RockALT #15 – Garage Fuzz, Leonardo Panço, eliminadorzinho, The Kooks e The Horrors

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RockALT

RockALT, por Helder Sampedro

A Coluna RockALT volta após um breve hiato: meu irmão Jaison e eu fizemos uma pequena viagem por terras estadunidenses e não conseguimos preparar nada para a coluna durante nossa ausência de Terras Brasilis. Ainda naquele clima de desfazer as malas minha postagem de hoje será mais curta e objetiva, separei alguns sons que embalaram a minha viagem e me ajudaram a passar o tempo nos aeroportos e estações de trem por onde passei.

Garage Fuzz“When No One is Around”
É sempre bom falar daqueles que estão na estrada há décadas e pavimentaram o caminho para tantas outros no cenário nacional. O Garage Fuzz certamente é uma das bandas mais influentes do país, tendo nascido na efervescência do início dos anos 90, época incomparável para o underground brasileiro, e estando na ativa até hoje. A extensa discografia dos santistas é sempre merecedora de uma atenção maior. Fica aqui a minha provocação pra você que é fã de rock alternativo, há quanto tempo você não escuta Garage Fuzz? A hora é agora!

Leonardo Panço“Desorgulho”
Falando em underground brasileiro e de mais um grande nome dos anos 90, Leonardo Panço é ex-integrante da banda carioca de hardcore Jason. Leonardo é uma figura muito interessante pois não só fez parte de uma banda que rodou o mundo mas também por ser um artista que não se limita apenas à música, seus trabalhos autorais mesclam sua música com os livros que escreve e com suas fotografias, como no recente “Superfícies”, de 2016. Sempre bom acompanhar a caminhada e a obra de nomes importantes e pratas da casa como o Panço.

eliminadorzinho“das vezes que conversamos na cama e acabamos dormindo”
Nós do RockALT sempre comentamos sobre a ampla variedade de gêneros que temos no cenário underground nacional e os paulistanos do eliminadorzinho são exemplos de uma cena que reflete o lado mais sensível e contemplativo do rock, ao menos em suas letras. Influenciados pelo gorduratrans, que por sua vez se inspiraram no Ludovic, o trio de “rock triste jovem”, como diz sua bio no Facebook, mostra em seu EP ‘nada mais restará’ a barulheira característica do noise caseiro e letras que nos fazem lembrar como nosso cotidiano pode ser pesado e cansativo às vezes. A música tem essa mania de refletir o mundo no qual vivemos, certamente eliminadorzinho poderia ser a trilha sonora da nossa sociedade atualmente.

The Kooks“Be Who You Are”
Talvez mais conhecidos pela música “Naive”, os britânicos do The Kooks são um exemplo de banda que atingiu um certo sucesso comercial mas não emplacaram tantos hits quanto outras bandas do mesmo movimento. A banda é muito mais eclética do que a maioria imagina e seus trabalhos passeiam pelo rock, britpop, e até reggae e ska. Em turnê comemorativa de 10 anos a banda lançou material novo, uma ótima oportunidade para ouvir mais e conhecer melhor o trabalho dos rapazes de Brighton.

The Horrors“Still Life”
Mais uma música que ficou na minha cabeça embalando a minha viagem e assim como o The Kooks, o The Horrors surgiu durante o revival pós-punk que ocorreu na Inglaterra durante os anos 2000. Mas as similaridades com seus conterrâneos acabam por aí, o som do The Horrors é mais conciso em suas influências e abrange estilos mais similares como garage rock, punk, goth rock, shoegaze além do já mencionado post-punk revival. Aclamados pela crítica, os quarto LPs da banda mereciam ser ouvidos por um público muito mais do que o inicialmente alcançado na ocasião de seus lançamentos. Vale a pena dar uma garimpada na obra deles.

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RockALT #14 – Unbelievable Things, The Ed Sons, Garotas Suecas e Starcrawler

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RockALT, por Jaison Sampedro

Na coluna de hoje eu quero fazer uma prévia para o RockALT que vai ao ar nesta quinta-feira na rádio Planet Music Brasil. Quero apresentar quatro bandas que chamaram a minha atenção essa semana.

Unbelievable Things
Quero começar com este power trio de Maringá formado por Tim Fleming (guitarra e vocais), Jun Hirota (bateria) e Fernando Parreira (baixo) que está com trabalho recente, o EP “Wasted Time”. Este lançamento da Nap Nap Records conta com apenas três músicas com direito a videoclipe da faixa “Cansadão”. Confesso que esta é a minha faixa favorita do EP e me identifico com a letra, principalmente no trecho “A cada dia mais perdido / A cada dia mais fudido”.

The Ed Sons
Os filhos de Ed estão na estrada desde 2010. E esta é mais uma banda com um EP de três músicas lançado recentemente. O quinteto formado por Victor Palmero (Vocal), Igor Paulini (Guitarra), Renato “Tumolto” (Guitarra), Fernando Anastácio (Baixo) e Diego Rinaldi (Bateria) já havia lançado um EP em 2013, o “Last Cigarette”. O que me chamou atenção do grupo de Araraquara foi a mistura inusitada do Indie Rock com Stoner Rock e isso fica claro escutando a primeira música do disco “Find Me”.

Garotas Suecas
Neste momento você deve estar se perguntando. Jaison, você não conhece “Garotas Suecas”? A resposta é: Sim, conheço. Mas a razão da atenção dada a banda paulistana é o lançamento do divertido clipe “Me Erra”. O vídeo tem um aspecto sessentista e relata um relacionamento abusivo de um namorado/marido “mala” e um produto milagroso, o removedor multi-abuso “Me Erra”. A música faz parte do EP “Mal Educado” lançado em 2015 pela gravadora Tratore. Confira o clipe aí na telinha.

Starcrawler
Até um tempo atrás eu achava que a banda californiana Starcrawler já tinha acabado antes mesmo de começar. Topei com a banda em uma pesquisa para o RockALT, me deparei com a música “Ants” e fiquei impressionado. Senti uma combinação de The Cramps com Joan Jett, graças a forte presença de palco da vocalista Autumn de Wilde. Confesso que fiquei empolgado e quis saber mais da banda, mas não achei nada. A página do Soundcloud estava vazia, o Spotify indisponível e Facebook desatualizado me levaram a crer que a banda tinha morrido. Mas tudo isso mudou no começo de maio quando o grupo lançou seu trabalho oficialmente no Spotify com o single “Ants” acompanhado de outra música “Used To Know”. Fiquei feliz com a notícia, e tenho certeza que você também vai ficar logo após ouvir esses jovens talentosos.

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RockALT #13 – Lê Almeida, Passante, menores atos, Rosa Idiota e Slowdive

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RockALT, por Helder Sampedro

Lê Almeida
Figura conhecida nos meios underground e faça-você-mesmo, o carioca Lê Almeida não é novidade para aqueles que consomem música de fontes diversas e não apenas o que o mainstream apresenta. Fundador da Transfusão Noise Records em 2004, Lê grava de forma caseira e despreocupada seus inúmeros trabalhos nesses 10 anos desde o elogiado EP ‘Loufailândia’. Um verdadeiro herói do lo-fi nacional, o som garageiro e cheio de distorção parece sair pelos poros do músico, levando em consideração a quantidade de singles, EPs, e LPs lançados, sem contar seus trabalhos com outros músicos. A mistura equilibrada de power pop, indie rock, noise e lo-fi está disponível no bandcamp do artista.

Passante
O projeto do poeta e compositor Julio de Mattos é um desafio aos nossos ouvidos, claro, digo isso no melhor dos sentidos. A mistura psicodélica de ritmos e instrumentos é surpreendente, empolgante e garante um tom enigmático ao primeiro trabalho da banda. É mais um daqueles projetos que fogem à regra, o oposto total ao “mais do mesmo” uma busca que leva a um som íntimo, quase confidencial que não é feito para ser consumido pelas massas, e sim por um público mais exigente e curioso. Se você está a fim de sair da mesmice e se deixar levar pelas surpresas e distorções das guitarras do Passante, não deixe de conferir o EP ‘Mutilados’, disponível no Soundcloud.

menores atos
Talvez minha banda brasileira favorita no momento, o trio carioca que toca algo que só pode ser definido como rock alternativo de verdade! As letras em português que tratam de angustias amorosas comuns a todos podem fazer o ouvinte incauto rotular a banda como só mais uma de hardcore melódico, mas a verdade está bem longe disso. Influências rebuscadas como Minus the Bear, Radiohead, Deftones e Tool se sobressaem no sensacional álbum ‘Animalia’ de 2014 e impedem qualquer um de tentar rotular o trabalho primoroso da banda. Tive o prazer de vê-los ao vivo há algumas semanas no Estúdio Costella e posso garantir que a banda é ainda maior e mais pesada ao vivo, chamá-los de ‘power trio’ é pouco.

Rosa Idiota
Fundada em Salvador no ano passado, o quarteto lançou em janeiro desse ano o excelente álbum de estreia ‘Circle’ trazendo um rock com influências punk e indie na medida certa entre melodia e peso. Arranjos complexos, batidas cativantes e vocal forte se destacam e agradam logo na primeira audição. As dez músicas fluem amarradas umas às outras e é possível curtir o LP do começo ao fim sem perceber a passagem do tempo, apenas parando para se notar que a faixa ‘Fastio’ é a única cantada em português, fiquei curioso para saber o porquê. Enquanto não matamos nossa curiosidade podemos ouvir mais uma vez o primeiro lançamento dessa promissora banda.

Slowdive
Desnecessário apresentar uma lenda britânica do shoegaze, né? O álbum homônimo lançado em 5 de maio de 2017 pode ser colocado na mesma categoria de outros lançamentos recentes de ícones dos anos 90 como Pulp, Suede, Swervedriver, Stone Roses, Jesus and Mary Chain e Ride. Todas as bandas que eu citei atingiram seu ápice de popularidade no década de 1990 e lançaram ao menos algum single em anos recentes, esse revival do shoegaze noventista chega agora a seu apogeu, com o que certamente será considerado um dos melhores discos do ano. O 4º LP do Slowdive parece ter sido lançado na época em que os orelhões ainda eram úteis e o Brasil ainda era Tetra. E isso é um feito e tanto, poucas vezes uma banda ficou tanto tempo inativa e retorna com uma proeza dessas. O grupo se apresenta em São Paulo domingo agora (14/05/17) e espero não queimar minha língua. Estarei lá para ver.

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RockALT #12 – Johnny Cash, The Jesus and Mary Chain, Charles Bradley e Porno Massacre

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RockALT, por Jaison Sampedro

Hoje eu gostaria de falar sobre covers. Algumas bandas, quando estão no começo de carreira tem uma certa resistência para tocar covers de bandas mais famosas. Mas o que acontece quando você já é um artista com uma carreira longa ou então já tem um nome forte? As vezes o resultado pode ser um “meh” ou então quando a musica certa cair na mão do artista certo, pode-se conseguir um novo significado para a obra eleita.

Johnny Cash“Rusty Cage”
Senhoras e senhores, Johnny Cash teve uma carreira cheia de altos e baixos. Sem sombra de duvidas o seu auge foi durante a época da Sun Records entre os anos 50 e 60, onde ele compôs obras como “Cry, Cry, Cry”, “I Walk The Line” e “Guess Things Happen That Way”. Mas depois de alguns sucessos Cash viu sua carreira despencar entre meados dos anos 70 e 80. A redenção do “Homem de Preto” veio com o “American Recordings” em 1994 produzido pelo selo Def American do guru musical Rick Rubin. Foram seis discos lançados, sendo os dois últimos álbuns póstumos. Eu poderia colocar nessa lista vários títulos de covers como “Hurt”, que aliás, na minha opinião, não existe mais a versão do Nine Inche Nails. Johnny Cash tomou essa musica pra si e a ressignificou. Escutar a “versão” de Trent Reznor hoje parece ser um cover malfeito de sua própria composição. Entretanto, mesmo amando Hurt de Johnny Cash eu escolhi outro cover sensacional: “Rusty Cage” do Soundgarden. Este cover não é tão significativo como “Hurt”, mas mostra o talento indescritível de Cash dominando vários estilos musicais.

The Jesus and Mary Chain“My Girl”
Não sei exatamente quando os irmão Reid resolveram fazer um cover do clássico “My Girl” do Temptations. Tudo indica que foi em uma gravação para a Radio BBC no programa do DJ John Peel, que depois foi compilado e lançado em fevereiro do ano 2000. Diferente da versão composta por Smokey Robinson e Ronald White, que ao escutar realmente nos faz sentir um raio de sol no céu nublado, a versão de Jim e William Reid é mais melancólica assim como a maioria de suas composições. Assim como Johnny Cash, os irmãos Reid pegaram uma musica e trouxeram quase que outro significado. “My Girl” nos passa a sensação do amor recém adquirido, ou da sensação de um primeiro beijo. Na versão do Jesus And Mary Chain o amor é o mesmo, mas talvez um tanto platônico, distante e melancólico, mas ainda assim é um amor admirável.

Charles Bradley“Changes”
De Black Velvet para The Screaming Eagle of Soul, ou simplesmente Charles Bradley. Desde muito cedo o sr. Bradley teve que enfrentar a pobreza e o abandono. Aos 14 fugiu de casa, por dois anos morou na rua, graças a um programa educacional do governo americano conseguiu trabalho como cozinheiro e por incrível que pareça foi ai que começou a sua trajetória musical. Desde de muito cedo Bradley era fã de James Brown, e por 20 anos Charles realizou shows cantando musicas do pai do Soul e ao mesmo tempo fazia bicos e realizava os mais diversos tipos de trabalho. O sucesso veio, tardio mas veio. Em 2011, aos 63 anos Charles Bradley lançava o álbum “No Time For Dreaming”. O disco trazia composições próprias e covers como “Heart of Gold” de Neil Young e “Stay Away” do Nirvana. Para a coluna de hoje eu resolvi escolher “Changes”, do álbum de 2016. Sim, “Changes” do Black Sabbath em uma belíssima e talentosíssima versão Soul.

Porno Massacre“Isso Para Mim é Perfume”
A banda paulistana recebeu o convite do nosso querido amigo, parceiro e proprietário do blog Crush em Hi-Fi João Pedro e também do nosso igualmente amigo e parceiro Rafael López Chioccarello do blog Hits Perdidos para a gravação da musica “Isso Para Mim é Perfume” para compor a coletânea em homenagem aos Titãs “O Pulso Ainda Pulsa”. A escolha dessa musica foi certeira: se eu não conhecesse a musica, poderia dizer que sem sombra de duvidas essa musica é do Porno Massacre. A escatologia e a anarquia da música combinam perfeitamente com o estilo transgressor e performático do grupo paulistano. Está aí mais um belo exemplo de um artista que toma a musica para a si e a entrega com outro significado como se fosse sua.

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RockALT #11 – Tamarindo, Spidrax, Dead Parrot, Walfredo em Busca da Simbiose e White Lung

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RockALT, por Helder Sampedro

Na coluna dessa semana eu destaco power trios, um quarteto e um projeto solo de diferentes estilos enquanto fazemos uma viagem que vai do interior de São Paulo ao Canadá passando por sons progressivos, agressivos, psicodélicos e muito mais!

Tamarindo
Eu nem tinha escutado a segunda música do trabalho ‘Lado B’ e já havia me apaixonado pelo seu título, ‘Eu Sempre Gostei Mais do Lado B’. A banda de Santa Cruz do Sul/RS inadvertidamente ou não fez uma homenagem a todos aqueles amantes inquietos da música que não se contentam em ouvir apenas o que todos estão ouvindo, apenas o que é fácil de se escutar. É realmente um prazer descobrir uma banda que poucos conhecem, ir curtindo faixa após faixa e entendendo a proposta dos músicos, suas qualidades e suas escolhas. Espero que você curta a sonoridade desse power trio o tanto quanto eu e se apaixone pela reverberação de seus instrumentos e pela voz cativante da vocalista.

Spidrax
De um power trio de grunge vamos para um power trio de horror punk! Com uma pegada que remete àquele Misfits de começo de carreira, os paulistanos do Spidrax são mais um exemplo da variada gama de estilos e vertentes do rock atuantes em São Paulo. Vocais meticulosos e precisos, guitarra furiosa, bateria pesada e letras (em português!) fieis à sua temática são as marcas principais dessa banda. Não poderia ser diferente com influências como “Motorhead, Misfits, Samhain, Danzig, Black Sabbath, entre outras desgraceiras” como diz o facebook do grupo! Se você curte um som mais veloz e pesado, não deixe de escutar o EP recém lançado do Spidrax!

Dead Parrot
Se enganou quem acha que é só na capital de São Paulo que tem banda boa: natural de Barão Geraldo/SP, o quarteto Dead Parrot não se limita a gêneros específicos e traz influências de diversas bandas como Rush, Cream, Pink Floyd, Doors, QOTSA, Jeff Buckley entre outros nomes de peso! Isso se reflete em uma sonoridade progressiva e experimentadora sem se deixar levar por devaneios musicais muito longos. A mistura equilibrada de classic, stoner, hard e prog do Dead Parrot pode ser conferida no EP homônimo:

Walfredo em Busca da Simbiose
O projeto solo do compositor e produtor musical Lou Alves lançado há pouco mais de um mês é uma daquelas pérolas escondidas nas ondas internéticas. Longe da pretensão e aspirações que muitas vezes acometem alguns artistas, é no campo privativo e introspectivo desse tipo de projeto pessoal que nascem obras fáceis de escutar e se identificar. As letras das músicas que formam o EP tratam de sonhos, viagens, desejos e pedidos tão particulares e ao mesmo tempo comuns a qualquer pessoa que acaba se tornando muito fácil se deixar levar do rock ao folk psicodélico e sair em busca do quer que seja a “simbiose” de quem escuta.

White Lung
Eu espero que vocês já conheçam o White Lung. Só estou falando deles aqui pois é uma daquelas bandas que eu quero que literalmente todo o mundo conheça. Dito isto, o quarto álbum desse trio canadense de punk rock é o meu álbum gringo favorito do ano passado, ele está no pen drive do meu carro há meses e mesmo ouvindo direto eu ainda não enjoei. Não sei ao certo se é a voz poderosa e competente da vocalista, o trabalho primoroso e devastador do guitarrista ou talvez o mérito esteja no conjunto completo pois eu sou incapaz de pular uma só das dez faixas que formam o LP ‘Paradise’. Se você ainda não conhece, não precisa me agradecer, apenas escute o álbum e veja se eu tenho razão:

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RockALT #10 – Porcas Borboletas, Ween, O Terno e Pissed Jeans

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RockALT, por Jaison Sampedro

Eu admiro bandas que conseguem injetar humor em suas composições. É reconfortante ver bandas que não se levam a sério o tempo todo, ainda mais nesta época de redes sociais que a imagem é tudo. No rock o que mais se vê são bandas cheias de pose ou então de vocalistas que ficam bancando os sedutores e etc… Meu querido Alex Turner, quem o senhor pensa que é? Wando? Olha, falta muito raio, estrela e luar para o senhor chegar ao nível do nosso saudoso Wanderley Alves dos Reis. O humor é uma ferramenta poderosíssima para a crítica e a reflexão. Entretanto o humor pode ser descompromissado, isso não significa que ele precisa ser bobo, e sim espontâneo e original. Nesta coluna vou citar algumas bandas que fazem isso com maestria.

Porcas Borboletas
A primeira vez que escutei o sexteto de Uberlândia foi com a música “Tudo Que Tentei Falhou”. Com um título como este, é praticamente impossível não gostar da banda. O humor desta faixa é certeiro e confesso que vários itens citados na letra da música fazem parte da minha lista pessoal de fracassos. Mas o álbum “Porcas Borboletas” lançado em 2013 não se trata apenas de músicas engraçadas, a sexta faixa, “Only Life”, é um poema de Paulo Leminski musicado. E é neste momento que percebemos a complexidade do álbum que começa leve e aos poucos vai ficando mais denso e interessante, tanto nas letras como em sua musicalidade.

Ween
A criação dessa banda já começa com uma brincadeira: os falsos irmãos Gene and Dean Ween (alter ego de Aaron Freeman e Mickey Melchiondo) fundaram o Ween em 1984, mas só foram lançar o seu primeiro álbum em 1990 com “GodWeenSatan: The Oneness”. O meu primeiro contato com o banda foi com seu trabalho mais “acessível”, o sexto álbum chamado “The Mollusk”. Este disco é um pastiche musical dos anos 90, e a banda não perdoa nem a si mesma: em “Polka Dot Tail” fica claro que a música é uma referência satírica ao segundo álbum da dupla, o “The Pod”. Pra finalizar, o exemplo mais claro do escracho dos Ween é o título da décima primeira faixa do “The Mollusk”, a maravilhosa “Waving My Dick in the Wind”. Vale a pena conferir este belo trabalho! Lisérgico, cômico, pirado, despretensioso e inteligente. Ween, senhoras e senhores.

O Terno
Lá na introdução da coluna eu disse que tem um monte de banda que é cheia de pose. Esse não é o caso dos paulistanos d’O Terno. A não ser que você considere bom humor como um dos passos de bancar pose. O álbum “66”, primeiro do grupo de SP, tem ao mesmo tempo uma certa musicalidade sessentista e contemporânea, e o mesmo pode-se dizer da faixa título. A minha faixa favorita é “Zé, Assassino Compulsivo”. Esta música conta a história de um psicopata desde sua infância até o momento que se apaixona por outra psicopata. Juntos eles cometem vários assassinatos ao som do descontraído refrão “laralarala tchop tchop tchop tchop / como gostamos de matar / nada nos deixa mais contentes / e felizes a saltitar”. Brilhante!

Pissed Jeans
Tenho alguns amigos que iriam se sentir contemplados com a tradução direta do nome dessa banda, principalmente aqueles que bebem até cair. Nem sempre o humor é engraçadinho e divertido. Dito isto, não se deixe enganar pela brutalidade sonora do Pissed Jeans. Em seu mais recente álbum, “Why Love Now” lançado em fevereiro deste ano, o grupo americano de Allentown na Pennsylvania, faz uma crítica pesada à personificação do macho alpha e ridiculariza seus comportamentos machistas. A cereja do bolo está na sexta faixa do disco, em “I’m a Man” o grupo resolveu colocar a escritora Lindsay Hunter para fazer um monólogo musicado ridicularizando pérolas machistas comumente faladas no ambiente de trabalho. Embora o grupo tenha uma sonoridade punk dos anos 80, sua formação aconteceu no ano de 2005 e todos os seus cinco álbuns foram lançados pelo lendário selo da Sub Pop. Pissed Jeans é a representação perfeita de um humor ácido e bruto. E bota bruto nisso.

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RockALT #9 – Devilish, Color For Shane, O Grande Ogro e Clearance

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RockALT, por Helder Sampedro

Devilish
Eu adoro a expressão “abrir com o pé na porta” e quase nunca perco a chance de usá-la, na coluna de hoje não será diferente. O Devilish foi a atração surpresa que abriu o RockALT Fest que rolou no último domingo e os caras realmente causaram em sua apresentação. Formado por uma dupla de talento indubitável, Paulo Ratkiewicz (guitarra e voz) e Éder Chapolla (bateria) a dupla conta atualmente com um reforço de peso no baixo, ninguém menos que Caique Fermentão, vocal e guitarra do Corona Kings. Tudo na banda, desde o nome, imagem, postura e obviamente o som evoca algo primordial, maligno e impiedoso. Algo que a banda apropriadamente chama de Rock ‘n’ Hell. Realmente uma grata surpresa para mim e para todos que estavam presentes no show. Se você perdeu, não se preocupe, primeiro EP deles sai daqui dois dias. Fique com o excelente clipe de ‘The Wolf Has Willed It’.

Color For Shane
Gosto muito do vocal distorcido e carismático do Color For Shane, me lembra um pouco de The Vines e um pouco de Sex Pistols, algo que por si só já valeria a pena ouvir. O duo formado no ABC paulista em 2007 por Rafael Pires (guitarra e voz) e Henrique Gonzalez (bateria) lançou no início deste ano seu terceiro LP ‘Not An Embryo’ que solidifica a carreira da banda e apresenta um garage rock lo-fi de respeito que mistura barulheira com melodia de forma maestral. É sempre um prazer ver bandas formadas na década passada continuarem na ativa, sem desanimar e lançando trabalhos de qualidade, só quem vive essa cena sabe como é difícil seguir em frente mesmo quando tudo está contra você. Ouça o excelente terceiro LP da dupla paulistana aqui:

O Grande Ogro
É muito raro encontrar uma banda como O Grande Ogro hoje em dia. A banda consiste apenas em guitarra, baixo e bateria. Particularmente sempre gostei de bandas assim, sem vocal, elas nos dão a chance de colocar nossos próprios sentimentos nas músicas, nos apropriando delas conforme nosso âmago deseja. O som deles é uma como uma metamorfose metálica, uma sinfonia caótica que poderia ser a trilha sonora constante de uma cidade como São Paulo, por exemplo. Mas não se assuste com essa definição, há algo particularmente interessante em ouvir músicas assim, há um certo prazer no estranhamento, na confusão e na surpresa que nossos ouvidos têm quando escutamos algo tão original, imprevisível e sem amarras. Dê uma chance ao som dos caras e descubra o que você sente enquanto ouve.

Clearance
Mais uma vez indico aqui na coluna uma banda que o meu colega Allan Aguiar, criador do Wake The Dead Festival, me apresentou. Eu adoro quando amigos me indicam bandas, principalmente aqueles que manjam tanto de música quanto o Allan. Ao ouvir o som deste grupo de Chicago é impossível não pensar no Pavement, o cantar “falado” do vocalista e as músicas relaxadas que combinam com uma tarde preguiçosa, o álbum de 2015 é um deleite que vai agradar a qualquer pessoa que quiser ouvir. Se você gostou do som deles, está com sorte pois banda deve lançar o segundo LP em 2017 com direito a shows em São Paulo e Goiânia agora em maio!

Falando em show, se você é do Rio de Janeiro não perca o Wake The Dead Festival que rola em Magé neste sábado (15/04). Mais informações aqui no evento. https://www.facebook.com/events/642105552627939/

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RockALT #8 – Radkey, Sheer Mag, Dag Nasty e Senseless Things

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RockALT, por Jaison Sampedro

Esta quinta-feira o RockALT vai lançar o seu centésimo programa! Mas antes de falar das bandas que conheci durante as pesquisas para os 100 episódios produzidos, preciso confessar que sou um indivíduo que teve uma introdução tardia ao rock alternativo. Quando tinha lá os meus 15 pra 16 anos eu escutava pouca música, e quando escutava era heavy metal. Isso mudou depois que eu comecei a frequentar a Rua Augusta, por volta dos 25 anos, mais outro quesito que iniciei de maneira tardia. Acho que foi por isso que eu resolvi fazer esse programa, essa foi a maneira que eu encontrei pra tentar compensar o tempo perdido. Confesso que escutei muita coisa nesses dois anos de programa, e por isso quero aproveitar essa coluna para falar de bandas que me marcaram e não saem do meu celular e playlists por aí.

Radkey
Vamos começar com Radkey, que é uma banda de punk formada por três irmãos, Isaiah Radke (baixo), Solomon Radke (bateria) e Dee Radke (vocalista e guitarrista), que formaram o seu trio com o título da família em 2010 e tocaram o seu primeiro show em 2011 quando abriram para o grupo californiano de ska Fishbone. Depois de lançar um par de EPs bem recebidos pelo público e pela crítica em 2013, o grupo travou uma batalha vigorosa para permanecer em turnê, já que os irmãos ainda estão em idade escolar e estudam no ônibus ou em quartos de hotel entre um show e outro. Turnê concluída e o trio de St. Joseph, Missouri, dirigiu-se ao estúdio e começou a trabalhar em seu novo álbum com o produtor Ross Orton (Arctic Monkeys, The Fall, Jarvis Cocker). O resultado foi o “Delicious Rock Noise”, que foi originalmente lançado em 2015 como “Dark Black Makeup”, é uma explosão da velha escola de Punk com uma dose tripla de juventude, que é entregue com agressividade e estilo.

Sheer Mag
Sheer Mag é uma banda de rock da Filadélfia formada em 2014, com Tina Halladay nos vocais, Kyle Seely e Matt Palmer nas guitarras, Hart Seely no baixo e Ian Dykstra na bateria. O grupo apresenta uma combinação de punk com rock dos anos 70. Confesso que a primeira vez que eu escutei me apaixonei imediatamente. Ao longo dos últimos três anos, o Sheer Mag lançou 3 EPs, e no começo de 2017 a banda anunciou o lançamento de uma compilação com todos os seus trabalhos. Também é interessante falar do método usado para a gravação dos EPs, todos foram gravados usando a mesma máquina de fita vintage, a banda leva muito a sério a parada do faça você mesmo! O Sheer Mag vai entrar em turnê pela Europa e Reino Unido este ano com a promessa de um disco de músicas inéditas para os meados de 2017, e eu espero que isso aconteça. Faça um favor a você mesmo e escute essa banda.

Dag Nasty
Vou repetir o mantra dessa coluna, “meu conhecimento musical é tardio”. Demorei pra cacete pra escutar Dag Nasty. A banda do cenário hardcore de Washington, D.C. fez parte do panteão da Dischord Records e foi formada por Brian Baker, ex-guitarrista do Minor Threat, o baterista Colin Sears e o baixista Roger Marbury, com Shawn Brown nos vocais. Conheci a banda em uma pesquisa para um especial punk do RockALT, graças a uma coletânea de 20 anos da Dischord. A primeira música que escutei foi “Circles” do álbum clássico “Can I Say” de 1986, e quando cheguei na faixa “Under You Influence” eu me odiei amargamente por não ter escutado esses caras quando tinha uns 15 anos de idade. O único consolo que eu tenho é que graças ao “meu conhecimento musical tardio” é que pude criar o RockALT, com certeza eu me odiaria ainda mais se nunca tivesse escutado Dag Nasty.

Senseless Things
Às vezes na vida uma coisa leva a outra. Você escuta uma banda, curte uma música, descobre que essa música é cover e por fim você corre atrás da versão original. Foi exatamente assim com os londrinos do Senseless Things. A primeira vez que escutei uma obra desses caras foi através de um álbum, o “Here, I Made This For You Vol.1” do Beach Slang (aliás, banda também recomendadíssima) em outra produção para o RockALT. Travei uma batalha monstruosa para baixar o álbum (me desculpe, Spotify, mas eu ainda gosto de baixar as músicas para escutá-las no conforto da minha casa ou na minha sofrida locomoção pelo transporte público de São Paulo). Depois do trabalho hercúleo, consegui baixar o “Postcard C.V” de 1989 e o “Empire Of The Senseless” de 1993. Infelizmente no perfil do Spotify da banda consta apenas um álbum de compilações e isso é uma pena, o Senseless Things é uma banda de indie que merecia um pouco de atenção. Mancada, Spotify, mancada!

Espero que tenham gostado da coluna de hoje, só lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais:
https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT o nosso centésimo programa vai ao ar quinta-feira dia 06/04 às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 99 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

Coluna RockALT #7 – Chuva Negra, Ataque Fatal, Toma!, Beach Slang e Corona Kings

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RockALT, por Helder Sampedro

Mais uma semana, mais uma Coluna RockALT! Separei bandas um pouco mais pesadas dessa vez além de uma das minhas bandas favoritas dos últimos anos.

Chuva Negra

Escolhi o Chuva Negra pra abrir a coluna dessa semana com o pé na porta. E é assim que o quinteto de punk rock paulistano tem se apresentado, sem frescura e sem firula, as letras batem forte e tratam de problemas bem comuns a todo jovem que cresce em uma sociedade na qual não se sente completamente incluído. Musicalmente eu aprecio bastante o vocal rasgado, puxando pro hardcore, sem perder a conexão com o ouvinte. A influência punk também marca o instrumental, musicas rápidas, energéticas e curtas, com apenas dois minutos em média. A banda tem se apresentado bastante recentemente mas não tem lançado muita coisa, o último LP é de 2014. Fica aqui nossa torcida para que lancem um novo trabalho em breve.

Ataque Fatal

Falando em punk, eu não podia deixar de falar da banda Ataque Fatal. Atualmente formada apenas por Jhonny Magi nos vocais e guitarra e pelo baterista Victor Hugo, sem baixista porque segundo o próprio Jhonny os baixistas sempre o deixam na mão. A banda toca punk de verdade, sujo, direto com letras ácidas, ofensivas e contra o status quo. Em tempos que até a música sofre com falta de atitude ou falta de autenticidade, ver um cara como o Jhonny com seu festival totalmente independente – A Voz do Underground – é um verdadeiro alívio aos amantes da música independente e do espírito do faça-você-mesmo. Deixo um belo exemplo da banda aqui embaixo enquanto não chega o álbum prometido pra esse ano.

Toma!

Depois de anos longe dos holofotes, os gêneros melódicos (ou Emo, se preferir) parecem estar ganhando atenção novamente. A banda Toma! de Santa Cruz do Sul/RS é um exemplo interessante deste movimento. Formada em 2005, o auge da cena emo, o quinteto de hardcore melódico lançou seu primeiro álbum com músicas escritas ao longo dos seus mais de 10 anos de carreira e voltou em 2017 com o EP ‘Melhor Assim’ que mostra que o gênero ainda tem espaço na cena independente. Se você ficou com saudades desse estilo ou era muito novo na época, o EP é uma excelente pedida.

Beach Slang

O Beach Slang é uma daquelas bandas que eu gostaria que o mundo todo conhecesse. Tenho certeza que a sociedade seria muito melhor se esse quarteto da Filadélfia fosse tão famoso quanto os Beatles ou Stones. Dotado de uma energia juvenil somada à vivencia e visão de mundo do quarentão vocalista/guitarrista/liricista James Alex certamente é um dos destaques da banda. O som energético com pegada punk sem medo de ter momentos mais melódicos é contagiante e faz você querer virar a noite cercado de amigos e amores como se tivesse vinte e poucos anos novamente. E cuidado pra não querer tatuar trechos poéticos das letras, já aviso que faltaria espaço no seu corpo!

Corona Kings

Os garotos de Maringá tem tudo pra se tornarem estrelas da cena alternativa e já conquistaram um número considerável de fãs dedicados mesmo com pouco tempo de estrada. A banda formada em 2012 já foi selecionada para participar de projetos musicais patrocinados por marcas como Levi’s e Jägermeister. Atualmente gravam seu terceiro LP e tendo ouvido uma música desse novo álbum, garanto a vocês que vem coisa muito boa por aí. Com uma mistura de garage rock, punk e até metal a banda mostra sua versatilidade, qualidade e evolução musical. Se você acha que a cena independente só tem banda tranquilinha, meu amigo, você ainda tem que ouvir Corona Kings! A oportunidade perfeita para vê-los ao vivo é a nossa RockALT Fest, dia 09/04!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 98 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/

RockALT #6 – Mudhill, Moonlandingz, Diet Cig, The Real McKenzies e Cloud Nothings

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RockALT

RockALT, por Jaison Sampedro

Em julho deste ano eu faço 33 anos. Nasci no dia 10 de julho de 1984, isso significa que passei parte da minha adolescência nos anos 90. Assim como todo jovem daquela época eu passava parte do meu dia na frente da TV, e havia um canal que provocou uma forte influência na minha vida: a MTV. Quem não se lembra de Fabio Massari, Gastão Moreira, Luiz Thunderbird, entre tantos outros? Esses VJs faziam qualquer moleque morrer de inveja de tanta gente legal que esse povo da MTV conhecia e entrevistava. Fora isso tinha os clipes, algo que se você que está lendo essa coluna nasceu depois dos anos 2000 não vai entender a importância que um videoclipe de uma banda tinha. Nos anos 90 até o programa dominical da Globo, o Fantástico, dedicava um espaço de seu conteúdo para a divulgação de clipes de artistas como Madonna e Michael Jackson. Mas tudo isso mudou depois que uma ferramenta chamada Youtube apareceu na internet. No dia 30 de setembro de 2013 a MTV Brasil saiu do ar e o resto é história. Mas isso não significa que os videoclipes de banda perderam a força: hoje eles ainda são uma forma vital das bandas divulgarem o seu conteúdo e se comunicarem com o seu público. Por isso, a coluna do RockALT de hoje resolveu selecionar 5 videoclipes lançados recentemente de bandas nacionais e internacionais. Confira a nosso lista:

Mudhill – “Expectations”

A banda que tem uma extensa experiência no cenário underground, o vocalista e guitarrista Zeek Underwood fundou e liderou o Shed, participou do Ludovic, Single Parents e Fire Driven. O baixista Ali Zaher Jr já passou pelo Eletrofan e Reffer. E por último, o baterista Rodrigo Montorso foi membro do Smalls. O Mudhill tem gravado dois EPs, um Split e um álbum lançado em 2016, o “Expectations”, que aliás é o nome da musica do clipe lançado essa semana no Youtube, confira abaixo:

Moonlandingz“The Strange Of Anna”

É uma banda, é uma brincadeira, é um conceito? Há algo muito meta sobre o Moonlandingz, um grupo que começou a vida como uma construção ficcional. O grupo foi idealizado pelo Eccentronic Research Council, é liderado por dois integrantes da Fat White Family, e obcecado por um vídeo da atriz Maxine Peake – agora os Moonlandingz estão tocando como uma banda real e lançaram um clipe excelente com a participação de Rebecca Lucy Taylor do Slow Club. Se continuar nessa pegada a brincadeira pode ter vida longa.

Diet Cig“Tummy Ache”

Dupla pop-punk foi formada em Nova York no ano de 2015 pela guitarrista e vocalista Alex Luciano e o baterista Noah Bowman. Seu primeiro EP, “Over Easy”, foi lançado em fevereiro de 2015. O clipe “Tummy Ache” é o single escolhido para a divulgação do seu álbum de estréia “Swear I’m Good At This” que será lançado no dia 7 de abril.

The Real McKenzies“Seafarers”

Nem só de Dropkick Murphys vive a cena que mistura punk rock com música tradicional escocesa, aliás o grupo canadense The Real McKenzies está na estrada desde 1992 e o seu trabalho mais recente “Two Devils Will Talk” foi lançado no dia 3 de março marcando os 25 anos de existência da banda que se manteve ativa graças a Fat Wreck Chords selo de Fat Mike líder da banda NOFX. Confira abaixo o clipe da música “Seafarers”.

Cloud Nothings“Internal World”

Essa daqui é uma das bandas que eu mais gosto no cenário alternativo internacional. O grupo de Cleveland, Ohio começou sua carreira com um estilo mais lo-fi/noise rock com o seu primeiro álbum, o homônimo “Cloud Nothings” de 2011. Já o seu mais recente trabalho “Life Without Sound” lançado em janeiro de 2017, mostra que o grupo está no caminho de um indie rock mais contemplativo. Mesmo com essa mudança de estilo que a banda vem mostrando gradativamente a cada disco lançado eu digo sem dúvidas, o ano de 2017 começou muito bem!

Lembrando que no dia 09/04 vai ter o primeiro festival do RockALT, com presença de bandas como The Hexx, Mudhill e Corona Kings. Clique no link para saber mais: https://www.facebook.com/events/1597972090230407/

E se você curtiu essa coluna, não deixe de escutar o RockALT toda a quinta-feira às 21h na www.planetmusicbrasil.com.br. E nossos 97 programas estão disponíveis no link abaixo! https://www.mixcloud.com/rockalt/