drogas) por um trem, outros dizem que foi por um ônibus. Não sei qual é a informação real. Alguns crêem que foi suicídio. mas mesmo assim, sempre associo a morte dela com esse som. É algo inevitável… E amo a letra dessa música.. simplesmente diz demais essa melodia, e a letra fortalece mais ainda… “I have nothing to wear, it’s not that i don’t care, don’t wanna freak you out […] I’ll have another cigarette Before it’s time to go to bed […] The weather is so bad, and tv makes me sad… Enfim, uma melancolia, a vida. Tive a honra de ser respondida por um integrante da banda pelo g+, sobre esse som.

Sisters of Mercy“Walk Away”
Esse som é incrível… Amo a energia dele. O vocal expressivo e contagiante do Andrew… Eu adoro essa sequência de notas, adoro demais e costumo usar algo assim nos meus sons. Amo essa euforia que esse som me causa, um arrepio… Me causa uma certa associação com licantropia. Música sem palavras… Apenas sentir!!
Well, eu escolho to walk away, Andrew. Vamos.

Ammonia“Small Town”
Poxa… Uma instrumental incrível. Essa linha de baixo já diz tudo! Quando a ouço, me imagino em Portland ou Seattle, andando de skate nos anos 90 enquanto o sol se põe… E claro, esse som tocando no fundo, como se eu estivesse num filme ou clipe. Essa associação de cores como a do sol poente… Aaaaaah. Sempre interferindo nas minhas viagens.

Radiohead“You”
Uma certa paixão por esse som. Conheci Radiohead após ouvir o som “The Bends” porque foi assim que me despertou aquela coisa complicada que citei na primeira música. Costumava achar que era uma banda de meros idiotas (risos). Amo a melodia dessa também, e sim, gosto de letras também e Radiohead tem letras maravilhosas. Também gosto muito de ouvir a clássica “Fake Plastic Trees” pois lembro de ouvi-la quando pequena, talvez na TV, rádio, não me recordo e até gosto disso, o mistério. Aquela nostalgia boa… É admirante. E quando ouvi “You” a primeira vez, fiquei impressionada! Que música sensacional, olha essa melodia… A forma como Thom canta, MAS A PARTE EM QUE O JONNY MANDA A VER.. sem palavras. É um pouco esquisito porque quando a ouço, lembro de uma música de um lugar de noite de um jogo de corrida do Sonic, que inclusive gosto muito dele. Prosseguindo: o amor é tanto que tenho até a versão do álbum “Manic Hedgehog” (olha aí uma coincidência e referência) da fase inicial deles, época em que se chamavam On a Friday. Jonny me despertou muito interesse, passava horas pesquisando sobre ele e ele é um ser único e muito inspirador. Amo como ele faz música com amor e vários instrumentos e a relação dele com pessoas de vários países.

The Muffs“My Crazy Afternoon”
Como explicar meu amor por essa doce banda? Kim Shattuck é uma grande inspiração para mim! Amo a forma e me identifico como ela toca, a pegada sabe? Gosto disso com distorção. No começo achei uma porcaria após ouvir o som “How I Pass The Time” porém quando fui dormir… Quem disse que a música não tocou mentalmente praticamente até eu adormecer? Hoje amo esse som também. The Muffs tem uma coisa única pra mim, que se destaca entre muitas bandas com mulher. Bom, sobre “My Crazy Afternoon”, a minha versão favorita é a demo do álbum “Hamburger”. Adoro as letras meio “que?” Deles.

Alice in Chains“Rotten Apple”
Alice in Chains foi a banda que me introduziu nesse mundo musical, graças a uma pessoa que eu seguia no Twitter que postou uma foto deles e meu interesse por ouvi-los despertou porque nesse mesmo dia havia visto no busão um cara loiro do cabelo comprido semelhante ao Jerry Cantrell. E acabei amando fortemente a banda, o que me fez conhecer grunge, até mesmo shoegaze e assim se foi. Esse som tem aquele enigma que aprecio demais, especialmente a linha de baixo. Que letra… Grande Layne. Mas sobre a banda, não descarto a falta de honestidade contra o Mike Starr… Meu ex membro favorito da banda. Muitos assuntos escondidos… Enfim, devo o meu conhecimento musical atual e futuro graças a eles!

Wipers “The Lonely One”
Wipers é uma banda muito irada e que inspirou muitas outras, inclusive nirvana. Grande Greg Sage. Esse som carrega (mais uma vez) um enigma, e pesado. O início soa como algo bonito… Porém logo soa como algo “preocupante”. E então depois ela fica mais preocupante ainda.. angustiante.. “The Lonely One”… Só ouvindo mesmo para compreender (ou talvez seja mais uma viagem da minha cabeça)…

The Mission“Neverland”
Conheci The Mission numa situação meio inusitada… Ela tocava em outro lugar e eu tentava ouvi-la, achava estranho mas era acolhedor aquele som causado por um ebow. Era “Butterfly in a Wheel” sendo tocada… Logo parei para ouvir a discografia e senti uma afeição por essa banda por causa do modo e das pessoas que através dela a conheci. Bem, essa música tem aquela coisa mágica e acho que sempre vou associa-la com aquele dia. Era um dia ensolarado e lindo… Casinhas acolhedoras ali… E muitas caminhadas paralelas. E mais tarde o céu com tons laranjas do sol poente.

Sonic Youth“Sweet Shine”
Sonic Youth é uma das bandas pioneiras que influenciou muitas outras, isso é fato. Amo a pureza da voz da Kim Gordon nesse som, como ela encaixa o “cantar” dela na melodia tocante, acolhedora… Me sinto num jardim florido, um dia frio mas que logo uma faixa de luz solar ilumina o ambiente… E me guia para mais distante, por entre as árvores enormes. Deixe-me incluir “Green Light” aqui, baita som.

Mirrorring“Drowning the Call”
Simplesmente belo. Tocante, viagem astral. Uma coisa que me faz ama-la mais ainda é o que ela me faz imaginar. Eu amanhecendo num cemitério enquanto o dia ainda está escuro porém com toques da presença do sol que está por vir. Um vestido branco imenso desfiado, muitas flores amarelas em volta de mim, em cima de um túmulo velho e preto. Sensação de conforto por entre os mortos e almas que me observam como pais contentes ao ver seu pequeno filho. Ainda pretendo pintar um quadro expressando isso (se eu estiver viva até lá).

My Bloody Valentine“When You Sleep”
Uma pérola vinda de um álbum icônico do shoegaze. Cheguei a esse som graças ao grunge. Pesquisas e pesquisas no YouTube por algumas horas até chegar em “Crazy For You” do Slowdive e esse som aparecer. Foi amor a primeira vista, logo me sentia correndo num jardim, com todos os problemas inclusive os futuros resolvidos! Uma sensação de liberdade e de vontade de viver. Se bem que muitas letras de músicas que gosto acabam não tendo alguma relação com o sentimento que elas me causam, mas não vejo como um problema.

El Otro Yo “Paraiso”
Conheci El Otro Yo através de um argentino também removido de um grupo de fãs de maioria mexicana do Radiohead (eu fui porque não me comunicava com frequência por também não saber falar muito). Resolvemos conversar e pedi uma playlist a ele e ele quis uma minha. Assim conheci uma banda punk irada chamada Flema. Ele havia colocado o som “No Me Importa Morir” do El Otro Yo e logo curti por ser semelhante às bandas que gosto e parei para conhecer melhor e esse som me cativou. A letra demonstra uma coisa frequente nesse papo de morrer e ir pro céu ou inferno (bleh) e tem o toque do mistério de imaginar o que será que vai ocorrer quando partirmos. Gosto demais, muito mesmo. Admirante.

Slowdive “So Tired”
Essa música carrega uma dor e melancolia pesada. Quando lhe passa na mente talvez a última solução que tenha sobrado para a vida, a dor. Acabar com a dor. Mas talvez não, mas talvez sim… É. Rachel e sua belíssima voz, expressando em poucas e repetitivas palavras. basta fechar os olhos e procurar sentir essa dor que muitos vivem (e que ninguém ouve, mais tarde julgam) sendo expressada.

Clan of Xymox“Jasmine and Rose”
Uma música que me causa um arrepio, algo imenso dentro de minha alma! É lindo o que essas bandas dos 80s carregam, especialmente a da cena gótica. Esse som também é semelhante a Sisters of Mercy, mais próxima do som que também amo e muito, “Walk Away”. Que vibe… Correr por entre ruínas.

Yann Tiersen“La Boulange”
A mistura de vários instrumentos com um violino. Instrumentais e seus “feelings”. Me emociona ouvir essa música, violino é algo tocante demais para mim a ponto de as vezes me fazer chorar. É algo realmente belo e tocante. Inexpressivo em palavras.

Zazie e Dominique Dalcan“Ma Vie En Rose”
Talvez eu admire tanto essa canção (ou fortalece minha admiração) porque ela foi criada para o filme Minha Vida em Cor-de-Rosa (título original é o mesmo da música), filme que sou apaixonadíssima! A história de um garotinho​ que sofre de transtorno de identidade de gênero e não é aceito. Um filme que sempre me toca quando assisto, recomendo demais! O legal foi que eu o encontrei num livro escolar de português numa parte própria para recomendações de filmes e livros e me apaixonei pela capa; o pequeno Ludovic (ator principal) voando no céu em uma de suas fantasias. Logo fui atrás para ver. Amo a beleza dessa música e a melodia e a suave voz de Zazie. Muito admirante.

Hossein Alizadeh“Lullaby”
Tenho uma afeição especial por coisas/pessoas do Oriente Médio, até mesmo pelo cinema que costuma retratar a realidade cruel e a simplicidade deles. Esse som foi composto para o filme Tartarugas podem voar, um dos meus favoritos. Chocante e devastador… Violino e seu poder de expressar unicamente, mais essa bela voz feminina acompanhando. A dor das crianças em relação aos ataques e minas espalhadas por todos os lados, destruindo vidas. Também acabam optando por escolher a morte… (Veja e você irá entender).

The Replacements“Over The Ledge”
Acho Replacements uma banda muito irada. Esse som “é o som”. Sinto uma vontade imensa de correr na chuva quando a ouço, uma coisa gritante que se acende em mim… Amo especialmente quando Paul grita de uma forma próximo do final como se fosse um pedido de ajuda… A voz ecoando e aquela baita linha de baixo nota 1000! Amo imensamente. Gosto também de alguns sons da carreira solo do Paul, como um som chamado “Let The Bad Times Roll”. Chega a ser confortante ouvi-la em momentos frustrantes… So, let the bad times roll… É o melhor a se fazer…

Construindo Old Books Room: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Old Books Room

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quinteto de Fortaleza Old Books Room indicando as músicas que mais influenciaram seu som.

Nirvana“Pennyroyal Tea”
Ricardo: Meu primeiro contato com o gênero rock and roll foi ainda criança botar para tocar um antigo disco de 94 do meu irmão mais velho. Pra sorte minha e ruína dos meus pais, ao ouvir pela primeira vez aqueles gritos derretendo pregos, foi paixão por aquele tipo de música que eu nunca tinha ouvido antes. Depois daí Nirvana se tornou influência pra uma vida, que logicamente é refletida nas nossas músicas.

Smashing Pumpkins“Soma”
Ricardo: Como não citar a música que leva meu solo favorito de guitarra. É impossível não se render a essa odisseia sonora que os Abóboras construíram e que culminam num dos solos mais incríveis de guitarra se puxamos pro feeling. Essa música mexe com a gente até hoje e com certeza SP também é parte fundamental no meu crescimento como apreciador de música.

Silverchair“Emotion Sickness”
Ricardo: Lembro de muuuitas tardes de sábado ou sexta que passei a tarde gastando e corroendo o mais foda disco do Silverchair, “Neon Ballroom”. Na época em que alugávamos discos pra piratear e ouvir, esse com certeza rendeu muita grana ao dono da locadora que tinha cadastro. E “Emotion Sickness” é o carro chefe forte pra sintetizar a beleza que esse disco mostrou ao mundo. Um dedilhado forte e comovente, teclados e synths incríveis, ele te transporta pra uma atmosfera sombria que descreveu muito bem aquela agonia que a gente não sabia descrever.

Placebo“Follow The Cops Back Home”
Ricardo: Conheci Placebo pelo último disco lançado por eles até aquele momento. Foi todo um caminho reverso onde só tive mais certeza que aquela voz blasé anasalada cheia de ironia e aqueles riffs de guitarras diferentões iriam marcar a minha maneira de escrever músicas e letras. A atmosfera mergulhada em delay que essa música traz te deixa paralisado e é uma das melhores pedidas para um pôr- do – sol e um suicídio coletivo, brincadeira sobre a parte do pôr-do- sol.

Ride “Dreams Burn Down”
Ricardo: Ride e My Bloody Valentine foram as bandas que nos introduziram ao shoegaze e “Dreams Burn Down” foi a primeira música do gênero que eu e o Reinaldo escutamos. Se nos nos intitulamos uma banda com o som puxado pro estilo, tenha certeza que “Dreams Burn Down” contribuiu pra isso.

My Bloody Valentine “Sometimes”
Ricardo: Depois de Ride veio My Bloody Valentine e como não cair de amores pela linda e incrível Bilinda Butcher e seus comparsas. Nós, virjões que éramos. Brincadeira, mas o violão maroto na frente dessa parede imensa de efeitos de guitarra acalma qualquer espírito.

Slowdive“Mellon Yellow”
Ricardo: Pra fechar a tríade shoegaziana não se podia deixar de fora Slowdive. “Mellon Yellow” também sintetiza o que a atmosfera barulhenta e melancólica pode causar se você não tomar cuidado e fugir. Caímos em um posso de melancolia que atinge nossa música até hoje.

Interpol“The New”
Ricardo: Interpol influenciou profundamente a nossa maneira de ouvir e entender música. Uma das nossas bandas favoritas sem dúvida alguma. “The New” traz poder e suavidade impossíveis de ser separados, onde no começo é um mar de calmaria, e no fim vem à tempestade. Paul Banks e cia escreveram músicas e letras que marcaram nossas vidas.

Verdena“Luna”
Ricardo: Graças a uma prima italiana que sempre passou as férias por aqui, tivemos acesso a essa fantástica banda de rock italiano. Me lembro da minha prima mostrando o videoclipe de “Luna” pra gente, um dedilhado que vai crescendo e ganhando força a medida que os pedais são pisados que posteriormente saberíamos que era marca registrada da banda. Foi um vício de meses, mesmo sem entendermos muito as letras. Mas música às vezes nem precisa de entendimento.

Jeff Buckley“I Woke Up In Strange Place”
Ricardo: Conhecemos o Jeff lá pras bandas de 2007 e desde lá o cara é presença marcante nas nossas playlists de cada dia. Com a voz incrível e um lirismo fodido o cara foi único e essa música é um hino pra galera que gostar de encher a cara e acordar em lugares desconhecidos.

Foals“Red Socks Pugie”
Ricardo: Foals é uma das maiores influências da Old Books Room. O domínio que essas caras têm e a construção das músicas é quase como lapidar um diamante. “Red Socks Pugie” não foge a dessa construção e o casamento perfeito que bateria, guitarradas delayzadas e baixo fazem tornam essa música incrível, um dia a gente chega lá, né…

Sonic Youth“JC”
Ricardo: “JC” é a valsa mais desafinada da história, e isso a torna diferente e barulhentamente linda. Acho que todos que valorizam um pouco de noise já viajaram bastante na voz envolvente da Kim, nós não somos exceção.

Queens Of the Stone Age“Make It Wit Chu”
Ricardo: Um vício que toda vez que toca faz o teu corpo mexer bastante. “Make It Wit Chu” traz uma das levadas mais sensuais da história com um puta solo que de jeito algum poderia ficar fora dessa lista.

Tame Impala“Apocalypse Dreams”
Ricardo: Tame Impala é uma das maiores bandas da atualidade e tem influenciado bastante nosso som, acho que dá pra dizer isso eles se tornaram um porto seguro pra muitas bandas que estão adentrando na nova psicodelia. Cito “Apocalypse Dreams” porque foi onde tudo começou pra gente.

Violins“Sinais de Trânsito”
Ricardo: Muito enganados aqueles que acham que nós não temos influências nacionais. Pra começar, cito a música que me fez conhecer uma das melhores bandas brasileiras. Com letras incríveis e bastante diferentes da maioria das letras clichês que vemos por aí, Violins é um dos principais motivos pra fazermos música em português (spoilers do próximo disco).

Red Run“Hard Shine”
Ricardo: Red Run talvez tenha sido a banda que me colocou no mundo do rock. Por quê? Foi um dos primeiros shows que presenciei e que curti tanto que tive certeza que também gostaria de fazer aquilo que aquele quarteto fazia. Talvez uma das maiores bandas que surgiram em Fortaleza, ficou sendo uma das minhas favoritas. “Hard Shine” é a música que cansei de berrar junto nos becos sujos e quentes da cidade.

2Fuzz“My Device”
Ricardo: Assim como Red Run, 2Fuzz era de Fortaleza City e também foi essencial para começarmos a colocar nossos projetos pra frente. Com uma forte influência de Soundgarden e das outras bandas de Seattle, 2Fuzz fazia shows incríveis. Fica o registro de “My Device” como primeiro e favorito hit que ouvi dos caras.

Bombay Bicycle Club“Always Like This”
Ricardo: Assim como Foals, BBC é uma das bandas prioriza gigantescamente a qualidade do instrumental, e isso nós mostrou bastante o esmero que se tem que ter ao compor os arranjos pra cada canção. Fica aí “Always Like This”, música que embalou muita vibe boa.

Dinosaur Jr. “Out There”
Ricardo: Uma das lendas dos anos 90 que tão nos corres até hoje, não tínhamos como deixar de lado a mágica que o J.(esus) Mascis faz com suas fenders. Que domínio de fuzz e wah wah meus amigos. “Out There” acelera loucamente o peito.

Nine Inch Nails“We’re In This Together”
Ricardo: Pra finalizar a “escuridão” envolvente desses caras é fundamental pra mostrar o caminho que nos synths planejam percorrer. Trent é um gênio que a gente curtiu demais. “We’re in This Together” traz uma energia que não consigo descrever, tente ouvir e ficar parada se puder.

Construindo Leila: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

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Leila

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o a banda de Campinas Leila, formada por Bruno Trchmnn no electro-saz e Waldomiro Mugrelise na bateria.

Mattar Muhhamed“Mabruk Alek” (do disco “Belly Dance”)
Dificil escolher uma musica do Mattar, meu grande heroi do buzuq. Tem vários videos dele tocando no youtube, alguns em festas que eu gosto muito. Conheci ele logo que caiu um buzuq em minhas mãos e logo foi a primeira referência que encontrei. Essa é uma musica comum de dança do ventre.. As vezes eu escuto um improviso dele só pra conseguir pegar uns 5 segundos pra tocar depois e esses segundos rendem uma musica de 20 minutos. Eu amo esse cara.

Samira Tawfic“Anin El Naoura” (do disco “Anin El Naoura”)
Samira Tawfic é uma cantora libanesa que canta em um dialeto beduíno da Jordânia. Eu conheci ela em um cassete muito tosco, todo saturado, e ainda hoje acho estranho ouvir ela com um som limpo, porque pra mim era muito pesado (risos). Esse som eu adoro que começa com um buzuq, e a voz dela é linda.

Omar Korshid“Enta Omri” (do disco “Tribute to Om Koulsoum”)
Omar Korshid é um guitarrista, a musica é de Umm Kulthum e Mohamed Abdel Wahab. É apenas a introdução da canção original, e é um tema muito famoso. Omar é o rei da guitarra árabe, e como quase todo músico da época era também ator de cinema. Essa é talvez a única música árabe que eu realmente aprendi a tocar (mal).

Sivam Perwer“Yarê” (do disco “Lê Dilberê”)
Sivan Perwer é curdo, canta e toca o saz Por anos suas fitas foram proibidas na Turquia, Iraque e Síria por serem cantadas em curdo. É musica de luta, é muito direta e muito forte, é lirismo de combate. O saz tem esse som enorme na mão dele é só esse acompanhamento, esse disco tem um som grandioso que eu gosto muito.

Sun City Girls“Sev Archer” (do disco “You Are Never Alone With an Cigarette – Singles Vol 1.”)
Sun City Girls é algo sem volta, eu conheci por acaso um disco de singles “You Are Never Alone with a Cigarette” e peguei pelo nome, e quando ouvi foi um choque. Liberdade pra fazer o som que quiser, como quiser, onde quiser. Esse som tem muito das guitarras da musica árabe, mas o SSG é muito mais, free jazz, Vietnã, Marrocos, Kali, Iraque, espaço sideral, passado, futuro, vodooo, tabaco, ranho de camelo e drinks de vinagre. Sir Richard Bishop, Alan Bishop e Chales Gocher, amém. SSG é minha religião.

The Cure“A Forest” (do disco “Seventeen Seconds”)
Eu nunca passei pelo punk na adolescência, isso veio depois. Eu cai direto no post-punk e essa é basicamente a música que eu mais ouvi na vida. Esse som é perfeito, não é nem um som pra mim, é um lugar. As guitarras, e esse pulso que rola. Foda.

Sonic Youth“Bull in the Heather” (do disco “Experimental Jet Set, Trash and No-Star”)
Sonic Youth pra mim é uma obsessão, cada mês um disco diferente é o meu favorito, então tentei escolher um som sem pensar muito. Gosto do espaço nesse som, é esse lance dele ser tão simples e bastante emotivo para o Sonic Youth. Eu só “aprendi” a tocar guitarra porque li sobre as afinações que eles usam e isso me incentivou a afinar como eu bem entendia e tocar como eu quisesse.

Le Trio Joubran & Mahmoud Darwish“Sur Cette Terre – Faraadees” (do disco “A l’ombre des Mots”)
Mahmoud Darwish é o grande poeta da causa palestina, um dos maiores poetas da poesia árabe moderna. Le Trio Joubran é um trio de oud também palestino. Eu conheço a poesia por traduções, não sei nada de árabe. Esse som eu ouvi primeiro solto, sem o resto do disco, tipo uma pedrada.

Victor Jara “El Derecho de Vivir en Paz” (do disco “El Derecho de Vivir en Paz”)
No começo do Leila (quando chamava Para Leila Khaled) a ideia era alternar entre barulho, drone e canções como essa. Essa fase não tem quase gravações, mas quem foi nos shows deve ter visto um instrumental desse som outras canções como “Bella Ciao”. Inacreditável de bonita.

Stereolab“Crest” (do disco “Transient Random-Noise Bursts With Announcements”)
Stereolab pra mim é catarse e emoção, não sei da onde tiram que é uma banda blasé. O primeiro disco, “Peng!” foi o disco que eu mais ouvi na vida. Guitarra, farfisa, socialismo ou barbárie. A letra dessa musica é a minha favorita do mundo “If there’s been a way to build it, there’ll be a way to destroy it. Things are not all that out of control”.

Markos Varvamkaris – “Taxim Zeimpekiko” (do disco “Ta Matoklada Soum Lampoun”)
Markos Varvamkaris é um dos grandes inovadores do bouzouki grego como instrumento solo, não dá pra falar de bouzouki sem falar do Markos. Esse som é um improviso, com uma canção no final. Dá pra sentir o cheiro de cigarro.

Dariush Dolat-Sahi“Sama” (do disco “Eletronic Music, Tar and Sehtar”)
Ele foi um músico iraniano que estudou música eletrônica em Columbia-Princeton, onde esse disco foi gravado. Eu não sei sobre como essas músicas foram feitas, mas tem uma sensação de improviso que eu gosto muito, e essa colagem de sons. Essa é uma referência bem óbvia pro Leila.

Velvet Underground “European Son” (do disco “Velvet Underground & Nico”)
O Velvet pra mim são os bootlegs, eu coleciono (o que com a internet é bem fácil na real). É alto, é livre, as músicas se estendem por 30 minutos. La Monte Young, Ornette Coleman, Bo Didley, tá tudo ai. Um pouco disso está condensado nessa faixa de estúdio. As guitarras do Lou Reed são incríveis, no disco não dá muito pra sacar quão doidas elas são.

Sun Ra“The Night of the Purple Moon” (do disco “The Night of the Purple Moon”)
Difícil escolher um som do Sun Ra, mas esse é do disco que eu mais ouvi. Sun Ra é algo que posso ouvir a qualquer hora, qualquer dia e sempre vai ser exatamente o que eu precisava ouvir. O que eu mais gosto é como parece um som feito com prazer, não é um improviso cerebral e frio nem mesmo agressivo, é livre e solar (sem trocadilho).

Kamylia Jubran & Werner Hasler“Miraat Al-Hijarah” (do disco “Wameedd”)
Kamylia Jubran é uma artista palestina, e uma das fundadora do Sabreen, um grupo palestino renovador da canção árabe e profundamente envolvido com a causa palestina e a luta política. Nesse disco ela canta e toca oud com Werner Hasler, um suíço que entra com os eletrônicos. Eu não sei muito sobre ele, mas esse disco é maravilhoso. Tudo da Kamilya Jubran é incrível, especialmente o oud, mas essa música tem apenas alguns fragmentos do oud e a voz e é muito forte.

Vibracathedral Orchestra“Magnetic Burn” (do disco “The Queen of Guess”)
Vibracathedral é um grupo de improviso (eles dizem que são mais jams que improvisos na verdade) de Leeds. Eles gravam tudo que tocam e lançam boa parte disso. Um tempo atrás eu tinha até medo de mostrar essa banda pra amigos e ser acusado de plágio, mas tanto faz, sou obcecado por eles.

The Sisters Of Mercy“Temple of Love” (do disco “Some Girls Wander by Mistake”)
Eu disse que caí direto no gótico. Falam que é brega, mas é inveja. Olha esse som, é tipo uma cascata de veludo, como fizeram isso? Se eu fizer algo com um terço dessa textura eu fico feliz. A forma é legal também, esse riff em loop e esses eventos que vão acontecendo em volta. “Temple of Love” é meu “Blitzreig Bop”.

The Raincoats“Only Loved at Night” (do disco “Odyshape”)
Elas trocam de instrumento no meio da música, e tem uma nota que a baixista deixa soando para ter tempo de pegar a kalimba, a guitarrista fica só fazendo um chk-chk e depois tem um micro silêncio e o baixo volta com a linha de guitarra, dá arrepio até.

Colin Newman“But No” (do disco “A-Z”)
Catarse, sempre. Amo esse disco, é pura energia, a forma como esse som vai se construindo. O disco seguinte dele, o “Provisionally Entitled The Singing Fish” é instrumental e poderia ter mais a ver falar dele pelo lance de não ter vocal, mas o que me pega mesmo é a catarse desse som, essas melodias bonitas que ele vai empilhando e depois grita em cima essa letra meio mantra até não poder mais e fim.

Umm Kulthum“Zalamna El Hob Desk” (do disco “Zalamna El Hob”)
A diva do cairo, a voz do egito, o planeta do leste. Eu poderia escolher qualquer musica dela, conhecer sua voz mudou minha vida. Ouvir Umm Kulthum é ouvir uma voz que é amada por muitos, por todo mundo árabe e a diáspora. Essa música talvez eu tenha escutado mais que outras (sim, ela tem 39 minutos e isso é até curto para ela, suas apresentações duravam em torno de 4 ou 6 horas) porque caiu primeiro em minhas mãos, e alguns trechos ficaram gravados na minha mente, em especial alguns que eu sampleei e fiquei trabalhando por horas colando e cortando ouvindo em loop e tocando em cima.