Construindo Limonge: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

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Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o cantor e compositor Limonge, que recentemente lançou seu disco “Nem Todos São Como Astronautas”.

Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Foo Fighters“Walk”
Apesar de amar toda a discografia da banda, essa música em especial me fez refletir muito sobre levantar e caminhar novamente, diria que foi a primeira a surgir na minha mente quando comecei a compor esse novo álbum em todos os aspectos, arranjos, letra, temática e emoção, obrigado Dave Grohl.

Pearl Jam“Sirens”
Pearl Jam é a banda da minha vida, diria que praticamente tudo que o Eddie Vedder escreve me guia de alguma forma, mas foi “Sirens” que me ajudou a entender a passagem do tempo e perceber que somos frágeis a ponto de assumir nossos medos e expor o que pensamos, valorizando o que temos hoje, como se não houvesse amanhã.

David Bowie“Space Oddity”
Minha música “Astronautas”, primeira do álbum, foi feita com “Space Oddity” tocando em loop… é incrível se imaginar na pele de um astronauta, com o espaço ao seu redor e vendo o que se passa na Terra, aquela bolinha azul flutuando na imensidão, como algo tão pequeno.

Oasis“D’yer Wanna Be a Spaceman”
Também serviu muito de referência pra tematizar o álbum, os sonhos de criança gritando frente a realidade do mundo adulto.

Los Bunkers“La Velocidade de la Luz”
Pouca gente conhece essa banda chilena por aqui, mas essa música merece uma degustação especial, letra e música doces com uma temática similar ao que o “Nem Todos São Como Astronautas” quer passar, o tempo passa, é inevitável, tem muita coisa por aí que nos machuca, mas também há muito o que fazer pra amenizar a dor e olhar pra frente.

Coldplay“Clocks”
Adoro essa fase do Coldplay entre o “Parachutes” e o “Rush of Blood to the Head”, os arranjos e composições são sensacionais, usei “Clocks” como referência pra muita coisa desse álbum, é uma das que mais tocam na minha playlist quando penso na banda.

Semisonic“Closing Time”
Muita gente torce o nariz pra Semisonic, mas acho esse álbum “Feeling Strangely Fine” uma coisa linda… usei muitas músicas como guia quando comecei a compor, apesar de não ter quase relação com o álbum, acho justo estar na lista pois me guiou de alguma forma até aqui.

Florence & the Machine“Dog Days Are Over”
A crescente dessa música é uma das coisas mais lindas, viciei nisso quando comecei a compor e praticamente todas as minhas músicas tem algo desse tipo desde então.

Lulu Santos“Tempo/Espaço”
Lulu foi minha primeira grande referência musical, desde os 3 anos sou fã incondicional desse cara… quando ouvi essa música do álbum “Liga Lá” pela primeira vez, comecei a me encantar pelo espaço, olhar pro céu a noite ouvindo isso é incrível.

Skank“As Noites”
Outra banda de cabeceira… “Cosmotron” diria que foi o álbum que me fez parar de gostar de Skank e começar a amar… “são milhares de estrelas, singulares letras vivas no céu”, precisa dizer mais? Obrigado por isso Samuel Rosa.

Zimbra“Missão Apollo”
Ainda na temática espacial, essa em especial cruza com muitas músicas que escrevi pro álbum, principalmente “Estrelas Caindo Sob o Pôr do Sol”.

Skank“Seus Passos”
Segunda do Skank na lista e acho bem justo (risos), diria que é o momento em que o Skank encontra com o Oasis na esquina e fez nascer uma das músicas mais lindas da sua discografia… me influenciou muito ao escrever “Quebra-Cabeça”.

Foo Fighters“Best of You”
Sempre sonhei em ter uma música como “Best of You”, o questionamento, a força, a emoção em cada compasso… tentei fazer de “São” essa música, espero ter chegado ao menos no mindinho do Grohl com isso.

Paul McCartney“The Songs We Were Singing”
Meu Beatle favorito, com a música que abre meu álbum favorito dele… ouvi demais isso no processo de composição, acho a delicadeza com que ela começa algo maravilhoso, até explodir em um refrão forte, que celebra o passado, apesar de olhar pro futuro.

Travis“Boxes”
Porque não falar sobre a morte também? É a única certeza da vida. Temos tantos questionamentos, dúvidas, medos, sonhos, mas tudo pode acabar em um piscar de olhos. Essa música me fez enxergar que o amanhã pode ser hoje.

O Teatro Mágico“Reticências”
“Se lembrar de celebrar muito mais”, essa frase ainda ecoa na minha cabeça desde que ouvi a música pela primeira vez. A forma com que a música cresce no fim é incrível e também me fez querer evoluir no processo de composição como um todo. Tem um pouco dela em “Tudo Vai Passar”.

Beatles“Hey Jude”
Assim como “Best of You”, sempre quis ter alguma música que lembrasse, mesmo que como um eco, “Hey Jude”… “Tudo vai Passar” caminhou pra isso de forma natural, como homenagem bem clara, espero que Paul um dia se orgulhe de mim (risos).

Supercombo“Se Eu Quiser”
Depois de ouvir isso, comecei a questionar o que fazia. Diria que foi Supercombo que me deu o estalo pra largar um emprego “normal” e apostar na música pra seguir em frente, esse álbum talvez nem existisse se não fosse por isso.

Stereophonics“Dakota”
Aquele tipo de música que você coloca no som do carro pra viajar, me inspirou muito em alguns aspectos pra arranjo de algumas músicas, principalmente com os pequenos riffs com eco que entram ao longo dos versos.

Pearl Jam“Present Tense”
Pra finalizar, essa música me manteve vivo no pior momento da minha vida. Sem ela, eu não estaria aqui.

“Pra quem sobreviveu à fome e balas perdidas, encarar o Twitter é mole”, diz o rapper Flávio Renegado

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Flávio Renegado

“Basta de tempo ruim e clima fechado, tá brutal / Século XXI, racismo, ultravírus na rede social / Insultos mil: tição, macaco, criolo, complete a lista / Enquanto a KKK bate panela na Paulista”. Foi com versos como este, sem anestesia, que Flávio Renegado se apresentou no Criança Esperança, da Rede Globo, em outubro deste ano. A emissora, é claro, não ficou muito contente, já que é uma das apoiadoras dos que fazem uma verdadeira Timbalada de panelas toda vez que Dilma Roussef aparece na TV, ignorando os escândalos de outros partidos. A ala reacionária e conservadora da internet também não gostou, criticando e falando no clássico e sem sentido “racismo inverso”. E isso é ótimo. Significa que os versos do rapper atingiram exatamente quem deveriam.

O rapper mineiro atualmente trabalha seu recém-lançado EP “Relatos de um Conflito Particular”, que conta com sete faixas que mostram, além do rap, influências de reggae e funk, além de participações especiais de Alexandre Carlo, do Natiruts, e Samuel Rosa, do Skank. Em 2008, Renegado lançou o disco de estreia “Do Oiapoque a Nova York”, fazendo shows na Europa, Oceania e todas as Américas. O disco seguinte, “Minha Tribo é o Mundo” (2011), o levou a tocar em festivais como o Back2Black e o Rock in Rio, colaborando para o lançamento do CD e DVD “Suave ao Vivo” (2014), que contou com direção musical de Liminha e Kassin.

Conversei com Renegado sobre o novo EP, sua carreira e a cutucada na Rede Globo durante o Criança Esperança:

– Você participou do Criança Esperança, na Globo, e fez um verso que vai totalmente contra a ideologia da emissora, cutucando-a ao vivo. Como foi isso?

Fiz o que é o meu som e falei o que a minha música fala. Sou assim.

– Você sofreu algum tipo de crítica com isso?

Quem acompanhou o caso pelas redes viu as críticas e o nível dos comentários. Mas pra quem sobreviveu à fome e às balas perdidas, encarar o Twitter é mole.

– A música foi criada especialmente para a ocasião?

Sim.

– Me fale mais sobre “Relatos de um Conflito Particular”, seu novo EP.

Concebi este trabalho como um grito de alerta. A humanidade está dando passos rumo ao abismo e estamos apáticos. Não podemos achar normal a série de absurdos que estamos assistindo. São pessoas sendo julgadas e executadas por causa da cor da sua pele ou classe social e há uma crescente violência contra as mulheres e homossexuais, isso sem falar dos desvios de verba e crimes políticos. Considero “Os Relatos” uma carta de socorro dos humanos para a humanidade pois a situação é emergencial.

– A faixa “Rotina” conta com Samuel Rosa, do Skank. Como rolou essa parceria?

Somos amigos e estamos desenhando essa parceria há algum tempo. Rolou o protesto certo na hora certa, é muita felicidade no som.

– Quais as suas expectativas?

Estamos em fase de montagem do show e da turnê. Estou muito feliz porque está ficando afinado com a proposta do disco, música e visual. Quem acompanha o trabalho vai curtir a evolução.

– Quais são suas principais influências musicais?

Gosto da diversidade e minhas influências passam por vários lugares: James Brown, Bob Marley, Jorge Ben, João Gilberto, Planet Hemp, Chico Science e Nação Zumbi, Racionais e Public Enemy.

Flávio Renegado

– Como você começou sua carreira?

Comecei a cantar rap moleque no Alto Vera Cruz, tinha uns 15 anos. Mas considero o start da minha carreira quando lancei meu primeiro álbum o “Do Oiapoque a Nova York” em 2008.

– Você veio de BH. A cena do hip hop é forte em Minas Gerais?

Sim e está cada vez mais estruturada. A produção está em uma crescente e vemos uma nova geração super talentosa surgindo.

– Normalmente as pessoas polarizam o rap entre Rio e SP, criando inclusive uma rixa entre as cenas…

Man, eu transito bem pelas duas praças e acho que esse papo já ficou no passado. O rap é grande e somos uma família.

Flávio Renegado

– Você está construindo uma ONG no Alto de Vera Cruz. Me fala mais disso!

Estamos a todo vapor na estruturação dessa nova empreitada. Em breve vou poder contar mais detalhes.

– Recomende alguns artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Tenho escutado muito 3030, Haikaiss, Felipe Ret. Em BH particularmente descobri uma galera nova bem legal, Zarastrutas, vale a pena dar um check.

Abre alas, que o Carnaval pede passagem. As águas vão rolar?

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Amanhã começamos os quatro dias que todo brasileiro espera o ano inteiro. Chegou o Carnaval, e quer você ame ou odeie o feriado mais popular do Brasil, ele é uma verdadeira entidade que varre o país até a quarta-feira de cinzas, quando tudo volta ao normal e o ano começa de verdade.

Não, você não precisa adorar samba pra aproveitar o Carnaval (mas que fique bem claro que quem não gosta de samba, bom sujeito não é). Bom, de qualquer forma, acho que um blog que se diz musical não fazer pelo menos um postzinho remetendo à folia não estaria correto, né. Vamos a alguns momentos carnavalescos para acompanharem você, folião, no feriado que bate à porta.

Red Hot Chili Peppers com a Escola de Samba Mocidade Independente no Hollywood Rock de 1993

Ainda com um Anthony Kiedis cabeludo e Arik Marshall na guitarra, o show foi um dos últimos da turnê de “BloodSugarSexMagik”. Lógico que o quarteto que é fã de funk (até o atual, já que Flea ama o MC Guimê) e percussão não ia deixar passar a oportunidade de se misturar com uma bateria de escola de samba, né?

João Gordo e Clemente e o show Pagode Nuclear

Aqui em São Paulo temos um bloco de Carnaval especialmente dedicado ao punk, o Bloco 77 – Os Originais do Punk. Mas João Gordo e Clemente (Inocentes e Plebe Rude), junto com Mingau (ex-Ratos de Porão, atual Ultraje a Rigor) já haviam mostrado que punk também samba no projeto Pagode Nuclear, onde cantavam clássicos do punk em versão samba. Como “Pânico em SP”, que também está no repertório do bloquinho.

Carnaval é Legal, da finada Mtv Brasil

Sim, são muitos vídeos, e eu nem coloquei todos que encontrei. A Mtv Brasil sempre teve boas ideias para as datas comemorativas, e nos anos 90, o rock dominava a programação. Então, porque não misturá-lo às populares marchinhas de Carnaval? Tem de tudo: Raimundos, Skank, Virna Lisi, Chico Science, Garage Fuzz… todos caindo no samba e mandando as marchinhas mais populares de todos Carnavais.

Carnaval Metaleza de Bruno Sutter

Em 2013 a Mtv Brasil como a conhecíamos morreu, foi pro saco, tombou na vala. Isso foi péssimo, mas rendeu momentos incríveis de nostalgia e o último Carnaval da emissora, que chutou o balde e chamou Bruno Sutter (vulgo Detonator, ex-Massacration e ex-Hermes e Renato) pra fazer o Carnaval Metaleza. Não foi só a vinheta: rolaram escolas de samba (como a Kiss 9, Van Van Halen e Unidos da Vila Metallica) apuração e notas e tudo mais que o Carnaval possui!

Sepultura – Chaos BC

A mistura de metal com bateria de escola de samba vinda do Sepultura saiu no disco Chaos A.D. é meio que um remix com bateria de escola de samba e música eletrônica. Um samba do crioulo doido, na verdade, mas já era um prenúncio do que viria em “Roots”.

Então, bom Carnaval a todos. Divirtam-se e na quarta-feira de cinzas estamos de volta!

Thrills and The Chase lança seu novo clipe, “Jesus Is a Woman”, com apresentação em pub de SP

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O Thrills & The Chase é um respiro de ar puro (ou sujo, se você preferir) no rock independente nacional. O quinteto apresenta um som cru e dançante, com riffs que grudam na memória e uma bateria especialmente hipnótica. Com dois EPs lançados (“Introducing Thrills (And The Chase)”“Women, Fire and Dangerous Things”), a banda é figurinha carimbada nas boas casas que ainda recebem bandas autorais de rock na noite paulistana.

Formada por Calvin Kilivitz, Louis Daher, Guilherme Di Lascio, Zé Menezes e Cláudio Guidugli, a banda existe desde 2010 e lança amanhã seu segundo clipe, “Jesus Is A Woman”, em apresentação no pub Gillian’s Inn, em São Paulo. Conversei um pouco com o vocalista Calvin Kilivitz e o batera Zé Menezes sobre a banda, sua trajetória, a apresentação de amanhã e a importância do videoclipe hoje em dia:

Quando a banda se formou?
Calvin: Eu e o Louis (guitarra) tocamos juntos desde 2001. Tivemos 3 ou 4 bandas diferentes e tocamos com vários músicos diferentes, inclusive o Zé, que está no Thrills desde o final de 2010, quando fundamos a banda. Nessa época nosso baixista era um cara que hoje atende por Lance Lynx. O Guilherme substituiu ele em 2011 e no ano passado, viramos um quinteto com a entrada do Claudio.

De onde veio o nome Thrills and The Chase?
Calvin: O nome é uma corruptela de uma expressão em inglês, “it’s the thrill of the chase”, cuja tradução literal seria “é a emoção da perseguição”. Soa meio besta, eu sei, mas tem a ver com a sabedoria popular de que às vezes perseguir um objetivo é mais excitante do que atingi-lo.

Dito isso, o nome não tem nenhum significado em especial. Escolhemos esse porque soa legal e invoca aquele cliché de bandas que nomeiam um integrante principal e sua gangue (Paul McCartney & The Wings, Bruce Springsteen & The E Street Band, Josie & The Pussycats, Ronaldo & Os Impedidos, etc.), sem precisar eleger um de nós como membro principal.

Como vocês definem o som da banda?
Calvin: Essa é sempre uma pergunta difícil, mas a julgar pelo que andamos compondo, eu diria que somos “21st Century Motown Rock”. Não tenho certeza que essa definição pode ser levada a sério.

Quais são as maiores influências musicais de vocês?
Calvin: Além de várias bandas de rock (que é nosso estilo por definição), buscamos inspiração em blues, jazz, motown, pop, folk, eletrônico… soa meio vago, mas acreditamos que ser eclético é essencial para qualquer músico. Em qualquer faculdade, um especialista precisa de uma base de conhecimentos gerais daquela área, não teria porque ser diferente com música. Uma banda que só ouve ou só bebe de um gênero ou subgênero está condenada a ser pastiche de seja lá qual for sua influência, não acha? Então eu poderia fazer uma lista exaustiva que vai ter de Adele até The Zutons, passando por Helloween.

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Quais os maiores desafios de ser uma banda nova de rock no Brasil?
Calvin: Lidar com o fato de que já faz tempo que o rock não está no topo da cadeia alimentar da música popular. Das 100 músicas mais tocadas nas rádios brasileiras em 2014, de rock só tinha o Skank. E o som deles (que eu acho sensacional, diga-se de passagem) é muito mais maleável, muito menos caricato que o da maioria das bandas. O público daqui não tem uma cultura de descobrir bandas novas, acho que ainda faz-se necessária uma certa curadoria, mas mesmo esses canais já não tem a força de antigamente. O rock aqui não é música popular, a não ser que você considere as bandas que estão no mainstream, que vem de outra época, outro paradigma de indústria.

Existe espaço para uma cena rock no Brasil? O estilo pode voltar a dominar as paradas?
Calvin: A cena rock existe, ela só não tem o alcance (ou a presença) que nós gostaríamos. Os motivos disso são uma discussão longa que daria um outro artigo, até. Quanto à segunda pergunta, duvido muito. Não sei nem se isso é necessário.

O que vocês acham da ascenção do chamado “indie rock”?
Calvin: Quanto ao indie, bem… entendo por indie rock as bandas que surgiram na virada do século e que não se encaixavam automaticamente em um dos subgêneros que já existiam. Nunca entendi muito bem a necessidade de separar essas bandas do resto do gênero, a não ser um certo conservadorismo por parte dos fãs mais antigos. A real é que bandas como The Strokes, The Killers, Kings of Leon, Franz Ferdinand e etc. não só trouxeram um pouco de ar fresco mantiveram um estilo musical meio caducante presente na vida de muita gente que era nova demais pra ouvir Guns N’ Roses e Nirvana na época em que eles eram novidade. Ou no mínimo, impediram que as pistas de dança das festas rock atuais não soassem como uma coletânea da Som Livre. Algumas dessas bandas são sensacionais (Franz Ferdinand é a minha predileta), e outras são chatas que dói, mesmo. Mas isso é verdade em qualquer gênero, né?

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O pop domina as paradas internacionais, o sertanejo as nacionais. Onde está o rock?
Calvin: O rock está por aí, onde sempre esteve. Mas como eu disse antes, já não é o estilo que domina o mainstream. E isso é natural, tem a ver com a passagem do tempo, com a evolução tecnológica… há 40 anos atrás não era possível fazer música eletrônica, por exemplo.

Também pesa o fato de que todo movimento cultural que é de certa maneira rebelde (ou anti estabilishment) cedo ou tarde se dilui, ou perde relevância, ou é cooptado mesmo. Há 60 anos atrás o Elvis dançando era considerado obsceno. Hoje você tem a Nicki Minaj.

Isso não é necessariamente ruim. O mundo muda, a cultura muda, e o rock ainda tem espaço. O quão limitado (ou segmentado) é o alcance de uma banda nova depende de vários fatores – com quem a sua música ressoa, ou então o quão criativo você é. Hoje vejo muita gente, bem nova até, inconformada com o fato de que o rock já não tem mais a relevância de 20, 30, 40 anos atrás e repudiando o que se faz de novo por aí – como falei agora a pouco, ironia das ironias, o rock virou um estilo conservador.

Quais bandas dividiram palco com vocês e merecem ser ouvidas?
Calvin: Não posso responder pela banda toda, mas que eu ouço direto e recomendaria sem pensar duas vezes são o Martiataka, o Psicotropicais e o Pousatigres. Nunca toquei junto do Star 61, mas também adoro o trabalho deles.

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Se vocês pudessem fazer QUALQUER cover, qual seria?
Calvin: De novo, não posso responder pela banda toda, mas eu adoraria fechar um show com “That’s Life”, do Frank Sinatra.

Quais são os próximos passos do Thrills and The Chase?
Calvin: Estamos compondo um álbum que será lançado (a princípio, de forma independente) até o final de 2015. Nesse meio tempo, além do videoclipe novo, temos mais algumas faixas do projeto The Naked Sessions pra lançar. Talvez lancemos um EP com todas essas faixas.

Vocês estão prestes a lançar o clipe para “Jesus Is A Woman”.
Calvin: Esse é o primeiro clipe da banda em 3 anos. Foi dirigido pela Roberta Fabruzzi e assim como o primeiro (“Damsel In Distress”), o vídeo é menos focado na banda e mais numa estrela convidada. No caso de “Jesus”, temos uma pole dancer (Deborah Rizzo). O resultado final ficou muito bonito e estamos orgulhosos de participarmos de um clipe diferente do básico (colocar a banda tocando e fazendo pose), considerando os recursos um tanto limitados. Pole dancing ainda é uma arte/esporte um tanto estigmatizado em meios mais conservadores. Eu diria até que hoje em dia uma pole dancer é mais rock & roll do que muita banda de rock, se é que você me entende.

Vai rolar um evento de lançamento, certo?
Calvin: Dia 13 de fevereiro nós faremos um show aqui em São Paulo/SP, no Gillan’s Inn. O projeto se chama Ponto Pro Rock e é capitaneado pelo nosso amigo Ricardo Lopes. Dividiremos o palco com as bandas Chains e Slot e no meio do nosso show, o clipe será exibido, antes até de ir pro YouTube. Prometemos um show divertido pra quem quiser aparecer por lá.

Qual a importância da gravação de um clipe agora que a Mtv Brasil perdeu as forças?
Calvin: Maior do que nunca, graças ao YouTube. A MTV, brasileira ou internacional, nunca foi um lugar pra revelar novos talentos que já não tivessem sido descobertos por selos que possuam capital pra tentar forçar a entrada de alguém no mainstream. Sim, pelo menos a MTV Brasil na era Abril passava algumas bandas independentes (e o Midnight Sisters, banda minha e do Louis antes do Thrills, conseguiu até colocar um clipe por lá), mas isso não serviu de trampolim para nós e duvido muito que tenha servido para outras bandas.

A real é que não existe aparição em canal de TV, reality show ou programa de auditório que cause uma ascenção meteórica na carreira de um artista se isso não for parte de um esforço coordenado de marketing que envolve diversos canais de mídia que só são acessíveis com muita grana. Isso é outra realidade, uma que bandas como a nossa não vivem e na maioria absoluta dos casos, nunca vão viver. Não que eu esteja repudiando o mainstream – adoraria fazer parte do mesmo.

Hoje felizmente existe vida fora do mainstream. É possível ter uma carreira sem depender dos meios de comunicação de massa. A internet (e o YouTube em especial) estão aí pra isso. A competição ainda é acirrada (maior, até) porque com essa democratização (qualquer um pode gravar um vídeo e mostrar pro mundo, não há curadoria ou barreira entre você e o público) a oferta aumentou exponencialmente enquanto a demanda, nem tanto. Há um excesso de opções, excesso de bandas, pra não dizer uma cacofonia.

Mas isso não deve impedir ninguém de tentar. O negócio é manter uma perspectiva realista das coisas – do jeito que a indústria vai provavelmente não haverá outra banda que lote estádios durante décadas a fio. Mas o público está lá – jogar o jogo e merecer a atenção desse pessoal é parte disso.

Quais bandas novas que só vocês conhecem acham que todo mundo deveria estar ouvindo?
Zé: As últimas “safras” de bandas independentes têm me chamado atenção, coisa que não acontecia há alguns anos. Três em especial me chamam mais a atenção: Grindhouse Hotel, Faca Preta e Mundo Alto.

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Thrills & The Chase, Slot e Chains
Gillans ‘ Inn English Rock Bar – 23h
Rua Marquês de Itu, 284 Vila Buarque, São Paulo

Ouça os EPs do Thrills and The Chase completos aqui:

Plano-sequência: os melhores clipes brasileiros usando apenas um take

Dias atrás, compartilhei com vocês uma lista do site WatchMojo.com com um top 10 de clipes internacionais que usam apenas um take. Bom, depois daquilo, começaram a vir à cabeça diversas bandas brasileiras que usaram tal artifício. E como sou fã de listas, resolvi criar uma com clipes brasileiros com plano-sequência.

Pra começar, um que eu citei no post original e acabou me inspirando a criar esta lista. Ah, Rob Fleming, a culpa desse meu vício por listas é toda sua.

Os Paralamas do Sucesso – La Bella Luna Este chamou a atenção quando saiu. O negócio do plano-sequência foi muito alardeado na época, com making of passando direto na Mtv Brasil.

Ira! – Bebendo Vinho A versão do Ira! para a música de Wander Wildner ganhou um belíssimo clipe em plano-sequência com Nasi chegando em casa deprê e lamentando o roubo de seu cachorro Vênus.

Vespas Mandarinas – A Prova Este aqui, por incrível que pareça, é um plano-sequência e sem montagem: o guitarrista e vocalista Chuck Hipolitho programou seus celulares e os movimentos pra que tudo se encaixasse direitinho. Depois de muito planejamento, o resultado é esse:

Skank – Sutilmente Eu ia colocar “Três Lados”, mas só assistindo eu percebi que aquele tem alguns cortes que vão para a banda tocando. Bom, em “Sutilmente”, é plano-sequência o tempo todo. Dá pra notar uma inspiração no clipe de “1 2 3 4” da Feist, mas com a inovação de colocar o quarteto mineiro de lado, tocando na parede!

Caetano Veloso – Não Enche Não é o único plano-sequência de Caetano (agora tem também “A Bossa Nova é Foda”, mais ou menos), mas esse me marcou mais, já que passava direto na Mtv Brasil (e eu era um espectador assíduo do canal na época). Ver Caetano levando catiripapos em plano-sequência é incrível.

Los Hermanos – Todo Carnaval Tem Seu Fim O Los Hermanos no começo chupava bastante do Weezer. Essa música, por exemplo, tem o começo chupinhado diretamente “Getchoo” e o clipe é quase que uma versão de “Undone”.

Hateen – 1997 O “emo” do Hateen tem este clássico que lamenta relembrando o ano de 1997 com um rapaz caminhando pra lá e pra cá e passando pela banda. O triste é que ele se lembra de tudo que quer esquecer, o que deve ser muito foda pra ele.

Mallu Magalhães – Nem Fé Nem Santo Mallu passa por diversos cenários, lugares, dia, noite, chuva e até fogo sem sair do lugar.

Móveis Coloniais de Acaju – O Tempo Clipe gravado “ao vivo”. O que é escrito no vidro é a @ no Twitter enviado por fãs com a hashtag #TempoRealMoveisMtv.

Lurdez da Luz – Andei Pô, o próprio nome da música diz o que acontece no clipe. É basicamente isso.

Chico César – Mama África Ah, “Mama África”. Um grande clipe e o mais engraçado de se assistir no “Piores Clipes do Mundo” com o Marcos Mion (quando este era engraçado, há muitos e muitos anos atrás). Se você ainda não viu, assista os comentários do programa. Vale a pena.

Thiago Petit – Nightwalker A atriz Alice Braga caminha pela rua, te olha com seus olhos penetrantes e até faz uma coreografia no meio do caminho.

Gaby Amarantos – Xirley A madrinha do tecnobrega chega em casa e conta a história da moça que vai te servir um café coado na calcinha pra te enfeitiçar. Tudo sem cortes de câmera, é lógico.

A Banda Mais Bonita da Cidade – Oração Deixei um dos mais populares clipes em plano-sequência para o final, especialmente para que a música entre na sua cabeça novamente e não saia mais pelo dia de hoje. Isso é earworm pra ninguém botar defeito. Ah, e esse clipe gerou muitas versões feitas por fãs e famosos, todas em plano-sequência, é claro.

Esqueci de algum? Lembra de mais algum clipe brasileiro que usa o plano-sequência e merece palmas? Coloca aí nos comentários!

Os famigerados “complete os espaços” da música brasileira

Às vezes, o público se sente no direito de ajudar o compositor. Mesmo com a música pronta, rolando nas rádios, bombando, a galera faz questão de inventar um novo refrão, uma frase, uma palavra de ordem que “encaixe” na música.

Eu explico. Você deve conhecer algumas músicas que, ao vivo, ganham a indefectível participação da plateia. Como os “ô-ô-ô-ô” no começo de “Fear Of The Dark”, do Iron Maiden, ou os “ôôôôô” no refrão de “Pobre Paulista”, do Ira!. Tudo bem, Isso é bacana, promove interação entre músicos e plateia e ajuda a agitar o show. Porém, existe uma forma maligna de participação da plateia: a “frasezinha que completa”. Uma parte da letra que não está no CD, não foi escrita pela banda e que os músicos normalmente odeiam que sejam cantadas, mas que a multidão acha engraçadíssimo gritar nos shows. Entendeu? Não? Seguem alguns dos piores exemplos de músicas que ganham complementos. Entre parênteses, fica o que os renomados menestréis da plateia gritam a plenos pulmões.

– Kid Abelha – “Pintura Íntima
A canção pop açucarada dos anos 80 da trupe de Paula Toller foi sucesso em todo o Brasil. E todo mundo sabe: o que é sucesso ganha paródias e versões. Nesse caso, algum gênio do humor conseguiu deixar a musiquinha mais “divertida” para ser cantada no recreio da 3ª série.

“Fazer amor de madrugada
(Em cima da cama, embaixo da escada)
Amor com jeito de virada
(Primeiro a patroa, depois a empregada)”

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– Skank – “É Proibido Fumar
O Skank reinventou o clássico do rei perneta Roberto Carlos com uma levada meio Apache Indian, lembrando o sucesso “Boom-Shak-A-Lak”. O problema é que a versão chamou a atenção dos adolescentes, que resolveram deixar explícito o que ficava sutilmente subentendido na letra original. Afinal, duplo sentido é coisa de velho.

“É proibido fumar
(MACONHA!)
Diz o aviso que eu li”

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– Tchakabum – “Olha a Onda (Tesouro de Marinheiro)
Baixei o nível aqui, mas foi necessário. Essa tem um dos exemplos mais clássicos de complemento feito por plateia. No caso, a massa enfurecida busca denegrir a imagem da garota citada nessa contagiante canção dos anos 90. Ah, e eu aposto que você sabe a coreografia desta música de cabo a rabo.

“Molhou o seu rostinho
(Cara feia!)
Molhou a barriguinha
(Barriguda!)
Molhou o seu pezinho
(Que chulé!)
Molhou todo o corpinho, deixe que eu vou te enxugar”

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– Legião Urbana – “Que País É Esse

A banda de Renato Russo também recebeu essa homenagem tão desnecessária. Provavelmente o vocalista ficava puto quando a plateia respondia após o refrão, já que ele aparentemente levava muito à sério suas canções. E, realmente, essa respostinha é das mais babacas da lista. Quem manda fazer um refrão interrogativo, doutor Renato?

Que país é esse?
(É a porra do Brasil!)

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– Ira! – “Dias de Luta

Este caso é especialíssimo, por isso vou encerrar com ele. Neste caso, a participação da plateia não responde ao refrão nem complemente a letra. Na verdade, os fãs criaram um refrão para “Dias de Luta”, seguindo o riff de Scandurra. Porém… o refrão que criaram é um lixo e não tem nada a ver com a música. A banda, inclusive, pediu à plateia que não cantasse o verso quando gravaram seu DVD.

“Porra, caralho
Cadê meu baseado”

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P.S. – O Denis Romani me deu o toque de um “complete o espaço” regional. Quando o Skank toca “Garota Nacional” no Sul, o verso “eu quero te provar” é acompanhado de um “Mariana vagabunda!”. “Eu não entendi porra nenhuma quando fui no Planeta Atlântida“, disse ele. Parece que isso acontece em todos os shows do Skank por lá. Veja no vídeo que até Samuel Rosa comenta “a Mariana está processando o Skank, mas é a versão gaúcha, vamos fazer o quê?”.

Say-what

E você, conhece mais alguma música que ganha um “complemento” da plateia quando é apresentada ao vivo? Qual a que você mais odeia? Você curte? Responda nos comentários!