“Fritz The Cat” (1972) – Crumb animado, musicado e sempre controverso

Read More

Fritz, The Cat – O Gato Fritz
Lançamento: 1972
Direção: Ralph Bakshi
Roteiro: Ralph Bakshi
Elenco principal: Skip Hinnant, Rosetta LeNoire e Jonh McCurry

“Fritz, The Cat” é um filme de Ralph Bakshi, grande diretor de animações malucas das décadas de 70 e 80, uma adaptação pras telonas das histórias do personagem Fritz, The Cat, do cartunista rabugento Robert Crumb. Ligando as diversas que histórias que o Crumb escreveu sobre o personagem, o diretor apresenta pra quem assiste, uma paródia de toda a “vanguarda-hippie-artística-intelectual-revolucionária”, que na visão do autor, não passava dum bando de babacas com discursos vazios pra levar universitárias pra cama e suprir suas culpas burguesas.

Tirando um sarro também de todos as outras “tribos urbanas” da época (porque é isso que o Crumb, o senhor da rabugentice, faz deixando o Bukowsky no chinelo), a história se ambienta sempre num universo duma Nova York Junkie da década de 70, com pessoas em becos injetando heroína, policiais idiotas invadindo festas, pseudo-intelectuais discutindo drogas e etc. onde a música rola solta, sempre na pegada dum jazz bebop ou dum blues (o Crumb era apaixonado por ambos os estilos e chegou a escrever um quadrinho que é de fato uma pesquisa sobre toda a história do blues).

A maioria dos sons foi composta para o filme, pelos trilheiros Ed Bogas e Ray Shanklin, com direito a uma participação do próprio Crumb na composição da música tema do Fritz. Contudo, o filme ainda assim conta com outros sons, de artistas famosos tais como Billie Holliday e Bo Diddley e de alguns caras mais undergrounds, como Cal Tjader (um importante expoente do jazz latino), The Watson Sisters (um grupo de R&B do começo dos anos 60) e Charles Earland (multi-instrumentista de jazz, blues e funk).

O curioso, é que o Crumb odiou o filme. Logo após a estréia, o autor lançou tiras do personagem que satirizavam o diretor Ralph Bakshi e pouco depois disso, uma história com a morte do Fritz, já que o personagem havia sido “estragado” pela versão em cinema.

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

“The Song Remains The Same” (1976) – um show de rock e cenas absurdas

Read More

The Song Remains The Same
Lançamento: 1976
Direção: Peter Clifton e Joe Massot
Roteiro: Peter Clifton
Elenco Principal: Jonh Bonham, Robert Plant, Jimmy Page e Jonh Paul Jones

 

O filme que recebe o nome da música do Led Zeppelin e também do show gravado no Madison Square Garden, mistura as cenas do show, com cenas ficcionais que funcionam independentemente, meio como se cada uma fosse um clipe da música que acompanha.

Totalmente sem sentido nenhum, as cenas absurdas, psicodélicas e muito chapadas, encaixam muito bem com o estilo absurdo, psicodélico e totalmente chapado do som do Led. Cheios de cores e efeitos visuais, meio que tem um “clipe” pra cada membro da banda, e o resto das músicas acompanham o próprio Madison Square Garden.

“No Quarter”, a que acompanha o John Paul Jones (baixista/tecladista), começa com um trem do metrô chegando numa estação, passa pro show, passa pra ele tocando órgão numa igreja, passa pruns caras com mascaras assustadoras perseguindo pessoas na rua, depois pra ele chegando em casa, brincando com os cachorros e os filhos e depois volta pro show. O ponto é que mesmo isso parecendo no mínimo pouco psicodélico, é definitivamente bastante psicodélico! Os cortes rápidos, as sobreposições de imagens, e mais outros efeitos, fazem da parte visual uma intensificação da viagem lisérgica que é “No Quarter”.

“The Song Remains The Same” e “Rain Song”, são as do Robert Plant (orgasmáticas como ele, por sinal…) e o acompanham no que parece uma espécie de viagem medieval: ele montado num cavalo andando pelas pradarias da Grã Bretanha, entrando num castelo onde luta com espadas, encontro com a princesa e tudo o mais. Novamente talvez isso pareça não psicodélico suficiente, mas novamente, a composição da música muito louca, com efeitos visuais bem lokos, criam o mesmo efeito lisérgico. Vale lembrar também, que “Rain Song”, é uma música que tem uma psicodelia diferente, uma coisa mais suave, que não deixa de jeito nenhum de ser intensa, mas é uma intensidade suave, gostosa, romântica.

“Moby Dick”, o famoso solo de batera de 10 minutos (ou mais, a variar da versão, porque esses cara são tudo doidjo), é obviamente a que dá conta de mostrar o John Bonham (o baterista) em seus loucos carros, pilotando uma moto numa estrada deserta, destruindo tijolos com uma britadeira, cuidando dumas vacas, dançando com sua mulher, tocando bateria com o filho, tocando bateria no show em questão e o mais dahora de tudo, correndo num dragster, um daqueles carros absurdamente rápidos, que dão a largada com uma explosão brutal e freiam com um para-quedas! Essa de fato não conta com nenhum efeito visual lisérgico ou coisa do tipo (acho que em alguma medida isso tem a ver com o fato de ele ser um cara com uma cabeça meio diferente do resto da banda, menos ligado em exoterismos e coisas do tipo), mas dizer que não é uma cena psicodélica seria de qualquer modo ridículo, a começar porque essa coisa que eu to fazendo até agora de dizer “o que é” e “o que não é” psicodélico, é mó caretice da porra, mas também porque mesmo mantendo a caretice da porra, existem outros elementos que compõe a psicodelia no caso. A velocidade muito presente em todas as coisas com motores (e principalmente no dragster), sempre juntas das caretas malucas e felizes do baterista, encaixam lindamente no ritmo frenético do solo e criam uma atmosfera absurdamente maluca.

Por fim, mas não menos importante, “Dazed and Confused” fica sendo a do Jimmy Page (o guitarrista). Essa, claramente doidona, é uma cena noturna, com lua cheia, mago segurando um lampião no topo duma montanha, com rostos que vão se transfigurando e efeitos de luz mutcho crazys. Vale dizer que o som que acompanha, não é “Dazed and Confused” inteira, mas só aquela parte do solo de guitarra tocado com arco de cello (eu acho que é um arco de cello…).

A parte de tudo isso, tenho a dizer somente que é um filme muito sensorial e que sem exageros, assisti-lo é uma experiência única e que te toma por inteiro. Não é o tipo de coisa pra você fazer enquanto lê um livro ou coisa do tipo, isso não dá muito certo…

Segue em link o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

“Interstella 5555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem” (2003) – O anime lisérgico com Daft Punk

Read More

“Interstella 5555 – The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem”
Lançamento: 2003
Direção: Kazuhisha Takenouchi
Roteiro: Thomas Bangalter (Daft Punk), Guy-Manuel de Homem-Christo (Daft Punk) e Cédric Hervet.


Com uma linguagem que mistura os mais toscos animes com luzes e cores absurdamente epilépticas, o filme que acompanha as músicas do disco Discovery é um mindblowing total. Com a faixa de áudio invadida inteiramente pelo Daft Punk, a produção nipo-francesa conta mesmo sem falas, a história duma banda alienígena que é sequestrada durante um show e trazida pra terra por um empresário que parece o Eggman do Sonic. O cara transforma os membros em humanos, faz eles esquecerem de sua origem extraterrestre e os torna completamente passivos de qualquer rebeldia. A partir daí o longa se desenrola com herói, armas a laser, profecias antigas e muito daquela batidinha funkzada.

tão gente quanto a gente

A animação feita pela Toei Animation (estúdio responsável por animes como “Dragon Ball” e “Cavaleiros do Zodíaco“), passou pela supervisão do mangaká Leiji Matsumoto, criador do mangá que virou anime e que foi uma grande influência na infância da dupla Daft Punk.

Quanto às músicas, apesar de serem todas naquele mesmo timbre eletrônico, existem algumas que se destacam, tanto pelas cenas que acompanham quanto pelas sensações que carregam.

Cê vê que o filme é musical mesmo quando até a nave tem forma de guitarra…

Something About Us”, a música que aparece junto do reencontro romântico do herói do filme com a baixista da banda é uma baladinha linda! Perfeita pra estender a mão e chamar alguém pra dançar!

One More Time”, a que abre o filme é ótima pra já deixar animado e no pique pra assistir o resto. Junto duma cena dum show/festa, a música é realmente muito astral e perfeita pra pular pacarai!

Harder Better Faster”, a da cena da transformação da banda de ET’s pra humanos reflete muito bem a ideia que a partir desse ponto, segue por um bom tempo no filme: desprovidos de qualquer vontade própria, os alienígenas humanizados passam a trabalhar em ritmo industrial, totalmente automatizado.

Too Long” (ironicamente uma bem longa: 10 min), que acompanha a banda na nave voltando ao seu planeta natal, passando por um portal interdimensional e enfrentando uma criatura meio das trevas, é uma música muito forte, focada muito numa batida grave que causa uma vontade irrefreável de ficar pelo menos balançando a cabecinha, além duma guitarra que entra depois e que anima bastante o som.

Meu povo, acho que é isso… De resto, vejam o filme e descubram. Juro que é bom!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha sonora:

“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009) – A sofrência em primeira pessoa

Read More

“Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”
Lançamento: 2009
Direção: Karim Aïnouz, Marcelo Gomes
Roteiro: Karim Aïnouz, Marcelo Gomes
Elenco: Irandhir Santos

Muito lindo, reflitão, cheio de clichês, mas muito real e super sofrência.

José Renato (Irandhir Santos) é um geólogo que atravessa o sertão fazendo estudos para um possível canal a ser construído no “Rio das Almas” (uma alusão ao São Francisco). Inteiro com câmera em primeira pessoa (passa na tela, o que seria a visão da personagem), as imagens acompanham sempre a narração da voz melancólica do protagonista que nos conta entre análises do solo, sobre as pessoas que esse canal desabrigaria, sobre o fora que levou pouco antes de partir nessa pesquisa de campo, sobre a relação que tinha e sobre todo o resto das coisas do mundo. A partir dessas narrações e de algumas cenas de entrevistas colhidas ainda nos anos 90, com pessoas que de fato não são atores (o filme transita sempre entre a ficção e o documentário), o brasileiríssimo “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, traz uma série de reflexões de cunho filosófico e sociológico.

Casal gravado pelo geólogo. Serão obrigado a sair de onde moraram toda a vida por conta do canal…

Com uma pegada de road movie, uma boa parte do filme é a paisagem da estrada sempre igual vista pelo para brisa do geólogo. Contudo, apesar de isso poder parecer um tanto quanto entediante, o rádio sempre ligado garante um outro ritmo, bem mais gostoso.

Cheio de clássicos da sofrência, cantados sempre com aquela voz meio trêmula que beira um choro, a música completa muito mais que bem todo o tom de “paixonite + pénabunda + solidãodaestradadosertão”. Mas o auge com certeza, é um sapateiro que aparece como um dos que serão desalojados, cantando “Meu Último Desejo” do Noel Rosa.

Além dessa, o filme ainda tem “Sonhos”, “Morango do Nordeste”, “Esta Cidade É Uma Selva Sem Você”, as estrangeiras “Échame A Mi La Culpae “Un Chant D’Amour”, e mais muitas outras pra chorar e muito.

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha Sonora:

“As Patricinhas de Beverly Hills” (1995) e a estranha música dos anos 90

Read More

Clueless (As Patricinhas de Beverly Hills)
Lançamento: 1995
Direção: Amy Hickerling
Roteiro: Amy Hickerling
Elenco Principal: Alicia Silverstone, Stacey Dash e Brittany Murphy

 

Assistido na companhia do Thiago Lastrucci, da Pierina Ludovice e do Hector Munhoz. Segue comentário da Pie acerca do filme:

“As Patricinhas de Beverly Hills é um filme interessante no qual podemos nos inspirar para sermos boas patricnhas e aprendermos sobre o karma e o amor entre pessoas diferentes”

P. Ludovice, 16/02/2018

Bem bostão. Uma comédia da década de 90 tirando um sarro do comportamento egocêntrico e arrogante de adolescentes mimados e podres de rico. Cher (Alicia Silverstone) é uma patricinha de Beverly Hills, presa no mundo do próprio umbigo e que não levanta um dedo pra nada, absurdamente estúpida, sem noção, que só faz merda, mas de verdade, acredita que é a melhor pessoa do mundo e que faz tudo pelos outros. Acompanhando a personagem, o filme vai mostrando como esse estilo de vida acaba levando-a à decadência e como ela sai disso duma maneira interessante.

Bom, não tendo dito nada no último parágrafo e com a fantástica justificativa de que bem, o filme também não fala porra nenhuma (!), sigamos adiante pra tratar do que importa. Apesar de a história de fato não chamar atenção por qualidade de roteiro, a trilha desponta com a guitarra meio punk, meio pop, que marca os anos 90.

Com David Bowie, The Muffs, Beast Boys, Radiohead, Supergrass e mais uma porrada de bandas das quais nunca ouvi falar, a música acompanha mais que bem toda a estética do filme de 95, que faz questão de expor ao máximo o estilo genial e cômico da época. Calças super largas, camisas gigantes, a ascensão do skate, o boné virado pra trás e tudo aquilo de que hoje em dia geral ri, mas sabe que na real é muito foda.

uma profunda análise crítica sobre a moda dos anos 90 pela boca da protagonista…

Abrindo o filme tem “Kids in America“, pra já estourar com o pique noventista (e vale por sinal, ressaltar que essa aparece também na trilha do filme do “Jimmy Neutron“…). Do Bowie aparecem duas: “Fashion”, uma bem mais experimental que o resto da trilha sonora, e “All The Young Dudes”, numa versão da banda inglesa World Party e que acompanha a narração da protagonista desprezando a tal moda descrita no parágrafo acima.

De resto, assistam pra descobrir!

Segue o trailer e a trilha sonora. Valeu!

Trailer:

Trilha sonora:

“More” (1969) – Pink Floyd entre o prog e o heavy metal

Read More

More (More)
Lançamento: 1969
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: Paul Gégauff e Barbet Schroeder
Elenco Principal: Mismy Farmer, Klaus Grünberg e Heinz Engelmann

Esse é um que pra mim é antes a música que filme. Tendo conhecido já há anos o som metal pesado do Pink FloydThe Nile Song”, fui só bem mais tarde descobrir que fazia parte da trilha sonora dum filme e ainda mais tarde assistir o tal filme. Devo dizer contudo, que o longa tá no nível da soundtrack.

Essencialmente sobre drogas, sobre seus efeitos e sobre como alteram o comportamento social dos indivíduos, o filme “More” de 1969, conta a história do jovem Stefan, recém formado em matemática, em “busca do sol” e do seu relacionamento com uma menina parisiense na praia de Ibiza. Em algum tipo de relação com um velho alemão (Wolf), a moça (Estelle) não se permite ficar junto do matemático e esconde mil coisas que não ficam muito claras, mas que parecem ter ligações com o tráfico de drogas pesadas. O Stefan por outro lado, apresenta um comportamento possessivo ridículo, exigindo dela uma submissão absurda e sem entender nada do que se passa na relação que ela tem com o velhinho.

Com um passado embrulhado em heroína, Estelle acaba fugindo do Wolf com o jovem Stefan, pra levar uma vida mais calma. Contudo, leva junto de si alguns pacotes de “cavalo” roubados do velho e aí dão várias merdas.

Cena do filme que ilustra a capa do disco

Acompanhando toda essa exposição da realidade da contracultura hippie da época com seus prós e contras, aparece a trilha sonora. Feitas especialmente para o filme, as músicas do Pink Floyd embalam o ritmo psicodélico das viagens com sons que variam entre o prog, o jazz e o metal.

Já tendo feito a trilha deTonite Let’s All Make Love in London em 67, a do filme de 69 foi a segunda da banda, já marcada por um estilo que seria o dos discos dos próximos anos, como o Obscured By Clouds e o Meddle, com um prog bastante experimental.

Mas apesar do forte progressivo, há uma música que foge um pouco desse estilo e pra qual cabe uma atenção mais que especial. “The Nile Song” é um heavy metal heavy mesmo, com uma puta letra genial e que foi lançada junto com o filme, um ano depois da formação do Black Sabbath (que teriam sido os primeiros do gênero) e um ano antes do lançamento do primeiro disco do Black Sabbath. Ainda fugindo um pouco do prog clássico pinkfloydiano, mas cheia de sintetizadores, tem “Up The Khyber”, um jazz com uma bateria bastante à la Thelonious Monk.

Tendo já dado o destaque pra genialidade “prafrentex” da banda, voltemos ao prog. “Cymbaline”, que foi tocada depois em muitos shows e que parece ser a mais famosa do filme, mistura o estilo que viria a se tornar a marca do Pink Floyd com a influência “barretiana” do “Saucerful of Secrets” criando uma viagem muito única! “Cirrus Minor“, num estilo parecido, mas mais instrumental, é outra que traz uma carga excelente pra deitar no chão e entrar numa trip muito loka!

De resto, assistam/ouçam pra descobrir!

Segue em link o trailer e a trilha sonora:

Trailer:

Trilha Sonora:

Blues Brothers (1980) – batidas de carro, blues e várias outras coisas

Read More

Blues Brothers (Irmãos Cara de Pau)
Lançamento: 1980
Direção: Jonh Landis
Roteiro: Dan Aykroyd e Jonh Landis
Elenco Principal: Jonh Belushi e Dan Aykroyd

 

Talvez um dos musicais mais icônicos (pelo menos dos que já vi…) esse filme é de encher os olhos pra quem curte um blues e de cuspir água em risadas absurdas pra quem curte uma comédia bem B (pra quem como eu curte os dois, esse é dukaralho!). Os Irmãos Jake e Elwood Blues, ambos órfãos e criados num orfanato de freiras onde aprenderam tudo com um senhor que vive lá cuidando da casa (o senhor é o próprio Cab Calloway, o cara do “Minnie the Moocher“). Acontece que o lugar vai ser fechado por dívidas e frente a isso, os irmãos resolvem fazer um grande show pra arranjar a grana. O filme conta então, toda a história de como eles cruzam os EUA em busca dos membros da antiga banda deles (todos interpretados por gente realmente de peso no cenário do Blues da década de 80).

Cheio (tipo, muito cheio!) de Blues da melhor qualidade, o filme passa por vários estilos, com músicas que vão desde o folk/country da abertura de “Rawhide”, até a bebop “Minnie the Moocher”, passando pelo gospel do James Brown, “Can You See the Light”. E lógico que, cada um desses sons conta com algum nome de peso: além dos já citados Cab Calloway e James Brown, ainda temos Ray Charles com “Shake A Tail Feather”, Aretha Franklin com “Think” e o Jonh Lee Hooker com sua icônica “Boom Boom”.

Mas isso não é tudo! Tem também a galera da banda, todos músicos incrivelmente fodas!

Steve Crooper, o guitarrista que foi considerado pela Rolling Stone o 39° maior guitarrista; o baixista Donald “Duck” Dunn, que junto com Crooper, integrou a banda Booker T. & the M.G.’s.; Murphy Dunne, o pianista que fundou o “Chicago Free Music Programa“; o baterista Willie Hall tocou com o Bar-Kays banda e mais tarde ingressou na Stax Records onde ele se juntou com o Steve e o Donald na sua banda; Tom Malone, o do trompete, se formou junto com o colega Lou Marini, este que, por sua vez, toca o sax no filme e foi saxofonista da banda do Billiy Preston; Matt Murphy, o guitarrista que chegou a tocar com Howlin Wolf e Chuck Berry; e por último Allan Rubin, o trompetista que saiu da Julliard School aos 20 anos para tocar com Robert Goulet.

Ainda como curiosidade, vale falar da participação da Carrie Fisher como namorada psicopata e o fato de que na lista de filmes com mais carros destruídos, esse ocupa o sétimo lugar, tendo destruído 103!

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

“Houve Uma Vez Dois Verões” (2002): Jorge Furtado e o rock gaúcho

Read More

 

Houve Uma Vez Dois Verões
Lançamento: 2002
Direção: Jorge Furtado
Roteiro: Jorge Furtado
Elenco Principal: André Arteche, Ana Maria Maineri e Pedro Furtado

 

Essencialmente, uma comédia com baladas românticas e um personagem adolescente idiota, impulsivo, descobrindo umas coisas da vida… A história é sobre um moleque (Chico, vivido por André Arteche) que se apaixona por uma mina (Ana Maria Maineri) que conhece numa praia. Ela passa a perna nele, ele fica puto, aí ele fica apaixonado de novo, depois puto, depois apaixonado e por aí vai.

Olha a cara de idiota do moleque… 

Meio que seguindo uma lógica bem parecida com a de outros filmes brasileiros com o mesmo tema, o primeiro longa do gaúcho Jorge Furtado é bem tosco, bem fofo e bem real: cheio de piadas e dum humor absurdamente descontraído de dois moleques que ficam rindo dos velhos tropeçando na praia, e de diálogos do tipo que o Chico trava com o amigo contando emocionado como perdera a virgindade na noite anterior. Ainda como a cereja do bolo (ou talvez o filme é que seja a cereja e isso é que seja o bolo…), o rock gaúcho ganhou um ótimo destaque na trilha que contém essencialmente, músicas compostas para o longa.

Com artistas/bandas como Wander Wildner, Frank Jorge, Ultramen e Tequila Baby, o diretor de “Houve Uma Vez Dois Verões” dá uma baita valorizada pros seus conterrâneos e intensifica o gosto bobo de rock idiota apaixonado que o filme já tem. Seguindo um pouco no mesmo estilo, ainda tem a carioca Cássia Eller e os mineiros do Pato Fu (esses com uma versão da música “Coração Tranquilo” do Walter Franco que é de arrebentar).

Vale também uma atenção especial pros sons fora da língua lusitana. Nei Lisboa (colega do Júpiter Maçã, tocava guitarra na TNT e nos Cascavelletes), aparece com uma interpretação muito massa da balada “Tell It Like It Is”, composta pelo Aaron Neville; a Cássia Eller canta a lindíssima “Born To Cry” do Dion, na versão aportuguesada pelo Roberto Carlos; a banda Ultramen ataca com uma versão reggaezada eletrônica de “My Pledge of Love” do Joe Jeffrey; “Without You“, do próprio Wander Wildner, segue o mesmo estilo romântico chorão dos outros sons do cara; por fim, a Sombrero Luminoso é uma banda gaúcha, mas que como talvez o nome já indica, canta em espanhol e no filme toca a “Porque Te Vas”, mais uma no estilo romântico chorão (caliente!…).

Segue em link o trailer e a trilha sonora.

Trailer:

Trilha sonora:

“On The Road” – Um romance beatnik numa adaptação pro cinema cheia de jazz

Read More

  • On The Road (Na Estrada)
  • Lançamento: 2012
  • Direção: Walter Salles
  • Roteiro: José Rivera (baseado no romance de Jack Kerouac)
  • Elenco Principal: Sam Riley, Garrett Hedlund e Kristen Stewart

O filme do diretor brasileiro Walter Salles, é uma adaptação do que é muito provavelmente, o mais importante romance da geração beatnik e um dos mais icônicos do século XX. A história conta das primeiras viagens pelas estradas americanas do jovem Kerouack (no livro sob o pseudônimo de Sal Paradise) e sobre sua amizade com Neal Cassady (no livro sob o pseudônimo de Dean Moriarty). Com a aparição de personagens que incorporam importantes figuras do círculo social do autor Jack Kerouack, como Allen Ginsberg e Wiillan Burroughs, o livro (e o filme) trazem toda uma ideologia de liberdade que foi a percursora da filosofia hippie.                                              

À esquerda – Sal Paradise e Dean Moriarty no filme de 2012. À direita – Jack Kerouac e Neal Cassady em 1952

Junto disso tudo, um dos elementos centrais na história é a música. Sendo Sal Paradise e seu amigo Dean Moriarty dois fanáticos pelo jazz dos bares baratos, a história é carregadíssima de referências ao gênero e o filme cheio de bebop na trilha sonora. Mas de todas as referências, a mais importante é bem possivelmente o Slim Gaillard.

Slim é citado como sendo o herói de Sal e Dean, (“Sim! Ele saca todas, ele saca todas!”), como um cara que entendeu o mundo. Ele é dito na história como uma espécie de xamã, um cara que entra num transe espiritual enquanto toca e meio que “viaja entre mundos”. Também conhecido como McVouty, o jazista ficou marcado por apresentações que misturavam seu talento multi-instrumental a uma comédia desencanada e pela invenção duma língua chamada “Vout-O-Reenee”, pra qual ele chegou a escrever um dicionário!

O filme ainda conta com uma série de outras de artistas citados no livro como Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Charlie Parker e Dizzy Gilespie e também com músicas compostas especialmente pro longa pelo compositor argentino Gustavo Santaolalla, como a intrumental “The Open Road”, levada quase que inteiramente na percussão.

Segue em link o trailer do filme e a trilha sonora no Spotify:

Trailer:

Splendora, a banda underground da trilha sonora do desenho da menina niilista Daria

Read More
Daria

Daria, a animação da MTV dos anos 90, se tornou um símbolo da cultura pop underground, em parte pela estética, em parte pelas pesonagens e em parte pela icônica música de abertura “You’re Standing on My Neck“. Contudo, pouco se fala sobre a banda.

Formada pelas irmão Tricia e Janet Wygal, Delissa Santos, Cindy Brolsma e Jennifer Richardson a girl-band Splendora se destaca como banda underground da última década do século. Tendo sido deixada de lado pela Geffen Records em prol da atenção ao Beck e à Lisa Loeb, assinaram com a Koch Records e lançaram em 95 seu único álbum de estúdio, In The Grass (o nome da banda junto ao nome do disco, faz uma referencia ao filme “Splendor In The Grass” de 1961).

Sem ter feito muito sucesso, inclusive pela dificuldade encontrada por falta de um agente, um ano depois do lançamento de “In The Grass” a banda conseguiu algo. Cindy Brolsma, a violinista que na época trabalhava na produção do spin-off de Beavis & Butthead, Daria, colocou estrategicamente um CD da Splendora na mesa do produtor. Sem muito dinheiro pra investir na trilha sonora e buscando uma sonoridade que combinasse com o tom niilista contemporâneo da animação, acabou que a banda escolhida foi essa mesma.
Além da abertura, a banda conta com outras duas músicas na animação, nos filmes da série: “Turn The sun Down” e “College Try“, as duas, assim como “Standing On My Neck”, nunca lançadas oficialmente. “Eu acho que seria ótimo se alguém da MTV/Viacom reunisse tudo isso. Mas acho que todos os seus trabalhos estavam tão compartimentados …” diz Janet sobre a trilha da série que nunca foi lançada oficialmente.

Ainda sobre a soundtrack, vale citar a banda ficcional de um dos personagens da série. A Mystic Spiral que aparece em vários episódios, se consagra (ao menos pra mim) com “Freakin Friends“, que apesar do título, não abre mão do som sujo e pesado, com uma letra surreal que todas as músicas da Daria apresentam.

Por fim, vale dizer que tudo o que se pode fazer é lamentar. A ótima banda não seguiu carreira, contudo nos presenteou com esse disco que é uma pérola do grunge.