Blues da Casa Torta: “O Tempo” para os ouvintes de toda a era musical

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“O Tempo” é o primeiro álbum e segundo trabalho de estúdio da banda portoalegrense Blues da Casa Torta, formada por Bernardo Scarton (guitarra e vocais principais), Filipe Siak (baixo e backing vocals) e Hamilton Felix (bateria e backing vocals). Gravado, mixado e masterizado no estúdio audioFARM entre março e agosto de 2017, teve participações de Luciano Leães (teclados), Filipe Lins (harmônica), Marcio Petracco (violão dobro e bandolim), Ronaldo Pereira (sax tenor), Bruno Nascimento (trompete) e Felipe Mantovani (trombone). O disco foi produzido por Sergio Selbach e Mateus Borges. Um encontro de mestres fizeram deste trabalho, um álbum consistente e de bela harmonia musical que percorre grandes gêneros musicais, tendo para mim, uma veia maior no blues/rock.

O álbum “O Tempo” possui dez músicas autorais, explorando retratos do tempo, da vida cotidiana mesclado a grandes ritmos da música raíz nacional e internacional. Esta obra musical está repleta de participações especiais, tendo a primeira faixa do disco a música homônima ao nome do álbum. “O Tempo” vêm sendo o single mais trabalhado pela banda na divulgação para o público, e não é atoa, pois a música é excelente. Ritmo contagiante, letra de pura nostalgia aonde contempla o ouvinte em uma ótima mesclagem entre o rock/jazz. Faixa que demonstra seguramente o ótimo entrosamento da banda ao decorrer das sonoridades, esta que teve mudança de integrante nas baquetas.

A seguir temos “Três por Dez”, esta que poderia ser a primeira música do disco pelo contexto de sua letra, mas não deixa de estar em seu lugar certo, mantendo a cadência de ritmo mais rápido e empolgante, calcando muito bem o blues/jazz da banda, tendo um solo de guitarra remetendo ao rockabilly. No final uma ótima virada de ritmo na bateria, aonde marca também a virada de ritmo do disco, já que na sequência temos a música “Blues do Gato”. Um som mais lento, bluseria pura com um feeling mais lento e pesado, tendo a letra em seu sentido combinativa. “Se Foi Assim” retoma a pegada da banda do blues/rock mais aberto, tendo até então, um ótimo complemento de sax tenor e trompete, incorporando muito bem esta faixa.

“Rei do Camarote” traz novos elementos musicais, tendo um ótimo desenvolvimento nos instrumentos de corda, havendo um ótimo solo de instrumento de sopro, deixando o ritmo único e especial sobre uma letra que envolve o amor. “Ando Meio Noiado” é a faixa de número 6, relatando uma letra de amor e cotidiano, que todo o brasileiro entende. A musicalidade trás o refrão mais repetido contando com o ritmo instrumental em um ciclo repetitivo como o relógio, combinando com a letra e mensagem da banda. “Amar e Temer” segue um fluxo calcado ao jazz, com o vocalista carregando mais o ritmo da música que conta com ótima presença do instrumento de sopro, uma marca excelente das participações especiais no disco. “Bus Lotado” chega com uma grande variação até aqui apresentada no disco. Ela conta com o ritmo do “baião”, algo inédito no disco, que chega de surpresa e combina muito bem com a crítica social apresentada na letra. Até aqui venho falando super bem da parte instrumental da banda, e realmente não tem como deixar de citar. Ritmos, ótima variação de instrumentos, grandes músicos convidados para esta bela obra musical. Sendo assim, a faixa “Catuaba Boogie” brinda esta marca registrada e ótima do entrosamento e experimentalismo do que é o Blues da Casa Torta.

Em um tom mais caipira, creio que marca de excelência do grande músico Marcio Petracco, a música “Me Assaltaram na Esquina” chega pesada, com ótima crítica ao país, marcando o encerramento deste belo disco. Em seu primeiro EP a banda já havia trabalhado com a ÁudioFARM, que teve um ótimo resultado, e sendo assim, time que tá ganhando não se meche. Álbum realmente surpreendente, tendo ótimas variações sem deixar de ser combinativo e contextualizador.

 

Foto: Edinara Patzlaff

Stevan Zanirati leva o ouvinte em uma viagem em seu disco “Álbum Aleatório “

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O cenário independente está cada vez mais forte. São muitos os meios do artista levar ao forno seu trabalho. Hoje, como um exemplo claro deste avanço musical, trago o músico Stevan Zanirati com seu primeiro disco, “Álbum Aleatório”. Artista e compositor, teve inicio na musica autoral em 2010 formando as bandas Atrás de Verbas, Atomic Yellow e Os Liverpoa. Desde 2014, como artista solo, tocando com bandas de apoio ou voz e violão, reúne suas composições para formar seu álbum de inéditas com a devida parceria do produtor e músico Maestro Sujo.

Gravado na Casa de Insetos (Viamão, RS ) e com produção do Maestro Sujo, o “Álbum Aleatório” é um trabalho que foi formado aos poucos, com precisão em sua elaboração, o que o torna único. A obra traz grandes refrões, riffs psicodélicos com pegada popular e até surf music.

Essa parceria entre Stevan e Maestro Sujo realmente foi algo inédito e que deu super certo. Conseguiram transformar as composições em um encontro de doses de psicodelia, balada e overdrive, o que tornou o disco leve e gostoso de ser ouvido. A faixa “Ao Som da Maçã” traz uma introdução do que é a base do disco, solos de guitarra e overdrive encorpando a letra que viaja aos ouvidos. A segunda faixa, “Repertório da Noite”, na minha opinião é a grande surpresa do disco, pois apresenta um swing diferenciado no som com aquele surf psicodélico, seguindo esta viagem musical muito bem feita pela dupla. A faixa “Valer a Pena” traz uma elaboração maior no vocal e maior presença do backing vocal. Noto que a utilização de novos elementos no álbum começa a surgir com maior presença, mantendo o psicodelismo.

Então chegamos na faixa “Quando Parar de Chover”, um som mais rock’n’roll com maior presença de influência dos Beatles. Já na faixa “Mary”, o artista dedica um som mais romântico, me lembrando o saudoso Júpiter Apple, com elemento da ”corneta artesanal” feita pelo Maestro Sujo para completar a sonoridade. Depois do groove mais romântico, o disco volta a ser mais enérgico na faixa “Não é uma Canção de Amor”. “Não Durma no Ponto” é uma faixa mais crítica e pesada que traz uma letra forte sobre a sociedade e marca muito bem o encerramento desta bela obra musical. Um disco que realmente me surpreendeu e me levou às veias psicodélicas novamente. A dupla Stevan Zanirati com Maestro Sujo fluiu muito bem, o que deixam bem claro aqui.

 

Tecnomacumba: 15 anos de festa e fé embalados por Rita Benneditto

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Rita Benneditto é uma das mais criativa e talentosa intérprete da MPB contemporânea. Considerada por Caetano Veloso como “a cantora que impressiona pela voz encorpada, de timbre cheio e naturalidade na afinação”, Rita é também a idealizadora do projeto Tecnomacumba, uma intervenção cultural que reafirma a importância da cultura africana na musica brasileira através da fusão dos cantos de terreiro com a eletrônica. Tecnomacumba em 2018 completa 15 anos, e a cantora realizará uma turnê pelas principais cidades brasileiras, para reafirmar a importância da valoração da cultura afro-brasileira.

A turnê teve inicio no último final de semana na Comedoria do SESC Pompeia e teve seus ingressos esgotados para as duas sessões. A apresentação começou com a cantora sozinha na percussão interpretando a canção “Divino”, em seguida a banda Cavaleiros de Aruanda juntou-se e o clima começou a esquentar com “Saudação – Abertura”. O público presente vibrava e saudava com a cantora as entidades homenageadas na música.

Tecnomacumba é também um resgate da música brasileira, foi responsável por apresentar ao público mais novo a canção “Cavaleiro de Aruanda”, gravado por Ronnie Von em 1972, e que foi o carro-chefe no inicio da Tecnomacumba. “Babá Alapalá” de Gilberto Gil, impressiona pelo peso da guitarra inserida na canção.

A saudosa Clara Nunes se fez presente, com as versões de Rita para os clássicos “Deusa dos Orixás” e “Coisa da Antiga”. Aliás, podemos considerar a Clara como uma inspiração para o Tecnomacumba, pois a cantora atingiu o grande público promovendo a cultura religiosa africana em suas canções e nos seus famosos video clipes produzidos pelo Fantástico nas décadas de 70 e 80.

Também destacaram-se as canções “É D’Óxum”, “Oração ao Tempo”, “Jurema” e “Iansã”. Ao interpretar “Cocada” saudando as crianças, a cantora aproveitou para realizar um discurso sobre mudança. Segundo ela, 2018 será um ano regido por Xangô e devemos aproveitar isso para realizar a mudança que desejamos ao nosso país. Não faltaram manifestações da plateia, insatisfeitos com o atual cenário político brasileiro.

“Tambor de Crioula” apontava para o final da apresentação mostrando a cultura musical maranhense. O bis ficou por conta de “Canto pra Oxalá” e após uma rápida troca de saia, Rita Benneditto encerrou cantando para a Pomba Gira versos que diziam “é só pedir que ela dá”, e dando a oportunidade de algumas pessoas presentes na platéia manifestarem seus desejos.

Se for pra pedir, peço que Tecnomacumba continue circulando pelo país com essa turnê comemorativa e que chegue em locais que ainda não tiveram o prazer de acolher o projeto. Manter um show em circulação por 15 anos não é uma atividade corriqueira e muito menos simples. Rita, junto com sua irmã Elza Ribeiro, são idealizadoras desse projeto, e foram responsáveis pelo excelente trabalho de resgate, e mais que isso, deram voz a uma grande parcela da nossa população.

Fotos: Riziane Otoni 

Vídeo: Klaudia Alvarez

BaianaSystem abre programação musical de 2018 do SESC Pompeia

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Em circulação com a turnê do disco “Duas Cidades” (2016), o grupo BaianaSystem ocupou o palco da Comedoria do Sesc Pompeia entre os dias 4 e 6 de janeiro, em uma série de três shows que abriu a programação musical da unidade em 2018.

Além de tocar o mais recente disco, a banda soteropolitana criada em 2009 propõe novas inserções sonoras, trechos instrumentais inusitados e as mais recentes faixas “Capim Guiné” (com Titica e Margareth Menezes), ”Invisível” e “Forasteiro”. Para esses shows, BaianaSystem convidou o rapper carioca BNegão, parceiro de longa data e artista homenageado em “Duas Cidades”. Além dele, também subiram ao palco Flora Matos e Rico Dalasam.

Mais do que um simples show, a apresentação da BaianaSystem é uma verdadeira experiência audiovisual, com seus telões e projeções que dialogam diretamente com os temas abordados pelo grupo em suas composições. A distribuição de máscaras para o público presente garantiu a sincronia com o projeto gráfico da banda.

Russo Passapusso demonstra um domínio absurdo de palco, além de ocupar todos os espaços existentes, o vocalista interage com a plateia e levanta questões importantes, na apresentação do dia 05 de janeiro o cantor questionou a nossa relação com a América Latina e o distanciamento do Brasil com os demais países latinos.

Musicalmente falando, a performance do grupo impressiona com a sua mistura de riffs da guitarra baiana, os beats do combo e o peso da bass culture com o tempero baiano: a palavra das ruas para as ruas. As participações especiais, totalmente integradas com a proposta da banda, elevaram os shows realizados no SESC Pompeia.

Essa temporada provou porque a BaianaSystem tem sido um dos nomes mais comentados no cenário musical brasileiro. “Duas Cidades” já se tornou um disco clássico, agora é momento de curtir o restante dessa turnê e aguardar os próximos passos na carreira do grupo.

“Acaso casa” celebra o encontro de Mariene de Castro e Almério

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Realizado no último sábado na Casa Natura Musical, o show intitulado “Acaso casa” reuniu dois talentosos nomes da Música Popular Brasileira: Mariene de Castro e Almério. Mariene lançou seu primeiro disco, o excelente “Abre Caminho”, em 2005, mas foi somente em 2013 que a cantora surgiu para o grande público, quando interpretou a saudosa Clara Nunes no show que deu origem ao CD e DVD Ser de Luz”. Almério lançou neste ano seu segundo disco “Desempena” e garantiu ótimas avaliações da crítica especializada e já aparece nas listas de melhores lançamentos de 2017.
O primeiro encontro dos artistas aconteceu num sarau realizado na casa de José Maurício Machline, o nome por trás do Prêmio da Música Brasileira. A sintonia foi imediata e ali mesmo surgiu a ideia do show, que tem a direção do próprio José Maurício. ‘Numa reunião em casa onde vários amigos deram canja, os dois se conheceram e se afinaram de forma inusitada, inclusive no que diz respeito ao tom, que muitas vezes entre homem e mulher é muito difícil. Ter escutado e visto a emoção que eles tiveram na união do canto foi uma coisa que contagiou a quem os assistia, mas principalmente aos dois cantores que se emocionaram de alguma forma que as lágrimas caíam em forma de música’, conta Machline. Em tom intimista, os cantores são acompanhados por dois violões e um acordeom, e nos levam a um show repleto de emoções e lembranças, mergulhando num repertório que canta principalmente a história do interior nordestino brasileiro, aliado ao belo cantar carregado de sotaque dos nossos protagonistas.

O roteiro do show é bem dividido, mesclando números em dupla e solos. Almério destacou-se na primeira parte do show, principalmente ao interpretar “Fala” do grupo Secos & Molhados. A plateia foi ao delírio e manifestava-se mesmo antes do término da canção. Do seu elogiado “Desempena”, Almério só cantou “Segredo”, mas ao dividir a canção em coro com o público, temos a certeza do potencial do cantor, que impressiona com sua performance nos palcos.

Mariene de Castro parecia um tanto quanto contida nessa apresentação, mesmo quando cantou alguns de seus sucessos como “Amuleto de Sorte” e “Ser de Luz”. Ao interpretar “Antes do mundo acabar”, parceria de Zélia Duncan com Zeca Baleiro, a cantora dedicou a música à Zélia, sua “irmã de alma”. Foi só ao cantar “Tirilê” que Mariene despertou e entregou aquilo que estamos acostumados a presenciar em seu shows, pediu ajuda da plateia nas palmas e girou muito no palco. Por mais que tenha sido um lindo momento, ele serviu para provar talvez a maior ausência do show: percussão, já que o batuque é presença constante no repertório de ambos.
O encerramento com “Canto de Ossanha” resume todo o potencial desse encontro, que merece ser alinhado e viajar pelo país.

Fotos: Felipe Giubilei

Lenine encerra a turnê do disco “Carbono” no SESC Parque Dom Pedro II

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O cantor e compositor pernambucano Lenine apresentou o show de encerramento da turnê de seu disco mais recente: “Carbono”, lançado em 2015. A apresentação ocorreu no SESC Parque Dom Pedro II, localizado na região central da cidade de São Paulo, próximo a um dos cartões-postais da cidade, o Mercado Municipal.
Com entrada gratuita e ao ar livre, nem a chuva que marcou presença pouco antes do show, foi capaz de espantar o público, que conferiu de perto as canções que integram o repertório do disco “Carbono” e as versões revisitadas das canções consagradas do cantor.

Entre os destaques, estão as canções “Na Pressão” e “Hoje Eu Quero Sair Só”. A canção “Rua de Passagem” chamou atenção por seu teor político presente em versos como “A cidade é tanto do mendigo quanto do policial. Todo mundo tem direito à vida. Todo mundo tem direito igual.”. Interessante ouvir e cantar versos assim em pleno Centro de São Paulo, região que sofre com o enorme descaso da atual gestão da Prefeitura, que parece não entender o mínimo sobre ocupação de lugares públicos.

“Paciência”, maior sucesso do cantor e que já ganhou versões gravadas por Simone e Zeca Baleiro, foi insistentemente pedida pelo público presente e foi a escolhida para encerrar a apresentação. Sempre muito simpático, Lenine disse que a banda tocaria a base e a cantoria ficaria por parte do púbico, que não decepcionou e cantou fortemente uma das melhores composições da música brasileira.

Fotos: Viviane Pereira ( Música Compartilhada )

Nação Zumbi apresenta sua recém lançada “Radiola NZ” no SESC Pompeia

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Percussores do Mangue Beat, movimento musical que ganhou projeção nacional na década de 90, a Nação Zumbi se apresentou no último final de semana na Comedoria do SESC Pompeia. Depois de realizar uma turnê em comemoração aos 20 anos do clássico álbum “Afrociberdelia”, a banda se prepara para mais um lançamento, dessa vez surge o álbum “Radiola NZ”, apresentando versões ousadas de canções que influenciaram a banda.

Com ingressos esgotados para todos os dias, a temporada mais uma vez provou o potencial da banda, cuja presença é marcante nos principais festivais musicais do país. O repertório revisitou canções como Refazenda” de Gilberto Gil e “Não Há Dinheiro Que Pague” do Rei Roberto Carlos.

“Amor” do Secos & Molhados ganhou uma versão mais pesada, com a forte presença do trio de alfaias, instrumento fundamental na formação musical da banda, que conta com excelentes músicos, com destaque para o guitarrista Lúcio Maia e o baterista Pupillo. Sem a ilustre presença de Ney Matogrosso, como ocorreu no encontro realizado no Rock In Rio, a execução da canção pareceu bem mais alinhada.

Algumas versões pareceram menos inspiradas, porém não chegaram a comprometer o show, cujo ponto alto ainda foram as canções autorais da banda, como “Manguetown”, “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” e “Quando a Maré Encher”, essa última eternizada pela versão da cantora Cássia Eller, que registrou a versão em seu Acústico MTV com participação especial da própria Nação Zumbi.

Tendo a frente o vocalista Jorge du Peixe, as apresentações da banda sempre carregam um tom político, não faltaram falas de descontentamento com o atual cenário político brasileiro e demais assuntos.

Fotos: Carol Vidal

Letrux surpreendeu com seu climão no SESC Campo Limpo

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“Bota na tua cabeça que isso aqui vai render” e como rendeu! Foi com esse refrão da música “Vai Render” que Letrux abriu seu show na tarde de sábado, 04 de novembro, no SESC Campo Limpo. A apresentação teve inicio pontualmente as 18h e garantiu o anoitecer no climão da cantora, embalado pelo repertório do seu primeiro trabalho solo, o elogiado “Letrux em Noite de Climão”.

Com um figurino ma-ra-vi-lho-so, composto por um macacão brilhante e luvas, ambos vermelhos, a cantora transformou a tenda da comedoria do SESC num clubinho fervoroso. A banda, além de ser formada por ótimos musicistas, também acompanhou o embalo e se apresentou com figurinos vermelhos, todos inspirados do projeto gráfico do disco.

No repertório todas as canções do seu disco, com destaque para a faixa “Que Estrago”, cujo clipe psicodélico chegou nas redes sociais poucos dias antes do show. Impactante ver a reação do público presente, claramente fascinado e cantando a plenos pulmões os versos safadinhos como “Deda, deda, deda, deda, deda, dedada. Molha, molha, molha, molha, molha, mulher molhada”. Também se destacaram “Ninguém Perguntou por Você” e “Puro Disfarce”.

Entre as canções, Letrux interagiu muito com a plateia, vezes recitando poemas, vezes contando histórias. A mais interessante foi quando a cantora comentou sobre o Prêmio Multishow 2017, onde foi consagrada na categoria de Melhor Disco. De forma divertida, ela contou sobre o nervosismo que sentiu, já que a Sandy estava bem próxima dela na plateia.

“Flerte Revival” já apontava para o encerramento do show, que provou o potencial da cantora e desse trabalho. “Letrux em Noite de Climão” não deve ser considerado somente um dos melhores lançamentos do ano, mas também um dos melhores shows da atualidade. Vale a pena entrar no climão e ser seduzido por esse trabalho, que se eu tivesse que resumir, diria que foi feito com muito tesão, com certeza!

Crédito fotos: Viviane Pereira ( Música Compartilhada )

Audiometria: Achei fácil dar uma chance ao Jota Quest em “De Volta Ao Planeta” (1998)

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Jota Quest De Volta Ao Planeta

Xingar o Jota Quest é fácil, extremamente fácil. Mesmo antes da internet dividir tudo em um Fla x Flu em todo e qualquer assunto, já era “cool” falar mal da banda mineira, que apesar de fazer um enorme sucesso no mundo pop, sempre foi vista com desdém pelos “roqueiros” e os “apreciadores da boa música”. Porque será? A resposta é simples: o Jota Quest é pop até o caroço, e isso incomoda até quem gosta do estilo de som funk/soul que eles têm como base para suas músicas. Além disso, temos o fator Rogério Flausino, que sempre recebe duras críticas à sua performance vocal. Mas será que é tão ruim assim?

Na Audiometria de hoje, vou ouvir um disco do Jota Quest para desvendar se toda essa enxurrada de críticas e piadinhas se justifica. Afinal, já ouvi de mais de um amigo meu que trabalha com música frases como “O Jota Quest é legal, se você ouvir sem preconceito” e muitos elogios à cozinha da banda, com PJ no baixo e Paulinho Fonseca na bateria. Escolhi ouvir e analisar “De Volta Ao Planeta”, de 1998, segundo disco do grupo, simplesmente porque gostei da capa com alusão ao filme “O Planeta dos Macacos” antes mesmo de qualquer remake chegar aos cinemas. Bom, vamos lá… Play.

A primeira faixa dá nome ao disco e começa com um clima meio Red Hot Chili Peppers de ser, o que faz sentido, já que as duas bandas usam a mistura de funk e rock em sua fórmula. Porém, os mineiros jogam uns “na na na na” e deixam tudo mais pop que uma lata de Coca Cola sendo aberta. A letra politizada mistura algo meio “Todos Estão Surdos” com a revolta brazuca de sempre. É, a cozinha realmente é melhor que de muito restaurante gourmet por aí, e apesar do pouco alcance vocal do Flausino, não dá pra dizer que o rapaz não se esforça em empolgação.

A segunda faixa é “Sempre Assim”, que continua a festança funky pop. Não vou negar que gosto dessa música desde os anos 90 e dei uma reboladinha na cadeira. A letra é meio bobinha e dentro que se espera de uma banda de pop rock e tem o sempre irritante “everybody say yeah/everybody say wow”, que só funciona em show, mesmo, mas ainda assim que acho bem bacaninha. Você mesmo que xinga o Jota Quest: duvido ouvir essa sem ao menos bater o pezinho no ritmo. Du-vi-do. Não sei de onde as pessoas tiram que o que é pop necessariamente é algo ruim. Se atinge tanta gente com tanto sucesso, algo de bom deve ter ali, não? Sei lá. Enfim, vamos para a próxima.

Sabe uma coisa que me irrita, agora que começou “Tudo É Você”? O Jota Quest tem um bom baterista e mesmo assim investia (pelo menos nesse disco) na mesma batidinha repetida em loop em muitas de suas músicas. É meio um reflexo dos anos 90, que aquela levadinha de bateria de “You Learn” da Alanis Morrissette era usada em umas 50 músicas. Cansa, né.

Acho que não preciso comentar muito sobre “Fácil”, né? A música é o que qualquer um espera de um som pop e a própria letra brinca com a simplicidade que uma canção dessas precisa ter. Só agora fui prestar atenção na linha de baixo do PJ, bem trabalhada e construindo uma cama para toda a estrutura do negócio. Extremamente fácil, mas também extremamente eficaz.

Esse tecladinho no começo de “35” chega a ser engraçado de tão datado que é. Ela dá um quê de “He-Man” do Trem da Alegria para a música, que seria bem mais bacana sem esse noventismo. As guitarrinhas funky do Marco Túlio funcionam bem, mesmo com a letra bobinha de Heleno Loyola. Se tirasse o tal do teclado, essa poderia ser a minha preferida do disco (Desculpa, Márcio Buzelin, nada pessoal). Por enquanto continuo na dúvida entre as duas primeiras. Vamos em frente.

“Qualquer Dia Desses” é uma versão para “One Of Those Days”, do Marvin Gaye. Como não dá pra melhorar Marvin Gaye, vamos dizer que é uma versão respeitosa e bem noventista. O baixão comendo solto com pedal é bem bacana, e o coral na hora do refrão ficou bem bacana. Nada que chegue perto da original, mas acho que a própria banda sabe que não dá pra fazer algo que chegue próximo de Marvin Gaye, né?

“Tão Bem” (versão do hit de Lulu Santos) chega com a intro mais noventista de todas, mas cara… Se eu disser que esse comecinho me lembra algo que o Gorillaz poderia ter feito, vocês vão me crucificar? Bom, aí entra o Flausino fazendo um semi-rap e dá uma estragada, porque o instrumental tá bem bacana, acho que é o melhor do disco até agora. Gostei muito. Só achei estranho jogar duas covers assim, na sequência… Normalmente povo dá uma espalhada, né, mineirada?

“Nega da Hora” é bem funkão pesado oitentista com uma guitarrinha safada à la Chili Peppers e o baixão comendo solto. Mark Ronson ficaria orgulhoso dessa, inclusive, viu. Desculpem os odiadores do Jota Quest, mas essa aqui funcionaria muito bem no meio de uma discotecagem com Daft Punk e Nile Rodgers. Uma das melhores, na minha opinião, até agora. Ah, e adorei o teclado dessa na mesma medida que detestei em “35”. A quebra instrumental antes do final da música mostra bem a competência da banda no funk.

Mais um hit: “O Vento” é bem mais soul que todo o resto do disco junto, numa pegada meio Hyldon ou Cassiano. Lógico que a voz do Flausino não chega nem perto da dos dois, mas até que funciona aqui (tem até um agudinho tímido lá no meio). O arranjo de cordas ficou bem bonito junto com o piano do Buzelin. Aliás, uma música só com voz, piano e cordas chegar ao topo das paradas de sucesso é algo muito legal. Tá, os haters vão dizer que é “brega”, “cafona” e tal, mas… Fazer o quê, né? Haters gonna hate, como diria Taylor Swift.

Fechando o disco com um bom instrumental, “Loucas Tardes de Domingo” traz metais e backing vocals e um pouco de slap de baixo pra trazer um outro lado do funk para o álbum. Não gruda tanto na cabeça quanto várias outras que passaram, mas é interessante.

Ouvindo o disco com atenção, fiquei ainda mais encucado quanto ao extremo ódio das pessoas pelo Jota Quest e sua obra. Será pelo trabalho ser o mais pop possível? Talvez seja a voz de Flausino? As letras simples, básicas e extremamente fáceis? O comercial da Fanta? A amizade com Aécio Neves? Não sei. Só sei que me diverti mais do que esperava ouvindo “De Volta Ao Planeta”, lembrei que adoro “Sempre Assim” e ainda ganhei uma nova música preferida da banda mineira, “Nega da Hora”. Ou seja: saldo positivo pra mim. Que os odiadores continuem odiando, já que gostam tanto de fazer isso…

Paulinho Moska e a genialidade do show “Violoz”

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Tornando-se cada vez mais uma referência para os shows na cidade de São Paulo, a Casa Natura Musical recebeu no último fim de semana o cantor Paulinho Moska para duas apresentações do espetáculo intitulado “Violoz”.

A abertura ficou por conta de Bárbara Dias, novo nome na cena musical que se mostrou extremamente à vontade e confiante no palco. Acompanhada de seu violão, mesclou composições autorais com versões de seus artistas preferidos, como Tiago Iorc, bastante elogiado pela cantora e que recebeu aplausos calorosos da plateia ao ter seu nome citado. Apesar do show curto, Bárbara instigou e provou que é um nome que deve ser acompanhado.

Logo em seguida, Paulinho Moska nos presenteou com um show repleto de canções, histórias, momentos e recordações. Conhecido por sua boa relação com o mercado latino americano, o cantor arriscou um “portunhol” e abriu o show com a canção “Hermanos”, seguida por “A idade do céu”, canção originalmente composta em espanhol por Jorge Drexler, cuja versão em português foi escrita pelo próprio Moska.

Alternando entre os violões, guitarra e bandolim, o cantor apresentou seu excelente repertório sempre conduzindo de forma precisa todos seus instrumentos. Um show solo requer muita confiança e Moska tem de sobra. Além dos seus sucessos como “A seta e o alvo”, “Tudo novo de novo” e “Pensando em você”, fizeram parte do repertório parcerias de Moska gravadas originalmente por outros artistas. “Sinto Encanto”, gravado por Zélia Duncan no disco “Pelo sabor do gesto”, “Namora comigo” composta por Moska e gravada por Mart’nália.

O show “Violoz” comprova a genialidade de Moska. Excelente instrumentista, ótimo compositor e com uma espontaneidade no palco que impressiona e cativa o publico.

Setlist
1. “Hermanos”
2. “A idade do céu”
3. “Soneto do teu corpo”
4. “Tudo o Que Acontece de Ruim É Para Melhorar”
5. “Pensando em você”
6. “Impaciente Demais”
7. “A seta e o alvo”
8. “Sinto encanto”
9. “Sonhos”
10. “While My Guitar Gently Weeps”
11. “Lágrimas de diamantes”
12. “Sem dizer adeus”
13. “O último dia”
14. “Tudo novo de novo”
15. “Quantas vidas você tem”
16. “Namora comigo”
17. “Admito que perdi”
18. “Um móbile no furacão”
19. “Relampiano”
20. “Stand By Me”
21. “Somente nela”
22. “Muito pouco”